publicidade


Arquivo de janeiro de 2009

HISTÓRIA EM JOGO – Inglaterra 3 x 6 Hungria – 1953

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

[[[[[[MAIS DO CLÁSSICO EM "O JOGO DO BETING", na terça-feira, no LANCE!]]]]]]]

VEJA OS GOLS: http://www.myvideo.de/watch/3603969/England_Hungary_3_6_1953_november_25

PRÉ-JOGO -Invicta havia 22 jogos (19 vitórias), campeã olímpica em 1952, a magia magiar enfrentaria a pátria-mãe do futebol, que estava invicta em Wembley, e não perdia um jogo em casa para uma seleção não-britânica desde 1901. Para a imprensa inglesa, aquela tarde de quarta-feira de 25 de novembro de 1953 seria o “Match of the Century” – o jogo do século. Exagero? No mínimo, é o amistoso mais importante da história do futebol. Um divisor de águas, um multiplicador de bolas.

A Hungria era não só uma revolução técnica, tática e física – era um projeto de Estado, a melhor propaganda do governo comunista. Os atletas eram literalmente soldados do ideal do bloco soviético – quem não servisse o time do Honved (“defensores da pátria”) teria de servir como soldado na fronteira do país…

Em campo, faziam lindo: a equipe inovava no aquecimento pré-jogo, no posicionamento tático do centroavante (mais recuado, idéia já adotada no MTK húngaro), no apetite pelo ataque, e no detalhado estudo dos rivais. E, claro, era uma seleação baseada numa equipe – o Honved, o time do exército, dos “hómi”. Sete dos titulares jogavam juntos havia anos.

Inventores do jogo, os ingleses só haviam participatado de uma Copa, em 1950 – e fizeram feio. Já não tinham a soberba e a convicção de que eram os donos da bola. Estavam invictos em Wembley até aquele 25 de novembro de 1953. Era um ótimo jogo para mostrar que ainda poderiam ser chamados (ou auto-intitulados) de senhores do jogo se vencessem aquele timaço húngaro, dirigido pelo meticuloso Gusztav Sebes.

Em outubro, ele assistira em Wembley ao empate do English Team com a seleção mundial. 4 x 4. Antes do jogo, na véspera, calçara chuteiras e medira o campo londrino. Pediu ao presidente da Federação Inglesa três bolas para treinar com o time húngaro. Elas eram mais pesadas e duras que as usadas no país. Sebes chegou a observar a posição do Sol para melhor preparar a equipe para vencer os ingleses. Durante três semanas, treinou a seleção contra equipes armadas como deveriam atuar os pais do futebol.

Os ingleses também não quiseram fazer feio e foram estudar os húngaros nos amistosos anteriores. Não havia internet e TV a cabo. Mas já havia espião na guerra fria da bola.

Sebes tinha como filosofia deixar os craques decidirem a forma de atuar. Só falava de tática nas grandes partidas e decisões. Como aquele amistoso. No imperdível livro “Puskas – uma lenda do futebol”, de Roger Taylor e Klara Jamrich, ele explica o que pretendia fazer em Wembley:

- Queria [o centroavante] Hidekguti flutuando em um redemoinho de posições fluidas de nossos atacantes para confudir a zaga inglesa. Eu sentia que a defesa deles se sentiria obrigada a segui-lo e isso abriria espaços para o Boszik vir de trás e armar com Puskas e Kocsis. Quanto mais nós nos movimentássemos, mais problemas criaríamos. Lá na defesa, a idéia era contar com o recuo de nossas pontas, e com o Zakarias na zaga, deixando o Lorant como líbero.

O técnico húngaro estudara os ingleses. Mas os atletas húngaros não conheciam os rivais. E vice-versa. O capitão inglês Billy Wright admite que ficou mais tranquilo ao ver as chuteiras leves dos rivais se comparadas às chancas britânicas…

Ele admite que foi um dos tantos erros que cometeu naquela tarde de quarta-feira.

OS TIMES

INGLATERRA – 3-2-2-3 (WM): Merrick (1); Alf Ramsey (2), Johnston (5) e Eckersely (3); Wright (4) e Dickinson (6); Taylor (8) e Sewell (10); Stanley Matthews (7), Mortensen (9) e Robb (11).

HUNGRIA – 1-3-2-4: Grosics (1); Lorant (3); Buzanszky (2), Zakarias (6) e Lantos (4); Boszik (5); Puskas (10); Budai (7), Kocsis (8), Hidekguti (9) e Czibor (11).

LANCE A LANCE

NO TOSS: Puskas fica com a bola depois de cumprimentar o capitão Wright. Ele admite ter ficado muito nervoso naquele momento. Para relaxar, deu sete embaixadinhas até tocar para o ponta Czibor, que também fez sua graça antes de a bola rolar. Era um modo de transferir o pavor para o rival.A Hungria deu o pontapé inicial atacando à direita da cabine de transmissão de Wembley.

COMEÇOU – No primeiro lance, o centro-médio Boszik lançou Budai (pronuncia-se Budaí) aberto pela direita. Era a saída usual de jogo húngara.

43s – 1 x 0 HUNGRIA. HIDEKGUTI (pronuncia-se algo como IDAKUTI). Zakarias se antecipou a Mortensen na intermediária, no abafa dos visitantes, e tocou a Boszik que serviu o camisa 9. Ele limpou fácil Johnston e, já dentro da área, mandou no ângulo direito da meta inglesa. Golaço. Aplaudido por boa parte do estádio. Interessante é que em 26s a Inglaterra já dava a saída. Não havia celebração efusiva de gol. Contando com um arremesso lateral, os pais do futebol só tocaram duas vezes na bola e já perdiam por 1 x 0 antes do primeiro minuto.

2min – Dois bons ataques ingleses e ótimo contragolpe de Czibor. Jogaço aberto de duas equipes que sabiam de bola – mas absolutamente não se conheciam. Como pedido por Sebes, os pontas Budai e Czibor iniciam o jogo desde a intermediária, pelas pontas. Mas os húngaros forçam mais o jogo pela direita. Nas palavras de Puskas, em cada partida, “bastava 5 minutos para a gente entender o que era preciso fazer, quais as deficiências do adversário. O treinador não precisava falar com a gente”.

* Formação de barreira? Jogador parado à frente da bola para evitar a cobrança? Não naquela tarde de 1953. Era diferente. Parecia falta de educação. Como marcar muito forte no meio. Os até quatro atacantes ingleses (com o avanço do meia Sewell) praticamente atuavam no mano a mano contra a linha de três zagueiros húngaros, protegidos na sobra por Lorant. Boszik era o centro-médio clássico. Todas as bolas passavam por ele. Assim como muitos meias ingleses também…

7min – Livre na entrada da área, o Major Galopante Puskas enfia a bomba. Merrick defende. Johnston (que não sabia se acompanhava Hidekguti ou se ficava no miolo da área…) só observa. Ingleses dão o mesmo espaço que os húngaros. Como o mundo todo deixava os rivais jogarem um pouco mais. Ingleses jogam bem, mas erram passes demais, a partir do goleiro. O jogo húngaro é quase todo com Budai, pela direita, livre pela má marcação de Dickinson (preocupado com Kocsis) e Eckersely.

9min – Brilhante troca de passes até finalização de Budai nas mãos do goleiro. Lance começou na esquerda com Czibor. Budai joga demais. Eckersely marca o ponta rival como se fosse um daqueles guardas ingleses que não podem se mexer.

10min – Kocsis perde gol feito, de cabeça (seu forte), em belo lançamento de Puskas. É a quarta chance de gol húngara, nascida em erro do enorme Stanley Matthews, ponta-direita que tentou arrumar o time, e deu mais um passe torto. Ingleses sentem a categoria rival.

11min – ABSURDO! GOL MAL ANULADO DA HUNGRIA. Árbitro Leo Horn (Holanda) evita vexame maior marcando impedimento inexistente de Hidekguti, em bela tabela com Puskas. Ele entrou sozinho pelo meio da área (os ingleses são os pais do futebol, e essa zaga, a mãe da Hungria!). Um dos gols mais mal anulados da história.

14min – 1 x 1 INGLATERRA. SEWELL. A Hungria atacou com seis até o desarme de Johnston. Ele armou belo lance em velocíssimo contragolpe que pegou a sempre exposta zaga húngara num três contra três. O meia-esquerda apareceu sozinho na área, à frente de Grosics (pronuncia-se Grô-shi-sh), e bateu fraco, de canhota, cruzado. Belo gol, na primeira jogada inglesa.

15min – Hidekguti divide com o goleiro e quase desempata. Nada abala a convicção ofensiva dos visitantes.

* Nos escanteios ofensivos, rapidamente batidos, os húngaros colocam até quatro atacantes na área rival – acima da média daqueles tempos; os ingleses se defendem com oito na grande área.

18min – Kocsis (pronuncia-se Kô-shi-sh, mais ou menos isso) divide com a zaga e perde gol feito. A sexta chance magiar. E como joga esse Hidekguti!!! Por ora, é o melhor em campo, disparado, seguido de perto pelo gigantesco Boszik, que agora começa a arrumar o meio-campo defensivamente, recuperando um tonel de bolas. Mas o Hidekguti… Elegante, esguio, sai da área e abre espaço para Kocsis e Puskas. Um monstro. Inteligente e abusado. Pelo jogo, é fácil imaginar como o placar chegou a esse tamanho. Mas, honestamente, até agora, não esperava tão bom futebol da Inglaterra (do meio para a frente), e tanto espaço dado pelas duas equipes – já posso imaginar como a Alemanha ganhou a Copa, menos de um ano depois, na Suíça…

19min – GOL. 2 X 1 HUNGRIA. HIDEKGUTI. Czibor avança pela ponta esquerda, serve Puskas que é derrubado por Johnston. Árbitro não marca o pênalti e é salvo pela sequência do lance. No melê seguinte, num bate-rebate, Hidekguti acerta a bomba, que bate na zaga, encobre o goleiro, e faz justiça ao placar. Sétima chance húngara em menos de 20 minutos de jogo. E que jogo!

20min – Budai, livre, bate mal, à direita de Merrick. Impressionante o astral negativo inglês. Parece que já sabem que serão impiedosamente goleados. Perdem a bola como se fossem meninos sub-10 diante de um exército romano. Time definha até fisicamente. Parece que os ingleses jogam o futebol de 1953, e os húngaros atuam com a velocidade de 2009.

21min – God save the Queen. Hidegkuti bate na zaga. Nona chance em 21 minutos.

22min – Parem as rotativas! Eckersely ganha a primeira de Budai!

23min – GOL. PUSKAS. 3 X 1 HUNGRIA. GOLAÇO. Aplaudidíssimo por Wembley. Budai recua e lança Czibor, o ponta-esquerda, que aparece pela direita (!?), livre às costas de uma aparvalhada linha de impedimento mal feita pelos ingleses. Ele avança, vai ao fundo e serve Puskas, no bico da pequena área direita. Num come seco, ele deixa o capitão Wright perdido e estatelado no gramado, e fuzila Merrick. Superioridade técnica, tática e física absoluta. O maior espetáculo da terra. O jogo é melhor do que eu imaginava. Locutor húngaro se derrete. Com imensa razão e paixão. Para Puskas, foi “o mais lindo gol de toda a carreira. E não foi um lance por nós ensaiado. Foi uma jogada que ocorreu naturalmente, que tive de resolver no reflexo”. Para Wright, “em nove em dez daqueles lances eu conseguiria o desarme… Mas aquele lance era justamente contra o Puskas…”

[[[[[[[PELA CÂMERA DE TRÁS - http://www.myvideo.de/watch/385167/3_6_fuer_Ungarn_gegen_England]]]]]

25min – O pau come em Wembley. Ingleses entram duro, húngaros respondem na maldade.

26min – GOL. 4 X 1 HUNGRIA. PUSKAS. Deveria ser algum édito real: Ninguém faz barreira na Inglaterra?! Budai é derrubado na meia direita. Árbitro marca a falta. Ninguém fica na frente da bola, nem se faz a barreira. Boszik chega como quem não quer nada e, da meia direita, bate rasteiro, não muito forte. No meio do caminho, Puskas estica o pé esquerdo o suficiente para desviar a bola, que entra mansa, no canto direito de Merrick. Gol de sorte para um time que vinha levando azar como alegria ao jogo. Doze chances, quatro gols húngaros. Ou eram muito ingênuos, ou o futebol era realmente muito diferente. Não necessariamente para melhor.

31min – Incrível! A Hungria não cria um lance de gol há 5 minutos! CRIIIIISE!!!!

32min – Não se pode falar… Kocsis cabeceia nas mãos de Merrick. Impressionante a impulsão do meia húngaro – de fato, mais centroavante que Hidekguti.

35min – Mortensen cabeceia e Grosics faz grande defesa. Primeiro cruzamento certo inglês, sempre no segundo pau.

37min – Com a maior cadência húngara, sem o pé no fundo, ingleses criam mais um bom lance, com o apagado Taylor. Será que cutucaram as feras com a bola curta?

* O esquema húngaro pode ser definido basicamente como um 4-2-4. Na prática, é 1-3-2-4, com Puskas recuando um pouco, mas quase sempre se comportando como o quinto elemento à frente, trocando de função com Hidekguti.

39min – Budai perde o 14o. grande lance de gol. Chuta mal o ponta. Mas joga e corre muito.

42min – Termina o MEU primeiro tempo. O que tenho de gravação vai até aqui. Pouco antes do gol inglês.

42min – GOL. 2 X 4 INGLATERRA. MORTENSEN. Um milagre britânico terminar APENAS com quatro gols na sacola. A fase é tão ruim que não há imagem gravada do gol.

PLACAR VIRTUAL DO PRIMEIRO TEMPO – INGLATERRA 4 X 14 HUNGRIA

FIM DO PRIMEIRO TEMPO.

Fala o zagueiro Johnston: – A tragédia do nosso time foi a sensação de total impotência. Não sabíamos como fazer alguma coisa diante daquela perspectiva terrível de sermos goleados. Eu não sabia se seguia o Hidekguti ou se ficava…

Fala Puskas – As nossas embaixadinhas no aquecimento até certo ponto atemorizaram os ingleses. Mas foi o gol no primeiro tempo que definiu nosso estado de espírito e nosso jogo. Ganhamos confiança para fazer nossa parte e nosso jogo ofensivo.

COMEÇA O SEGUNDO TEMPO.

2min – Grande lance do genial Stanley pela ponta direita, boa defesa de Grosics (que passara mal antes do jogo – nervosismo). Os húngaros resolvem esperar os ingleses, iniciando o jogo mais atrás, com menos velocidade, abusando mais da técnica de seus organizadores. No lance de perigo, o atacante machuca o rosto e é carregado por Grosics e Lorant para fora do gramado. Não havia maca.

5min – GOL. 5 X 2 HUNGRIA. BOSZIK (pronuncia-se algo como Bôs-shiq). Falta pela meia direita. De onde saiu o quarto gol húngaro. Você acha que alguém se importa em fazer barreira? Puskas não bate direto. Faz bem. Hidekguti faz melhor, mete a bola na cabeça de Kocsis, que manda na trave esquerda. No melê, a bola vai sobrar na meia direita para o imenso Boszik bater cruzado, no canto de Merrick, que pulou tarde, e se atrapalhou com o desvio da bola. Os húngaros são demais. Mas os ingleses colaboram.

8min – GOL. 6 X 2 HUNGRIA. HIDEKGUTI. HAT-TRICK do camisa 9. Depois de 21 segundos de posse de bola e de uma tabelinha de cabeça entre Budai e Kocsis, Puskas deu um balãozinho por sobre a zaga inglesa e achou o centroavante aberto pela ponta. De primeira, ele acertou o sem-pulo e fez outro golaço. Muito aplaudido pela torcida inglesa. Até o árbitro holandês se rende e dá um tapinha nas costas do genial camisa 10 magiar.

9min – Puskas (pronuncia-se Push-kásh) quase amplia depois de um chutão do goleiro Grosics. A defesa inglesa é de corar editor de tablóide sensacionalista britânico.

11min – Pênalti estupidíssimo cometigo pelo irregular goleiro Grosics, que fez lambança das grossas numa bola morta, derubando Mortensen.

12min – GOL. 3 x 6 INGLATERRA. RAMSEY (campeão mundial em 1966, dirigindo a Inglaterra). De pênalti, no canto esquerdo do goleiro. O impressionante foi o tempo que “demorou” para ser executada a cobrança: 24 segundos!!!

14min – Como se fala salseiro em húngaro? Czibor (pronuncia-se mais ou menos Txí-bori) , mais acionado pela esquerda, limpa a área, inverte o lance com Budai que, de novo, pega mal na bola. Segue o massacre.

15min – Aleluia. Falta frontal, pouco além da linha da grande área. A INGLATERRA FEZ BARREIRA! Quatro homens. Já é alguma coisa. E Lantos (pronuncia-se Lan-tôsh) mandou o chute na primeira barreira britânica.

17min – Falta para a Inglaterra. Meia direita. Seis húngaros na barreira. Em vez de bater direto, Dickinson resolve abrir na linha de fundo para Stanley… A bola vai direto pra linha de fundo. Enfim, os pais do futebol não sabem formar barreira, não sabem bater falta contra uma barreira…

* Treinador berrando do lado de campo? As imagens são definitivas. Não se viu nenhum treinador, em nenhum momento do jogo…

21min – Czibor recua um pouco mais e ajuda no combate ao excelente Matthews, dando um pé ao lateral Lantos. Puskas ganha liberdade para atuar mais aberto pela esquerda. Melhora a produção defensiva húngara, com Zakarias (pronuncia-se Zô-koriash), o zagueiro central da linha de três, muito bem no desarme, facilitando a vida do líbero Lorant, que fica atrás deles.

23min – Não se pode elogiar… Lorant falha, e Grosics se antecipa ao veloz Mortensen.

*** NÃO TENHO AS IMAGENS A PARTIR DOS 28min ****

PLACAR VIRTUAL DO SEGUNDO TEMPO (sem os últimos 17min)

INGLATERRA 3 X 4 HUNGRIA.

PLACAR VIRTUAL TOTAL: INGLATERRA 7 X 18 HUNGRIA.

PÓS-JOGO – Até o uniforme do English Team foi modificado a partir daquele massacre. As camisas e calções mais, digamos, fofos e folgados foram trocados pelos mais justos. Até com a gola em V dos húngaros serviu de inspiração para novos uniformes.

O 4-2-4 começou a atropelar o WM nas formações táticas européias e sul-americanas.

ATUAÇÕES:

INGLATERRA: 3-2-2-3:

1 – Gil Merrick (Birmingham City) – Nem Gordon Banks salvaria a rainha. Merrick, menos ainda. Nota 5.

2. Alf Ramsey (Tottenham) – Futuro campeão mundial como treinador do English Team, o zagueiro-direito fez um gol de pênalti, e até que não levou tanto baile de Czibor. 5.

5. Harry Johnston (Blackpool) – Perdido taticamente, o zagueiro-central fez brilhante lance no gol de empate de Sewell. Mas deixou Hidekguti desequilibrar. 4.

3. Bill Eckersley (Blackburn Rovers) – Ridículo. Budai fez o que quis. Sempre perdido, sempre atrasado o zagueiro-lateral-esquerdo. Nota 1 (pela qualidade do rival, só por isso).

4. Billy Wright (Wolverhamton) – O médio-direito e capitão inglês não achou Puskas e também sofreu com Hidekguti. Como todo o time, passou mal a bola. 3.

6. Jimmy Dickinson (Portsmouth) – O médio-esquerdo teve de proteger Eckersley, tentar conter Kocsis (que jogava às costas deles), e ainda saber por onde andava Hidekguti. 2.

8. Ernie Taylor (Blackpool) – O meia-direita morreu de medo. Errou quase todos os passes, mesmo com a liberdade dada pelos húngaros. 2.

10. Jackie Sewell (Sheffiel Wednesday) – O meia-esquerda fez o belo primeiro gol, teve o imenso Boszik à frente (e atrás, pelos lados, por cima…), mas ao menos tentou jogar. 5.

7. Stanley Matthews (Blackpool) – Que jogador o eterno ponta-direita inglês! O único que tentou e ganhou vários lances de Lantos. No segundo tempo, recuou para armar. 7.

9. Stan Mortensen (Blackpool) – O forte e rápido centroavante levou perigo à exposta zaga húngara. Fez o segundo, e passou a bola do primeiro gol. 6.

11. George Robb (Tottenham) – Jogou? Não atacou, não criou, não marcou. 1

TREINADOR – Walter Winterbottom – O que deveria ter feito antes? O que poderia fazer durante? Nota 3.

HUNGRIA – 1-3-2-4

1. Gyula Grosics (Honved) – Inseguro, capaz de boas defesas e falhas históricas, jogava adiantado, pelo novo esquema. 6.

(substituído aos 28min por Sandor Geller [MTK])

2. Jeno Busanszky (Dorog) – O lateral-direito anulou o nulo Robb e não teve muito trabalho. 6.

3. Gyula Lorant (Honved) – O líbero foi o melhor dos zagueiros. Firme na antecipação, espanava sem dó. 7.

6. Joszef Zakarias (MTK) – O zagueiro-esquerdo (ou o central na linha de três), meio-campista de origem, teve dificuldades com Mortensen. Mas sabia jogar. 6.

4. Mihaly Lantos (MTK) – O lateral-esquerdo sofreu com Matthews. Como os da época, só marcava. E não tanto. 5.

5. Jozsef Boszik (Honved) – O centro-médio que todo mundo quer. Sobrecarregado na marcação pelo esquema que o deixava isolado no meio-campo, ainda assim desarmava o rival e armava o time. Participação direta em dois gols com o bom chute e a técnica admirável. 10.

10. Ferenc Puskas (Honved) – O meia-esquerda e capitão era o gênio da equipe. Um gol monumental, outro de sorte, uma assistência soberba, e um segundo tempo quase como ponta-esquerda. Monstro. 10.

7. Laszlo Budai (Honved) – O ponta-direita chutava mal. Mas era hábil, rápido e ainda ajudava atrás. Atuação facilitada pela ausência do lateral inglês. 9.

8. Sandor Kocsis (Honved) – Artilheiro da Copa-54, o emérito cabeceador não jogou tudo em Wembley. Perdeu muitos gols, mesmo atuando bastante dentro da área. 8.

9. Nandor Hidekguti (MTK) – Fez três gols, armou todo o ataque, abriu espaços a partir de trás. A (r)evolução tática num só jogador. Um show. O melhor entre os bambas. 10.

11. Zoltan Czibor (Honved) – Menos explorado, mais tático, menos incisivo, mas sabia correr o campo todo. 8.

TREINADOR – Gusztav Sebes. Dez. Por extenso. E, no caso, por intenso.

O NÚMERO – A Hungria finalizou 35 vezes. Os ingleses, 5.

O PÚBLICO – 100.000 pessoas – aproximadamente – aplaudiram efusivamente a vitória húngara.

A FRASE – Até aquele jogo, nós [ingleses] pensávamos que todo mundo era nosso pupilo, que nós éramos os mestres. Contra a Hungria, tudo mudou. Eles eram os masters. Nunca mais fomos os mesmos (Bobby Robson, treinador inglês).

A REVANCHE – Em 24 de maio de 1954, o troco, em Budapest. 7 x 1 Hungria. Ainda a maior derrota do English Team. Mais uma goleada a favor do time que só perderia a invencibilidade na final da Copa de 1954, na virada da Alemanha.

O CASO – Nos anos 70, vários jogadores das duas equipes se reuniram, na Inglaterra. No salão de entrada do evento, Alf Ramsey falou em voz alta, quando chegou um senhor nitidamente fora de forma: “Você é o… Bill? Bill Eckersely? É você?”. Ramsey não conseguia reconhecer o lateral inglês. Puskas ficou sabendo e não se agüentou: “Realmente, hoje está parecendo o jogo de 1953. Os ingleses mal conseguem saber os nomes dos próprios companheiros”.

LEGADO TÁTICO – O 3 x 6 pode ser considerado o réquiem do WM (3-2-2-3) inglês, que havia nascido em 1925. Mas não se pode dizer que foi apenas a questão tática que derrubou horroroso o time da casa. Fisicamente, os húngaros voaram em Wembley; tecnicamente, era um assombro de equipe – também pelo entrosamento (sete jogavam juntos no Honved, mais três no MTK)- e pelos treinos exaustivos; taticamente, o 4-2-4 (muitas vezes um 4-1-5, com o avanço de Puskas) também facilitou o passeio em Wembley.

Os dois pontas húngaros eram (ou deveriam ser marcados) pelos dois zagueiros-laterais ingleses – e eles ainda recuavam para ajudar na contenção aos pontas rivais; como Hidekguti saía da área o tempo todo, o central Johnston se perdeu e boiou, mais que sobrou; para piorar, os dois marcadores do quadrado do meio-campo não encontraram Kocsis e Puskas, que se mexiam muito, e jogavam demais. E ainda tinha Hidekguti, o melhor em campo. Praticamente três criadores ficaram livres – e mais o centro-médio Boszik, jamais acompanhado pelo meia-esquerda inglês Sewell.

Razoavelmente livre ficava o meia-direita inglês Taylor, com o recuo de Zakarias para a zaga. Mas ele parecia foragido em campo. Escondeu-se. Os três zagueiros húngaros tiveram muitas dificuldades com o ataque inglês, sobretudo Matthews e Mortensen. Mas a pálida partida do ponta-esquerda Robb facilitou para o lateral Buzanszki (pronuncia-se Bú-zanshqi). Se tudo ainda desse errado, sobrava Lorant, de boa atuação na zaga, e o goleiro Grosics, que ao menos uma vez saiu da área para afastar com os pés, como um segundo líbero.

A grande sacada tática húngara era a intensa e inédita movimentação, combinada com a frágil marcação inglesa. O lance que é a epítome do jogo e do modelo húngaro é o terceiro gol, o de Puskas, com a limpada para trás (o drag-back) que dizimou o capitão Wright e a armada inglesa. Nele, o ponta-esquerda Czibor vai ao fundo pela direita, o meia-esquerda Puskas aparece como centrovante, o ponta-direita Budai arma como meia.

No frigir das bolas: futebol total, 20 anos da Laranja Mecânica holandesa.

AGRADECIMENTOS: GUSTAVO ROMAN (gugaroman@hotmail.com] – pelas imagens, e André Rocha, pela idéia.

Lopes; Éder Luís e Diego Tardelli

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Um dos maiores potenciais jogados fora dos últimos anos, Lopes tem a enésima oportunidade de ainda tentar ser o que poderia ter sido. Chance que Diego Tardelli, bem mais jovem, vem desperdiçando há quase cinco anos – embora tenha mais títulos a celebrar.

Éder Luís decepcionou no São Paulo. Mas é campeão do Brasil. Com moral para ganhar ritmo, retomar a velocidade, e fazer uma linha de frente que sustente um sistema defensivo que ainda vai demorar a se encaixar.

Herrera e Kléber

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Herrera do Corinthians pode ser titular no Grêmio-09. O da primeira passagem pelo Olímpico, não.

O Kléber do primeiro semestre de 2008 é titular absoluto no Inter. Como poderia ser Marcelo Cordeiro, desde agora. A linha de quatro defensiva tão acanhada com Bolívar e Marcão, no RS-09, tem travado um pouco a fluência da equipe. Mas merece o crédito pela campanha de 2008. Apenas Tite não pode emular Abelão e se atrelar a um time que deu (mais um) título histórico.

Sport 100%

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sai ano, entra ano, o Pernambucano tem sido uma prova para saber qual recorde o Sport irá bater.

E, em 2009, ainda tem Libertadores, mais uma vez na vida rubro-negra.

Náutico e Santa Cruz que se virem, que se ralem, que se joguem e resolvam jogar.

Santos 1 x 1 Mirassol

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Dois gols estranhos definiram o decepcionante empate santista na Vila.

Pode ser um alerta para as chuteiras se acertarem no Santos. Algo que deve dar liga quando Bolaños puder estrear. Com ele em campo, Márcio Fernandes pode manter a aperfeiçoar o 4-2-3-1 usado: Souto e Brum marcam como volantes; Madson, Lúcio Flávio e Bolaños armam para Kléber Pereira.

Dá time. Só falta reforçar a lateral direita.

Palmeiras 5 x 1 Real Potosí

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O ala-direito Gatti Ribeiro lembra Maradona – hoje. Jogador de seleção, teve seus bons momentos – há sete anos. Ontem, no Palestra, ajudou o meia Willians a criar os melhores lances da boa vitória palmeirense.

Com Edmilson, o Palmeiras ganha a bola longa e a inversão de lances; com Fabinho e Armero, dois alas abusados, que podem jogar abertos ou por dentro (embora Wendel feche melhor o meio); Cleiton Xavier tem se superado no combate como volante que sai, e encantado na eficiência de um gol por jogo; Diego Souza inicia a temporada melhor do que costuma fazer. Willians, em cima de Gatti, aberto pela esquerda, foi o canal para Keirrison completar os lances criados.

O Potosí é abaixo da média abaixo da altitude. Mas o Palmeiras é time para ver com carinho.

Flamengo e Botafogo vencem

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Flamengo ainda não engrenou, mas segue 100%. O duro é que em vez de se comentar o que deve ser feito para melhorar a equipe, o debate é sobre como salvar a arbitragem. Por contigência, tem beneficiado o Flamengo. Mas, de fato, tem prejudicado o futebol como um tudo. Sem margens e esperanças para melhora num oceano de mediocridades.

Mal vi o Botafogo. Mas esse é um time que só será realmente conhecido para mais de mês.

ESCREVE ANDRÉ ROCHA

http://blogs.abril.com.br/futebolearte

Bangu 1X2 Flamengo – Difícil analisar a partida sem citar a péssima arbitragem comandada por Djalma Beltrani. O Fla, novamente beneficiado (o pênalti em Maxi que resultou no gol de empate não existiu e foi o equívoco mais relevante, entre tantos outros, para ambos os lados), teve dois tempos distintos: no primeiro, organização defensiva, mas pouco poder de fogo, com exceção do pênalti perdido por Obina e da jogada antológica do folclórico atacante do Fla dentro da área adversária; no segundo, defesa escancarada e desatenta, como no gol de Rafael Soeiro (outro lance duvidoso), mas um ataque mais incisivo, com Maxi e Everton abertos pelos lados, Marcelinho Paraíba chegando de trás e Ibson mais participativo. A virada nos últimos cinco minutos foi justa pela coragem rubro-negra e a pouca ambição de um Bangu redivivo, que pode render na frente com Somália e Bruno Luiz. Mas o Flamengo, que não deve ter Juan para a próxima rodada, não precisava contar mais uma vez com os erros de um trio de árbitros tão incompetente;

Botafogo 1X0 Macaé – A chuva de verão e o gramado pesado do Engenhão atrapalharam demais o Alvinegro em sua estréia dentro de casa no Estadual. Menos mal que o gol saiu cedo, logo aos seis minutos, em passe de Léo Silva e conclusão de Victor Simões. O Macaé do técnico Dário Lourenço até tentou ameaçar, mas Renan apareceu bem e fez boas defesas, a melhor em conclusão de Jackson. Ney Franco, vendo sua equipe definhar ainda na primeira etapa, pelo esforço de jogar em um campo molhado, reforçou o meio-campo com Túlio Souza e Batista substituindo Diego e Léo Silva, e adiantou Lucas Silva para encostar em Victor Simões. Maicossuel desta vez não se destacou e o Bota jogou apenas para o gasto, confirmando os 100% de aproveitamento, só ficando atrás do Flamengo no Grupo B pelo maior número de cartões amarelos (9 a 4).

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA

Atle-Tiba

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Enquanto Keirrison joga pelo Palmeiras como se tivesse nascido no Palestra Itália, o Coxa procura um goleador. Pode ser Marcos Aurélio, de ótima passagem pelo Furacão. Se não para o clássico, para um futuro não distante.

No Furacão, as coisas começaram 100% no PR-09. E Rafael Moura, 101%. Dessas coisas que difÍceis de entender. Sinônimo de não-goleador no eixo RJ-SP, é admirado pela torcida rubro-negra. Não sem razão.

O porquê seria simples de explicar como dois mais dois são 17 nas contas públicas. Gols. Os que ele perdia, agora faz.

Simples. Mas ele segue sendo muito complicado de entender.

Guarani 0 x 2 São Paulo

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

É o melhor Guarani dos últimos anos – o que necessariamente não é um elogio para o pior momento da história do clube. Mas o time de Luciano Dias tem velocidade, gente abusada, e pode dar time.

O duro é enfrentar um rival fatalista, que só sabe vencer no Brinco desde 1997, e que segue com a sanha de vitórias impressionante. Como aconteceu contra a Lusa, o São Paulo errou passes, deu a bola ao adversário, e esperou.

Como de costume, bastou uma ponte-aérea São Paulo-Washington (ou melhor, Jorge Wágner-artilheiro) para o goleador marcar o terceiro gol na temporada – dois deles contra. No mais, o mesmo: no contragolpe, no fim, Hernanes cortou meio mundo para a canhota, e fez o gol da vitória igualzinho ao do 2 x 1 no Engenhão, no BR-08, contra o Botafogo…

Borges e Washington não foram plenamente testados. Mas podem funcionar, como já brilharam Washington e Dagoberto no Atlético Paranaense-04.

Vasco vence, Flu empata

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pimpão falou muito, mas fez. É um começo. Nilton também pode ser o início de um Vasco mais sólido no meio-campo. Ele tem bom passe e muita força física. Deve proteger uma zaga que dará quase os mesmos calos nos olhos e no coração que em 2008.

O Flu eu não vi. Creio que René também ainda não viu o time que pode fazer mais bonito em campo. Mas não com Roger como parceiro de Leandro Amaral.

MELHOR ESCREVE ANDRÉ ROCHA

http://blogs.abril.com.br/futebolearte

Os resultados foram bem distintos, mas, tanto na vitória cruzmaltina por 4 a 0 sobre o Tigres no estádio Los Larios, em Xerém, quanto no empate sem gols do Tricolor com o Madureira, no Maracanã, foi possível perceber que as equipes progrediram pouco.

As melhoras mais notáveis foram no aspecto físico e no ritmo de jogo. Os times de Dorival Jr. e René Simões mostraram mais fôlego e vigor. Obviamente, ainda não é o ideal. Mas já foi um começo.

No Vasco, Dorival Jr. trocou Léo Lima por Nilton, que marcou um gol de cabeça e deu mais poder de marcação e dinâmica à equipe, que repetiu o 4-3-2-1 da estreia, mas já demonstrou um melhor entrosamento entre os meias Alex Teixeira e Carlos Alberto e o atacante Rodrigo Pimpão, que andou falando bobagem, mas marcou seu primeiro gol pelo clube. Contra uma defesa frágil, as jogadas e os gols saíram naturalmente. Alex Teixeira ainda marcou mais um no primeiro tempo que foi mal anulado pela arbitragem. Depois da expulsão do volante Marquinhos, o Tigres se entregou e Faioli, que substituiu Alex Teixeira, marcou mais dois e fechou a goleada.

Mas a defesa continua inspirando cuidados. Paulo Sérgio deixa espaços às suas costas, Fernando é lento demais, Titi vacila nas jogadas aéreas e Amaral, atuando quase como um terceiro zagueiro, andou aprontando das suas, como na “pixotada” dentro da área vascaína que acabou nos pés do “imortal” Sorato, que pegou mal na bola e perdeu um gol inacreditável. Fosse contra um ataque mais eficiente e o Vasco sofreria mais uma vez com os erros de sua retaguarda.

René Simões manteve a escalação do Flu, mas tentou algumas variações, como a inversão de posicionamento de Luiz Alberto e Edcarlos na zaga, a movimentação dos meias Leandro Domingues e Conca e a postura um pouco mais cautelosa de Diguinho, que deu um suporte maior a Jaílton na contenção. Além disso, o apoio dos laterais Wellington Monteiro e Leandro passou a ser de forma alternada, sem expor tanto os zagueiros.

Porém, ainda falta poder de fogo ao Tricolor carioca. Leandro Amaral parece ainda fora de forma e Roger, definitivamente, não é o atacante que o Flu precisa como referência na área adversária. Contra um Madureira bastante fechado, o Flu só melhorou depois das entradas de Maicon e Tartá nas vagas de Roger e Diguinho (Marquinhos também entrou, substituindo o apagado Leandro Domingues, mas pouco acrescentou). Com mais velocidade e jogo vertical, o Fluminense cresceu na partida, mas não encontrou o gol salvador. No final, buscando o ataque de forma desordenada, o Flu quase foi surpreendido em contragolpes, mas Fernando Henrique garantiu sua equipe com ótima defesa em chute forte de Claudemir.

Não é momento de euforia em São Januário nem de desespero nas Laranjeiras. As equipes mostraram que podem progredir e que o trabalho deve continuar.

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA