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Arquivo de março de 2011

Internacional 3 x 0 Wilstermann

quinta-feira, 31 de março de 2011

 

* Oscar vai se soltando, e, com ele, o Inter vai ganhando mais uma ótima opção de criação e de frente. Quase que a versão 2011 de Giuliano. Faltam, agora, mais testes definitivos contra rivais de maior qualidade.

* Dois lances bastam para definir o inefável time boliviano. Furada patética na lateral e a carambolada no gol de Oscar; um toque de calcanhar bizarro e tosco que saiu pela lateral.

* A defesa não precisou ser testada. Mas ainda não demonstra aquela segurança. Do meio para frente, porém, as soluções são cada vez melhores. Também pelo crédito que há no banco.

* CRISE!!! Leandro Damião não fez o dele. Mas a boa partida em Londres pela Seleção dá mais moral ao atacante. Que seria mais letal se, pela direita, Nei acertasse os cruzamentos que Kléber acerta da esquerda.

* O Inter ainda não foi devidamente testado no grupo. Conclusões para cima e para baixo ainda são discutíveis. Mas Lauro, Bolívar, Índio, Wilson Mathias e mesmo Guiñazú, por mais que tenham bela história no Beira-Rio, e fazem parte da equipe campeã da América em 2010, precisam aprimorar o desempenho. Para não colocar Nei nessa roda e nesse rolo.

* Mesmo no jogo aéreo eles não têm funcionado com a correção esperada. E, com a bola no chão, parecem atuar com tacógrafo.

O Internacional no 4-2-3-1 preferencial. Boa partida e movimentação dos meias Oscar e D'Alessandro

Guaraní-PAR 0 x 2 Cruzeiro

quinta-feira, 31 de março de 2011

 

* Quando deu a saída no vazio Defensores del Chaco, só se ouvia na arquibancada o grito celeste, e só se viam camisas azuis dando um bote na saída de bola do frágil time paraguaio. Era o mote cruzeirense. O início da ascensão mineira em Assunção.

* O belo gol de Thiago Ribeiro em lance de quaser todo o ataque mostrou como é fraco o time paraguaio, e como joga cada vez melhor o Cruzeiro que joga como treina, e parecia treinar no Paraguai. Com o melhor time possível para Cuca: dois volantes, dois meias, e, agora, Wallyson e Thiago Ribeiro na frente, aportando mais velocidade e opções táticas na recomposição.

Cruzeiro trocou o 4-2-3-1 que vinha funcionando pelo 4-2-2-2 que pode funcionar ainda mais

* Roger segue voando e não deixando os rivais jogarem. Montillo joga demais, e dá exemplo de conduta, caráter e profissionalismo por saber superar os problemas familiares.

* Gilberto não foi devidamente testado na marcação. Mas, ao menos, sabe marcar melhor que Diego Renan na lateral esquerda.

* 13 pontos em 15. Saldo de 15 gols. Que os deuses da bola e os diablos da Libertadores não joguem um rival difícil para o Cruzeiro na próxima fase.

* 41 jogos de Fábio e Marquinhos Paraná em Libertadores. Ultrapassando o mito Raul. Parece que é mais fácil quebrar recordes nos dias de hoje. Não sei. Mas é marca impressionante para eles. E para o Cruzeiro.

* Quer ver e entender melhor esse Cruzeiro?

 Leia ANDRÉ ROCHA, no globo.com

http://globoesporte.globo.com/platb/olhotatico/2011/03/31/as-variacoes-do-cruzeiro-melhor-e-mais-tatico-time-do-pais/

Guarani, 100 anos

quarta-feira, 30 de março de 2011

 

O movimento que mais admiro de o Guarani não é a abertura monumental e famosa da ópera de Carlos Gomes. É o solo de Zenon, quando ultrapassou uma barreira vermelha de zagueiros colorados e avançou para fazer um dos três gols da vitória heroica contra o Internacional, no Beira-Rio, no BR-78. Driblou os rivais, superou a linha de impedimento, e começou a botar no mapa daquele Brasileirão uma camisa verde poderosa.

 

Haveria mais. O maestro catarinense bateria uma falta no Maracanã que abateria o Vasco. Daquelas que a gente diz que ele colocou com a mão. Mas foi algo mais para guardar nos olhos. Foi outra obra de arte daqueles arteiros artistas campineiros. Daquele exército caipira do ponta Capitão, daquela companhia de alegria do ponta de nome circense Bozó.

Daquele meia-direita de Seleção Brasileira de Morungaba, o menino Renato. Daquele centroavante ainda mais moleque de Araraquara, o genial Careca cabeludo. Careca por gostar de palhaço. Cerebral por jogar aos 17 anos de idade como se tivesse 17 de Brinco de Ouro. Jeito de gênio, ginga de craque que irritou Leão na primeira decisão no Morumbi e cavou o pênalti que começou a cavar a cova do gigante de verde na decisão do BR-78. Careca que pegou uma carona de Beto Fuscão e fez o gol da vitória por 1 a 0 em Campinas. A vitória do campeão brasileiro de 1978. O primeiro título do interior do Brasil. Dos maiores títulos da história brasileira.

 

Tinha o mineiríssimo Zé Carlos para comandar aquela tropa campeoníssima no meio-campo. Tinha a mineiridade de Carlos Alberto Silva para dirigir o time do banco. Tinha de quase tudo, tinha para poucos adversários. O Guarani só soube vencer na reta de chegada do BR-78. Quase fez a mesma coisa no BR-86, quando parou diante de um grande rival, e de uma arbitragem infeliz. Quase repetiu o feito no SP-88, mas houve uma Viola no meio do caminho para desafinar a festa.

 

Teve mais Guaranis para lembrar em 100 anos. Teve o de 1994, semifinalista do Brasileirão. Teve o de 1995, o de Djalminha, Luizão e Amoroso, mas o joelho deste impediu que o trio brilhasse. Alguns mais Guaranis foram dos melhores times que vi.

Mas, daí, com o tempo que foi dinheiro demais, executaram o Guarani. Não como se faz pelo mundo nas salas de concerto. Infelizmente, executaram de um jeito que quase não deu conserto. Nos últimos dez anos, mais descensos que acessos, mais acessos de raiva e abcessos administrativos que nomes, times e títulos para contar, não apenas para protestar em cartório.

Não está fácil fazer futebol no Brasil. No interior do Brasil, ainda mais. Mas quem fez a história do país a partir do interior não pode ficar reduzido a um time sem cara, a um clube sem alma, a um estádio esvaziado pela especulação imobiliária, comercial e futebolística.

Eu não quero mais só falar NenecaMauroGomesEdsonMirandaZéCarlosRenatoZenonCapitãoCarecaBozó sem vírgulas e espaços, como um só corpo, como um só timaço. Eu quero falar daqueles tantos times que, como amante do futebol, como palmeirense e como jornalista aprendi não só a admirar e respeitar.

Neneca (goleiro), Edson (zagueiro-esquerdo), Mauro (lateral-direito), Gomes (zagueiro-direito), Miranda (lateral-esquerdo) e Zé Carlos (volante); Capitão (ponta-direita), Renato (meia-direita), Careca (centroavante), Manguinha (meia-esquerda substituto do suspenso Zenon) e Bozó (ponta-esquerda do time campeão de 1978, na decisão no Brinco)

 Também a temer.

Cada jogo no Brinco, cada visita ao meu estádio, cada partida que, independente da qualidade do time, eu sabia que veria um Bugre bravo e guerreiro.

Não apenas uma série de nomes que guardo na memória enquanto ela ainda me protege. Não quero mais ter de falar só do passado. Quero um presente do Guarani nestes 100 anos. Quero o Guarani de volta. Quero o futuro.

O grande final da obra campineira não pode apenas se encerrar em nosso peito. Vamos tocar essa sinfonia para frente. Vamos tocar o Guarani, não executá-lo. Vamos aplaudi-lo pelos próximos 100 anos.

Como? Não sei. Mas sei que um time que fez o que fez em 1978 pode muito bem refazer a história.

Ídolos

segunda-feira, 28 de março de 2011

 

Quase 400 são-paulinos foram ao aeroporto, na madrugada de domingo, para receber Luís Fabiano, novo reforço tricolor.

Não poucos rubro-negros foram aos estádios e ruas protestar contra a chegada de Adriano. Mas para o Corinthians.

Não poucos alvinegros foram ao clube protestar. Pela chegade de Adriano ao Parque São Jorge.

O retorno do ídolo ao lar.

O retorno não consumado do artilheiro ao berço.

A chegada do goleador a um novo clube.

Dois grandes nomes, três clubes, várias histórias.

Todas elas com grandes razões e enormes paixões.

A volta de Luís Fabiano foi negócio difícil de errar, embora cara. Ele chega com 110% de aprovação do torcedor, embora não esteja mais 100%. Pelo nível dele, porém, e pelo nível do futebol daqui, ainda joga por bom tempo e em ótimo nível. Não só por retornar ao clube dele, e num São Paulo em boa fase.

Também porque Luís Fabiano é caso raro de jogador que se recupera dentro de campo com notável superação. Aquele atacante que era expulso por qualquer bobagem mudou. Não de hoje. Botou a cabeça no lugar e seguiu colocando suas finalizações distantes dos goleiros rivais.

Adriano no Corinthians é outra história. Pela bola, pela idade, ainda joga fácil. É mais jogador que Fabiano. Disciplinarmente, no gramado, cria menos problemas do que já criou o são-paulino. Porém, a partir do vestiário, ou melhor, antes de chegar ao estádio, nem George Best criou tanto. E sem o mesmo talento para driblar os problemas.

Faria o negócio realizado pelo São Paulo de olhos fechados.

E faria o que fez o Corinthians. Mas com os dedos cruzados.

RJ-11 – Taça Rio – Rodada 5: Vasco e Olaria líderes

segunda-feira, 28 de março de 2011

 

FLAMENGO 3 X 3 MADUREIRA –

* Luxemburgo foi feliz nas mexidas ou infeliz na montagem do time? Ou as duas coisas? Do jeito que o leitor quiser. Mas que o Flamengo sofreu demais para ao menos empatar com o Madureira e manter a invecibilidade, no Moacyrzão, é duro negar.

* Diego Maurício cabe nesse time em várias circunstâncias. Em qualquer modo que se escale Ronaldinho e Thiago Neves. Desde que, claro, Ronaldinho e Thiago joguem o que não jogaram no domingo.

* Wellinton criou uma canelada de trivela no primeiro gol do Madureira. Ele e David Braz ainda tem crédito. O que faltou ao meio-campo remendado.

* Luxemburgo sabe que tem muita jogada ensaiada com torcida profissional. “Isso pertence ao futebol”, adora falar o treinador que sabe como essas coisas funcionam. Ainda quem nem sempre funcionem.

* As vaias pelo  retorno frustrado de Adriano ao Flamengo, porém, vão muito além de supostas jogadas e vaias ensaiadas. É uma aposta do treinador e do clube. Arriscada como a que foi feita pelo Corinthians com o Imperador.

SP-11 – Rodada 16: Palmeiras líder

segunda-feira, 28 de março de 2011

 

PALMEIRAS 3 X 0 BRAGANTINO –

* Dois gols de Thiago Heleno. Isso mesmo. E mais um de João Vítor. É o Palmeiras vencendo com autoridade um rival frágil. É um Palmeiras que só perdeu um jogo no SP-11. É um time que não pôde contar jamais com um time titular, sabidamente limitado. É um Palmeiras que merece ser respeitado.

* Dever dizer: Thiago Heleno tem jogado tudo que não jogou no Corinthians. Para não dizer Cruzeiro e seleção de base. Tem sido o zagueiro veloz que sempre foi, mas sem comprometer tecnicamente como tantas vezes.

* Lincoln deveria ter sido sempre utilizado por Felipão. Até por tudo que o clube deve a ele. Com o armador à disposição, o time ganha qualidade e alternativas táticas.

* Seis gols sofreu o Palmeiras no SP-11. É quase nada. Tem sido tudo para o elenco mais fraco entre os quatro grandes. E que, mesmo sem encantar, e não tem condição técnica para isso, vai superando adversidades e adversários com incontestável objetividade.

ITUANO 2 X 3 SANTOS –

* Bela jogada para o gol de Keirrison. Belíssimo gol de Jonathan. Um gol sem querer de Thiago Alves. O suficiente para o Santos que só tinha Rafael, Jonathan, Edu Dracena e Ganso como titulares absolutos.

* Ganso fez umas três jogadas de Ganso num time desentrosado. Ainda é pouco. Mas é o normal para um atleta depois de seis meses parado.

* Melhor que a atuação do craque santista foi o pronunciamento a respeito de seu contrato e de suas intenções em relação ao Santos. Amém.

* Para quem viu, o Novelli Júnior é outro estádio. E um campo que pode ser subsede para a Copa-14. Mais um gol de Juninho Paulista na administração do clube.

 

 

Fluminense 0 x 0 Vasco

segunda-feira, 28 de março de 2011

 

* Não foi um grande clássico. Mas grandes defesas dos goleiros impediram que o placar fosse aberto. Tanto quando uma finalização bizarra de Éder Luiz para lateral. Tanto quanto um balaço que explodiu no travessão de Ricardo Berna.

* Bernardo e Felipe; Éder Luiz e Diego Souza. Por ora, o melhor Vasco que Ricardo Gomes pode armar, até pelas laterais ainda carentes na marcação, mesmo com o desempenho cada vez melhor de Dedé e Anderson Martins.

* Enderson Moreira vai ter uma semana para armar o Fluminense e conhecer melhor os jogadores – e se melhor conhecido por eles. Mas o acerto com Digão na zaga, apesar de alguns lances temerários, vai justificando a ousada escolha tricolor.

* Deco precisa do jogo que, como muitos, não apresentou no Engenhão. Só vai readquirir o lugar que é dele jogando. Algo que Conca, aos poucos, vai reconquistando.

* Não teria sacado Bernardo quando Ricardo Gomes o substituiu. Mas é outro que precisa estar mais vezes em campo para aportar as soluções necessárias.

Rogério, cem. E São Paulo 2 x 1 Corinthians

domingo, 27 de março de 2011

 

17h18, em Barueri

8min34s do segundo tempo, na Arena.

Um minuto e 14 segundos depois de Fernandinho ter cavado a falta num lance com Ralf.

Segundos depois de Rogério Ceni ter deixado a meta olhando para o chão o caminho todo. Para bater sua primeira falta no Majestoso então equilibradíssimo.

O craque-bandeira tricolor bateu a bola por sobre Chicão e Castán e outros três corintianos na barreira. Superando os milhões de alvinegros que subiram e tentaram evitar o que tem sido quase inevitável nos últimos 14 anos: um dos 56 gols de falta de Rogério Ceni.

O centésimo.

Desde 2007 o São Paulo não vencia o Corinthians.

Desde 1863 o futebol não tinha um artilheiro centenário de luvas.

O gol que definiu o clássico que acabou com o tabu de 11 clássicos e o mito olhando para cima depois da blitz final corintiana. Agradecendo aos céus o lugar que é dele no panteão tricolor.

Júlio César ainda tocou na bola que o goleiro de Pato Branco guardou no ângulo esquerdo e no mesmo lado do peito são-paulino. Rogério arrancou a camisa dourada na celebração em que foi sufocado pelos companheiros. Embaixo dela, uma toda negra. Como a de King, Poy, Picasso, Valdir Peres, Zetti e outros goleiros históricos do São Paulo.

Mas nenhum, no clube, e no mundo, como Rogério.

Ah, o jogo…

Carpegiani escalou um São Paulo mais precavido. Três volantes: Souto na cabeça da área travando o armador mais centralizado de Tite (o apagado Morais), Jean cercando o meia pela esquerda (o atrapalhado Jorge Henrique), e Carlinhos Paraíba saindo mais para atuar às costas de Paulinho. Ilsinho era o meia pela direita, quase um ponta, tentando ser o que vinha voando Lucas, mas afunilando demais o jogo. Mais à frente, Fernandinho chegando em Dagoberto, e não deixando os laterais corintianos atacarem. Com eles presos, os meias sem a movimentação usual, Dentinho e Liedson foram esquecidos num primeiro tempo de estudos, lances ríspidos, e nove chances de gol – o dobro para o São Paulo. Seis delas em tiros longos. Como o golaço de Dagoberto, aos 39, jogando longe de Júlio César.

No segundo tempo, Tite veio no mesmo 4-2-2-2. Carpegiani manteve o 4-3-2-1, com Rhodolfo como lateral esperando um Jorge Henrique que não veio. Depois do gol cem de Ceni, e com Alessandro expulso aos 18, parecia tudo definido. Nem a expulsão discutível de Dagoberto equilibrou – Dentinho cavou seu vermelho, aos 27. Mesmo com nove, ainda era Corinthians. Tanto que pressionou e poderia até ter empatado um jogo equilibrado e com o mesmo número de chances para os dois lados.

São Paulo atuou no 4-3-2-1, mas, por vezes, na segunda etapa, recuou Ilsinho, e praticamente usou duas linhas de quatro contra o 4-2-2-2 de Tite

O Corinthians só não manteve o tabu de porque Rogério, numa defesa sensacional no reinício de jogo, e outra com os pés, ao final dele, foi não só o goleiro-artilheiro. Foi o goleiro-goleiro. Foi Ceni. É cem.

P.S.: Abaixo, a pedidos, o texto dos 20 anos de Rogério Ceni no Morumbi. E, agora, em Barueri.

 

Vinte anos no Morumbi. Quatorze fazendo 100 gols. Desses, 73 pontos diretos foram conquistados nessas 56 faltas e 44 pênaltis. Quando Rogério fez gol, apenas três vezes o São Paulo perdeu o jogo. 

Campeão de quase tudo. E isso irrita quem não é.

Dezoito anos defendendo a meta tricolor. “Meta” que é a palavra para definir o craque. Profissional que parece bater um tiro de meta já com o objetivo definido. Determinado. É daqueles que treinam até faltar luz no CCT. E por isso acaba sendo tão iluminado quando é necessário. Quando é preciso como Rogério na meta são-paulina. E isso irrita quem não se compromete como ele.

Ele não dá bola. Porque Ceni não a larga. No banco de 1993 a 1996, titular desde 1997, Rogério exige tanto que chega a irritar. E a se irritar. Cobra porque se cobra mais que tudo e que todos. E isso irrita.

É perfeccionista. Mas não é perfeito. Como algumas saídas de meta que aprendeu com o ídolo Navarro Montoya; como as adiantadas nos pênaltis; como a fome de jogar de qualquer jeito; como algumas cobranças no elenco exageradas; como o vai-não-sai para o Arsenal, em 2001; como algumas poucas falhas em momentos decisivos que acontecem com todos os mortais. Por mais imortal que ele seja no Morumbi. E isso também irrita.

Parte da empáfia assumida e juramentada e juvenalizada são-paulina passa pelo capitão, líder e exemplo. Mas repare em cada linha bem pensada, articulada e falada por Rogério. Na derrota (que não foi muita), na vitória (que foi tanta em 18 anos), ele está sempre lá para defender o São Paulo. Pode perder a linha. Mas jamais a segurança que passa à família são-paulina e à família Ceni. Neste mundo escancarado e escandalizado, Rogério preserva e se preserva com categoria. Não se perde na noite e ganha o dia. E isso irrita.

Porque ele é diferente. Não apenas por fazer defesas como poucos na história do clube, não apenas por fazer gols como ninguém na história do futebol. Rogério é tão são-paulino que tem o compromisso com o São Paulo. Só. De ser feliz e amado pelos tricolores. Só. E não faz questão de ser o ídolo que merecia ser de todos os torcedores. E isso irrita.

Como devem se irritar os não-são-paulinos que não puderam ver o Liverpool campeão do mundo porque Rogério (artilheiro do clube em 2005!) segurou todas as bolas do massacre no Japão. E isso irrita.

Talvez Rogério não seja mais goleiro que outros craques tricolores. Talvez não seja o maior craque entre tantos gênios são-paulinos. Talvez outros raros tricolores tenham sido tão são-paulinos quanto ele.

Mas não há ídolo como Rogério Ceni. Como diz com muita razão e imensa paixão o são-paulino, outros times têm um goleiro. Só o São Paulo tem Rogério Ceni.

E isso não se imita.

P.S. 2 – Ah, sim.

São 100 gols. E apenas dois sofridos, digamos, em contragolpes. Um golaço de Roger, no RJ-SP em 2002. Poderiam estar na meta todos os goleiros são-paulinos, que a bola entraria no ângulo – embora, possivelmente, o meia do Fluminense não teria chutado dali, do meio-campo; e um gol de contragolpe de Geílson, do Santos, também no Morumbi, depois de uma falta batida na barreira, e uma série de erros que o São Paulo cometeu até levar o gol santista.

BRASIL 2 X 0 ESCÓCIA – JOGO 6 ERA MANO – ao vivo

domingo, 27 de março de 2011

 

* 10h02  – COMEÇOU NO EMIRATES STADIUM, com arbitragem de Howard Webb.

4min – Marcando mais à frente, no 4-2-3-1, Brasil inicia melhor diante de uma recuada Escócia, que atua num 4-1-4-1.

7min – Neymar cruza, goleiro sai bem. Brasil se mexe bem, mas exagera ao conduzir muito a bola e não finalizar.

14min – Ramires cabeceia por cima, cruzamento da direita de Elano, que troca bem de função pela direita com Jadson. Leandro Damião ainda tímido, mas brigando bastante, e sentindo a pouca aproximação de Neymar.

18min – Elano enche o pé, goleiro rebate. CHANCES – BRASIL 1 X 0 ESCÓCIA. Seleção força o jogo pela direita, Escócia marca muito atrás.

19min – BRASIL 2 X 0 – Belíssima cabeçada de L.Damião depois de escanteio de Elano. BOLA RASPA TRAVESSÃO.

23min – Leandro Damião de cabeça à direita. Mais um lance do Brasil pela direita.

24min – Bela tabela por dentro até a queda de Neymar.

26min – BRASIL 3 X 0 – Belo lance de Lucas Leiva até o fundo e cruzou, Damião quase fez. Bela tabela com Elano. Uma das virtudes dos dois volantes de Mano. Eles sabem jogar, sabem atuar.

27min – Daniel Alves passa bem ao fundo e cruza para a zaga afastar.

30min – Elano e Jadson mudam bastante de lado e Brasil segue bem. Neymar sente a perna esquerda.

34min – Whittaker de cabeça, à esquerda de JC.

35min – Elano entra em diagonal para abrir espaço para o Daniel Alves, mas, na prática, jogo fica mais afunilado.

38min – Calcanhar bonito de Neymar para André Santos. Jogam bonito por ali, mas poderiam ser um pouco mais objetivos.

39min – L.Damião impedido, depois de bela jogada de Neymar, por dentro. Ambos querem jogo. Jadson, porém, está tímido. Joga na mesma função e com o mesmo esquema do Shaktar, um 4-2-3-1, mas está encaixado no recuado 4-1-4-1 escocês.

41min31s – GOL. 1 X 0 BRASIL. NEYMAR. GOLAÇO. PÉ DIREITO, DENTRO DA ÁREA. PELA ESQUERDA. Ramires lançou bonito A.Santos pela esquerda que cruzou com precisão para Neymar dominar e bater fora do goleiro. GOL de quem sabe. Quarta chance brasileira. Placar justo.

42min – BRASIL 5 X 0 em chances. Elano, de longe, goleiro largou e depois defendeu.

INTERVALO – 5 chances brasileiras, nenhuma escocesa. Vitória justa e boa atuação, embora tenha afunilado demais o jogo. Boa estreia de Leandro Damião, um dos destaques do time, junto com Neymar, Ramires, Elano e Daniel Alves. Se sou o Mano, estreio o Lucas são-paulino no lugar do Elano, mas passando este para o meio, e Lucas pela direita.

RECOMEÇOU – 11h06.

40s. – BRASIL 6 X 0. Neymar bate de longe. Bola raspa travessão.

1min – BRASIL 7 X -0 – Duas grandes chances num só lance. Ramires toma a bola, Neymar divide com o goleiro, e, depois, L.DAmião explode bola no peito do goleiro.

7min – BRASIL 8 X 0. Ramires isola dentro da área, depois de cruzamento de Daniel Alves. Brasil volta muito bem. Merecia estar goleando. Também pela marcação mais adiantada e a saída pelos lados em melhor velocidade.

11min – MUDA ESCÓCIA. BANNAN X McARTHUR -

12min – Elano bate falta de longe. Bem o goleiro. Melhor o Brasil.

14min  – BRASIL 9 X 0 . L.Damião de cabeça, à esquerda. Impressionante a impulsão e técnica no cabeceio. Desse jeito, fica por Londres mesmo…

18min – Que tal mudar alguém, Mano?

19min – MUDA ESCÓCIA – COMMONX WHITTAKER

22min – Lucas por Jadson, Mano?

25min – Belo lance de Jadson para L.Damião. Bem na hora em que o meia do Shaktar vai dexiar o campo.

26min – MUDA BRASIL. LUCAS (ESTREIA) X JADSON.

30min – Adam derruba Neymar. Pênalti bem marcado. E tolo.

31min44s – GOL. 2 X 0 BRASIL. NEYMAR. PÉ DIREITO. RASTEIRO, CANTO ESQUERDO, GOLEIRO DO OUTRO LADO. Na técnica e na frieza impressionantes para a pouca idade. Mais que justo.

32min – MUDA BRASIL. JONAS (ESTREIA) X LEANDRO DAMIÃO

Brasil muda, mas mantém o 4-2-3-1, com Elano fazendo a de Jadson, e Lucas, acertadamente, pela direita preferencial

37min – MUDA BRASIL. ELIAS X ELANO. Mano muda o 4-2-3-1 para o 4-3-2-1 já bastante usado pelo treinador. é um dos esquemas de cabeceira do treinador.

39min – Baita jogada de Lucas até Jonas chutar e Caldwell estender o braço esquerdo e cometer pênalti não observado pelo árbitro.

40min – BRASIL 11 X 0. Jonas de cabeça, que trisca a trave.

41min. MUDA BRASIL. SANDRO X LUCAS LEIVA.

Brasil muda do 4-2-3-1 para o 4-3-2-1, como já havia atuado Mano em outras oportunidades

44min – MUDA BRASIL. RENATO AUGUSTO-19 X NEYMAR. Torcida escocesa vaia o santista, brasileiros evidentemente aplaudem o craque do jogo.

46min – Jonas perde gol que não pode. Ainda mais depois de belíssima jogada de Lucas.

FIM DE JOGO – Boa atuação do Brasil, que teve 12 chances de gol contra nenhuma do rival. Zaga não foi acossada, laterais jogaram menos do que podem e devem, meio-campo armou bem, Jadson sentiu a partida que Lucas não teve a menor dificuldade para jogar. Boa estreia também de Leandro Damião.

Joel Santana, ex-Botafogo; Caio Júnior, novo botafoguense

quinta-feira, 24 de março de 2011

 

Joel até poderia deixar o Botafogo depois de 14 meses vitoriosos e surpreendentes. Mas o Fogão não poderia despedir ou se despedir dele com vaias.

Afinal, depois de mais uma derrota no Engenhão para o Vasco (então, um absurdo 6 x 0), Joel chegava para tentar minimizar os estragos no início de 2010. Acabar ao menos decentemente a Taça Guanabara. Taça que ele conquistou sabe Deus como, conquista que bisou na Taça Rio sabem os deuses botafoguenses como.

Um time que padecia em vexames virou campeão estadual antecipado. E sem tantos reforços (mas recheado de lesões), ainda conseguiu fazer Brasileirão mais do que notável, lutando até próximo do fim por um lugar na Libertadores-11 que parecia delírio. Mas foi mérito dos atletas bem conduzidos por Joel.

Claro que, quando Abreu reclamava de falta de maior poder de fogo, o uruguaio não deixava de ter razão. Por vezes, dava para o Botafogo se soltar mais. Mas não tanto para elenco tão fragilizado. Havia sido assim que a história se fizera com glória no RJ-10, até honrando e bisando a letra de Babo do Hino, da turma campeão de 1910.

Mas havia limitações aos milagres. E, principalmente, aos terrenos.

Em 2011, cansou. O próprio Joel parecia entregue.

E, agora, em boas mãos, o elenco está entregue a Caio Júnior.

Está fora do Brasil há tempos. Mas estuda, é sério, e a barreira da distância, hoje, é cada vez menor.

Pode fazer mais um bom trabalho num elenco sem armador, com excesso de gente atrás, e poucas opções à frente.

Mas, para isso, precisa do tempo que normalmente ninguém dá. E a paciência que o botafoguense parece ter cada vez menos.