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Santos 4 x 2 Guarani – Tricampeão paulista

por Mauro Beting em 13.mai.2012 às 18:43h

 

 

Era Neymar. É tri. Será muito mais

 

 

O árbitro apitou o fim de Santos 4 x 2 Guarani. Todo o time santista estava no campo de defesa e quase toda a equipe se ajoelhou no gramado celebrando o tri. Apenas Neymar estava no campo de ataque. Ele celebrou sozinho no apito final. A imagem do título. Do tri. De Neymar. “Sozinho”, ele fez o Santos ainda mais Santos. E, meia hora depois do título, ele ficou driblando repórteres e fotógrafos aos gritos de “olé” no gramado do Morumbi. Gênio até na celebração e no marketing.

 

O time de Pelé só não ganhou três títulos estaduais entre 1958 e 1969. Com Pelé em campo, e ao menos duas gerações brilhantes, começou a ficar sem graça a justa lógica dos pontos corridos no Paulistão. Desde então foram criadas fórmulas para deixar a disputa “mais emocionante”. Ou, quem sabe, menos santista naqueles dias dourados do futebol brasileiro tricampeão mundial.

 

Mesmo com os perigos do regulamento besta do inchado e chato SP-12, o Santos entrou em campo na finalíssima no Morumbi para enfrentar o bravo Bugre como o maior favorito da história do Paulistão. Em nenhuma outra decisão se viu tamanha vantagem técnica e regulamentar. Mais ainda. Com tamanho Neymar.

 

O time de Muricy fez em 2012 uma campanha do tri típica de um time inspirado por um gênio da órbita do planeta de onde veio Pelé. E de um Ganso voltando a ser um armador digno do Santos Dele – Pelé -, e, também, de Antoninho, Del Vecchio, Jair Rosa Pinta, Pita e Diego. Um Santos com uma defesa discutível como bobeou na partida decisiva, com laterais nem sempre consistentes, com centroavantes em fase irregular.

 

Nas primeiras três partidas era o time reserva. No primeiro clássico, derrota para o Palmeiras, de virada. Mas, depois uma sequência de sete vitórias (três goleadas), até a derrota para o Mogi Mirim (campeão do interior em 2012). Derrota para o São Paulo no Morumbi com arbitragem polêmica, e partidas em que o time alternava o brilho de Neymar com a má fase de Borges e a inconstância de Ganso.

 

Mas talvez fosse o inferno astral do centenário. O primeiro dos gols dos próximos 100 anos foi obra prima de Ganso. E ele não parou mais. O Santos, também não. Vitória consistente sobre o Mogi, show de Neymar contra São Paulo e Guarani, e a confirmação do título com oito gols da Joia em quatro decisões. Repetindo 1969. E, se Neymar quiser, indo além em 2013.

 

Parabéns aos tricampeões paulistas.

 

Só pode ser tricampeão estadual em 2012 quem escalou Rafael; Henrique, Edu Dracena, Durval e Juan; Arouca; Elano e Ibson; Ganso; Alan Kardec e Neymar. E Aranha, Fucile, Maranhão, Crystian, Bruno Rodrigo, Vinicius Simon, Rafael Caldeira, Leo, Emerson, Pará, Paulo Henrique, Adriano, Alan Santos, Anderson Carvalho, Felipe Anderson, Breitner, Tiago Alves, Tiago Luís, Borges, Renteria, Dimba, com Tata e Muricy Ramalho no comando.

 

Só pode ser tricampeão paulista quem foi bicampeão em 2011 com Rafael; Jonathan, Edu Dracena, Durval e Leo; Adriano; Elano e Arouca; Ganso; Zé Eduardo e Neymar. E Aranha, Vladimir, Danilo, Pará, Crystian, Bruno Rodrigo, Vinicius Simon, Alex Sandro, Emerson, Charles, Rodrigo Possebom, Rodriguinho, Moisés, Anderson Carvalho, Alan Patrick, Robson, Felipe Anderson, Maikon Leite, Tiago Alves, Keirrison, Diogo e Dimba, dirigidos por Adilson Batista, Marcelo Martelotte e Muricy Ramalho.

 

Só pode ser tricampeão estadual quem foi campeão em 2010 com Felipe; Pará, Edu Dracena, Durval e Leo; Arouca e Wesley; Marquinhos, Ganso e Neymar; Robinho. E George Lucas, Maranhão, Bruno Aguiar, Bruno Rodrigo, Luciano Castán, Serginho, Wesley Santos, Roberto Brum, Rodrigo Mancha, Germano, Rodriguinho, Breitner, Marquinhos, Madson, Alan Patrick, Giovanni, Zé Eduardo, Marcel, Maikon Leite, Zezinho, dirigidos por Dorival Júnior.

 

Guarani 0 x 3 Santos – Visão de jogo

por Mauro Beting em 06.mai.2012 às 19:02h

 

Guarani no 4-2-2-2, quase um 4-3-1-2 sem a bola; Santos no 4-2-2-2, quase um 4-2-1-3, com Elano mais espetado pela direita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ainda não é. Mas será

 

 

NEYMAR, GANSO E CIA. Santos vence Guarani por 3 a 0 com muita tranquilidade e bota as duas mãos e os dois pés na taça de Tri paulista

 

 

Neymar cavou dois amarelos no primeiro tempo, deu apenas uma arrancada de Neymar, fez um lançamento de Ganso nos primeiros 45 minutos, fez um bom desarme na lateral direita, e não fez muito mais no primeiro tempo. Mas se não teve tanto de Neymar até então, o Santos é ainda muito mais por ter Ganso. A rigor, ele não teve um lance para lembrar. Mas, aos 42, o santista vai ter mais um golaço para celebrar e rememorar. Lance pela esquerda, confusão na área, e a sobra para o camisa 10, na entrada da área. A imensa maioria não colocaria a bola como Ganso colocou. E raríssimos fariam o golaço que fez chutando acossado pela boa marcação bugrina em um primeiro tempo equilibrado.

 

O jogo não foi fácil para o Santos. O Guarani não sentiu tanto a ausência de Fumagalli e Oziel. Bruno Peres foi bem no apoio. Medina deu velocidade ao Bugre, mas, por vezes, exagerou na pressa, no 4-2-2-2 com a bola, um 4-3-1-2 sem ela. O Santos alternou o 4-2-2-2 com um 4-2-1-3, liberando Elano pela direita. Aos 34, um lance discutível de pênalti de Domingos em Alan Kardec poderia ser marcado.

 

O Bugre atingiu a trave no primeiro minuto do segundo tempo. Manteve-se no jogo até ser desequilibrado por craques. Juan e Ganso prepararam o lance que Neymar finalizou com a categoria de um camisa 11 como João Paulo, com o faro de gol de um artilheiro como Serginho Chulapa, aos 19. E, aos 46, Neymar desmaiou como Chulapa no gol do título do SP-84, depois de mais um golaço de técnica e frieza. Quando se igualou na artilharia pós-Pelé a João Paulo e Serginho.

 

Quem duvida que Neymar não irá superá-los, e de muito, já no próximo jogo? Quem duvida que o Santos não está muito próximo de ser tri paulista e de ir além?

América, 100

por Mauro Beting em 01.mai.2012 às 10:03h

 

Decacampeão no Sudeste só tem um. Só terá o América Futebol Clube de 1916 a 1925. América Mineiro para se diferenciar dos outros Américas que fizeram o Brasil, foram muito mais fortes do que são, e, hoje, parecem civilizações pré-colombianas, de rica e comovente história, mas que virou “apenas” história.

O América era o maior de Belo Horizonte e dos maiores do Brasil quando Minas dominava o país com São Paulo no acordo político do “café com leite”. Dos anos 70 para cá, ou desde a inauguração do Mineirão, em 1965, com a ascensão do ex-americano Tostão com a camisa estrelada da Via Láctea do Cruzeiro de Dirceu Lopes, Raul, Zé Carlos e bela companhia, o América quase virou café com leite. Minguou. Murchou. Micou. Não procriou títulos e torcedores como o Coelho da mais bela das camisas brasileiras.

Derrocada que acontece no futebol, na economia, na sociedade, na vida cada vez mais competitiva. Onde até os amores que serão felizes para sempre têm fim, onde as promessas e juras de amor cobram promissórias e juros com correções monetárias e matrimoniais.

Mas torcer pelo América, como incita a campanha do centenário do clube, é “para poucos”. São mesmo cada vez menos americanos em Minas e no Brasil. Mas são poucos e ótimos. Fidelíssimos apaixonados. Amantes de um clube que pode dar alegrias como as de domingo, e pode até fazer mais na final contra o melhor e mais poderoso Atlético. Rival do Clássico das Multidões. Que não tem sido mais de duas “multidões”. Mas continua sendo clássico.

Como o América continua sendo o mesmo clube há 100 ano. Já teve dias e decacampeonatos melhores, que não devem voltar. Mas o amor do seu torcedor também não tem volta. É o que faz um bando de coelhos pingados bradar no Independência que não se perca pelo nome, no Mineirão onde começou a perder o nome, em cada canto de cada campo onde haverá ao menos um americano que valerá em paixão por tantos atleticanos e cruzeirenses.

Ele é América e ponto inicial. Como poderia ser Tymbiras. Arlequim. Guarany. Outros nomes que em 30 de abril de 1912 entraram no sorteio que deu nome ao clube de jovens da elite mineira. Contestador quando, entre 1933 e 1943, virou vermelho de luto (e de raiva) pelo profissionalismo que tomou conta do futebol, nem sempre do próprio clube.

O América abraçou além da conta o amadorismo. Nenhum outro grande se mostrou no futebol brasileiro tão contrário às relações profissionais. Talvez isso explique muitos erros desde então pelo excesso de amadorismo na pior acepção do termo. Mas, também, explica a paixão de seu torcedor. Ele é amador. Ele ama. Até na dor.

Amor não se explica e nem justifica. Amor se ama.  Amor é América.

São Paulo 1 x 3 Santos – Visão de jogo

por Mauro Beting em 29.abr.2012 às 18:34h

 

Segundo tempo, São Paulo no 3-3-1-3, e Santos no 4-3-1-2

Neymar, Neymar, Neymar!

 

BUSCA DO TRI Santos fez 3 a 1 no São Paulo no Morumbi em mais um show de Neymar, que superou o desgaste e mostrou força do time

 

 

Neymar. Ele joga outro esporte no futebol sul-americano. É um gênio de 20 anos que parece enfrentar um time de firma Sub-50. Qualquer que seja o rival. No primeiro tempo, fez oito lances de Neymar. Converteu o pênalti cometido por Paulo Miranda em Alan Kardec, aos três. Aos 31, depois de mais uma saída errada tricolor, Ganso serviu Neymar para passar Paulo Miranda como se fosse um bólido da F-Indy contra um velotrol e fez 2 a 0 Santos. Celebrando o gol como se fosse Juari, que tanto fez pela equipe alvinegra na conquista estadual, em 1978. Aos 35, Neymar driblou Piris cinco vezes até ser levantado pelo lateral tricolor. Agora, o santista homenageou Robinho contra o lateral corintiano Rogério, na final do BR-02.

 

Firula? Pouca. Provocação (muita) visando ao cartão para o rival. Faz parte do jogo. E que jogo faz Neymar. Ele foi o diferencial do clássico. É o diferencial de qualquer partida no continente. O São Paulo não jogou mal no primeiro tempo. Veio no 4-3-1-2, quase um 3-4-3, ao liberar Cortês pela esquerda e segurar Piris. O Santos o espelhava taticamente, liberando Neymar para encostar em Alan Kardec. As equipes tiveram o mesmo número de chances. Mas o Santos tinha Neymar.

 

O São Paulo voltou no 3-3-1-3, com Fernandinho na ponta, Cícero na de Jadson. O Tricolor empilhou chances e diminuiu o placar no único erro da arbitragem, aos 18, quando o impedido Willian José diminuiu. Como o fôlego santista. A viagem a Bolívia fez o Santos perder o gás. O São Paulo teve mais chances: 15 contra 8, quatro delas bem defendidas por Aranha, que entrou muito bem na meta. Diferentemente de Dênis, que aceitou um chute forte de Neymar, aos 33, e fechou o placar merecido para quem tem o maior talento dos últimos 15 anos. Para não dizer o maior dos próximos 15.

O Sarriá do Camp Nou

por Mauro Beting em 25.abr.2012 às 12:19h

 

O 24 de abril de 2012 foi o 5 de julho de 1982.

O “Sarriá” da melhor Liga dos Campeões do século – e de outro, também – aconteceu no outro estádio da capital da Catalunha – o Camp Nou. Onze do melhor time que vi contra 10 bravos do IncrediBlues e com a vantagem de 2 a 0 que classificava o campeão mundial de 2011… Barcelona que, agora, ao ceder o empate no final, não será campeão da Europa e nem da Espanha em 2012. E, ainda pior, será discutido como se fosse um time qualquer. Coisas do futebol – que esse time joga mais que qualquer outra ainda. Coisas desse espetáculo que, como já havia dito na véspera Fernando Torres, o algoz terminal, “pode ser vencido pelo pior time”.

Em 180 minutos foram 26 chances do Barça contra apenas cinco do Chelsea. Quatro bolas na trave catalãs. Um pênalti perdido. Uma desclassificação por pontos e por gols pelo time que menos jogou. Mas que venceu o duelo.

O futebol é imbatível como espetáculo e esporte por não ter times imbatíveis. O futebol permite que um time que joga para se defender possa ganhar no ataque. Mas o futebol é muito mais o que fez e que faz o time catalão (mas que já fez muito mais) que o que fez (e pode fazer mais) o time inglês. O esporte que se quer é o que joga o Barcelona, não o que não deixou jogar o Chelsea.

Sou fanático por esse Barcelona. Mas não pelo clube. Pelo futebol desse Barça. Seria fã se esse time jogasse com a camisa do Real Madrid, do Bayern, do Chelsea, do Coronel Bolognesi. E até se fosse o time do Corinthians ou do São Paulo (embora, pelo mesmo clubismo dos que atacam o “Farça”, seria evidentemente menos torcedor). Sou apaixonado por um time que dá gosto de ver e prazer de torcer e privilégio de ganhar e orgulho de ser campeão. Mas não sempre.

Lamento apenas que uma derrota como essa pode levar mais gente a pensar que não vale a pena tratar bem a bola, ficar mais tempo com ela, tocá-la com engenho e arte, respeitar o rival, marcar à frente, jogar o jogo, correr os riscos que o esporte incita e excita. Temo que treinadores, atletas, torcedores e jornalistas se impregnem da praga pragmágtica que entrevou o espetáculo e o esporte depois da tragédia brasileira em Sarriá, em 5 de julho de 1982, com a derrota do Brasil de Telê para uma Itália azul como o Chelsea. E ainda melhor que o time inglês. Que jogou o jogo possível para as limitações do time. E para as qualidades do adversário.

Torcedores do Santos, Fluminense, Internacional, Corinthians e Vasco tinham mais de torcer contra Messi, Xavi e Iniesta para não os enfrentar no  Mundial. Quem não gosta de argentinos e é torcedor do Real Madrid e do Espanyol também podiam adorar a história quase inacreditável da terça negra no Camp Nou.

Agora…

Quem não gosta do próprio time recheado de volantes, quem acha seu treinador retranqueiro, quem prefere o jogo jogado ao jogo marcado, quem é escravo do placar não pode vibrar pela derrota do Barcelona. Ou do futebol desse time.

Santos 5 x 0 Catanduvense

por Mauro Beting em 15.abr.2012 às 18:14h

 * Escalado pelo LANCE! e pela Rádio Bandeirantes, a visão de jogo desta segunda-feira no diário *

 

Feliz 200 anos, Santos

 

 

FUTURO GARANTIDO O primeiro gol do segundo centenário santista foi digno dos primeiros 100 anos e da camisa 10 alvinegra. Neymar completou o show

 

Aos 24, a bola foi parar na esquerda para Neymar. Como o gênio santista não para, fica difícil para qualquer um marcar. A pior equipe do Paulistão, mais ainda. Mas se é difícil jogar contra esse Santos (e muitos outros em 100 anos), fica muito “fácil” o futebol com um talento como o de Ganso.

 

Ele recebeu na entrada da área e tocou por cobertura. Deve ter sido a bola mais lenta que já entrou num golaço. Mas não houve demérito do goleiro Felipe. Houve apenas um 10 do Santos honrando a camisa 10 do Santos. Um gol em câmera lenta. Um gol com a velocidade do passado. Um gol para curtir no futuro. Para ser visto em qualquer tempo.

 

Depois Neymar escapou aos 32 e serviu Borges para ampliar. Neymar que não fez gol no primeiro tempo. Mas ao menos quatro lances foram dignos de Neymar e do Santos. Até uma bicicleta espetacular que, segundo ele, é o único lance que ainda falta ao seu repertório cada vez mais rico e impressionante. Mesmo que se saiba que Neymar seja cada vez mais difícil de definir e elogiar. E cada vez mais difícil de parar também pela velocidade e explosão. O torque dele é de máquina. Não fosse tão talentoso ainda seria um grande jogador pela capacidade física.

 

O que o levou ao terceiro gol, servido por Henrique, no segundo tempo. Quando o jogo serviu mais para testar Adriano como lateral-direito, substituindo o lesionado Fucile ainda no primeiro tempo. E para Ganso e Borges ampliarem o placar. No mais, foi um treino de luxo de um Santos quase pronto para ganhar quase tudo em 2012. Enquanto a equipe de Catanduva vai fechar os vestiários e esperar que o futuro possa trazer dinheiro e estrutura. Ou, quem sabe, com sorte, o que durante 100 anos tem chovido na Vila Belmiro. Talento e gols.

Tudo em 89 segundos

por Mauro Beting em 13.abr.2012 às 10:19h

De tanto pisar na bola, na língua, na defesa desconjuntada e na armação de problemas extracampo maior que a criação de lances dentro, o Flamengo parou antes que o esperado na Libertadores-12.

Era sabido desde o gol no último lance na partida anterior no Equador que a classificação seria difícil. Não pela necessidade de vencer o Lanús no Engenhão (parada definida aos 4 do segundo tempo, em ótima atuação de Ronaldinho Gaúcho), mas pelo necessário resultado combinado em Assunção. Olimpia x Emelec não poderia haver um vencedor. Quem ganhasse estava classificado e o Flamengo, eliminado.

Deu a lógica no Engenhão, com a atuação esperada do Flamengo em toda a fase – ou vista até aquele empate maluco no Rio contra o Olimpia. Quando os últimos 15 minutos foram praticamente fatais. Como os cinco minutos finais em Quito. Ou 89 segundos inacreditáveis na quinta-feira.

Já havia sinais de crueldade futebolística com o gol do Olimpia saindo logo depois do apito de final do primeiro tempo no Engenhão. O Flamengo saíra de campo aplaudido e classificado e voltava do intervalo eliminado. Mas, aos 23, parada definida para o time carioca, o estádio explodiu com o empate equatoriano. O 3 a 0 merecido rubro-negro, mais o 1 a 1 justo no Paraguai, e o Flamengo repetia a classificação suada de 2010.

Mas, aos 44, uma bela jogada do Emelec virou o jogo e a tabela. O Flamengo estava eliminado. Por menos de um minuto: exatos 54 segundos depois, em lance bem ensaiado, o Olimpia empatou por 2 a 2. Para ele não servia nada. Para o time equatoriano era a mais doída eliminação. Para o Flamengo…

Não deu tempo de completar a frase. Escanteio (estranho e discutível) batido, gol de cabeça do Emelec. Em 35 segundos virou tudo de novo. Emelec 3 a 2. Flamengo de novo eliminado.

Que fosse 3 a 0 para o Lanús no Engenhão. Ou 81 a 0 para o Emelec, 1895 a 0 para o Olimpia. Mas não desse jeito. Não nesse tempo. Não com essa dor.

Já se viu (pouca) coisa assim. Ainda veremos algo do tipo. Mas ninguém merece nada disso. Se o Flamengo é exemplo de ganhar títulos maravilhosos como os de 1981, também faz tudo errado e dá tudo certo, como no BR-09.

Mas nenhum torcedor merece sair do inferno ao céu e voltar ao armagedon em 89 segundos. Nenhum.

Por mais que este Flamengo merecesse alguns trancos para ver se leva jeito, o rubro-negro não merecia tamanha dor.

Corinthians 1 x 0 Paulista – Visão de Jogo

por Mauro Beting em 08.abr.2012 às 18:06h

* Estou na cabine da Rádio Bandeirantes. Escalado pelo LANCE! e pela Rádio, escrevo para o diário e para o LANCENET!

 

 

Corinthians no 4-2-3-1; Paulista no 4-3-2-1. Willian foi o nome alvinegro; Wagner, o tricolor

 

Vitória de Libertadores do Corinthians. Vontade e aplicação desde o início, e gol no fim de Willian. Merecia mais que o 1 a 0, mas teve tranquilidade em campo e na arquibancada para mais uma vez fazer o dever de casa.

 

Tite trocou novamente os nomes, mas manteve os números táticos que são os mesmos desde Mano: um 4-2-3-1 com meias que se mexem bem. E que, aos 30 minutos, quase sempre mudam de lugar. Willian começou pela esquerda e teve duas das três chances corintianas no primeiro tempo. Ramirez iniciou aberto pela direita e foi caindo pelo meio, trocando de função com Danilo. Os primeiros 10 minutos foram corintianos. Os 10 minutos seguintes foram do Paulista. Os 25 restantes foram iguais. Luiz Carlos Martins prendeu um pouco mais Bruno Formigoni e fechou mais o meio-campo, liberando Dener e Chiquinho para encontrar a velocidade de Richely. O Paulista acabou chegando mais, enquanto o Corinthians errava passes e perdia força.

 

No segundo tempo, Tite voltou com Willian pela esquerda para cima de Samuel Xavier, avançou Danilo por dentro para encostar em Liedson, soltou um pouco mais Paulinho e os laterais. O Paulista não manteve a mesma força na marcação e, a rigor, só foi ter uma chance depois de levar o gol de Willian, aos 34 do segundo tempo, em belo cruzamento-passe de Fábio Santos no primeiro pau para o atacante marcar seu terceiro gol de cabeça pelo Corinthians em dois anos.

 

O Timão só não fez mais nas 11 chances que teve em 90 minutos pela ótima atuação de Wagner, mais uma boa revelação de goleiro lançada pelo Paulista nos últimos 10 anos. Mas não suficiente para segurar um Corinthians eficiente e que, desta vez, merecia mais que o placar magro no Pacaembu. A oitava vitória por um a zero em 2012.

Ah, é o Edmundo!

por Mauro Beting em 28.mar.2012 às 0:22h

 

 

 

Em um ano, de 1992 a 1993, ele saiu da reserva do time sub-20 do Vasco para ser a maior estrela contratada pela via láctea que a Parmalat montou no Palmeiras. Foi campeão do Rio e tirou da fila de 16 anos o novo clube na nova cidade que o acolheu aos berros de “animal” e onde viveu dias e noites de amor incondicional ou ódio amplo, geral e irrestrito das arquibancadas, tribunas e gerais.

 

Ele pisou muito na bola que tratou como poucos nos últimos 20 anos. Ele desandou demais fora dos campos do Brasil e Itália. No gramado, se não tivesse a excepcional técnica, ainda poderia ser um grande jogador por ter nascido um atleta forte, resistente e veloz, imune à dor e as pancadas. Por ter nascido um sujeito que saía da balada para o treino como se não houvesse amanhã. Ou como se tudo fosse uma longa noite de prazeres e poderes.

 

Ele foi capaz de transformar um centímetro quadrado num latifúndio redondo pelo repertório impressionante de dribles. Como é capaz de ser constrangedoramente simpático e simples na maior parte do tempo e, num mau dia, driblar quem ficar pelo caminho. Fazendo jus ao animal que ficou como elogio esportivo e como elegia de vida.

 

Bacalhau ou animal, genial e genioso, ele é um dos maiores ídolos e craques do Vasco e também do Palmeiras. Em São Januário cresceu como menino que ama a mãe de berço. No Palestra, conheceu a paixão de adulto pela amada. Para ele, a mãe uma ou outra vez o traiu; a paixão adulta, jamais. É um coração onde cabem Vasco e Palmeiras num peito que já vestiu Flamengo e Corinthians. E Santos. E Cruzeiro. E Fluminense. E Fiorentina e Napoli. E Tokyo Verdy e Urawa Red. E Nova Iguaçu e Figueirense. Até terminar no Vasco onde começou profissional. Onde hoje se despede com um físico e um futebol que poderiam ainda encantar.

 

Fez bobagens. Muitas. Casos de polícia. Coisas de uma vida difícil, com problemas em casa – como muitos. Mas com um talento para driblar em campo e fora dele – como poucos. Casos de quem foi ensinado a jogar futebol. Mas não a ser adulto. Como ele aprendeu apanhando e batendo. Na mesma proporção.

 

Tem muita gente que o detesta tanto quanto está odiando este texto. Se eu não torcesse pelo time que torço, se eu não gostasse de um atacante talentoso, se não tivesse um interesse por personalidades do tipo, se não o conhecesse há quase 20 anos, se não trabalhasse com ele há dois anos, talvez não estivesse escrevendo tudo isso. Talvez estivesse dando razão aos que não vêm razão para tanta festa e elogios.

 

Mas quem torceu pelo Animal, quem conheceu um pouco do cara fora de campo e dos problemas que ele criou, sabe que existe um cara que merece a festa que recebe do Vasco e que também merecia do Palmeiras. Sabe que errar fica mais humano com Edmundo.

Estado de sítio

por Mauro Beting em 27.mar.2012 às 11:47h

 

Dois mortos. Outros tantos feridos. Poucos detidos. Logo liberados. Por falta de leis. Por falta de inteligência policial (com o perdão da expressão) para sacar que no local da barbárie marcada pela internet em São Paulo quase sempre existe treta. Nem precisa ser um “flash mob”, aqueles eventos em que a galera se une do nada. Até por já ser uma turma de “mob”. De máfia. De bandidos que se infiltram nas torcidas que também não filtram os bandidos.

 

Organizadas ainda compostas por esmagadora maioria de gente de paz, que gosta de futebol (ou do clube), que gosta da torcida (por vezes mais que o próprio clube), que gosta de Carnaval. Pena que os de sempre gostam de não gostar de nada e de ninguém. Turma que se infiltra e contamina e acaba com a reputação já terminal das torcidas. Aí, sim, facções de facões e porretes e porradas pelas ruas. Balas e bolas perdidas de torcedores de pescoços e almas, profissionais de arquibancadas e delegacias. Alguns só têm de positivo a certidão. Fazem rolo com camisetas e adesivos. Enrolam pós, paus, pedras e pistolas. Uniformizadas que desuniformizaram os estádios e, agora, estão descolorindo as ruas que ficaram com medo dos intolerantes fundamentalistas.

Não é caso de futebol. É de polícia. É de política pública. Como qualquer jornalista há 22 anos no mercado, não sei mais o que dizer. Mas sabemos que assim não pode ficar. É preciso ter vontade e coragem. E vontade política, não vontade de político e de promotor de eventos, não de Justiça.

Mas não cabe apenas às autoridades que perdem a própria a cada morte e enfrentamento. É preciso que cada torcida expurgue, expulse, exponha quem faz o que fez. Quem planeja o que executou. Quem vai continuar fazendo tudo com as pessoas de bem fazendo nada.

As torcidas que nasceram para morrer torcendo por um clube hoje matam o outro que torce pelo “inimigo”, não pelo adversário. Não são do clube – militam numa organização de apoio paramilitar. Uma aberração que mata civis e aleija militares em serviço. PM, MP, FPF, ONGs, a PQP! É jogo de empurra no MMA dos estádios e do estado de sítio das ruas. Luta livre que a mídia deixa passar. Ou passa as imagens sem pensar no resultado.

Do jeito que a coisa vai (ou não poderá mais seguir), será expressamente proibido torcer nos clássicos de uma só torcida. Ou se veste a mesma camisa, ou não se veste camisa alguma.

Exatamente o oposto da intenção das primeiras torcidas organizadas, que começaram a frequentar o Pacaembu, nos anos 40. Elas se uniam para fazer coreografias e uniformizar o torcedor. Fazer festa. Torcer pelo time. Não torcer pescoço alheio.

 

Proibir as torcidas ajuda nos estádios. Mas são os torcedores que não se ajudam. Instituir torcida única em clássicos será a institucionalização da intolerância. Não tem cabimento em nossa incompetência.

 

Eu não sei o que fazer. Eu e quem deveria saber. Ou é pago para tanto. A irresponsabilidade dos responsáveis é de doer. Mas pior são torcidas que não assumem a barbaridade e brigam ainda mais entre si para saber quem é a menos culpada, quem não seguiu o “código de conduta de brigas”, quem veio com armas a mais, quem emboscou quem, quem não seguiu a Convenção de Genebra…

 

É caso de polícia. É caso de não sair de casa.