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Arquivo de junho de 2008

BOTA-TEIMA – Rodada 8

segunda-feira, 30 de junho de 2008



[[[[[A INTENÇÃO DO BOTA-TEIMA É LISTAR ERROS DE ARBITRAGEM – OU LANCES EM QUE INTERPRETEI, COM A AJUDA DA TV, DE FORMA DIFERENTE; O ESPAÇO É LIVRE PARA DETONAR O APITO E ESTE QUE VOS BLOGA. PARTICIPE.
AO FINAL DAS CONTAS, FAÇO UM SALDO DOS ERROS IMPORTANTES QUE TIRARAM – OU BOTARAM – PONTOS DOS TIMES.
DIFICILMENTE ESTARÃO LISTADOS LANCES DE EXPULSÃO]]]]]


PORTUGUESA 0 X 0 SANTOS –
Portuguesa prejudicada –
Carlos Eugênio Símon (RS) não marca pênalti em Diogo, que foi puxado pela camisa dentro da área, aos 2min do 2º. Tempo.
(Mas ele e o assistente Márcio Luiz Augusto (SP) acertam ao anular lance que daria em gol de Washington, no primeiro tempo. Edno estava impedido no início da jogada. Jogada difícil e muito bem marcada, mas pouco observada pela maioria).

VASCO 4 X 2 IPATINGA –
Ipatinga prejudicado –
Héber Roberto Lopes (PR) marca pênalti que foi fora da área, em Leandro Amaral.
Vasco prejudicado –
Pênalti em Leandro Amaral não foi marcado.

PALMEIRAS 2 X 0 NÁUTICO –
Náutico prejudicado –
Djalma Beltrami (RJ) marca pênalti inexistente de Itaqui em Élder Granja, que se atirou na área, aos 46min.

GRÊMIO 1 X 1 INTERNACIONAL –
Grêmio prejudicado –
Alício Pena Jr. (MG) e o assistente Alessandro Matos (BA) não observam que Nilmar estava impedido e participou do lance do gol de Índio.
Mas a dupla acerta ao marcar o pênalti e expulsar o goleiro colorado Renan por falta violenta e desnecessária. Mérito para Alessandro, que viu o que Alicio não enxergara.

CRUZEIRO 1 X 1 SÃO PAULO
Marcelo de Lima Henrique (RJ) nada marca quando o são-paulino Éder Luís cai na área em disputa com zagueiro do Cruzeiro. Eu também não marcaria pênalti. E, talvez, nem a falta discutível.

ATLÉTICO-PR 1 X 1 CORITIBA –
Paulo César Oliveira (SP) e o assistente Gilson Coutinho (PR) não marcam impedimento do alviverde Marcos Tamandaré no gol de empate do Coxa. Lance dificílimo.


[[[[[SALDO TOTAL DEPOIS DE 8 RODADAS]]]]

QUATRO PONTOS A MENOS: Grêmio

TRÊS PONTOS A MENOS: Coritiba

DOIS PONTOS A MENOS: Atlético-MG, Figueirense

UM PONTO A MENOS: Fluminense, São Paulo, Vasco, Botafogo, Portuguesa, Atlético-PR

UM PONTO A MAIS: Flamengo, Santos

DOIS PONTOS A MAIS: Palmeiras, Sport,

TRÊS PONTOS A MAIS: Cruzeiro, Internacional

Palop e Arconada

segunda-feira, 30 de junho de 2008


Palop é muito bom goleiro. É o terceiro da equipe campeã européia. Ser reserva do enorme Casillas e do ótimo Reina é uma honra.

Mas nada foi mais bonito na bela festa espanhola em Viena que a camisa que Palop vestiu ao receber a medalha e o caneco da Euro: ele estava com a camisa verde de Luis Miguel Arconada, ótimo goleiro espanhol dos anos 70-80, bandeira da Real Sociedad por 15 anos, arqueiro da Fúria entre 1977-85.

Famoso, também, por falhar feio no gol decisivo da Euro-84, vencida pela França de Michel Platini. Hoje, presidente da Uefa. Ontem, o cartola que colocou no peito de Palop vestido de Arconada a medalha de campeão europeu.

A camisa usada era exatamente a que Arconada vestiu na decisão do Parque dos Príncipes, em Paris, em 1984. Ela foi dada pelo goleiro basco ao jornalista José Miguel Muñoz, que trabalha no Sevilla com Palop, e tem um blog só para falar de Arconada. Ao receber o presente do jornalista, Andrés Palop prometeu que usaria a camisa original de Arconada se tudo desse certo em Viena. Como deu.

São homenagens como essa que nos fazem acreditar que o futebol pode ser melhor, que os futebolistas serão ainda melhor se respeitarem campeões e vices. E reverenciarem a própria história.

P.S. – Veja em
http://www.youtube.com/watch?v=yVyk3Sy9Keg
o gol de Platini, em cobrança de falta, aos 12min do 2o.tempo.
Bellone ampliaria aos 45min.
Até a falha no primeiro gol, quando deixou a falta de Platini escapar por baixo do corpo, Arconada era o melhor goleiro da Euro.
Até hoje, esse gol é chamado na Espanha como o “Gol de Arconada”. E outros termos ainda piores com o basco.

Rodada 8

segunda-feira, 30 de junho de 2008


SPORT 1 X 2 FLAMENGO – Ganhar do campeão da Copa do Brasil não é para qualquer um. Na Ilha do Retiro, menos ainda. E quando vence o líder do Brasileirão que sentia certos traumas fora do Maracanã, é prova de que a ótima fase não é passageira. O Flamengo está na ponta por mérito. Com Juan voando, armando e atacando, um volante precisa dar um pé a Fábio Luciano e Angelim. Como Leo Moura tem o mesmo potencial, melhor soltá-lo à direita. Toró se vira para garantir essa cobertura. Mas, por falta de melhores opções na entrada da área, talvez seja a vez de… Jaílton! Será? O Sport que encerre as festas e volte a campo.

GRÊMIO 1 X 1 INTER – O primeiro gol colorado foi irregular – Nilmar estava impedido. Mas a atuação do Inter foi ótima. Segura na defesa, letal no contragolpe. Caminhava para grande vitória no Gre-Nal 370 quando o excelente Renan fez pênalti tolo em Rodrigo Mendes e entregou a vitória que estava aos pés do Inter. Um time que não deixou o Grêmio jogar.

CRUZEIRO 1 X 1 SÃO PAULO – Primeiro tempo azul, um gol relâmpago no reinício tricolor. Placar justo. Pelas circunstâncias, o São Paulo voltou com um empate do Mineirão onde não perde há 4 anos; o Cruzeiro perdeu dois, também pelo segundo tempo pouco criativo. Muricy tem boas opções ofensivas no banco para dar velocidade. Adilson ainda carece de maior rodagem do jovem elenco.

PALMEIRAS 2 X 0 NÁUTICO – O placar foi injusto com a qualidade e quantidade de jogo do Verdão, em sua melhor exibição no BR-08. Mas também foi injusto com o Náutico, que não cometeu o pênalti convertido pelo artilheiro Alex Mineiro. Leandro Machado segurou demais o Timbu no primeiro tempo. Quando saiu para o jogo, deu o contragolpe e o golaço a Denilson, do Palmeiras que pela primeira vez chegou ao G-4. Com pinta de que vai permanecer por bom tempo.

VITÓRIA 3 X 0 GOIÁS – Antes do BR-08, era um confronto entre dois dos tantos candidatos a brigar para não cair. Pela bela vitória baiana, a bucha está com o Goiás. O Vitória, à base da velocidade e da boa saída pelos cantos, vai achando seu jogo. Já é o quinto colocado. A melhor surpresa do BR-08 com a queda do Náutico (o próprio Leandro Machado admite que o G-4 era demais para o atual estágio do elenco alvirrubro).

PORTUGUESA 0 X 0 SANTOS – Em casa, contra um Santos derrubado, era jogo para a Lusa mostrar que poderia sonhar com dias e jogos melhores. Mas foi um pesadelo o clássico no Canindé. Se faltou um pênalti em Diogo, faltou bola aos dois times. Cuca ainda ganhará bons reforços para mudar o seu azar. A Lusa é uma incógnita.

VASCO 4 X 2 IPATINGA – Foi o último jogo de Eurico Miranda soltando baforadas em seu bunker em São Januário. Foi uma vitória mais complicada que o esperado, também pela arbitragem atrapalhada. O Ipatinga foi o de sempre. O Vasco poderia ter sido melhor.

ATLÉTICO-PR 1 X 1 CORITIBA – Marcos Tamandaré estava impedido no gol de empate do Coxa, no fim de um bom clássico, na Arena. Lance difícil de ser observado. Há como discutir uma bola na mão/mão na bola de Carlinhos Paraíba. E há como entender o Furacão mais forte com o retorno de Ferreira, com o bom jogo de Márcio Azevedo pela lateral esquerda, e com a vontade ofensiva de Roberto Fernandes. Similar a de Dorival Júnior que, desta vez, optou por um esquema mais retraído. E saiu do campo rival com o empate que queria.

FIGUEIRENSE 1 X 1 ATLÉTICO-MG – Gallo conhece o Figueira que travou em Floripa, com um belo gol de Petkovic. Mas o estreante PC Gusmão sabe como é seu time? Ele é o terceiro treinador do clube em apenas 8 rodadas. Fica difícil acertar a mão e os pés catarinenses. Mas o time se mexeu legal, com mais uma boa atuação de Cleiton Xavier. O Galo é que não se achou. E ainda deve pontos e bola. Continua sem vencer fora de casa. E não achou um atacante confiável – os dois moleques não podem ser cobrados se falta qualidade na armação.

BOTAFOGO 0 X 0 FLUMINENSE – O Tricolor pode celebrar o empate com uma atuação até que bastante razoável de seu time reserva – mas precisar estar atento pela lanterna mantida na oitava rodada; o Botafogo deve lamentar a atuação e o placar. E as perspectivas no BR-08. Os clássicos do fim de semana de Rio e São Paulo foram abaixo da média. Para não escrever outra coisa.

Seleção da Euro

segunda-feira, 30 de junho de 2008



Buffon (Itália) – Casillas foi perfeito, impressionante nos pênaltis, mas foi o goleiro menos acionado da Euro – estatísticas oficiais. Buffon e Van der Sar trabalharam mais;

Sergio Ramos (Espanha), Marchena (Espanha, zagueiro-esquerdo que entra por ter sido uma Copa de poucos zagueiros), Chielini (Itália, a mesma história) e Zhirkov (Rússia, tão ofensivo quanto Lahm, falhou menos que o alemão);

Marcos Senna (Espanha, excepcional Euro) e Xavi (Espanha, ótimo como volante e como armador);

Silva (Espanha, pela esquerda ou direita, um winger abusado, técnico e tático) e Sneijder (Holanda, Euro perfeita até a queda);

Villa (Espanha, artilheiro, raçudo e tático, o mais regular do time, atuando como meia-atacante) e Torres (Espanha, letal, mesmo quando ilhado, e mais regular que Arshavin, que fez duas belas partidas, e sumiu contra os espanóis – como Podolski e Schweinsteiger)

CRAQUE DO DIA: Xavi (Espanha, soberbo na decisão, onde atuou como volante e como meia, no final)
CRAQUE DA EURO: Villa (Espanha)


“RESERVAS” DA EURO
GOLEIROS: Van der Sar (Holanda) e Casillas (Espanha);
LATERAIS-DIREITOS: Corluka (Croácia), Altintop (Turquia)
ZAGUEIROS-DIREITOS: Pepe (Portugal), Puyol (Espanha)
ZAGUEIROS-ESQUERDOS: Mathijsen (Holanda), Simunic (Croácia)
LATERAIS-ESQUERDOS: Lahm (Alemanha), Pranijc (Croácia)
MEIO-CAMPISTAS (volantes, armadores e wingers): Fábregas (Espanha), Van der Vaart (Holanda), Schweinsteiger (Alemanha), Podolski (Alemanha), Deco (Portugal), Iniesta (Espanha), Modric (Croácia), Ballack (Alemanha), Robben (Holanda), Van Persie (Holanda)
ATACANTES: Arshavin (Rússia), Nihat (Turquia), Pavlyuchenko (Rússia),

Espanha 1 x 0 Alemanha

domingo, 29 de junho de 2008


O futebol tem lógica. O melhor time vence. A Espanha fez uma Euro muito melhor que a Alemanha e leva para casa o bi europeu, sem derrotas, com cinco vitórias, um empate, o melhor ataque, a melhor defesa, o artilheiro, o goleiro menos acionado, e os melhores jogadores. A camisa não pesou. A bola, sim.

A Espanha teve a escalação esperada, sem Villa: um 4-2-3-1 sem a bola que se tornava um 4-1-4-1 com o avanço de Xavi (mais contido que no show sobre os russos). Nos primeiros 10min, a Alemanha foi melhor, impondo o jogo e com a marcação alta. Mas pouco produziu. E ainda menos realizou quando Silva virou um winger pela direita, com Iniesta fixo pela esquerda. Desse modo, Lahm teve o circuito cortado (Silva é mais incisivo). Sem o lateral para apoiar, o 4-2-3-1 alemão teve dificuldades para fluir. Frings e Hitzlsperger iniciaram pouco o jogo. Ballack se perdeu em Marcos Senna e com Xavi como back-up, e Sergio Ramos e Capdevilla foram notáveis no cerco a Schweinsteiger e Podolski. Klose acabou ilhado. E sem chances contra Puyol e Marchena, de firmes atuações.

Tanto que, nos primeiros 45 minutos, Casillas pouco trabalhou. Chance de gol, mesmo, só espanholas. Uma cabeçada de Torres na trave direita de Lehmann, aos 22min. E se Torres ganhou no alto da torre de 1,98m chamada Mertesacker, imagine por baixo. Aos 32min, belo lançamento de Xavi era mais para o lateral Lahm do que para Torres. Mas, uma vez mais, o ótimo alemão falhou na defesa, Niño se aproveitou e jogou por cima do goleiro alemão. 1 a 0 Espanha. Justo, num jogo mais marcado que jogado, com cada equipe ficando com a bola por 50% do tempo.

No segundo tempo, Lahm foi sacrificado para a entrada de Jansen, titular da posição no início da Euro. Seguiu igual. Com 8min, depois de um escanteio, Silva perdeu ótima chance. A Espanha jogava como se estivesse perdendo. A Alemanha apenas especulava no contragolpe. Aos 9min, Xavi clonou o lance do gol, em enfiada para Torres. Desta vez, Lehmann se antecipou.

Aos 12min, Löwe se lançou ao ataque. Tirou o apagado volante-esquerdo Hitlzsperger e enfiou o atacante Kevin Kuranyi. Passou a atuar num 4-1-3-2, com Frings como cabeça de área, os três meias fazendo o mesmo jogo, e Klose e Kuranyi à frente. Com 14min, Ballack teve a primeira oportunidade boa da Alemanha. Ainda não por causa da entrada do segundo atacante, mas por contigência de jogo. A que fez com que Aragonés respondesse com o volante Xabi Alonso no lugar do criativo Fábregas, aos 17min. Não era o caso. O volante entrou na função de Xavi, pela esquerda, liberando Xavi para armar no lugar de Fábregas.

A entrada de Cazorla, aos 21min, foi boa. Silva parecia cansado, estava nervoso, e já não conseguia conter o apoio de Jansen. Cazorla sabe marcar pela direita, e ainda joga. Aos 22, Sergio Ramos e Iniesta tiveram duas ótimas oportunidades, salvas por Lehmann e Frings. Um minuto depois, Iniesta só não ampilou – de bico – porque mais uma vez o goleiro alemão foi bem.

Aos 32min, esgotado, e amarelado, Torres saiu para a entrada de Güiza. Só dava Espanha. A Alemanha tentou no desespero com a Gómez no lugar de Klose, na frente. Mas estava pregada fisicamente. Diferentemente da Espanha, que mesmo jogando mais minutos e com menos descanso, é um time mais jovem, e melhor preparado fisicamente.

Precisando de um golzinho, quase mais nada fez o time alemão. Com 35min, dava para sentir que nem a tradição alemã de superação seria capaz de um milagre em Viena. Até o fim, a bola ficou sempre nos melhores pés. Os campeões.

Espanha, a favorita

domingo, 29 de junho de 2008


Antes de tudo: como Beting, sou bisneto de alemães. Torço sempre pela Alemanha (e pela Itália, por ter dupla nacionalidade).
Hoje, pela camisa, Deutschland.
Mas, pela bola, sou Espanha. A melhor que vi jogar desde 1974.

A equipe mais notável da Euro. Disparada pelos números: melhor ataque (11 gols, segunda melhor média – 2,2 -, e a quemais gols marcou de fora da área, também); time que mais finaliza (20 por jogo); seleção que mais ataca (20, em média); que mais e melhor passa (81% de eficiência); segunda melhor média de gols sofridos (0,6); e o goleiro menos acionado (1,8 defesas por partida).

Pelas contas oficiais da Uefa, a Espanha ataca mais pela direita (normalmente com S.Ramos, Iniesta e Torres caindo por ali) e um pouco menos pela esquerda (com Capdevilla, Silva e quem mais aparecer). Por dentro, os números são inferiores. Mas ainda melhores que os rivais.

A Espanha fica 54% do jogo com a bola aos pés. Só perde para Portugal, que ficou 55%.

Nas faltas cometidas, a Alemanha é a mais disciplinada do torneio – apenas 14 por partida; a Espanha cometeu 19 (e sofreu o mesmo número). A equipe mais faltosa foi a da Polônia, com 22. A seleção que mais apanhou foi a Suíça, com 23 faltas – vai entender…

A Espanha lidera no número de passes e no acerto deles. Também faz mais passes longos e de meia-distância, e acerta bem mais que os rivais. Só nos passes curtos perde para a tradicional escola holandesa. E por pouco.

O time de Luis Aragonés tem o artilheiro da Euro (Villa, com 4 gols marcados em 345 minutos), tem o assistente da competição (Fábregas, com 3 passes para gols em apenas 289 minutos em campo), e o volante que mais bateu: Marcos Senna cometeu 14 infrações em 403 minutos.

Na interessante relação de passes entre dois jogadores, fora as trocas de bola laterais entre zagueiros e as jogadas entre volantes, a Espanha aparece na primeira posição mais ofensiva, com o volante Xavi passando a bola para o winger David Silva por 36 vezes na Euro. Seguem o winger Podolski para o meia Ballack por 27 vezes, e os meias Van der Vaart e Sneijder, por 26 oportunidades.

LUIS ARAGONÉS – Meia-atacante, atuou entre 1957 e 1974, quando pendurou as chuteiras no Atlético de Madrid, onde marcou 123 gols em 10 anos. Jogou 11 vezes pela Fúria. Zapatones era um especialista em cobranças de falta. Foi Pichichi em 1970.
Começou a carreira de treinador no mesmo Atlético, onde ganhou o apelido “O Sábio de Hortaleza” (local em que nasceu, em Madri). Exceto o Real Madrid (onde chegou a atuar na base, como atleta), dirigiu todos os grandes clubes espanhóis. Desde 2004 comanda a Espanha. Após a Euro, irá substituir Zico, no Fenerbahçe.
Aos 69 anos, enfim acertou a mão com a Seleção, fazendo um time que combina jogo bonito, criatividade, sede por gols, eficiência defensiva. E com potencial para crescimento nos próximos anos.
Aragonés deixou fora da lista craques-bandeira como Raúl. E foi feliz. Até a criticável defesa faz ótima Euro. Baseado em algo parecido a um 4-2-3-1 tipicamente espanhol, faz variantes táticas interessantes: os bons laterais podem aparecer à frente, garantidos pela excelente fase de Marcos Senna na cabeça da área; eventualmente, Xavi dá um pé mais atrás, pela esquerda. Mas, normalmente, o catalão sai para o jogo, juntando-se ao meio-campo formado pelos wingers Iniesta e David Silva, que trocam de lado constantemente.
Mais à frente, Villa forma dupla com Torres. Ou formava, porque, machucado, perderá a final.
illa é um meia-atacante que fica pouco atrás do Niño do Liverpool. Algo como um 4-2-2-1-1. Extremamente ágil e dinâmico, pela qualidade dos componentes do esquema.
No espetacular segundo tempo contra os russos, definido por Franz Beckenbauer como “o melhor que vi nos últimos 10 anos”, o excelente Fábregas (o melhor jogador revelado na Espanha nos últimos anos) foi um quarto homem de meio. O esquema se transformou num 4-1-4-1.
M.Senna foi o volante, uma linha de quatro com Iniesta, Fábregas, Xavi e Silva se formou atrás de Torres. E deu show.


CASILLAS – Não é muito alto (1,85m). É muito jovem ainda (27). Puxado por Hiddink para o time de cima do Real Madrid em 1998, já conta 311 partidas merengues. Foi o mais jovem titular de uma final de Champions League. E tem tudo para quebrar vários recordes até o final da brilhante carreira. Assinou um contrato “vitalício” com o Real Madrid atré 2017, clube onde começou com 9 anos. Na seleção, ainda está atrás de Zubizarreta, que jogou 126 partidas. Mas deve superá-lo, como já o venceu sob os paus. Sereno, dono de ótima colocação e impulsão, melhora a cada ano. Faz excelente Euro. Catou dos pênaltis contra a Itália encerrando o trauma de cair nesse tipo de disputa. Além de já ter ganho tudo que é possível pelo Real Madrid, foi campeão europeu sub-15 e sub-17 pela Espanha. E campeão mundial sub-20, em 1999. Será essencial contra o jogo aéreo alemão.

SERGIO RAMOS (15) – Lateral-direito do Real Madrid, 22 anos, 1,83, pode ser zagueiro e volante, como foi no Sevilla. Faz ótima Euro. Marca com correção e apóia na boa. Terá problemas com a boa fase de Podolski, que corta em diagonal – fora o apoio de Lahm. Interessa ao Manchester United, mas deve permanecer na Espanha.

PUYOL (5) – Zagueiro-direito e lateral do Barça, capitão blaugrana, o raçudo e rápido jogador é amado pela torcida, e não muito pelos rivais. No mano a mano, se perde fácil. Na infância, era goleiro. Teve problemas nos ombros e virou atacante. Virou zagueiro na base do Barcelona. Como profissional, pelo Barça, atua desde 1999. Na seleção, desde 2000. Terá sérios problemas contra Klose. Mas ele e o time parecem iluminados.

MARCHENA (4) – 1,83m, 28 anos, o experiente zagueiro-esquerdo e volante do Valencia faz ótima Euro. Está na minha seleção da competição. Uma surpresa para mim e para a torcida espanhola. O miolo de zaga era a grande preocupação e, hoje, tem a segunda melhor média de gols da Euro. Desde 2002 atua pela Espanha. Outro que terá problemas contra Klose e Schweinsteiger, quando pintar em diagonal. Atuou na temporada ruim do Valencia mais como volante que como zagueiro.

CAPDEVILLA (11) – Melhor lateral-esquerdo do Espanhol pela Villarreal, 1,85m, 30 anos, pode atuar como winger. Foi o zagueiro que mais gols fez na Liga espanhola 07-08. Bom no apoio, tem melhorado na defesa, e feito boa Euro. Será essencial na contenção a Schweinsteiger e no combate ao jogo aéreo alemão. Desde 2002 joga pela Espanha.

MARCOS SENNA (19) – O brasileiro de Caieiras, São Paulo, tem 31 anos, 1,75m. Jogou pelo Rio Branco de Americana, América de Rio Preto, Corinthians, Juventude e São Caetano até ser vendido para o Villarreal, em 2002. Em 2006, naturalizou-se espanhol e jogou a Copa. Mas nunca jogou tanto como agora. Melhor volante da Euro, é o único de fato e de ofício de Aragonés (que o idolatra). Marca duro, e não faz feio com a bola aos pés. Pelo que tem jogado, poderia até atuar pelo Brasil – de Dunga. Mas não antes. Nem depois.

XAVI (8) – Volante ou meia do Barcelona, 28 anos, 1,70m, é veloz, tem boa habilidade, chega bem à área e, pela esquerda, ajuda Marcos Senna na contenção. Um meio-campista que sabe fazer de tudo, e bem. Há 10 anos atua pelo time de cima do Barça. Se Ballack vier para o jogo, será o back-up de Senna na contenção ao meia alemão. Caso contrário, inicia o jogo do time, pelo meio. Com a Fúria, recupera-se de uma temporada ruim com o Barcelona.

INIESTA (6) – 24 anos, 1,70m, no Barça onde joga desde 2002 já foi ponta-direita, ponta-esquerda, meia e volante. Na seleção, é o winger pela direita. E também pela esquerda. Deverá fazer belo duelo com Lahm. Joga, arma e marca. Outro que sabe fazer muitas coisas em campo. O Real Madrid pensa nele. Mas Andrés já declarou que, ao se aposentar, quer seguir ligado ao Barcelona.

FÁBREGAS (10) – A maior perda do B

1958 – Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil

sexta-feira, 27 de junho de 2008



– Chega! Eu nunca mais vou jogar futebol. O que nós jogamos não é isso. Futebol é o que ele jogam.

Depois de atirar as chuteiras na parede, no vestiário do Nya Ullevi, em Gotemburgo, o zagueiro soviético Kuznetsov desabafou para os companheiros derrotados pelo Brasil por 2 a 0. A história é contada por Viktor Tsarev, companheiro de infortúnio naquele 15 de junho sueco. No dia em que o Brasil jogou os cinco minutos iniciais mais fabulosos do futebol. Uma das histórias de “1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”, documentário de José Carlos Asbeg, em cartaz no Rio e em São Paulo.

Obrigatório não apenas como reverência, mas como referência para quem ama o futebol que ficou ainda mais amável com aquele jogo e com aqueles esportistas. Como os so-viéticos que, no dia seguinte, foram à concentração brasileira, com chocolates e frutas, parabenizar os vitoriosos, e ainda se desculpar por uma entrada mais dura em Vavá, no segundo gol brasileiro. Como os suecos que estenderam lonas na grande área para pro-tegê-la da chuva pesada no dia da final. Como os torcedores da casa que aplaudiram o Brasil que vencia de goleada, como lembra Zito:

– A nossa maior vitória foi o Brasil ganhando deles e o estádio inteiro nos aplaudindo.

E nenhum jogador da Suécia reclamou que a torcida aplaudia o Messi, ops, o Garrincha e companhia ilimitada.

O ótimo da produção (com cenas históricas das partidas e recriações bem realizadas nos campos do Madureira e do Rio Cricket), é o depoimento dos atletas deles dos nossos jogos e jogadores. É a visão do outro lado do placar. Algo que normalmente não damos pelota alguma num país de futebol insolente e administração prepotente; para nós, pen-tacampeões a partir de 1958, não é o rival que nos vence. É o Brasil que perde, empata e ganha. Não importa o adversário.

O bom do filme de Asbeg é que levanta não só a nossa bola inflada pelos rivais; apre-senta a versão que, muitas vezes, jogamos para debaixo do gramado. Como o perônio direito quebrado do zagueiro francês Joncquet, quando a semifinal ainda estava empata-da por 1 a 1.

Lance forte – mas não intencional – de Vavá. Jogada que deixou os franceses com um jogador a menos – à época, não havia substituição. A jogada é mostrada a debatida co-mo raramente se fala e se vê na imprensa brasileira. Algo que, confesso, só fui saber de belho. Porque pouco se tratava de fato capital nos textos que lia e nas história que ouvia de 1958.

Vavá não pareceu ser maldoso. Foi duro. Como é duro ver tanta gente ótima esquecida e só resgatada pelo amor de torcedores como Asbeg. Que sabe o que mostra. E mostra que sabe de bola e de jornalismo.

P.S. – Pelas entrevistas, o nome do filme foi tirado de boa sacada do jornalista Paulo Planet Buarque, do triunvirato que bolou o planejamento para a conquista do primeiro caneco mundial.

Alemanha finalista

sexta-feira, 27 de junho de 2008



Terceiro melhor ataque (10 gols), semifinalista que menos finaliza (11,6 por partida, superior apenas a quatro seleções!), quarta equipe que menos ataca (10 vezes por partida), terceiro goleiro que mais trabalha, a Alemanha fica com a bola menos tempo que outras oito equipes.

Pelos números, não poderia ir longe na Euro. Mas é a Alemanha. Que, pelo futebol, mereceu eliminar Portugal e Turquia. Mas, fora a camisa, não merece ir além do vice-campeonato. Bate menos que a Espanha (14 faltas por jogo), e apanha menos (recebe 16 por partida). O mais faltoso da competição é Ballack – também o terceiro que mais apanha. Normal.

JOACHIM LÖWE – Ex-auxiliar de Klinsmann, 48 anos, meio-campista ofensiva quando jogava (1978-1995), treinador desde 1994, Jogi amava o 4-4-2 que usou na primeira fase. Resolveu mudar para um 4-2-3-1 que espelhava Portugal, nas quartas. Amassou o time de Felipão e nesse sistema prosseguiu também na vitória sobre a Turquia. Da equipe que considerava ideal, trocou o lateral-esquerdo Jansen por Lahm, que saiu da direita para dar vez ao mais consistente Friedrich.
Se manteve os quatro da zaga em linha regularmente alta, trancou mais o meio com dois volantes. Pela contusão de Frings, começou com Rolfes. Com a saída dele, deve fazer retornar o ótimo volante que também garante mais saída e experiência. Ao lado, Hitzlsperger, canhoto que sabe distribuir bem o jogo (deu a assistência para o golaço de Lahm, o decisivo, contra os turcos).
Nesse novo 4-2-3-1, Löwe avançou Ballack, que era o meio-campista pela esquerda, mais defensivo que o usual. Desse modo, aproveita o poder de finalização de seu principal jogador, sem perder a força defensiva. O motivo que prendia Löwe e Ballack ao 4-4-2 ortodoxo.
Com os os wingers ofensivos como Schweinsteiger e Podolski (atacante que tem se saído muito bem vindo de trás, pela esquerda), Klose não fica isolado. Como também não teve grande companhia com um pálido Mário Gómez no início da competição.

LEHMANN (1) – 1,90m, 38, reserva do Arsenal (atuou apenas 7 vezes), irá jogar no Stuttgart. Ano de contusões e de banco, demorou a voltar à boa forma. Mas não foi bem contra os turcos. Ótimo para orientar os zagueiros, porém, não tem passado a confiança da Copa-06. Estuda os pênaltis dos rivais. Merece respeito.

FRIEDRICH (3) – Lateral-direito de 29 anos, 1,85m, capitão do Hertha Berlin, titular na campanha terceira colocada em 2006, ganhou a vaga na experiência e na regularidade. Jamais será o melhor do time. Nem o pior. Rápido, ainda assim terá problemas com David Silva e até com a boa fase de Capdevilla. Schweinsteiger irá garantir a saída alemã pelo lado direito.

MERTESACKER (17) – Apenas 23 anos, enormes 1,98m, o zagueiro-direito do Werder Bremen sabe o que é superação. Na estréia como profissional pelo Hannover 96, fez um gol contra e quebrou o nariz. Só isso. Fez boa Copa, e sabe usar a altura, sem ser um horror por baixo. Mas terá problemas com Torres, em ótima fase.

METZELDER (21) – A outra torre alemã (1,93m), com 27 anos, atuou apenas nove vezes na temporada do Real Madrid. Teve de operar a sola do pé. Ano complicado, mas faz boa Euro – também pela sintonia fina, por vezes grossa, com Mertesacker. Teve problemas contra os turcos, e poderá ter ainda mais contra os inspirados espanhóis. Boa colocação e pés eduacados para um zagueiro. Pode jogar como lateral-direito. O que, por vezes, o deixa meio torto à esquerda.

LAHM (21) – Com 1,70m, é um anão perto dos zagueiros de área alemães. Mas é o melhor dos homens de trás. Ou de frente. Porque gosta e sabe apoiar. Na marcação, por tabela, tem problemas. Iniesta terá de cercá-lo e, também, jogart às costas dele. Foi mal contra os turcos até o golaço decisivo, aos 44min. Começou a Euro na lateral direita, onde prefere atuar, por ser destro. É a posição dele no Bayern. Mas foi pela esquerda que fez ótima Copa em 2006. E, pelos dois lados, tem feito ótima Euro. Possivelmente, o melhor lateral-esquerdo alemão em 30 anos, superando nomes como Briegel e Brehme. Mas ainda muito inferior a Paul Breitner, campeão em 1974.

FRINGS (8) – 31 Anos, 1,82m, volante do Werder Bremen, sabe marcar e chegar à frente, com muita força no chute de pé direito, e muita raça no coração. Tanto que superou a parada de 7 meses por cirurgia nos ligamentos do joelho, e, agora, uma contusão nas costelas. Volante pela direita, deverá ficar de olho nos avanços de Xavi no provável 4-1-4-1 espanhol para a decisão.

HITZLSPERGER (15) – O volante-esquerdo do 4-2-3-1 de Löwe tem 26 anos E 1,83,m. Começou como profissional no Aston Villa inglês. De lá voltou para o futebol alemão, onde atua desde 2005 no Stuttgart. Reserva em 2006, começou no banco a Euro, mas ganhou lugar com a mexida tática de Löwe. Na prática, entrou no lugar de Mário Gómez (centroavante). Mas, taticamente, faz a função que era de Ballack (na marcação). Mas sem poder avançar tanto.

SCHWEINSTEIGER (7) – Além da noiva Sarah Brandner, modelo internacional, o winger do Bayern tem jogado muito. Sobretudo à direita, entrando em diagonal, no 4-2-3-1 alemão. Ele e Podolski não deixam Klose isolado. Fará duelo dos mais interessantes sem a bola com Silva, e, quando apoiar, tentará levar para dentro Capdevilla. Com apenas 23 anos e 1,83m, Bastian tem um irmão mais velho que joga na terceira divisão alemã. Desde os 13, o camisa 7 alemão atua no time de Munique. Tanto do lado direito quanto no esquerdo do meio-campo. Chuta forte de longe, tem raça, mas, por vezes, se perde na indisciplina. Costuma atuar melhor pela seleção alemã que pelo Bayern.

BALLACK (13) – Referência alemã, ótimo cabeceador e excelente chutador, Ballack alterna momentos na Euro. Foi mal contra a Turquia, muito bem contra Portugal. E está melhor como meia interno da linha de três da intermediária. Mais próximo da meta, pode se aproveitar do chute que tem, essencial na vitória sobre a Áustria. Usa muito bem o 1,88m de altura. 31 anos, atua no Chelsea. Mas ainda deve melhores partidas decisivas. Pode ser o catalizador alemão. Ou o grande vilão da equipe.

PODOLSKI (20) – Nascido na Polônia, 23 anos, 1,82m, o atacante do Bayern fez temporada pálida, como reserva. Mas atuando como winger-esquerdo de Löwe, faz ótima Euro. Terá grande duelo sem a bola com Iniesta, e problemas para passar pela ótima fase de Sergio Ramos. A mãe foi da seleção polonesa de handbal. O pai jogou futebol e foi campeão nacional em 1980. A família mudou para a Alemanha quando Lukas tinha dois anos. A imprensa polonesa pediu a convocação dele ainda em 2003. Mas o treinador da seleção Pawel Janas achou que era muito cedo dar tanto bola a um moleque que apenas começava a carreira no Colônia. Passou o tempo, e pesou a vida vivida na Alemanha. Podolski optou por jogar pelo time alemão. E por ele venceu a Polônia, na Euro, por 2 a 0. Dois gols dele. No primeiro, não celebrou. E ainda assim foi excomungado por uma igreja polonesa…

KLOSE (11) – Artilheiro da Copa-06, 30 anos, 1,82m, o centroavante do Bayern ficou ilhado mesmo com a companhia de Gómez, na primeria fase. Com a mudança de esquema, saiu ganhando. Pode passar minutos sem tocar na bola e anotar o gol decisivo. Supera-se pela seleção. É o único artilheiro da história das Copas a marcar ao menos cinco gols em dois Mundiais seguidos. Impressiona a impulsão que tem. Não faz gols bonitos. Mas faz. Como Podolski, nasceu na Polônia. Como o companheiro, teve pais esportistas; a mãe também foi goleira de handbal – a mãe de Lukas atuou igualmente na seleção polonesa; o pai também foi futebolista profissional, mas de maior sucesso, indo atuar no Auxerre no ano em que Klose nasceu. Depois de aposentado, o pai de Miroslav quis morar na Alemanha, como “aussiedler” que é (tem origem alemã, mas nasceu no Leste Europeu).

Espanha 3 x 0 Rússia

quinta-feira, 26 de junho de 2008



A Espanha perdeu seu melhor jogador na Euro com 33 minutos. Mas ganhou Fábregas, o melhor reserva da competição, para pensar o jogo que garantiu a classificação mais que justa sobre um rival que não foi o mesmo das quartas-de-final. Também porque os espanhóis já não são os mesmos. São os favoritos ao título – dentro do que é possível se apontar um favorito, dentro do que é possível ser favorito contra um time como o alemão.

O primeiro tempo foi mais equilibrado, mas ainda espanhol. Aragonés repetiu o 4-2-2-1-1 muito interessante que tem adotado: Marcos Senna protege os zagueiros que se superam e laterais que apóiam apenas na boa; ao lado dele, à esquerda, saindo um tanto mais, o múltiplo Xavi; na intermediária, trocando de lado, os ótimos Iniesta e Silva; mais à frente, Villa é um meia-atacante que fica pouco atrás de Torres. Ambos com intensa movimentação.

Exceto o suspenso zagueiro Kolodin, substituído pelo ex-titular Vasili Berezutski, a Rússia repetiu a formação da bela vitória sobre a Holanda – mas não o futebol. Arshavin não brilhou, Pavlyuchenko ficou mais isolado, Zhirkov foi travado por ótima atuação de Sérgio Ramos. Quando chegou, Casillas foi irrepreensível. O jogo era mais espanhol até 33min, quando Villa sentiu a contusão e saiu. O melhor da Euro caiu. Subiu o melhor reserva – Fábregas.

Aragonés inverteu funções para o segundo tempo. Liberou um tanto mais Fábregas para avançar por dentro, com Silva recondicionado ao lado esquerdo. Em vez do 4-2-2-1-1 do primeiro tempo, um básico 4-1-4-1. Na intermediária, a partir da direita, Iniesta, Fábregas, Xavi e Silva. Avançando Xavi, a Espanha achou o lance do gol, aos 4min, em típica arrancada do meio-campista catalão. Iniesta bateu da esquerda para dentro da área e o volante chegou finalizando com categoria.

Aos 10min, o armador mais ofensivo Bilyaletdniov entrou no lugar do armador Semshov. Um minuto depois, Hiddink foi ainda mais ao ataque com Sychev no lugar de Saenko. Mas pouco conseguiu. A Espanha foi sempre muito mais perigosa no contragolpe. Aos 23, Xabi Alonso substituiu Xavi, e Güiza foi ao ataque no lugar do cansado Torres, que fez boa partida. Mas não fez o golaço que o artilheiro do último Espanhol marcou, aos 27min, em brilhante jogada de todo o ataque, culminada com a assistência precisa do excelente Fábregas para Güiza tocar bonito e comemorar lindo o gol da mais que merecida classificação espanhola.

E teve outro golaço, do cada vez melhor Silva, que aproveitou assistência de Fabregas, aos 36min, num lance que começou num dois-toques de classe da melhor seleção espanhola que vi jogar desde 1974.

Um time que tem Fábregas como reserva merece todo o respeito e admiração.


SELEÇÃO DA EURO

Casillas (Espanha);
Lahm (Alemanha), Marchena (Espanha), Chielini (Itália) e Zhirkov (Rússia);
Marcos Senna (Espanha);
Silva (Espanha), Fábregas (Espanha) e Sneijder (Holanda);
Podolski (Alemanha) e Villa (Espanha);


CRAQUE DO DIA: Fábregas (Espanha)
CRAQUE DA EURO: Villa (Espanha)

LDU 4 X 2 FLUMINENSE

quinta-feira, 26 de junho de 2008



[[[[[[[[[MAIS DA DECISÃO NA EDIÇÃO DE SEXTA-FEIRA, NO LANCE!]]]]]]]]]]]]]]]]

Onze toques:

1. Ainda dá. Não é possível o Fluminense bisar partida tão bisonha.

2. A LDU sabe jogar. Nem tanto marcar.

3. Não havendo gol marcado como visitante, o Flu pode se atirar melhor ao ataque. E, se igualar a diferença de gols, terá mais meia hora para ganhar o título.

4. Se empatar na prorrogação, o Flu já viu as cobranças da LDU contra o San Lorenzo. Sabe onde eles batem.

5. O Tricolor sabia de todas as jogadas de bola parada do Equador. E parecia ter sido apresentado a elas no primeiro tempo pavoroso.

6. A zaga da LDU é frágil por cima. Apesar do gol de Thiago Neves, faltou explorar esse lance como eles se aproveitaram das desatenções tricolores.

7. Cevallos não garante o sono e o sonho da LDU. Fernando Henrique tem feito muito e mais um pouco. A defesa que fez no fim do jogo, à queima-luva, à frente de Urrutia, pode ser a do título.

8. Os Thiagos e todo o Flu não repetirão atuação tão ruim. E, mesmo assim, ainda conseguiram dois gols em Quito.

9. A confiança de Renato, se não for contaminada pela auto-suficiência, pode animar sem iludir o elenco.

10. O Flu marcou mal em todo o campo. Não só na defesa. Preocupa para o Rio.

11. Se faltou mais tarimba e ritmo de Libertadores, a LDU não é o Boca.