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Arquivo de outubro de 2010

HISTÓRIA EM JOGO – Liga dos Campeões – Final 1963 – Milan 2 x 1 Benfica

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

 

Você já viu na série HISTÓRIA EM JOGO as cinco conquistas  do Real Madrid, de 1956 a 1960.

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/01/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-da-europa-final-1960-real-madrid-7-x-3-eintracht-frankfurt/

Você já viu o Benfica ganhar do Barcelona na decisão das traves quadradas

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/11/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-1961-benfica-3-x-2-barcelona/

A sensacional vitória de um ainda melhor Benfica, agora com Eusébio e Simões, contra o Real Madrid, em 1962:

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/18/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-final-1962-benfica-5-x-3-real-madrid-2/

Seria a hora do tri português. Na primeira decisão de Liga sem um clube espanhol.

 

Cesare Maldini e Coluna antes do clássico em Wembley

Mas havia pela frente, em Londres, o primeiro italiano campeão da Liga dos Campeões. Não por acaso, ainda o maior vencedor entre os italianos na Europa.

Um time de ótima qualidade técnica. Recheado de estrangeiros como os brasileiros Altafini e Dino Sani. Mas com um espírito italianíssimo. Competitivo. Por vezes viril. Até violento. Mas merecidamente vencedor.

Ficou, porém, uma marca profunda e doída na alma encarnada. Aos 14 do segundo tempo, empate por um gol, o médio-esquerdo rossonero Trapattoni atingiu maldosamente e por trás Coluna. O craque português ficou três minutos fora. Voltou, mas se retirou depois de sete minutos com dores no tornozelo. Recebeu tratamento no vestiário e retornou em oito minutos. Mal andou. Mal jogou. E assistiu à justa vitória que independia daquela absurda pancada.

“Sem o nosso grande capitão, não tivemos como conseguir a vitória”, ainda se lamenta Eusébio.

As dores ficaram por muito tempo. Não apenas no tornozelo ferido de Coluna. Fala o Monstro de Inhaca, cidade em Moçambique onde nasceu o grande condutor do Benfica, em trecho do blog “Planeta Benfica”:

- O treinador italiano Nereo Rocco considerava-me um dos jogadores mais temidos. Quando o Trapattoni me lesionou, estive 15 minutos a receber assistência junto à linha mas não dava para continuar a jogar. Apenas estive a fazer figura de corpo presente.

Coluna diz que a consciência de Trapattoni deve ter pesado por muito tempo. Num programa da RAI, muitos anos depois, Coluna esteve presente. Trap, não. “Ele não teve coragem de me encarar”, afirma o meio-campista português.

A mágoa é tamanha que Coluna afirmou que um dos dias mais tristes da vida dele foi quando Giovanni Trapattoni assumiu a direção do Benfica. Nem mesmo o título português de 2005, depois de 11 anos sem conquistas, serviu para amenizar a dor que já tem quase 50 anos. E não há o que cure Coluna.

LOCAL – Estádio de Wembley, Londres, Inglaterra. 22 de maio de 1963. 45.700 presentes.

LEIA COMO FOI A LIGA DOS CAMPEÕES 1962-1963

http://en.wikipedia.org/wiki/1962%E2%80%9363_European_Cup

VEJA OS GOLS DA FINAL DE LONDRES

http://www.youtube.com/watch?v=APgFzgF3ZyE&feature=related

Milan no WM clássico, com três na zaga, dois medianos defensivos, dois meias de imensa qualidade, dois pontas que se mexiam muito, e um senhor centroavante; Benfica foi o primeira finalista de Liga a atuar com uma linha de quatro na zaga, dois no meio, e quatro mais à frente. O típico 4-2-4. Mas não foi ele o determinante do sucesso italiano

AUSÊNCIAS – Por lesão, Barison (ponta-esquerda do Milan e da Squadra Azzurra na Copa-66) e Germano (zagueiro-central do Benfica). Entratam Pivatelli e Raul.

PRIMEIRO TEMPO

COMEÇOU – Milan, de branco, ataca à esquerda; Benfica, com o uniforme encarnado, à direita. Milan no WM básico (3-2-2-3), Benfica como primeiro finalista de Liga num 4-2-4. Os bandeirinhas estavam invertidos ao que se vê hoje no futebol. Corriam pelas pontas esquerdas.

1min – Marcação bem alta do Milan, pressionando o excelente ataque português. Time italiano mais ofensivo e, de cara, partida mais intensa, veloz e marcada que as decisões anteriores. Mas, para Cesare Maldini, pai de Paolo, zagueiro-central do Milan, a equipe entrou com muito respeito em campo. Para não dizer temor. “Porém, nós tínhamos grandes craques. Mais que todos, Rivera”. E o meia-esquerda tinha apenas 19 anos…

9min – Numa dividida com o centroavante brasileiro Altafini (o Mazola campeão do mundo em 1958), Costa Pereira sai da área e faz a falta na entrada da área. Goleiro português, ingenuamente, entrega a bola na mão de Altafini, que a coloca rapidamente no chão e bate em gol. Árbitro formava a barreira e não valida a cobrança. Meia-direita brasileiro Dino Sani (também campeão mundial em 1958) cobra à direita da meta portuguesa.

11min – Costa Pereira se atrapalhou sozinho com a bola e a perdeu pela linha de fundo… Foi o melhor goleiro português. Mas era atrapalhado e jeitoso…

12min – O excelente meia-esquerda Rivera chuta para boa defesa de Costa. Time italiano espeta bastante bolas longas. Benfica marca mal e não arma bem.

Gianni Rivera, o Golden Boy do Milan, o maior craque italiano do clube

15min – Parece nervoso o bicampeão europeu. Erra muitos passes e lançamentos. Eusébio, desequilibrante, mais à esquerda, é bem marcado (individualmente) pelo médio-direito peruano Benítez.

18min – Enfim o Benfica que se conhece. Grande lance do colossal Coluna para o centroavante Torres tocar de canhota para Eusébio desperdiçar a chance de abrir o placar. Time português equilibra em Wembley.

18min – GOL. 1 X 0 BENFICA. EUSÉBIO. PÉ DIREITO. DENTRO DA ÁREA. Espetacular arrancada da Pantera Negra Eusébio, que recebeu no meio-campo, em posição legal (dada pelo lateral-direito David), entre o zagueiro-central Cesare Maldini e o lateral-esquerdo Trebbi, e às costas do médio-esquerdo Trapattoni. Jogada de categoria de Coluna, e arrancada irresistível de Eusébio, que partiu e bateu cruzado, na rede lateral direita do goleiro Ghezzi. Para Rivera, ali parecia que não teria mais jogo, que os portugueses iriam vencer mais uma vez. “Mas, aos poucos, fomos retomando o controle do jogo, e eles não tiveram tantas chances”.

21min – Eusébio arrisca de longe, bem Ghezzi.

23min – O volante pela direita Santana (meia direita na decisão de 1961) se joga mais à frente, por vezes largando Rivera, encostando em Eusébio, que se atira mais ao ataque, e cai pelos dois lados. Milan, mesmo agora dominado e perdendo por um gol, só explora o contragolpe, o “contropiede” característico italiano. Facilitado pela marcação milanista. Forte, claro, mas um tanto distante do excelente meio e ataque português.

26min – Eusébio sente lesão na perna e é atendido pelos médicos.

27min – Costa dá um bico para o galalau do Torres fazer a perede e o telhado de cabeça, tocando para Simões bater de canhota para fora. Eusébio segue ao lado do gramado sendo atendido pelo médido benfiquista

28min – Eusébio enfim retorna. Mancando.

O ponta-de-lança Eusébio x o médio-esquerdo Trapattoni. Um dos grandes duelos do clássico

29min – Joga demais Bambino Rivera. Apenas 19 anos de idade, parece ter 29 anos de futebol em Wembley. Já deu dois rolinhos nos rivais. Saindo da esquerda para a direita. O ponta-esquerda Pivatelli (substituto do lesionado Barison) faz o mesmo corte em diagonal.

29min – Altafini cabeceou sozinho na pequena área, na rede lateral direita de Costa Pereira, depois de cruzamento da direita de Rivera. com a parte de fora do pé direito, com efeito absurdo. Como, anos depois, com ainda mais categoria, amava fazer Johan Cruyff.  Rivera também batia escanteios assim. Um monstro.

30min – Entre Humberto e Raul, Rivera faz lançamento espetacular para Altafini matar mal no peito e perder a quarta chance de gol rossonera.

30min – Altafini cabeceou depois de cruzamento da direita de Dino Sani para boa defesa de Costa Pereira.

31min – Eusébio dribla dois e Ghezzi faz bela defesa. Virou jogaço em Londres.

31min – Altafini passa por 4 e manda bomba no ângulo de Costa Pereira, que faz grande defesa para escanteio.

32min – Melê na área portuguesa, David quase empata. Pressão rossonera.

33min – Altafini estica a perna e não empata, chegando um pouco tarde. Melhora demais o Milan nos últimos 10 minutos, também porque o Benfica ficou travado demais no 4-2-4, com Coluna muito preso no meio-campo, deixando os pontas e Eusébio e Torres muito isolados. Todo o Benfica mexe e se joga bem menos.

40min – Empate seria mais justo, agora. Benfica recuou demais e não consegue acerta um contra-ataque. Bem aberto pela direita, Rivera organiza todo o jogo milanista.

41min – Coluna enfia a bomba para boa defesa de Ghezzi.

45min – Altafini cabeceou no canto para grande defesa de Costa Pereira. 

INTERVALO – Milan começou melhor, Benfica dominou depois do gol, mas, nos 20 finais, não fosse Costa Pereira, time italiano, mais dinâmico, teria virado contra um bicampeão europeu engessado e com os compartimentos estanques.

Humberto, Raul, Cruz, Cavém, Coluna e Costa Pereira; José Augusto, Santana, Torres, Eusébio e Simões. O time que levou a virada em Wembley

 

PLACAR VIRTUAL 1O. TEMPO – MILAN 8 X 5 BENFICA

SEGUNDO TEMPO

1min – Dino Sani pega torto de canhota, à esquerda. Primeira chance rossonera.

Dino Sani, o armador pela direita do campeão europeu de 1963

3min – Altafini impedido. Milan recomeça bem melhor que um recuado e acuado Benfica.

4min – Costa Pereira, mais ou menos como o grande argentino Carrizo (muito melhor que o português), atuava bastante adiantado para a época. Mas não adiantava muita coisa. Ele era mais atrapalhado que qualquer outra coisa. Em vez de pegar uma bola que sobrou com as mãos dentro da área, deu um bico de graça para Pivatelli pegar sem-pulo de prima, da meia esquerda, mas à direita da meta encarnada. Segunda chance italiana, depois de bela troca de bola. Milan já merecia melhor sorte.

5min – Torres escapa pela esquerda e chuta (mais uma vez) mal de canhota, depois de bobagem de Maldini, o lento central italiano.  

11min – Grande arrancada de Eusébio, mas Simões foi ser solidário, de cabeça, quando deveria finalizar direto. Desatenção milanista no contragolpe português.

12min – GOL. 1 X 1 MILAN. ALTAFINI. PÉ DIREITO. Da entrada da área, depois de belo lance de Rivera, o centroavante ítalo-brasileiro fez na raça o merecido gol de empate, aproveitando um rebote da zaga. Mal celebrou e caiu no gramado: cãimbras. O médico do Milan correu para atendê-lo. Foi o 13o. gol na competição, superando a marca anterior que era de 12, do genial Puskás, do Real Madrid.

14min – Seria cartão vermelho para Trapattoni. Perdeu um passe e mandou um pontapé por trás em Coluna, que partia para o ataque. Uma lástima. Coluna sai de campo para tratar o tornozelo direito. Altafini aproveita e também sai do gramado para ser atendido na lateral.

16min – Primeira real chance portuguesa no segundo tempo. Uma bomba de José Augusto para baita defesa de Ghezzi, para escanteio, depois de grande lance de Simões, pela esquerda.

17min – Resposta milanista com Rivera, da meia esquerda, mas ele bate à direita de Costa. Bela trama com Altafini e Mora, começando por Rivera, que chegou driblando meio Benfica.

17min – Coluna retorna mancando. Sempre lembrando que as alterações não eram ainda permitidas.

Eusébio, Costa Pereira e Coluna. O trio moçambicano do Benfica

17min – Altafini recebe por dentro e bate para grande defesa de Costa Pereira. Bonita jogada de Mora cortando em diagonal, a partir da direita. Ótima movimentação dos pontas do Milan.

19min – Simões passa pelo lateral-direito David como quer, cruza e Ghezzi soca a bola; no rebote, Santana enche o pé e Ghezzi faz das mais impressionantes defesas que já vi, mandando a escanteio. Todo o Milan aplaude o goleiro, juntamente com Wembley.

20min – GOL. 2 X 1 MILAN. ALTAFINI. PÉ DIREITO. DENTRO DA ÁREA. Bobagem total no meio-campo, Raul toca na fogueira para Humberto se atrapalhar com a bola. Pivatelli toma da atrapalhada zaga benfiquista (saudosa do grande Germano), lança Altafini em posição legal, partindo do próprio campo. Ele avança e toca para Costa espalmar. Mas, no rebote, o atacante vira o placar, mesmo ainda arrastando a perna direita. Tanto que passa a atuar mais à direita, quase fazendo número. Como Coluna, maldosamente atingido por Trap.

Eusébio e Trapattoni, o zilionésimo encontro de gigantes, em Wembley

21min – Um membro da comissão técnica italiana desmaia de emoção… 

25min – Praticamente sem mais tocar na bola, enfim Coluna vai para o vestiário. Benfica fica com um a menos. Jogador que deu a pancada segue em campo. Impressionante como ainda iria demorar o International Board para mudar essa excrescência da regra do jogo.

28min – Rivera da meia esquerda chuta para boa defesa de Costa Pereira. Mas o Milan, ainda que com a vantagem no placar e numérica em campo, recua e apenas especula no contragolpe, o tradicional “contropiede” italiano.

32min – Wembley aplaude o retorno do guerreiro Coluna a campo. Sem poder mexer nas equipes, não era inusitado um atleta lesionado dar um tempo e depois voltar a campo, depois de ter passado pelo vestiário.

35min – Ghezzi era um grande goleiro. Mas não batia os tiros de meta do clube rossonero.

38min – O Benfica não reage. Mesmo com 11 x 11, o Milan era melhor. Mas, para Rivera, eram “11 x 10 e meio. Porque Coluna jogava demais, mesmo assim”.

43min – Altafini desperdiça para fora a sétima chance milanista na segunda etapa.

FIM DE JOGO – Ganhou o melhor time, o que mais buscou o jogo, o que teve maios chances e, também, o que mais bateu.

FALA, RIVERA: “Foi uma grande partida de duas grandes equipes. Mas acredito que tenhamos criados mais chances de gols. Apenas por isso vencemos um jogo que poderíamos perfeitamente ter perdido”.

 

PLACAR VIRTUAL 2o. TEMPO – MILAN 7 X 2 BENFICA

PLACAR VIRTUAL – MILAN 15 X 7 BENFICA

Maldini, Benítez, Rivera, Altafini, Mora e Pivatelli (os atacantes em pé); Ghezzi, Trebbi, David, Trapattoni e Dino Sani (agachados), em Wembley

ATUAÇÕES

MILAN – Escalado num WM (3-2-2-3) clássico, o time rossonero criou mais chances nas duas etapas, e, com a lesão de Coluna, com 60 minutos de jogo, teve meia hora para virar a partida. Forte na defesa (nem tanto nas laterais), criativo no meio-campo, dinâmico à frente, e com um centroavante inspirado (14 gols em todo o campeonato). NOTA 8

GHEZZI – 32 anos à época, 7 de seleção, foi Inter de 1951 a 1958, Milan de 1959 até se aposentar, em 1965. Um ano ele passou (1958) no Genoa até ser trocado por Buffon, tio-avô do grande goleiro italiano deste século, campeão mundial em 2006. A rivalidade entre os dois grandes goleiros passava até pela mulher de Buffon, que havia sido namorada de Ghezzi. Também conhecido como Kamikaze pelo arrojo na meta, tinha reflexos impressionantes e saltos espetaculares – quando  não dispensáveis. Ao menos uma defesa de cinema, das mais impressionantes da história. NOTA 8

DAVID – O lateral-direito era muito forte fisicamente. Mas teve a inglória tarefa de marcar o excelente Simões. Mais perdeu que venceu o duelo. Jogou cinco anos pelo Milan, e 4 pela Squadra Azzurra (mas disputou apenas 3 jogos). Inclusive na célebre Batalha de Santiago, derrota da Itália para o Chile, na Copa-62, quando acertou feio o chileno Sánchez e foi expulso. NOTA 5.

MALDINI – O capitão Cesare era o zagueiro-central rossonero. O stopper. Alto para a época (1m82), um tanto lento, mas de espírito rochoso e capacidade de antecipação exemplar. Jogou de 1954 a 1966 no Milan, depois de começar a carreira na Triestina, clube de sua terra natal. Cinco anos pela Seleção Italiana que iria dirigir na Copa-98. Treinou o Paraguai no Mundial de 2002. Mas foi como auxiliar-técnico de Enzo Bearzot que conquistou seu maior trunfo, ganhando aCopa-82. Pai de Paolo Maldini, milanista de 1985 a 2008. NOTA 7.

TREBBI – O lateral-esquerdo passou 8 anos no Milan. Por dois anos atuou na Itália. Como a maioria da época, era um zagueiro-lateral, preocupado apenas em marcar o ponta-direita rival. Como José Augusto saía muito para o meio, teve dificuldades para acompanhá-lo. Lento, pouco técnico, outro que também virou treinador. NOTA 5.

BENÍTEZ – “El Conejo” (coelho) era um médio-direito e zagueiro peruano. Jogou três anos no Boca Juniors até ser levado para passar mais três temporadas no Milan. Atuaria até 1970 na Itália, em mais cinco clubes, antes de encerrar a carreira no Peru. Onze partidas pela seleção nacional. Boa marcação e velocidade, gostava mesmo de atuar como cabeça de área. Teve de marcar Eusébio, quando ele caía mais à esquerda. Com a bola, também jogava. Fazia dupla pétrea com Trapattoni na contenção. Mas batia bem menos que o companheiro. NOTA 6

TRAPATTONI – O médio-esquerdo italiano foi essencial para tirar Coluna do jogo e garantir a vitória milanista. Batia demais, como, naquele mesmo ano, anulou Pelé (com dor de barriga), atuando pela Squadra Azzurra (onde só jogou 4 anos, e, na Copa-62, lesionado, só assistiu à pífia campanha italiana). Como volante e homem de marcação, como zagueiro ou até lateral, como campeoníssimo treinador, virou sinônimo de futebol objetivo e pragmático, nem sempe agradável de ver, poucas vezes um gentleman do fair-play. Atuou pelo Milan de 1957 a 1972. Como treinador, o período de glória foi pela Juventus, de 1976 a 1986. Mas foi vencedor na Internazionale, Bayern de Munique, Benfica. Para resumir, ganhou um Mundial e uma Liga dos Campeões pela Juve, em 1985; 3 Recopas da Europa; uma Copa da Uefa; uma Supercopa europeia; 10 títulos nacionais (em quatro países diferentes, um recorde mundial, ao lado do austríaco Ernst Happel); mais outras copas nacionais.  Por quatro anos dirigiu a Squadra Azzurra. Na Copa-02, foi eliminado nas quartas-de-final pela Coreia do Sul, também beneficiada pela arbitragem. Não é das mais simpáticas figuras do futebol mundial. Mas merece respeito. NOTA 5

DINO SANI – O meia-direita brasileiro foi um senhor volante com pés de armador. Ou um meia com inteligência tática para armar. Enfim, um todocampista. E, depois, um baita treinador, que começou a montar o grande Internacional dos anos 70. Técnico que poderia ter assumido o Brasil antes de Zagallo, em março de 1970. Não quis, pela amizade com o demitido João Saldanha. Como atleta, foi revelado pelo Palmeiras, em 1950. XV de Jaú, Comercial paulitano, São Paulo (1954 a 1959), Boca Juniors (1959 a 1961), Milan (1961 a 1964) e Corinthians (1965 a 1968). Começou como titular a Copa-58, onde terminaria reserva de Zito. Em 1962, atuando na Itália, foi substituído no Brasil bicampeão por Zequinha. Em Wembley, tanto dava um pé atrás e tinha de seguir (e ser seguido) por Coluna, quanto também armava e finalizava ao lado de Rivera. NOTA 7.

RIVERA – Gianni, o “Ragazzo D’Oro”, o “Golden Boy”, o garoto de ouro do Milan, foi o craque da decisão com apenas 19 anos. Para não dizer que foi o maior jogador da rica história rossonera. Contra tantos estrangeiros de imensa qualidade, no mínimo foi o melhor italiano a atuar pelo clube – capitão por 12 anos. Foi o primeiro do país a ganhar o “Bola de Ouro” da France Football, em 1969. Está na lista de 2004 de Pelé dos 125 maiores do centenário da Fifa. Revelado pela Alessandria, em 1958, atuou pelo Milan de 1960 a 1979 (658 jogos, 164 gols). Chegou com 16 anos pelas mãos do grande meia-esquerda uruguaio do Milan – Schiaffino. Era tanto um mezzala (um meia-esquerda ou direita, quase um ponta-de-lança) quanto um regista (o organizador da equipe, um armador puro por todo o campo). Foi tudo na decisão em Wembley. Das mais notáveis partidas de um jovem jogar, pela qualidade, intensidade, técnica, tática, maturidade. Por tudo.  Não era muito chegado ao gol, embora tenha sido um dos artilheiros do Italiano de 1973. Atuou em quatro Copas, de 1962 a 1974.  Mas absurdamente era reserva do não menos imenso Mazzola, em 1970. Quanto o treinador Ferrucio Valcareggi inventou de só colocar (quando colocava) Rivera no segundo tempo dos jogos, sacando o meia-atacante interista. Havia como atuarem juntos. Mas o treinador criou a célebre staffetta que só prejudicou a Squadra Azzurra em 1970. NOTA 9 

MORA – Seis anos de seleção, 7 de Milan, Mora jogou com a 11. Mas era 7. Ponta-direita. Só que também corria para outro lado, entrava em facão por dentro. Fazia muita coisa, como a maioria dos bons pontas italianos. Jogou a Copa-62. A de 1966, não, por conta de uma fratura exposta na tíbia e na fíbula, que acabou abreviando sua carreira. Ótima movimentação. NOTA 7

ALTAFINI – No XV de Piracicaba e no Palmeiras, no Brasil onde foi titular no início da Copa-58, José Altafini era Mazola. Como Valentino Mazzola, pai do interista Sandro, senhor craque do grande Torino dos anos 40, tragicamente morto num acidente aéreo, em 1949. Tinham certa semelhança física. Logo depois do Mundial conquistado pelo Brasil, Mazola foi vendido para o Milan, onde atuou até 1965. Napoli até 1972, Juventus até 1976, e encerrou a carreira na Suíça, em 1980. Virou um ótimo apresentador e comentarista na Itália, onde atuou pela Squadra Azzura por dois anos. Também na Copa-62. Mais tarde, afirmou ter sido um erro ter atuado pela Itália, o que o deixou sem condição de lutar por um lugar no grupo brasileiro que seria bi mundial, no Chile. Forte, velocíssimo, raçudo, boa técnica, excelente presença de área, sabia jogar fora da área. No fim de carreira, pela Juve, atuava aberto até como ponta. Em Wembley, sentiu a perna no primeiro gol. No segundo, saiu desde o próprio campo, mesmo puxando a perna direita. Um monstro. É o quarto maior artilheiro do calcio. Desde 2009, é o comentarista em italiano do Pro Evolution Soccer. Ao menos alguma coisa em comum ele tem com este que vos tecla. NOTA 8

Altafini, o Mazola, em outra partida pelo Milan

PIVATELLI – Era centroavante quando começou na base da Inter. Rodou a Itália no ataque. Esteve no  grupo que disputou a Copa-54. Os últimos dois anos de carreira foram no Milan, onde parou de jogar pouco depois de Wembley, com 30 anos. Com o treinador Nereo Rocco, até de zagueiro atuou. Na decisão, a partir da ponta esquerda, rodou todo o ataque, e ainda ajudou no meio. Mas sem muito brilho. Foi o substituto do lesionado Barison. NOTA 5.

NEREO ROCCO – El Parón jogou como meia a partida que classificou a Itália para ganhar a Copa-34. Mas não participou do Mundial. Como treinador foi mais feliz. Neto de austríacos, tinha rígida disciplina, e, por vezes, problemas com seus atletas. Ainda como atleta, se encantou com o ferrolho suíço e com a figura do líbero atrás dos zagueiros. Foi assim que acabou criando o catenaccio, o “cadeado” nas zaga italianas, célebre desde a Triestina por ele dirigida, em 1946. Ele colocava mais um zagueiro atrás da linha de três defensores, sacando um dos meias. A equipe atuava basicamente num 1-3-3-3. Time mais fechado e baseado no contropiede, o contragolpe italiano. Mas o Milan de Wembley era mesmo um WM clássico, um 3-2-2-3. Em Milão, nessa primeira passagem gloriosa, de 1961 a 1963, Rocco soltou mais o time bastante talentoso. Foi a melhor das tantas equipes vencedoras dele. Voltaria a ganhar o título europeu em 1969, pelo Milan.

 

BENFICA – Bicampeão, aproveitou um contragolpe e abriu o placar. Recuou demais, e sentiu a ausência de Germano, na zaga. Com um Coluna a menos a partir dos 14 minutos, definhou. Ninguém jogou tudo que pôde. Ainda assim, pela fibra e qualidade, se superaram. Atuou no 4-2-4. Foi o primeiro finalista de Liga a jogar dentro desse esquema. O que não pareeceu determinar a sorte do jogo. Era apenas mais um esquema para um futrebol que enfim começava a mudar taticamente. NOTA 7

COSTA PEREIRA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e 1962). Grandes defesas de puro reflexo e intuição com grandes falhas no posicionamento, em fundamentos básicos mal trabalhados, numa certa presunção na meta. Um goleiro muito irregular. A falha fatal na decisão de 1965, contra a Internazionale, em Milão, o levou a voltar a Portugal numa cadeira de rodas para amenizar as críticas da torcida (embora, de fato, estivesse machucado). Não por acaso o apelido que o magoava: “Costa dos Frangos”. Em Wembley, cometeu bobagens ao jogar mais adiantado que o bom senso recomendava. Mas fez grandes defesas, como no lance do gol da virada rossonera. NOTA 6 

Costa Pereira, o melhor e mais controvertido goleiro português

CAVÉM (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e  1962). Ponta-esquerda em 1961, médio-direito em 1962, agora lateral-direito. Bom duelo com Pivatelli. NOTA 6

HUMBERTO – O zagueiro-direito foi outro que bobeou no gol fatal do Milan. Mas era zagueiro de boa técnica e presença. Toda a carreira foi encarnada. Foi titular na derrota na primeira partida da final do Mundial de 1962, vencida pelo Santos, no Maracanã, por 3 x 2. NOTA  5

RAUL – Sete anos de Benfica, 11 jogos por Portugal. Mas bobeou no gol da virada e sofreu demais com Altafini. Substituiu o excelente Germano como zagueiro-esquerdo do 4-2-4 do Benfica. NOTA 5

CRUZ - (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e  1962). De médio-esquerdo a lateral-esquerdo não mudou muito o jogador taticamente utilíssimo. Mas sofreu com as incursões em diagonal de Mora. NOTA 5

SANTANA – Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Meia-direita do WM da final de Berna, ele foi o volante pela direita do 4-2-4 de Wembley. Sofreu demais com Rivera. E não armou como sabia. Ainda assim, se virou por dois com a lesão de Coluna. Pela raça, NOTA  7

COLUNA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e  1962). Na garra, depois da entrada brutal de Trap, aos 14 do segundo tempo, ainda se segurou. Mais recuado no 4-2-4, jogou menos com o time. Mas  jogou demais para a equipe, como sempre. O Monstro de Inhaca honrou o apelido. NOTA 7

JOSÉ AUGUSTO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e  1962). Menos dinâmico e brilhante que em outras decisões. NOTA 7

TORRES – Dez anos de Seleção, Benfica de 1959 a 1971, o alto (1m91) e forte centroavante tinha técnica apreciável, velocidade considerável para o tamanho, e imponente presença de área, sobretudo no cabeceio. Foi o treinador que levou Portugal ao Mundial do México, em 1986. Fazia parte de um ataque poderoso. E não fez feio. NOTA 6

EUSÉBIO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1962). Um golaço, belas arrancadas contra Benítez e Trapattoni. Mas ainda pareceu faltar algo para alguém tão especial e qualificado. Não era e não foi o Novo Pelé. Mas a Pantera  Negra de Moçambique, certamente, foi o maior jogador nascido na África, foi quem talvez mais pareceu Pelé, no estilo, na força, na técnica, na velocidade e, por que não, no faro pelo gol. NOTA 8

SIMÕES – Ver o perfil dele no texto da decisão de 1962). Outro que jogou muito. Mas poderia dar ainda mais. Dribles, velocidade, poder de fogo. Um senhor ponta. NOTA 8

FERNANDO RIERA – Nos anos 40, como atacante, defendeu a seleção do Chile, e jogou na França. Marcou um gol pelo time chileno na Copa-50. Mas se superou como treinador. Em 1962, levou a anfitriã à terceira colocação, eliminada apenas pelo Brasil bicampeão. O sucesso o levou ao Benfica. Em 1963, dirigiu a Seleção da Fifa que disputou amistoso contra a Inglaterra na celebração dos 100 anos do futebol. Treinou o Boca, o Nacional, o La Coruña, e os principais clubes chilenos. Foi o primeiro a adotar o 4-2-4 numa decisão de Liga dos Campeões. NOTA 7.

Raul, Humberto, Cruz, Cavém, Coluna e Costa Pereira; José Augusto, Santana, Torres, Eusébio e Simões em outra partida do Benfica em 1963

ARTHUR HOLLAND (Inglaterra) – O árbitro deixou Trapattoni tirar Coluna de campo. Mas era infeliz praxe de época não coibir o jogo tão violento. NOTA 4

A PARTIDA – NOTA 7. Um jogo que vai sinalizando a entrada em campo de equipes cada vez mais pragmáticas e trancadas.

OS NÚMEROS (COMPILADOS POR GUSTAVO ROMAN)

  Milan Benfica
Faltas cometidas 9 14
Faltas no ataque 2 6
Faltas na defesa 7 8
Desarmes 38 27
Desarmes ataque 6 7
Passes errados 56 43
Finalizações 23 14
Linha de Fundo 2 5
Impedimento 3 1

 O Milan desarmou mais e finalizou mais. Mas errou mais passes, também.

 

 

A ideia desta série é de ANDRÉ ROCHA e de GUSTAVO ROMAN, que providenciaram análises, informações e imagens.

Quer ver o jogo na íntegra?

Procure gugaroman@hotmail.com

 

Mano convoca parte 4 – Brasil x Argentina

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

 

É boa a convocação de Mano Menezes para o dia 17, o primeiro jogo para valer, no Catar, contra a Argentina. Na entrevista para o programa “Resenha com Mauro Beting”, no ar em 18 de novembro, no Bandsports, o treinador disse que o chamado para enfrentar a Argentina é a prova para saber se um jogador tem peito para estufar a camisa amarela. Para ver se um bom jogador de clube não amarela quando está na seleção.

Na lista dele, gosto de quase todos os nomes. Ainda assim trocaria o bom goleiro Jefferson pelo ótimo cruzeirense Fábio. Na lateral esquerda, o merengue Marcelo ficaria com a camisa do ótimo Adriano. Na zaga, Réver tem bom futuro pelo Brasil. Mas ainda prefiro o presente e o experiente Lúcio.

No meio-campo, Douglas tem jogado muito bem pelo Grêmio. Mas, até pela idade, gostaria de ver o colorado Giuliano articulando também por dentro e pelos lados. Hernanes seria outra opção, mais ou menos como tem atuado muito bem pela Lazio, entrando no lugar de Jucilei (até para evitar convocar dois corintianos, ainda na luta pelo título nacional).

Na frente, André tem muito potencial. Entrosamento natural com Neymar e Robinho. Mas Nilmar é muito mais atacante, e dá alternativa tática pelos lados.

Enfim, são seis nomes distintos da lista de Mano. Algo natural em qualquer convocação, com qualquer treinador.

Mas o melhor da lista é o retorno de Ronaldinho Gaúcho. Ele quer jogo. Quer o Brasil. E qualquer treinador, além da bola, também conta demais com quem pode fazer ainda a diferença.

Ele não é mais o de 2006 – e quem ainda é? Mas por tudo que faz desde 1997, para não dizer desde que nasceu, em 1980, o Gaúcho se convoca. Se escala? Ainda não.

Até porque Mano deixou claro. Ronaldinho só ficará no Brasil se mantiver um padrão de exibição no Milan. Algo que nem sempre conquistou desde a estreia em San Siro.

Algo, porém, que ele poderia ter exibido em 2010, na África do Sul.

O ótimo de Mano é que ele ainda quer contar com Ronaldinho. Aidna quer Kaká. Mas, talvez, não necessariamente a dupla junta. Também pela idade. Também pelo espaço que Ganso e Philipe Coutinho, para ficar apenas em dois excelentes nomes, podem ocupar.

Fluminense 2 x 0 Grêmio

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

 

Certos (grande jogos) com certas (imensas) vitórias mostram que um time está iluminado como esteve o Fluminense, no Engenhão.

Certas (grandes) partidas com certas (ótimas) atuações mostram que um time está muito bem mesmo quando é derrotado, como perdeu o Grêmio, no Rio.

Não à toa o Tricolor gaúcho é líder do returno.

Mas não à toa o Flu é o líder geral.

Pena que Heber Roberto Lopes contribuiu para definir o placar, não marcando o pênalti tolo de Leandro Euzébio em Jonas.

Estava 1 x 0 Flu, exatamente no mesmo minuto (19), mas do primeiro tempo. Outro gol magnífico do não menos Conca. O mesmo que ampliaria na segunda etapa, em lance de Washington. Que deve gols há 10 jogos. Mas não suor, nem solidariedade. Tanto que o elenco correu para abraçá-lo e erguê-lo. O tanto que mostra que o Flu está bem e um pouco mais vivo que Cruzeiro e Corinthians também por isso.

Mas o Grêmio jogou demais, e muitas vezes jogou melhor que o rival, que ainda pode e deve sonhar com algo além – Libertadores.

Até porque Douglas está o fino, Jonas segue em forma, e até André Lima está se saindo muito bem.

Como o Fluminense também mostrou, no 4-3-2-1 proposta por Muricy, que há como se virar mesmo sem Deco, Fred e Emerson.

Flamengo 1 x 1 Corinthians

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

 

Um tempo alvinegro, com um gol de Ronaldo, outro rubro-negro, com o primeiro gol de Diogo em 13 jogos na Gávea.

Placar justo.

O Flamengo vai se recuperando, o Corinthians vai se reencontrando.

Mas ainda falta algo. Ao time de Luxenburgo, mais consistência. Quando atacou com três, o meio-campo não se sustentou, e deu a bola ao Corinthians (como teimou o jogo todo Willians). Quando voltou também com três na frente, mas com maior mobilidade, imprensou o Timão. Também porque a turma de Tite, mais uma vezm definhou fisicamente na segunda etapa. Como já vinha acontecendo com Mano e Adilson.

O treinador alvinegro credita mais ao mérito do Flamengo e a ausência de um puxador de contragolpe (“transição”) como Jorge Henrique ou Dentinho mais uma pálida partida corintiana no segundo tempo. Eu vou além: a média de idade alta, o jogo sobre partida que esgarça, tudo isso também compromete o Corinthians.

O Flamengo se aproveitou e vai ficar na patota da Sul-Americana, em 2011. O Corinthians segue na luta pelo título. Precisa, agora, fazer todos os serviços no Pacaembu. E secar o Flu.

* Como pode uma defesa de boa qualidade deixar um Ronaldo tão livre? Não há como dizer, pelo tamanho em todos os sentidos, que não viram o Fenômeno livre depois da bela enfiada de Bruno César.

Mas dá para dizer que Wellinton e Angelim pararam para pedir autógrafo a Ronaldo.

Faz mais sentido.

Atlético Mineiro 1 x 1 Palmeiras

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

 

Renan Ribeiro e Deola não deixaram o placar ser algo próximo a 3 x 3, 4 x 4, em Sete Lagoas.

Mas Marcelo de Lima Henrique, árbitro que adora marcar pênaltis, quis compensar tudo o que os dois ótimos goleiros (mais uma vez) não deixaram acontecer.

Marcou dois. O primeiro, em Lincoln, aconteceu; o segundo, em Obina, eu não marcaria.

O problema é que a arbitragem anda tão confusa, para abusar do eufemismo, que os árbitros, até quando acertam, erram:

No lance a favor do Palmeiras, Lincoln estava impedido. Bem impedido, antes de ser derrubado. O assistente experiente Alessandro  Matos (BA) não viu, não  marcou, e foi na do árbitro. Só depois, sabe-se lá como, corrigiu o erro, e fez justiça, ainda que de modo estranho. E, também, se faça justiça: ele não foi alertado pelas imagens da TV, muito menos por alguém de TV: antes do  replay ele se corrigiu. Ainda que até o acerto tenha sido estranho.

Só no pênalti em Obina o árbitro se equivocou. Na minha opinião, e na de muita gente.

Mas, no Brasil, lances como esse viram pênaltis facilmente.

E é preciso entender. 

Difícil, apenas, é sacar como o time misto do Atlético, de bom nível, ainda está ameaçado no BR-10. Como Valdivia tantas vezes sente a fibrose na coxa bamba. Como Kléber não recebe mais  vezes mais gente para tabelar com ele como no belo gol paulista. Como um bom jogo acaba sendo mais lembrado por feios erros. Como Felipão tem perdido o equilíbrio com facilidade.

Simulando – Faltam 7 rodadas

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Para piorar, ainda morre o Polvo Paul, o único arúspice cefalópode que acertava os chutes – também, com tantos membros para finalizar…

Depois da derrota do Santos, de virada, na Vila, como ter a mínima pretensão de acertar qualquer coisa?

Muda tudo. O próprio Corinthians saiu da pedra para o vinho com time completo. Algo que o Flamengo pode sentir hoje, no Engenhão. Mas também tem sido outro o rubro-negro, e com menos desfalques na mão de Luxemburgo.

Enfim, amplio o muro. E palpito empate.

Mas desço do Muro Beting para mais uma vez simular resultados, e mais uma vez errar tanto quanto os institutos de pesquisa – e, já cornetando, a amostragem do Censo 2010…

Na ponta, volto a apostar um tanto mais no Fluminense. Para ser campeão com um ponto a mais que o vice. Quando não for só pelo saldo de gols.

Seguindo o Flu, também coisa de um pontinho ou alguns golzões, Corinthians. Ou seria Cruzeiro?

Não sei. Apenas que Corinthians x Cruzeiro, no Pacaembu, é O jogo para definir as três primeiras posições. Estou apostando em empate. Mas, se houver um vencedor, e simulando os demais resultados, dá até para imaginar que a equipe vitoriosa no Pacaembu será a campeã do Brasil – se o saldo do Flu não for superior.

Se houver G-4 (as chances de Palmeiras – mais  – ou Atlético Mineiro – menos contra  LDU são ótimas), Inter e Grêmio dão pinta de que por lá estarão. Com o Colorado puxando o rival Tricolor por já estar na Libertadores-11.

SUL-AMERICANA - A bela recuperação do Furacão, semelhante à excelente retomada gremista, deve ser coroada com algo próximo do sexto lugar. Pouco à frente do Santos que pediu para não subir ao perder para o Prudente. Santos que deve chegar à frente do Botafogo por não  empatar tanto quanto o clube carioca.

Num nível mais abaixo, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Ceará, Flamengo e Atlético Mineiro – colocação que permitira hoje, na Sul-Americana, levar o Galo a atuar mais completo contra o Palmeiras que, corretamente, prioriza a Sul-Americana.

TERRA DO MEIO – René Simões parece que vai conseguir outra proeza ao manter o Dragão na elite. Salvo pela bola e pelo gongo juntamente com o Vitória.

G MENOS 4 – TURMA DO FUNIL - A derrota bugrina para o Atlético Goianiense foi o jogo de menos seis pontos. Para o Bugre, pareceu flechada fatal. A tabela também é ingrata. Chuto que será rebaixado, ao lado de Avaí, Goiás e Presidente Prudente.

Não é torcida. É apenas chute.

O que deixa a questão do jogo de hoje entre Goiás x Avaí ainda mais complexo.

O ideal para as equipes seria perder por W.O na Sul-Americana.

Resenha com Mano Menezes

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

 

Quinta-feira, 21 horas, você já leu, tem meu novo programa:”Resenha”, no Bandsports, com Cafu.

E, dia 18 de novembro, 21 horas, outra quinta-feira, novo “Resenha”, com Mano Menezes.

Programa gravado terça-feira, no Boteco do Tonico, em São Paulo.

Nele, sem abrir muito jogo, o treinador da seleção disse que ainda não pensou nos quatro melhores de 2010 da eleição da Fifa. Mas que deve voltar. provavelmente,  em Sneijder, Xavi, Iniesta, Messi. E?

Não deve voltar em Eto’o.  Talvez Forlán.

Mas, de fato, ele se preocupa com apenas 3 brasileiros na lista. Um goleiro e os dois laterais-direitos.

É pouco.

Ainda menos, também, pela contusão de Kaká, e pela irregularidade de Ronaldinho Gaúcho.

Dois que Mano tem em conta.

Mas que muito dificilmente terá na lista para 2014.

Até pela idade.

E pelo recado que pareceu claro que deu a Ronaldinho e a todos:

Para chegar à Seleção é preciso manter um padrão nota 7 de atuações.

Algo que até Ronaldinho sabe que ainda não conseguiu. Embora parece propenso a tanto, pela primeira vez desde 2006.

Resenha com Cafu

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

 

Quinta-feira, 21 horas, estreio novo programa no Bandsports.

Sim, mais um, além do diário “Beting & Beting” desde 2004, do semanal “Propaganda Futebol Clube” (desde 2006), e, desde domingo, do debate dominical “Por Dentro da Bola”, 23 horas, com Ricardo Capriotti, Sérgio Patrick e Fábio Piperno.

“Resenha” é quase a continuação do “Papo com Mauro”, que por três anos apresentei com o grande time do “Esporte Interativo”.

Será mensal. Ou quase isso. Por vezes, duas vezes por mês.

Uma hora de papo com gente do esporte, principalmente do futebol.

Falando da carreira, do presente, do futuro.

E, claro, com Cafu, tentanto resumir o muito que conquistou.

Não vou falar o muito que o Cafu contou.

Mas aproveito para apresentar o capitão do penta.

Ele nunca teve vida fácil. Nem na “vida fácil” de jogador de seleção. Justo o que mais vestiu a camisa brasileira. 148 jogos, de 1990 a 2006. Justo o único futebolista que jogou três finais seguidas de Copas do Mundo.

Ele sempre teve de jogar mais do que sabe. Até para começar no São Paulo. Onde perdeu as contas de quantas peneiras foi desprezado. Quando escolhiam o joio e jogavam fora o trigo.

Só em 1989 essa joia de capacidade física impressionante teve vez no time de cima sao-paulino. Em um xxx ano, já era seleção. Como meia, com Falcão. Depois virou lateral pelas mãos do Telê. Mestre que ficava na orelha e nos pés do pupilo. Pedindo para o lateral cruzar melhor, bater melhor na bola.

E nosso resenhado, humilde como os grandes, sempre tentou ser melhor. Sem se sentir o tal. A inteligência tática admirável o ajudou a jogar como volante, meia, atacante, lateral e até de goleiro nos treinos. Onde aprimorou o que aprendeu na raça e nas ruas da vida, quando cruzou desafios com a habilidade que sempre negaram aos seus cruzamentos. Mesmo sendo ele um pé poderoso e solidário em um ano de Zaragoza, dois jogos pelo Juventude, dois anos de Palmeiras, seis de Roma, cinco de Milan.

Para muitos brasileiros, ele sempre cruzou mal. Mas, como gosta de dizer o nosso resenhado, fazer o quê?

Ele fez. E do jeito dele. Na boa, na bola, não na boca. Não só levou o Brasil no peito, como levou a tarja de capitão no braço, em 2002.

Mas, em 2006, ele levou tudo no baço. Socaram o capitão do penta e o sacaram da nossa história sacaneando como se fosse um qualquer. Ele se recuperou de operação no joelho e, no começo da Copa da Alemanha, foi melhor que muitos. Mas, no final, caiu como todos. Também por não querer dar a braçadeira a torcer em busca de novos recordes e desafios.

Ele fez tudo com jeito nesses quase 20 anos de bola como campeão paulista, brasileiro, italiano, da europa e do mundo. E nem precisava fazer tão bonito como fez ao receber nas mãos a Copa, no Japão.

Só mesmo um brasileiro para improvisar um pódio daqueles. E só ele mesmo para levantar a taça erguendo o próprio amor aos céus. Não teve jabá, não teve mídia, não teve média. Só teve Jardim Irene e dona Regina. A casa e o caso de amor do capitão.

Paixão 100% Jardim Irene. 110% família. De um profissional ligado no 220. Cidadão nota mil. Criador de uma Fundação que trabalha para fazer do local onde cresceu um lugar melhor melhor. Mais justo. Mais preparado. Mais acessível. Mais vencedor. Mais Cafu.

A pessoa que mais vezes vestiu a camisa mais vezes campeã mundial. Um campeão que não precisa de números e nomes para ser uma pessoa campeã.

Um Cafu. Mas seu Marcos Evangelista de Moraes, por que Cafu?

O que significa esse apelido que tanto significa para tanta gente?

Para saber a resposta, assista a “Resenha”, nesta quinta-feira, 28 de outubro, no Bandsports.

8 ou 80 – 16/10/2001 a 26/10/2001

terça-feira, 26 de outubro de 2010

 

16 de outubro de 2002

A final antecipada do Brasileirão-02?

[N.R em 2010: o clássico valia pela primeira fase do BR-02. São Paulo venceu por 3 x 2. E as equipes se enfrentariam nas quartas-de-final do campeonato]

Com o devido respeito ao Corinthians, e aos líderes da hora São Caetano e Juventude, não daria para fugir de Santos x São Paulo como a mais bela e possível final do BR-02.

O mais encantador time do país contra o melhor elenco. O xodó da hora contra o time que parece ter achado a hora de crescer. Diego & Robinho x Kaká & Ricardinho. Um jogaço. Ao santista saudoso, uma lembrança: o principal adversário (e vítima) dos meninos da Vila de 1978 foi o São Paulo…

O Santos é uma novidade técnica amparada por uma “velhice” tática. O 4-2-3-1 que Leão adota desde o início do BR-02 (você já lê isso por aqui desde agosto) é o mesmo que usou no Santos de ótima campanha no BR-98: Lúcio (depois Róbson Luiz) fazia a função de armador pela direita, como Elano; Eduardo Marques era o armador por dentro, como Diego; Alessandro (ou Messias ou ainda Adiel), o meia aberto pela esquerda; Viola era o Alberto, o único atacante.

Leão não se repetiu. Aprimorou-se. Deu a Robinho uma ponta para infernizar, a Elano um lado para armar, atacar e marcar, e a Diego toda a liberdade que um meia como ele merece gozar.

Até Alberto joga nesse time. São 5 jogadores no meio quando é atacado, e pelo menos quatro (mais os laterais, mais Renato) em busca do gol. Tanto quanto a qualidade técnica da meninada, a aplicação tática numa marcação eficiente e obsessiva garantem o sono a Leão, e os sonhos ao santista.

24 de outubro de 2002

[N.R. em 2010: Uma relação de jogadores que poderiam estar em Atenas. E também não estiveram porque o Brasil nem do Pré-Olímpico passou, em janeiro de 2004]

Só falta escalar o time e o técnico

Atenas-2004: Tite escala o Brasil com Rubinho (Corinthians); Maicon (Cruzeiro), Luisão (Cruzeiro), Alex (Santos) e Chiquinho (Inter); Fábio Rochemback e Thiago Motta (Barcelona); Kaká (São Paulo), Diego e Robinho (Santos); Adriano (Parma).

Um time reserva: Marcelo Pitol (Grêmio); Gabriel (São Paulo), Júlio Santos (São Paulo), André Bahia (Flamengo) e Fabinho (Paraná); Eduardo Costa (Bordeaux) e Fabrício (Corinthians); Leandro Bonfim (PSV) e Paulinho (Atlético Mineiro); Dagoberto (Atlético Paranaense) e Mahicon Librelato (Inter).

Outro time: Alexandre Negri (Ponte Preta); Daniel (Bahia), Edu Dracena (Olympiakos), Marquinhos (Corinthians) e Michel (Atlético Mineiro); Paulo Almeida (Santos) e Felipe Mello (Flamengo); Elano (Santos) e Leo Lima (Vasco); Lima (Coritiba) e Nenê (Palmeiras).

Tudo bem, esse terceiro time já não encanta. Mas quem pode pelo mundo escalar um time como aquele titular?

Nem o Brasil. Não há planejamento, não há comissão técnica, há Ricardo Teixeira. E não podemos ter Gil, Ricardo Oliveira e outros jogadores nascidos antes de 1981. Uma pena. Mas não há como reclamar com tanta gente boa na área.

E tem mais: só a lateral direita, há tempos deserta, ainda tem alguma esperança com os ofensivos Ângelo (Corinthians) e Pedro (Palmeiras), e o eficiente Mineiro (Juventude).

Faltam goleiros, porém: Diego (Flamengo), Rafael (Santos) e, vá lá, Edmar (Galo) e Jefferson (Cruzeiro) não garantem sossego. Mas tem muito mais…

Mais nomes

Júlio Baptista [foto acima] é um que nasceu depois de janeiro de 1981 e pode jogar em qualquer seleção que se forme. Como meia, volante, atacante…

Volantes

Fernando (Grêmio), Dudu Cearense (Vitória), Augusto Recife (Cruzeiro), Dionattan (Juventude), Rodrigo Souto (Vasco)…

Meias

Daniel Carvalho (Inter), Siston (Vasco), Carlos Alberto (Fluminense), Alexandre Fávaro (Coritiba), Marcinho e Juliano (Corinthians), Wendell (Cruzeiro)…

Mais meias

Bruno Ferraz (Grêmio), Guilherme (Guarani), Danilo (Lusa), Mateus (Azulão), Cleiton Xavier (Inter)…

Atacantes

Jussiê (Cruzeiro), Jabá (Coritiba), Leo e Daniel Vítor (Guarani), Andrezinho (Flamengo), Douglas (Santos), Iotte (Lusa), Leandro Alves (São Paulo)…

Mais atacantes

Cláudio Pitbull (Juventude), Souza (Vasco), William (Santos), Lucas (Ponte), Oliveira (São Paulo), Leandrão (Inter), Robert (Azulão)…

Laterais

Júlio (Lusa), Wéderson (Vasco), Paulo Rodrigues e Leílton (Vitória), Anderson (Flamengo). Todos jogam na esquerda. 

Rodada 31 – Fluminense retoma a ponta, Cruzeiro para, Corinthians volta à tropa de elite

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

 

ATLÉTICO PARANAENSE 1 X 1 FLUMINENSE – Empatar com o Atlético Paranaense na Arena da Baixada não é para qualquer time. E o Fluminense, de volta à ponta, não é um time qualquer, ainda que desfalcado de Deco (por melhor que esteja Marquinho, muito mais do que eu imaginava), de Emerson Sheik (Rodriguinho ainda não é o ideal), de Fred (até porque, nas últimas nove rodadas, Washington só fez um gol - contra) e de Mariano.

O empate no fim, com um pênalti discutível (mas plenamente marcável no Brasil) em Tartá, deixa o Flu animado. Preparado para o bi. Mas ainda precisando acertar algumas coisas defensivas, que Diguinho, por mais que qualifique a saída para o jogo, nem sempre responde a contento.

O Atlético pode discutir o pênalti. Mas com o retorno dos reforços, é time para ainda sonhar com o G-4. Por mais difícil que seja.

ADENDO – Com o uso da tecnologia, e apenas por ela, revejo a opinião a respeito da posição de Wágner Diniz. Estava impedido no segundo gol atleticano. Outro lance complicado, pela posição do tronco e pela velocidade da jogada.

CRUZEIRO 3 X 4 ATLÉTICO MINEIRO – As bolas que batiam nas traves rivais (ou nem chegavam à grande área alheia) resolveram entrar. Foram seis finalizações atleticanas, contra 27 (!)  cruzeirenses. Foi mais uma grande vitória de Obina, que em meia hora matou o clássico em Uberlândia. Jogo estranho, onde a massa alvinegra só se ouviu ao longe contra um Cruzeiro que marcou mal, mas não jogou para levar quatro gols. O 4 a 1 era demais. O 4 a 3 se justifica por mais uma grande atuação de Renan Ribeiro. O primeiro goleiro atleticano digno da camisa de Mazurkiewicz desde Diego Alves.

Mas o mérito não é só do goleiro. É de Rever. É de Serginho. É de Dorival Júnior, que resgatou um espírito e um time mais ofensivo. Mais ousado. Abusado. Mais atleticano. O problema, agora, para o Cruzeiro, é Cuca juntar os cacos e tentar o ainda possível título brasileiro. Com três volantes e Montillo. Ou mesmo com o  argentino e um armador que pode ser Gilberto (que golaço em 20 segundos em campo!) ou mesmo Roger.

Só não precisa desarmar completamente o time e o espírito. Até mesmo a opção de Marquinhos Paraná, mais uma vez na lateral, pode ser viável em algumas circunstâncias.

E o Galo, pela primeira vez em 21 rodadas fora da turma do funil, ganhando o segundo clássico nos últimos 17 disputados, pode pensar, sim, em jogar com a força máxima na Sul-Americana. É possível. Como é mais que provável que permaneça na Série A em 2001.

CORINTHIANS 1 X 0 PALMEIRAS – Enquanto teve pernas, e não foi por tanto tempo, o Corinthians foi melhor. No segundo tempo, o Palmeiras só não empatou na bola parada porque Júlio César espalmou o que parecia ser o oitavo gol de falta de Marcos Assunção em 2010, aos 28 finais. Não deu para o Verdão. E pode dar Timão ao final das contas com o time mais completo.

Tite estreou com dez titulares. Algo que Adilson jamais teve à disposição no Parque São Jorge. Faz diferença ter Ralf para proteger a zaga titular, liberando Elias (mais) e Jucilei (menos) pelos lados (mas não tanto quanto tinham liberdade com Adilson), Bruno César na dele (centralizado, e bem), Iarley zanzando e Ronaldo ronaldando, buscando os cantos. Felipão, do outro lado, iniciou o dérbi sem cinco titulares, e com Valdivia no banco. Manteve o 4-2-3-1 da vitória contra o Sucre, estreando Luís Felipe na lateral direita, com Rivaldo do outro lado… Lincoln fez a de Valdivia. Mas pouco fez o Palmeiras. Também por rifar a bola, deixar Kléber muito isolado, e só chegar, no primeiro tempo, na qualificada bola parada de Marcos Assunção.

No segundo tempo, como esperado, Valdivia veio para o jogo que o Palmeiras optou por não priorizar, pensando na Sul-Americana. Mas, aos 15 minutos, passou a sentir a coxa. E mesmo com o time chegando mais contra um Corinthians que só teve uma chance no segundo tempo, o Verdão não fez o dele. Diferentemente do Timão que fez o necessário para voltar a sonhar com os pés no chão e a cabeça e os corpos no lugar.

GRÊMIO 2 X 2 INTERNACIONAL – O Grêmio empilhou chances, foi melhor, estava mais focado, e abriu o placar em mais uma saída em falso de Renan, ainda há anos-luz do grande goleiro que nasceu no Beira-Rio. Mas a responsa do gol não era apenas dele. Era de um Inter cada vez mais com o GPS em Abu Dhabi.

Veio o empate e a expulsão de Fábio Rochemback, no segundo tempo. Ainda teve Fábio Santos, em grande jornada, para fazer um golaço com um a menos. Mas D’Alessandro, de novo, jogou a bola onde nem Victor conseguiria defender, a definiu o empate ruim para ambos.

Uma vitória e o Grêmio estaria onde acredito que estará ao final das contas e jogos – no G-4. Uma vitória e o Inter, além de atazanar o rival, estaria mais preparado e animado para o Mundial.

SANTOS 2 X 3 GRÊMIO PRUDENTE – Nos 70 anos do Rei Pelé, o time de Presidente Prudente mandou na Vila Belmiro. Uma virada espetacular e inesperada contra um Santos que não menosprezou o rival. “Apenas” destrambelhou-se defensivamente depois do primeiro gol prudentino. Nem com um pênalti a favor (o sexto desperdiçado em 10 chutados) e dois a mais, o time de Marcelo se achou. E perdeu a enorme chance de encostar na ponta e sonhar com a tríplice coroa. Agora, pés no chão, é esperar o acerto com Abelão. Um acerto para todas as partes.

Ainda dá para o Prudente? Dá para fazer fumaça e barulho. Mas parece impossível.

BOTAFOGO 1 X 0 VITÓRIA – O golaçco de Marcelo Cordeiro resgatou parte da confiança alvinegra em dias e jogos melhores. Enfim, eram nove partidas sem vitórias. Agora, porém, são oito jogos sem perder. Ainda que a torcida tenha perdido a réstia de paciência com Lúcio Flávio, já ganhou algo diante de um rubro-negro que só tem sabido perder. Não sei mais se salva. E Antonio Lopes pode entrar negativamente para a história como treinador de duas equipes rebaixadas num mesmo campeonato.

CEARÁ 2 X 0 SÃO PAULO – Das melhores surpresas do BR-10 tem sido o Ceará. Era time para lutar para não cair, para não escrever que cairia mesmo brigando. Terminou o pré-Copa no G-4. Perdeu PC Gusmão para o Vasco, se perdeu com Estevam e Mário Sérgio, e se achou com a solução caseira de Dimas. Casa que bem conhece e foi essencial na bela vitória contra um Sâo Paulo que parou não apenas pelo calor de Fortaleza. De bom, mesmo, no Tricolor, só o gesto de Rogério com o torcedor, antes da partida. Depois, só Ceará, com um golaço definitivo, o segundo, dos mais lindos do BR-10. O Ceará vive e vai jogar a Série A em 2011. O Tricolor, que até poderia delirar com o hepta, agora talvez nem ao G-4 chegue, e não dispute a Libertadores que joga direto desde 2004.

VASCO 1 X 1 FLAMENGO – Não é clássico apenas para disputar as últimas vagas da Sul-Americana-11. Mas foi a isso reduzido no Engenhão. Melhor o Vasco quando premiado com um gol carambolesco, no primeiro tempo. Melhorou um tanto o Flamengo, quando ganhou a expulsão justa do ótimo Dedé, e fe belo gol de cabeça com Renato Abreu. Se PC exagerou nas reclamações no fim, também sobraram muxoxos por mais dois pontos não conquistados pelos gigantes aquém da possibilidade e da história de ambos.