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Futuro do pretérito

por Mauro Beting em 29.jul.2014 às 20:17h

Em 2006, Alex Ferguson era treinador havia 20 anos do Manchester United.

Arsène Wenger treinava o Arsenal por 10 anos. E foi vice europeu.

Não tem problema o futebol brasileiro ter Abelão no Inter como estava em 1995 – e como esteve justamente em 2006, quando ganhou o mundo no Beira-Rio.

Assim como Levir Culpi estar de volta ao Galo como estava em 1995 também não é problema para quem tanto já ganhou no clube e em outros times.

O mesmo vale para Luxemburgo, o maior dos campeões brasileiros, de volta ao Flamengo dele, como em 1995. E Felipão, campeão do mundo pelo Brasil, e vice no mesmo ano pelo Grêmio igualmente dele.

Sem falar Muricy, auxiliar mais que técnico de Telê no São Paulo, em 1995.

Falta renovação? Sim.
Falta respeito aos nomes experientes? Sim.
Falta coragem para apostar em novos nomes? Sim.

Felipão é Grêmio

por Mauro Beting em 29.jul.2014 às 14:53h

Enderson fez grande campanha na fase de grupos da chave mais complicada da Libertadores e caiu diante do maior favorito ao título. Perdeu Wendel, a boa fase de gente importante, caiu em algumas contradições, e foi perdendo o cartaz e os pontos fáceis.

Perdeu o cargo dentro da anormal normalidade de nosso futebol. Aquele que tem pouca paciência com novidades e pede inovações a todo instante.

Aquele que desrespeita quem tem história e volta a pedir novidades a toda hora. Mesmo passando dela.

Felipão e Koff têm história
campeoníssima pelo Grêmio. Pretendem reeditá-lá agora, juntos pela primeira vez desde 1996.

Não sei se Koff é o melhor nome para este Grêmio. Não sei se Felipão é a melhor opção para o Tricolor agora.

Mas sei que nenhum outro presidente e nenhum outro treinador foram mais importantes para o clube.

Respeito é bom. E Koff e Scolari foram ótimos.

Não conheci, em 24 anos do lado das tribunas de imprensa, um treinador tão identificado pelos clubes onde trabalhou. No Sul, Scolari é Grêmio desde guri. Em SP, virou Palmeiras. Em BH, Cruzeiro.

Não o vejo em outro clubes nas cidades onde trabalhou. Pode limitar as oportunidades profissionais dele. Mas o ajuda demais quando ele tem de fazer o dever em casa.

Ronaldinho Galo

por Mauro Beting em 28.jul.2014 às 18:53h

Ele é cria do Grêmio, de onde saiu mal e não voltou ainda pior.

Ele se criou no PSG, onde foi muito bem, já campeão do mundo pelo Brasil em 2002.

Ele se fez no Barcelona. Duas vezes melhor do mundo. Campeão da Europa em 2006, quando deixou de jogar o muito que sabe.

Não saiu bem do Barça, ainda que passando o cetro a Messi.

Não se acertou no Milan. Foi campeão no Flamengo. Mas rendeu menos que o esperado. Mais uma vez.

Uma atuação foi mágica. Os 5 a 4 contra o Santos de Neymar, na Vila, em 2011.

Jogo digno de Pelé. De Neymar. De Ronaldinho.

Pouco mais se viu de Ronaldinho até chegar ao Galo que precisava de um craque como ele. Como ele precisava de um torcedor como o atleticano.

Foram 28 gols em 88 jogos. Poucos em 2014. Poucos gols e bons jogos.

Mas o primeiro semestre de 2013 é dele e do Galo. Daquele grande time de Cuca que venceu rivais, prognósticos e agnósticos com tocante campanha. Com vibrante Ronaldinho.

A salva de palmas que o Mineirão ouviu contra o Lanús foi a despedida do craque do Galo. Mas, de fato, foi a entronização dele no panteão atleticano.

Ali ela saía de campo para fazer a história que foi muito feliz na Libertadores. Aquela do “eu acredito” atleticano.

Para não dizer que só eles pareciam acreditar no time. E no renascimento de um craque.

Ronaldinho não fez em BH tudo que brilhou na Catalunha.

Mas fez pelo atleticano tudo que o atleticano faz por jogadores muito menos qualificados.

Ronaldinho do Galo foi bom demais.

O Galo foi bom demais para ele.

Gaúcho ele sempre será.

Mas do jeito que ele foi do Galo, poucos serão como Ronaldinho.

Depois de tantos anos, um craque incontestável atleticano. Um motivo de orgulho eterno.

Flamengo 1 x 0 Botafogo – Eles não vão pagar nada

por Mauro Beting em 28.jul.2014 às 10:14h

O Botafogo foi campeão brasileiro em 1995 devendo cinco meses de salário.

O Flamengo foi campeão brasileiro em 2009 não devendo tanto ao time, mas muito ao clube, à organização e às normas de boa administração – para não dizer que seguiu sem pagar a dívida (quase) impagável.

No clássico, no Rio, as equipes deveram bola como se deveu um bom jogo no primeiro tempo em Itaquera.

Ao menos, antes de a bola rolar como a dívida, o elenco do Fogão botou mais lenha ao levar uma faixa mostrando a ficha corrida e a folha de não pagamentos e as falhas na administração alvinegra.

Por respeito ao  futebol, ao clube, ao torcedor, a às próprias carreiras, foram para o jogo, embora pouco tenham jogado. Do outro lado, situação mais ou menos parecida, também não teve muita coisa boa na estreia de Luxemburgo. Nem era de se esperar muito além do gol de cabeça de Alecsandro.

Se os atletas mal recebem, imaginem outros funcionários do clube.

Se Botafogo e Flamengo mal recebem, imaginem o que eles podem oferecer.

Não teve um grande clássico. E será que podemos cobrar mais de quem não recebe?

Alguém vai dizer, com mais emoção que razão, que jogador recebe muito dinheiro – e é fato, na minoria, mas é fato.

Mas ninguém, fora o empresário do atleta, pediu para ele vestir essa camisa.

O clube o comprou. Acertou contrato – ainda que errando as bases, o trabalho de base, a fase, e outras tantas questões.

Está combinado. Assinado. Protocolado. Em pelo menos duas vias.

Só não sei mais por qual caminho as coisas vão se arrumar.

Não se via um futebol tão perdido há tempos.

 

Corinthians 2 x 0 Palmeiras – A casa é toda minha

por Mauro Beting em 27.jul.2014 às 17:59h

 

* VISÃO DE JOGO PUBLICADA NO LANCE! DESTA SEGUNDA-FEIRA *

 

No último Dérbi na casa corintiana, em 1940, também foi 2 a 0 para o mandante. O rival ainda se chamava Palestra. O atual se chama Palmeiras, embora jogue pouco como tal. O Timão fez o suficiente para vencer sem sustos por 2 a 0, com gol de Guerrero em belo lance de Elias entre três, e de Petros, em bola que bateu na trave e no braço de Fábio, depois de outro passe de Elias. O Verdão mais uma vez mostrou que precisa de reforços do nível dos que o rival tem disponível no banco, em um clássico que fica na história por ser o primeiro na Arena Corinthians, mas não pela qualidade do espetáculo.

Mano manteve o 4-3-1-2, com Elias e Petros tentando o jogo pelos lados, mas sendo travados pelo 4-1-4-1 (sem a bola) de Gareca, que plantou Renato próximo aos zagueiros, para liberar Mouche e Felipe Menezes pelos lados; Wesley deu um pé mais atrás na contenção, e Mendieta foi liberado para um 4-2-3-1 quando raramente o time buscava o ataque. Isso se o Palmeiras não errasse quase todos os passes ou prendesse demais a bola.

A falta de criatividade corintiana completou o mau primeiro tempo das equipes. Renato Augusto não foi o substituto esperado de Jadson. Lance de perigo só aconteceu aos 41 minutos. Mais duas chegadas alvinegras e mais nada.

O Corinthians voltou buscando o gol, e o encontrou aos 5, na única desatenção de Renato. Gareca respondeu com Leandro no lugar de Mendieta, e, depois, Erik. Mais do menos: as únicas jogadas que bateram mais rápido o coração corintiano de Cássio foram um chute torto de Mouche e uma canelada de Leandro logo depois do gol de Petros (aos 45). Nem Romarinho precisou fazer das dele contra o Palmeiras. O Corinthians esperou um rival que não veio, trocou bola sem contundência e criatividade, e foi o que é – muito superior ao visitante.

 

 

Horas, bolas! Vamos reclamar pro bispo?

por Mauro Beting em 25.jul.2014 às 9:39h

Muito torcedor que foi a Itaquera não pôde ver o terceiro gol do Corinthians contra o Bahia. Teve de sair do estádio para não perder o trem e o metrô que saem até 0h21.

Empresas dizem que não podem estender até 1h o horário de fechamento das estações por questão de manutenção das linhas. Compreensível.

Incompreensível apenas continua sendo o horário das 22h. Em Itaquera e em qualquer lugar da terra.

Mas aí o clube, qualquer clube, só pode reclamar pro bispo.

Ou ver se ele ainda tem interesse e dinheiro.

Sei que é uma novela. Mas ninguém contra-ataca o império.

A vontade do Wil

por Mauro Beting em 24.jul.2014 às 21:00h

 

A bola se perde pela linha de fundo. Escanteio.

- André, agora vai ser gol!

Não tem alma viva no estádio que acha que sai alguma coisa boa naquele jogo, com aqueles jogadores, com aquele time.

Mas Wil acredita. Torce. E a bola, claro, não entra.

O irmão caçula André tem 22 anos a menos. Wil tem idade para ser pai dele. E é. Meio pai, meio irmão. Tudo. Principalmente quando nada dá certo para o Palmeiras.

André fica sempre com raiva de Wil.

- Como pode ser tão otimista? Como pode ser tão alegre com essa draga de time?

Wil não se importa com a crítica e a ranhetice do irmão. Ele se importa mesmo com o Palmeiras do pai que morreu com 53 anos, e com quem aprendeu a ser torcedor. Embora poucos torcedores aprendam a torcer tanto e tão bem quanto Wil.

O Palestra Italia todo cornetando como bons palmeirenses que se prezam e que se prestam a cornetar. O Wil acreditando em cada jogo, em todo o time.

- Eu puto com o Palmeiras e mais ainda com ele! Como pode ter tanta esperança naqueles times tão ruins? Mesmo nas vacas gordas da Parmalat, nem sempre dava para vencer. Mas ele acreditava em todas.

Como só o Wil parecia acreditar na virada de 4 a 2 sobre o Flamengo, na Copa do Brasil de 1999. Pareciam 11 Wils em campo, e mais de 30 mil na arquibancada.

Wil de Wilson.

Mas podia ser de Will. Vontade, em inglês.

Goodwill. Boa vontade universal.

O “maior presente” que o irmão caçula André deu a ele foi um ingresso para a final da Libertadores de 1999. Depois de horas na fila para comprá-lo (o que era pouco para quem sofrera 16 anos na fila sem títulos), André pôde dar “o melhor presente que eu ganhei na minha vida”, nas palavras de Wil.

Ao menos até a visita há pouco tempo na Academia do Palmeiras. Wil ainda conseguia andar. Pouco, mas conseguia. Estava perto do campo quando uma bolada de Diogo estourou na grade. O atacante pediu desculpas pelo lance de treino. Wil, como sempre, achou Diogo o máximo. Por ter a mesma humildade e simplicidade desse designer de interiores de 55 anos.

Otimismo que não foi quebrado quando o médico disse há pouco mais de um ano que ele tinha câncer. Um não. Dois.

Ele não quis saber. Nunca. Não quer saber da doença. Só pergunta ao médico, desarmando-o como se fosse um Dudu ou César Sampaio:

- E aí, doutor, já achou a minha cura?

Ele nunca soube que está indo. Sempre acredita. Como sempre crê no Palmeiras:

- Agora vai sair gol!

- Vai nada, Wil! O Palmeiras tá uma inhaca! De que jeito vai sair gol?

Ele não sai mais de casa há algumas semanas. Não se levantava até semana passada, quando o irmão André entrou em contato com Evair. O Matador  que deu a vida ao Palmeiras em 12 de junho de 1993, logo que soube da história, resolveu conhecer Wil.

Foi à casa dele no Cambuci. Wil, que mal conseguia falar, logo levantou para dar um abraço em Evair.

- Deus sabe o que faz. Deu força ao meu irmão.

André mostrou com o irmão a coleção de jornais que ele guarda desde a Academia de Ademir da Guia. Evair até levou um.

As páginas contavam proezas da Via Láctea da Parmalat, desde 1992. Quando o Palmeiras foi vice paulista, na primeira vez em que André chorou no estádio a perda de um título, para o São Paulo.

- Não chora, André. Ano que vem a gente vai ser campeão.

Eram 16 anos de jejum. Acabaram no ano seguinte, em 12 de junho de 1993, como Wil havia “previsto”. André ainda chorou com o Gol Porco de Viola, no primeiro jogo da decisão paulista de 1993. Gritou muito “chora, Viola, imita o porco agora”, no final do jogo decisivo,na revanche dos 4 a 0.

Mas Wil não queria saber de revanche. Talvez nem mesmo de vitória. Apenas de viver simples. Alegre. Com humor. Com amor. Com Palmeiras.

A final de 1999 foi o “melhor presente da vida” de Wil até a visita ao CT um pouco antes da Copa. Quando Diogo prometeu fazer um gol para ele contra o Grêmio.

Ele fez, na Arena. Mas a arbitragem invalidou. Wil lamentou a vitória perdida com a homenagem.

- Bateu na trave – conforta-se André.

Até por que o “melhor presente” que ele recebeu na vida foi a visita em casa de Evair.

Como seria a de São Marcos. Nesta sexta, André me ligou. É jornalista. Havíamos conversado em um evento do PES 2013. Ele queria que eu contatasse o Marcão para fazer uma visitinha ao irmão Wil. O quanto antes:

- Mauro, desculpa te ligar, mas é que acabei de saber que o estado de saúde do meu irmão é terminal. Ele tem pouco tempo de vida.

Liguei pro Juan, assessor do Marcos. Ele estava entrando em contato com o Marcão quando o André me ligou de novo, coisa de 45 minutos depois do primeiro contato:

- Mauro, agradeça ao Marcos por tudo, e pelo vídeo que ele gravaria para o meu irmão, e pela visita que ele faria depois… Mas meu irmão acaba de partir.

Não deu uma hora do primeiro contato.

Wil morreu, aos 55 anos. André tem 34 anos. Entre eles, duas irmãs.

Entre nós, o Palmeiras.

Mais que o Verdão, uma paixão que fez Wil acreditar até quando a bola desconfiava.

Wil que nunca quis saber qual era a doença dele. Como ela estava o levando. Ele sempre levou de vencida. De fato, como escreveu o maestro Totó, é um campeão. Um palmeirense que sempre acreditou:

- Cara, vai sair gol.

Não saía tanto nos últimos tempos, Wil.

Mas, para ele, não importava. Mais importante era acreditar. Era driblar os problemas. Era torcer. Era ser feliz.

Era ter como maior presente a presença no estádio numa decisão. Era ter o maior presente em ver o time treinar na Academia. Era ter o maior presente ganhar um abraço de Evair.

Você que não gosta de futebol, meus sentimentos.

Você que conheceu o Wil, meus sentimentos.

Você que torce por um time, qualquer time, parabéns.

Você é uma pessoa feliz.

Good Will.

A gente se acha e se perde

por Mauro Beting em 24.jul.2014 às 10:25h

Quem se acha se perde.

O Brasil às vezes perde por se achar em campo.

Felipão achou que dava para encarar de igual a Alemanha. Ainda não se achou depois de perder como jamais perdemos em 100 anos

A Seleção, quase sempre, propõe o jogo. Ataca até quando não tem com quem, como e, por tabela, por quê.

Um de nossos erros nos últimos anos não é ter complexo de vira-lata. É arrogância de cachorro grande. De achar que só nós somos, que só nós podemos.

Pois é.

Agora, embarcando no aeroporto de Confins, talvez tenha “descoberto” um dos motivos para nossa jactância. Para a soberba soberana.

Nunca tinha pensado nisso. Mas a tradução para o inglês me ajudou.

Está lá a indicação para o setor do aeroporto onde estão os objetos esquecidos pelos usuários:

“Perdidos e achados”.

“Lost and found”, em inglês.

Achei engraçado adotar a versão em inglês como prioritária.

Mas só então saquei e nossa inversão de valores – perdidos, ou esquecidos.

Para se achar algo é necessário que ele tenha sido perdido.

Não se acha algo que não foi perdido. Ou não se acha antes da perda. O mais lógico é a forma em inglês. Lost and found. Primeiro perdido; depois achado.

Aqui, não. Primeiro achamos o que foi perdido.

Ou, no futebol, primeiro nos achamos. E, depois, de fato, muitas vezes nos perdemos.

Não sei se é uma viagem dentro da viagem. Ou o cansaço de uma madrugada de pouco sono.

Mas quem procura acha.

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A história se repete como festa do Galo

por Mauro Beting em 24.jul.2014 às 1:08h

Foram sete gols no Mineirão.
Mas não foram alemães.

Também teve apagão brasileiro. Teve derrota nos 90 minutos. Teve o ex-capitão chorando na trave do Mineirão depois da prorrogação. Teve uma atuação abaixo do esperado pelo Galo.

Mas teve a vitória do time que deveria ter goleado em Lanús. Teve o atleticano que não precisava sofrer tanto. Embora o Galo sofra por viver. Vive o Galo por que sofre.

O Atlético fez 1 a 0 com 5 minutos. Ronaldinho foi legal com Diego e deixou Tardelli marcar o centésimo gol pelo Galo na cobrança de pênalti. O artilheiro e melhor em campo hoje – e também em Lanús – fez a merecida festa. Mostrou camiseta comemorativa alusiva ao gol centenário.

E parece que o time entrou na mesma vibe. Esqueceu do jogo. Não marcaram o versátil Ayala que empatou em seguida. O time empacou e levou a virada. Buscou o empate com Maicossuel, que ajudou muito na contenção ao bom Velásquez, e que também se mexeu mais em campo.

Na segunda etapa, o Galo voltou ainda pior. Ronaldinho mais uma vez fez pouco. Luan entrou bem. Guilherme, mais tarde, não. Ainda assim deu para segurar o empate até os 48 minutos, quando mais uma falha do lado esquerdo sacramentou a justa vitória da equipe grenate. Ainda que com um gol discutível pela solada de Acosta.

Eram 48 minutos do segundo tempo.

Pareceu o último minuto do planeta.

Nem no Minerazen se ouviu tamanho silêncio. Vazio que ocupou todo o Intervalo até a prorrogação. E o início dela já invadindo a madrugada.

Primeiras horas de 24 de julho. Um ano depois, a história se repetiu como festa. Com o mesmo nervosismo.

Desta vez, porém, com a mão divina – e não apenas de Victor.

Luan foi ao fundo e cruzou na barriga de Gómez, que empatou 3 a 3.

Ayala se confundiu com Marchesin e fez o bizarro gol decisivo.

Dois gols contra. Numa decisão.

O atleticano não gritou. Mas foi mais uma vez na base do acredito”. Por mais inacreditável que pareça.

Coisas de quem é campeão. Até quando não jogou para tanto, na segunda partida.

Ma dever dizer: em 210 minutos, o Galo foi melhor. É melhor que o bravo Lanús.

Mas precisava sofrer tanto?

Pensando bem, vendo a festa no Mineirão que neste exato momento se apaga, quando o relógio marca 1h17, foi mais legal sofrer tanto.

Foi mais Galo.

Luxemburgo no Flamengo

por Mauro Beting em 23.jul.2014 às 14:38h

O Flamengo não tem sabido contratar nos últimos meses. E, ainda pior, não tem sabido demitir.

Acertar ou errar uma contratação envolve muitas situações. Algumas que independem do patrão. Errar uma demissão como tem pisado na bola e no manto o Flamengo não é pela capacidade do demitido. É pela incapacidade da atual gestão de assumir os erros. De respeitar ao menos a pessoa, mais que o profissional.

O elenco que mal jogou muito mal com Ney Franco está fragilizado e em frangalhos. Alguns jogadores de bom nível estão abaixo da média no aspecto técnico e físico – e no tático não há nem o que falar.

Esse mesmo elenco daria mais jogo em 2009. Daria mais futebol quando o Flamengo foi hexa. Quando a então direção errou em muitas de suas decisões. Mas acabou dando tudo certo.

Agora, o Flamengo erra tanto ou mais. E dá tudo ainda mais errado.

A culpa não é só de Dorival, Jorginho, Mano, Jayme, Ney. Não será apenas de Luxemburgo.

E sabe-se lá se haverá alguém depois ainda em 2014.

Luxa é um dos maiores treinadores da história do futebol brasileiro. O maior campeão nacional. Merece o respeito e a admiração que ele vem perdendo com os títulos que não vem conquistando.

Não vem conseguindo o muito que já ganhou armando grandes equipes de bom futebol. Ganhava até quando não tinha bons jogadores. Como será o caso agora.

Os problemas de ambiente ele tirava com muitas letras. Agora, os números têm sido cruéis.

Mas ele parece disposto. Na Copa, pelo Fox Sports, tive o privilégio de comentar programas com ele, e a felicidade de trabalhar ao lado dele na decisão do Mundial. Aprendi muito
. E o vi, durante a transmissão, tirando fotos do posicionamento tático de alemãs e argentinos. Como outros treinadores competentes fazem há décadas, sabe-se. Querendo aprender ainda mais, como não são tantos, também se sabe.

Eu via em Wanderley um olhar mais vivo do que das outras vezes recentes.

Um apetite que será fundamental para tentar reerguer um Flamengo que não pode ter os resultados que tem tido.

O que é pior: placares que têm feito de tudo (ou nada) para obter por tudo de errado que tem feito em campo e fora dele.


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