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HISTÓRIA EM JOGO – ARGENTINA 0 X 0 BRASIL – Copa-78

por Mauro Beting em 04.set.2009 às 11:12h

A respiração estava tão suspensa quanto as liberdades pessoais na Argentina de Jorge Videla, ditador que assistiu ao empate sem gols ao lado do brasileiro João Havelange, presidente da Fifa, no frio dos 14 graus que pareciam muito menos para os 37.326 pagantes no Gigante de Arroyito, de Rosário. Segundo jogo do quadrangular semifinal da Copa-78. Segunda partida entre brasileiros e argentinos em Copas. O Brasil era líder pelo saldo de gols. Mas teria, na última rodada, a dura tarefa de vencer bem a boa Polônia. Enquanto os argentinos teriam a menos complicada seleção peruana para golear por quanto fosse necessário. E, por erro absurdo de tabela, sabendo o que seria preciso fazer. E o que os peruanos acabariam não fazendo.

Mas essa é outra história. Porque bastaria o Brasil de Cláudio Coutinho ter feito a parte dele em Rosário para aquele Peru não morrer de véspera em 1978. Não fez o serviço. O Peru fez o dele. E para sempre lamentamos a falta de maior ambição para ganhar dos co-hermanos lá dentro.

Pelo clima cortante, pela rivalidade exacerbada, foi de fato uma “batalha”. Mas, pela bola jogada, revista na íntegra esta semana para a seção “HISTÓRIA EM JOGO”… Pfff. Lembrava que aqueles times de Brasil e Argentina não eram grande coisa, mesmo com Zico (em má fase), Rivellino (no banco, recuperando-se de lesão), Dinamite, Leão, Oscar, Kempes, Fillol, Passarella e Ardiles. Mas não lembrava que a assim chamada “Batalha de Rosário” fosse algo próxima a de Itararé. Aquela “batalha” que não existiu. Um jogo chocho. Um placar “oxo”.

Faltas feias existiram. Nas minhas contas, nove brasileiras, oito argentinas. Mas o Chicão que entrara para fincar a bandeira verde-amarela no gramado e a botina nas canelas argentinas só cometeu duas faltas, e uma outra não marcada. Não foi aquele mostro sanguinário pintado – e que muitas vezes foi mesmo. Jogou muito menos que o imenso Batista, o melhor em campo, ao lado do imperial Oscar na zaga brasileira. Realmente a perigo uma só vez, em mais uma falha do improvisado lateral Edinho, mal finalizada pelo ponta Ortíz.

Isso mesmo: a Argentina teve um lance de perigo real. O Brasil teve quatro oportunidades, e quase sempre foi melhor em campo. Esbarrou apenas nas limitações táticas e técnicas daqueles time acanhado de Coutinho. E num incerto e exagerado temor por uma batalha que ficou na história. Mas não foi batalha. Muito menos o grande jogo que deveria ter sido.

O HISTÓRIA EM JOGO volta depois de meses parado, por causa nobre. Esta seção inspirada pelo colega ANDRÉ ROCHA (http://blogs.abril.com.br/futebolearte), e com a ajuda dos DVDs de GUSTAVO ROMAN (http://www.futebolpitacos.blogspot.com/), acabou rendendo livro, em breve sendo lançado pela editora Contexto, com a inestimável ajuda dos dois acima, e mais DASSLER MARQUES (http://dassler.blogspot.com/).

Aliás, aproveite eleia no blog do ANDRÉ ROCHA a análise dele a respeito da partida, publicada hoje.

Em breve terminaremos a saga holandesa na Copa-74. E iremos começar a brasileira no Mundial de 1982.

Hoje, falemos do jogaço de amanhã, em Rosário, pelas Eliminatórias-10.

YOUTUBE: http://www.youtube.com/watch?v=nZCCR9ExB-g&feature=related

LOCAL – Gigante de Arroyito, Rosário, 18 de junho de 1978. 19h10 locais. 14º. 37.326 presentes.

PLACAR VIRTUAL 1º. TEMPO – BRASIL 2 X 1

PLACAR VIRTUAL 2º. TEMPO – BRASIL 2 X 0

PLACAR VIRTUAL FINAL – BRASIL 4 X 1

ARGENTINA4-3-3 : Ubaldo FILLOL (5 – River, 27 anos); Jorge OLGUÍN (15 – San Lorenzo, 26), Luis GALVÁN (7 – Talleres, 30), Daniel PASSARELLA (19 – River Plate, 25) e Alberto TARANTINI (20 – sem clube, 22); Américo GALLEGO (6 – Newell’s, 23), Osvaldo ARDILES (2 – Huracán, 25) e Mario KEMPES (10 – Valencia, Espanha – 23); Daniel BERTONI (4 – Independiente, 23), Leopoldo LUQUE (14 – River Plate, 29) e Oscar ORTÍZ (16 – River Plate, 25). TÉCNICO –CESAR LUIS MENOTTI.

BRASIL – 4-3-3 (ou 4-2-2-2 torto, na visão de ANDRÉ ROCHA): Leão (1- Palmeiras, 28 anos); Toninho (2- Flamengo, 29), Oscar (3 – Ponte Preta, 23), Amaral (4 – Corinthians, 23) e Rodrigues Neto (16- Botafogo, 28); Batista (17 – Internacional, 23), Chicão (21 – São Paulo, 29) e Dirceu (11 – Vasco, 25); Gil (18 – Botafogo, 27), Roberto Dinamite (20 –Vasco, 24) e Jorge Mendonça (19 – Palmeiras, 23). TÉCNICO – CLÁUDIO COUTINHO.

* COMEÇOU – Brasil de Adidas, com camisas amarelas, calções e meias brancas, atacando à direita da imagem da TV. No banco, Carlos (goleiro da Ponte Preta), Edinho (zagueiro-esquerdo improvisado como lateral-esquerdo do Fluminense), Nelinho (baita lateral-direito do Cruzeiro que merecia ser titular), Zico (meia-atacante genial do Flamengo que não fazia boa Copa) e Rivellino (meia do Fluminense que vinha para o sacrifício, recuperando-se de contusão). Brasil não perdia havia sete jogos para os argentinos.

* 2min. Início com a pancadaria esperada. Luque tenta cavar a expulsão de Oscar, e árbitro húngaro KAROLY PALOTAI não cai na do tinhoso centroavante argentino.

* 3min. Leão comeu certamente 23% de todos os jogos que fez na brilhante carreira como goleiro só em cera. Já é advertido. Torcida protesta. Mas também ela parece gelada. Não apenas pelo frio. Os argentinos gritaram pouco. Público de Copa do Mundo necessariamente não é plateia acostumada a ir a estádios.

* 5min – Dinamite bate falta feia do carniceiro zagueiro-direito Galván no não menos volante Chicão. Bola da meia esquerda para fácil defesa do excelente goleiro Fillol. O último arqueiro argentino digno da saudosa escola platina de goleiros.

* 9min – Dinamite chuta de longa para fácil defesa de Fillol. Só dá Brasil, sobretudo em tiros de longe. A Argentina especula no contragolpe. Os laterais estão mais presos. Kempes, o craque do time, recua para articular. Os pontas Bertoni e Ortíz mais cercam Toninho e Rodrigues Neto que jogam. Luque procura apenas cavar faltas e irritar os excelentes zagueiros de área brasileiros.

* 10min – Falta feia do volante-central Batista no meia-atacante Kempes. Caído, o 10 argentino ainda leva uma bola chutada na cabeça pelo lateral-esquerdo Rodrigues Neto. O Brasil joga e bate mais que os donos da casa.

* 11min – Kempes arrisca de canhota (a perna ótima) no meio do gol para defesa tranquila de Leão. Batista e Chicão fazem ótima blindagem à frente da zaga brasileira. Dirceu também dá um pé pela esquerda, cercando o amuado Ardiles, excelente volante e meia argentino.

* 13min – Falta feia de Toninho no ponta-esquerda Ortíz, que atuara pelo Grêmio. Por trás. Brasil bate mais. Faria seis faltas duras e/ou feias no primeiro tempo, contra apenas três dos argentinos.

* 15min – Chute fraco do dinâmico Dirceu, da meia direita, nas mãos de Pato Fillol. Dirceu acabaria sendo o terceiro melhor jogador da Copa-78. Canhoto muito útil taticamente, moderníssimo à época, gozava de pouco prestígio na imprensa e ainda menor na torcida. Mas de enoooorme consideração com todos os treinadores brasileiros, e dentro da então CBD.

* 16min – Só tinha chute de longe. Kempes pegou de fora da área, da meia esquerda, para fácil defesa de Leão. Eram os dois melhores goleiros sul-americanos em campo. E dos melhores do mundo. Só atirando de longe seria pouco. Faltava contundência às equipes. Sobrava respeito. Temor? Os argentinos, é péssimo lembrar, ainda teriam pela frente (ou de lado…) a seleção peruana. O Brasil teria a pedreira polonesa. Para não depender do saldo, era bom o time de Coutinho atacar. Algo que nem sempre fazia bem…

* 17min – Mas soubemos fazer no primeiro lance real de perigo. Bate-rebate pela meia direita, o ponta-direita Gil arranca com a perna esquerda e bate de pé direito na saída de Fillol, que fecha o ângulo e faz grande defesa. Não vi na vida goleiro que soubesse fechar melhor o ângulo que esse argentino. Não era alto. Pouco mais de 1m80. Se tanto. Mas tinha uma colocação absurda. E uma saída por baixo impressionante. Como nesse lance que impediu o gol brasileiro. Também porque Gil era uma das tantas teimas de Coutinho. Não era ruim. Mas não era bom para ser titular brasileiro. Ainda mais sem Rivellino para lançá-lo, como brilhantemente o Bigode deixou tantas vezes o Búfalo Gil em condição de gol, atuando pelo Fluminense.

* 19min – Brasil cresce. O pouco insipirado Jorge Mendonça bate da meia esquerda, e Fillol faz defesa esquisita para escanteio. O meia-atacante do Palmeiras era um excelente jogador. Não melhor que Zico, claro. Mas entrara melhor no time que o Galinho, em fase técnica discutível, e tolhido pelo esquema tático de Coutinho.

* 20min – Kempes dá um rolinho sensacional em Chicão, rente à linha lateral, e é derrubado por Batista. Só ele faz algo na Argentina. mas está muito distante da área e de Luque. Também por méritos dos volantes brasileiros e da melhor zaga da Copa, a composta pelos campineiros Oscar e Amaral.

* 23min – Falta feia de Rodrigues Neto. Como bate o Brasil!!! E o juizão nada faz. Era praxe daqueles dias. Jogava-se muito. Batia-se demais. E a arbitragem guardava os cartões no bolso.

* 25min – Ardiles aparece e bate de canhota, nas mãos de Leão. Kempes tenta rodar mais pela direita, chamando os volantes do Brasil, tentando abrir espaço na esquerda para Ortíz penetrar às costas de Toninho, que apoiava bem, e não marcava tanto. Porém, como Tarantini estava entretido com Gil, que também o marcava, a estratégia pouco funcionou.

* 33min – Sai pulando sobre a perna direita Rodrigues Neto. Brasil perde boa saída pelo lado esquerdo. Mais uma vez entra Edinho improvisado na lateral esquerda. Um dos tantos desacertos táticos do treinador Cláudio Coutinho, improvisando o excelente zagueiro-esquerdo na lateral. Ele perdera a condição de titular na primeira fase. E voltava ao time naquela fria, enfrentando o melhor dos três atacantes platinos. Bertoni atuaria na Fiorentina e ainda seria titular em 1982. Bom de drible, sabia fazer gols.

* 36min. Primeiro gol perdido pelos argentinos. Na cara de Leão, o ponta-esquerda Ortiz pegou muito mal e desperdiçou grande chance, num lance criado de um bico pra frente e da bobeada do frio Edinho e do categórico Amaral, no lance que Bertoni serviu Ortiz. Alguém precisa marcar o lateral improvisado por Coutinho, única opção que tinha o treinador para a posição no banco.

* 39min – Toninho arrisca de longe e muito mal. Vaiado por todo o estádio. Brasil perde força. E a Argentina não se acha.

* 40min – Gil entra horroroso em Kempes. Era para ter sido expulso. Brasileiros batem mais que os rivais.

* 44min – Bola longa para Gil, que cortou por dentro e bateu mal… O Brasil ainda era melhor, embora insistisse demais no lançamento longo. Dirceu rodava menos o ataque, e Mendonça não se sentia plenamente adaptado pelo lado esquerdo, quase como um ponta. Dinamite ficava muito isolado na briga com Galván e com o Kaiser Passarella, excelente zagueiro e capitão argentino.

* 44min. Segunda falta de Chicão, primeiro cartão amarelo do jogo. Ele pegou feio Kempes na intermediária. Falta desnecessária.

* MUDA ARGENTINA. SAI ARDILLES (machucado), ENTRA VILLA (meia pela esquerda do Racing). Time mais ofensivo, menos tático e marcador. Era para ter entrado ainda no primeiro tempo. Mas o jogo acabou antes. Embora mal tenha começado.

FIM DO PRIMEIRO TEMPO – Brasil melhor. Mas poderia ter arriscado mais. Respeitosa ao extremo, tecnicamente infeliz, Argentina deveu bola.

* RECOMEÇOU – Agora com Villa, Argentina vai tentar jogar.

* 2min – Villa dá solada horrorosa em Batista. Primeiro cartão argentino. E deveria ter sido vermelho. Com Villa em campo, também por conta do árbitro, Kempes se solta um pouco mais. Villa faz algumas das funções de Ardiles, inclusive ficar de olho em Dirceu.

* 5min – Toninho bate de longe por cima uma cobrança de falta da meia direita. Saudade de Nelinho. Não que Toninho fosse mau jogador. Ao contrário. Mas o cruzeirense era muito melhor.

* 5min – Bela tabelinha brasileira para Dinamite, que só não fez gol porque Fillol fez bela defesa. Mas o jogo já estava parado. Impedimento do atacante vascaíno, que ganhara contra a Áustria uma chance no time. Também pela intervenção do almirante Heleno Nunes, presidente da CBD. Vascaíno como Roberto. Mas com inteira razão, então. Reinaldo era mais genial que Dinamite. Mas não vinha bem tecnicamente num Brasil que jogara muito mal contra suecos e espanhois nos primeiros jogos da Copa-78. Não apenas por culpa do craque atleticano.

* 10min – Brasil segue mais tempo com a bola, atuando melhor. A Argentina pouco especula no contragolpe. O estádio segue quieto.

* 12min – Passarella cabeceia nas mãos de Leão um escanteio batido para ele, no segundo pau. Celebérrima e batida jogada para o zagueiro-esquerdo argentino, de excepcional impulsão.

* 14min – Argentina explora Bertoni em cima de Edinho. O zagueiro do Flu melhorou. Os co-hermanos, não muito.

* 16min – MUDA A ARGENTINA – ENTRA BETO ALONSO, SAI ORTIZ, aos 16min. O talentoso meia-direita do River Plate entra na dele, na que Villa tentava fazer (e mal). Villa vai ficar um pouco mais. Alonso irá tentar se unir a Kempes. E não conseguirá. Mérito de Batista e Chicão. Que desarmam, fazem faltas, mas também saem para o jogo.

* 17min – Villa tentou dez lances. Errou 11.

* 18min – Dois argentinos entram para rachar Chicão. Safo, o volante são-paulino se livra das duas faltas. E não cai. E nem chora.

* 19min. Gallego derruba por trás Batista. Hoje seria amarelo.

* 20min – Batista jogando demais. É o melhor em campo de um jogo ruim. Fácil para o Brasil tentar algo mais. O que fica difícil pelo isolamento de Roberto Dinamite, pelas limitações de Gil, pelo amuado Jorge Mendonça, e por um Dirceu que poderia se soltar mais.

* 21min – Toninho pega mal, de canhota, de fora da área, fraco. Longe da meta de Fillol. Torcida argentina quieta.

* 22min – Edinho derruba tolamente Olguín, faz a falta, dá um bico na bola para lateral, e merece o cartão amarelo.

* 22min – Luque divide com Leão e se atira pela zilionésima vez. Nada. Melhora a Argentina.

* 22min – MUDA O BRASIL. ENTRA ZICO, SAI JORGE MENDONÇA. O Galinho vai jogar mais enfiado e mais próximo de Dinamite.

* 23min – Kempes cabeceia por cima, depois de escanteio da direita de Bertoni. Jogo segue chocho, chocho… E “oxo”, como dizia o grande Walter Abrahão, narrador da TV Tupi.

* 23min – Zico, na primeira bola, arranca pela esquerda e bate de fora da área, Fillol manda a escanteio. Acordou o Brasil

* 23min – Dinamite cabeceia fraco nas mãos de Fillol.

* 27min – Dinamite invade pela esqueda e bate de canhota, defende Fillol com o pé esquerdo. Linda tabela de Batista com Zico, e a bola enfiada do Galinho. Entrou muito bem Zico.

* 27min – Falta da meia esquerda para fácil defesa de Leão

* 29min – Falta sem bola do Zico. Cartão amarelo.

* 29min – Primeira falta de Chicão no segundo tempo. Não marcada pelo árbitro.

* 34min – Gil arranca pela ponta direita, corta para dentro e bate de canhota. Zaga desvia para escanteio. Brasil tenta algo. A Argentina só se defende e nada cria. Medíocre.

* 35min – Olguín levanta de qualquer jeito a bola que se perde pela linha de fundo. Torcida quieta, só vaia a cera usual de Leão.

* 36min – Batista pela da meia direta e bate mal, à direita de Fillol que faz cera. Eles estão felicíssimos com o empate que será o da classificação na rodada seguinte. Eles já pressentiam. O Brasil parecia que não.

* 37min – Outra pegada por trás do Gallego no Zico. Juiz só faz cara feia para a falta horrenda.

* 38min – Bertoni passa como quer por Edinho e cruza para ótima saída no chão de Leão. O lance mais perigoso argentino no segundo tempo é um cruzamento…

* 38min –Tiro longo para fácil defesa de Fillol. Um jogo para dormir se não fosse entre argentinos e brasileiros num quadrangular semifinal de Copa.

* 39min – Kempes recebe, limpa o lance, suja a finalização. Looooonge de Leão.

* 42min – Dinamite manda de canhota por sobre a meta de Fillol, em belo lançamento de Zico. A última boa chance brasileira. Apenas quatro no jogo. E só uma da mandante. Partida muito ruim.

* 43min – O empate era bom para os argentinos, não para os brasileiros. Faltou um pouco mais de ambição para a Seleção. E faltou futebol aos co-hermanos. Tanto que, aos 43, Fillol fez cera. E ninguém no estádio protestou.

* 44min – Gil manda longe, de fora da área. Para variar.

FIM DO JOGO – Brasil melhor no segundo tempo. Argentina, ainda pior. Nem tantas pancadas vistas. Foi um jogo de xadrez. Chato.

NOTAS:

ARGENTINA –

Fillol – 8 – Excepcional goleiro, com duas defesas garantiu o empate sem gols.

Olguín – 5 – Ficou preso na lateral direita e pouco apoiou. Teve problemas com Rodrigues Neto. Dirceu e J.Mendonção apareciam por ali, mas sem grande constância.

Galván – 5 – Fraco, foi um dos responsáveis pelo malogro em 1982. Em 1978, não comprometeu. Sempre salvo por Passarella.

Passarella – 6 – Um monstro. Mas também ele não jogou tudo contra os brasileiros. Temperamento dificílimo.

Tarantini – 5 – Apoiava melhor que marcava. Como não apoiou e teve de se virar para conter o rápido Gil…

Gallego – 5 – Batia e jogava. Em Rosário, mais bateu que jogou.

Ardiles – 5 – Jogava muito. Mas se machucou no final do primeiro tempo, quando mais marcava Dirceu que articulava o jogo platino.

(Villa – 3) – Não era mau jogador. Mas entrou muito mal na partida. Errou quase tudo que tentou.

Kempes – 7 – O craque do time e da Copa-78. Ainda assim, muito longe do gol e da forma habitual. Ao menos arriscava algo.

Bertoni – 6 – Veloz, goleador, ganhou quase todas de Edinho. Mas foi pouco explorado pela acanhada Argentina.

Luque – 4 – Chato, tinha boa técnica. Mas não fez o jogo esperado. Também por razões que Oscar e Amaral explicam.

Ortíz - 5 – Rápido e driblador, não foi nenhuma das coisas contra Toninho.

(Alonso – 5) – Jogava demais. Mas, como todos, pouco mostrou o repertório hábil e criativo.

MENOTTI – 5 – É quem gosta do futebol bonito e bem jogado. “Criou” a escola “menottista” de futebol refinado. Mas, na prática, a Argentina foi pragmática como a de 1986 do rival treinador Carlos Bilardo. Uma pena.

BRASIL

Leão – 7 – A defesa mais difícil foi um cruzamento de Bertoni… Essencial para ganhar tempo. Mas era jogo para fazer cera? O empate “era” argentino…

Toninho – 6 – Voluntarioso, rápido, bom no ataque, razoável na defesa, teve algum problema com Ortíz, e poderia ter avançado mais quando o ponta deixou o gramado. Mas deixar Nelinho fora?

Oscar – 8 – Excepcional no jogo aéreo, anulou Luque (que vinha baleado e com problemas pessoais), e formou mais uma vez uma barreira impressionante com Amaral. Dos melhores zagueiros da história do futebol brasileiro.

Amaral – 7 – Sereno, técnico, parecia ter 30 e não apenas 23 anos. Hoje, tem o mesmo peso. E caráter. Das melhores duplas de zaga da história do Brasil e dos Mundiais. Anulou o frágil e contido ataque rival.

Rodrigues Neto – 5 – Ganhou contra a Áustria o lugar que deveria ter sido dele sempre. Saiu machucado quando ganhava o duelo com Bertoni e arrumava algo no ataque pelo corredor aberto por Dirceu.

(Edinho – 4) – Um dos melhores zagueiros da história recente do futebol brasileiro, um líder no gramado. Mas não funcionava como lateral-esquerdo. Nem para liberar Toninho ou Nelinho do outro lado. Uma das invenções que não funcionaram de Coutinho.

Batista – 8 – Fechou a área e a inda jogou como brilhava no Inter. Essencial na contenção a Kempes e no início do jogo brasileiro. Pelo que jogou e até pelo que se impôs (bateu…), o melhor em campo.

Chicão – 6 – Sabia jogar. Mas adorava bater. Essencial no aspecto emocional, ganhou uma vaga que Cerezo teria perdido não apenas no grito. Também pela fase técnica instável.

Dirceu – 5 – Armandinho por excelência, foi o melhor brasileiro no Mundial. O que mostra quanto a Seleção esteve abaixo do potencial na Argentina. Não eramau jogador, longe disso. Mas não poderia ser titular indiscutível do Brasil, nem o craque do time numa Copa.

Gil – 6 – Abaixava a cabeça e corria. Vez ou outra funcionava no clube. Não numa Seleção como titular. Era bom jogador. Fazia gols. Mas enchia os piquás com seu jogo apenas voluntarioso.

Dinamite – 6 – Reinaldo jogou pouco do muito que sabia. Careca ainda não “existia”. Nunes se machucara. Serginho Chulapa estava suspenso. Dinamite sempre fizera gols. Chegou em cima da hora, e terminou muitíssimo bem a Copa. Essencial na boa reta de chegda do “campeão moral” da Copa-78 – “título” dado pelo falecido Coutinho ao Brasil que saiu invicto daquele Mundial.

Jorge Mendonça- 5 – Jogava muito mais. Mas nem sempre jogava tudo em algumas decisòes. Foi o caso. Só ganhou o lugar no time pela fase irrgular de Zico.

(Zico – 7) – Entrou muito bem na partida. Sempre rendia mais nas adversidades. Mas não fez a Copa que dele se esperava. Como faria em 1982.

COUTINHO – 6 – Teimoso como todo treinador de Seleção precisa ser, foi “destronado” com a intervenção de Heleno Nunes na escalação do terceiro jogo contra a Áustria. Em muitas coisas à frente do tempo, em outras apenas escolheu caminhos mais difíceis. Autor deum dos maiores crimes lesa-bola das Copas: a não convocação do colorado Falcão para 1978.

ÁRBITRO – Karoly Palotai – 5

NOTA ARGENTINA – 4

NOTA BRASIL – 5

NOTA JOGO – 5

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15 comentários para “HISTÓRIA EM JOGO – ARGENTINA 0 X 0 BRASIL – Copa-78”

  1. Marcelo Camargo disse:

    Mauro, o zagueiro Amaral não era do Guarani ?

    MARCELO, ele já havia sido contratado pelo Corinthians, mas ainda não estreara. Só no dia 1o. de julho começou a atuar pelo Timão.

  2. Thiago Cidão disse:

    Ainda não conhecia o História em Jogo…
    Fantástico Beting!!

  3. Sebastián disse:

    Muito obrigado pelo texto. A mídia não fala quase nada desse jogo. Que estranho! Além disso, eu não tinha nascido.
    Esperemos que os nossos países façam um bom jogo para as duas populaões.
    Um abraço desde Argentina!
    http://www.argentinabrasiljuntos.blogspot.com

  4. PALMEIRENSE disse:

    PESQUISA DO DATAFOLHA E MÉDIA DE IBOPE COLOCAM PALMEIRAS COMO A TERCEIRA MAIOR TORCIDA DO BRASIL

    Estranhamente, a nova pesquisa Datafolha vem sendo escondida na grande mídia ( é que o time da imprensa não foi tão bem…. ), mas lá no site do Clube dos 13 estão expostos os números, que servem de base para a divisão da receita de pay-per-view.

    Vou copiar os 5 primeiros desta pesquisa Datafolha:

    1º) Flamengo – 12,81%

    2º) Corinthians – 10,66%

    3º) Palmeiras – 9,13%

    4º) São Paulo – 8,78%

    5º) Internacional – 8,41%

    E o tamanho daquelas 5 maiores torcidas segundo o Ibope:

    1º) Flamengo – 12,41%

    2º) Corinthians – 13,11%

    3º) Palmeiras – 8,79%

    4º) São Paulo – 7,28%

    5º) Internacional – 7,59%

  5. Já tinha visto o texto na coluna do jornal,bem legal,um amigo falecido meu jogou e intimidou bastante.Sabe de quem falo,né,do grande volante de nº 21 do Brasil,aquele que Kempes e Luque jamais esquecerão!Grande jogador e grande pessoa este cara,conheci num clube de que sou sócio,lá em Itanhaém,grande papo,mas sei o pq de seu câncer,tava na cara,uma pena,os melhores se vão cedo demais!
    Grande abraço Maurão!

  6. Fernandes Dulaberty M. disse:

    Sou Argentino con mucho orgulho , moru y trabaro en brasil y minha modestia opinao sobre el jogo de amaha e mucho simplis: Vamos triunfar sobre voces brasileros com facilidade y si posible vamos humilhar voces brasileros.
    Maradona y Tevez ten mucha razao em falar que temos os mejores jugadores y temos sin os mejores jugadores .
    La verdade es que amaha sera la grande oportunidad para fazer o brasil ser humilhado aca y se depender de nosotros vamos fazer com muito gosto.

    Argentina 5 brasil 1
    Somos mucho mejor que voces brasilenos.
    Mas una informacon: la enquete de lance es una grande idiotice porque nao nos conparamos a voces, porque somos diferentes em muito superior a voces.

    Un abraco.

    Fernadez Dulaberty

  7. Jovaneli disse:

    Mauro, tem um aspecto que pouca gente tem dado importância: a grande diferença na média de altura das duas seleções. Enquanto a seleção do Dunga tem média/altura de 1,83m, a seleção do Maradona tem 1,79m.
    Veja a comparação por setor: 1ª linha de 4 da seleção do Dunga, tem 1,86m, contra 1,79m da seleção do Maradona; 2ª linha de 4 da seleção do Dunga tem 1,82m, contra 1,79m da seleção do Maradona; dupla de ataque da seleção do Dunga tem 1,77m, contra 1,71m da seleção do Maradona.
    E tem mais: só André Santos, Elano e Robinho têm menos de 1,80m na seleção do Dunga, enquanto que na seleção do Maradona, exceto o goleiro Andújar e o meia Verón, todos têm menos de 1,80m.
    Por fim: no confronto entre os meias e atacantes argentinos com os zagueiros, laterais e volantes brasileiros, o placar em termos de altura é: Argentina, 1,76m, contra 1,85m do Brasil. Já no embate entre os meias e atacantes brasileiro e os zagueiros, laterais e volantes argentinos, o placar em termos de altura é: Brasil, 1,79m, Argentina, 1,79m. Empata.
    Esses números são baseados nos prováveis times titulares de Brasil e Argentina. Veja:

    Seleção do Maradona:
    Andújar – 1,94
    Zanetti – 1,78
    Sebá – 1,81
    Otamendi – 1,78
    Heinze – 1,78
    Max Rodriguez – 1,78
    Mascherano – 1,79
    Verón – 1,86
    Dátolo – 1,75
    Messi – 1,70
    Tevez – 1,73

    Seleção do Dunga:
    Júlio César – 1,86
    Maicon – 1,84
    Lúcio – 1,88
    Luisão – 1,92
    André Santos – 1,79
    Gilberto Silva – 1,85
    Felipe Melo – 1,83
    Elano – 1,74
    Kaká – 1,86
    Robinho – 1,73
    Luis Fabiano – 1,82

  8. valdecir disse:

    concordo: Oscar e Amaral foi a melhor dupla de zaga da seleção todos os tempos; o Nelinho teria que ser titular em qualquer time do mundo; Falcão jamais deveria ter ficado de fora da copa; Zico entraria bem no lugar de Gil, e Rivelino completaria esse grande meio campo. Pena que acompanhei esse jogo pelo rádio do meu avô ouvindo a Rádio Nacional, mas ficava imaginando esses grandes jogadores. Nesse ano eu tinha 11 anos.

  9. Marcelo Costa disse:

    O História em Jogo é muito bom. Bem oportuno este post. Li todas as postagens sobre a Holanda de 74 e selecionei, há cerca de um mês, alguns lances em vídeo do jogo Holanda 2 x 0 Uruguai. Inclusive aquela incrível blitz dos jogadores da Holanda para tomar a bola de Pedro Rocha (que você chamou a atenção aqui no minuto-a-minuto da partida). Coloquei alguns gráficos animados sobre o vídeo para demonstrar a movimentação do carrossel de 74 (o segundo vídeo está melhor e mais curto). Depois, dê uma olhada e comente. Vou aguardar o História em Jogo sobre a seleção brasileira de 82. E o livro sobre táticas nas copas. Abraços.

    Gráficos animados sobre os lances
    http://esquemastaticos.blogspot.com/2009/08/video-esquema-tatico-holanda-de-74.html

    Desenhos táticos
    http://esquemastaticos.blogspot.com/2009/08/classicos-holanda-x-uruguai-copa-74.html

  10. Flávio disse:

    Mauro,
    Este jogo entrou para a história como uma batalha, embora na prática não tenha sido… é a prova viva do quanto a memória do ser humano insiste em aumentar o valor real dos acontecimentos do passado
    O Jovaneli comentou um dado interessante (a diferença de altura entre as duas seleções atuais)… este fato preocupa os argentinos há muito tempo… tanto que culpam a estatura menor como uma das causas pelos insucessos recentes contra o Brasil!

    Visitem o meu blog:

    http://semfirulaesporteclube.blogspot.com

  11. giovani disse:

    Analisando o futebol argentino desde a decada de 70, cheguei a uma conclusão: Quando nossos hermanos chegam em uma copa do mundo eles travam, jogam com medo. A causa mais explicavel deste bloqueio seria a responsabilidade de demostrar outro futebol, diferente daquele que é jogado nas eliminatorias, copa america e torneio de clubes sulamericanos, onde os favorecimentos e conivencia da arbitragem no que se refere a violencia e catimbas, não existem para eles na copa. Eles Ganharam uma copa em 78, muito suspeita e outra em 86 jogando um futebol muito bonito(porem Maradona ou Dona Mara, como queiram, confessou que usava drogas para jogar desde 1983, com outros jogadores da seleção.
    O mesmo acontece com o Corinthians em torneios sulamericanos.
    Nunca chegaram lá por que lá os esquemas são pros argentinos, e quando um time brasileiro ganha é por meritos proprios, no futebol e bom preparo psicologico, coisa que o Corinthians não teve até agora para disputar e conquistar uma libertadores. Precisou a socia de seu patrocinador, terceirizar um torneio da FIFA e entrar como convidado para “ganhar” um torneio internacional. Realmente foi ganhado e não conquistado. Pegou um atalho na infleuncia e sem conquistar a libertadores foi “Campeão Mundial” enfrentando clubes do temivel eixo dos poderosos do futebol, Arabia e Marrocos.
    Notou a comparação entre eles e os argentinos?
    Em 2006 foram disputar a libertadores com um time recheado de mercenarios argentinos achando que a fusão desta comparação poderia levar ao título, e foram eliminados pelo Ho-River Plate, da Argentina. Justiça Divina foi feita, com o Internacional que foi garfado em 2005 e CONQUISTOU a libertadores, o mundo e muito mais.Curintia, é Brasil.
    Corrupto e demagogo.
    Corintianos: Verdadeiros representante do povo brasileiro.

  12. Tiago disse:

    Que esquema tático sensacional esse do Brasil hein seu Mauro betting. Show de bola

  13. Gustavo Roman disse:

    Grande Mauro.Estava com saudades do história em jogo.Essa sessão é uma maravilha para nós,apreciadores do bom futebol.
    E mais uma vez sua leitura do jogo foi brilhante.Eu só queria que vc me tirasse uma dúvida,se fosse possível, pois eu era muito pequeno na copa de 78(tinha 2 anos e meio).Queria saber o porque do Coutinho ter insistido com o Edinho na lateral-esquerda,se o Júnior(capacete)já era inclusive titular absoluto do mengão que o próprio Coutinho comandava.Vc lembra o porque disso…
    abraços

    GUSTAVO,
    não é preciso dizer que Júnior joga no mesmo time imortal de Nilton Santos e Roberto Carlos.
    mas é dever dizer que ele ainda não era tudo que foi. já jogava bem. mas não tanto como a partir do segundo semestre daquele 1978. a não convocação dele era compreensível. INCOMPREENSÍVEL era a manutenção de Edinho naquela função.

  14. joao vitor disse:

    a argentina com o lionel messi é um time bão mais sem o lionel messi o time vira uma bosta

  15. Lembro-me desse jogo (Brasil X Argentina da Copa de 78) e até hoje fico irritado porque ninguém, nenhum comentarista esportivo explicou o verdadeiro porquê do Brasil não ter se classificado para as finais daquela Copa! Mas vou explicar: Brasil e Argentina estavam empatados em número de pontos. Assim, caso o Brasil vencesse a Argentina, nossos “hermanos” poderiam vencer o Peru por trezentos e oitenta e cinco a zero, que mesmo assim a Argentina não se classificaria! Visualizem o lance: Rivelino, da esquerda, chuta forte e rasteiro. Fillol salta, a bola bate no pé da trave e vai para o pé direito de Gil. Na área estavam apenas Gil, a bola, o gol totalmente aberto e Fillol deitado. Se Gil apenas colocasse o pé na bola, ela entraria e o Brasil ganharia aquele jogo e, consequentamente, a classificação. Mas o que aconteceu? Gil “encheu o pé” e a bola passou três metros por cima da trave. Por que ninguém, nenhum comentarista falou desse lance que poderia ter dado a classificação para a Seleção Brasileira? Acho que sei o porquê: é mais fácil falar que a Seleção do Peru entregou o jogo para os argentinos (e entregou mesmo) do que falar da incopetência de Gil e do técnico Cláudio Coutinho, que se negou a convocar Falcão, o melhor meio-campista do Brasil naquela época. Falcão era um milhão de vezes melhor que Chicão, do São Paulo, e isso se confirmou quatro anos depois, na Copa de 82.
    Agora, não adianta chorar!
    É mais fácil culpar os outros do que reconhecer a própria incopetência!

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