publicidade


Dunga chama-1 – Colômbia, Equador – Sem centroavante

por Mauro Beting em 19.ago.2014 às 12:02h

Nunca antes na história deste país um treinador da Seleção não convocou UM CENTROAVANTE como agora, na primeira de Dunga 2.0.

Culpa do treinador?

Culpa do Fred que não jogou a Copa, de Jô que caiu de produção, de Luís Fabiano (lesionado), Nilmar (em dúvida na carreira), Pato (em dívida na carreira), e nomes ainda muito novos para serem chamados (Douglas Coutinho está na Sub-21, e ainda não sei se seria o caso).

Diego Tardelli já foi centroavante, já esteve melhor, mas tem rendido vindo de trás, no 4-2-3-1 atleticano.  Hulk pode ser centroavante, mas funciona melhor pelo lado direito no mesmo esquema. Ambos, claro, podem ser titulares, mas em outro esquema. Ou mesmo um deles atuar mais na frente. Sem problemas. Nem muitas soluções.

Pela convocação, talvez o 4-2-3-1 seja trocado por outro esquema – e nem acho que todo time precisa de um centroavante entre os 11. Mas, entre os 22, por que não?

GOLEIROS DO DUNGA – Jefferson (merece mais uma uma oportunidade) e Rafael Cabral (idem).

MEUS GOLEIROS – Victor (mais jovem – ainda que por pouco – e também em boa fase) e Rafael Cabral. E poderia ser Marcelo Grohe. Diego Alves.

LATERAIS-DIREITOS DO DUNGA – Maicon (bem, mas eu iniciaria a renovação, por ser um nome que não estará em 2018) e Danilo (não chamaria, apesar da versatilidade e experiência).

MEUS LATERAIS – Rafinha e Rafael seriam os lembrados, mas ambos terão problemas na temporada para se encaixar entre os titulares de Bayern e Manchester, possivelmente como alas.

LATERAIS-ESQUERDOS DO DUNGA – Filipe Luís (merecido) e Alex Sandro (bom nome, mas não agora)

MEUS LATERAIS – Marcelo (ainda que reserva no Real Madrid) e Filipe Luís.

ZAGUEIROS DO DUNGA – David Luiz (ok), Marquinhos (ok), Miranda (ok), Gil (boa lembrança)

MEUS ZAGUEIROS – Sem o lesionado Thiago Silva, teria levado os três primeiros, e, na dúvida entre Dante e Gil, também apostaria no corintiano.

VOLANTES DO DUNGA – Luiz Gustavo (também chamaria), Fernandinho (idem), Elias (também), Ramires (bom nome, sempre)

MEUS VOLANTES – Chamaria os três primeiros, mas ainda daria uma chance para Paulinho. E pensaria cada vez mais em Fernando, agora no Manchester City.

MEIAS CENTRAIS DO DUNGA – Oscar (lógico), Philippe Coutinho (merecido) e Ricardo Goulart (mais que merecido).

MEUS MEIAS CENTRAIS – Oscar, Coutinho e Ricardo Goulart. Os três

MEIAS-ATACANTES PELO LADO DIREITO DO DUNGA – Hulk (eu não teria chamado desta vez, mas compreensível, até pela falta de atacantes), e Everton Ribeiro (mais que merecido).

MEUS MEIAS-ATACANTE PELO LADO DIREITO – Everton Ribeiro e Lucas (PSG, merece mais oportunidades).

MEIAS-ATACANTES PELO LADO ESQUERDO DE DUNGA – Neymar e Willian (bom chamado)

MEUS MEIAS-ATACANTES PELO LADO ESQUERDO – Neymar e Phillippe Coutinho

“CENTROAVANTES” DO DUNGA – Diego Tardelli (merecido)

MEUS CENTROAVANTES – Diego Tardelli e também daria uma chance a Alan Kardec, até pelas carências na posição.

Enfim, eu trocaria sete nomes (dentro da média usual): Jefferson por Victor; trocaria Maicon e Danilo por Rafinha e Rafael; trocaria Alex Sandro por Marcelo; trocaria Ramires por Paulinho, trocaria Hulk (agora) por Lucas;  trocaria, por questões táticas, Willian por Alan Kardec, mas sem muita convicção.

P.S.1 – Reiterando: vejo maior potencial no Victor que no Jefferson. Potencial de crescimento. De fato, a idade é praticamente a mesma, me expressei mal.

P.S.2 – Tanto escreveram por aqui de Roberto Firmino. Não o testaria agora. Ainda o vejo um tanto inconstante. Mas é nome para pensar muito bem.

 

 

 

 

 

Plunct, plact, Dunga! O carimbador maluco não vai a lugar nenhum

por Mauro Beting em 18.ago.2014 às 11:31h

O que Dunga disse para a revista “Época”:

Para ter carimbo de craque, tem de ter o carimbo de campeão do mundo nas costas.

O que o futebol diria para o técnico Dunga:

Cruyff. Di Stéfano. Puskás. Messi. Eusébio. Zico. Zizinho. Platini. Leônidas da Silva. Domingos da Guia. Falcão. Pedro Rocha. Van Basten. Rivera. Yashin. George Best. Moreno. Franco Baresi. Elías Figueroa. Roberto Baggio. Cristiano Ronaldo. Rummenigge. Ademir da Guia. Coluna. Gullit. Sócrates. Julinho. Boszik. Luisito Suárez. Stanley Matthews. Reinaldo. Careca. Carrizo. Kopa. Sindelar. Masopust. Ocwirk. Giresse. Seeler. Facchetti. Valentino Mazzola. Mazurkiewicz. Cech. Lato. Gento. Jair Rosa Pinto. Neeskens. Toninho Cerezo. Keegan. Paolo Maldini. Dassaev. Kocsis. Friedenreich. Raúl. Spencer. Arsenio Erico. Francescoli. Sívori. Labruna. Luís Pereira. Néstor Rossi. Tesourinha. Cubillas. Giggs. Boniek. Pedernera. Dirceu Lopes. Sandro Mazzola. Figo. Gigi Riva. Júnior. Hidegkuti. Kubala. Zamora. Stoichkov. Hagi. Verón. Tigana. Eto’o. Cantona. Blokhin. Weah. Drogba. Canhoteiro. Ademir de Menezes. Suker. Michael Laudrup. Bergkamp. Boniperti. Riquelme. Fontaine. Romeu Pelicciari. Deyna. Valderrama. Hugo Sánchez. Nedved. Leandro. Evaristo. Nordahl. Schmeichel. Rincón. Fausto. Pagão. Heleno de Freitas. Danilo Alvim. Bauer. Bettega. Barbosa. Khan. Bernabé Ferreyra. Savicevic. Litmanen. Nelinho. Oscar. Renato Gaúcho. Edmundo. Djalminha. Dario Pereyra. Dalglish. Dzajic. Skoglund. Dennis Law. Simonsen. Gamarra. Marinho Chagas. Scholes. Ibrahimovic. Shevchenko. Albert.

Todos não foram campeões do mundo.

Não são craques, Dunga?

Se uma faixa no peito é sinônimo de “craque”, quer dizer, então, caro capitão campeão do mundo em 1994, que Guivarc´h, que foi campeão mundial em 1998, é o que Just Fontaine não foi: craque? (E só para falar de centroavantes franceses..)

Mais nenhum campeão mundial vou citar – pelo respeito que sempre merece um vencedor. Respeito que nem sempre é admiração.

Respeito que Dunga parece não ter por quem não é o que ele mereceu ser em 1994.

 

Pessoalmente correto

por Mauro Beting em 18.ago.2014 às 11:01h

Ele foi contratado por empréstimo para atuar por um time sem ídolos e sem muitas perspectivas na temporada centenária.

Clube que ficou ainda mais pobre e perdido ao perder por pouco (que de fato era muito) o camisa 14 para o rival. Número 14 por ser o ano do centenário sem título, time, dinheiro e futuro próximo.

Centroavante que fez o gol da vitória contra o ex-clube no final do primeiro jogo contra ele.

Profissional que tinha todas as razões e emoções para deitar sobre o ex-patrão e nas glórias da vitória. Deitar falação em um meio onde mais se tem falado que feito.

Pessoa que foi íntegra, sincera, correta e respeitosa em todas as manifestações. Inclusive ao celebrar o gol contra o ex-clube. Sem escárnio. Sem polêmica. Sem mimimi. Sem minimizar. Sem maximizar. Sem beijar escudo. Sem dar banana. Sem hipocrisia.

Foi profissional. Foi pessoa. Mais que pessoal e passional.

Sei que teve gente que não gostou. Quem quisesse sangue. A imprensa, mesmo. Teve gente que queria manchete. Circo em chamas. Instagram instilando veneno. Facínoras de facebook. Tiroteios nos tuítes.

Mas, não. Kardec foi correto. Bagunçou o coreto de quem quer sangue. Foi a pessoa equilibrada que é em um mundo que adora desequilibrados.

Esvaziou a polêmica. Trocou de canal. Miou os pageviews. Micou quizombas.

Precisamos mais não de jogadores como ele no futebol. Já temos muitos. Precisamos mais de pessoas como ele. São poucas.

O passe de Michel Laurence

por Mauro Beting em 18.ago.2014 às 10:06h

Meu querido colega, amigo e mestre Michel Laurence vai se recuperando de problemas de saúde. E vai mais uma vez criando soluções de vida e de futebol

Do Facebook dele:

https://www.facebook.com/michel.laurence.522/posts/369097999913360

Raposa x rapa

por Mauro Beting em 17.ago.2014 às 18:59h

O Internacional bem que tenta. Meteu 1 a 0 no Goiás e só soube vencer desde a derrota em Itaquera. São cinco boas atuações e ótimas vitórias.

Mas quem para o Cruzeiro?

Uma bola Everton Ribeiro cruzou na área, Moreno relou, Ricardo Goulart em posição de impedimento tentou tocar, Aranha se atrapalhou todo, falhou, e o Cruzeiro abriu o placar contra o Santos de Robinho.

Não teria marcado o impedimento. Mas o lance é para discutir.

O problema dos rivais é marcar o Cruzeiro. A velocidade e intensa movimentação dos quatro de frente criam espaços e lances. Bem aproveitados por quem pintar na frente. Além de jogar bem, finaliza ainda melhor o Cruzeiro.

Goulart fez o segundo. Em bela arrancada, Júlio Baptista fechou a conta, e ampliou os números celestes.

Baita resultado contra o Santos que enfileira três derrotas. Mas não jogou mal em algumas delas. Robinho segue bem. Tem como melhorar na tabela. Mas, título, não deve dar para o Santos.

Nem para o Inter. Fluminense. Quem mais chegar. Ninguém está perto da qualidade celeste.

Kardec acerta as contas: Palmeiras 1 x 2 São Paulo

por Mauro Beting em 17.ago.2014 às 17:56h

VISÃO DE JOGO – Leia amanhã, no LANCE!

 

Basicamente por uma questão de acerto de produtividade, Alan Kardec não fechou contrato com o Palmeiras, e, sim, com o São Paulo. Henrique foi contratado para o lugar dele para, bisonhamente, perder o gol da virada verde, aos 41 finais. Dois minutos depois, como já havia acontecido no Dérbi em Itaquera, uma bola bateu na trave esquerda de Fábio, nas costas do goleiro palmeirense, e definiu o clássico: gol de Alan Kardec. Contas acertadas no placar para o melhor time em campo. Mais contas a serem feitas pelo alviverde que luta para não cair no ano do centenário.

O Palmeiras sentiu a ausência de Valdivia e o palmeirense sentiu a ausência de Palmeiras. O chileno voltou. E voltou a se lesionar. Sentiu o olho e tontura depois de um choque com Kaká, aos 13 minutos. Só foi substituído por Felipe Menezes sete minutos depois, quando a inegável criatividade que o chileno dava à equipe saiu com ele para o vestiário. O São Paulo resolveu jogar, com Kaká e Ganso tentando armar, Pato e Kardec tentando atacar, os laterais presos, e o jogo parando nos passes para os lados e errados.

O Palmeiras soube que o São Paulo tem errado muito no jogo aéreo. E o Verdão resolveu só jogar a bola para cima, para o alto, e para o lado errado no primeiro tempo sofrível, com uma chance para cada lado, com toda a boa vontade que faltou às equipes.

Não era um jogo “tático” ou “muito marcado”. Foi apenas mais uma partida tecnicamente medonha. Do Palmeiras ainda se entende, pelo elenco fraco e desentrosado; do São Paulo, pelos nomes que tem, pela posição na tabela, tinha de ter atuado mais.

Foram apenas três finalizações no primeiro tempo pavoroso. Na segunda etapa, Gareca manteve o 4-2-3-1, mas com Henrique isolado pelo meio sem criatividade, e apenas com a correria de Allione e Mouche pelas bandas. Muricy abriu Kaká pela esquerda, recuou um tanto Kardec, os quatro da frente se mexeram bem, e o São Paulo só não fez mais estragos além do primeiro gol (em saída errada de Fábio que deu a bola para Ganso presentear Pato, aos 8 minutos), por causa do assistente número dois: ele errou ao menos três impedimentos que atrapalharam o ataque tricolor, que chegava com perigo à desguarnecida meta adversária. (E estava impedido Leandro no lance que Henrique iria perder, em falha do outro bandeirinha).

O Palmeiras ainda empatou com Henrique, aos 14 minutos, batendo pênalti discutível, em bola que bateu no braço de Edson Silva. Cristaldo estreou bem, pela esquerda, dando um pouco mais de cor e calor ao clássico que esquentou um pouco na segunda etapa. Mas o São Paulo, longe de ser brilhante, fez o suficiente para vencer um Choque-Rei que deixou o palmeirense ainda mais preocupado e traumatizado. E o tricolor ainda cobrando mais futebol do time de Muricy. Não pode só jogar isso o São Paulo. Não pode o Palmeiras não jogar mais em 2014.

Deixem as armas e tragam o cannoli

por Mauro Beting em 16.ago.2014 às 17:12h

Em um campo de jogo deixamos tudo.

Na Argentina, a expressão é usual. E, normalmente, respeitada pelos atletas.

Na Javari, o mais paulistano dos estádios, na República da Mooca, deixamos todos nós tudo. E um pedaço doce de nós.

Dulcíssimo como o cannoli do seu Antonio, no campo do Juventus. Há 44 anos ele faz não apenas o melhor doce de estádio do planeta. É o melhor doce do universo a versão grená da iguaria siciliana. Tem mais gente para comer o cannoli que torcedor em jogo do Juventus. É a mais gostosa fila que um torcedor de qualquer time pode vivenciar em um campo. E que cancha! E que doce!!!

“Crocante” era como o meu pai adorava dizer a respeito de algo gostoso. Fosse uma sopa ou uma picanha. Crocante! Não há nada como a crosta que o seu Antonio prepara. Nada tão doce por dentro como é o amor pelo nosso Palestra – e pelo cannoli de todos – que me fez neste sábado, pela manhã, tirar meus Luca e Gabriel da cama bem cedo para a incursão futebolística e culinária da Javari.

Tenho 24 anos de jornalismo esportivo. Por ser 47 anos Palmeiras.

Torneio Oberdan Cattani. Vestiário da rua Javari.

Torneio Oberdan Cattani. Vestiário da rua Javari. Preleção para a disputa do troféu Joelmir Beting. 16 de agosto de 2014

 

Prazer de ofício foi gravar para meu documentário “O Campeão do Século” a preleção de Dudu para Ademir da Guia, Evair e companhia, no vestiário mítico e místico da Javari. Com o Dudu pedindo para a gente não gravar nada. E, depois, dizer que tudo bem, já que a “gente não iria entender nada mesmo” – como bons jornalistas que somos…

Foi tocante como também havia sido em 11 de dezembro de 2012. Quando gravamos, no Pacaembu, a palestra de Dudu, Ademir, Leivinha e César para os palmeirenses no jogo de despedida do anjo-guardião alviverde; o  “Amém” de São Marcos, em 2012. 

Quando todo o Palmeiras de 1999 (e 1993, 1994, 1996, e segunda Academia) veio me abraçar pelo meu pai que havia morrido duas semanas antes. Como todo o Brasil de 2002 também fez, logo depois, na entrada em campo, minutos depois.

Hoje, esse time venceu o Paulistano depois dessa preleção e ficou com a taça Joelmir Beting, na primeira partida do quadrangular, na Mooca.

Na decisão, contra o Germânia onde meu pai foi conselheiro, Evair fez o gol do título. De pênalti. Com meu velho amigo pinheirense Sergio na meta. Fui reserva dele no clube, lá por 1980, 1981. Ótimo goleiro que é, Sergio fez como o outro Sergio, em 12 de junho de 1993: quando Evair foi para a bola, ele pulou. E, no fundo, também celebrou. Sabia que não tinha como. E nem queria que tivesse.

O Palmeiras, no centenário, ganhou a Copa Euroamericana da Fiorentina, no Pacaembu. Por tabela, o troféu Julinho Botelho ficou na nossa galeria. Agora, na Javari, o Palestra que jogou com trajes, regras e bola de 1941, venceu o  torneio Oberdan Cattani. Outro mito alviverde. Outro que honrou nosso manto.

Mais não deve conseguir o Palmeiras no ano do centenário. Como pouco conquistou nos anos anteriores. Como pouco deverá conquistar nos próximos.

Mas esses todos da foto acima não precisam ser campeões pelo Palmeiras.

Só precisam ser o que são: o Alviverde inteiro.

Essa paixão que levou meu pai a ser nome do troféu conquistado na vitória contra o Paulistano – rival do primeiro título palestrino, em 1920, a pazza gioia.

Essa paixão que me levou ao jornalismo esportivo e, por tabela, junto com meu filho Gabriel, a entregar o troféu com o nome do avô do Gabi a Jorginho Putinatti. O maior craque palmeirense dos anos de ferro de 1980.

Um craque que não precisou levantar caneco para ser campeão.

Um palmeirense como tantos e todos.

Um torcedor como o de qualquer outro clube.

Ganhar é sempre ótimo. Bem sabe o campeão do século XX, o maior vencedor de títulos nacionais.

Mas ainda mais importante é ser um time, e não ter tantos títulos.

É ser, mais que ter.

Na bola e na vida.

É ser palmeirense que nos faz ser.

É poder levar os filhos para comer cannoli na Javari e receber tanto carinho quanto Palmeiras de muita gente.

Para vibrar com o Matador por um gol do Palestra. Gol do Evair. Pra alegria do goleiro que sofreu – Sergio. Do Alfredo que apitou. Do Joelmir que era taça. Do Oberdan que era troféu.

Alegria do nosso time. De Edu Bala, Toninho Catarina, Rosemiro e Odair Bruxinha (e ainda diziam que só tinha beleza no futebol de antes…), Gilmar, Pires, Polozi, Esquerdinha, Arouca, Célio, Reinaldo Xavier, Luís Sérgio, Chiquinho, Celso Gomes, Reginaldo Pernilongo, Adãozinho e Gallo, que ajuda a manter esse time todo junto.

Não, ninguém precisa reconhecer nada desse torneio festivo do passado glorioso de 1941 disputado em 2014, e nem mesmo discutir a indiscutível qualidade e dificuldade da conquista do título intercontinental de 1951.

Basta um palmeirense para conhecer que, com Evair, a gente vai soltar a voz em um pênalti decisivo.

Basta um palestrino pela rua Javari para celebrar a vida e os mortos.

Ou, como visto no filme “Poderoso Chefão” que é título deste post: depois de realizar um serviço de vida ou morte (mais a coluna dois que a um), livrando-se de um tradittore da famiglia Corleone no meio de uma plantação, o capanga Clemenza ordena ao comparsa:

- Leave the gun. Take the cannoli.

É isso que se leva da vida.

Vamos deixar as armas pelo caminho. Vamos levar os doces para casa.

Eliminação premiada

por Mauro Beting em 14.ago.2014 às 9:53h

O Fluminense que pode ser campeão brasileiro ser eliminado da Copa do Brasil em casa ao levar uma virada por 5 a 2 para o América (13o na Série B) de Pimpão, Alfredo e Max, depois de ter vencido por 3 a 0 em Natal, não é normal.

O São Paulo que ainda pode chegar ao G-4 do BR-14 ser eliminado no Morumbi pelo Bragantino de Geandro, Lincom e Léo Jaime, que luta para não cair para a Série C, também não é normal – como não é natural jamais ter conquistado uma Copa do Brasil um tricampeão da Libertadores, e menos ainda não se acertar o time de Muricy.

O Internacional que pode ser tetracampeão brasileiro – se o Cruzeiro der mole – perdeu em casa para o Ceará e, com um misto, novamente foi batido pelo vice da Copa do Brasil de 1994.

Noite anormal como foi a de Buenos Aires, quando o Nacional do Paraguai fez até o que não pôde para quase segurar o San Lorenzo. Título inédito merecido para o clube argentino.

Mas é merecido um grande clube eliminado da Copa do Brasil ganhar vaga para a Sul-Americana?
Alguém realmente deu mole na competição nacional para pegar outro atalho rumo a Libertadores de 2015?

Não sei.

Só sei que o baixo nível do futebol aqui e nos hermanos permite todo tipo de zebra. Inclusive numa Libertadores que mais pareceu oitavas de final na Copa Sul-Americana.

Também é o caso de discutir mais uma vez a premiação por eliminação.

Eu adoraria prestar concurso na prefeitura da minha cidade e, em caso de não passar, ganhar uma vaga para trabalhar na ONU.

Não acredito que Fluminense, São Paulo e Inter tenham optado pela Sul-Americana. Não é da história deles. Não é do caráter e competência dos profissionais que jogam por eles.

Mas como estamos desmoralizando até o inacreditável em nosso futebol, tudo é possível. Tudo é passível. Tudo passa.

E não tem mais um gol da Alemanha, não.

Tem é outro gol contra do futebol brasileiro.

Matando o futebol

por Mauro Beting em 13.ago.2014 às 18:25h

O brasileiro chorava a morte de Ayrton Senna e ria das piadas a respeito da tragédia. É nosso. Como a feijoada. O samba. E, também, o jiló e o sertanejo universitário. Fazer o quê?

O brasileiro repete a cena na morte de Eduardo Campos. Sujeito correto no incerto coreto político brasileiro. Também é do brasileiro enaltecer os mortos. Até aqueles muito vivos. Vivíssimos. Vivaldinos.

Não é o caso do neto de Miguel Arraes. Pai do Miguel que nasceu especial este ano. E o pai mostrou todo o amor por ele, do mesmo modo como os quatro filhos fizeram homenagem ao aniversariante no dia dos pais.

Não precisa gostar, votar, nada. Apenas respeitar. E, dever dizer, também admirar a pessoa séria. O político que seria um provável ponto de equilíbrio em uma campanha e uma política que virou um Fla-Flu do pior nível.

Do mesmo modo sem modos que as arquibancadas continuam propiciando um MMA de emes impublicáveis. O que infelizes fizeram no dia dos pais para com o ídolo do maior rival, morto semanas antes em acidente de helicóptero, não tem nome. Com a presença dos órfãos no estádio, menos ainda.

Já aconteceu antes. Na mesma cidade. Já aconteceu em outros lugares. Com outros times. Outros ídolos. Ou nem tão ídolos. Poucos, aliás, que respeitaram tanto o rival, como sabemos. E como contou um torcedor que um dia o viu felicíssimo por dar um autógrafo a uma criança que vestia as cores adversárias. Jamais inimigas. Por isso esse ídolo morto poderia ainda menos ser tratado como se desrespeitou.

Não é piada. É sério. E muito triste. Sem graça. Sem alma.

Já ouvimos antes. E quem sabe deixaríamos de ouvir se também fossem punidas com mais rigor as manifestações inomináveis. Algo que a Inglaterra ensinou no combate aos hooligans. Algo que fazemos ouvidos de mercador dentro e fora de campo.

Nos estádios brasileiros permitimos tudo. No futebol, mais ainda. Não podemos criar uma geração de carolas infiltrados entre cartolas. Mas um basta às bestas que falam b… nas arquibancadas poderia dar um pouco mais de civilidade aos nossos dias. Muito mais tolerância às talibancadas e às ruas desuniformizadas pelos intolerantes das torcidas profissionais.

Para a gente poder continuar desopilando pelo futebol, o futebol precisa estabelecer regras mínimas de
consciência e convivência.

A bola enlameada está com as autoridades que estão perdendo a própria.

110, Botafogo.

por Mauro Beting em 12.ago.2014 às 20:15h

Devendo bola. Devendo dinheiro. Devendo vergonha. Dívida impagável. Divina inspiração.

O Botafogo celebra 110 anos com uma enorme dúvida.

O futebol carioca celebra o Fogão desde o nascimento. O brasileiro celebrou o mundo por ter várias estrelas nada solitárias na constelação alvinegra.

O Brasil bom de bola muito deve ao Botafogo. Mas o Botafogo não pode dever tanto ao Brasil, ao brasileiro, ao futebol.

Não é a primeira vez que o clube tem problemas. Não é o único. Torço para que não seja a última vez.

Não é o Botafogo que o Brasil conhece. Não reconheço os não poucos botafoguenses que deixaram a situação chegar a esse ponto perdido.

Mas sei que onde brilha uma estrela existe luz. Não se acha hoje o túnel e nem o fundo do poço nessa fossa velha de falta de tudo em General Severiano.

Mas fica aqui um alento. Quase um acalanto. Um canto do Rio que não pode nem parar no tempo. E nem achar que já passou.

Falo agora dos 100 anos completados em 2013 de General Severiano. Talvez inspirem para completar outros corações desesperançados e despedaçados.

O texto que está no livro a respeito do estádio alvinegro.

A razão e a ciência tentam explicar o mundo. Para todas as outras coisas inexplicáveis existe o Botafogo.

“Enquanto todos os outros torcedores vão ao jogo de futebol para escapar da vida, nós, botafoguenses, vamos ao estádio para entendê-la melhor”. Explica João Moreira Salles, um dos selecionados no escrete de finíssima arquibancada gloriosa que escala Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, Luis Fernando Verissimo, Otto Lara Resende, Ivan Lessa, Armando Nogueira, João Saldanha, Paulo Mendes Campos, Glauber Rocha, Fernando Sabino, Olavo Bilac, Antonio Candido, Sandro Moreyra, Emir Sader. Tantos alvinegros de berço e de General Severiano.

São cem anos do estádio do clube que mais atletas cedeu à maior seleção do futebol mundial. São 60 anos de um treino em que o craque-bandeira Nilton Santos levou um baile de um anjo diabólico que driblava certo com pernas tortas. Quando Mané Garrincha ganhou um lugar no clube e na história do futebol. Gênio e Alegria do Povo. Craque tipicamente botafoguense. Pode existir outro atleta neste mundo como o E.T. Pelé. Mas um novo Mané, daquele jeito, naquelas pernas, isso não existe. Isso é Botafogo. Aquilo foi em General Severiano, em 1953. Onde todos os grandes craques e ídolos do clube atuaram até o último jogo, em 1974. Onde Heleno foi ele no melhor jeito e nos melhores jogos.

Garrincha não se explica pela ciência e pela bola. Botafogo não quer e não pede explicação. Como diz o botafólogo Lúcio Rangel: “Eu não gosto de futebol. Gosto do Botafogo”. É isso. Não precisa ter título – e tem muitos. Não precisa ter craque – e teve tantos. Não precisa ter um estádio – teve vários. Não precisa ter mais torcida, mais dinheiro, mais poder, mais vitórias, mais, muitos. Só precisa Mané. Só precisa de um canto para ser Botafogo. Não precisa nem mesmo ter uma casa. Pode alugar. Pode arrendar. Pode demolir. Pode tudo. Pode até ficar errando de campo em cancha.

Mas é preciso Botafogo. Por mais impreciso que seja.

É preciso contar General Severiano. Lar do Glorioso. Da Estrela Solitária até quando o clube e os cofres se perderam num buraco negro.

Botafogo da primeira cancha na Humaitá até o ground da Voluntários da Pátria – que foi vendido e virou rua General Dionísio (sempre existem patentes estreladas na história única do Botafogo). Quando o clube ficou com apenas 12 sócios em 1912, Marechal Hermes da Fonseca (mais um estrelado, e que não se perca pelo nome…) deu ao Botafogo a concessão do terreno na rua General Severiano por sete anos – outro sete cabalístico do clube de Mané, de Maurício e de Túlio Maravilha.

Os abnegados botafoguenses (uma redundância) construíram o campo que só podia inaugurar no ano 13. 1913. No Dia 13. Treze de maio. 13 de maio de 13. Saravá, Zagallo – e não preciso contar quantas letras tem a frase anterior.

Só podia ser em Botafogo. No Botafogo. Não tinha mais match na pedreira da Assunção, ou na charneca da rua São Clemente. O que era um casarão em ruínas no bairro virou um campo para treinar. Para jogar. Para ser Botafogo. Para colocar luz no estádio em 1930. Para fazer drenagem pioneira no país. Para fazer campanha por cimento e ampliar as arquibancadas para 25 mil pessoas, reinaugurando a praça de futebol em 1938, com vitória sobre o Fluminense. Dez anos antes do último título conquistado no lindo estádio de espírito. O Estadual de 1948. Com vitória sobre o Vasco.

As grandes datas de General Severiano sempre têm um rival vencido. Como no primeiro clássico. Em 1913. Um a zero no Flamengo. Gol de Mimi Sodré. Sem mimimi. Só mais um fino craque de bola e sem cartola. Não por acaso, outra expressão nascida em General Severiano: “cartola” para definir um dirigente de clube.

Por mais inefável que tenha sido um diligente como o dirigente Carlito. Não houve cartola no clube e no Brasil como Carlito Rocha. Ele amarrava e dava nós nas cortinas do palácio Wenceslau Brás para travar e marcar os rivais… Ele, Carlito, que adotou Biriba. Cão preto e branco que virou craque campeão estadual em 1948. Só por que em um jogo de aspirantes contra o Madureira o cachorro invadiu o gramado durante e partida. Virou mascote. Virou símbolo. Virou Botafogo.

General Severiano onde Carlito Rocha viu “sangue, suor e lágrimas dos botafoguenses”. Onde só se viu quase tudo isso – menos botafoguenses – na venda da área de General Severiano para a Companhia Vale do Rio Doce, em 1977. Quando o clube virou suburbano em mais uma patente estrelada – Marechal Hermes. Depois atravessaria a ponte para jogar em Niterói, em Caio Martins. Este século faria festa e jogos no Engenhão.

Mas quando ficou distante de Botafogo, a partir de 1977, o clube se perdeu por muito tempo. Nada mais ganhou até 1989. Em 1995, quando voltou a ser o maior do Brasil, foi no mês em que o clube voltou definitivamente a General Severiano. No estádio onde se vê o Corcovado e o Pão de Açúcar. Onde Carlito, nas tardes cinzas como as meias gloriosas, pedia ao roupeiro Aloísio para que soprasse as nuvens que cobriam o Cristo Redentor para que ele pudesse enxergar o Glorioso… Coisa de Carlito. Caso de Botafogo. Na casa alvinegra por excelência. Por uso campeão.

O Maracanã foi tirando o Botafogo de General Severiano a partir de 1950. Mas jamais o Botafogo tirou General Severiano da alma. É mítico. É um mistério. É de quem tem estrela. “O Botafogo é mais que um clube. É uma predestinação celestial”, defendia Armando Nogueira. Um que veio do Acre para ver naquele pedaço de terra do Rio muito do que é o futebol. Não apenas pela qualidade. Mas por aquilo que não se quantifica. Poucas coisas são tão “futebol” quanto o Botafogo. Essa perfeita imperfeição inventada pelo homem tem no clube carioca umas das mais precisas traduções e preciosas tradições.

Paulo Mendes Campos, sumidade botafoguense (outra redundância), disse que o “o Botafogo é um menino de rua perdido na poética dramaticidade do futebol.” Com tantas casas e mudanças, o clube até pode ter se perdido. Mas raros são os casos no futebol de clubes que voltam para casa. Raríssimos têm um lar com tanta história como aquela rua de Botafogo.

Aquele menino da rua General Severiano, de fato, ganhou no drama do esporte uma história centenária de vida. “Quando o Botafogo está em campo há sempre mais coisas entre uma trave e outra além de 23 sujeitos e uma bola”, afirma João Moreira Salles.

Quando o Botafogo está em General Severiano, não precisa nenhum atleta, nem árbitro, nem bola. Basta uma estrela.

A estrela.

Centenária.


.