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HISTÓRIA EM JOGO – Liga dos Campeões da Europa – Final 1960 – Real Madrid 7 x 3 Eintracht Frankfurt

por Mauro Beting em 01.out.2010 às 17:39h

Cartaz da grande decisão do Hampden Park

O BLAG ainda deve completar os jogos do Brasil na Copa-82 que estão faltando na série HISTÓRIA EM JOGO.

Mas, agora, pretende contar a história das finais da Liga dos Campeões da Europa, que você pode ver comigo, na Band, nas quartas-feiras, na edição deste ano.

Dos primeiros 4 anos, todos conquistados pelo Real Madrid, temos os gols e alguns momentos, no acervo de GUSTAVO ROMAN, (http://futebolpitacos.blogspot.com/)

A partir de 1960, veremos todos os jogos. E analisaremos o minuto a minuto

LOCAL – Hampden Park, Glasgow. 127.621 pagantes. Renda de 55 mil libras. Mais de 70 milhões viram pela TV a final de Liga com o maior número de gols desde 1956.

O JOGO – O tetracampeão europeu Real Madrid enfrentava na Escócia o campeão alemão Eintracht Frankfurt, que fizera, em dois jogos semifinais contra o Rangers escocês, 12 gols! Era a quinta final da Copa dos Campeões da Europa. Todas vencidas pelo Real Madrid.

Deu mais do que a lógica.

Deu um show.

A partir da quinta conquista, o manager do Leeds United, Don Revie, sugeriu ao clube usar a camisa branca, como a do Real Madrid.

Bill Shankly, mítico treinador do Liverpool, fez com seu clube passasse a adotar o uniforme inteiramente vermelho. Para ele, uma só cor, como a branca do Real Madrid, impunha maior respeito.

Um jovem atacante da base do Queens Park Rangers ficou maravilhado com aqui que viu no estádio – Alex Ferguson, desde 1986 campeoníssimo treinador do Manchester United.

Veja aqui os gols

http://www.youtube.com/watch?v=vKJA8Kq_fxU

Veja aqui como foi o torneio

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ta%C3%A7a_dos_Campe%C3%B5es_Europeus_1959-60


Duas equipes no tradicional WM (3-2-2-3). Mas o Real tinha mais craques, e o recuo de Di Stéfano, com Puskás se enfiando à frente.

COMEÇOU – Real Madrid de branco; Eintracht Frankfurt de camisa vermelha.

55s – Meier cruzou da ponta esquerda com efeito, Domínguez resvalou na bola sinuosa que atingiu o travessão madridista. Talvez o sol e o vento forte contra a meta do Real em Glasgow tenham atrapalhado o goleiro argentino.

2min25 – Puskás perdeu a bola no meio-campo e entrou com a sola esquerda na canela direita do zagueiro-central Eigenbrodt (5). Uma das faltas mais maldosas e violentas que já vi na vida, despropositadas pelo tempo de jogo e pelo local do lance. Daquelas de quebrar a perna, ganhar cartão vermelho e registrar Boletim de Ocorrência. O árbitro nada fez. Os alemães não reclamaram. Pequena parte da torcida na Escócia (francamente favorável ao time alemão) se manifestou negativamente. E seguiu o jogo. Para felicidade de Eigenbrodt, Puskás não o quebrou. Para felicidade da história daquela partida e do futebol mundial, o Major Galopante húngaro seguiu em campo para anotar quatro gols. Mas é preciso dizer que um árbitro minimamente rigoroso teria preso Puskás. E a história seria possivelmente outra. Uma vergonha que acabou fazendo bonita história. Aquela que é contada pelos vencedores, não pelos vencidos.

3min – Lateral-esquerdo Pachín não deixa o meia-direita Lindner bater um arremesso. Torcida escocesa não tolera nenhuma falta de fair-play – principalmente dos tetracampeões espanhóis.

4min – Melhor o Eintracht. Os pontas Kress (7) e Meier (11) recuam bastante para ajudar no meio-campo. Principalmente o ponta direita, hábil e tático.

5min – Di Stéfano (9) enfim começa a recuar para armar o grande jogo do Real Madrid. Por vezes, ele fazia uma linha mais atrás com o incansável meia-direita Del Sol (8) e com o velocíssimo e hábil ponta-esquerda Gento (11). Puskás (10), com menor mobilidade e maior peso (mas ainda não gordo) corria menos e ficava mais próximo da área. Bem assistido pelo excelente ponta-direita brasileiro Canário, que também recuava e partia de trás, com velocidade e qualidade.

6min – Del Sol armou bom lance aberto pela esquerda. Meio-campo e ataque do Madrid começam a se mexer muito bem e equilibrar o jogo. Ele e o médio-direito Vidal são os únicos do Real Madrid que não atuam pelas suas seleções nacionais. No Eintracht, são 5 que jogam pela Alemanha.

8min – 2 x 1 em chances para o time alemão. Lançamento muito bom do Eigenbrodt para o Kress ultrapassar o fraco lateral Pachín e cruzar na área para Marquitos tirar de letra.

10min – A zaga do Real não é grande coisa. Não por exposição demasiada, mas por falta de qualidade dos laterais Marquitos e Pachín. O goleiro alemão Loy dá um bico pra frente, Kress cruza da direita, e o ótimo zagueiro-central Santamaría (“A Muralha”) quase faz contra. Quem bate os escanteios pela direita é o ótimo meia-esquerda Pfaff (10). Ele bate fechado, de canhota, o que não era prática muito comum à época.

14min – Mão na bola de Eigenbrodt. Puskás bate a falta por cima da meta de Loy, ali da meia direita. Como havia acontecido sete anos antes, em Wembley, ninguém formou barreira. Deixaram o craque húngaro bater livre.

17min – Real Madrid erra muitos passes. Di Stéfano não recua tanto para armar o jogo e ajudar a defesa. Até agora, Puskás só fez a falta em que deveria ter sido expulso. Jogo igual, mas Eintracht mais perigoso no contragolpe.

 

 

18min – GOL. 1 X O EINTRACHT. KRESS. CABEÇA. Belo lance bem treinado e executado. Lançamento longo à direita, Santamaría fora da posição correta, por dentro. Na dividida, Kress trocou de função com Lindner. O meia-direita avançou como se fosse ponta, tocou para Steiner sair do meio aberto pela direita e cruzar para o cabeceio do ponta Kress, que fechou como se fosse comandante de ataque. Bonita troca de posições e um gol de qualidade e velocidade. Grande parte do Hampden Park vibra. Os torcedores que pagaram de 5 a 50 schillings estão torcendo pelo time alemão. Ou contra o tetracampeão europeu. Gol merecido.

 

26min – GOL. 1X 1 REAL MADRID. DI STÉFANO. PÉ DIREITO. Zárraga levantou na direita para o ponta-direita brasileiro Canário ganhar às costas de Meier, passar como quis pelo fraco lateral Höfer, e cruzar para La Saeta Rubia argentina empatar. Como nas outras quatro decisões europeias, Di Stéfano fez o dele. Para Puskás, algo anormal foi levar o primeiro gol:

- Nós sempre gostamos de sair na frente no placar. Éramos 11 atacantes em nossa equipe. Mas, também por issó, sofríamos mais gols. Muita gente achou que não passaríamos pelo Barcelona na semifinal. E ganhamos. Porque nós não nos cansávamos de ser campeões. E fomos mais uma vez.

 

29min – O excelente ponta-esquerdo Gento escapou como quis pelo fraco lateral-direito Lutz, bateu forte de canhota e o goleiro Loy defendeu bem. Ainda hoje Gento faria sucesso pela velocidade impressionante, técnica apurada e chute forte. Ele abaixava a cabeça e ia para cima. E quase sempre ganhava os lances.

 

29min – GOL. 2 X 1 REAL MADRID. DI STÉFANO. PÉ DIREITO. Gento cruzou da esquerda, Höfer afastou, mas Del Sol matou com categoria, tocou de canhota com elegância para Canário bater de trivela, de direita. Loy não segurou bola que não era tão difícil, e ainda espalmou para dentro da pequena área, onde Di Stéfano fuzilou e virou o placar. Bastava atacar um tantinho para o Real causar estragos no débil sistema defensivo alemão. Poucos aplausos no estádio pelo gol. O narrador da BBC inglesa foi definitivo: : “Não sei quanto pagam para o Di Stéfano, mas ainda não é suficiente”, afirmou Kenneth Wolstenholme.

 

32min – Kress cruza da direita, Meier pega mal de canhota. Jogo cai com a virada madridista.

34min – Di Stéfano salva o empate antes do rival Steiner concluir bom lance pela direita de Kress sobre Pachín. Impresionante o preparo físico do já veterano craque argentino. Estava lá atrás ajudando. Ora como uma espécie de libero, por vezes mesmo como um médio pela direita. Não à toa inspirou o todocampista holandês Johan Cruyff. Dois monstros técnicos, táticos e físicos.

37min – O médio-direito Vidal avançou como meia pela direita, jogou de canhota às costas do lateral alemão para Canário entrar em diagonal e bater cruzado, rente à trave de Loy, belo lance.

38min – Puskás flana pelo gramado, mais próximo à meta rival, deixando Di Stéfano recuar e organizar o jogo merengue. Até agora, figura apagada o Major Galopante Húngaro.

39min – Belíssima jogada pela esquerda do Real Madrid, com direito à letra de Del Sol, tabelinha entre Puskás e Gento. Aos poucos, a torcida no Hampdem Park começa a se apaixonar e a se render ao talento merengue. Jogo bonito e nem sempre objetivo.

 

44min – GOL. 3 X 1 REAL MADRID. PUSKÁS. CANHOTA. Pfaff bateu escanteio fechado, de canhota, o goleiro argentino Domínguez defendeu. Lançou rápido para Del Sol num lance bem ensaiado. O meia direita aplicou um chapéu mais foi desarmado. Eigenbrodt foi sair jogando, perdeu a bola dentro da área para Puskás dominar e fuzilar no ângulo direito do indefesa goleiro. Nem precisou forçar muito o Real Madrid para fazer um placar amplo demais para um tempo equilibrado.

 

PLACAR VIRTUAL PRIMEIRO TEMPO – 7 X 5 REAL MADRID

Time alemão pouco melhor até o empate espanhol. Eintracht ão tinha a qualidade técnica e os gênios merengues, que fizeram a diferença, mesmo sem jogarem um futebol de outro planeta.

 

 

O time pentacampeão

SEGUNDO TEMPO

 

19s – Canário dominou mal uma bola dentro da área, que sobrou para o goleiro. Puskás fez o lance como se fosse um ponta esquerda, no lado do campo que gostava de atuar nas segundas etapas.

1min – Além da paulada de Puskás, o primeiro lance punível com um cartão amarelo (que seria instituído 10 anos depois): Weilbacher waibacker pegou por trás Di Stéfano, ainda na intermediária. Falta dura e tola.

2min – Jogada básica do Real: Domínguez rapidamente dava um bico para a frente Lara depois do escanteio; o contragolpe era puxado por Gento ou Puskás. Di Stéfano ficava mais atrás, protegendo a defesa, organizando o jogo.

4min – Meier manda a bomba, Domínguez faz grande defesa para escanteio.

5min – Puskás manda o canudo da meia esquerda, Loi manda a escanteio em bela espalmada. Grande jogada de Vidal com Di Stéfano. Madrid voltou mais aceso e com mais sede por gols.

11min – Um dos pênaltis mais absurdos da história do futebol. Gento foi lançado pela milésima vez às costas de Lutz. O lateral trancou o ponta e a bola sobrou limpa para o goleiro alemão. O árbitro ficou em dúvida da dividida normalíssima e foi consultar o bandeirinha número um. Naquele tempo, os bandeiras poderiam ficar invertidos em relação a hoje – veja no vídeo. Mesmo bem posicionado, o auxiliar confirmou o pênalti inexistente.

 

11min – GOL. 4 X 1 REAL MADRID. PUSKÁS. PÊNALTI. CANHOTA. Mesmo tão absurda a marcação, eram outros tempos. Apenas dois alemães ergueram os braços e colocaram a mão na cabeça. O árbitro levou 15 segundos para confirmar o pênalti. Nem a torcida favorável ao Eintracht se manifestou tanto. Os atletas lamentaram, mas não reclamaram diretamente com o árbitro. Apenas 17 segundos depois da confirmação do pênalti inexistente, Puskás ampliou. Fair-play 11. Arbitragem zero.

 

 

 

13min – Mais um belo lance do ponta Kreuss para mais uma grande defesa de Domínguez. Sétima boa chance alemã, contra 10 espanholas.

14min – Steiner chegou atrasado depois do escanteio. Time alemão joga como se não estivesse perdendo. 8 x 10 em oportunidades.

15min GOL. 5 X 1 REAL MADRID. PUSKÁS. CABEÇA. Bonito lance de Santamaría com Del Sol lançando o bólido Gento pela esquerda. Passou como avião pela zaga alemã, foi ao fundo e serviu Puskas, dentro da pequena área, se antecipar a Eigenbrodt e ampliar a goleada. Até a torcida que estava com o Eintracht aplaudiu a beleza e velocidade do lance. Gento dava a impressão de que ainda hoje seria veloz. E muito superior à média como ponta-ponta

Quinto gol do Real Madrid. Puskás

17min – Lindner bate de primeira por cima em belo lance alemão. O ponta Kreuss cortava por dentro, o centroavante Stein aparecia pela ponta às costas de Pachín, e cruzava para a chegada do meia-direito alemão. 5 x 1 era um placar muito dilatado pela boa qualidade do time de Frankfurt. Em chances reais do jogo, a partida poderia estar 11 x 9 para o Real Madrid. Um jogo bem mais equilibrado.

20min – Puskás bate de primeira e só não amplia porque há um desvio. Atuando basicamente como um centroavante, com Di Stéfano correndo por ele, o húngaro detona o discutível sistema defensivo alemão. 12 x 9 em chances para o Real.

21min – Kress entra duro em Pachín, que revida dando um coice no atacante alemão. Uma boa arbitragem teria mostrado – hoje – um amarelo para o ponta alemão, e um vermelho direto para o lateral-esquerdo merengue.

23min – Weilbächer bate bola que reboteia e atinge o travessão. Lindner pega a sobra e chuta na zaga, Santamaría salva o lance no melê, e Stinka isola o último chute. Glasgow aplaude a blitz alemã.

25min – Di Stéfano vira boniro de canhota para bela defesa de Loy para escanteio. 13 x 10 em chances para o time espanhol.

26min – GOL. 6 X 1 REAL MADRID. PUSKÁS. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. Linha de passe espanhola: Gento cruza da ponta esquerda para o outro lado; zaga afastou para Marquitos, que bateu torto; Puskás recebeu livre, virou rápido de canhota e mandou no ângulo de Loy, que só olhou o golaço. 14 x 10 em chances.

 

27min – GOL. 2 X 6 EINTRACHT. STEIN. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. Weilbächer deu um balão pra frente, Stein ganhou da zaga de cabeça e serviu Pfaff, que de canhota serviu Stein para se livrar de dois zagueiros e chutar no ângulo esquerdo de Loy, que ainda relou na bola. Golaço. 14 x 11 em chances.

 

28min – GOL. 7 X 2 REAL MADRID. DI STÉFANO, CANHOTA. FORA DA ÁREA. Puskás deu a saída tocando a Del Sol, que passou mais atrás a Di Stéfano. Este a Gento, que driblou um, rolou a Puskás que rápido achou Di Stéfano. Ninguém marcou. Ele avançou e, apenas 43 segundos depois do gol alemão, bateu de canhota, raso no canto esquerdo de Loy, que de novo só assistiu. O Real era demais. Mas era uma tiriça o Eintracht para se defender… 15 X 11 em chances.

 

30min – GOL. 3 X 7 EINTRACHT. STEIN. PÉ DIREITO. NA ÁREA. Santamaría resolveu presentear o esforço do bom time alemão e recuou para o goleiro uma bola nos pés do centroavante rival. Stein fuzilou Domínguez. 15 x 12 em chances. E a torcida a favor do time alemão celebrou bastante…

 

 

No frigir das bolas, 4 gols em 5 minutos!

 

Fala, Bobby Charlton, o maior craque inglês:

- “O meu primeiro pensamento foi que este jogo era uma mentira, um filme, porque estes jogadores fizeram coisas que não são possíveis, não são reais, não são humanas!”

 

32min – Gento para Puskás, e um tiro à esquerda. 16 x 12 em chances

34min – Di Stéfano para Puskás para Gento para Di Stéfano para… E quem é que para esse time? Duas horas trocando a bola rente à linha lateral. Até os rivais e o estádio inteiro aplaudem.

36min – Gento bate falta sem ângulo para boa defesa de Loy. 17 x 12 em chances.

37min – Puskás, de longa distância, da meia-esquerda, só não faz o oitavo porque Loy espalma muito bem. 18 x 12.

38min – Show de bola madridista. Dribles e fintas e firulas, mas a maioria com objetividade, deixando o rival babando e sem ação.

39min – Canária cruza, Di Stéfano só não faz porque Loy mandou bem, e, no rebote, Gento tenta, mas zaga salva. 19 x 12.

39min – Di Stéfano tenta por cobertura depois de belo lançamento. A bola bate na trave esquerda quando o craque argentino já celebrava mais um gol. 20 x 12 em chances merengues.

41min – Resposta alemã. Meier enche o pé. Mas por cima. 20 x 13.

44min – Kress faz grande jogada pela direita, mas prega e acaba perdendo o ótimo lance.

FIM DE JOGO – Vitória de uma seleção sobre um ótimo time. Mas não melhor que o pentacampeão europeu.

Uma das maiores duplas da história do esporte. Di Stéfano + Puskás = Gênios

 PLACAR VIRTUAL DO 2O. TEMPO – 13 X 6 REAL MADRID

 

 

PLACAR VIRTUAL TOTAL: 20 X 13 REAL MADRID

 

 

 

 

MANCHETES – The Daily Herald (britânico): “O jeito que esses artistas maravilhosos jogam futebol é simples e fácil. Parece tão fácil como um sonho. Eles fazem com que todos os outros times pareçam equipes de segunda categoria”

 

ATUAÇÕES

 

REAL MADRID – NOTA 9. Criou 20 chances, mas concedeu 13. Fez 8 gols, mas levou 3. Com a bola, dos maiores de todos os tempos e campos. Sem ela, um time exposto, e de técnica discutível na defesa.

 

DOMÍNGUEZ – Goleiro argentino revelado pelo Racing, 12 anos de seleção albiceleste, era atrapalhado e pesado. Tinha 29 anos em Glasgow. No fim da carreira, atuou pelo Flamengo, em polêmica passagem pela Gávea. NOTA 6

 

MARQUITOS – O lateral-direito não era grande coisa tecnicamente. Forte, duro e pesado, sofria com os pontas de então, atuando no WM que caducava taticamente (era um 3-2-2-3). Fez o terceiro gol do Real na final da Liga de 1956, no 4 x 3 contra o Stade Reims francês. Foi cinco vezes campeão europeu. Filho e neto também foram profissionais da bola. NOTA 6

 

SANTAMARÍA – Bobeou no terceiro gol, mas era ótimo. Exposto pela forma de atuar do Real, e pela qualidade discutível dos companheiros de zaga, o central uruguaio foi uma bandeira merengue, onde atuou de 1957 a 1966. Jogou pela Celeste Olímpica por 5 anos, e mais quatro pela Fúria espanhola. Foi o treinador do fraco time espanhol na Copa de 1982. Só não foi campeão do mundo pelo Uruguai, em 1950, porque o seu clube (Nacional) se recusou a liberá-lo para ser reserva do meio-campo (?!). Em 1954, foi titular de um grande Uruguai, batido apenas na prorrogação pela brilhante Hungria. NOTA 7

 

PACHÍN – O lateral-esquerdo do WM do Real era fraco na marcação. Como quase todos os laterais dentro desse esquema, era mais zagueiro que um jogador que se projetava ao ataque. Polivalente, ainda assim não tinha grande técnica. Levou um baile de Kress e sofreu com as incursões de Stein o jogo todo. Foi Real de 1958 a 1969. Virou treinador de clubes medianos até 1986. Esteve na Copa-62. NOTA 4

 

 

VIDAL – Muito bom jogador, ambidestro, o médio-direito tinha boa técnica, passes e inversões precisas, e sabia marcar. Apesar da canseira que levou do ótimo meia-esquerda Pfaff, fez belo jogo em Glasgow. NOTA 7.

 

ZÁRRAGA – El capitán era o médio-esquerdo. Discreto, tinha um passe correto, e ajudava mais Santamaría por dentro e mais atrás que Vidal. Foi Real de 1951 a 1962. Outro penta europeu.

 

DEL SOL – Substituto do imenso armador francês Kopa, Del Sol veio do Betis para jogar em todo o campo. E muito bem. Foram apenas dois anos de Real, e 10 de Itália, entre Juventus e Roma. Jogou as Copas de 1962 e 1966. Armava como meia direita, ajudava Vidal na contenção, e se mexia por todo o ataque. Veloz, participou do lance do terceiro gol. Técnico, tinha ótimo passe e visão de jogo. Jogava fácil, e fazia o meio-campo de craques jogar ainda mais. NOTA 9

 

PUSKÁS – Merecia ser expulso com 2 minutos. Pouco pegou na bola atuando quase como centroavante, na primeira etapa. Depois, fez quatro dos 7 gols. E sem grande mobilidade pelo peso que começava a aparecer tanto quanto a genialidade, os gols, os dribles, a ascendência sobre os rivais e companheiros. Um gênio. Dos maiores de todos os tempos. Artilheiro daquela edição da Liga com 12 gols. NOTA 9 (porque deveria ter sido expulso no dia de sua melhor exibição pela camisa merengue). MAIS DE PUSKÁS VOCÊ ENCONTRA EM MEU LIVRO, AS MELHORES SELEÇÕES ESTRANGEIRAS DE TODOS OS TEMPOS, PELA EDITORA CONTEXTO).

 

CANÁRIO – O ponta-direita carioca era driblador, ótimo cruzador e passador, rápido, técnico e tático. Revelado pelo Olaria, brilhou no América do Rio a partir de 1955. Em 1959, chegou a Madri. Atuaria até 1969 por mais três clubes da Espanha (fazendo igual sucesso no Zaragoza). Na Seleção, só 7 jogos, em 1956. Naturalizou-se espanhol, mas nunca atuou pela Fúria. Pelo Brasil, com a concorrência de Garrincha e Julinho Botelho, não teve as chances que poderia.

 

 

DI STÉFANO – O genial “La Saeta Rubia” argentino foi o pai técnico e tático de outro monstro, o holandês Cruyff. Ele era camisa 9. Começou como centroavante. Mas como Hidekguti, 9 falso húngaro, ele recuava para armar. Mas Di Stéfano foi além. Por vezes, era um meia. Um volante. Quando não era um quarto-zagueiro. Um monstro técnico, tático e físico. Corria o campo todo o jogo todo. Ajudava os companheiros. Mandava neles, na bola e até nos rivais. Dos maiores de todos os tempos. Entre os maiores, certamente o que mais fazia coisas em campo. Podia ser um Beckebanbauer, podia ser um Cruyff, podia ser um Maradona, podia ser um Maradona. Podia tanto que até podia mais que Puskás no vestiário merengue, onde esteve de 1954 a 1964, onde é o presidente honorário há 10 anos. Fez 8 gols naquela edição da Liga. Gênio. NOTA 9

 

GENTO – De 1953 a 1971 foi ponta-esquerda do Real Madrid. De 1955 a 1969 foi craque da Espanha. Com 6 Ligas dos Campeões, incluindo o título de 1966, é o recordista de títulos europeus. E foi para este escriba o melhor de todos os jogadores espanhóis. Mais que Luis Suárez, Xavi, Iniesta e Raúl – dos que pude ver jogar – e outros que mereçam ser citados. Porque Gento tinha velocidade que ainda hoje seria recorde (fazia 100 metros em menos de 11 segundos). Porque driblava como brasileiro. Porque ajudava atrás como europeu. E porque jogava numa máquina. Costumava largar o ônibus da delegação merengue poucos quilômetros antes do Santiago Bernabéu para andar e se condicionar com sapatos mais pesados que o usual. Só para aumentar a força das pernas e, por tabela, a velocidade. Conhecido como La Galerna Del Cantábrico – A Tempestade do Mar Cantábrico. NOTA 9.

 

 

MIGUEL MUÑOZ – O treinador espanhol foi meio-campista do Real Madrid por 10 anos, até se aposentar em 1958. Foi o capitão merengue nos dois primeiros títulos europeus. Treinou o clube de 1960 a 1974. Foi o primeiro dos seis que conseguiram ser campeões da Europa como atleta e, depois, treinador. Treinou a Espanha na boa campanha na Copa-86. Morreu em 1990. Respeitadíssimo pelos companheiros e comandados, usava um WM básico, com três zagueiros expostos, dois médios de boa qualidade mas capacidade discutível de marcação, e cinco craques à frente (dois gênios). Ficava mais fácil. NOTA 8

 

 

Zárraga ergueu a quinta taça consecutiva do Real Madrid. Recorde absoluto

EINTRACHT FRANKFURT – Levou 7 gols do pentacampeão europeu (um nascido de impedimento inexistente e absurdo). Mas fez três gols, e criou outras 10 chances. Merece aplausos. Até porque começou bem melhor a decisão. Foi praticamente o mesmo time que fez no placar agregado 12 x 4 contra o Glasgow Rangers do treinador Scot Symon, que não deu a menor pelota aos alemães, dizendo antes do primeiro jogo em que perdeu por 6 a 1 que não precisaria reconhecer o gramado de Frankfurt, que o conheceria apenas durante o jogo… NOTA 7

LOY – Pouco jogou pela seleção alemã. E apesar de algumas boas defesas no bombardeio merengue, mostrou fragilidade ao largar muitas bolas, e não se atirar em outras. Nota 5

LUTZ – O lateral-direito jogou 6 anos pela Alemanha Ocidental, e era reserva do time vice mundial em 1966. Mas levou um baile de Gento – como a maioria dos laterais planetários. NOTA 4

EIGENBRODT – Quase teve a perna quebrada por Puskás. Mas o zagueiro-central não se lesionou. Embora mal tenha ajudado a defesa frágil. Jogou a vida toda no Eintracht. Como o futebol só se tornou profissional no país em 1963, por muito tempo trabalhou também no comércio. NOTA 5

HÖFER – O lateral-esquerdo levou um baile de Canário. Pesado e lento, foi presa fácil. Mas, como todos, no baixava a porrada. Foram 14 anos de clube. Virou vice-presidente do clube em 1982. NOTA 4

WEILBÄCHER – O médio-direito tinha uma bola longa de qualidade. Mas como marcar Puskás e/ou Di Stéfano, e ainda ajudar na contenção a Gento? Jogou 13 anos pelas Águias de Frankfurt. NOTA 5

STINKA – O médio-esquerdo não marcou Del Sol, e mal chegou à meta rival. Apenas correu. E olhe lá. Atuou pouco pela Seleção, e 8 anos pelo Eintracht. NOTA 5

LINDNER – Inteligente, deslocava-se muito bem, e dava suporte ao excelente meia-esquerda Pfaff. O meia-direita por 15 anos atuou pelo Eintracht. Foi vice-presidente do clube em 1981. É capitão honorário das Águias. Nota 7

PFAFF – O meia-esquerda era o craque do time, mesmo aos 34 anos. Ainda corria todo o campo. Recuava para pensar o jogo, entrava em diagonal para abrir pela ponta direita, enquanto Kress recuava para armar. Batia escanteios e faltavas. Mandava no meio-campo. Grande atuação do capitão da equipe onde atuou por 12 anos. Atuou apenas três anos pela Alemanha (também por atuar na posição do mestre Fritz Walter). Mas foi reserva do time campeão de 1954. Canhoto, colocava a bola como poucos, e causava problemas quando batia escanteios da ponta direita, prática pouco usual à época. Também usava bem o pé direito. NOTA 8.

KRESS – O ponta-direita recuava para dar espaço a Stein e Pfaff por ali. Técnico, driblador e inteligente, jogou bem toda a partida para cima do fraco Pachín. Onze anos de clube, 7 de seleção, ele trabalhava com a mulher numa loja. NOTA 7

STEIN – O centroavante caía pela direita e brigava bastante. Ótimo posicionamento. Foram 7 anos de clube. Por discutir com o treinador alemão Sepp Herrberger, atuou pouco pela Alemanha. NOTA 7

MEIER – O ponta-esquerda começou bem mais caiu de produção. Mais tático, menos driblador, tinha um bom chute de canhota. Seis anos de clube. NOTA 5

PAUL OSWALD – Foram 14 anos dirigindo o Eintracht, em três períodos distintos. No último, e mais vitorioso, foram 6 anos. Incluindo o título alemão de 1959, e o vice europeu. Começou a carreira de técnico muito cedo, e foi um grande mestre no país. Mais não poderia fazer em Glasgow. NOTA 6

ÁRBITRO JOHN MOWAT (ESCÓCIA) Não expulsou Puskás aos 2 minutos, numa das agressões mais estúpidas que já vi em campo, e marcou talvez o pênalti menos marcável da história, a favor do time espanhol. NOTA 3

PARTIDA – NOTA 9. Dez gols, um time mágico, e uma boa equipe goleada. O que mais pedir?

A ideia desta série é de ANDRÉ ROCHA e de GUSTAVO ROMAN, que providenciaram ideias, informações, análises e imagens.

Quer ver o jogo na íntegra?

Procure gugaroman@hotmail.com

 

VEJA, AGORA, A CAMPANHA DOS QUATRO PRIMEIROS TÍTULOS MERENGUES

 

LIGA DOS CAMPEÕES 1956 – Real Madrid ganhou o primeiro título europeu despachando o Servette suíço (7 x 0 no placar agregado), 4 x 3 o Partizan Belgrado (perdeu de 3 x 0 na Iugoslávia, o segundo jogo); 5 x 4 no Milan (4 x 2 em Madri, no jogo de ida), até vencer, na decisão em Paris, o francês Stade Reims, do imenso Kopa e do artilheiro Bliard, por 4 x 3. Perdia por 2 x 0 com 10 minutos, chegou a estar sendo derrotado por 3 x 2 até virar faltando 11 minutos. José Villalonga era o treinador merengue. Em 1964, Pepe seria o técnico campeão da Europa pela seleção espanhola.

O time que venceu a primeira decisão da Liga dos Campeões, em 1956. Um WM básico, já com mitos como Di Stéfano e Gento. Muñoz, treinador em 1960, era o médio-direito; Marquitos era o zagueiro-central (com Santamaría, seria lateral pela direita)

LIGA DOS CAMPEÕES 1957 – Como campeão da temporada anterior, o Real Madrid entrou direto na segunda fase. Ganhou e perdeu do Rapid Viena. Num jogo desempate, no Santiago Bernabéu, depois do placar agregado de 5 x 5, ganhou por 2 x 0 e seguiu adiante.  Venceu o Nice francês num agregado por 6 x 2. Nas semifinais, 3 x 1 e 2 x 2 contra o Manchester United. Na decisão, contra a Fiorentina de Julinho Botelho, um 2 x 0 construído no segundo tempo, com gols de Di Stéfano (num pênalti em que o goleiro Sarti absurdamente se adianta) e do velocíssimo Gento, em bela tabela que, desta vez, Sarti não se adiantou para impedir. E a festa do bi no próprio estádio madridista.


O WM vencedor. Já com o imenso armador Kopa armando pela direita, trocando de funções com Mateos (cunhado do futuro armador merengue, penata em 1960); mudança de 1956 também na lateral direita, com Torres aparecendo no setor. No mais, o mesmo time de Pepe Villalonga

LIGA DOS CAMPEÕES 1958 – Real Madrid (agora dirigido por Luis Carniglia) entrou na segunda fase e despachou por 8 x 1 (no agregado) o Royal Antuérpia belga. Nas quartas, enfiou 8 x 0 no Sevilla, e depois empatou fora (2 x 2). Foi nesta fase, depois de se classificar em Belgrado com um empate por 3 x 3, que 8 jogadores do Manchester United morreram num acidente aéreo em Munique, em fevereiro. O clube continuou na competição mesmo assim, sendo eliminado na semifinal pelo Milan. O Real Madrid ganhou de 4 x 0 do Vasas, mas perdeu na Hungria por 2 x 0. Na disputa pelo tri, no estádio Heysel, na Bélgica, empate no tempo normal com o Milan por 2 x 2, com o gol de empate merengue marcado aos 34 minutos, por Gento. Na prorrogação, Di Stéfano fez o gol do tri, numa falha defensiva milanista, time campeão italiano com Schiaffino, Liedholm e Maldini. 

 


O Real Madrid tricampeão na prorrogação; ainda o WM, já com o grande Santamaría no centro da defesa, com Kopa e Rial armando para o imenso Di Stéfano, que saía da área e articulava um ataque poderoso, e cada vez mais afinado. Como médio-direito aparecia Santitesbán, que, no futuro, seria um excelente treinador da base espanhola, responsável nos últimos anos pelo surgimento e solidificação de valores como Casillas, Xavi, Iniesta, Fábregas, Bojan e belo elenco espanhol

LIGA DOS CAMPEÕES 1959 – Treinado pelo argentino Luis Carniglia, o Real Madrid buscou o tetra iniciando a competição na segunda fase. Ganhou no agregado do Besiktas turco por 3 x 1; contra o Wiener SC da Áustria, empatou sem gols fora, e enfiou 7 x 1 em Madri – quatro gols de Di Stéfano; na semifinal, ganhou do Atlético de Madri do brasileiro Vavá por 2 x 1, e perdeu a invencibilidade no torneio caindo por 1 x 0. No terceiro jogo, no Bernabéu, um 2 x 1 garantiu a quarta decisão seguida. Novamente contra o Stade Reims francês. Um time ainda melhor com Fontaine, Bliard, Vincent, Piantoni, Joncquet. Mas sem  Kopa, ainda no Real Madrid. E agora reforçado por Puskás – que foi substituído na final pelo grande armador argentino Rial, titular em quase todo o tetra. E Di Stéfano. E o time tetracampeão europeu, com gols de Mateos e Di Stéfano, de fora da área.


O time tetra europeu mantinha o WM clássico, com três zagueiros, dois médios defensivos, dois meias (entre eles o imesno francês Kopa, que alternava pela meia e ponta direita, e agora com Puskás (que não jogou a decisão), mais à frente, trocando de função com Di Stéfano, que regia o time e organizava também a marcação.

10 comentários para “HISTÓRIA EM JOGO – Liga dos Campeões da Europa – Final 1960 – Real Madrid 7 x 3 Eintracht Frankfurt”

  1. Muito bacana, senhor Mauro Rapunzel.
    Como os zagueiros eram ruins naquela época.
    Pelamor.

  2. Thiago FSR disse:

    adoro estes jogos históricos, “me lambuzo” de história e futebol….

  3. Marco Aurélio disse:

    Sensacional!! Muito boa matéria!! Espero que acontecam outros…

  4. maia disse:

    o vasco da gama foi campeão alguns anos antes, em 1957, em cima desse real madri de kopa e di stefano. torneio de paris: campeão sul-americano x campeão europeu. tem uma pequena reportagem sobre essa partida no youtube. narração em francês. vários chefes de estado presentes. com direito a uma hilária pancadaria no fim do jogo.

  5. Lucas Pierre disse:

    Nossa, ganhei uma aula de “história do futebol” grátis, Mauro.

    Realmente, é incrível como esse Real Madrid jogava. Puskas era um gênio, e junto com Di Stéfano, aí a genialidade era em dobro.

    Parabéns pelo projeto. Espero que continue.
    Grande abraço.

  6. Milton de Oliveira disse:

    Vc acha possível repetir hoje o esquema WM (3-2-2-3)?

    Viu algo parecido nos últimos anos?

    MILTON, ótima questão que merece uma coluna maior.
    Hoje, seria algo próximo ao 3-4-3, claro. Mas não me parece de todo absurdo, não. O 3-4-3 do Ajx-95, por exemplo, era um 3-3-1-3, próximo aos esquemas de Bielsa. Mas sem um quadrado no meio. Não acho, de fato, que seria algo tão absurdo. O próprio 3-3-2-2 da Dinamáquina, em 84-86, não era tão distante disso.

  7. Miguel Conte disse:

    Faltou falar do pressão política do general Franco, que acompanhava o Real Madrid de perto e usava o clube como propaganda política do governo central, contra a autonomia das provícias (em especial Catalunha e País Basco), sendo Franco o “craque” da decisão do 2º título.

  8. jonathan batista da silva disse:

    muito bom! adoro futebol e historia!obg! espero q continuem o projeto é incrivel!quero q chegue os tris de ajax e bayern.

  9. Exceelente disse:

    Procuro detalhes do jogo que assisti entre o Vasco da Gama (estréia de Lorico e Da Silva) e Real Madri.O jogo foi 2×2,numa 4ª feira de outubro de 1960,à noite no Maracanã? Grato.

  10. Menez disse:

    Mauro, muito bom seu blog. Mas acho q seria legal vc postar mais finais da Champions. Qeria vê-lo falando de Cruyff no Ajax e ou Beckembauer no Bayern. Sou fã do seu trabalho e o jeito q vê o futebol. Valeu!

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