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Arquivo de novembro de 2009

Corinthianismo

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

É tudo isso?

Foi nada disso?

Isso não existe?

Foi só mais uma das tantás péssimas partidas corintianas no returno? Foi mais uma arbitragem discutível?Foi mais uma vitória indiscutível do Flamengo? Foi mais um destempero absurdo de profissionais do futebol? É mais uma inócua teoria da conspiração?

Você decide.

Ah, e eu insisto: O FLAMENGO FOI MAIS TIME E MERECEU A VITÓRIA. E TEM MERECIDO O HEXA.

O CORINTHIANS TEM JOGADO MUITO MAL. E NÃO SÓ NO DOMINGO.

E TEM ATUADO DE MODO DESINTERESSADO. E ESTRESSADO ALÉM DA CONTA.

E ESCREVO COM MAIÚSCULAS SÓ PARA ALGUÉM NÃO QUERER ACHAR ALGO NAS ENTRELINHAS.

ESCREVE LEONOR MACEDO

Se você gosta de futebol e já sabia que a rodada de domingo, 29/11, estava arranjada para favorecer o Flamengo antes mesmo de ela acontecer, aconselho que desista do esporte. Que tente canalizar sua energia para algo mais legítimo, mais honesto, mais respeitoso, mais digno. Porque futebol é isso: é o ópio do povo, é irracional e se pararmos para pensar, a gente pára de gostar. É amor, é paixão, é utopia, é ingenuidade. É burrice.

Fui para Campinas, com toda a minha burrice e ingenuidade, confiando no discurso da diretoria do Corinthians e dos jogadores de que seria o “jogo do ano”. Ronaldo prometeu uma chuva de gols, outros jogadores afirmaram que dariam o sangue, o técnico se irritou ao ser questionado sobre um possível favorecimento ao Flamengo para eliminar as chances do São Paulo ser campeão: “o Corinthians estará empenhado para ganhar. Se o São Paulo não fez a sua parte, não é um problema nosso.”

Acreditei e fui confiante! Comprei meu ingresso mesmo sabendo que a renda do futebol seria destinada ao carnaval do centenário, em 2010. Mesmo sabendo que o correto é utilizar a arrecadação do futebol com o futebol. Fui porque meu amor pelo futebol é muito maior do que meu ódio pelo carnaval.

Cheguei a Campinas cedo, ganhei uma carona de carro e almocei em um shopping relativamente próximo ao estádio. Vi dezenas de corinthianos exibindo suas camisas orgulhosos, confiantes na equipe, assim como eu. Porque me recuso a acreditar que algum corinthiano realmente estivesse interessado em uma derrota para o Flamengo apenas para prejudicar o São Paulo. A rivalidade não pode ser maior do que a vontade de ver seu time ganhar qualquer coisa, até campeonato de Master. Cresci aprendendo que existem apenas dois tipos de torcida no Brasil: a corinthiana e a anticorinthiana. A nossa, até então, era a corinthiana.

Quando entrei no estádio (com uma entrada relativamente organizada nas catracas do Fiel Torcedor, diga-se de passagem), acomodei-me em um degrau semi-alagado e vi o Brinco de Ouro da Princesa lotar de corinthianos e flamenguistas, que também compareceram.

Foi quando Evandro Roman apitou e a vergonha começou. Não falo apenas de erros grotescos de arbitragem porque, se eu sou ingênua a ponto de acreditar na hombridade de um elenco todo, sempre acreditei em juiz ladrão. Falo de corpo mole, de recuar a bola para o goleiro em um ataque, de 90% de passes errados, de contusões inexplicáveis, da expulsão do nosso capitão, do nosso técnico.

De 10 jogadores caminharem dentro de campo (o único que tentou foi Defederico, que não fala português e que talvez não tenha entendido a recomendação de entregar uma partida), de um goleiro não tentar pegar a bola em forma de “protesto” contra a arbitragem (e o melhor protesto que ele podia ter feito ali era agarrar o pênalti e honrar os milhares de corinthianos que estavam na arquibancada).

De o nosso elenco fazer o que fez estampando o rosto de centenas de corinthianos na nossa camisa (a obrigação de ganhar a partida podia ser só por esse motivo).

De ouvir um meia do Corinthians que está de férias desde o fim do Campeonato Paulista justificar seus erros na arbitragem (concordo, Elias, que o juiz errou, é péssimo e tem que ser punido, mas quando foi que o Corinthians dependeu de juiz?).

De ver o nosso técnico ser expulso quando ele é o primeiro que tem que manter a cabeça fria para dar tranqüilidade ao elenco, honrando o salário milionário que ele recebe. E depois reclamar da arbitragem também, sendo que o próprio, no meio do campeonato, afirmou que a prioridade nunca foi o Campeonato Brasileiro, mas o time em 2010.

A prioridade, senhor Mano Menezes, é respeitar o torcedor do Corinthians e tentar vencer tudo o que se propuser a ganhar. Eu não tenho seis meses de férias, nem ganho um centésimo do que o senhor ganha e trabalho com seriedade.

Saí do estádio sem conseguir falar uma palavra. Atônita e surpresa sim, porque eu acreditava que o elenco do Corinthians pudesse, pelo menos, honrar aqueles que acreditavam. Porque sempre acreditei que eu, como torcedora, pudesse ter alguma importância (mesmo que financeira) para o clube.

Voltei para São Paulo pensando que por muito menos a torcida expulsou do clube um dos maiores jogadores da história do futebol, o Rivelino. Que, mesmo naquele contexto importantíssimo que é um Corinthians X Palmeiras, ele pode ter errado, mas jamais entregado uma partida a nosso rival. Que a gente pode ter perdido um clássico, um título, mas que não perdemos a dignidade tanto quanto neste domingo, em Campinas. Nem quando fomos rebaixados para a Série B.

Sei que a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians. No próximo fim-de-semana, por exemplo, é a última rodada do campeonato e o Grêmio anunciou que pode escalar o time reserva contra o Flamengo apenas para prejudicar o Inter. Que o mesmo Inter entregou uma partida para prejudicar o Corinthians contra o Goiás, em 2007. Que muitas pessoas consideram isso absolutamente normal no futebol e depois reclamam de ética em seu trabalho, nas relações pessoais, enfim, em sua vida. O futebol é espelho de tudo isto. Se a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians e do elenco corinthiano, é com ela sim que eu me preocupo, porque eles, infelizmente, carregam o escudo que eu defendo.

Se todos os anos para mim terminam com o fim da temporada de futebol, 2009 foi o ano que terminou mais cedo. Curarei minha ressaca futebolística longe de Corinthians X Atlético-MG. Sei que a minha fé no futebol retornará assim que a ressaca passar. Que eu encerrarei o papo de “não bebo mais” e continuarei enchendo a cara dessa cachaça. Que seguirei acreditando que outro futebol é possível: com dignidade, honestidade e hombridade. Com jogador que defende o escudo do clube acima de qualquer dinheiro, com dirigente que recusa mala branca e leva em consideração sua torcida, com elenco que não entrega a partida, com torcedor apaixonado que prefere ver o time ganhar a ver o rival se dar mal. Morrerei velhinha acreditando. E precisarei de dois caixões: um para mim e outro para a minha santa ignorância.

ESCREVEU LEONOR MACEDO

Goiás 4 x 2 São Paulo

domingo, 29 de novembro de 2009

Desde julho de 2006 o São Paulo não sofria quatro gols num jogo pelo Brasileirão. E, então, era um time com 10 reservas, contra o Santos. Completo, ou quase isso, só o 4 a 2 para o Atlético Paranaense, em agosto de 2005. Não por acaso, desde então, no Brasileirão, só tem dado São Paulo.

E parecia que daria nos primeiros 20 minutos, no Serra Dourada mais tricolor que esmeraldino. Foram três chances tricolores. E o gol bem Washington, bem São Paulo: Hernanes cruzou, Jorge Wagner cabeceou, Harlei espalmou, o artilheiro bateu meio torto, mas a bola entrou, aos 15.

Tudo parecia tricolor até o golaço de Vítor, pelo ponto mais frágil do sistema defensivo paulista. Às costas de Júnior César, para cima de Rodrigo, no lugar do ausente Miranda. Golaço, aos 21 minutos.

O São Paulo demorou a se reencontrar. E, quando começou a se enervar, levou um golaço do bom volante Rhitelly (pronuncia-se Ritchéli). Novamente em cima do lado esquerdo, aos 37min.

As equipes voltaram mais abertas. O São Paulo começou a perder os tantos gols que achou desde 2006. O Goiás acertou o contragolpe em boa atuação de Leo Lima, excelente saída de Vítor à direita, outra grande partida de Iarley, e o gol de Fernandão, aos 21 minutos. Washington diminuiu num belo gol, aos 25. Será que o São Paulo seria mais uma vez o que tem sido?

Leo Lima acabou com a história no Serra Dourada. Aos 26min, um belo gol de fora da área fechou o placar. E só não cerrou a chance de título porque é São Paulo. Merece mais que respeito.

Fosse outro, teria sido ainda menos favorito hoje.

Fosse outro, estaria enterrado quanto ao título.

Incompreensível, mesmo, só o Goiás ter deixado de jogar.

E ter mostrado tanto contra Flamengo e São Paulo.

Agora, para o São Paulo, é preciso torcer para o Flamengo empatar com o Grêmio no Maracanã, para o Inter não vencer o Santo André no Sul, e para o Palmeiras não vencer o Botafogo, no Rio – ou, se vencer o clube paulista pela contagem mínima no Engenhão, o Tricolor precisaria ganhar por 5 a 0 do Sport, no Morumbi).

Corinthians 0 x 2 Flamengo

domingo, 29 de novembro de 2009

Se, no domingo, o Flamengo vencer o Grêmio no Maracanã com a propriedade com que superou o perdido Corinthians em Campinas, o hexa será rubro-negro.

Se o Flamengo empatar com o Tricolor no Rio, o Inter terá de vencer o Santo André, no Beira-Rio, para ser tetra nacional. Resultados possíveis neste tresloucado BR-09. Desde que o Flamengo mais uma vez se perca pela boca – o que não parece o caso; desde que o Grêmio venha completo. E bem mais animado que o Timão, que sentiu o mau momento, as contusões precoces de Edu e Ronaldo, e uma arbitragem discutível nos cartões. Não mais que isso.

Se o Flamengo perder para o Grêmio no Maracanã (o que duvido demais), o Inter precisaria empatar com o Santo André (o que parece muito improvável), o Palmeiras não poderia vencer o jogo duríssimo contra o ameaçado Botafogo no Engenhão, e ainda o São Paulo não vencer o Sport que deverá até vencer muito bem no Morumbi.

No frigir das bolas: o Flamengo só depende dele, em casa, contra o desanimado (desfalcado?) Grêmio.

Poderá bastar fazer o pouco que fez em Campinas. Ou melhor: o suficiente.

São-paulinos, colorados e palmeirense podem até discutir a partida alvinegra. Mas, indiscutivelmente, não de hoje, o Corinthians tem atuado mal. E tem atuado ainda pior ao buscar todas as explicações possíveis.

* Felipe pode ser cobrado por não ter pulado no segundo gol rubro-negro? Pode. Mas não é o caso de afirmar que ele não foi só para prejudicar o São Paulo. Como é menos ainda o caso – e só se for fato – de ele não ter pulado em protesto à arbitragem.

O zilionésimo lance discutível da carreira do goleiro corintiano merece ser discutido. Porque Felipe pareceu fazer de tudo para que tudo fosse falado dele.

Palmeiras 3 x 1 Atlético Mineiro

domingo, 29 de novembro de 2009

* Não tivesse perdido Pierre, Cleiton Xavier e Maurício Ramos por tantos jogos, não tivesse se perdido pela ansiedade em definir o título que esteve aos seus pés, o Palmeiras teria feito outros jogos tão bons quanto os 3 a 1 contra o Atlético Mineiro. Vitória que ainda dá ao Verdão a chance de pensar em vencer a pedreira do Botafogo ameaçado no Engenhão, torcer pelo “intorcível” empate do Flamengo com o Grêmio, e o ainda menos provável empate colorado com o Santo André para ser campeão.

(Embora, em termos futebolísticos e matemáticos, o risco de não se classificar para a Libertadores-10 seja maior).

* O Atlético Mineiro anda empatou o clássico depois do belo gol de Cleiton Xavier. Mas a defesa errou mais que a palmeirense, e cedeu outro resultado terrível, que tira do Galo a chance que era mais que palpável de Libertadores. Faltou algo na chegada. Uma defesa mais confiável, por exemplo. Mas, pelo prometido no início do ano, o saldo ainda é positivo na Cidade do Galo.

* O gol de Nilmar, na primeira derrota, no Pacaembu, contra o Corinthians, foi o mais lindo do BR-09. Mas o de Diego Souza, no Palestra que apoiou o time com notável entusiasmo, foi o mais espetacular. Não só por ser do meio-campo. Também pelo momento do jogo. E, sobretudo, pelo sempulo de derrubar estádio. Chutaço que poderia cair além da piscina. E deixou o Palmeiras ainda mais vivo. Pelos três gols que fez no Palestra. E pelos quatro gols esmeraldinos em Goiás.

* O que Muricy pensava, enfim, deu liga, e uma bela atuação. Deyvid Sacconi, Dirgo Souza e Cleiton Xavier enconstando em Vágner Love. Um bom jeito de pensar em algo mais contra o Botafogo.

Sport 1 x 2 Internacional

domingo, 29 de novembro de 2009

Mais uma vez, Mário Sérgio não achou o time, e o Inter não encontrou o jogo, no primeiro tempo. O Sport foi melhor, fez um gol irregular, mas não teve um pênalti marcado a favor de Lauro.

Veio o segundo tempo, o treinador achou o time, e o Inter reencontrou o jogo – ou, ao menos, a ótima vitória. Venceu de virada, e tem o menos complicado rival entre os candidatos ao título – embora, se tudo der muiiiiiiiito certo ao Santo André, ainda é possível se salvar. Isto é: Coritiba, em casa, teria de perder para o emocionante Fluminense; e o Botafogo teria de perder, também como mandante, para o ainda sonhador Palmeiras, que venceu muito bem o Atlético Mineiro.

Se o Colorado vencer como deve conseguir no Beira-Rio, precisará torcer para o Grêmio arrancar ao menos um empate do Flamengo, no Rio.

O Grêmio que, pelas palavras de Souza, já está em ritmo de férias.

O Grêmio que, segundo o presidente Duda Kroeff, “não confia no Internacional, como o Internacional não confia no Grêmio”.

E mais não preciso escrever.

Por ora.

Cruzeiro 4 x 1 Coritiba

domingo, 29 de novembro de 2009

Comente a bela virada mineira que deixa o Cruzeiro ainda com chances.

Fluminense 4 x 0 Vitória

domingo, 29 de novembro de 2009

Comente a bela goleada que tira o Fluminense da zona do rebaixamento depois de 27 rodadas.

Atlético Paranaense 2 x 0 Botafogo

domingo, 29 de novembro de 2009

Comente a vitória rubro-negra que o tranquiliza, e deixa a situação do Botafogo bastamte complicada.

Grêmio 4 x 2 Barueri

domingo, 29 de novembro de 2009

Comente a boa vitória tricolor no Olímpico.

Santo André x Náutico

domingo, 29 de novembro de 2009

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