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À deriva, Vasco

por Mauro Beting em 01.set.2014 às 18:55h

O melhor visitante da Série B venceu fora de casa. Normal.

Com dois gols em lances de bola cruzada. Normal.

Com dois gols em cobranças de falta. Não muito normal.

Com um gol em saída errada da zaga, e bola carambolada na sequência. Não muito normal.

Poderia ter feito mais um gol no fim. Normal.

Quase levou um golaço de bicicleta quando estava zero a zero. Não muito normal.

Venceu por 5 a 0 em São Januário. Anormal para o Avaí e para qualquer colosso na Colina.

O Vasco perdeu de goleada em casa na Série B.

Infelizmente, não muito anormal.

Natural pela fragilidade do elenco que perdeu depois disso o treinador. Normal.

Natural que irracionais cobrem além da conta por mais um fracasso. Infelizmente normal.

Mas ainda mais triste é não se assustar tanto. Fora a Copa do Brasil-11 e a boa campanha na Libertadores-12, o que tem de Vasco nos times formados por um clube hoje deformado?

É normal mais um pesadelo.

Não se viu Vasco na goleada.

Não se vê Vasco há tempos.

E não serão os próximos tempos
que serão vistos e vividos.

O que se pode dizer, como bem pontuou o caríssimo Mauricio Noriega: sábado foi o dia em que Vasco e Palmeiras se uniram na mediocridade.

Acentuo: como clubes de colônias de férias. De retirados. De desapontados.

São muito grandes para tão pouco futebol.

O pior Palmeiras que vi

por Mauro Beting em 01.set.2014 às 13:23h

PALMEIRAS 1980

 

Foi em maio de 1980. Sete jogos sem vitórias, pela fase final da Taça de Ouro (BR-80) até a estreia no estadual (SP-80), iniciada com goleada sofrida para a Inter de Limeira por 4 a 1, no Palestra.

Só três mil foram ao Palestra frio ver a vitória sobre o Botafogo de Ribeirão Preto naquele pré-inverno rigoroso. Gol de Mococa. Seis meses antes, o JT desafiava o valoroso volante verde com o gigante da Beira-Rio Paulo Roberto Falcão. Deu Inter, deu Falcão, claro.

Mas Mococa era ótimo – em 1979. O Palmeiras sem Telê, chamado para a Seleção, em fevereiro de 1980, já não era tão bom no meio do primeiro semestre, embora ali permanecessem o ótimo Gilmar na meta, e a zaga daquele timaço do segundo semestre de 1979: Rosemiro e Pedrinho voando pelas laterais, e Beto Fuscão e Polozi na zaga – todos já chamados pela Seleção, na época em que não era fácil ser de seleção. Pires e Mococa eram a mesma dupla daquele timaço de 1979 que só não ganhou o Paulista por manobras de bastidores, e só parou na semifinal do Brasileirão diante do tricampeão – invicto – Internacional.

Nei estava jogando no meio-campo em 1980. O mesmo baita ponta da segunda Academia.Carlos Alberto Seixas, César e Baroninho também eram remanescentes do timaço de 1979. Mas todos jogando muito abaixo do bom nível que tinham. Como, no banco de reservas, o velho mestre Oswaldo Brandão não fazia mais milagres.

Todo o time caiu de produção em 1980. Alguns não eram o muito que pintaram em 1979 – e mesmo antes. Sem Jorginho, na Seleção de novos, o time penava um pouco mais. Vieram novos nomes. Vanderlei, de grandes passagens pelo Galo e Ponte Preta, mas sem o memo pique. Freitas, meia revelação do Coritiba, que não vingaria. Lúcio, ponta direita que jogara muito na Ponte, jogaria pouco no Palmeiras e, de volta a Campinas, jogaria demais pelo Guarani. Onde também brilharia Jorge Mendonça, que fora negociado em 1980 com o Vasco.

No SP-80, o Verdão não se acertava. Ou, quando ganhava uma, perdia em seguida, como em Ribeirão Preto. 2 a 1 para o Comercial, com gol do lateral direito Benazzi. Mais um daqueles rivais que o Palmeiras compraria logo depois por fazer gol contra o Verdão. Poucos faria a favor.

Ainda mais jogando tudo contra o clube e o torcedor. Como em amistoso contra o São Paulo, em agosto de 1980, no Morumbi, o time levou de quatro. E desse jeito foi ficando no segundo semestre daquele ano que foi dos mais frios em São Paulo. E dos mais longos invernos e infernos verdes. No jogo seguinte, a Francana venceu por 1 a 0, no Palestra. Gol de Parraga (treinador interino alviverde em 2010). Caiu Brandão. Em 16 de agosto, quase quatro anos depois do último título paulista então conquistado, novamente no Palestra, de novo contra o XV de Piracicaba, vitória por 2 a 0 em casa. A última em 1980, já dirigido por o fragilizado time por Diede Lameiro.

Mais oito jogos sem vencer – quatro empates. Derrota feia no meio para o Guarani, em Campinas, com gol de Jorge Mendonça… Teve um belo 3 a 0 na Portuguesa para acabar com o jejum. Até vir outro: quatro empates, três derrotas até o fim do SP-80. A pior classificação da história alviverde no Paulistão: 16º lugar.

Gilmar; Rosemiro (Soter), Beto Fuscão, Polozi (Edson)(Silva) e Pedrinho; Vanderlei (Pires), Carlos (Freitas) e Célio; Jorginho (Lúcio), César e Nei (Baroninho). Diede Lameiro montou esse que, não pelos nomes, mas, pela bola, era o pior dos Palmeirasa até então. Não era para isso. E foi ainda pior por conta do regulamento: para a Taça de Ouro (primeira divisão brasileira) de 1981, classificavam-se as equipes pela colocação nos estaduais. No disputadíssimo SP-80, o Palmeiras não ficou entre os seis primeiros. Foi obrigado a disputar a Taça de Prata de 1981, o equivalente à segunda divisão nacional.

Mudou a diretoria, resolveram mudar o elenco, apostando em muitos nomes do interior. Como o Palmeiras havia muito bem feito em 1968-69, iniciando a montagem da Segunda Academia. Como muito mal fez em 1981, iniciando a campanha para a segunda Taça de Prata, na temporada seguinte, em 1982.

O bom goleiro João Marcos assumiu o lugar de Gilmar. Em dois anos seria convocado para a Seleção. Mas não segurou a barra. Benazzi, Edson (Marquinhos), Darinta e Jaime Boni (Tonigato); Vítor Hugo, Sena (que era ótimo) e Célio (Adauto); Osni (Jorginho nem sempre podia jogar), Paulinho (que era bom centroavante) e Baroninho (que seria emprestado ao Flamengo ainda em 1981 e seria campeão da Libertadores e mundial…) ou Romeu ou Marquinho na ponta…

Meus Deus!

O time que nem o mito Dudu deu jeito. Nem sem ele e Ademir da Guia jogassem no meio.

 

Rosemiro, Gilmar, Polozi, Mococa, Edson e Pedrinho; Lúcio, Jorginho, César, Wilson e Baroninho. Bons nomes, péssimo futebol

Rosemiro, Gilmar, Polozi, Mococa, Edson e Pedrinho; Lúcio, Jorginho, César, Wilson e Baroninho. Bons nomes, péssimo futebol. FOTO: futografia

PALMEIRAS 1981

Era um desepero sem fim. Na Taça de Prata de 1981, ainda fez bonito. Venceu lindo o Guarani de Careca e Jorge Mendonça no Palestra abarrotado e voltou para a Taça de Ouro ainda na mesma temporada. Para levar de 6 a 0 do Inter, no Beira-Rio, e se perder novamente…

Em maio, o mito Luís Pereira voltou para a zaga. No jogo seguinte, Aragonés, bom meia da Bolívia que jogara muito contra o Brasil de Telê, estreou fazendo golaço com a camisa que fora de Ademir da Guia. E de Célio.

- Agora vai!

Pensamos. Passamos…

Não foi.

Mesmo com Jorginho Putinatti de volta ao time, o craque do time nos anos 80, a década perdida começava ainda mais perdida para o palmeirense. Depois de um belo 3 a 0 no São Paulo, no Pacaembu, cinco empates seguidos até perder para a Ponte, no Palestra, com um gol de Dicá no fim da partida. Dudu já havia substituído por Fedato, talismã artilheiro dos anos 1970, mas que não tinha como fazer milagre. E não fez. Jorge Vieira assumiu no final de junho de 1981.

Ainda havia time para vencer clássicos. Bela virada por 2 a 1 contra o Corinthians, no Morumbi. No Pacaembu, no Débi, Gilmar foi santo e garantiu o 1 a 0 num jogo que deveria ser 11 a 1 para o Timão. O time era fraco, mesmo com o retorno de Pedrinho à lateral e a chegada do atacante Enéas, vindo do Bologna. O Verdão mostrou isso na disputa do tetra do Ramón de Carranza. Foi tétrico: 5 a 0 para o Sevilla, 4 a 0 para o CSKA de Sofia.

- O Palmeiras acertou na Espanha a contratação de um goleiro búlgaro: Tomanov.

Era a piada da hora. Era a tristeza do palmeirense que continou levando ferro em 1981. Em outubro, 6 a 2 para o São Paulo. Esquerdinha, bom meia e ponta que viera da base, e Reginaldo Pernilongo sofriam com a fase. O torcedor, mais ainda. Uma virada para o Santos, depois de estar vencendo por 3 a 2, fechou com chave de chumbo um ano ruim. O 11º lugar no SP-81 foi menos pior que o 16º de 1980. Mas, de novo, não houve como se classificar para a Taça de Ouro de 1982. E, de velho, a temporada foi ainda pior.

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Benazzi, Vítor Hugo, Jaime Boni, Marquinhos, Darinta e João Marcos; Osni, Paulinho, Sena, Célio e Baroninho. O célebre time que venceu o Guarani por 2 a 0 e se classificou para a Taça de Ouro de 1981. Sena, João Marcos e Paulinho eram bons jogadores. Baroninho seria campeão da Libertadores e mundial no segundo semestre daquela temporada. FOTO: globo.com

 

PALMEIRAS 1982

Com Paulinho de Almeida no comando, vendendo o lateral de Seleção Pedrinho às vésperas da Copa para o Vasco (mais ou menos como foi Henrique, negociado em 2014 antes do Mundial…), a diretoria alviverde trouxe promessas apresentadas como o “novo Falcão” (Suca) e o “novo Zico” (Mario Sergio, meia-atacante do Matsubara)…

Gilmar; Nenê (Benazzi), Luís Pereira, Edson (Deda) e Jaime Boni; Suca (Vítor Hugo), Aragonés e Célio; Jorginho Putinatti, Almir e Esquerdinha (Rodrigues). Esse foi o time que nem da primeira fase da Taça de Prata de 1982 passou. Uma vitória, um empate e três derrotas.

Meu diabo!

Em março, chegou o volante Rocha, junto com o voluntarioso lateral da base Vargas.  Mas os bons resultados não vieram. Fora um gol no último lance de um Dérbi com Luís Pereira, poucas alegrias, muitas decepções: 5 a 1 para o Corinthians, em agosto, e 6 a 1 para o Santos, em novembro, quando Rubens Minelli já dirigia um time que até venceu bons jogos contra o São Paulo, com gols do goleador que chegara – Baltazar.

Artilheiro de Deus que fazia muitos gols mesmo estando mais impedido que o bom futebol na equipe alviverde. Centroavante que respeitava ainda que, em algumas partidas, eu ficasse correndo junto ao bandeirinha berrando para Baltazar sair da posição irregular.

Como eu fiz naquela tarde de terça, 12 de outubro, no Morumbi. Juventus 2 a 0. Dois gol de Ticão. 171 impedimentos de Baltazar, e uma cobrança de falta histórica, que o amigo André Falavigna bem descreveu no meu novo livro, “PALMEIRAS, 100 ANOS DE ACADEMIA”, lançado pela Magma Editora.

Quando Ticão fez o segundo gol, aos 40 do segundo tempo, foi a única vez em 42 anos de estádios que deixei o jogo antes de terminar. Eu e meus cinco companheiros nos levantamos sem falar uma palavra e fomos pegar o ônibus.

Era um time que não merecia uma palavra.

 

Luís Sérgio, Jaime Boni, Deda, Vargas, Rocha e Luís Pereira; Barbosa, Carlos Alberto Borges, Baltazar, Aragonês e Baroninho. O time de 1982 tinha alguns bons nomes, mas com desempenho ruim e placares pavorosos. Nesse clássico, a derrota foi para o Santos por 3 a 1, em setembro de 1982, pelo Paulistão

Luís Sérgio, Jaime Boni, Deda, Vargas, Rocha e Luís Pereira; Barbosa, Carlos Alberto Borges, Baltazar, Aragonés e Baroninho. O time de 1982 tinha alguns bons nomes, mas com desempenho ruim e placares pavorosos. Nesse clássico, a derrota foi para o Santos por 3 a 1, em setembro de 1982, pelo Paulistão. FOTO: futografia

PALMEIRAS 2002

Como o Verdão de 2002. Um time que foi rebaixado em um turno só que acaba levando a essas infelicidades. Ainda mais quando um time de bom nível começou a se perder com a saída de Luxemburgo, na segunda rodada, e mais quatro treinadores: PC Gusmão (um jogo), Flávio Teixeira (cinco), Karmino Kolombini (um) e Levir Culpi (até cair).

Nos primeiros cinco jogos de Levir, um empate e quatro derrotas de um grupo rachado. De gente que não estava nem aí e nem ficou no grupo para 2003. E de nomes históricos como Marcos, Sérgio, Arce, Zinho. De jogadores que seriam vitoriosos como Leonardo Moura, Fabiano Eller, Paulo Assunção, Rubens Cardoso e Nenê (mas não clube). De gente de qualidade como Dodô, César e Pedrinho (que voltava de lesão).

Sérgio; Arce, Alexandre, César e Rubens Cardoso; Paulo Assunção e Flávio; Juninho (Lopes) e Zinho (Nenê); Muñoz e Itamar (Dodô). Era o time que não era ruim. Mas acabou péssimo. Foi o 24º entre 26. O segundo melhor entre os quatro piores. A um ponto do primeiro que se salvou – o Paraná Clube.

PALMEIRAS 2012

Mais ou menos como o Palmeiras de 2012. Não era time para vencer a Copa do Brasil invicto como conquistou. Também não parecia ser time para ser rebaixado no final do ano. Quando ganhou a Copa, em Curitiba, sem o operado Barcos e o suspenso Valdivia, o time tinha Bruno (em grande fase); Artur, Maurício Ramos, Thiago Heleno (atuando muito bem) e Juninho; Marcos Assunção e Henrique; João Vítor, Daniel Carvalho e Mazinho (e mais Luan que atuou se arrastando no final); Betinho, inefável autor do gol do título.

Elenco que relaxou no BR-12 e foi caindo pelas tabelas e pelo gramado. Felipão perdeu a mão de vez, e deixou o clube. Gilson Kleina fez mais do que poderia. Mas, desde agosto, quando perdeu para o Atlético no Serra Dourada, com gol da derrota marcado por Rayllan, pareciam ter cortado a cabeça e o coração de um time que não se acertou mais. Foram quatro derrotas seguidas de um time onde só Márcio Araújo não se lesionava. Obina, Correa e depois o lateral Leandro voltaram ao clube e pouco fizeram. Maikon Leite perdia todos os gols que o time de Tiago Real até criava. Quando Valdivia vez e outra estava em campo, e não esteve mais ao disputar com raça uma bola com Paulo Miranda, no clássico contra o São Paulo. Com ele saiu o que havia de diferente na equipe.

Os garotos João Denoni, Patrick Vieira e Vinícius sentiram a pressão. O investimento enorme em Wesley mal pôde ser usado por lesão grave. Ele foi um dos 13 (!?) ausentes no jogo que decretou o rebaixamento, contra o Flamengo. Fernandinho, João Vítor, Valdivia, Daniel Carvalho, Betinho, Leandro, Thiago Heleno, Leandro Amaro, Henrique, Patrick Vieira, João Denoni, Marcos Assunção não jogaram por lesão. Luan, por suspensão. Com um elenco limitado, e tão desfalcado, não teve como.

Bruno; Artur, Maurício Ramos,. Henrique (Thiago Heleno)(Leandro Amaro)(Roman) e Juninho (Leandro); Correa (Marcos Assunção) e Márcio Araújo; Tiago Real (Wesley), Patrick Vieira (Valdivia) e Maikon Leite (Mazinho)(Luan) ; Barcos.

Era mais ou menos isso o time. Muito mais menos.

PALMEIRAS 2014

E todas essas muitas linhas para dizer que, em 42 anos de estádios e estúdios, nunca vi time pior em verde que este pós-Copa de 2014.

Não são jogadores tão ruins. Neste texto já vi e li e reli e revi times e jogadores fracos.

Mas nunca vi um futebol tão feio e tão ruim como este.

Só não cai se outros salvarem em 2014.

É possível, por ser tudo possível no futebol e, no meu caso, por ser Palmeiras.

Mas são muitos os jogos desde o Mundial (e um pouco antes dele, também) em que conto quantos atletas estão em campo de verde (ou azul, branco, sei lá). Parece sempre haver menos palmeirenses na própria área ou na rival, em todo o campo.

A fase é tão ruim que o treinador erra demais ao mudar o time e escalar um time ofensivo para tentar vencer um Inter muito superior. A ponto de o Palmeiras deixar de piorar quando sai um atacante como Leandro (como Leandro…) para entrar um volante como Eguren (como Eguren…) atuando em casa, perdendo. Sacar um atacante e escalar um volante em time que está perdendo como mandante foi o maior acerto do treinador – que não é o maior responsável pela fase terrível.

O Palmeiras dá chutão sempre. E, quando tem de dar chutão, zagueiros e volantes saem driblando dentro da área. A marcação é zona. Uma zona. Ou palmeirense marcando palmeirense.

Se os gandulas ganhassem por produtividade, estariam recebendo mais que muitos atletas em jogos palmeirenses. O único sentido coletivo do time tem sido o erro de todos em vários lances, como o gol de Jorge Henrique, na justa vitória colorada. A falha maior foi de Fábio. Justamente quem tem tido os maiores acertos (e muitos dos erros) do time que mais vi errando em sequência com a camia palestrina.

Ainda é possível salvar do rebaixamento. Mas não sei como é possível salvar o momento alviverde.

(Texto escrito antes da demissão de Gareca. Um que não estava acertando a mão. Mas que erra menos que os que erram com os pés).

 

 

Cruzeiro x rapa – Parte não sei qual mais

por Mauro Beting em 01.set.2014 às 11:45h

A Chapecoense foi brava. Mas não foi melhor que o Cruzeiro. Ninguém tem sido desde o ano passado.

Por isso Marcelo Oliveira – há mais tempo no cargo – mantém-se no banco e na ponta da tabela. E mesmo com as arbitragens sendo mais prejudiciais ao grande líder que a qualquer outro dos tantos postulantes ao vice-campeonato.

Arbitragens que têm sido do baixo nível do campeonato – fora o Cruzeiro.

Árbitros que marcam todas as faltas, e costumam marcar mal.

Arbitragens que se atrapalham sozinhas.

E mais ainda quando cartolas, treinadores, atletas e jornalistas são irresponsáveis por chorar qualquer lance, não ajudando os já atrapalhados árbitros.

Esquecendo quando o rival é prejudicado, e chorando além das pencas quando são prejudicados.

E não uso o termo “auxiliados” por nada auxiliar o futebol quando se erra tanto.

 

 

 

104 Corinthians

por Mauro Beting em 01.set.2014 às 6:47h

Escrevi há quatro anos o texto abaixo. É o que penso não sendo. É o que milhões sentem sem pensar.

É tudo isso antes de ser o “que nunca serão”. E foram invictos campeões da Libertadores, em 2012.

É tudo isso antes do título mundial “de inverno”. O bi da Fifa. Para não se discutir mais o de 2000.

Embora ainda se discuta. Que ali é Corinthians. Como lá em Itaquera também é. Como diziam que não tinham estádio. E agora tem. Como ainda se discute como foi pago. E sempre se discutirá. Que ali é Corinthians. Lá também é. Em todo o mundo, em 2012, 2000.

Há 104 anos é tudo para todos. Como quando foi 100 assim escrevi:

É na quarta-feira. Foi ontem. É hoje. Será sempre. O Corinthians não precisa de data para celebrar. Só precisa de Corinthians.

Pode parecer mesquinho para os outros, onanista, até. Mas isso é Corinthians para quem de fato importa – o corintiano. Basta existir.

O fiel não precisa de jogo, de estádio, de adversário, de futebol, de campeonato, de gol, de vitória, de título.

O corintiano só precisa do Corinthians para ser feliz.

Só precisa de outro corintiano para fazer festa. Ele se encontra pela rua e confraterniza como se visse um Luisinho, um Marcelinho, um Neco, um Neto, um Rivellino, um Sócrates, um Wladimir, um Cláudio, um Biro-Biro, um Zé Maria, um Basílio, um Gilmar, um Brandão, um ídolo. Um corintiano. Que não precisa ser craque, pode até ser bagre. Desde que saiba que a camisa não é um símbolo. É tudo. É Corinthians.

Não é um bando de loucos. É um corintiano. Definição precisa e perfeita. Completa e complexa. Mas simples como um torcedor que ama o time como ama a família. Se não torce de fato mais pelos 11 que jogam por todos que pelos entes queridos. Afinal, é tudo do ente. É tudo doente. É tudo Timão.

O Corinthians não é a vida de um corintiano.

Antes de ser gente ele é Corinthians.
Por isso tanta gente é Corinthians. Num Brasil imenso e injusto socialmente, o campeão dos campeões paulistas é dos maiores fatores de inclusão, justiça e igualdade no país.

Não por acaso é nação dentro deste continente. Tem regras complicadas, tem razões malucas, tem paixões regradas. Tem de tudo e tem para todos no Parque São Jorge. Na casa por usucampeão Pacaembu. No Morumbi tantas vezes palco das festas. No Maracanã campeão mundial em 2000. Nas tantas praças brasileiras que viraram casas corintianas em títulos e troféus. Até mesmo nas dores que não murcharam amores. Até mesmo nas vergonhas nos gramados e nos sem-vergonhas das tribunas e tribunais, o Corinthians sempre soube ganhar como raros, e até soube perder como poucos. Mesmo perdendo a cabeça e perdendo o juízo. Mas jamais perdendo o coração.

Doutor, eu não me engano, mesmo que meu coração seja o oposto do corintiano, não há nada que bata tanto e por tantos como esse que se diz maloqueiro e sofredor, graças a Deus!

Esse prazer de eventualmente sofrer é exclusividade alvinegra. Esse amor não se explica. É um presente. É um dom. É uma doação, mesmo quando mais parece uma danação. É sina que não se explica, que fascina até quem não é, até quem não gosta. Não sei explicar o Corinthians. Nem os corintianos conseguem.

Mas nada disso é preciso. O que importa é que sempre haverá no estádio e em cada canto um fiel. Um estado de espírito alvinegro. Um torcedor que acredita sem ter por que; que torce sem ter por quem; que joga sem ter com quem.

Listar os títulos corintianos não é fácil. Mais difícil é compreender um torcedor que até se orgulha dos fracassos. Até na segunda dos infernos. Em 2008, vi gente acreditando como sempre desde 1910. Vi fiel não abandonando. Não parando. Acreditando. Corintianando.
Fiel pode até ser rebaixado – mas não se rebaixa. Raros sabem perder e ganhar como nenhum outro jamais venceu.

Ainda mais raros (embora muitos) nasceram sabendo que quem ama não perde. Podem até ter times melhores. Mas mais amados?
Nestes 100 anos, não conheço igual.
Até porque quarta-feira não será um dia especial.

Desde 1º. de setembro de 1910, todos os dias são especiais.

Todos são dias de Corinthians.

E volto para os 104 para dizer que, nos últimos quatro anos, dois corações de doutores, ninguém se engana, pararam. Eram corintianos de alma. O do doutor Osmar, desde sempre. O do doutor Sócrates foi transplantado.

Mas não tem distinção quando se tem Corinthians.

Parabéns, saudosos doutores.

Parabéns, saudosos maloqueiros, sofredores e, graças a Deus, alvinegros.

Das antas, macacos, Aranha, zebras e outros animais

por Mauro Beting em 29.ago.2014 às 7:59h

Era para falar das zebras da Copa do Brasil e Sul-Americana. Se é que esse Ceará ganhar outra vez de outro time da Série A é surpresa – ainda mais quando é o Botafogo, que deve salário e bola como o Palmeiras agora não deve mais grana aos atletas, mas ainda mais futebol na grama…

Se é que o Bragantino ainda é surpresa depois de fazer o que fez contra o São Paulo (que perdeu para o Criciúma, pela Sul-Americana), e contra o Corinthians que se perde em reclamar e trombar tanto com a arbitragem – ainda que, desta vez, o choque de Guerrero nada tenha sido.

Se é que surpreende esse Inter que desembesta e depois empaca que só ele. Ou tantos eles que parecem que vão e não saem do lugar. Ou só se levantam mesmo para ver até onde para o Cruzeiro.

Mas as zebras e outros bichos saem da pauta quando irracionais (com todo respeito aos animais) imitam, xingam, fazem e são o diabo quando intolerantes.

Racistas.

Essa raça que a nossa raça não consegue extinguir em todos os campos.

Agora foi na Arena do Grêmio, onde o bravo Aranha foi vítima de racismo, e o Santos ganhou bonito em uma noite com gente que fez feio. A imagem é tão clara quanto a infeliz que não gosta de gente de pele negra.

Não é “coisa de jogo”. Não tem jogo com esse tipo de coisa.

É preciso que se prenda e que se puna. E que as pessoas tenham a coragem de Aranha para enfrentar a questão.

Está sendo preciso que os tribunais do esporte também usem e abusem para evitar abusos.

A Inglaterra também conseguiu conter os incontroláveis hooligans quando deu um basta aos cânticos bestas. Quando foi intolerante contra qualquer manifestação desumana.

É necessário ter vontade política para começar a punir torcedores e, se for o caso, clubes por racismo.

Ninguém gosta de mais gente mexendo na tabela ou nos mandos de campo.

Mas desmandos dessa falta de ordem precisam ser duramente combatidos.

Não quero aqui punição ao Grêmio, que prontamente se manifestou e ainda mais prontamente quer pegar quem precisa pagar pelo crime que não tem preço.

Mas um pacto entre clubes do bem, todos eles, ajuda a conter essa onda suja que empesteia arquibancadas.

Muita gente boa do esporte e da vida está se manifestando contra quem não sabe viver em sociedade.

A sociedade precisa se mexer.

É o jeito de tentar conter o mal que se alastra.

 

Giovanni Bruno, a soma do Anarello

por Mauro Beting em 27.ago.2014 às 9:59h

Giovanni Bruno nasceu em Salerno. Terra da minha bisavó. Menino saiu da Itália despedaçada da segunda Guerra para descascar batatas no Gigetto, tradicional cantina da São Paulo da minha Mamma.

Depois mediu azeite, fez de tudo até virar garçom do restaurante de estrelas e aspirantes, boêmios e todo tipo de liberais. Dos profissionais aos amadores. Dos amantes aos da várzea.

Lá começou a inventar receitas. Molhos. Toques. Pratos. Pedidos. O menu era ele. Ela era o prato principal.

De tanto anotar ou criar pedidos, de tanto dar gosto aos clientes que viraram amigos, virou dono. Embora a casa onde ele trabalhasse mais parecesse de todos.

Assim se fez o sonho. Il Sogno di Anarello. Na Vila Mariana virou restaurante. Virou o nome da rua. E referência de comida boa e hospitalidade.

Do menino que descascava batatas e ajudava a cidade a descasar abacaxis e pepinos.

Tão simpático que um dia foi chamado a comentar futebol como convidado na Bandeirantes. Italiano, claro. Calcio. E por um tempo achava qualquer Pistoiese x Catanzaro um Derbi della Madonina.

Uma simpatia. Não tinha jogo e tempo ruim. Era Giovanni Bruno que fechava a casa no sábado e domIngo. Já alimentara São Paulo na semana. Guardava os dias para descansar. De tanto cuidar de tudo na casa dele que era nossa. Sonho que soma amigos.

Eu acabara de chegar ao Allianz Parque quando recebi a notícia. No dia dos 100 anos do Palestra Italia dele, do país de berço e do clube que adotou, Giovanni nos deixou.

Bem ele.

Quando era para a cidade chorar, a gente não chorava tanto por ter um amigo como ele.

Ele partiu quando soube que São Paulo ficaria menos triste pela festa do Palestra que nos ensina. Ele partiu em dia de alegria. Por todo dia da vida dele ser festivo.

É assim que se vive. É assim que se parte.

Obrigado, Giovanni Bruno. Você nos ensinou o que é amar o que faz. O que é fazer festa. O que é ser feliz sempre. O que deve ser torcer. O que é o nosso time.

Um texto escrito a milhões de mãos

por Mauro Beting em 26.ago.2014 às 7:38h

Há 100 anos somos Palestra. Há 72, Palmeiras. Há 47 anos sou filho da Lucila que foi comigo lançar ontem o livro oficial do centenário, na loja oficial do clube. Há 15 anos sou pai do Luca. Há 12, do Gabriel. Há um ano sou marido da Silvana, e padrasto da Manoela.

Todos presentes comigo. Como está sempre presente o Palmeiras e seu passado de Palestra, logo, de glórias.

Como estavam ao meu lado Gino Bardelli, Marcelo Mendez, Fábio Chiorino e Leandro Beguoci, que escreveram comigo “Palmeiras, 100 anos de Academia”. Marco Piovan, o editor. Gustavo Piqueira, quem fez o livro tão bonito.

Como só poderia ser bonito um livro de amor. E que paixão. Palmeiras!

Como será sempre lindo um livro de um clube que venceu, perdeu e empatou. Como qualquer outro.

Mas é claro que o nosso livro será um pouco mais nosso por ser um pouco mais de cada um. Da minha mulher. Da minha mãe. Dos meus filhos.

De tantos que só têm um Palmeiras em comum. Incomum comunhão de alma.

Paixão que meu pai definiu em palavras impressas no vestiário do Palestra.

Amor de Palmeiras para filhos que senti quando estava dando o autógrafo para Carlos Botelho. Nunca havia sentido a emoção de estar escrevendo a duas mãos com uma caneta verde. Naquele momento, só pude dizer a ele que aquelas palavras de agradecimento ao pai de Carlos, o Julinho Botelho, eram escritas junto com meu pai, fã do maior ponta direita do Palmeiras.

Você pude não acreditar. Eu também não acreditaria. Mas aprendi a crer ainda mais com meus pais. Ainda mais com nosso Palmeiras.

No meu Palmeiras tem terra

por Mauro Beting em 25.ago.2014 às 12:20h

 

Palestra que nos ensina, Palmeiras que é nossa sina.

Tem quem acha que é chaga. Maldição. Amaldiçoa o Nonno que fez o Babbo palestrino. Impreca contra o tio que fez o sobrinho palmeirense. É assim na fase ruim – e a atual é das piores em 100 anos do clube que foi campeão do século XX. Da época em que o Palmeiras era “ano sim, ano não, era campeão”. E não precisava dizer em que divisão. Até por que o Palmeiras um amor sem divisão. Incondicional.

O Palestra centenário, o Palmeiras de 72 anos, não é maior e nem menor. É o alviverde inteiro. Basta! Não precisa contar os canecos na galeria – embora ninguém tenha mais títulos no Brasil. Não precisa contar quantos passam pelas catracas nos estádios que não têm cabimento para tanta paixão.

Basta o Palmeiras numa paixão que, vez e outra, embesta e empesteia com as cornetas do apocalipse. Para o palmeirense, todo craque é um bagre. Todo Ademir da Guia é um Darinta. É de todos nós esse espirito corneteiro do palmeirense empanturrado de amendoins e títulos: se está 9 a 0, por que não 10 a 0? E se está ruim, tem de ficar pior.

É mezzo italiano, mezzo palestrino. Não adianta explicar. Como disse meu pai Joelmir, em uma frase escrita no vestiário do Palestra: “explicar a emoção de ser palmeirenses, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!” Deveria parar o texto por aqui. Quem é, meus parabéns. Quem não é, nossos pêsames.

Sei que tem quem não é e que não gosta, aliás, detesta o Palmeiras. Não tolera Palestra. Não suportava Itália. E é mesmo insuportável o palmeirense quando ganha – e como venceu! – e quando perde – e como tem se perdido… Mas o intolerável para o palmeirense é um sentimento que vem crescendo à medida em que, no campo, o time se apequena: a sensação de impotência e desimportância. A raiva de cada vez mais gente ter mais dó pela marcha ré no gramado que a raiva pelos tons e cantos em todos os campos.

O Palmeiras tem inspirado mais cuidados que receios. Mais respeito que temor. Mais muitos menos do que os tantos mais de um passado que tem história. Tem glória. Tem de tudo. Tem para todos. Não tinha para ninguém. E, hoje, tem tido pouco Palestra em cada Palmeiras. Estão desmatando o verde em nossos campos.

Mas ainda há o espírito de porco, a alma de periquito. Vai ter uma nova belíssima casa. De futebol e de espetáculos. Algo que a Academia que vencia Pelé e todos os Santos sabia. Lições que o time que mais venceu no Brasil na época em que o Brasil mais venceu no mundo dava de cor. De coração. Com os pés e mãos que construíram em cem anos e o que os anos recentes e reticentes não apagam.

A chama que nos toca. A chama que acalenta um clube que nos acolhe mais que a gente que o escolhe. Chama que a gente atende. Chama que não queima, ilumina. Chama com dois nomes para chamar – Palestra Italia e Palmeiras. Nomes próprios de uma paixão incomum.

Centenária.

Eterna.

Praça da Sé, sábado, festa popular do centenário palestrino

Praça da Sé, sábado, festa popular do centenário palestrino

Palestra!

 

E hoje, há exatos 30 anos e 7 meses, eu estava com meu pai e meu irmão no comício das diretas. Muito próximo do Marco Zero da cidade, na Sé. Ainda mais próximo do Marco Zero dos 100 anos do Palestra, perto de onde era o salão Alhambra. 


Sábado, eu era mais um entre milhares que celebrávamos o centenário. A honra de ser um dos apresentadores da festa, com Gabriela Pasqualin.

A alegria de estar com meus amores Silvana e Luca, e sempre perto dos outros palmeirenses que viajavam – Gabriel e Manoela.

A emoção de por seis horas estar com gente que só tinha um ponto em comum. O definitivo.

Como 30 anos antes, eram muitas pessoas com a mesma vontade e interesses distintos.

Desta vez, eram menos. Menos importante o fato para a nação.

Mas para a nossa noção de gente, somos gente por ser essa paixão centenária.

Dividir o palco com Ademir da Guia, Dudu, Marcos e Evair. Com Simoninha, FalaMansa Bateria da Mancha e Roda de Samba. Com a filha de Luigi Cervo. Com tantos filhos palestrinos. 


É para abrir os braços e agradecer pela honra. 


É para abrir o peito e soltar a voz.


Como em 12 de junho. Como em todo 26 de agosto.

Como todo dia é dia de abraçar os amigos de credo e de fé.

Da Sé fizemos a procissão para o Pacaembu.


Hoje, 19h, na Academia Store, Augusta 2078

Lançamento do livro dos primeiros 100 anos de nossa vida eterna.

É campeão. De novo Cruzeiro

por Mauro Beting em 25.ago.2014 às 9:17h

Pênalti no fim de jogo complicado em Goiás contra um rival que tem se perdido. Mas talvez merecesse melhor sorte contra o grande líder desfalcado de Ricardo Goulart e de seu melhor futebol.

Ainda assim, não fosse Renan, teriam sido mais gols celestes. Como, outra vez mais, não fosse Fabio, a grande vitória no Serra Dourada teria sido empate. Quem sabe derrota na segunda etapa.

Se não havia mais Tinga como referência fora de campo, todo o time jogou por ele. Como esse Cruzeiro todo joga por todos. E por isso todos os rivais não conseguem chegar perto dele. Já são sete pontos de diferença para o vice, o São Paulo que cresce. Mas ainda não o suficiente.

Até que veio o pênalti discutível no final. E até contra as arbitragens o time de Marcelo tem jogado.

E os deuses da bola ajudaram o time que tem ajudado um campeonato pobre para ter um líder rico de campo, de banco, de comissão técnica e comando.

David mandou fora. Golias não caiu. O Cruzeiro segue líder. Campeão antecipado do turno. Cada vez mais campeão antecipado do BR-14. Bicampeão.

Se São Paulo, Inter, Corinthians e Fluminense não tiverem a regularidade azul, é outro ano para fechar em azul. Celeste. Antecipado. Preciso. Previsto. Premiado.

Cent’anni, Palestra. Obrigado, Palmeiras

por Mauro Beting em 22.ago.2014 às 9:53h

É.

Nós.

Siamo noi.

 

vestiario do palestra 4 netos

Ser é estar na foto. É sentir como se fosse a gente. E somos essa gente que sente Palmeiras. Campeã.

 

É a entrada em campo na Arrancada Heroica de 1942. É o pênalti de Evair no 12 de junho, o de Marcos de 2000 e o de Zapata de 1999. O gol com bola e tudo de Liminha de 1951. A colherzinha de Ademir contra o Botafogo, no Rio-São Paulo de 1965. Os chapéus de Alex de 2002 e o gol de tirar o chapéu e fôlego de César Sampaio de 1993. O drible da vaca de Jorge Mendonça no Dérbi de 1976. O toque por cobertura de Jorginho, no 5 a 1 no Santos de 1979. O gol de Luís Pereira no Inter no Brasileiro de 1973. O gol de Rivaldo no bi-bi de 1994.

É a goleada no Boca na Libertadores. O 5 a 0 no São Paulo da primeira Academia. O 6 a 0 no Santos do trem-bola de 1996. O 8 a 0 de 1993 do Esquadrão de Ferro no Corinthians.

É a Pazza Gioia depois da “Loucura do Século”, na compra do Parque Antarctica, em 1920. É a inauguração do Stadium Palestra Italia, em 1933, antes de elevar o Jardim Suspenso, em 1964.

O gol de Zinho no Dia dos Namorados de fim da fila e o de Ronaldo para manter o jejum em 1974. O gol de Mirandinha no fim do Dérbi de 1986. O gol da virada de Romeiro no supercampeonato de 1959. O gol de Euller na virada contra o Flamengo de 1999. O gol sem cabimento de Oséas na Copa do Brasil de 1998. O de Betinho sem fundamento no bi de 2012.

É o 4 a 1 no Flamengo de 1979. É o time reserva ganhando o Rio-São Paulo de 1993. É o título paulista de 1944 sem Dacunto. O pênalti de 1942 que não pudemos bater. O Dudu voltando para a barreira depois de ter desmaiado na final de 1974 e ainda jogando com duas costelas quebradas em 1972. Julinho voltando machucado para guiar o time nos 4 a 0 de 1958 contra o Corinthians. É o Marcão fechando a meta com o punho aberto e quebrado.

É ser duas vezes campeão brasileiro no segundo semestre de 1967. É ganhar mais um nacional ouvindo pelo rádio, no vestiário, o rival perder o título no Mineirão, em 1969. É a Segunda Academia que ganhava títulos sem precisar fazer gol.

É o primeiro gol do Palestra, de Bianco. É o primeiro jogo, contra o Savóia, em 1915. É a melhor campanha do profissionalismo, em 1996. As maiores goleadas em decisões nacionais (8 a 2, em 1960) e paulistas (5 a 0, em 2008).

É o Brasil de 1965, que venceu o Uruguai jogando pela Seleção. É o Brasil que conquistou o planeta de verde e branco, em 1951.

É o Edmundo chamando os rivais para o drible. Jair Rosa Pinto coberto de lama vibrando no vestiário no título do Ano Santo de 1950. As Cinco Coroas de 1950-51. O primeiro campeão do Rio-São Paulo, em 1933.

É o divino Ademir. O santo Marcos. Um carrinho de Junqueira. Um passe de Romeu. Um gol de Heitor. Uma maluquice de César. A mão de Oberdan. O coração de Fiúme.

O maior vencedor de títulos nacionais. É o Campeão do Século XX. A defesa que ninguém passa em 1947. A linha atacante de raça e graça de 1996. O time que deixou o maior rival na fila em 1974 e acabou com a fila contra ele, em 1993.

Dudu no banco e Ademir da Guia em campo, em 1976. A invasão do gramado em Santo André, no bi paulista de 1994. O meio-campo titular acabando com a fila do Brasil de títulos mundiais no tetra, nos EUA. O show de Alex contra o River Plate, em 1999. São Marcos canonizado contra o Corinthians, na Libertadores.

Os bandeirões subindo e descendo arquibancada. Nós subindo e descendo pelos degraus dos estádios. Subindo pelas paredes de casa. Subindo nos pódios de campeão.

É qualquer lance no Palestra. Todo jogo ouvido pelo rádio. Cada partida vista pela TV. Todos os lances lidos no jornal ou na internet. Qualquer jogo, jogadas e jogadores contados pelo pai, avô e bisavó.

Pimpampum de Filpo. Felipão correndo para os gandulas na final de 1999. Luxemburgo descendo antes da volta olímpica de 1993. Brandão e ponto final. É ponto ganho.

É um gol de cabeça de Leivinha. É Leão dando o tapinha no travessão. Marcos apontando os dedos para cima. Evair abrindo os braços para os céus. César Sampaio com tornozelo inchado em 1993. É Arce cruzando. É Djalma Dias, Aldemar e Geraldo Scotto desarmando. É Djalminha armando. É uma falta do Roberto Carlos ou do Rodrigues.

Djalma Santos desamarrando as chuteiras de Julinho na despedida, em 1967. É gritar Tonhão. É jogar em todas como Lima e Cafu e Fiúme. É treinar na Major Maragliano. É trocar outros clubes para ser palestrino. É o 3 a 0 do primeiro Dérbi. É doar a renda para as vítimas de guerra de 1942. É abrir o clube para as vítimas da gripe espanhola em 1918.

É o primeiro uniforme do filho na porta da maternidade. É a primeira chuteira alviverde. O primeiro chute na bola que o filho gritou algo parecido com o nome do nosso time. A primeira vez que ele cantou o hino. O primeiro craque que ele chamou nosso. O primeiro amendoim que descascamos e cornetamos.

A primeira vez que teu pai te levou. A primeira vez que você levou seu filho. A primeira vez que você foi com seu amor.

Você sabe que não precisa ter visto, lido, ouvido, feito nada disso. Por nada disso ainda explicar o que é o amor.

O que somos nós. É tudo isso. É muito mais que isso. Isso é Palestra. Este é o Palmeiras.

O que é o palestrino?

É tudo que dá errado e que a gente sabe que vai dar certo só por ser Palmeiras. É tudo que dá certo e a gente ainda acha que vai dar errado por ser palmeirense.

É gol contra, é gol perdido, é frango, é falha, é roubo, é furto, é susto, é surto, é drible perdido, é jogo perdido, é campeonato perdido, é ruim e caro, é refugo, é refém, é queda, é derrota, é tristeza, é o grosso em campo, o fino da fossa, o fim do poço, o fim do mundo.

É todo o mundo palmeirense. É todo mundo palmeirense. É o nosso mundo.

Não melhor. Não pior. Mas é nosso. De mais ninguém.

Não tem pra ninguém quando a gente é Academia. Tem só pra nós quando somos Palmeiras com espírito de Palestra.

Nem sempre somos os melhores. Mas, como sempre somos palmeirenses, é mais fácil ser o que somos. Insuportáveis. Insuperáveis para o Palmeiras e para os outros.

Na saúde e nos adversários, na alegria e nos rivais, é um casamento eterno. Palestra e Palmeiras.

Nós.

É o amor.

É o nosso time.

É o Alviverde inteiro.

É.

Nós.


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