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Lar, doce lar da aliança palestrina

por Mauro Beting em 29.set.2014 às 8:48h

Há 112 anos foi construído o Parque Antarctica. Então o maior de São Paulo. Com uma área para a prática do esporte que começava a ganhar os campos de Piratininga: o futebol.

Há 96 anos, com o dinheiro do clube e de parceiros, o Palestra Italia comprou a área, na chamada “loucura do século”.

Há 81 anos, o clube inaugurou o Stadium Palestra Italia, com recursos de torcedores e parceiros.

Há 72 anos, o Palestra morreu líder e o Palmeiras nasceu campeão. Dois nomes, a mesma paixão, os mesmos ideais. Mais uma parceira eterna.

Há 50 anos, o clube ergueu o Jardim Suspenso pra elevar o nível do gramado à altura das duas Academias de futebol.

Há 40 anos, meu pai me trouxe pela primeira vez ao Palestra.

Há dois anos, na véspera do dia dos pais, seu Joelmir veio com os netos pela última vez à nossa casa. Foi o último passeio dele com os meus Luca e Gabriel antes de ele ficar doente.

Hoje, os nossos filhos, netos, bisnetos e tataranetos terão orgulho e inveja de nós estarmos pela primeira vez passando pelas catracas do Allianz Parque.

Daqui a 100 anos, eles dirão que nós estávamos presentes na inauguração da nossa novíssima casa.

Quando estivermos celebrando os 200 anos do Palmeiras. E o bicampeonato do campeão do século.

E por que não?

Começamos a ganhar o século XX a partir do primeiro título estadual, em 1920. Não por acaso no ano da compra do Parque da Antarctica.

Difícil era comprar e refazer um estádio, ganhar tudo que vencemos, e refazer uma arena.

Fizemos.

Refizemos.

Com o time unido. Com a torcida que canta e vibra por um alviverde inteiro. Com parcerias. Com Palmeiras. Com a Sociedade. Esportiva. Com todos juntos no lar onde tantas vezes nos desentendemos como palmeirense. Onde tantas vezes nos entendemos como gente.

Aqui é Palestra. Aqui é Palmeiras. Aqui começa o Allianz Parque. Um espetáculo à parte.

Nesta noite de 27 de setembro, com todos nós fazendo parte do show. Palmeiras que é coisa de cinema. Hoje é oficial. Uma história de amor no Dia dos Namorados que parece ficção. Mas é tudo verdade. É tudo Palmeiras!

“12 de Junho de 1993 – O Dia da Paixão Palmeirense.”

Vai começar o filme de nossas vidas.

A nossa vida é você, Palmeiras.

A nossa casa é o Allianz Parque.

(E foi mais ou menos isso que falei como apresentador na inauguração do novo estádio).

Os 48 anos como palmeirenses me levaram a ser jornalista esportivo há 24.

Jamais imaginei que poderia escrever 14 livros. Sete deles do Palmeiras. Um deles, o oficial do centenário.

Jamais sonhei fazer documentários.

Muito menos um longa para cinema.

Ainda menos um filme oficial do clube para o 12 de junho de 1993.

E o que dizer de apresentar a festa de inauguração do estádio?

E o que falar de, nesse evento, a atração principal ser o meu filme e o de Jaime Queiroz, montado por Abner Palma, produzido por Kim Teixeira e todo o timaço da Canal Azul, do meu amigo de infância Ricardo Aidar?

Meu pai tinha uma frase no vestiário do Palestra.

Falava de que como era impossível descrever para quem é Palmeiras. Como não dá para falar para quem não é.

Não consigo explicar para meus Luca e Gabriel o que foi puxar o primeiro grito de “Palmeiras” para os 3 mil presentes no primeiro evento na arquibancada que não existia à frente das piscinas.

Não consigo dizer para a minha Silvana o que foi olhar para aquela tribuna cheia e sentir o primeiro grito do estádio puxado por mim.

Não consigo falar para a minha mãe, meu irmão, cunhada e filhos o que foi chamar para o palco Evair. Levantando os braços e gritando e, o, e, o, Evair é um terror. Autor também do primeiro gol “celebrado” no novo estádio. Quando ele soltou o pé no pênalti de 12 de junho, e José Silvério soltou a voz na nova arquibancada, o Allianz Parque veio acima.

Evair foi o primeiro nome próprio entoado no nosso novo naming right: Allianz Parque.

Aliança que cantou o hino ao final da festa. Com o Calabar e a filha do mesmo 3 de setembro que um dia foi de Kita e Tato. Pra sempre será de Luca e Luna. Com o Erich e a Ra. Com o Cecchini e a Carol. Com o Braga. Com o Paulo Sapo. Com tantos amigos de credo e de verde que estiveram em tantos jogos do Palestra. Agora estarão para sempre na partida do Allianz Parque.

Quando o amigo Marcelo pegou o microfone no final da exibição do filme e puxou o hino do maestro Totó. Cantado pela que vibra e que tinha se emocionado com o o nosso filme. Com a superação da fila. Com o encanto da Via Láctea de Parmalat. Com o gol do Zinho. O pênalti do Evair celebrado como se fosse um eterno 12 de junho. Uma eterna Arrancada Heróica de 20 de setembro. Um 27 de setembro de 2014 agora inesquecível.

Jamais poderia sonhar com tudo isso. E imaginar quantas novas histórias teremos a celebrar na nossa casa. A contar para os nossos como se fosse ficção.

Mas é tudo realidade.
É tudo Palmeiras.

Mal dormi de alegria no sábado.

Mal dormi também no domingo.

Tive um pesadelo. Delirei que jogamos bem em Floripa mesmo com a zaga sub-20. Sonhei que o Valdivia tinha criado o gol perdido no vácuo quando estava 1 a 0 para nós com gol do Cristaldo. Sonhei dolorido que levamos dois gols em dois minutos logo depois. Que perdemos por 3 a 1 para o Figueirense um jogo que estava aos nossos pés. Que continuamos ameaçados. Não sabemos quando vamos poder estrear o estádio. E nem que campeonato jogaremos em 2015.

Mas foi só um pesadelo depois de um dia de magia e alegria.

Já sofremos tanto e demos a volta por cima. Vamos virar esse jogo.

Não sei como. Nem com quem.

Mas sei que se podemos erguer e reerguer nossa casa, com tantos problemas que criamos ou não resolvemos, se enfim vamos voltar para o lugar que é nosso, e só nosso, com nosso dinheiro e de parceiros nossos, por que não conseguiremos ao menos ficar entre os nossos, no lugar que é nosso como maior campeão nacional?

O nosso lugar é o velho Palestra. O nosso lugar é ser um time sempre de primeira.

Mãos e pés à obra.

Atlético Paranaense 1 x 0 Corinthians

por Mauro Beting em 28.set.2014 às 19:21h

Cleo fez bom lance e foi derrubado por um irreconhecível Elias. Aleluia! Depois de rodadas de polêmicas, um pênalti que não foi contestado por quem o cometeu.

Mas só isso o ex-melhor sistema defensivo do BR-14 fez em Curitiba. Contra a velocidade e força dos ótimos Marcelo e Douglas Coutinho, ainda que muito recuados, a zaga paulista bobeou em jogo de poucas emoções.

O Furacão fez o gol dele e se plantou muito atrás. Mais na ligação direta que na bola trabalhada. Ainda que melhor passada que a do rival.

O Corinthians tem rateado muito por problemas de técnico ou de técnica? É só Mano o responsável pelo momento incerto e por tantos passes errados?

Voltou Petros e o jogo não fluiu. Elias estava lá mas parecia não estar. Renato Augusto está tendo sequência de jogos, mas não de boas partidas.

O Timão de Mano está com todos os defeitos dos últimos meses com Tite. Mas sem as soluções. A persistir os sintomas, poderão ser os últimos meses de Mano em Itaquera.

São Paulo 1 x 3 Fluminense

por Mauro Beting em 28.set.2014 às 18:52h

Conca bateu falta como e contra Rogério Ceni e fechou o placar no Morumbi. Ou melhor: bateu como Conca. E o Flu voltou a ser eficiente como foi na volta da Copa.

Desde a querela inoportuna entre Aidar e Juvenal, o São Paulo não ganhou mais. E mereceu mesmo perder pelo ótimo segundo tempo carioca. Mesmo com os quatro notáveis juntos na frente. E mesmo com a entrada de Luís Fabiano no final do jogo.

Diego segurou as pontas quase como um libero no primeiro tempo de poucas emoções. E ajudou a dar à equipe a tranquilidade para o Fluminense fazer o placar e o jogo na segunda etapa.

O São Paulo não trocou a bola e os passes como vinha fazendo. E a zaga que vinha se superando voltou ao normal. Ou ao anormal.

Como Fred fez um gol de quem sabe, e mais um passe para Wagner fazer belo gol. De pé direito.

E o Flu ganhou bonito e volta a sonhar com o G-4. E o São Paulo que poderia sonhar com o hepta agora começa a fazer contas para estar na turma de cima.

Vai entender o BR-14

Botafogo 0 x 2 Grêmio – Isso é Grêmio

por Mauro Beting em 28.set.2014 às 18:10h

Marcelo Grohe mais uma vez não tomou gol. E mereceu não tomar. Já são oito jogos sem levar e nove partidas sem perder.

Barcos mais uma vez fez gol. E fez mais um. E garantiu a grande vitória no Maracanã. E chegando perto da liderança dos artilheiros.

Felipão mais uma vez vai fazendo bonito no Grêmio. Mesmo que nem sempre jogando bonito. ‘Mudou a cara do time. Os nomes. Os números. E redescobriu a alma castelhana.

O Botafogo hoje é isso. Vai sofrer até o final do campeonato longo como são longos os meses profissionais dos atletas.

Mais não há como cobrar o elenco alvinegro, até pelas limitações técnicos do grupo. É preciso cobrar o débito de quem tem contas a pagar. E não apenas na atual administração.

Hoje é Dia do Rádio

por Mauro Beting em 25.set.2014 às 16:44h

 

Anunciando a morte do pai que conheceu a minha  mãe em um estúdio como esse, em 29 de novembro de 2012

Anunciando a morte do pai que conheceu a minha mãe em um estúdio como esse, em 29 de novembro de 2012

 

Hoje é Dia do Rádio

Ontem foi dia de acordar com o Pulo do Gato do Zé Paulo. Vambora, Vambora! Tá na Hora de ouvir Reali Jr. na Maison de la radio. Como escreve “radiô” em francês? Não sei. Rádio fala. Rádio escuta mais que TV, internet, jornal, o que for. Por ir aonde você for. Casa. Cama. Banho. Carro. Trem. Metrô quando dá. Bumba. BOMBA! Ronaldo é do Timão. Edmundo é do Verdão. Bomba no Riocentro! Centro de Imprensa da Copa é no Riocentro. E tinha pouca rádio lá em 2014. Tem pouco rádio neste mundo de hoje que celebra o Dia do Rádio. Todo dia. Toda hora. Cai presidente collorido. Cai viaduto de colarinho branco. Cai meu time. Caiu o seu. O rádio tá em pé. Firme. O radinho pode tá no ouvido, no coração. Ou pode estar no bandeirinha – não faça isso! Ou as pilhas no adversário – cenas lamentáveis! Mas quem diz que rádio não tem imagem? Leporace e o trabuco. Hélio Ribeiro dando a letra da love song. Zé Betio receitando remédio para tudo terminando em OL. No dial solução para todos. Oooooi, genteeeeeeeee! Ely da Tupi, da Globo, da Capital. Paulo Barbosa de todas. Afanásio, Gil Gomes, dando nomes aos bois. CBN, Band News dando nomes aos bons de jornalismo. Tuma é pai da narração no rádio. Pedro Luís é mestre com Mario Moraes. Silvério é pai e Pelé do gol. Osmar Santos é Garrincha da narração. Fiori é Drummond. Milton Neves é mais que merchan e miltonlice. É uma cabeça do tamanho do coração. O domingão sempre foi do Faustão. Salomão é mina de sabedoria. Zaidan sabe tudo por ter a humildade de todos. No quinto sinal é um quarto de hora para a gente ouvir toda hora em cada canto em nosso quarto que já teve radinho, Transglobe, rádio relógio, rádio no relógio, rádio no celular, rádio em todo gadget, rádio engajado, rádio patrulha, rádio pirata, rádio amador, profissionais de rádio que não cabem aqui, rádio que cobra da várzea ao vácuo, rádio que cobra, que fiscaliza, que exige, que irradia conhecimento, que irracionaliza os fatos, que irrita os poderosos, que irriga os jardins de pedra e de poesias, que inimiga amigos, que amiga desconhecidos, que amigo, rádio… Radinho companheiro do gol marcado, radião parceiro da derrota anunciada, rádio amigo da vitória cantada, do empate contado das contas amargas, da goleada da vida de quem é filho do rádio como eu. Lucila filha do Angelo que dirigia a emissora de rádio que contratou Joelmir para locutor e depois marido da filha que criou Gianfranco para voar na carreira e Mauro para comentar futebol. Rádio que tem uma família como a minha que começou num estúdio de rádio. Rádio que a gente já abraçou quando o time ganhou, perdeu, empatou. Rádio que já jogamos pela janela. Rádio que já chutamos melhor que nosso time que perdeu. Rádio que se matou com Getúlio, morreu com Kennedy, golpeou com militares, morreu com a ditadura, chegou à lua sem problemas em Houston, achou soluções nas ruas ressuscitadas com as diretas, caiu com as torres gêmeas, nasceu novos filhos que hoje mal ligam o rádio, não ligam para o rádio, desligam os velhos e novos que colocam em on o microfone, trocam de dial a cada dia, não sentem mais os efeitos radioativos, não ouvem as ondas sonoras que só foram vistas pela magia do rádio. Pelo milagre da comunicação. Pela rádio que cochicha para o interior como a Camanducaia. Pelo Show de Rádio que fez escola com os Sobrinhos do Ataíde. Que não entra em Pânico. Que revive no estádio da 97, com a galera do gol da Transamérica, com o pessoal que chuta na 89, com o trio do Na Geral que nos joga na tribuna de honra do humor a toda hora do Beto. Keep Walker Blaz. Del Fiol. Franco Neto. Em casa de Ferreira Martins o espelho é o microfone dos filhos do rádio paulistano. PRK-30 da época do Brasil interligado pela rádio Nacional. Nação que se viu junta ouvindo rádio. Roquette Pinto. Prêmio para quem ligou primeiro o microfone que a mídia e os modos querem desligar. Não deixe, Nei Gonçalves Dias. Heródoto, Tatiana Vasconcellos, Haisem, Chiara Luzzati, Barão, Colombo, Sachetto, França, Parada, Vieiras de Mello, Zé Nello, Zancopé! Rádio é Voz do Brasil obrigatória em cada lar. Repórter Esso que transmitia credibilidade mesmo com merchan. Eu não vendo produto. Eu não me vendo. Mas não é vendido quem apresenta produto e serviço. Até pelo serviço prestado pelo rádio mais rápido que TV e internet. Velocidade do som. Veracidade do rádio que pode pegar mal. Pode pagar mal. Mas ainda pega em quase todo lugar. Falando baixo. Falando mal. Interrompido. Chiado. Fritado. Sem força. Fraquinho. Mas é pelo rádio que mal se ouve que houve vida até no espaço. É na imaginação de quem já ouviu vendo um gol que o rádio é como o nosso time. Um amor incondicional. Na São Paulo da Bandeirantes. Na Globo do mundo. Na Jovem Pan-americana. Na Gazeta que é escola, na USP que é universidade, na Brasil 2000 FM, na Trianon que foi parque, nos prefixos que foram meus, nos que eu procurei e um dia achei a música que agora o Soundcloud já joga para o Itunes comprar, o rádio é minha vida. A minha vida devo a ele. Há 54 anos, quando meus pais se conheceram na 9 de Julho. Há 92 anos, quando o rádio começou no Brasil. Desde que eu comecei este texto sem parágrafo, sem parar, sem fôlego, como se fosse uma só transmissão, só para celebrar o Dia do Rádio que é hoje. Que foi ontem. Que é sempre para amigos ouvintes como Sandra, Nana, Sinegaglia, Boscatto, De Estefano, Bindi, Edu Almeida, Vieira Jr, Linhares, Edu Cesar, amigos colegas e irmãos como Patrick, Ciccone, Capriotti, Lelê, Rogério, Di Lallo, Regiani, tantos… Mais amigos que ouvintes. Por que amizade é saber ouvir mais que falar. Como me ensina o meu amor Silvana.

Amanhã? O que vai ser do rádio?

Ligue no Primeira Hora, depois do horário eleitoral gratuito de tão sem graça, que a Bandeirantes informa. Ou vai falar o Boechat. O Milton Jung. O Joseval. Turma do Saad ou do Tuta.

Não sei quem vai apresentar a notícia. Já esqueci de um monte de gente que eu gostaria de escrever aqui.

Só sei que sempre quem vai noticiar primeiro é o meu radinho.

Desde sempre. Hoje. Para sempre

Tudo como sempre no BR-14

por Mauro Beting em 25.set.2014 às 11:53h

O Cruzeiro que faz gol de cabeça, tem banco para fazer a diferença, tem Fábio para fechar a meta, e tem mais uma ótima vitória contra um Coritiba que melhora. Mas que ainda deve pontos, mas já se acerta mais como time.

O Inter que melhora com Aránguiz e D´Alessandro e faz o dever na bela nova-velha casa do Beira-Rio, com Sasha crescendo como o time de Abelão, contando com as fragilidades do ameaçado rival Criciúma.

É o São Paulo que volta a errar no sistema defensivo, não acerta o pé na frente, falha com quem não costuma errar, e consegue empate com pênalti mais que discutível, e ganha da arbitragem uma “mão na bola” mais que discutível, e indiscutivelmente fora da área.

É o Flamengo que, com Everton e João Paulo, voa pelo lado esquerdo, e faz excelente campanha de recuperação com um Luxemburgo que só não é mais elogiado por ser Luxemburgo.

É o Fluminense que não marca tanta e cria ainda menos. É o Grêmio que marca cada vez melhor, mas não consegue fazer os gols necessários para ir além.

É o Corinthians que, como muitos, quando a gente acha que vai embalar ele para, estanca, não cria, e bobeia atrás. É o Figueirense de Argel que mostra que, mesmo com pouco, dá para fazer muito.

É o Bahia de Kleina que ainda pode fazer em Salvador o que não conseguiu salvar em 2012, no Palmeiras. É o Sport que consegue se manter em posição confortável, ainda que devendo bola – mas menos que muitos grandes e outros que têm o mesmo poder financeiro.

É a Chapecoense que bravamente resiste, e com o belo placar, trouxe para a enorme turma da bagunça o Furacão. Mais um entre tantos times irregulares em um campeonato que tem suas lógicas: é muito time querendo cair. Mais que muitos que podem sonhar com o título que ainda segue firme aos pés do Cruzeiro.

 

Agora vai, Inter?

por Mauro Beting em 23.set.2014 às 9:44h

Achei que poderia ser o time para ainda tentar chegar perto do Cruzeiro até perder para o São Paulo, no Beira-Rio, e o time de Muricy engatar excelente sequência no BR-14.

Depois, por problemas internos, falta de soluções externas, fui deixando de cacifar o Colorado como, de fato, desde 2005, faço.

“Esse ano pode ser tetra” eu falo quase todo ano desde 2005. E não foi desde então.

Ainda que, nesse tempo todo, tenha sido bi da Libertadores, e campeão do mundo contra o Barcelona no início do ocaso de Ronaldinho no Camp Nou.

É muito título. É o campeão de tudo.

Mas não tem sido no Brasileirão desde o tri invicto de 1979. Quando não se contestava quem foi o maior time brasileiro nos anos 1970.

Agora, até quando vai bem, se corneta sem dó. Com todos os rés, mis, fá, sol, lá, si e todos os ses do futebol.

Abelão tem um crédito quase ilimitado no Beira-Rio. Merece ter, e não merece algumas das tantas críticas.

Como os atacantes Rafael Moura e Wellington Paulista. Se não são os noves ideais, não são noves fora do nível que se tem no Brasil.

Mas, agora, pela qualidade, experiência, talento e berço de Nilmar, há como imaginar um sprint final para se manter na luta pelo G-4. A rodada que passou foi excelente. Melhor até que o futebol do time, ainda errático como tantos. Mas com potencial como poucos para retomar uma boa sequência no BR-14 de muitas inconstâncias.

Um campeonato cheio de Rafael Moura quando joga mal e perde gols feitos.

Mas com poucos times com um Rafael Moura que ainda pode ser decisivo.

Por ter um treinador que aposta nele. Confia nele. Vai com ele até quando não dá mais.

E ainda dá.

Não é um Gabiru. Nem o tamanho da responsabilidade é esse.

Mas as memórias de Adriano ainda devem alimentar a gente colorada.

Ainda dá.

Ao menos G-4.

 

Cruzeiro 2 x 3 Atlético Mineiro

por Mauro Beting em 22.set.2014 às 12:44h

Carlos fez o primeiro. Carlos fez o último. Uma baita vitória do Galo que acabou com os 100% de aproveitamento do Cruzeiro no Mineirão.

Ricardo Goulart diminuiu em belo lance de Everton Ribeiro, Alisson empatou bonito. Poderia ter virado o Cruzeiro que ficou mais com a bola, finalizou mais, jogou mais e por mais tempo que o rival.

Mas perdeu um clássico “perdível” em termos de BR-14. Não de história.

A vitória atleticana é de levar a alma. A derrota celeste é dolorida, também se somada à derrota para o maior rival em 2014 – o São Paulo.

Mas o Cruzeiro não jogou mal nas duas partidas. Fora o sistema defensivo que bateu cabeça, o restante do time esteve bem, mais uma vez, em campo. Pode lamentar o resultado, não o futebol – o que é mais importante.

Como é excelente para tudo na Cidade do Galo o senhor resultado conquistado, com uma formação mais ofensiva que pode dar mais resultados se Levir e seu time tiverem a felicidade que tiveram nas conclusões.

 

Discutível

por Mauro Beting em 22.set.2014 às 12:28h

A regra é interpretativa. Logo, subjetiva.

Toda interpretação é válida, até a mais absurda.

Como jornalista, sou obrigado a dar a minha opinião.

Como jornalista, ainda mais obrigado a acatar toda a crítica do leitor.

Mas não tolero quem não aceita discutir um lance discutível.

Não existe dono da verdade na interpretação da regra do jogo.

O árbitro é quem decide lá dentro. Nós podemos palpitar aqui fora.

Mas todos precisam respeitar a opinião alheia.

Sem clubismo, sem bairrismo, sem achismo, sem achar que qualquer opinião aqui emitida tem um interesse inconfessável.

Sou palmeirense. Isso me levou ao jornalismo esportivo que me levou a fazer curso de arbitragem.

Não sou mais que nenhum leitor. E nenhum leitor é maior que qualquer outro.

Ou pode achar que por ser palmeirense, paulistano, jornalista, marido e pai eu tenho uma opinião. Qualquer que seja.

Opino pelo que vejo e sei.

Só isso.

E deploro quem não aceita discutir.

E mais ainda quem discute e acusa por preconceito ou conceito pré-estabelecido.

 

12 de Junho de 1993 – O Dia da Paixão Palmeirense (melhor falar de filme romântico que de terror…)

por Mauro Beting em 22.set.2014 às 8:05h

O Palestra morreu líder e o Palmeiras nasceu campeão, em 42. Ontem, começou lanterna e acabou na escuridão.

Na quinta-feira prometo mudar um pouco o astral. Estreia nos cinemas de São Paulo meu primeiro documentário. Roteiro e direção minha e de Jaime Queiroz. Montagem de Abner Palma. Produção da Canal Azul.

“12 de Junho de 1993 – O Dia da Paixão Palmeirense” conta em 93 minutos o que foram 16 anos sem títulos e os 120 minutos dos 4 a 0 contra o Corinthians, na decisão do SP-93. Quando a Via Láctea montada pela Parmalat definiu um grande estadual, que tinha um Timão que se superou até a final, e um São Paulo que seria bi mundial ao final do ano.

O filme recria o ambiente da final, traz comovente reencontro dos campeões de 1993, e, em metade dele, reconta os 16 anos de fila. Começa em 1974, quando o Palmeiras deixou o maior rival mais um ano sem títulos, e termina com Evair lavando a alma e soltando a voz ao acabar com o jejum contra o Corinthians.

Filme oficial do Palmeiras. Mas não chapa branca. Apenas com alma alviverde. E espírito de porco.

Ouvimos o corintiano Paulo Sérgio, aquele que levou uma tesoura de Edmundo, que não foi expulso por José Aparecido de Oliveira – outro que deu a versão dele a respeito da arbitragem polêmica em 12 de junho. Infeliz nesse lance, e, também, ao ter expulsado Tonhão, na segunda etapa. E não ter validado gol legal de Edmundo, no final da prorrogação.

Sim. Edmundo deveria ter sido tão expulso como foram corretamente os outros corintianos. Embora, ao permanecer em campo, ele cavou os vermelhos de Ronaldo e Ezequiel, e o pênalti que eternizou Evair.

Onze contra 11, já estava 1 a 0 Palmeiras. E a diferença entre as equipes era essa. Como também sabem Viola, Neto e Ronaldo, amigos e colegas queridos que preferiram não dar entrevista para o filme.

Não por ser meu, mas é uma obra emocionante. Por ser do Palmeiras. E contar uma bela história de bola e de superação de fases terríveis.

As piores vividas pelo clube até o momento em que finalizamos o filme, em novembro de 2013, dois anos depois do início das gravações, em novembro de 2011.

Quando entrevistamos José Carlos Brunoro, ele ainda era diretor do Audax. Não havia voltado ao Palmeiras.

Quando entrevistamos os demais depoentes, e a maioria dos torcedores e jornalistas, em 2012, o Palmeiras não havia sido rebaixado para a Série B de 2013.

Quando vamos lançar o filme, infelizmente, o que falamos dos times da Taça de Prata de 1981 e 1982 já pode ser discutido.

Existem dois times que se equiparam na ruindade:

O do BR-12.

E o do Brasileirão de 2014.

O pior Palmeiras que vi pela sequência de atuações pavorosa é o atual.

Podem não ser os piores jogadores juntos e misturados. Mas são as piores partidas do Palmeiras em 42 anos de estádios e estúdios.

O “12 de Junho de 1993 – O Dia da Paixão Palmeirense” mostra os 6 a 0 do Internacional, no Beira-Rio, a maior goleada sofrida em campeonatos nacionais.

Não sei qual filme poderá mostrar o 6 a 0 do Goiás, no Serra Dourada, em 2014.

Talvez um de terror.

Por amor, e que amor, sei que vamos sair dessa. Mais uma vez.

Mas, por terror, confesso, o Massacre da Serra Dourada é das piores obras que vi de cinema-catástrofe.

O pior futebol-catástrofe palmeirense.

 


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