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Preconceitos

por Mauro Beting em 19.set.2014 às 18:30h

Não eram vaias contra o time. Não eram xingamentos contra o rival. Não se vaiava o líder do campeonato de 1942. Nem se apupava um clube que enfim escalava um atleta negro como titular absoluto.

Parte do estádio do Pacaembu naquele 20 de setembro de 1942 era contrária ao ex-nome daquela gente de verde. Vaiavam a pátria dos fundadores do clube adversário. Xingavam a suposta anuência dos sócios e torcedores da instituição ao regime totalitário do país de origem da maioria dos fundadores. Nação em guerra com o Brasil governado por um ditador como o italiano bélico.

Vaiaram até a bandeira do Brasil que, há 72 anos, entrara em campo pelas mãos de 11 ex-palestrinos. Onze debutantes palmeirenses que venceram o rival e as vaias. Foram campeões paulistas contra o clube que tinha na diretoria alguns antipáticos ao novo Palmeiras cada vez mais brasileiro dos italianos do velho Palestra. Alguns poucos tricolores simpáticos à ideia de tomar mais que o nome tombado do Palestra Italia.

Havia a palestrafobia no ar. Em páginas de um diário popular de São Paulo. No dia a dia no dial de uma rádio de muitos recordes. Em panfletos apócrifos de hipócritas nacionalistas e xenófobos.

Não eram poucos que não queriam mais Palestra e nem Itália em São Paulo. Mas não eram todos. Também não era o São Paulo Futebol Clube que estava por trás dessa intolerância. Mas eram alguns são-paulinos que tomaram a frente das ações ignorantes e ignóbeis.

72 anos depois, neste 20 de setembro que chega, ainda vivemos dias e jogos de intolerantes e ignorantes.

Mas os clubes não podem expiar por erros de irresponsáveis. Mesmo os que assinam atas e atos inomináveis.

Xenofobia, racismo e interesses inconfessáveis conspurcam e conspiram contra pessoas. Não associações delas como os clubes de futebol. Dos maiores fatores de integração social, às agremiações não foram feitas para segregar e nem sangrar.

Assim como não podemos confundir os times com os clubes, por mais confusos que sejam alguns dos times atuais, não podemos generalizar atitudes deploráveis.

As vaias de 1942 para aqueles que eram cobrados só por atuarem em um clube de origem estrangeira não se justificam.

As vaias de 2014 para um atleta que defendeu a sua cor não se justificam em tempo algum.

Como demonizar todo um Tricolor paulista em 1942 e todos os tricolores gaúchos em 2014 não tem cabimento.

Não é papo do Aranha. Nem Grêmio pode ser culpado de tudo

por Mauro Beting em 19.set.2014 às 11:59h

As vaias são do jogo. Vaiar um atleta adversário é do futebol. Perseguir um rival que o eliminou de uma competição é compreensível. Enervar um jogador de outro time com palavras de baixíssimo calão não é bacana. Mas faz parte de nossa cultura de jogo, muitas vezes incultura de civilização.

Enorme parte da torcida do Grêmio vaiar o goleiro do Santos aconteceria provavelmente se as camisas fossem trocadas. Aconteceriam vaias na Vila Belmiro, Allianz Parque, Maracanã, onde fosse. É do torcedor. É do futebol.

É uma pena.

Mas o Grêmio precisa lamentar oficialmente o ocorrido. Precisa ter o discernimento, equilíbrio, retidão e coragem de Aranha. Ainda que correndo o risco de extrapolar e afirmar que todas as vaias foram racistas.

Precisa veemente distinguir o que é do futebol e o que pode ser preconceito.

Se não quer e não pode ser bode expiatório o clube e ótima parte de seus torcedores de boa vontade, não pode a instituição tolerar burrice de animais irracionais e que discriminam raças zurrando e urrando contra um goleiro negro como uma das três cores do clube.

Não é esparrela de Aranha. Nem papo do Aranha.

É o horror.

Aranha não se calou contra o baixo calão e contra alguns que são do pior escalão da humanidade desumana.

O Grêmio precisa berrar contra o racismo. Como fez Aranha. Como o mundo precisa ser um pouco mais humano.

Eu sei que o clube não apoia. Sei que a maioria não gosta.

Mas é preciso fazer o mesmo barulho para dizer não ao racismo.

O mesmo barulho para não ser o clube discriminado por algo intolerável. O Grêmio foi punido severamente por atos de alguns intolerantes. O Grêmio precisa punir os próprios intolerantes raciais.

Louvável muitas das iniciativas que o clube vem tendo contra as manifestações racistas. Inclusive o modo como parte da direção está estendendo a mão a Aranha. Ainda que ele não queira entender. Ou entende, mas não quer. E todas as partes precisam ser respeitadas. Sobretudo a que primeiro foi desrespeitada.

Não foram apenas vaias do jogo.

Foram vaias que vão acabando com todo o jogo.

Mas, reitero. A briga do Brasil não pode ser com o Grêmio. É contra o racismo.

O Grêmio não pode pagar pelos pecados do mundo. Mas tem de arcar com os débitos de débeis intolerantes. Estão todos pagando preço muito acima por algo impagável. Por crime inafiançável.

Bola na mão e mão na consciência

por Mauro Beting em 18.set.2014 às 14:10h

Escreve Leonardo Gaciba, em seu blog:

“A mão na bola sempre foi uma das jogadas mais polêmicas do futebol. Aliás, o futebol nasceu exatamente porque dissidentes do rúgbi não queriam mais que se utilizasse a mão para jogar. Há dois anos escrevi que tínhamos conseguido uma evolução neste critério e, cada vez mais ele estava claro para quem trabalhava ou assistia ao esporte bretão. Pois a comissão de árbitros da FIFA resolveu dar um nó na cabeça de todos, mais uma vez.

Com vídeos de instrução a FIFA (os que respondem por ela) criou um novo conceito e começaram a disseminar pelo mundo afora através de seus instrutores uma nova visão sobre a jogada e colocou pontos de interrogação na cabeça dos apitadores.

O mais surpreendente é que o livro de regras não mudou seu texto uma linha sequer e dentro do campo tudo mudou. Pior, as orientações foram dadas em quatro paredes e, repetindo um erro secular, não foram informadas ao público, atletas e analistas. O discurso de que o conhecimento é para todos e estaria disponível a quem interessasse não saiu no papel e, na prática, a cultura das alterações secretas continua valendo. Ruim para os árbitros que estão tendo que adotar estas novas orientações sendo a vidraça de uma mudança desconhecida da maioria.

Feito esta introdução, este blogueiro deixa claro que não estou “debatendo” se concordo ou não com as novas interpretações, a verdade é que elas existem e estão em vigor e os árbitros aplicarão em nossas competições. Ainda, conforme disse anteriormente, não há nada documentado oficialmente e as palavras que serão utilizadas são resultado de muita pesquisa pessoal, termos utilizados em vídeos de instrução, conversas com árbitros de elite mundial e instrutores de alto nível internacional.”

Escreveu Gaciba. Agora escrevo eu.

Só ontem a CBF fez um vídeo a respeito dessa nova orientação.

Depois de rodadas de interpretações discutíveis. Para não falar infelizes.

Lembra o que aconteceu por algumas rodadas em 1991, quando goleiros que soltavam bolas (ou faziam defesas em dois tempos) não podiam mais tentar a segunda defesa. Davam bicos desesperados para frente até que alguém de bom senso entendeu que a interpretação de instrutores e árbitros estava errada. Os goleiros podiam tentar a Segunda defesa sem cometer infração.

Espero que seja o caso brasileiro. Para não ser o ocaso do futebol.

Não existe nada mais “não natural” que alguém correndo para uma bola com o braço colado ao corpo.

Não existe nada pior que contrariar o espírito da regra do jogo.

Ou existe: usar a regra apenas para um time. Seja qual for. Não uniformizar o critério dentro de uma mesma partida.

Equilíbrio é tudo

por Mauro Beting em 18.set.2014 às 10:28h

Emerson Sheik voltou ao time do Botafogo e mostrou que é o melhor jogador da equipe que foge do rebaixamento.

Fez um belo gol de peixinho, bateu bem o pênalti que eu não marcaria, reclamou muito da arbitragem confusa para os dois lados (e as duas equipes têm sofrido com o apito no BR-14), apanhou muito, cavou muitas faltas, bateu além da conta, mereceu ser expulso em mais uma entrada infantil para a idade que realmente tem, e saiu dizendo na frente da câmera que a CBF é uma vergonha.

Por ter falado com propriedade o que falou ele vai ser duramente punido. Justo quando tinha mais razão, ele perdeu totalmente a dele.

Quase ao mesmo tempo, o melhor jogador de um time que foge do rebaixamento deu um passe para gol depois de mais um tempão afastado por lesão. Fez as melhores jogadas do time. Apanhou muito. Cavou outro tanto de faltas. Fez falta para amarelo e ainda pisou no adversário. Foi expulso pela enésima vez de forma destemperada, amadora, irresponsável. Valdivida impagável.

Os caras que desequilibram quando enfim estão disponíveis de dispostos são desequilibrados.

Botafogo e Palmeiras terão problemas quando os criadores de soluções são seus maiores problemas.

Palmeiras 2 x 2 Flamengo – Dívidas e Valdivida

por Mauro Beting em 18.set.2014 às 9:18h

Luxemburgo e Dorival Júnior foram os últimos treinadores do Fluminense na campanha que só não deu rebaixamento por motivos extracampo.

Luxemburgo não assumiu o Palmeiras antes de Gareca também por não gostar de ser entrevistado por Brunoro. Do modo como ele mesmo havia sido sabatinado 21 anos antes, quando chegou ao Palestra pela primeira vez.

Na Gávea, WL deu uma ajeitada no sistema defensivo, organizou um tanto mais um elenco limitado como tantos, e vai, com a força da camisa e da torcida, conseguindo mais pontos que o imaginado.

Foi assim também no primeiro tempo no Pacaembu. Fez um gol com Canteros em falha defensiva de Juninho (pleonasmo), e ampliou com Alecsandro, em lance discutível de mão na bola de Eduardo da Silva (que eu não marcaria toque – e quando escrevo “mão na bola” não escrevo “bola na mão” por já estar entendido). Poderia marcar o empurrão de João Paulo em Henrique, dentro da área, no final do primeiro tempo.

Mas o 2 a 0 foi o retrato de mais um tempo ruim do Palmeiras. Um time que, quando joga direitinho, perde feio do Fluminense. Quando joga mal, perde ainda pior.

Parecia ser o caso de mais um pesadelo até a entrada de Allione no lugar de Mouche (com o bravo Diogo mudando de lado) e Valdivia no de Henrique. Do 4-4-2 exposto e que não funcionou para o 4-2-3-1 com Valdivia sendo a solução para a falta de criatividade. E problema pela falta de equilíbrio do chileno, expulso por ato impensado (redundância) depois do empate alcançado. Muito pela presença dele no belo lance para o gol de empate de Victor Luiz. Muito pelos melhores lances do Verdão além do primeiro gol, que nasceu de um chutão de Lúcio para a raça de Diogo e a falha juvenil de Léo Moura ajudar.

Luxemburgo tirou um atacante e enfiou mais um volante quando o Palmeiras melhorava depois do gol de Diogo. O Flamengo melhorou. E, ironia, levou o empate quando estava mais fechadinho e mesmo assim mais contundente contra um Palmeiras que marcava no meio com Renato e marcava bobeira com Juninho de volante. Luxemburgo botou mais gente na frente depois, aproveitando a tolice de Valdivia. E o Fla só não desempatou por falta de sorte.

No frigir das bolas, placar justo para o Flamengo que se ajeita e deve ficar nas posições intermediárias da tabela. Justo também para o Palmeiras que evoluiu. Mas ainda deve pontos além de muitas coisas e contas para credores e torcedores.

ADENDO – Só considero “injusto” um placar quando a arbitragem interfere no placar provável. Mas, de fato, pelo pênalti não marcado em Henrique, há como dizer que o Palmeiras foi prejudicado. Que o resultado foi injusto. Faltou escrever.

Mas é tudo subjetivo. Tanto quanto alguns dos comentários que dizem que eu só falo mal do meu time.

Como a regra do jogo, toda opinião é válida. Até a mais absurda.

Mas aqui é um espaço livre e, dentro do possível, democrático. Tanto que dá espaço a quase todo o tipo de manifestação a meu respeito. A meu respeito. Mesmo que com desrespeito

ADENDO 2 – Revendo o lance por ângulo diferente, eu agora vejo mais claramente o braço esquerdo de Eduardo da Silva indo em direção à bola. Lance rápido e de reflexo que pode ser interpretado como mão na bola intencional. Havia como marcar a falta em lance discutível.

Mas jamais o impedimento quando a bola é lançada a Eduardo. Ele está em posição legal. Alecsandro, no primeiro momento, não. Mas a bola não vai a ele.

Quando a bola é tocada de Eduardo para Alecsandro, o autor do segundo gol está atrás da linha da bola. Não existe impedimento. Não importa se há um, dois ou 11 rivais à frente dele.

Cruzeiro 2 x 0 Atlético Paranaense – Mais do líder

por Mauro Beting em 18.set.2014 às 8:59h

A bola cai na esquerda e quase escapa. Mas quem vai por ali em velocidade de Cruzeiro é Alisson. A nova aposta de Marcelo.

Ele avança e, desta vez, o que é muito raro no grande líder, não tem tanta opção dentro da área. O Cruzeiro também é tudo isso por sempre ter muita gente de azul para tentar o gol na área rival.

Alisson corta pra dentro e meio que chuta e meio que cruza. Se é chute, não é tão forte. Se é passe, não vai dar certo.

Mas a sorte tabela com quem merece e faz por onde. A bola bate no rival Gustavo, mais um dos tantos rubro-negros plantados atrás da bola e bem posicionados por Claudinei, desvia de Weverton, e faz chuá na rede atleticana.

E um gigantesco buá ecoa pelo Brasil. Mais um do Cruzeiro.

Teria mais um com o iluminado Moreno. O Marcelo que o Grêmio não quis quando comprou Barcos. O artilheiro que o pai não quis ver no Palmeiras e se acertou meio a contragosto com o Flamengo. Não teve o jogo que agora volta a ter no Mineirão. E nos campos onde o Cruzeiro desfila a arte de Everton Ribeiro, que abriu bela chapelaria e fechou a rodada ainda mais na ponta pelo tropeço são-paulino contra o rival figadal do Furacão.

Rival celeste que ainda pode sonhar com o título se não pisar na bola. Mas, principalmente, e quase que tão somente, só se o Cruzeiro quiser deixar de ser bicampeão.

O que parece muito difícil para quem tem jogado tão fácil. E não tem deixado o adversário jogar.

Procure algum lance de perigo do Furacão em BH. Mal se vê Fábio em ação. Mal se vêem os rivais do Cruzeiro na tabela.

Dunga chama 2 – Argentina e Japão

por Mauro Beting em 17.set.2014 às 19:35h

Se já não tinha centroavante na primeira chamada, na segunda, só tem mesmo Diego Tardelli que pode atuar mais à frente, pela exclusão de Hulk da lista de convocados.

Robinho pode jogar mais à frente. Como o próprio Neymar atuou no final do amistoso contra o Equador.

Não é apenas uma questão tática do treinador. É técnica da atual geração.

Mas eu pensaria em dar mais uma oportunidade a Pato, que está se recuperando no São Paulo. Ou mesmo Alan Kardec, que tem atuado cada vez melhor. Ou mesmo os dois. Até para equilibrar a balança no BR-14. Ricardo Goulart e Everton Ribeiro merecem os chamados. Mas o Cruzeiro não merecia os perder em momento tão delicado da tabela, com o inegável crescimento do São Paulo.

Até para evitar maiores broncas, o equilíbrio de forças e fraquezas é interessante por parte do treinador. Mostra boa vontade e consideração.

 

GOLEIROS DO DUNGA – Jefferson (merece mais uma oportunidade, e como titular) e Rafael Cabral (também boa lembrança).

MEUS GOLEIROS – Jefferson (tem merecido mais que meu dileto Victor que, agora, eu deixaria de fora). E Rafael Cabral. Ou Marcelo Grohe. Ou Diego Alves. Não vejo problemas na meta.

LATERAIS-DIREITOS DO DUNGA – Mario Fernandes (ótima lembrança e é versátil) e Danilo (foi bem contra o Equador).

MEUS LATERAIS – Rafinha está voltando ao time do Bayern e tem mais experiência e qualidade que Danilo (embore menos versátil) e Mario Fernandes.

LATERAIS-ESQUERDOS DO DUNGA – Filipe Luís (ainda que preterido por Mourinho no Chelsea) e Dodô (tem melhorado na marcação, embora atue como ala no 3-5-2 da Internazionale)

MEUS LATERAIS – Marcelo e Filipe Luís. Dodô teria mais dificuldades para marcar no 4-2-3-1 de Dunga.

ZAGUEIROS DO DUNGA – David Luiz (ok), Marquinhos (ok), Miranda (ok), Gil (boa lembrança)

MEUS ZAGUEIROS – Sem o lesionado Thiago Silva, teria levado os três primeiros, e, na dúvida entre Dante e Gil, também apostaria no corintiano.

VOLANTES DO DUNGA – Luiz Gustavo (também chamaria), Fernandinho (idem), Elias (também), Ramires (bom nome, sempre)

MEUS VOLANTES – Chamaria os quatro, deixando de fora, desta vez, o todocampista Paulinho, que tem atuado mais à frente pelo Tottenham. Quando joga…

MEIAS CENTRAIS DO DUNGA – Oscar (merecido), Philippe Coutinho (merecido) e Ricardo Goulart (mais que merecido).

MEUS MEIAS CENTRAIS – Oscar, Coutinho e Ricardo Goulart. Os três. Ainda não chamaria o tão pedido Roberto Firmino.

MEIAS-ATACANTES PELO LADO DIREITO DO DUNGA – Everton Ribeiro (mais que merecido) e Willian (tem merecido a confiança do treinador)

MEUS MEIAS-ATACANTE PELO LADO DIREITO – Everton Ribeiro e Alexandre Pato, até para não prejudicar tanto o Cruzeiro nesse momento do BR-14 polarizado, e como outra opção de comando de ataque além de Tardelli.

MEIAS-ATACANTES PELO LADO ESQUERDO DE DUNGA – Neymar e Robinho (bom chamado)

MEUS MEIAS-ATACANTES PELO LADO ESQUERDO – Neymar e Robinho (também pela experiência, o que me faria sacrificar – desta vez – o Willian e também o Lucas, do PSG).

“CENTROAVANTES” DO DUNGA – Diego Tardelli (merecido)

MEU CENTROAVANTE – Diego Tardelli

 

Enfim, eu trocaria três nomes (abaixo da média usual de seis a sete nomes):

trocaria Danilo por Rafinha;

trocaria Dodô por Marcelo;

trocaria Willian por Alexandre Pato

 

A Lusa abusa

por Mauro Beting em 16.set.2014 às 16:09h

Eu não conheço os jogadores da Portuguesa. Nenhum dos titulares. Desconfio que o treinador da Lusa também não os conheça. Não sabe de onde vieram. Mas imagina até onde não chegarão.

Embora, dever dizer, eu não saiba quem é o atual treinador da Portuguesa. Eu chutaria Benazzi. E é. Depois de ter sido Silas. Marcelo Veiga. Guto Ferreira. Argel Fucks. Tudo isso só nessa série B que seria A não fosse a escalação irregular de Héverton, na rodada que nada valia. E valeu tudo para a Portuguesa no vale-tudo do STJD.

A Lusa briga agora para não cair. No Canindé, no último jogo, perdeu de 3 a 1 para o Bragantino. Em um dos sofridos, um zagueiro bisonhamente escorregou e deu o gol ao Braga. No último, um chutão do goleiro rival quicou atrás da zaga e à frente do goleiro que nada pôde fazer.

Mais um gol sofrido. E como são sofridos os gols tomados pela Lusa tombada e tomada pelo desânimo da falta de time. Da falha de dinheiro. Da fraca direção. Do fado mais triste de um torcedor que não vê futuro e mal lembra o passado.

Fardo pesado de cartolas que não pensaram. Ou vão penar além da segundona dos infernos ou da terceira via para quem desconhece o caminho do certo. Para quem não reconhece o que esse clube já fez.

Eu quero ser o que sou. Otimista. Mas é dever ser realista com quem vive com um mundo irreal. Se está difícil para quem tem mídia e modos de girar a roda e a bola, como imaginar que no Canindé aporte dinheiro e gente com vontade e competência?

O caso Heverton seria de polícia se a perícia tivesse provas. Por ora, parece apenas inverossímil várzea – com todo respeito a ela, a várzea.

As versões são mais críveis que os erros incríveis de gente do clube. Se é que pode ser ser gente e pode ser do clube quem pisa na bola desse jeito. Quem troca uma vaga na série A por um provável rebaixamento para a C.

Da canetada dura do tapetão puxado para as caneladas moles do gramado abaixo do nível. Não é piada da Portuguesa. É tristeza tenebrosa de um futebol que de tanto se vender como profissional acaba vendendo amadores na pior acepção

A Portuguesa vive os piores dias e jogos de sua vida que nunca foi fácil. Mas que não pode fazer tão difícil a de tanta gente que escolhe ser Lusa no fim do túnel. Que quer ser Portuguesa sem certeza de nada. A não ser de falar com orgulho que é Lusa.

- E aí, vai encarar?

Até gostaria.

Mas, para isso, toda a Portuguesa precisa olhar o que resta de espelho.

Precisa ter a coragem de desbravar o mar desconhecido e achar um outro caminho.

Não pode esperar pelo retorno de dom Sebastião. Ele não volta. Ele não vem.

Precisa é arrumar um jeito de fazer em casa o que a própria casa da Portuguesa, com certeza, deixou levar. Lavando as mãos para quem as sujou. Lambendo as digitais de quem mostrou os dedos e deu de ombros.

A Lusa abusa do direito de errar.

Eu não a reconheço mais em campo. Por tabela, pela ponta de baixo dela, eu não me reconheço sem a Portuguesa em campo.

Para mim ela sempre será grande. Mesmo quando se apequena se aporrinha se apoquenta.

Mas isso sou eu, que sou meio do passado, sou bastante saudosista.

Para não dizer que sou apenas saudades.

São Paulo e a guerrilha nada santa

por Mauro Beting em 16.set.2014 às 10:54h

O São Paulo não jogava tão bem como agora desde 2008, quando Juvenal Juvêncio era o supremo e legítimo comandante tricolor, armador do tricampeão brasileiro que havia sido tri mundial e tri da Libertadores com ele mandando muito no futebol.

Desde 1930, nunca se viu no SPFC tamanha batalha intestina jogando contra o clube e ligando tantos ventiladores para todos os lados – menos para a direção certa.

O triste da batalha de egos alambicados (no sentido de jactantes e prepotentes) é que cada parte parece ter muitas razões no que fala mal da outra.

Nem os maiores rivais paulistanos conseguiriam fazer entre cartolas de abas ocas ópera tão bufa e besta quanto os cardeais nada santos que passam e passaram pela “sacrossanta” casa tricolor.

Juvenal Juvêncio, primeiro e único de Morumbi, Barra Funda e Cotia, o delegado plenipotenciário que não delegava, agora detona a criatura que ele recriou na eleição deste ano. Quando, enfim, largou o poder que tudo ele fez para se perpetuar de modo ilegítimo, depois de perpetrar manobras continuístas legais, mas indignas das indignidades de outros sultões que não queriam largar o poder nos clubes paulistas. Em vez de ser um Natel de grande e edificante história dentro do clube, deixa o São Paulo como um Dualib de muitos títulos. Protestados ou não.

Perdeu a razão um Juvenal que tanto fez o clube ganhar como ganhou pela vida são-paulina. Cartola que montou times históricos e, também, aquele que teve de disputar módulo inferior no SP-91. Dirigente que, ao lado de Carlos Miguel Aidar, foi importante no Clube dos 13, em 1987. Embora, pela disputa da Taça das Bolinhas desde 2007, não tenha dado a menor pelota àquilo que fez à época. Dupla agora desunida que foi dinâmica à época. E, agora, pela sede de poder e títulos, Juvenal e Aidar esqueceram que achavam o Flamengo vencedor de 1987. Ora, bolinhas!

Aidar tem juvenalizado em muitas ações e frases como presidente. Tem sido juvenil em outras. Tem cometido as mesmas barbaridades do antecessor. Tem brigado com deus, o mundo e o diabo. E, agora, com quem o recolocou no clube. Não no futebol, que Aidar continuou mexendo muito bem seus pauzinhos. E porretes. E pessoas no meio do futebol, dos negócios e da CBF.

Aidar esteve sempre por aí. Mas não parecia estar muito ali ao demitir agora JJ em manobra que poderia ser adiada, ou mesmo deixada para lá, Aidar retirou das brumas o colérico cartola que espichou o próprio mandato por entender que o São Paulo precisava dele… Que a Copa de 2014 seria no Morumbi se ele permanecesse.

Um Janio Quadros nas ações e nas palavras e até nas pausas. Que dizem muito quando nada aprofundam. Ou são mesmo superficiais como mais um tirano duro de tirar do trono.

Juvenal virou personagem engraçado por ser triste. Ou apenas triste por ser engraçado. Um dos dirigentes que mais conhecem futebol se achou o sol do céu e o sal da terra santa e sacra. Só ele sabe. Só ele manda. Só ele.

Ficou só.

Agora, como um Tiririca letrado, diz que o São Paulo “vai respirar Juvenal até a morte”. Na terceira pessoa. Ou em todas elas. Ou apenas ele.

Um colosso que ele ajudou a erguer não morre. É sabido.

Mas caudilhos passam e passaram do tempo e do tom no poder. Muitas vezes criam novos juvenais. Ou um velho Aidar repaginado e remoçado, mas com as mesmas práticas.

O resultado da tetra tétrica só não é risível por ter a incapacidade de atrapalhar todo um ótimo time e um bom trabalho que inegavelmente têm a marca de JJ e CMA. Grifes grogues que não podem ser maiores que aquilo que os une – e a vaidade desuniu: o SPFC.

Respeito a história de Juvenal Juvêncio. Entendo a idade do dirigente tricolor. Mas não é por ela que ele anda há muito tempo falando e fazendo bobagem, com parte da mídia achando graça, e gente rindo da desgraça de um senhor com a saúde debilitada.

Juvenal é assim mesmo.

Quem o pariu e que não o deixou partir que cuide para ele não rachar o São Paulo F. Clube. O Futebol C. sobrevive. E muito bem.

Casillas não caiu

por Mauro Beting em 15.set.2014 às 18:50h

Aos 18 anos, Iker virou titular do clube do coração.

Desde aquele ano, 1999, é o terceiro atleta que mais atuou pelo decacampeão europeu – os últimos três títulos com ele no elenco, e com atuação colossal na conquista de 2002.

Campeão do mundo pela Espanha em 2010. Bi europeu em 2008 e 2012.

Tudo de ótimo que se pode esperar em um goleiro. Tudo de maravilhoso que o torcedor quer ver em alguém que veste a sua camisa como se fosse nem a segunda ou a primeira pele.

Mas a única.

Tão bom é que, mesmo falhando na decisão da Liga dos Campeões de 2014, a equipe ainda buscou o empate no final que, depois, virou goleada contra o bravo Atlético de Madrid.

Tão regular é que, mesmo tendo atuado mal na temporada que passou, ainda merece o respeito dos rivais, da bola, e da história.

Mas não de todos os torcedores merengues, que o vaiaram impiedosamente depois de mais uma falha decisiva – como também fez péssima Copa do Mundo, como toda a Espanha. No primeiro gol da vitória do Atlético, no Santiago Bernabéu, pela terceira rodada do Espanhol, Casillas não cortou a bola que chegou à cabeça do colchonero Tiago. Mais um gol defensável tomado por um ícone como Iker.

Mas as vaias a ele foram indefensáveis.

O torcedor que agora quer arrancar as guantes (“luvas”) dele da meta madridista não se aguentou e pegou pesado com a lenda da meta merengue.

Fosse Casillas mais um, e não apenas um dos melhores camisas um de todos os tempos e de todos os clubes, o goleiro do Real Madrid abusaria do primeiro verbete do Manual de Sobrevivência de Craques & Bagres do Futebol:

- Eu não preciso provar nada para ninguém.

E não precisaria provar e dizer o goleiro campeão da Copa do Rei por duas vezes, campeão da Espanha por cinco vezes, três vezes da Europa e uma do mundo com a camisa do colosso madrileno.

Mas Casillas é dos poucos que têm a humildade de fazer em vez de falar.

Sabe que o torcedor pode ser ingrato. Injusto. Esquecido. Tudo.

Casillas não se perde pela boca:

- O público é soberano. Se acham que devem vaiar, é preciso respeitar, enfrentar o problema e seguir trabalhando. O torcedor está no direito dele. Eu tenho de responder jogando o meu futebol.

É isso.

Que outros sejam como Casillas jogando. E também pensando, falando. Ou ficando quietos.

Respondendo pela bola, não pela boca.

 


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