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Arquivo de julho de 2010

Santos 2 x 0 Vitória

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Faltou Viáfara, apesar do pênalti defendido por Lee, na bola recuada por Neymar, que de bestial a besta bastou um chute mal dado – ou inteligentemente defendido pelo goleiro baiano.

Faltou um pouco mais para o Vitória. Mas pouco faltou ao Santos, que recuperou parte da alegria, da velocidade, da técnica, daquele futebol exuberante que dá gosto de ver, e um imenso orgulho de torcer.

Poderia ter sido muito mais. Mas ainda assim parece ser o suficiente para dar o título ao melhor time da competição. Para não dizer o melhor time do Brasil.

Internacional 1 x 0 São Paulo

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Futebol tem lógica.

O melhor time vence. O mandante vence. O time que quis atacar vence. A equipe em melhor fase vence. Quem joga com ousadia é premiado. Quem também tem história na competição sabe refazê-la. Quem começa com Andrezinho para articular e finaliza o clássico com Giuliano para concluir ganha. Quem tem elenco faz diferença. Quem pode explorar uma banda esquerda com Kléber e Taison (o melhor colorado) tem chances de causar estragos. Quem tem pelo outro lado Nei na fase atual e D’Alessandro pode vencer um tricampeão da América. Quem marca e ainda joga com Sandro e Guiñazú tem bola para reconquistar o mundo, se repetir o desempenho como visitante. Quem tem um goleiro de nível como Renan, e que poderia ter assistido à vitória por 1 a 0 diante do São Paulo nas arquibancadas do Beira-Rio até trabalhar aos 45 do segundo tempo, também pode achar tudo isso. E mais um pouco.

Até porque, do outro lado, o São Paulo atacava com a vontade de um Felipe Massa para ultrapassar Fernando Alonso. Parecia que as ordens de Ricardo Gomes para os tricolores eram “o Inter está mais veloz que vocês. Entenderam a mensagem?”. E ela teve lógica infeliz para os paulistas. Tudo que o São Paulo desaprendeu durante a Copa voltou a campo. Um time enfurnado no próprio campo, sem vontade e sem contragolpe, encasteladoi num 3-4-1-2 que mais parecia um 10-0-0 (ou melhor, num Rogério-0-0-0), com Marlos e Dagoberto perdidos, Fernandão flanando pelo Beira-Rio, Hernanes e Souto não marcando e não armando, os alas presos, os zagueiros que ganhavam a companhia de outros sete “zagueiros”. Todos, de fato, salvos por atuação de Ceni de Rogério. Que impediu que o 1 a 0 se tornasse uns quatro. Tal a superioridade colorada. Tal a premeditada inferioridade tricolor.

O Inter quis vencer, e merecia muito mais. O São Paulo não quis ganhar, não quis jogar, e merecia perder pior. Pela história da Libertadores, pelas circustâncias de um jogo todo gaúcho, pela fase das equipes, 1 a 0 foi um resultado espetacular para os paulistas. Mas um tri sul-americano não pode se contentar só com isso. Pensando e jogando pequeno, o São Paulo não passa. Pensando e jogando como grande, o Inter vai longe.

Ainda tem um outro jogo, uma outra história, uma outra geografia. Mas parece difícil acreditar que o São Paulo seja outro em tão pouco tempo. Ou, no caso, volte a ser São Paulo. Até porque, do outro lado, foi um Inter inteiramente Colorado. Usando o seu solidificado 4-2-3-1 com categoria, inteligência, ritmo e, sobretudo, conhecimento de causa. O Inter sabia o que estava fazendo. O São Paulo parecia não saber nem que jogo era aquele.

MENU DO DIA – Libertadores e Copa do Brasil

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mendes vai colocar um telão do boteco ligado na semifinal do Beira-Rio, outro na decisão da Vila Belmiro.

- Seu Mário Betti, uma partida vale título nacional, a outra é semifinal continental… Qual o jogo que eu devo estar mais atento?

- Na boa, Mendes, eu ficaria mais com a Libertadores. Embora o Santos tenha sido em 2010 o time mais bacana de ver (e não tem sido tudo isso depois da Copa), pelo que já fizeram na história, pelo “remember” de 2006, eu ficou com o clássico do Beira-Rio.

- Então você está dizendo que o Vitória já foi, que vai dar Santos duas vezes?

- Não, Mendes, não é isso. O Santos já não é tão favorito, por deméritos dele, e também por inegáveis méritos do rubro-negro baiano. O Vitória tem mostrado um sistema defensivo mais consistente, boa saída pelos lados, uma bola parada forte, e um ataque muito interessante. E ninguém é finalista de Copa do Brasil por acaso.

- Sei, seu Mário. O Mano Menezes foi semifinalista com o 15 de Campo Bom, num ano em que o Santo André foi campeão… Juventude em 1999, Criciúma em 1991, Paulista em 2005…. Copa do Brasil é um caixão de surpresas.

- De fato, Mendes. Mas costuma mais dar a lógica que algumas imensas surpresas. O Vitória de hoje não seria um campeão tão surpreendente como foram esses outros. Tem bom time, estrutura. E pega um Santos ainda longe daquele time encantador do primeiro semestre. Os desfalques na zaga santista são mais sensíveis que os do time baiano. Mas, se Dorival apostar no quarteto selecionado do Santos, isto é, atacar com André no comando, e mais a linha de três armadores que pode ser titular com Mano Menezes, é favorito hoje, na Vila. E pode fazer até o resultado mais que favorável para garantir o título no Barradão. Outra parada duríssima para o Santos. Mas ainda favorito.

- No Beira-Rio eu acho que o São Paulo vai jogar muito mais do que tem jogado. Mas vai dar Inter.

- Por aí, Mendes. Se tem um time, ou melhor, um clube que joga mais do que sabe na Libertadores é o São Paulo. Como o Boca Juniors, precisa ser mais do que respeitado. Não precisa ir longe na história. Basta lembrar o duelo contra o Cruzeiro, então o melhor brasileiro na Libertadores-10 (não pela pontuação, mas pela qualidade de jogo). E o Tricolor ganhou os dois jogos, com o Fernandão estreando como se tivesse nascido no Morumbi. Esse São Paulo pode voltar a crescer na hora certa. Ou, no caso, no jogo certo. Ou melhor, no campeonato certíssimo para o Tricolor.

- Mas seu Mário, como é que o São Paulo vai começar a jogar de uma hora para outra? Milagre? Mágica?

- Mendes, o elenco tem potencial. Ficou melhor com a contratação do Ricardo Oliveira – aproveitando a janela antecipada, dever dizer… Parece que, agora, o Ricardo Gomes não vai mexer tanto na estrutura defensiva da equipe. E não é possível que um time com essa qualidade não fique mais atento na hora do vamos ver e vamos jogar.

- OK. Mas e o meio-campo? O time está tão lento, tão previsível…

- É preciso muito mais do time, claro. O problema tricolor é que não parece apenas uma questão de vontade. É também técnica. Todos estão jogando menos do que sabem e do que podem. E também tem a questão física. Dagoberto e Fernandão tiveram lesões. Se Marlos não der o gás para puxar o contragolpe, hoje, já viu…

- Já vi, sim, seu Mário. Vai dar Inter. Enfim você vai acertar tudo que você tem errado com seus palpites com o o Colorado. Todo ano você diz que o Inter vai ganhar tudo, o estadual, o paulista, a Copa do Brasil, a Libertadores, o Mundial de Clubes, a Champions League…

- Menos, Mendes…

- Mas era você que falava tudo isso do Inter?

- Sim. E este ano não estava dando uma bola furada até contra o Banfield…

- Pois é… Acho que a culpa é sua, seu Mário. Foi só você parar de apostar no Inter que ele pode ser bicampeão da Libertadores. E com o Celso Roth!

- As péssimas línguas dizem que ainda não houve tempo inábil para o treinador começar a fazer água no novo time. Mas é maldade. O Roth é bom treinador. Aproveitou um ótimo elenco e vai acertando a mão. No lugar do Tinga, eu começaria com o Andrezinho, que sempre entra bem, deixando o Giuliano para o segundo tempo. Não começaria com o Wilson Mathias, que deixaria o time muito travado na intermediária, e provavelmente mudaria o 4-2-3-1 para um mais precavido 4-3-1-2. Taison voltou a acertar o pé, e até ajudando mais atrás, na recomposição defensiva, os armadores se reencontraram com o ótimo futebol que têm, e está dando tudo certo. O que antes da Copa parecia são-paulino agora virou colorado. Pelo menos hoje, no Sul. É o jogo para o Inter tentar atropelar e aproveitar essa fase que parece péssima do São Paulo.

- Como “parece péssima”, seu Mário? Tá bem o São Paulo agora?

- Claro que não, Mendes. Mas é outro torneio, outra necessidade. E pode ser outro São Paulo, também. Até porque não há outro São Paulo brasileiro em Libertadores. Tem de respeitar qualquer São Paulo em Libertadores, nos últimos 20 anos.

- Sei, sei… Eu vi o que fez o Inter, no Morumbi, em 2006…

- Fato. O Inter foi brilhante. Mas é outra história, apesar de vários daqueles continuarem (ou terem voltado) aos seus clubes.

- Seu palpite, seu Mário.

- Hoje, os mandantes mandam. Na outra semana, me pergunte depois.

- Mureteiro!

- Fazer o quê? Apostava no Chivas e deu um belo empate para a Universidad de Chile, ontem, no México…

- Mais um motivo para dar Vitória e São Paulo!

1a. Convocação Mano Menezes

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A torcida fervorosa para que Mano deixe a Seleção do mesmo modo tocante, simpático e eficiente com que deixou o Corinthians, domingo, no Pacaembu. Nos braços do elenco, de bem com o povo. Mas, para isso, precisa ter o tempo e a paciência que normalmente não damos a treinador algum. E que ele, no primeiro chamado, vai precisar ainda mais. Afinal, por aqui, não tem nem seis jogadores realmente jogando bem. Pela fase atual, a Seleção correria o risco de perder por W.O. para os EUA. Por absoluta falta de gente de qualidade para vestir a camisa amarela, melhor forçar a barra e trazer gente de fora. Ainda que voltando de férias.

Taticamente, o Brasil de Mano não deve diferir do 4-2-3-1 de Dunga. Foi assim que ele armou boas equipes no Grêmio e Corinthians. A diferença é que, no esquema do ex-treinador do Brasil, os dois volantes atuavam lado a lado, sem saída para a armação, e a linha de três armadores “torta”, com o armador pelo lado direito mais preso (Elano, Ramires ou Daniel Alves), e o pela esquerda (Robinho ou Nilmar) próximo ao solitário atacante.

Com Mano, a linha de três armadores atua em linha. Contando com a substancial ajuda do segundo volante pela direita. No Grêmio, Lucas; no Corinthians, Elias. Agora, pela primeira boa convocação (“boa” pelas carências do futebol brasileiro), Mano fez o que pôde. Melhor: sem a inominável besteira de deixar de fora os que estiveram na Copa. Trouxe quatro bons reforços de 2010. Levou alguns que já poderiam ter estado na África do Sul, como Ganso, Pato e Neymar. Recuperou bons nomes como Marcelo, Victor, André Santos e Tardelli. Deu chance a gente promissora como David Luiz, Jucilei, Rafael, André, Éderson e Rever. Talvez não fosse o caso do ainda verde goleiro Renan e do já muito maduro Jefferson.
Mas, ainda assim, é só um primeiro chamado. E o melhor: sem esquecer o passado. Com esse grupo, Mano pode usar o 4-2-3-1 que também é o mote do Santos de Dorival Júnior: dá para escalar um time com Neymar, Ganso e Robinho armando para Pato, ou mesmo para André. É um bom início de conversa.

Até porque os volantes, todos eles, sabem jogar. Na dúvida, já é um time mais aberto que qualquer Seleção de Dunga.

Ainda que pudesse ser um time um tanto melhor. Questão de gosto.

Pelo meu gosto, os goleiros seriam Fábio, Victor e há como entender o Renan (Avaí) pela idade olímpica. Mas Júlio César é ainda absoluto.

Na lateral direita, Daniel Alves e Rafael, pelos motivos olímpicos. Maicon, sendo negociado pela Internazionale, pode descansar.

Na esquerda, Marcelo também convocaria, e daria mais uma chance a Filipe Luís.

Na zaga, descanso (por ora) a Lúcio e Juan, ainda absolutos em 2010. Mas mais chances a Thiago Silva e David Luiz, merecidamente lembrado (apesar de muito jornalista brasileiro não ter e menor ideia de quem seja). Tanto que Real Madrid pretendem gastar os tubos paa comprá-lo. Além do time madridista, o Manchester City também está na parada. Pensando na juventude e renovação, levaria Mario Fernnades, do Grêmio. E chamaria Luisão, pela experiência de Seleção, e pelo entrosamento com David Luiz.

Os volantes de Mano são mais ofensivos que os de Dunga. Eu abriria um pouco mais o jogo com Denilson (Arsenal) e o santista Arouca, e manteria Lucas. Daria uma chance ao corintiano Elias mais que ao companheiro Jucilei.

Na armação, Ganso, como titular. Daria oportunidade a Bruno César. Para armar pelos lados, além dos titulares Neymar e Robinho, Carlos Eduardo. Com Nilmar, que aprendeu com Dunga como jogar mais atrás. Na frente, Pato e Fred. É essencial a experiência de alguém como o artilheiro tricolor.

Meu time, para começo de conversa: Fábio; Daniel Alves, Luisão, David Luiz e Marcelo; Denilson e Lucas; Neymar, Ganso e Robinho; Pato.

Santos 1 x 0 São Paulo – AO VIVO

domingo, 25 de julho de 2010

+ ESCALADO PELA RÁDIO BANDEIRANTES E PELO LANCE!, COMENTO O JOGO DA VILA BELMIRO +

Santos melhor nos 20min iniciais numa espécie de 4-2-2-2, contra um São Paulo recuado num 4-2-2-2, também

INTERVALO

Primeiro tempo ruim como era de se esperar. Duas chances santistas, do time que tentou algo mais. Um chute longo de Richarlyson, de um São Paulo que ficou em seu campo, especulando o empate. Para esquecer. Um jogo que fedia a empate sem gols antes de a bola mal rolar em Santos.

SEGUNDO TEMPO

De tanto só pensarem nas decisões pela Libertadores e Copa do Brasil, São Paulo e Santos não lembraram de voltar a campo depois da Copa do Mundo. Pelo que não fizeram no primeiro tempo mais do que esperado e esperneado na Vila Belmiro, era melhor só ter jogado os últimos 45 minutos. Quando, ao menos, o São Paulo tentou atacar, e o Santos fez o gol do único jeito que esse San-São merecia: contra.

O Santos até tentou criar e jogar um pouco mais. Com Marquinhos e Ganso armando, a bola chegou algumas vezes para o apagado Neymar e para o esforçado Marcel. Era pouco. Até porque os laterais Maranhão e Alex Sandro não chegavam muito, travados pelos excessivamente recuados Marcelinho Paraíba e Jorge Wágner. Ambos eram mais volantes pelos lados que homens de frente, ajudando o volante estreante Casemiro na contenção a Ganso, e mais Cléber Santana e Richarlyson, presos no meio-campo. Avançando com a velocidade de um Felipe Massa tentando recuperar a posição de Fernando Alonso.

Só Fernandinho ficava um pouco mais à frente, na primeira etapa. O que significa dizer que começava a atacar a partir do grande círculo. O empate sem gols e sem futebol parecia goleada para o São Paulo. Parecia impossível o segundo tempo ser pior. E o Tricolor ao menos voltou do vestiário lembrando que era grande e que poderia atacar. Quando equilibrava o jogo, levou o gol contra, aos 14 minutos: Marquinhos levantou na área, Renato Silva se atrapalhou e fez contra.

Ricardo Gomes foi colocando qualidade e experiência em campo. Aos 32, Washington cabeceou no travessão, Alex Sandro quase fez um golaço de bicicleta – contra. Era demais alguém merecer mais do que isso. É imperioso que as duas equipes joguem muito mais na Libertadores e na Copa do Brasil. Vão acabar jogando. De um jeito ou sem muito jeito.

Muricy, o ex-novo treinador do Brasil

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sim. Mais uma vez nada soubemos de Ricardo Teixeira.

A imprensa. O Polvo Paul. E até Muricy não tinha a menor ideia de quem seria o novo treinador da Seleção. Provavelmente, e como sempre, o presidente da CBF também não sabia. Esperou ver quem liderarava o BR-10 até a noite de quinta-feira e fez a escolha. Brincadeira, claro. Mas vindo de onde veio, não duvido nada.

Muricy Ramalho, o Mujica para os poucos amigos íntimos, e para os muitos colegas de bola, é um sujeito sério. Boa praça. Excelente para conversa de bar, não para coletiva de imprensa (algo que ele precisará aprender urgentemente. Porque, sabidamente, não é bom brigar com jornalista. No Fluminense, no Barradão, ou na CBF).

Ele é ético. É sério. É ótimo. É trabalhador. É estudioso. É apaixonado pelo que faz. É ranheta. É bravo. É fechado. É desconfiado. É de pouca conversa. É de nenhuma conversinha. É independente. É impaciente. Não se dobra. Multiplica-se. Sabe reformular com inteligência um grupo (sem aquela burrice teixeriana de jogar fora tudo que deu errado – e até o que deu certo – em 2010). Sabe se adpatar às dificuldades. Sabe trabalhar e planejar a longo prazo.

Mas precisa aprender a contar até dois.

No Inter vice-campeão brasileiro de 2005, a base do time na arrancada final era um 4-2-2-2, com dois meias como laterais (Elder Granja e Jorge Wagner), dois meias (Tinga e Ricardinho) que compunham bem o meio-campo nas tarefas mais defensivas. Mas, em grande parte do campeonato, Muricy usou um esquema com três zagueiros. Base do São Paulo tricampeão nacional. Em 252 jogos pelo São Paulo, de 2006 a 2009, Muricy usou um esquema com três na zaga em 187 jogos. No Palmeiras, de 2009 até fereveiro de 2010, foram apenas nove das 34 partidas pelo clube. No Fluminense, em 12 jogos, apenas em quatro ele se utilizou do esquema com três na zaga. Muito mais para resolver questões de criação no meio-campo, ou pela característica dos laterais, muitas vezes muito mais ofensivos que defensivos. Muito mais alas que laterais.

Ainda assim, no São Paulo, Muricy conseguiu fazer com que o ala-direito Ilsinho aprendesse a marcar pela lateral. Outro ponto forte da carreira do competente treinador. Ele sabe preparar jogadores jovens. Até para desempenharem funções distintas. Foi assim que adaptou o meia Hernanes como volante, em 2007. É assim que pauta a carreira vitoriosa. Não costuma moldar seus times às ideias pré-concebidas. Como inteligente e trabalhador treinador que é, Muricy sabe que precisa se adaptar ao elenco que tem. Como selecionador, poderia demonstrar que sabe montar elencos competitivos e fortes. A questão é saber se conseguiria aliar a reconhecida capacidade de formar equipes compactas e rápidas ao apelo por um time mais ofensivo e, digamos, “brasileiro”.

Uma coisa seria diferente do time de Dunga, em 2010. Muricy não gosta de atuar com apenas um homem à frente. O 4-2-3-1 de Dunga na Copa não é esquema dileto de Muricy. No São Paulo, por exemplo, apenas 17 vezes usou essa formação.

Seria um bom nome para o Brasil. Não o ideal, como Felipão. Mas um bom nome. Porém, assim como o palmeirense, Muricy é homem de palavra. Havia empenhando na véspera com o Fluminense. E a manteve, apesar do convite quase irrecusável. Mas recusado. Se por ele ou pelo Flu, pouco importa.

Muricy pode ter feito o que fez Dino Sani, em 1970, ao não aceitar substituir João Saldanha, amigo e a quem auxiliara no comando da Seleção. E para o lugar de Dino foi Zagallo, campeão mundial quatro meses depois.

Como fez Felipão, em outubro de 2000, ao não se achar preparado para assumir a Seleção em crise, dois meses depois de começar a dirigir o Cruzeiro. Felipão que, em junho de 2001, resolveu assumir a bucha. E, um ano depois, celebrar o penta mundial.

E agora, Ricardo?

Reitero: como o presidente da CBF, não tenho a menor ideia do que fazer.

Só sei que saio mais fã de Muricy. Muito mais do homem que do treinador.

P.S.: Só uma coisinha: não era mais fácil Ricardo Teixeira ter conversado na casa de Muricy, ou na de um amigo em comum? Evitaria o desgaste de todas as partes. Sobretudo do treinador e do clube que disserem “sim”, agora.
Mas se já errou uma vez, que ao menos o presidente da CBF espere estar tudo certo para dar entrevista para quem de fato e de direito.

Atlético-PR 2 x 0 Santos

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Bruno, o Costa, fez 1 a 0 Atlético, no primeiro minuto do primeiro tempo.

Bruno, o Mineiro, fez 2 a 0 Atlético, no primeiro minuto do segundo tempo.

Mais não fez o Furacão porque não quis. Mas pode fazer muito mais no BR-10 se repetir a aplicação do jogo e o espírito da equipe.

Menos não fez o Santos carente de Ganso e de inspiração porque, desta vez, teve a sorte que faltou nas duas derrotas anteriores. Se não havia tantos motivos de preocupação nos jogos anteriores, agora o sinal passou do amarelo ao vermelho.

Grêmio 1 x 1 Vasco

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Era realmente para ter jogo? Não era o caso do Heber Roberto Lopes ter adiado a partida?

Victor falhou mais uma vez e o Vasco abriu o placar – Nunes. O Grêmio empatou três minutos depois com Jonas.

E não há mais o que dizer. A não ser lamentar tudo. Como a fase de ambas as equipes.

BOTA-TEIMA – Havia como marcar pênalti no chute de Borges interceptado por Titi? No estádio, muuuuuito difícil. Pela TV, ainda é complicado. Parece ter batido no braço, parece que o zagueiro vascaíno teve a intenção de deixar o braço direito na bola. Enfim, havia como marcar o pênalti. Como havia jeito de também não marcar a infração.

Lance que nem a tecnologia dirime a dúvida.

Possivelmente, nem com o árbitro atrás da meta, também.

Atlético-GO 3 x 1 Corinthians

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Os últimos vencerão os primeiros.

O primeiro gol rubro-negro foi irregular. Tiuí estava impedido antes de ser derrubado por Júlio César. O segundo gol goiano nasceu de bobeada dupla de Danilo. O terceiro do desespero paulista depois de Chicão ter perdido o segundo pênalti seguido. O que não tira o mérito do Atlético, que jogou com a garra e aplicação que pareciam faltar nos últimos jogos. Contra um Corinthians que mais uma vez sentiu falta de um ataque mais contundente.

Mas o que pesou, mesmo, é que a diferença entre as pontas da tabela não são mesmo tão grandes. Não existem mais times invictos no BR-10. E as diferenças deverão ser ainda menores porque não existem times maiores no Brasil.

Vitória 2 x 2 Goiás

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pelo que deu para ver pelos melhores momentos, e eles não foram poucos, o bom jogo do Barradão merecia ser enaltecido muito mais pela precisão goiana no contragolpe, no primeiro tempo, e pela recuperação baiana, desde o final da etapa inicial.

Mas…

Leão foi reclamar de algo que, por quase todas as opiniões presentes, não havia motivo para tanto. Como fazem 110% dos treinadores e jogadores, sem a menor responsabilidade por qualquer coisa. Ainda mais num mundo tão intolerante. Como costuma fazer Leão em 120% dos casos.

Daí se sucederam mais cenas lamentáveis. Corriqueiras na carreira brilhante de Leão como jogador, vitoriosa, também, como treinador.

Infelizmente, cenas normais.

Mais ainda com a presença de tanta gente no gramado.

Não que o jornalista tenha cutucado Leão. Não pareceu. O treinador mais coloca o dedo no rosto do repórter Roque Santos que o contrário. Não sei o que ele possa ter falado ao treinador. Mas ainda assim não justifica a atitude de Leão.

Como nenhuma agressão se justifica.

Porém, não se pode dizer que o repórter tenha sido covardemente agredido sem qualquer motivo.

Veja este vídeo.

http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1304593-7824-CONFUSAO+NO+FIM+DA+PARTIDA+ENTRE+VITORIA+E+GOIAS+LEAO+AGRIDE+RADIALISTA+DENTRO+DE+CAMPO,00.html

A 1min14s, o repórter empurra alguém do Goiás. Depois sai correndo, e é atingido por Rafael Moura.

Não se justifica jamais a agressão que sofreu. E, a princípio, também não o empurrão que a precipitou.

O que leva a outra questão, sem demonizar, denunciar, vitimizar, martirizar:

tem muita gente em campo.

Precisa?

Que tal organizar minimamente?

Por que devemos invadir o gramado ao final do jogo?