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Sport Club Internacional, 100

por Mauro Beting em 30.mar.2009 às 18:30h

***Nesta sexta-feira, 10h30, no Bandsports, no Beting & Beting, uma singela homenagem aos 100 anos do Internacional, na voz de Walker Blaz. Faça como o Inter no Japão: não perca ***

Naquela última noite, nos Eucaliptos, Tesourinha e Carlitos viram as luzes se apagando no estádio. Foram até as goleiras, retiraram as redes do velho campo colorado, e deixaram nuas as traves naquelas trevas do entrevado 1969 brasileiro. Era a última cerimônia antes da inauguração do Beira-Rio. Onde iniciaria o ciclo vitorioso e virtuoso que começou com um Falcão imperial nos anos 70 e acabou num Gabiru iluminado na noite japonesa e mundial, em 2006.

Tudo ficara escuro nos Eucaliptos no último ato da velha cancha naquele fim de verão de 1969. Pouco antes do verão de 1975, tudo parecia cinza naquela tarde de 14 de dezembro, em Porto Alegre. Até um raio de sol iluminar a grande área onde o ainda maior Figueroa subiu para anotar o gol do primeiro dos três Brasileiros da glória do desporto nacional naqueles anos 70. O maior time do país em uma das nossas melhores décadas. O melhor campeão brasileiro por aproveitamento, no bicampeonato, em 1976. O único campeão invicto nacional, em 1979.

O Internacional centenário. O clube da família italiana Poppe que deixou São Paulo e Rio para fazer a vida em Porto Alegre, em 1909. Dizem que tentaram jogar bola no clube alemão – e não teriam deixado; tentaram jogar tênis, remar, dar tiro – também não deixaram. Então, juntaram um time de estudantes e comerciários para fazer um clube que deixasse entrar gente de todas as cores e credos. Dois negros assinaram a ata. O primeiro “colored” da Liga da Canela Preta (Dirceu Alves) atuou pelo clube em 1925, enquanto o rival só foi aceitar um negro em 1952 – justamente o Tesourinha, glória gaudéria nos anos 40, na década do Rolo Compressor que durou 11 anos, e dez títulos estaduais.

Inter que ergueu estádios com o torcedor que vestiu a camisa, arregaçou as mangas, e construiu arquibancadas de cimento armado e amado. Inter que apagou as luzes dos Eucaliptos para acender um gigante na Beira-Rio e ascender aos maiores lugares de pódios brasileiros, sul-americanos e mundiais. Superando potências e preconceitos, fincando a bandeira colorada da terra gaúcha no gramado do outro lado da Terra, vencendo um gaúcho genial como Ronaldinho e um Barcelona invencível aos olhos da bola.

Mas quem ousa duvidar da pelota que peleia? Dizem que o futebol gaúcho só é duro, só é viril. Diz quem não viu o Inter de Minelli, fortaleza técnica, tática e física. O Rolo Compressor inovador no preparo atlético e no apetite por gols. O futebol que ganhou o mundo em 2006 marcando como gaúcho, e contra-atacando como o alagoano Gabiru. Campeão com gringos como Figueroa, Villalba, Benítez, Ruben Páz, Gamarra, Guiñazú e D’Alessandro; com forasteiros como Fernandão, Valdomiro, Manga, Falcão, Bodinho, Dario, Larry, Lúcio, Nilmar, Mário Sérgio e Pato; gaúchos como Tesourinha, Carlitos, Oreco, Nena, Taffarel, Carpegiani, Chinesinho, Batista, Mauro Galvão, Dunga, Flávio, Paulinho, Claudiomiro, Jair e Rafael Sóbis.

Tantos de todos. Nada mais internacional. Poucos como o Internacional centenário. Aquele time de excluídos que, em 100 anos, já tem o sétimo maior número de sócios do planeta. São mais de 83 mil que têm mais que uma carteirinha. Eles têm um clube para amar que não depende de documento. Números e nomes não sabem contar o que uma bandeira vermelha pode fazer à sombra de um eucalipto.

Uma bandeira rubra pode ensolarar um estádio apagado, uma tarde cinzenta, e o mundo na terra do Sol Nascente. Aquele que iluminou Figueroa, aquele que inspirou Gabiru, aquele que neste quatro de abril vai nascer mais vermelho.

P.S – No Rio Grande do Sul, MAURO BETING torce pelo Palmeiras.

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107 comentários para “Sport Club Internacional, 100”

  1. Narciso José de Souza disse:

    Mauro Beting, muito obrigado por enaltecer este INTER que tanto amo! Conduzistes-me ao passado, lembranças dos tempos em que me escondia debaixo da cama a chorar, para fugir das provocações do meu irmão (o único Gremista de uma família de 9 pessoas), lembranças das escaladas ao muro dos Eucaliptos por falta de dinheiro para o ingresso (e tinha que ser rápido para fugir da policia montada), lembranças dos banhos e pescarias onde hoje é Gigante do Beira Rio.
    Mauro, tu és um jovem brilhante e inteligente, que o Patrão lá de Riba lhe permita as tuas vontades, mais fique imparcial quando o teu PALMEIRAS cruzar com o meu INTER.

    NARCISO, muito grato. pode deixar. vou tentar…

  2. ROBERTO FERNANDES disse:

    Meu prezado Mauro Beting, um dos mais inteligentes, sensíveis e imparciais jornalistas esportivos deste país, obrigado pelas gentís palavras sobre o nosso Inter. Sinceramente não sei como alguém pode assistir ainda a Globo, tendo que ouvir as asneiras tendenciosas do Sr.G.Bueno, e as defesas do comentarista de arbitragem A. C. Coelho, a favor de árbitros paulistas e cariocas quando erram contra times de fora do eixo
    São Paulo e Rio. Mais uma vez obrigado pela honestidade ao transmitir jogos de futebol. És um exemplo para o esporte e para a mídia brasileira.
    Saúde e vida longa.

  3. carlos bianck disse:

    bonita as palavras

  4. fernanda bene disse:

    ♥♥♥olha rodos jah sabem q o inter é o melhor do brasil mas é bom falar mais uma vez pra todos escutarem hehehe… e q fike assim mais algum tempoh..♥♥♥

  5. dnokzdhntk disse:

    6vpnou gazulwfsrsey, [url=http://efsknbfxrgnf.com/]efsknbfxrgnf[/url], [link=http://umsjnlruxkdi.com/]umsjnlruxkdi[/link], http://oxcfuqfosevr.com/

  6. sou sport ate more nao tenha quem fazer eu mudar a casaca

  7. anderson disse:

    nação agradeçe

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