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Ali é Corinthians. E Flamengo. E…

por Mauro Beting em 29.abr.2015 às 23:59h

 

Felipe tinha 10 anos no começo do ano. Ele nunca tinha visto o time dele no novo estádio. Vagner, o Vaguinho, fez de tudo para conseguir os caros ingressos para o netinho. Mas as notas do Felipe na escola não estavam tão boas. Ou não estavam do nível das notas que cada jogador do time dele vinha conquistando em 2015. Até o controvertido xará dele que ganhou o lugar do badalado Edu Dracena na zaga corintiana. O Felipe que viera do Bragantino ganhara na raça um lugar que não parecia dele.

Estava tudo ótimo para o Corinthians no início da temporada. Muito melhor que a encomenda. Ainda melhor para um clube cheio de dívidas com atletas, fornecedores, parceiros, torcedores e até contribuintes. Mas aquilo era Corinthians. A paixão do jovem Felipe. Da mãe, do pai, da família toda. Ele já tinha visto o Timão campeão do mundo e da Libertadores. Mas pela TV. Já conhecia o Pacaembu que acabou de completar 75 anos e não sabe o futuro dele. Felipe já conhece muito do passado glorioso do time da família.

Mas ele ainda não havia conhecido a Arena Corinthians que insistem em chamar de Itaquerão. A mesma turma que reclama quando as contas dos clubes não fecham – e também não fecham quando insistimos em chamar um estádio não pelo nome de batismo ou pelo nome negociado. E tome Itaquerão, Arena Palmeiras, Fonte Nova, o diabo. E não o nome do santo da casa.

Vaguinho, o avô do Felipe, conseguiu enfim os ingressos. Jogo de começo de temporada, adversário do interior, mistão corintiano – que a Libertadores é mais importante, o Felipe é dessa geração que sabe o Chelsea de cor, e não consegue dizer um jogador do Guarani. Mas as notas vermelhas falaram mais alto na consciência dos pais. Não teria jogo para Felipe. Não naquele dia em Itaquera.

Ele foi dormir de cara fechada, e olho aguado. No dia seguinte, o pai educador foi consolar o filhote. O Corinthians não jogara bem. Só empatara contra um time do interior. Afinal, eram os reservas alvinegros. Não o time que vinha jogando muito bem em 2015. O pai foi consolá-lo:

PAI – Viu, filho, ainda bem que você não foi ao jogo. Só empatamos. Não jogamos bem. Nem jogaram o Guerrero, Sheik, Elias…

FELIPE – Então, pai. Eles não jogaram. Mas estava lá o Corinthians. Estava lá o meu avô.

Foi isso. É isso. Não importa a escalação do time. O campeonato. O estádio. O desempenho. O placar. Para Felipe, e para todos os Josés, Joãos, Antonios, Jorges, pais e filhos, avôs e netos, o que importa é estar lá o Corinthians. Importa é estar lá o Vaguinho.

E quando ele faltar (o avô, jamais o Corinthians), o Felipe vai celebrar todos os jogos que viu e até os que não viu com o avô. Vai contar aos bisnetos dele o que o Vaguinho fazia para a família ser Corinthians. Algo que é mais importante que ver Corinthians, ouvir Timão, ler Coringão, seguir Todo Poderoso, até mesmo sentir Corinthians.

Basta ser.

Felipe e Vaguinho são muito mais que familiares. São corintianos. Eles não têm o mesmo gosto musical. Não veem os mesmos filmes, livros. Internet é diferente. Televisão é outra. Carro, comida. O que eles têm em comum?

Corinthians.

Mude para Flamengo, Inter, Cruzeiro, Coritiba, Ceará, ABC. Outros nomes. Mas não outro esporte.

O futebol nasceu para fazer entender gerações que não têm conversa. Mas têm futebol. Não têm afinidade. Têm um clube. Não têm papo. Têm um mesmo amor incondicional.

Não importa qual foi o jogo e quanto foi aquela partida para vocês e nem para o Felipe. O que importa é que vai sempre ter Corinthians para essa família. Ainda mais família por ser mais Corinthians.

Então, amigo que não será campeão estadual no domingo… Favor lembrar que um dia você foi Felipe. Um dia você será Vaguinho. E não importa que você não será campeão agora. Não importa que você já ganhou outras tantas vezes. O que realmente importa é que você tem jogo na outra semana pelo Brasileirão.

Quem vai ganhar? Quem tiver uma família para torcer.

Grêmio 0 x 0 Internacional

por Mauro Beting em 28.abr.2015 às 10:06h

Não teve banguzinho colorado. E não precisava. Não teve o melhor Grêmio. E era necessário. 

 Com a expulsão de Geromel, o Inter teve a bola, espaço, Valdivia que demorou a entrar, Anderson que talvez não precisasse jogar, e não fez muito. 

 Foram mantidas as longas invencibilidades de tricolores e colorados. E as chances parelhas das equipes para o Gre-Nal 406, no Beira-Rio. 

 O Grêmio poderia ter sido mais que o mandante no primeiro tempo. O Inter poderia ter sido o convidado indesejável não fosse Grohe o goleirão que é, na segunda etapa. 

O empate acabou justo para um jogo em que o Inter foi sacando opções táticas e técnicas na base que vai suprindo o que os reforços que chegaram ainda não deram jogo e nem liga. Placar igual para um Grêmio que foi se remontando. E agora parece com cara de time. 

Atlético Mineiro 0 x 0 Caldense

por Mauro Beting em 27.abr.2015 às 16:15h

ESCREVE DANIEL BARUD (@BarudDaniel)

Domingo, 26 de Abril de 2015. 16hrs. Mineirão, Belo Horizonte.

A Associação Atlética Caldense fazia história. E fez.

Disputava a final do Campeonato Mineiro de 2015 diante do maior campeão estadual do estado, o Clube Atlético Mineiro.

Temos que lembrar que, em 2002, a equipe de Poços de Caldas foi campeã, porém, América-MG, Atlético e Cruzeiro não disputaram a competição, pois estavam disputando a Copa Sul-Minas.

O jogo começou interessantíssimo.

Quem esperava uma Caldense totalmente defensiva, retrancada, fechada, dando bico pra frente, errou por completo. Pensou que ficaria intimidada com o Mineirão lotado?! Que nada.

A equipe comandada por Léo Condé foi a campo com bom toque de bola, jogando de igual pra igual com o Galo e criou até mais chances que os donos da casa. Além disso, a equipe líder da fase classificatória está invicta no campeonato e tem a melhor defesa. O goleiro Rodrigo não leva gol há 672 minutos.

Podemos dividir o primeiro tempo em dois períodos: Do início até os 30’, o jogo foi de uma única equipe: Caldense. Bem postada, organizada, como time grande, a Caldense pressionava, sufocava e marcava em cima do Galo, que não conseguia sair. E quando saía, falhava na transição para os contra-golpes. A equipe de Poços de Caldas chegava com perigo ao gol do goleiro Victor, principalmente com Luiz Eduardo e Zambi.

Após os 30’, a Caldense diminuiu o ritmo. Mas não ficou atrás. Armava rápidos contra-ataques e causava incômodo ao sistema defensivo atleticano. Compacta, negando os espaços e com rapidez na transição defesa-ataque, a saída era contras-ataques armados pelos meias Thiago Azulão e Nadson. O Galo errava na saída de bola, falhava na troca de passes e cometia muitas faltas. Guilherme levou amarelo após cometer infração em Luiz Eduardo.

O Galo só assustava quando atacava pelo flanco direito, com Patric e Luan, que abria o espaço para o cruzamento do lateral do Galo. Pratto não estava inspirado e Cárdenas entrou mal.  Aos 32’, o lateral cruzou, Carlos cabeceou, o goleiro Rodrigo espalmou e o jovem atleticano concluiu pra fora.

Thiago Ribeiro entrou no intervalo no lugar de Guilherme, que sentiu dores musculares. O Galo voltou com três atacantes para a etapa final e ameaçou mais o gol do Verdão. A equipe do interior ainda teve chance para abrir o placar com Cristiano que entrou aos 25’ da etapa final.

A partir daí, a Caldense se fechou, deu o campo pro Galo, marcou bem e segurou o placar, prendendo a bola no campo de ataque.

A decisão é domingo que vem. Em Varginha. 16h. Pois no estádio Ronaldão, em Poços de Caldas só tem capacidade para 7.600 pessoas e o mínimo para a final, segundo o regulamento, é de 10.000 lugares.

Será que o a Veterana fatura seu segundo estadual (o primeiro com os grandes incluídos)? Basta continuar sem sofrer gols.

Ou o Galo conquistará o 43º caneco do Estadual? Precisará vencer em Poços de Caldas!!

ESCREVEU DANIEL BARUD (@BarudDaniel)

Vasco 1 x 0 Botafogo

por Mauro Beting em 27.abr.2015 às 13:52h

 

Quando Bernardo cruzou a bola aos 46 minutos de um jogo que não foi bom, e que vinha merecendo o empate sem gols e sem um grande futebol, não havia torcedor vascaíno que não tenha se irritado profundamente. Faltando quase nada para acabar a partida, uma falta levantada pra área saiu quase que rasteira. No meio do bolo de botafoguenses e vascaínos, não havia como imaginar que ela passasse por todo mundo e sobrasse para alguém.

Como sobrou para Rafael Silva abrir o placar e reverter a vantagem vascaína.

Quem não é e até quem é vai dizer que são coisas que acontecem com o Botafogo. Mais contra que a favor.

Quem é Vasco vai poder dizer que não apenas o respeito voltou. Mas tudo aquilo que vinha dando razão a quem critica o time que não se acertava. Dava tudo errado. Merecido ou não.

A bola de Bernardo era vadia. Daquelas dignas de vaia. Mas sobrou limpa para Rafael garantir o resultado, ainda longe de chancelar o título estadual que desde 2003 não vem.

É pouco. Mas pode ser o suficiente.

E já é ótimo para um time que vai sendo remontado – como o rival pelo título.

Está tudo aberto ainda no RJ-15. Mas para dois clubes que só viam sinas fechados ou trocados, saiu muito melhor que a encomenda.

 

 

 

 

Palmeiras 1 x 0 Santos

por Mauro Beting em 27.abr.2015 às 8:39h

Não existe Palmeiras x Santos ruim. Mesmo quando não é bom o clássico, alguma coisa acontece no jogo.

Não foi a chuva de gols usual entre os dois. O melhor ataque do SP-15 passou em branco no Allianz Parque de gramado comprometido pelo Rei – Roberto Carlos. A melhor defesa do campeonato colaborou com a meta não batida de Prass.

O melhor time em campo (não necessariamente no torneio) venceu por ter buscado mais a vitória, ainda que ela pudesse ter sido maior, também pela justa expulsão do promissor zagueiro Paulo Ricardo (11 do segundo tempo). Não foi o placar ideal para o Palmeiras. Não foi muito. Mas pode ser o suficiente para a volta na Vila Belmiro. Jogue enfim Valdivia. E, também, jogue Robinho pelo Santos, que deve dar ao time de Marcelo Fernandes tudo que faltou na primeira partida.

O Palmeiras superou a perda precoce de Arouca com as boas opções que Oswaldo tem no elenco: recuou Robinho mais uma vez como o segundo volante (mais para quarto armador) e apostou em Cleiton Xavier centralizado. Marcelo mexeu demais na estrutura santista sem Robinho: Chiquinho foi pra dele, como o terceiro homem pela esquerda aberto no 4-2-3-1; Victor Ferraz foi pra dele na lateral esquerda; Cicinho retomou a lateral direita. Dentro da lógica. Mas não rolou. Muito recuado, amuado e acuado, o Santos deu a bola e espaço ao mandante.

O gol do clássico é para simpósio de apito: em bela troca de bolas, Lucas mais uma vez passou para Leandro Pereira fazer o gol. Mas quando Cleiton Xavier achou Lucas para que o lateral cruzasse, Robinho, em posição de impedimento, deixou a bola passar entre as pernas, em inteligente corta-luz.

Para mim, o palmeirense “interferiu no jogo”, como fala (sem falar) a regra 11, a do impedimento. É uma interpretação dentro da ausência que existe no texto da regra em relação justamente ao lance do “corta-luz”. Em nenhum momento, em nenhum texto, existe a expressão “corta-luz” nas 17 regras. Para mim, um jogador que faz um corta-luz “joga” sem tocar a bola. Para mim ele, por tabela, “interfere” no jogo. Participa. Estando, então, em posição de impedimento, ele está impedido. Porém, por ser lance rápido, e bem à frente do campo de visão do assistente, o bandeirinha acaba prejudicado. Ou, no caso, pode ter interpretado diferente de mim. No estádio, na cabine da Jovem Pan, não vi aquilo que considerei irregular depois, pela TV.

E teria mais! No final do primeiro tempo, Geuvânio calçou o pé de apoio de Rafael Marques, que demorou para concluir belo lance de Dudu. Pênalti. Discutível, mas pênalti.

E teve mais! Leandro Pereira e Paulo Ricardo vão se agarrando fora da área até desabar o palmeirense dentro dela, aos 9 minutos. Página 86 do livro de regras da CBF. Diretrizes para árbitros (regra 12): “Se um defensor começar a segurar um atacante fora da área penal e continuar segurando dentro desta área, o árbitro deverá conceder um tiro penal.” Foi isso. E foi mais esperto o palmeirense ao cair dentro da área.

Pênalti marcado pelo assistente. O árbitro só apontou a cal quando viu o bandeirinha Carlos Nogueira Jr. correndo pra linha de fundo. Tão mal estava Vinicius Furlan que expulsou o zagueiro errado. Alertado pelo quarto árbitro, voltou atrás e corrigiu o erro.

O Palmeiras que não soube mais se acertar depois da cobrança de Dudu que explodiu no travessão. Ele havia cobrado o melhor pênalti palmeirense em Itaquera. Desta vez não foi bem. Acontece. Fácil falar que seria melhor ter cobrado Cleiton Xavier. Quem sabe?

O Santos soube. Ricardo Oliveira só não empatou em letal contragolpe pela ótima recuperação de Vítor Hugo no lance. Marcelo fechou a casinha no 4-4-1 e o Palmeiras não soube acertar o pé, e nem a cabeça, com um a mais em campo. Mas também no placar.

O que pode ser suficiente para os palmeirenses, embora ainda não pareça. Por isso o torcedor que quase bateu o recorde de público do Allianz e também do velho Palestra saiu meio bronqueado. Por isso o santista cantou alto no fim do clássico.

Tem muita bola pra rolar na Vila. O Santos segue sendo o favorito. Mas o Palmeiras saiu melhor do que entrou na final. Tem como segurar o empate. Ou Prass segurar nos pênaltis. Ou o próprio Verdão manter a escrita de mais vitórias que o rival na casa dele.

Está tudo ainda mais equilibrado na decisão paulista.

 

Internacional 1 x 0 The Strongest

por Mauro Beting em 23.abr.2015 às 13:49h

Eu não esperava tanta dificuldade no grupo colorado – mais por méritos rivais que por deméritos dos tantos times armados por Aguirre que, agora, começam a dar liga.

Eu não esperava tanta bola de Sasha em 2015. E cada vez mais futebol de Valdivia, que entrou mais uma vez muito bem no lugar de um Jorge Henrique que parecia condenado no Beira-Rio.

Eu não esperava tanta complicação para vencer o The Strongest. Claro que com Ernando na lateral, teria dificuldade na fluência ofensiva. Pelo outro lado, Geferson foi bem na frente só no primeiro tempo. Como todo o Inter.

Eu não esperava tanta eficiência de Rodrigo Dourado no meio, ao lado de Aránguiz. É outro que vai ganhando espaço em um time que muda a cada jogo. Demais pro meu gosto. Mas é dever entender que tem como crescer de produção essa equipe.

Como Aguirre vai evoluindo junto com o time.

Ainda mais quando toda a equipe tiver o espírito desse Valdivia cada vez mais decisivo. Cada vez mais um elo de arquibancada com o elenco.

 

 

São Paulo 2 x 0 Corinthians

por Mauro Beting em 22.abr.2015 às 23:45h

 

Pareciam times trocados no Morumbi. O São Paulo com espírito de Corinthians-15, o Timão murcho como o Tricolor-15.

Desde a primeira bola cruzada na área corintiana (e elas quase sempre têm sido rivais nos últimos jogos), só dava São Paulo. Hudson e Souza adiantados cortando circuitos de Renato Augusto e Elias, Love esquecido na frente, laterais presos, e o Tricolor adiantado. E adiantando essa pressão.

Já era melhor o São Paulo quando Sheik foi exageradamente expulso (ou avermelhado pelo conjunto da obra do polêmico atacante). Era pra amarelo o trança-pé que deu em Toloi – que havia pisado nele. Aos 19 minutos, o jogo virou de vez. Luís Fabiano aproveitou a bobeada geral, e até o chute espanado de Hudson, para abrir o placar, aos 31. Resultado fechado no final do tempo com mais um bom tiro longo de Michel Bastos que quicou na frente de Cássio e tirou o goleiro do lance defensável para a categoria dele.

Indefensável foi o árbitro Sandro Meira Ricci. Na 15a  expulsão infantil de Luís Fabiano (que já poderia ter recebido  outro amarelo logo no início), Mendoza merecia amarelo por ter tentado deixar a mão no artilheiro tricolor. Pelo mesmo critério discutível, Elias poderia ter dançado depois no Majestoso que acabou para o Corinthians no segundo vermelho.

Libertadores que agora começa para o São Paulo pelo espírito que ajudou Rogério Ceni a prolongar a carreira na competição. Libertadores que ainda é viva para o Corinthians, desde que recupere o futebol perdido nos últimos jogos.

O São Paulo mereceu a vitória. Garantiu a vaga eliminando o atual campeão da América e saiu do Morumbi readquirindo o respeito que vinha perdendo.  Talvez seja o segredo de quem é o melhor, o maior. E não o “soberano”. O São Paulo ganhou praticamente tudo e um pouco mais muito mais como “Clube da Fé” ou como o “Mais Querido” do que como o mais detestado ou o mais jactante e alambicado.

O Tricolor se fez tricampeão da América e do mundo tanto acreditando quanto jogando. Como o Galo tem feito desde 2013, na Libertadores, e 2014, na Copa do Brasil. Agora, não fez “aquela” campanha na primeira fase do grupo ainda mais da morte que o do São Paulo. Sofreu mais do que deveria. Perdeu jogos que não poderia contra o Atlas. Mas ganhou partidas que não se esperava contra o Santa Fé. Com aquela fé que só o atleticano tinha. Acreditava. Aquele migalo atleticano. Aquele milagre atleticano. Capaz de superar o pênalti perdido de Guilherme. E de criar de um escanteio que a bandeirinha não deixou a bola sair um cruzamento para Rafael Carioca fazer um gol do tamanho da paixão alvinegra.

Aquele pau de bandeirinha deu uma assistência que Cerezo não criaria. Ele foi a âncora não do sonho realizado, mas, sim, da realidade onírica que essa turma não se cansa de se superar. Time e torcida de novo acreditaram. Eu até acreditava. Meu texto neste blog, no LANCENET!, foi escrito durante mais uma epopeia tão comum ao atleticano. E, pela primeira vez em nove anos de papo com você, foi fechado antes do término do jogo. Esse jogo é sempre o mesmo para esses atleticanos. Eles têm fé. Nós é que fingimos que não acreditamos.

Algo que o São Paulo, o Clube da Fé, tinha perdido em algum lugar. Até entrar no Morumbi enfurecido pelos roqueiros tricolores que botaram fogo em nova versão do hino são-paulino. E recuperar parte do respeito.

Com todo o r-e-s-p-e-i-t-o.

Não, não é o Tite escandido sílabas e letras enquanto fala. É referência extremamente reverente à diva do soul Aretha Franklin – quando divas eram realmente divas e não gralhas cacarejantes, e quando soul era música mesmo. Da época em que não contestávamos tanto o que faziam (ou deixavam de fazer) colossos como São Paulo, Botafogo, Vasco, Palmeiras e outros grandes que não são sempre grandes.

Mas seguem maiores que muitos que o apequenam.

Com todo “respect”.

 

Atlético Mineiro 2 x 0 Colo-Colo

por Mauro Beting em 22.abr.2015 às 21:20h

Minuto a minuto de mais um migalo atleticano – milagre atleticano.

19h45 – Vai ser 2 a 0 pro Atlético no jogo que começa agora.

19h50 – O ambiente da Arena é o de sempre. Aceso. O Galo, com Dátolo iniciando ao lado do volante Rafael Carioca e se juntando aos três da armação (Luan, Guilherme e Carlos) inicia melhor. O 2 a 0 é possível. Com o jeitão de time e de espírito da Copa do Brasil-14.

20h03 – 19 minutos. Lucas Pratto, em grande jogada do Galo, por dentro. Básico. Mas a enfiada foi do Patric tão criticado. Justo ele? Não sei. O que sei é que o Atlético tem feito isso com os atleticanos. E com os adversários. Não é pra ter lógica. É pra dar Galo.

20h04 – Bela puxeta de Carlos e a bola sai à direita. O barulho só não é ensurdecedor na Arena atleticana que é aquela mesma coisa de sempre.

20h05 – Quase que Victor é encoberto. Mas é tudo quase sempre igual. Nada acontece.

20h07 – Douglas Santos enche o pé como se fosse um ponta-esquerda, o goleiro chileno defende como se fosse um Victor.

20h11 – Começa a chover em BH. Só pra deixar mais gostoso. Ou mais sofrido. Se é que o atleticano já não se acostumou com tudo isso.,

20h16 – Chuva fica mais forte. O Galo e seu torcedor, um tanto menos. O Colo-Colo é bom. Mas não é melhor que o mineiro.

20h17 – Guilherme arrisca de longe, muito longe. Não deu certo. Mas, com esse campo, jogo difícil, é isso. É questão de tempo. De segundo tempo.

20h18 – Patric isola de canhota, de muito longe. Mas é por aí. Eu acredito. O atleticano tem certeza.

20h19 – Chuva muuuuuito forte. Aumenta o drama. Aumenta a alegria ao final dele. Galo quase faz com Guilherme. As poças já começam a travar a bola.

20h20 – Estou parecendo atleticano? Não. É o que Galo tem feito com o futebol em jogos como esse. No final das contas, vai dar Galo. Não é questão de torcer ou de fé. É de constatação.

20h25 – Luan tenta cavar um pênalti se atirando na piscina do gramado. Não foi nada. Foi amarelo.

20h30 – Pratto  ganha mais uma de cabeça. Mas vai pra fora.

20h31 – A torcida grita “eu acredito”. Acaboa o primeiro tempo. Fez-se a lógica. Mas ainda falta um gol.

20h48 – Recomeçou como se não tivesse acabado o primeiro tempo. Mas a chuva parou. Vai dar.

20h56 – Quase Edcarlos faz de cabeça em falta pelo lado. Na sequência, quase Patric, de peixinho. É muito quase. Mas ainda é pouco. É pra breve. Eles acreditam.

21h08 – Eu já não acredito tanto assim. Paredes segue perigoso na frente. Galo com dificuld…

21h09 – Quem mandou eu não acreditar? Pênalti de Garces em Luan.

21h10 – Quem mandou eu acreditar friamente? A bola bateu na trave direita, na cabeça de Garces que a espalmou antes, e subiu, sumiu. Luan estava ajoelhado. Eu fiquei prostrado.

21h12 – Torcida grita Guilherme. Esse é o caminho. Mas ainda não é o jogo.

21h15 – Troca de passes de cabeça. Nada. Mas poderia ter sido pênalti.

21h17 – Carlos saiu. Maicosuel (que não joga há um mês) vai ter de ser o que foi Guilherme em 2013.

21h18 = Eu acredito ecoa. Mas sem a mesma força.

21h23 – Não foi Maicosuel. Foi Rafael Carioca. Lá de onde Guilherme fez aquele no Newell´s. Mas, desta vez, Rafael Mineiro muito mais que Carioca fez um gol parecido com aquele de Cleiton Xavier, no Chile, que eliminou o Colo-Colo, na primeira fase da Libertadores-09. Gol que nasceu de um escanteio que a bandeirinha não deixou sair. Guilherme pegou a bola e lançou pra Rafael Carioca fazer o que eu já não aceditava.

Mas eles sim.

Não preciso fazer mais o minuto a minuto.

Eles já sabem.

Eu não.

ADENDO – Agora acabou. Está sendo fácil escrever a respeito do Galo dos últimos anos. Dá pra escrever antes. Ou durante. O resultado é o mesmo.

 

A preleção em Itaquera

por Mauro Beting em 21.abr.2015 às 13:49h

O pessoal do Palmeiras me pediu na segunda-feira. Eu convoquei o amigo e ator Eduardo Semerjian para interpretar o texto abaixo, que encerrou a preleção para o time que voltou classificado de Itaquera:

 

 

“Sabe quem a imprensa achava que era favorito em 2000, na Libertadores? Perguntem pro São Marcos o que ele fez com nosso maior rival.

 

Um ano antes, sabem quem era o favorito pra todo mundo na Libertadores de 1999? O Marcão também lembra muito bem.

 

Sabe quem iria ganhar o Rio-São Paulo de 1993 com o time titular do Corinthians? Pergunte ao Edmundo, que acabou com o favoritismo deles liderando o nosso time misto.

 

Sabe quem a imprensa dizia que iria deixar o nosso time na fila, lá em 1993? O Evair soltou a voz naquele dia. Pergunte a ele quem foi campeão.

 

Em 1974 tinham 100 mil corintianos no Morumbi para ver o fim da fila de 20 anos sem títulos deles. Sabe quem ganhou mais um Paulista? O Ademir da Guia sabe. O Divino sabia tudo.

 

Sabe quem ganhou o primeiro clássico em 1917? Sabe quem tem mais vitórias no dérbi?

 

Sabe quem pra sempre será lembrado por eliminar o time de melhor campanha em 2015?

 

São vocês! O Palmeiras! O alviverde inteiro!!!

 

Toda essa história que é só nossa foram aqueles campeões que vestiram a nossa camisa que conquistaram e venceram.

 

São os palmeirenses como vocês.  Eles que fizeram história. Os que venceram o maior rival. Ou melhor: os que ganharam dos favoritos. Os rivais que eram mais badalados e bajulados.

 

O Palmeiras é grande, já falou na estreia o nosso Zé Roberto. E o Verdão é enorme porque monstros como vocês fizeram o Palmeiras do tamanho da nossa paixão.

 

Vocês são campeões porque vocês são Palmeiras. E vocês vão ser ainda mais Palmeiras porque vocês serão campeões hoje e nas finais.

 

Muitos de vocês chegaram agora ao clube. Aqui no Palmeiras todos foram recebidos de braços e coração aberto. Parece até que vocês nasceram aqui. Por que vocês merecem esse carinho. Vocês têm mostrado pra todos que vocês dariam até a vida pelo nosso time.

 

Todas essas conquistas que eu contei são históricas. A de hoje será heróica!!!

 

 

Vocês são os caras do Palmeiras! Vocês são a alma do Verdão!

 

Vão pra campo agora! É só voltem para cá como vocês são! Campeões!!!

 

Só voltem a este vestiário ainda maiores do que vocês já são!!!

 

Quando vocês chegarem de volta saibam que não apenas conquistaram um lugar na final do campeonato! Vocês todos ganharam um lugar na história centenária do Palmeiras!

 

Vamos lá dentro ser Palmeiras!

 

Vamos Palmeiras! ”

 

E eles foram.

Parabéns aos envolvidos.


 

No link abaixo, a edição de vídeo feita por Gabriel Salviano que, evidentemente, é posterior, e não a oficial.

 

 

 

Cruzeiro 1 x 2 Atlético Mineiro

por Mauro Beting em 20.abr.2015 às 20:12h

ESCREVE Daniel Barud (@BarudDaniel)


 

O Cruzeiro tentou. Brigou. Lutou. Abriu o placar. Mas, há 11 jogos não consegue vencer o rival, Atlético.

Em mais um clássico eletrizante, o Galo venceu de virada seu arquirrival, por 2 a 1. Lucas Pratto marcou os gols, após belas assistências de Guilherme, que entrou no intervalo.

O jogo começou a mil por hora. O Cruzeiro entrou propondo o jogo, por estar com seu mando (e com sua torcida) e por não ter vencido seu adversário no primeiro jogo e marcando em cima. Marcelo Oliveira colocou seu time pra frente, com Fabiano na lateral direita no lugar do poupado Mayke, para conter os avanços pelo lado esquerdo de ataque do Atlético, já que Fabiano é menos ofensivo que Mayke. Fabrício entrou no lado esquerdo e apoiava no ataque. No ataque, Alisson no lugar de Marquinhos.

O Galo buscava os contra-ataques rápidos e bem sucedidos com Luan, Carlos e Dátolo. Carlos Cesar substituiu Marcos Rocha no lado direito de defesa atleticana. Pratto, na área, segurava os zagueiros, brigava no alto, fazia o pivô. Mas parecia meio estático, paradão. Só parecia. Queimei minha língua. Apostei que não marcaria nenhum gol e que não faria muita coisa ontem. Bobeie e dancei.

A dupla Pratto-Guilherme causou pânico na defesa cruzeirense no campo de ataque na segunda etapa. Vale lembrar que foi a estreia do argentino em clássicos.

O Cruzeiro propunha o jogo, tomava a iniciativa e tentava atacar seu oponente, enquanto sofria com a velocidade dos jovens Luan e Carlos.

O Cruzeiro foi melhor no 1º tempo, mas a segunda parte foi alvinegra. Logo no início, aos 11′, Willian se esforçou e não deixou a bola sair pela linha de fundo, cruzou na cabeça de Alisson. Victor defendeu, espalmando no pé do jovem uruguaio Arrascaeta, que não perdoou. Cruzeiro 1 a 0. A equipe azul de Minas segurou o ímpeto alvinegro após o gol e manteve a vantagem no primeiro tempo. Faltava um meia para criar com mais eficiência no meio-campo. Dátolo estava bem marcado.

No intervalo, Marcelo Oliveira tirou Alisson e colocou Marquinhos. O time azul voltou em cima, pressionou o Galo e quase ampliou. Levir também mexeu no intervalo e foi mais preciso e eficaz. Tirou o volante Leandro Donizete e colocou Guilherme. Aos 9 da etapa final, Pratto infiltrou entre os zagueiros azuis e foi lançado por Guilherme. A zaga cruzeirense ainda resvalou de cabeça. O suficiente para o argentino emendar de primeira, no ângulo de Fábio. 1 a 1.

O gol do Galo não abateu a Raposa, que se manteve no ataque. Aos 25′ Fabiano foi expulso. O lateral direito cruzeirense deixou o braço no rosto do jovem Carlos e foi expulso.

A certeza seria de fortíssimas emoções nos 20 minutos finais.

E foi.

Aos 40, mais polêmica. Damião disputou no alto com Edcarlos, que levantou o pé e acertou o rosto do atacante. O juiz Héber Roberto Lopes, mandou seguir. Damião precisou e foi atendido e o jogo retornou. Guilherme puxou contra-ataque pelo lado esquerdo de ataque atleticano e colocou na cabeça de Lucas Pratto.

Galo 2 a 1. Na final. 11 jogos de invencibilidade.

Que cartões de visita.

A final será diante da Caldense, que eliminou o Tombense, vencendo por 2 a 0, com gols de Tiago Azulão e Luiz Eduardo. O último campeão do interior foi o Ipatinga, em 2005, sob o comando de Ney Franco, vencendo o Cruzeiro. De lá pra cá, Atlético e Cruzeiro revezaram nos canecos. Em 2006 e 2010, o Ipatinga foi vice e em 2012, o América conseguiu ir a final, perdendo para o Atlético. O primeiro jogo será no próximo domingo, no Independência ou Mineirão, com mando atleticano. O segundo será com o mando da Caldense, que poderá ser campeã caso empate as duas partidas, já que foi líder na fase de classificação.

 

Por Daniel Barud (@BarudDaniel)