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Arquivo de abril de 2011

Grêmio 1 x 2 Universidad Católica

quarta-feira, 27 de abril de 2011

 

O Grêmio não perdeu para um time qualquer. A equipe chilena é realmente de boa qualidade. Pratto e Cañete, ótima dupla  de conclusão e armação, desarticulou o sistema defensivo gremista e mereceu amplamenta a vitória facilitada pelo desatino de Borges. Quando o Grêmio já perdia num contragolpe de qualidade, ainda mais ajudado por uma marcação que em momento algum ajudou.

O golaço de empate de Douglas reanimou uma torcida acostumada a uma equipe que reage fácil, mesmo com jogador a menos. Mas o nervosismo, o esquema desestruturado, e as qualidades chilenas (e argentinas) fizeram Pratto desempatar, e quase definir de vez a parada no final, em grande jogada que Marcelo Grohe (desta vez) salvou.

Ainda há vida no Grêmio. Mas só porque é futebol, só porque é Grêmio. Porque o futebol recente da equipe não anima.

* Carlos Alberto poderia ter entrado antes se não fosse, digamos, tão Carlos Alberto no espírito. Era nitroglicerina pura num barril do pólvora.

* A Universidad só era Católica se fosse no tempo de Torquemada. Bateu sem dó e sem um apitador para coibi-la.

* Victor, Rodolfo e Lúcio fizeram mais falta que André Lima e Vilson. Tanto quando equilíbrio a Borges, experiência a Leandro, regularidade a Douglas, e futebol a Gilson.

* Fábio Rochemback apanhou, pouco bateu, e muito jogou. É o espírito necessário ao Tricolor, no Chile.

Schalke 04 0 x 2 Manchester United – AO VIVO

terça-feira, 26 de abril de 2011

 

Schalke 04 começou no 4-1-4-1; Manchester United no 4-4-2 que vira 4-4-1-1 com o recuo de Rooney

25min – Pequena mudança de posição no Schalke 04

Jurado vai por dentro, Baumjohann tenta marcar por dentro para conter a avalanche inglesa

 

 PRIMEIRO TEMPO

Onze chances inglesas, três alemãs. Cinco senhoras defesas de Neuer e o pé  torto de Chicharito garantiram o placar sem gols. O United foi senhor do campo todo o jogo. Com velocidade, qualidade, intensidade e dinâmica contra um adversário que só marcou. E não sabe marcar.

Neuer foi impressionante. Hoje, com Marcos deixando a meta palmeirense no final do ano, não vejo goleiro que saiba fechar tão bem o ângulo no mundo. No Brasil, apenas o cruzeirense Fábio.

7min

Kluge entra para fechar o meio-campo. O Manchester United segue em cima, mas sem a mesma intensidade

 

Kluge, de fato, entra para tentar não bloquear o imenso Giggs, esse moleque de 37 anos que não para de jogar e de correr.

21MIN – GOLAÇO. GIGGS. PÉ ESQUERDO, ENTRE AS PERNAS DE NEUER, DEPOIS DE PASSE ESPETACULAR ENFIADA DE ROONEY. MAIS QUE MERECIDO.

23MIN – ROONEY. BELO PASSE DE CHICHARITO NAS COSTAS DA MÁ DEFESA ALEMÃ

FIM DE JOGO

17 x 6 em chances para o United. 2 X 0 foi pouco para o United, 99% classificado.

Libertadores – 8as. – Brasileiros favoritos

terça-feira, 26 de abril de 2011

 

Grêmio vence a Universidad Católica no Olímpico, ainda que pesem as ausências de Victor, Rodolfo e Lúcio. Leandro e Douglas podem ser os pés para começarem a construir vantagem administrável no Chile contra a equipe líder no campeonato nacional.

Cruzeiro volta no mínimo com empate com gols de Manizales contra o Once Caldas que começa a mostrar um futebol mais convincente. Mas não melhor que o melhor time da primeira fase. E numa fase… Thiago Ribeiro, porém, é ausência para atrapalhar a qualidade do jogo. Como Pablo também vinha sendo importante.

O Fluminense pega o time do hómi, o Nicolas Leóz. Todo cuidado é nada contra o Libertad. Mas, no Engenhão, que precisa receber o público que ainda não compareceu, o Tricolor precisa ser vibrante como começa a ser. E com uma defesa melhor guarnecida. Outro que consegue bom resultado na rodada de ida.

A camisa do Peñarol, além de linda, merece todo o respeito da América. Mas não é páreo hoje para o Internacional. Falcão insiste no 4-4-2 ortodoxo. Embora tenha homens que saibam jogar assim, dá a impressão de engessar a criação e conter demais o apoio qualificado de Nei e Kléber. Mesmo assim, segue favorito.

Como o Santos. Classificado suado, mas com a defesa protegida com Arouca e os laterais apoiando menos (o que não é contrasenso com o que foi escrito do Inter), há mais liberdade para Ganso e Neymar serem Ganso e Neymar. Elano dá a sustentação no meio e o time é favorito contra o respeitável América mexicano. Ao menos na Vila.

SP-11 – G-4 é G-4

terça-feira, 26 de abril de 2011

 

São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos, semifinalistas do SP-11. Como desejava a FPF, que inchou a reta de chegada com oito clubes para não correr riscos… E nem precisou do artifício.

O São Paulo sofreu menos que o esperado contra a brava Portuguesa. Fez 2 a 0 em Barueri sem muito esforço, e sem o talento de Lucas. Mas com Ilsinho e Dagoberto fazendo bem o serviço fora de casa.

O Palmeiras sofreu mais que o necessário pelo número de gols perdidos. Mas foi outro que conseguiu a classificação esperada, marcando dois belos gols de longe para vencer o Mirassol, mesmo com a arbitragem discutível nos critérios dos cartões.

O Corinthians fez dois gols bem trabalhados no Oeste, sofreu outro besta, mas é mais um que passou sufoco maior que o recomendável contra o Oeste. Pode e deve jogar mais. Como pode e deve cada vez mais pensar Tite em aproveitar William ao lado de Liedson.

O Santos teve a maior encrenca pelo caminho. Mas tem Neymar. Ainda que não tenha Ganso 100%, é outro time com a dupla, e com Arouca e Jonathan com ritmo, e com uma zaga menos exposta. Tecnicamente, é o melhor da turma.

Mas quem sabe alguma coisa em um só jogo?

No Morumbi, o campo dá ligeira vantagem a um São Paulo que se cansará menos na semana que o Santos focado na Libertadores.

No Pacaembu, o Corinthians estará mais acostumado que o Palmeiras ao gramado. Mas a maior presença de um palmeirense cada vez mais vibrante e parceiro da equipe dá ligeira vantagem ao Verdão.

Nada, porém, que não possa ser mudado em apenas 90 minutos com possíveis pênaltis na parada.

Em 180 minutos, apostaria mais em Santos e Palmeiras.

Em 90 minutos, construo o muro e dele observo as semifinais paulistas.

Vinte rodadas para dar o óbvio. E, enfim, emoção.

 

RJ-11 – Taça Rio – Vasco! Flamengo!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

 

No sábado, apesar da ausência presente de Diego Souza, Bernardo ajudou a criar a vitória suada e sofrida contra o Olaria, que recoloca o Vasco numa decisão de turno, e, desta vez, com boas chances de sucesso.

Afinal, do outro lado, apesar de ainda não ter sido derrotado em 2011, o Flamengo segue batendo na trave e nos pênaltis, bem defendidos por Felipe (que ainda fez uma série de defesas nos 90 minutos equilibrados contra o Fluminense).

O gol de Rafael Moura foi irregular como mais uma atuação do Flamengo. Maldonado fará falta, Ronaldinho Gaúcho não atuou, Leo Moura saiu muito cedo. Thiago Neves fez o gol, e pouco mais. Ainda não é muito.

Mas foi suficiente para vencer um bravo Fluminense, que, sem Emerson, deve apostar em Rafael Moura e Fred no ataque, e torcer para a defesa se proteger melhor.

Coritiba bicampeão paranaense, 2010-11

segunda-feira, 25 de abril de 2011

 

Ganhe 21 jogos seguidos e depois conteste o título estadual do Coxa, conquistado de modo antecipado num 3 a 0 clássico contra o Atlético, na Baixada.

Se Manoel foi expulso muito cedo, o Coxa foi ainda mais atirado e precoce, fazendo da casa atleticana uma extensão do Couto Pereira, como o reserva Tcheco fez de modo tocante, ao doar ao torcedor uma das taças entregues.

Essa combinação campo e arquibancada explica o sucesso da equipe tanto quanto as ideias arrojadas da direção, a mentalidade mantida mesmo com a saída de Ney Franco, o comando seguro de Marcelo Oliveira, a velocidade da armação de jogadas a partir de Rafinha e Davi, a agilidade e conclusão de Marcos Aurélio, e a fase impressionante de Bill – para não dizer de todo o time.

Se não há rival hoje no Paraná (também pelas perdas do Atlético e pelo pior momento da história paranista), a Copa do Brasil pode ver já contra o Palmeiras um adversário temível e respeitável.

Copa do Brasil – Botafogo… Flamengo…

quinta-feira, 21 de abril de 2011

 

* O Botafogo pode e deve reclamar de mais uma eliminação com desgosto amargo pela arbitragem infeliz, que criou um pênalti a favor do Avaí, aos 43 minutos. Mas a bola também pode chiar do futebol alvinegro, incapaz de vencer um apenas esforçado rival, na Ressacada.

* Quase tão ruim quanto ver (e rever exaustivas vezes na televisão) a violência entre remunerados nos gramados, apenas debatê-la e descrevê-la. Erram quase todos que brigam, acertam todos que tentam apartar esse apartheid mental que acomete gente que, por vezes, não honra o salário que ganha.

* O Flamengo tem moral pelas partidas invictas em 2011. Mas não pelo que tem feito para não perder. E não vencer o Horizonte de Siloé e Elanardo, no Engenhão, com tão pouca gente e futebol, convenhamos, encerra discussões.

* E, para piorar, perde Maldonado por seis meses. Jogador que pela eficiência e experiência não tem substituto no elenco. Ainda mais quando Ronaldinho, Thiago e Leo jogaram tão pouco como na quarta-feira. E David Braz faz pênalti tão juvenil.

* Cinco a zero. E foi pouco para o Atlético Paranaense que revive com Adilson Batista contra um Bahia que ainda não parece pronto para retornar ao grupo de elite do Brasil.

* O São Paulo sem Lucas nem precisou jogar bem e bonito para vencer no Serra Dourada um Goiás sem grande time, e com um a menos a partir dos 22 minutos. Poderia ter feito mais que 1 a 0. Poderia ter jogado muito mais pelo que tinha e pelo que falta ao adversário. Só não precisava jogar de calção vermelho. E muito menos rererereleger Juvenal Contursi Dualib Juvêncio.

* O Palmeiras só foi fazer 1 a 0 no fraco Santo André num Pacaembu novamente lotado e vibrante quando parou de guerrear contra o Ramalhão e botou a bola no chão. A mesma que Valdivia teima não chutar só para irritar o rival – e consegue. Finta do chute no vazio que enche os picuás do rival e, algumas vezes, não é firula – é recurso que dá certo. Até porque ele não reclama depois que é perseguido e que apanha muito.

Copa do Rei – Real Madrid 0 (1) x 0 (0) Barcelona

quinta-feira, 21 de abril de 2011

 

“Imbatível”?

Nem o Real Madrid de Di Séfano, nem o Santos de Pelé, nem o Flamengo de Zico, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Internacional de Falcão, o São Paulo de Raí, o Barcelona de Messi, o Dream Team.

Em 90 (ou 120 minutos), é possível marcar direitinho como fez o Madrid no primeiro tempo, e ainda jogar mais que o favorito Barcelona. É possível ser dominado e não levar gols porque o imenso Casillas garantiu na defesa, na segunda etapa. É possível parecer pior fisicamente e, ainda assim, num belo lance de Marcelo com Di María, a bola chegar limpa na cabeça de Cristiano, que subiu mais que Adriano, e venceu Pinto e a Copa do Rei que desde 1993 não era merengue.

O Barça de Guardiola, como qualquer outro time espetacular, pode perder uma decisão. Ainda mais num jogo único. Em 120 minutos. Contra um senhor rival. Contra um banco com mais opções que o blaugrana. E com um treinador mais experiente e capaz que Guardiola. E que qualquer outro. José Mourinho.

* O Barcelona começou no 4-3-3 usual. Mascherano formando dupla com Piqué. Zaga baixa e preocupante. Mas qualificando o meio-campo, com Busquets na cabeça da área, Xavi e Iniesta armando. Ou tentando armar. Porque o Madrid pouco deixou. E, quando houve espaço, Pedro  e Villa (em seu pior momento culé) não souberam aproveitar.

* O Real Madrid manteve o 4-1-4-1 do Santiago Bernabéu, no empate de sábado que praticamente definiu o tri nacional do time catalão. Masc om uma mudança significativa no meio: Pepe não foi o cabeça de área para perseguir Messi. Foi adiantado como volante pela esquerda, ao lado de Khedira. Mais técnico e tranquilo, Xabi Alonso foi recuado para proteger Sergio Ramos e Ricardo Carvalho. Não houve cerco individual a Messi.

Real Madrid repetiu o 4-1-4-1 do returno espanhol, mas com Xabi Alonso mais atrás, e Pepe mais à frente; Bar

* E o gênio argentino? Primeiro tempo abaixo do potencial, também pela dominação madridista – até bola na trave Pepe cabeceou, no final dos 45 iniciais. Na segunda etapa, porém, ele e o Barça cresceram. Também pela feliz mexida de Guardiola: como só Ronaldo era atacante de fato no rival, Guardiola deixou Mascherano e Piqué atrás, e Busquets um tanto mais recuado; projetou Daniel Alves (mais) e Adriano  (menos) pelas bandas, batendo mais à frente com Ozil (que saiu depois de pálida segunda etapa) e Di María; Xavi e Iniesta (ambos em atuação abaixo de excepcional média) foram articular mais à frente, com Messi como meia pela direita, Pedro agora aberto do outro lado, à esquerda; Villa foi centralizado. O que normalmente é um 4-3-3 virou 3-4-2-1.

O que foi o segundo tempo. Já com Adebayor, a partir dos 24min, o Madrid manteve o 4-1-4-1, agora mais definido, pelo recuo dos wingers; o Barça mudou e para muito melhor, com Pedro pela esquerda, Villa enfiado, Messi vindo da direita, e três atrás: um pouco usual 3-4-2-1

* Também por isso o Madrid sentiu. Ficou muito atrás. Nem a entrada de Adebayor no comando de ataque, aos 24, e a passagem de Cristiano como winger (o meia aberto pela direita) deu jeito. Não fosse Casillas, os quase 80% de posse de bola blaugrana teriam sido tão fatais quanto o gol bem anulado de Pedro, aos 23. Por uma passada ele não fez um golaço, depois de jogada sensacional de Messi, que se livrou de quatro, desde a intermediária, e deu passe cerebral para o atacante das decisões.

* Messi ainda chutou bola que Casillas salvou, aos 26.  Deu outro gol que o goleiro-bandeira merengue salvou, aos 36, em chute cruzado de Iniesta. Mais não fez. Para o nível dele, é pouco. Ainda assim, em três lances, fez mais que todos. Só não fez o gol. Suficiente para dizerem que pouco jogou… É a vida. É o futebol que ele tanto sabe jogar e vencer.

* Cristiano, porém, ainda que isolado, quase fez golaço, em arrancada, aos 7 da prorrogação. Faria o gol de cabeça do título, aos 12. Poderia ter celebrado um gol de Adebayor, na segunda etapa da prorrogação. Foi centroavante, foi meia pela direita, foi, como todos, um mala em relação ao árbitro altamente influenciável. E foi o nome do título. É a vida. É o futebol que ele tanto sabe jogar e vencer.

* Como o Real Madrid, que, depois de 17 anos, vence uma Copa do Rei. O que faltava ao goleiro Casillas. Ao presidente do clube. E ao rei, que recebeu do capitão merengue um abraço de campeão. Grande campeão. De um time que está pronto para aprontar também na Liga dos Campeões.

* A derrota pode ser pedagógica para o Barcelona. Guardiola é perfeccionista e barcelonista no mesmo nível. Pode sacar das entranhas e do engenho soluções para encarar o Real Madrid que provou sua fortaleza e grandeza sabidas. Mas sem necessariamente expor as fraquezas de um adversário ainda melhor que ele.

Mas não campeão da Copa do Rei.

Libertadores – Deu a lógica. Com sufoco.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

 

INTERNACIONAL 2 X 0 EMELEC 

* Da classificação colorada com o 2 x 0 no Emelec no Beira-Rio, jogo 2 da era Falcão, muito melhor escreve ANDRÉ ROCHA, no globo.com

http://globoesporte.globo.com/platb/olhotatico/2011/04/19/internacional-2×0-emelec-%e2%80%93-problemas-e-solucoes-do-4-4-2-de-falcao/

Apenas acrescento que é preciso soltar mais D’Alessandro, e não prender Andrezinho pela direita. Melhor um 4-2-2-2 que um 4-4-2. Por mais que Bolatti (mais) e Guiñazú (menos) possam ser os volantes centrais de área a área (e Tinga, muito mais que os dois), uma armação mais solta favorece o jogo do Inter.

Tanto quanto a titularidade de Oscar.

ARGENTINOS JUNIORS 2 X 4 FLUMINENSE

* Desde a vitória de 2008 contra o São Paulo, no Maracanã, no último cabeceio de Washington, na Libertadores, o Flu tem sido teatro de Nelso Rodrigues. Mais para comédia que tragédia. Mais para arrancar do torcedor o coração, pisoteá-lo, e devolvê-lo sangrando como esse time de guerreiros brinca com a sorte, muitas vezes briga com a bola, mas, ao final, acaba fazendo história.

* Não precisava sofrer tanto num grupo complicado. Mas com a saída de Muricy, as questões institucionais, as lesões, os problemas defensivos, as ausências no ataque, o Conca que só agora vai voltando, tudo levou o Flu a depender do além e de Nelson para escrever mais uma página espetacular.

* O árbitro que marcou o pênalti de Gum poderia marcar o de Edinho. O primeiro não é fácil de ver. O segundo, pela TV, se vê que foi saída na bola, não no zagueiro tricolor. No estádio, porém, é possível interpretar a imprudência do goleiro. É possível marcar o pênalti quando não mais parecia provável a reviravolta.

* Não saberemos 100% o que fez Emerson antes e nos dias anteriores. Mas o histórico do atleta, desde a idade adulterada, não é dos mais administráveis. A gatunagem de então, e o sentimento de um sheik plenipotenciário, quase desandam a maionese tricolor.

* São histórias e vitórias para contar aos netos. Mas, assim como o Santos, num grupo muito mais tranquilo, é hora de jogar bola. Ou mostrar a fibra da vitória contra o Argentinos Juniors.

* Troglio se repete como farsa em bagunça contra o Fluminense.

* E a Conmebol, como festa. Como farra. A entidade que agora resolver criar o Troféu Fair-Play na Libertadores. Piada de Tiririca.

* Entidade presidida por Nicolas Léoz desde antes da chegada de Colombo. Que recebe dólares pelos muitos cartões amarelos mostrados. Que nada faz para coibir a barbárie que se viu na Argentina, se vê em todo escanteio na Colômbia, e em muitos jogos entre brasileiros e argentinos. Lá e aqui.

 SANTOS 3 X 1 DEPORTIVO TÁCHIRA

* Quase 38 mil santistas com chuva, trânsito, saída para o feriadão, e horário muito cedo (19h30) – mas muito melhor que 22h. E, ainda melhor, um atropelamento em 5 minutos, um gol, outro antes dos 15, uma tirada compreensível do pé do acelerador, gols perdidos, e uma vitória tranquila.

* Mas, insisto: era para ter suado e sofrido tanto num grupo que não era tão complicado?

* O jogo é esse. O time, também. Arouca protege melhor a incerta zaga. Jonathan voa pela direita, com Leo mais resguardado. Danilo enfim muito bem como volante pela esquerda. Elano marcando, cercando, armando e lançando. Ganso até ajudando mais atrás na recomposição. Neymar brilhando como Neymar, jogando demais, e ainda se jogando muito.

* E Zé Eduardo. Dos melhores negócios do Santos a sua venda. Fez muito mais do que poderia, e, agora, volta a ser um jogador comum demais para um Santos que precisa da velocidade e da fase de Maikon Leite, no 4-3-1-2 usado por Muricy.

 

HISTÓRIA EM JOGO – Liga dos Campeões – Final 1964 – Internazionale 3 x 1 Real Madrid

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cartaz da decisão de 1964

Você já viu na série HISTÓRIA EM JOGO as cinco conquistas do Real Madrid, de 1956 a 1960.

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/01/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-da-europa-final-1960-real-madrid-7-x-3-eintracht-frankfurt/

Você já viu o Benfica ganhar do Barcelona na decisão das traves quadradas

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/11/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-1961-benfica-3-x-2-barcelona/

A sensacional vitória de um ainda melhor Benfica, agora com Eusébio e Simões, contra o Real Madrid, em 1962:

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/18/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-final-1962-benfica-5-x-3-real-madrid-2/

O Milan campeão pela primeira vez, evitando o tri do Benfica, na virada por 2 x 1 , em Wembley

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/29/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-final-1963-milan-3-x-1-benfica/

Agora, Praeterstadion, em Viena. Desde 1992, Estádio Ernst Happel, grande treinador austríaco, campeão nacional em quatro países diferentes. Palco do primeiro título interista.

Voltando bastante no tempo para entender o esquema vencedor da final de 1964…

Na Copa-38, a Suíça surpreendeu e eliminou a Alemanha. Obra do engenho tático de um outro treinador austríaco chamado Karl Rappan, quando ainda dirigia o Servette, em 1932. Criador de um esquema de jogo com um zagueiro (em geral um ex-volante) a mais. Ele ficava atrás da linha de três da zaga armada no WM de então. Um zagueiro que eventualmente dobrava a marcação ou pegava as sobras. Um que jogava livre na cobertura, ajudado, também, pelo recuo de um dos armadores.

O esquema era tão fechado para a época que parecia um ferrolho. Suíço. Em francês, “verrou”. Em alemão, “riegel”. Tudo simbolizando um cadeado. Um esquema fechado, defensivo.

Ou catenaccio. “Cadeado”, em italiano. No futebolês, um esquema do pós-guerra que teria começado no Calcio na Triestina do treinador neto de austríaco Nereo Rocco. A equipe foi a segunda colocada na Itália em 1948. Acabaria impregnado toda uma cultura tática italiana.

Nas palavras do escritor Paco Taibo, “o catenaccio é a antiliteratura”. Mas foi best-seller. A partir da Internazionale campeã de 1953, sob o comando de Foni, e com Blason como líbero.

Mas não tão líbero assim… Afinal, se tinha liberdade para se mexer na cobertura dos laterais e do stopper (o zagueiro-central), o líbero era mais um zagueiro de espera, que não se posicionava à frente da linha de três na zaga nem por decreto. Quando a grande Internazionale de Helenio Herrera, nos anos 60, atacava, e muito bem no contragolpe, um senhor líbero como Picchi ficava lá atrás, quase que conversando com o grande goleiro Sarti. Conservando o sistema defensivo excessivamente retraído.

Um líbero como Beckenbauer só nasceria nos anos 70. Aquele que saía para o jogo, jogava não apenas para o time mas também com a equipe. O excepcional italiano Gaetano Scirea foi outro dessa classe rara. na Juventus dos anos 70-80. Mas, na grande Inter bicampeã europeia do mago Helenio Herrera, em 1964 e 1965, Picchi só ficava atrás dos três zagueiros. Não tinha permissão para avançar. Mais três homens jogavam mais à frente (um cabeça de área, e dois meias), e mais três atacantes compunham uma equipe extremamente competitiva.

Em números, era um esquema 1-3-3-3. Depois, em alguns clubes, algo próximo a 1-4-3-2 e a 1-4-4-1.

Em nomes, aquela Inter de 1964 era uma senhora equipe, com o cerebral meia espanhol Luisito Suárez, o meia-atacante (mezzala) Mazzola, o ponta-direita brasileiro Jair da Costa, e o primeiro lateral-esquerdo europeu a atuar mais na frente (Facchetti). Assim chamado “terzino fluidificante”. O lateral que apoiava, que dava fluidez ao ataque.

Um time que tecnicamente era ótimo. Mas, taticamente, gostava de jogar bem fechado, com a marcação bastante recuada, apostando na bola longa e na velocidade extrema. Um time pragmático além da conta. Italiano até a medula, mesmo com toques de graça espanhola e brasileira. Há como dizer que, embora taticamente datado, tecnicamente ainda é um exemplo para muitas grandes equipes da atualidade.

À época, não faltaram críticas ao estilo pragmático e objetivo além da conta. Uma equipe que poderia jogar mais bonito. Mas preferia ganhar lindo. E que acabou norteando muitos treinadores. Para não dizer que desvirtuaram muito da beleza do espetáculo.

O que não tira o mérito da grande vitória sobre o envelhecido e enfraquecido Real Madrid. Um que caiu diante de um adversário objetivo. Certamente o melhor intérprete do catenaccio que, com o passar dos anos, lá por 1975, praticamente sumiu do mapa. E, quando volta, retorna deturpado. Incompleto como apenas um esquema retrancado e feio. O que necessariamente não era. Mas ficou sendo.

Não por culpa, insisto, daquela Inter. De fato, a primeira campeã europeia a usar e abusar do catenaccio. Muito mais que o Milan de 1963, campeão com Nereo Rocco, o grande difusor do esquema ainda nos anos 40. O Milan que venceu o Benfica em 1963 era um WM básico. Mesmo contando com Cesare Maldini, o primeiro líbero da Squadra Azzurra, ainda em 1962. Na final de Wembley, Trapattoni foi médio-esquerdo, e Maldini, o stopper rossonero. Não era um catenaccio.

NO VESTIÁRIO – No aquecimento, o goleiro italiano Sarti levou bolada de Jair da Costa. Naquele lugar. Passou a ser dúvida. O reserva Bugatti entraria. Mas Sarti teria se escalado mesmo assim. No time espanhol, a dúvida era tática: Felo para cercar Suárez ou Evaristo de Macedo para atacar mais a meta italiana? Ganhou a precaução. Felo jogou como meia pela direita.

FALA, SANDRO MAZZOLA – “Era a minha primeira decisão continental. Justamente contra o time do meu maior ídolo e espelho, Di Stéfano. Era uma grande honra e uma enorme alegria poder enfrentá-lo. Fiquei tão impressionado ao vê-lo perto de mim que quase não entro em campo com o restante dos companheiros. Se não fosse o Suárez a me empurrar e dizer ´vamos, depois você fala com esses caras. Primeiro vamos derrotá-los’, talvez eu nem tivesse entrado em campo direito [risos]”

FALA, GIACINTO FACCHETTI – “Éramos jovens e enfrentávamos o maior campeão da Europa, um time maduro. Era muita pressão”

FALA, LUIS SUÁREZ – Estava realmente tenso por jogar mais uma decisão, desta vez contra um time espanhol, um grande rival como o Real Madrid. Mesmo experiente e vivido, senti bastante aquele jogo, mesmo sendo o único da equipe que já tivesse vivido uma decisão daquele nível. Para mim, pela rivalidade com o Madrid desde a Espanha, era uma final dobrada”

LOCAL – Praeterstadion, Viena, Áustria. 27 de maio de 1964. 72 mil espectadores. Vento moderado.

VEJA COMO FOI A LIGA DOS CAMPEÕES 1963-64

http://en.wikipedia.org/wiki/1963%E2%80%9364_European_Cup

VEJA OS GOLS DA DECISÃO EM VIENA

http://www.youtube.com/watch?v=bS4jQZCNaks

Internazionale foi a primeira campeã europeia a atuar no catenaccio (1-3-3-3), contra um Real Madrid ainda preso no mesmo WM (3-2-2-3) que a Espanha adotou para conquistar a Eurocopa de 1964 contra a URSS. Movimentação dos três atacantes e dois dois armadores italianos foi essencial para o sucesso, além da qualidade técnica e juventude do elenco – se comparada à avançada idade madridista

COMEÇOU – Internazionale ataca à direita, com a maravilhosa camisa azul e preta, calções e meias pretas; o Real Madrid todo de branco ataca do outro lado, nas traves ainda quadradas do estádio, cheio de placas de empresas como Adidas, Phillips e Toblerone. 18 países viam a decisão pela TV.

2min – O ponta-direita Jair saía e entrava como meia pela esquerda, e o quase centroavante Mazzola abria pela ponta esquerda. Um jogo muito veloz do time italiano, sem muita bola trabalhada no meio-campo, mais à base da ligação direta.

4min – Bomba de canhota do armador Corso. Vicente espalma para escanteio.

4min – Corso bateu rasteiro o escanteio da direita, e o armador Luisito Suárez bateu de primeira para boa defesa de Vicente. Jogada de bola parada bem ensaiada por Helenio Herrera, precursor em lances do tipo na Itália.

6min – Real assistia à velocidade rival e só criava bons lances a partir da ponta direita com Amancio. Ele cortava para dentro e era seguido pelo lateral-esquerdo Facchetti. Do outro lado, Burgnich era a cola do ponta Gento; por dentro, o stopper Guarneri grudava no centroavante Puskás; no meio-campo, o volante Tagnin seguia Di Stéfano, o meia pela esquerda merengue. Além da rígida marcação individual, ainda havia na sobra o líbero Picchi, que não saía de trás da linha de três zagueiros italianos.

10min – O Real não conseguia jogo. Puskás, em entrevista anos depois para a RAI, disse que “o problema nosso não era a idade. Era a qualidade e a velocidade do rival. Embora eu tivesse 37 anos então, e o Di Stéfano fosse oito meses mais velho que eu, não foi isso que nos prejudicou naquele jogo”. Será?

8min – O zagueiro-central (stopper) Guarneri desarmou um lance se mandou e mandou uma bomba para boa defesa do goleiro Vicente. Característica dessa Inter, que marcava e soltava quem fizesse os desarmes. Menos o líbero Picchi.

9min – Bola parada. Um minuto de silêncio respeitado em homenagem às vítimas que morreram pisoteadas no estádio de Lima, depois de um gol anulado em Peru x Argentina. Silêncio total no estádio.

11min – A saída de jogo usual da Inter: o goleiro Sarti tocava rente à linha de fundo para o líbero Picchi dar um chutão para a frente, ora procurando na faixa central o cabeceio do centroavante (ponta-de-lança) Mazzola, ou, pela direita, para a velocidade impressionante do brasileiro Jair da Costa.

11min – Enfim o Real chega um pouco mais, mas apenas num chute longo de Puskás, de novo atuando como homem de área. A Inter marca demais e não deixa o rival chegar perto.

11min – Sensacional arrancada de Jair da Costa. Um ponta-direita que rodava o ataque com técnica, velocidade e vigor, além de faro de gol. Um atacante completo, essencial para dar ritmo e ideais ao time italiano. Semelhante ao que começava a ser no Botafogo o xará Jairzinho, futuro Furacão da Copa de 1970.

11min – Milani recebeu belo passe de Mazzola para bater fraco de pé direito. O ponta-esquerda estava livre, à direita. O trio de ataque do 1-3-3-3 da Inter se mexia demais, e confundia a frágil marcação madridista.

13min – Jair arrisca de canhota e manda à esquerda do goleiro. Melhor a Inter.

15min – Marcação italiana toda encaixada. Na armação, Suárez, discreto, troca de lado com Corso a todo momento. A movimentação do meio-campo e ataque interista era muito boa. Mazzola também deixava o comando de ataque e vinha buscar e distribuir o jogo para os pontas Jair e Milani.

15min – Guarneri mais uma vez desarma Puskás e se manda à frente, agora como se fosse um ponta pela esquerda. Marcava e jogava muito mais o time italiano.

21min – O lateral-direito Burgnich se estranha com o meia-direita Felo. Só assim para o Real aparecer na foto.

22min – Lance básico da Inter: Picchi recebe a bola de Sarti, lança para Mazzola dominar o lance, limpar um rival e finalizar.

23min – O campo cada vez mais escuro. sem iluminação artificial ligada. E segue o jogo.

24min – Corso dá um belo chapéu no meio-campo. Real assiste. Di Stéfano mais centralizado no meio-campo, mas já sem a dinâmica impressionante. Até porque bem marcado por Tagni, que o segue mesmo com o recuo exagerado do argentino.

25min – Corso joga cada vez mais na meia direita, com Suárez do outro lado, um tanto mais recuado.

25min – O lateral-esquerdo Pachín acerta a segunda pancada feia em Jair da Costa. Hoje, pelo conjunto da obra, teria sido expulso por um árbitro rigoroso.

26min – Luisito Suárez segue sumido. E o jogo cada vez mais pegado. Para Puskás, porém, foi uma partida como qualquer outra. “Era uma bola só para 22 jogadores…”

27 min – Madrid dá uma equlibrada. A Inter exagera na ligação direta.

28min – Puskás tenta sair da área, se mexer. Mas Guarneri segue na cola, por todo o campo.

29min –O grande lateral-esquerdo Facchetti começa a se mandar mais à frente, como precursor dos laterais mais ofensivos. Facilitado o trabalho pela movimentação de Milani, que cai pela direita, ou fecha mais por dentro, quase que na cobertura de Facchetti. Para Di Stéfano, um dos erros táticos do Real Madrid foi deixar Isidro muito atrás na marcação. “Ele não tinha a quem marcar ali. Era um blefe esse apoio sistemático do Facchetti…”

30min – Facchetti invade pela segunda vez a área rival. Até porque o ótimo ponta-direita Amancio não o acompanha. Nem consegue tirar tanto proveito jogando no buraco que fica na zaga italiana.

32 min – Gramado pesado e molhado faz com que as equipes escorreguem demais e atletas caiam demais. Como o nível do jogo.

35min – Em entrevista para a RAI, Mazzola explica o que é o jogo: “Nosso time sempre foi uma equipe de contragolpe (“contropiede”), O Real Madrid sabia bem disso. Além de que, pela idade avançada de seus principais jogadores, eles não queriam a nossa correria. Tanto que o médio-esquerdo deles, o Zoco, foi quase um quarto zagueiro, só para pegar as sobras das nossas jogadas pela direita”

38min – Di Stéfano desarma Corso e é aplaudido. Um monstro. Dos poucos craques (gênios) táticos, que jogavam com e para o time.

39min – Felo pediu para ser expulso. Mas a arbitragem da época pouco fazia.

40min – Picchi fazia tudo como líbero. Até bater lateral.

42min – Di Stéfano cada vez mais recuando para atrair Tagnin e abrir um buraco não explorado pelo Real.

43min – GOL. 1 X 0 INTERNAZIONALE. MAZZOLA. PÉ DIREITO. MEIA ESQUERDA. Guarneri desarma mais uma vez e lança na ponta esquerda para o lateral Facchetti servir Mazzola, que jogou no ângulo esquerdo do goleiro Vicente. Santamaría não fechou, o lateral Isidro (bom de apoio) não cercou, Amancio de novo não acompanhou Facchetti, e a Inter, enfim, fez o gol merecido. E, logo depois do gol, a Inter continuou na frente, aproveitando-se do recuo excessivo madridista.

INTERVALO – A Inter, ainda que abusando da ligação direta, quis jogo contra o envelhecido, enfraquecido e amuado Real Madrid. Placar justo.

PLACAR VIRTUAL 1O. TEMPO – INTERNAZIONALE 4 X 0 REAL MADRID.

SEGUNDO TEMPO

2min – Gento tabela com Di Stéfano e manda cruzado na trave esquerda. No rebote, Amancio perde gol inacreditável dentro da pequena área.

2min – Mazzola recebe bolada naquele lugar e precisa ser atendido fora de campo.

4mibn – Mazzola retorna ao gramado para ver sensacional jogada de Jair da Costa, a partir da direita, e praticamente sozinho.

5min – Os volantes Muller e Zoco jogam mais à frente. Melhora demais o Real Madrid.

8min – Di Stéfano enche o pé direito em cobrança de falta para grande defesa de Sarti. Inter recuou demais e deu a bola e o campo ao rival. Mazzola recua para ajudar a organizar o time mas, de fato, só atrai ainda mais o rival, que já teve a segunda chance no segundo tempo.

9min – Real Madrid bem melhor. Parece que Corso se arrasta em campo.

11min – Di Stéfano mata bonito e Sarti faz outra bela defesa em lance armado por Felo, que se solta mais, como todo o time madridista.

14min – Muito enfiada na própria área a marcação interista. Chance desperdiçada pelo Real Madrid de arriscar mais os chutes de fora da área. Belo lance de todo o ataque até a finalização de Gento.

17min – GOL. MILANI. 2 X O INTER. PÉ DIREITO. FORA DA ÁREA. Num contragolpe letal, Milani recebeu de Mazzola (que ganhou do lateral Isidro), pela esquerda, depois de um chutão do goleiro Sarti, cortou para dentro e bateu. O goleiro merengue aceitou a bola que quicou pouco antes e o prejudicou, e entrou no canto baixo rasteiro. Contropiede típico italiano. Ou melhor, neroazzurro. Na primeira chance interista, 2 x 0. Num especial da RAI, Mazzola disse que o capitão Picchi, ao cumprimentá-lo, pediu para que o mezzala italiano recuasse ainda mais. Embora jovem, o capitão era o próprio treinador da equipe dentro de campo.

25min – GOL. 1 X 2 REAL MADRID. FELO. PÉ DIREITO. VOLEIO DENTRO DA ÁREA. Escanteio batido por Puskás da direita, bobeada da zaga italiana, o meia-direita Felo apareceu sozinho para bater de pé direito e marcar um golaço.

30min – Amancio passou fácil pelo Facchetti e, da direita, cruzou para, no segundo pau, Sarti espalmar. No rebote, Felo cabeceou para empatar, mas o líbero Picchi salvou sobre a linha. Na sobra, Amancio pegou fraco e Sarti segurou. Pressão total do Real Madrid, aproveitando-se de um aparente cansaço italiano.

30min – GOL. 3 X 1 INTERNAZIONALE. MAZZOLA. PÉ DIREITO. DENTRO DA ÁREA. Mais uma inominável bobagem defensiva do Real. O veterano Santamaría foi dar um balão de costas e jogou no pescoço do esperto Mazzola, que escapou sozinho, entrou na área e aproveitando-se de o fato do goleiro ficar plantado como mandioca sobre a meta, só tocou cruzado, quase em cima da linha da pequena área. A bola ainda bateu na trave esquerda antes de entrar. “Achei que o goleiro estaria em cima de mim, por isso chutei um pouco antes…” Duas chances, dois gols italianos no segundo tempo.

32min – Picchi reclama com fotógrafos espanhois que rapidamente recolocavam as bolas para dentro do campo e que estavam, de fato, muito próximos ao campo de jogo. Não havia a menor preocupação quanto a isso. Normalmente eles também entravam no gramado, quando não usavam “taticamente” os flashs para cegar os rivais. Isso, em todo o mundo.

38min – Corso parecia morto. Mas driblou dois e fez uma baita jogada. Gigi Riva, futuro camisa 11 italiano, lembrava um pouco Corso, embora mais ofensivo, goleador e técnico.

39min – O terceiro gol interista baixou a guarda madridista, além da idade avançada do time titular.

FIM DE JOGO – Letal, em duas chances a Inter se aproveitou de falhas defensivas espanholas e matou o jogo, com o pragmatismo que impregnava aquele time de Herrera. O Real Madrid parou diante de um rival muito forte, e mais jovem. Guiado, entre outros, por Sandro Mazzola, 21 anos. Ao final da partida, ele saiu correndo para tentar trocar a camisa com o ídolo Di Stéfano. Na confusão, não o achou. Mas foi encontrado por Puskás. O Major Galopante húngaro disse : “Garoto, joguei contra seu pai Valentino. Ele foi um craque, e você é digno dele como jogador. Tome a minha camisa”. E Mazzola ganhou mais um troféu em Viena.

PLACAR VIRTUAL 2o.TEMPO – INTERNAZIONALE 2 X 6 REAL MADRID

PLACAR VIRTUAL – INTERNAZIONALE 6 X 6 REAL MADRID

ATUAÇÕES

INTERNAZIONALE – Um time pragmático, que tomava a bola e fazia a ligação direta. Poderia e deveria jogar mais bonito, pela qualidade de Suárez, Mazzola, Jair da Costa e Facchetti. Funcionou bem demais por aqueles anos. Porém, o exemplo que deixou para o futebol mundial deixou o jogo mais feio. Mais rápido, sim, mas menos trabalhado. NOTA 7

SARTI – Um dos pioneiros na análise e no estudo dos atacantes rivais, o goleiro da Inter era discreto, bem colocado, nada espetacular nos saltos. Logo, um ótimo goleiro. Exatamente por fazer muito bem feita a lição de casa. Foram 12 anos de Squadra Azzurra. Cinco anos gloriosos na Inter, depois de iniciar a carreira na Fiorentina, onde foi campeão nacional ao lado do imenso Julinho Botelho, e tetra-vice depois. O único goleiro italiano a ter disputado 4 finais de Liga dos Campeões. Poderia ter feito mais pela Seleção, onde só jogou 8 partidas. NOTA 8

PICCHI – O líbero clássico. Muito mais um zagueiro de espera. Não saía para o jogo, embora soubesse. Recebia os tiros de meta de Sarti e saía jogando. No caso, mandava mesmo um balão lá pra frente para Mazzola ou Corso ganharem de cabeça. Sabia lançar e se impor, mesmo muito jovem. Se o treinador da seleção italiana Edmondo Fabbri gostasse do catenaccio, ou não detestasse tanto o treinador Helenio Herrera, teria sido titular absoluto da Itália e poderia evitar o fiasco da Copa-66. Mas o treinador da Squadra Azzura tinha a resposta pronta – e com alguma razão. Não tinha um organizador de jogo e lançador como o espanhol Luisito Suárez, e não tinha um ponta rápido e hábil para receber essas bolas como o brasileiro Jair da Costa. Para Luisito Suárez, “Picchi era discreto e calado fora de campo. Mas um monstro no gramado”. Foi Inter de 1960 a 1967, e na Seleção, jogou só 4 anos. Era lateral-direito no início da carreira. Começava promissora carreira como treinador quando morreu de amiloidose, em 1971, aos 36 anos. NOTA 8

BURGNICH – “A Rocha” foi o lateral-direito do 1-3-3-3 da Internazionale. Jogador de seleção, titular na Copa-70, campeão europeu em 1968, teve à frente para marcar o excepcional ponta-esquerda Gento. E marcou com a correção habitual. Não apoiava – até porque, no esquema de Helenio Herrera, essa era atribuição para o lateral-esquerdo Facchetti, o “terzino (lateral) fluidificante”. Outro que terminou a carreira como líbero, assim como Facchetti. Foi Inter de 1962 a 1974. Na Seleção, de 1963 a 1974, onde por 13 jogos foi líbero. NOTA 7

GUARNERI – Zagueiro-central, o stopper. Tinha de marcar apenas Puskás. E foi bem. Principalmente na antecipação. Boa colocação. Leal, jamais foi expulso na carreira. Na Inter jogou de 1958 a 1967, e mais uma temporada depois. Cinco anos de Squadra Azzurra. Merecia maior cartaz pela eficiência. NOTA 8

FACCHETTI – O lateral-esquerdo teve a camisa 3 perpetuada depois da morte, em 2006. Na Europa, foi o precursor do lateral que avançava (o primeiro jogador de zaga na Itália a marcar mais de 10 gols numa temporada). Função que o alemão Breitner faria melhor que todos, desde então, a partir dos anos 70. Facchetti era muito alto (1m88), mas, ao mesmo tempo, rápido, e com ótima qualidade técnica. Por vezes era quase um ponta-esquerda (como iniciou a carreira, até ser adaptado à lateral por Helenio Herrera). Também por isso, dava espaço às costas. Algo que sobrecarregava a rochosa marcação interista. Mesmo marcando o ótimo ponta-direita Amancio, que gostava de incursionar por dentro, até que deu poucos espaços ao atacante merengue. Capitão italiano na Euro-68 e na Copa-70, jogou 634 vezes pela Inter, de 1960 a 1978. Foram 14 anos pela Itália. Onze deles ao lado esquerdo de Burgnich. Morreu de câncer no pâncreas. Em homenagem a ele, o torneio de base italiano leva o seu nome, e outro prêmio semelhante ao fair-play , também. Algo como o Belfort Duarte italiano. NOTA 7

TAGNIN – O volante-central, o cabeça-de-área, tinha de marcar o meia-atacante rival. No caso, apenas Di Stéfano. Mas se saiu bem. Para Mazzola, “todo time precisa de jogadores como Tagnin e o ponta-esquerda Milani. Não são craques, mas fazem qualquer time jogar”. Foi Inter de 1962 a 1965, já em final de carreira.

LUIS SUÁREZ – (VEJA MAIS DO PERFIL NA FINAL DA LIGA DE 1961). O cerebral armador espanhol jogava demais. Para mim, o maior jogador espanhol de todos os tempos (enquanto esperamos o encerramento das brilhantes carreiras de Xavi, Iniesta e Raúl, por exemplo). Doía a derrota em Berna, na final de 1961, quando atuava pelo Barcelona. Naquela mesma noite foi comprado pela Inter. Onde foi o senhor do meio-campo que seria bicampeão europeu. Mas que rendeu menos do que poderia na decisão de Amsterdã. Ele jogava muito mais do que jogou. Discreto demais em campo. NOTA 6.

CORSO – A camisa era 11. Mas Mariolino Corso era armador. Di Stéfano entende que outro erro madridista foi não marcar devidamente Corso. Canhoto de qualidade, meias arriadas, organizava o jogo, chegava para bater, driblava bastante, e ainda ajudava na marcação. Jogador moderníssimo. Não ficava preso ao setor esquerdo, variava com Suárez, caía pela direita, fazia muita coisa. Inclusive bater todas as fatas. Ótimo. Jogou na Inter de 1957 a 1963. Foram 10 anos de Seleção. Mas nenhuma Copa disputada. Um absurdo também para companheiros como Sarti e Picchi. NOTA 8

JAIR DA COSTA – Campeão mundial pelo Brasil em 1962, reserva de Garrincha (o que significa que seria titular em qualquer time do mundo em 1962), voava pela ponta direita da Inter, em 1964. Jogou demais em Amsterdã, com técnica, dribles, finalização, força e velocidade. Ainda recuava para partir pela direita, desde o meio-campo. Bem lançado por Suárez ou pelo líbero Picchi, era um inferno. Uma mistura de Garrincha com o Jairzinho que começava a crescer no Botafogo e no Brasil. Dois anos de Portuguesa e a reserva na Copa valeram a passagem para a Inter, em 1962. Em 1967 jogou uma temporada na Roma. Voltou em 1968. Até 1972 na Inter. Retornou ao Brasil para ser campeão paulista pelo Santos, em 1973. Apenas uma vez jogou pela Seleção. Muito por ter atuado 10 anos fora do Brasil. NOTA 8

SANDRO MAZZOLA – Filho do grande Valentino Mazzola, referência do Grande Torino pentacampeão italiano nos anos 40, morto no acidente aéreo que dizimou o time, em 1949. O meia-atacante (mezzala) Mazzola também fez parte da Grande Inter bicampeã europeia. Menos forte que o pai, mais veloz, igualmente técnico, foi descoberto na base por Giuseppe Meazza, ícone milanês. Atuou na Inter toda a vida, de 1960 a 1977. Na Squadra Azzurra, foi campeão europeu de 1968, e vice mundial de 1970, jogando de 1963 a 1974. Fez 564 jogos e 160 gols pela Inter. No catenaccio de Herrera, era o centroavante. Mas que recuava e armava o jogo com inteligência, técnica e faro de gol. O craque do jogo. NOTA 9

MILANI – Um dos artilheiros do Calcio em 1962, pela Fiorentina, onde jogava como centroavante típico. Encerrou a carreira na Inter, onde atuou de 1963 a 1965, quando fraturou uma vértebra. Um só jogo pela itália. A partir da ponta esquerda, cortava em diagonal no espaço deixado por Mazzola, na função de centroavante, ou entrava mesmo aberto à direita. Raçudo, não muito técnico, completava bem o time. NOTA 7.

HELENIO HERRERA. El Mago argentino foi um inovador. Segundo Mazzola, até a chegada dele na Inter, os jogadores se trocavam para as partidas fumando. Ele introduziu não só o aquecimento, mas também a concentração para a partida. Quando não adiantava a própria concentração dos atletas. Foi um precursor, também, no uso estratégico da imprensa. Como José Mourinho nos dias de hoje, criou um personagem de declarações bombásticas que atraíam a atenção e as responsabilidades. Mas, com os atletas. era diferente. Porém exigente, duro, sem sentimento. Ele “só queria vencer. Ponto final”, fala Mazzola. Tanto que um dia suspendeu um atleta por ele dar uma entrevista dizendo que a Inter vinha para Roma para jogar. HH queria que ele dissesse que a equipe vinha “para ganhar”…. Estudava detalhadamente os rivais e explicava a cada atleta o que queria em campo. E exigia demais. Gostava de escrever cartazes do tipo: “Pense velozmente. Corra velozmente. Passe velozmente. Chute velozmente”. “Quem não dá tudo não dá nada”. E os times dele foram assim. Especialmente a Internazionale, onde chegou em 1960. Nascido em 1910 (ou 1916) na Argentina, filho de um anarquista espanhol, cresceu a partir dos 4 anos no Marrocos, então colônia francesa. Como zagueiro, atuou por clubes franceses de1931 a 1945. No último ano foi jogador-treinador. Em 1948 foi morar na Espanha. Após 2 anos de Barcelona, de onde saiu por brigar com o ídolo Kubala, foi trabalhar na Internazionale. Por 8 anos tudo ganhou em Milão. Voltaria por uma temporada em 1974. Durante parte de seu trabalho em clubes, também dirigiu seleções como Espanha (1959 a 1962) e Itália (1966-67). Ganhou 16 grandes títulos. Morreu em 1997. NOTA 9

REAL MADRID – Um time envelhecido não aguentou o tranco e a velocidade adversária. Puskás, Di Stéfano e Santamaría já não eram os mesmos. E o rival era qualificado.

VICENTE – Muito mais não poderia fazer. E não era dos mais preparados para a função. NOTA 5

ISIDRO – O lateral-direito merengue atuou pelo clube de 1961 a 1965. É pai do também ex-lateral-direito e hoje bom treinador Quique Flores. Adorava apoiar. Era dos mais ofensivos laterais do mercado. Na segunda etapa se mandou menos ao ataque. E também jogou menos. NOTA 5

SANTAMARÍA (Ver o perfil dele na final de 1960) - Já não era o mesmo, do alto de seus 34 anos. Lento e dispersivo, não teve como conter a movimentação de Mazzola. NOTA 4.

PACHÍN (Ver o perfil dele na final de 1960) - Atuado como zagueiro pela esquerda, teve péssima partida, como quase toda a equipe. Levou um baile de Jair da Costa. NOTA 3

MULLER - O médio pela direita atuou de 1962 a 1965 pelo Real, e depois ficou até 1968 no Barcelona. Bom de bola, marcava e chegava bem à frente. Esteve no grupo francês que disputou a Copa de 1966, embora não tenha atuado. Um dos que se salvaram do fiasco madridista. Tinha 31 anos na final.

ZOCO - De 1962 a 1974 atuou pelo clube, e por nove anos na seleção espanhola. Como volante pela esquerda, foi outro que suou demais para produzir pouco. Não era um primor técnico, mas tinha presença e raça. Também jogava na zaga. NOTA 6.

FELO - O multifuncional madridista alternou bons e maus momentos na final. Melhor quando chegou mais à frente. Jogou de 1961 a 1965 no Real Madrid. Típico jogador de esquema, mais tático que técnico. NOTA 6.

DI STÉFANO (Ver o perfil dele na final de 1960) - Presidente de honra merengue, dos maiores de todos os tempos, já estava cansado. Quase 38 anos, encerraria logo depois a passagem vitoriosa pelo clube, mas atuando por mais dois anos no Espanyol. Praticamente se despediu ao cobrar companheiros e diretores depois da derrota. NOTA 6.

AMANCIO – El Brujo ganhou o apelido pela facilidade em driblar em alta velocidade. Sabia cortar em diagonal e bater com os dois pés. Criava e fazia gols com facilidade. Jogou tanto pelo La Coruña que foi comprado a peso de craque pelo Real, em 1962. Atuou até 1976 pelo clube. Jogou 42 vezes pela Espanha, e foi titular da campanha campeã da Euro, em 1964. Mesmo com a derrota, e tendo de atacar e marcar também a saída ao ataque de Facchetti, fez um partidaço. NOTA 8.

PUSKÁS (Ver o perfil dele na final de 1960) – Em final da estupenda carreira, atuando mais fixo, como centroavante, rendeu menos do que poderia, como quase todo o time merengue. NOTA 5.

GENTO (Ver o perfil dele na final de 1960) – Outro que não foi o de sempre, embora voltaria a ser seminal na decisão de 1966. Nota 5.

ÁRBITRO – Josef Stoll (Áustria) foi bem na parte técnica, mas poderi ater controlado melhor a disciplinar. NOTA 6. 

NOTA DA PARTIDA – 7

A ideia desta série é de ANDRÉ ROCHA e de GUSTAVO ROMAN, que providenciaram análises, informações e imagens. 

Quer ver o jogo na íntegra? 

Procure gugaroman@hotmail.com