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Santos-2010 x Palmeiras-1996 – Duelo virtual

por Mauro Beting em 07.ago.2010 às 18:25h

A ideia é do mais que considerado ANDRÉ ROCHA:

Que tal um confronto entre este grande e belo Santos om aquele grande e belo Palmeiras do primeiro semestre de 1996?

Acesse o blog do André, no Globo.com, e veja melhor nosso papo.

Os times, completos, perfilariam desse jeito.

O papo de boteco você vê neste link.

http://globoesporte.globo.com/platb/olhotatico/

Incluindo o meu palpite para um jogo só. E que jogo!

Santos no 4-2-3-1, Palmeiras no 4-2-2-2: pela maior experiência, técnica e melhor sistema defensivo, o time de Luxemburgo era melhor

O papo:

ANDRÉ ROCHA- Quem ganharia, Mauro: Santos de 2010 ou o Palmeiras do primeira semestre de 1996?

MAURO BETING – Que jogo, André. A resposta mais certa é que o vencedor seria o futebol. A maldosa diria que seria o Cruzeiro do Levir Culpi, que venceu o Palmeiras sem o Muller, na final da Copa do Brasil, no Palestra, e de virada, por 2 a 1. Mas aquele trem-bola palmeirense era lindo de ver. E, posso dizer, como este Santos, um orgulho de torcer. Pena que durou um só semestre. O Rivaldo saiu para o La Coruña, como prometido pela parceira que bancava o Palmeiras – a Parmalat. O Muller nem a decisão da Copa do Brasil jogou, acertando com o São Paulo, que pagou uma fortuna. Mesmo com o retorno do Rincón e a contratação do Viola, era outro time, outro momento, outra característica. E o Luxemburgo ainda saiu em dezembro de 1996, indo para o Santos.

ANDRÉ ROCHA – Com o ótimo suporte financeiro, Vanderlei reuniu ótimos jogadores mesclando experiência e juventude, planejou, treinou, ensaiou na Copa Euro-América com uma goleada sobre o Borussia Dortmund por 6 a 1, e montou um esquadrão efêmero, mas encantador e irresistível. Atuando em um 4-2-2-2 simples, mas eficiente, o time alviverde tinha uma volúpia ofensiva impressionante. Cafu e Júnior voavam pelos lados, com a devida cobertura de Flávio Conceição e Amaral; Djalminha pensava o jogo e Rivaldo era quase um terceiro atacante, fazendo companhia a Luizão e Muller. Sandro e Cléber também apareciam no ataque e até o goleiro Velloso devia pensar em participar da festa. A equipe marcava mais à frente e não parava de agredir os adversários, sempre em alta velocidade. O time forçava o jogo pela esquerda com Júnior, Rivaldo e Muller e, quando a jogada não começava e terminava por aquele lado, a bola era invertida por Djalminha para Cafu, que chegava ao fundo e tinha pelo menos três opções dentro da área para concluir.

MAURO BETING – E olha, André, que o Djalminha chegaria ao auge logo depois, quando ganhou mais liberdade, com a saída do Rivaldo. De fato, foi um time de um futebol impressionante. Fez 102 gols no SP-96. Ganhou 27 jogos, empatou dois, e perdeu só um, para o Guarani, em Campinas. Na Copa do Brasil, goleou por 5 a 0 o Atlético Mineiro. Na decisão da Copa do Brasil, logo depois de garantir por antecipação o título estadual, criou ao menos 245 chances de gol em dois jogos sensacionais contra o ótimo Cruzeiro. O time mineiro, em duas partidas, teve cinco chances. Mas fez os três gols do título. Acontece. Nada contra o Cruzeiro. Mas foi uma pena todo aquele futebol ter conquistado apenas um título – embora o estadual, em 1996, valesse muito mais do que hoje. Naquele Paulistão, o Palmeiras fez das maiores partidas que já vi em um clássico: 6 a 0 no Santos, na Vila. E ainda foi pouco.

ANDRÉ ROCHA – Mauro, confesso que invejava os palmeirenses. A imagem mais marcante daquele momento inesquecível para mim foi o Luxemburgo à beira do campo na Vila Belmiro pedindo para que o time não parasse de atacar, mesmo com 4 a 0 sobre o Santos, e ainda sairiam mais dois gols. Segundo o técnico, a melhor forma de demonstrar respeito pelo oponente é jogar sério, buscando os gols durante os noventa minutos. Nem o então campeão mundial Ajax jogou mais que o Palmeiras naquele primeiro semestre de 1996.

MAURO BETING – Fato. Lembro de ter jantado com o Luxemburgo depois do primeiro jogo na temporada, um amistoso contra o Grêmio. Dois a um Palmeiras. Elogiei a partida que a equipe fizera. E ele disse que vinha mais. Que o fato de ter começado a trabalhar aquele elenco ainda em novembro, com as chegadas de Djalminha e Luizão, do Guarani, ajudara demais. E, de fato, deu tudo mais que certo ao Palmeiras. Foi o melhor time montado pelo Luxemburgo. No sentido do futebol mais bonito e eficiente que vi.

ANDRÉ ROCHA – Sem dúvida. Já o Santos de 2010, dos 134 gols em 48 partidas, recordista da Copa do Brasil com 39, é um time tão inconstante e irregular quanto arrebatador.

MAURO BETING – Concordo, André. Também porque aquele Palmeiras foi montado com um pouco mais de tempo. E por gente muito mais experiente.

ANDRÉ ROCHA – O 4-3-3 do Dorival Júnior é funcional pela movimentação de Robinho e Neymar pelas pontas entrando em diagonal buscando André como a referência na área adversária e as tabelas com Ganso, o craque do time que acelera e desacelera o jogo com a maturidade dos seus 20 anos e facilita as jogadas com a simplicidade e a precisão dos antigos meias-armadores. Os volantes saem para o jogo com rapidez e qualidade e a equipe de Dorival Jr ocupa o campo ofensivo com incrível naturalidade. A facilidade para chegar às redes também impressiona, muito pela fúria de Neymar e André, os artilheiros santistas.

MAURO BETING – Ainda acho, André, que o Santos atua mais no 4-2-3-1, com o Robinho e o Neymar mais atrás, mas encostando mais, por exemplo, que Dentinho e Jorge Henrique, no 4-2-3-1 de Mano, no Corinthians, e bem mais que D’Alessandro e Taison, no 4-2-3-1 do Roth. Mas o resto é isso mesmo. Para o futebol que hoje se pratica no Brasil, para não dizer no planeta, é um timaço que honra o nosso futebol. E, também a própria história e escola santista.

ANDRÉ ROCHA – Fato. E o trabalho de Dorival Jr. foi fundamental para conter, dentro do possível, a euforia e a ansiedade de um time que brinca de jogar futebol, mas soube ser responsável em momentos importantes da temporada. A variação tática para o 4-2-3-1 sempre deu certo por aproximar os talentos e agrupar melhor a equipe. Mas, Mauro, não fuja da pergunta: quem ganharia um jogo entre o Palmeiras-96 e o Santos-10?

MAURO BETING – Empate ultratécnico, André. Mas entendo que a experiência do Palmeiras, à época, e do próprio Wanderley, também, contribuiriam para o sucesso verde.

ANDRÉ ROCHA – No confronto imaginário, Wesley ou Arouca teria que ficar mais plantado na marcação de Rivaldo e Robinho voltar acompanhando Júnior.

MAURO BETING – Isso ele aprendeu na Europa e manteve no Santos. Ponto para o Robinho.

ANDRÉ ROCHA – Porque Muller, com sua incrível rapidez de raciocínio, daria um nó em Pará e Dracena deixando Luizão no mano a mano com Durval. Do outro lado, valeria a tentativa de deixar Neymar mais fixo à frente para conter Cafu, a única válvula de escape pela direita, já que o canhoto Djalminha sempre procurava o centro para as tabelas e lançamentos.

MAURO BETING – Como também seria difícil o encaixe do Djalminha na marcação santista. O cada vez melhor Arouca teria de conter o Rivaldo. O Wesley ficaria meio torto na cola do Djalma.

ANDRÉ ROCHA – Ofensivamente, a receita para o alvinegro praiano seria buscar as jogadas pelos lados com toques curtos para garantir a posse de bola diante de um adversário que só quer atacar. Juntar Pará, Wesley e Robinho pela direita e Alex Sandro, Ganso e Neymar do lado oposto poderia desequilibrar a marcação palmeirense e permitir ao Santos ficar mais tempo no campo adversário, um antídoto interessante para a fúria verde.

MAURO BETING – Os volantes palmeirense, Amaral e Conceição, viviam grande momento. O Cléber, então, até gols fazia. Mas o Sandro Blum, mal comparando, era o Pará do time. Só jogou naquele semestre. Era pesado. Lento. Contra André e com a técnica do Ganso, do Robinho e do Neymar entrando em diagonal, ficaria difícil para o Palmeiras sem a bola.

ANDRÉ ROCHA – Verdade. Outro problema palmeirense seria a pouca combatividade de Rivaldo e Djalminha que daria campo a Arouca e Wesley na saída de bola. Considerando que provavelmente Luxemburgo colaria Amaral em Ganso, Flávio Conceição sobraria para fechar as descidas de Arouca e ainda ajudar Cafu pela direita.

MAURO BETING – Fato. Com a bola, o Palmeiras era melhor. Mas o Santos faria muitos estragos.

ANDRÉ ROCHA- Mauro, vamos direto ao ponto: Apesar do 4-2-2-2 que hoje soa retrógrado, o Palmeiras era mais equilibrado em todos os setores e poderia se aproveitar do buraco entre o quarteto ofensivo e o resto do time santista para impor o volume de jogo avassalador e a volúpia ofensiva que marcaram um time de menos de seis meses e um Estadual. Com Amaral colado em Ganso, retaguarda mais atenta e qualificada, e Muller girando em cima de Dracena ainda mais rápido que Júnior do Vitória para servir Luisão, Rivaldo e Djalminha…Palpite: Palmeiras 3 a 1.

MAURO BETING – André. O Santos faria uns dois gols. O Palmeiras jogava demais, marcava demais, encantava demais. Mas pegando um Santos dessa qualidade, era jogo para dois gols alvinegros. Para não dizer três. Para o bem do futebol, e pela maior experiência de Rivaldo, Muller, Luizão e Djalminha, sem contar os alados Cafu e Júnior, acho que daria Verdão. Um time que tinha pentacampeões mundiais como Rivaldo, Cafu, Luizão, Júnior (e o reserva que estreava Marcos), outro tetra como Muller, um quase tetra como Cléber (quase foi chamado para o lugar de Ronaldão). Um senhor time. Contra um Santos encantador. Com Ganso e Neymar que são demais, são craques, e podem ser além disso. Com Robinho que é demais. Com André que é ótimo. Com Arouca e Wesley que têm jogado tudo. Mas com muito menos defesa. E muuuuito menos goleiro. Enfim…Palpite: Palmeiras 3 x 2.

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