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Eutanásia esportiva

por Mauro Beting em 04.mar.2015 às 16:49h

O grande Bruno Bonsanti, do não menos enorme time do Trivela, trouxe esta história:

http://trivela.uol.com.br/antes-de-abracar-a-morte-ele-queria-ver-o-brugge-pela-ultima-vez-e-teve-um-dia-inesquecivel/

Em resumo: um torcedor do Brugge passou por 37 operações nos últimos 20 dos 41 anos que teve. Em 18 de fevereiro, foi com a filha dar o pontapé inicial no que foi seu último desejo antes da eutanásia: assistir ao seu clube em campo.

O Brugge venceu por 3 a 0. Lorenzo teve o direito de morrer concedido pelas leis belgas e partiu nesta segunda-feira à noite.

Morreu feliz por ter entrado com a filha de 7 anos em campo. Morreu feliz por ter conseguido o direito de morrer para não mais sofrer com o incurável câncer.

Não discuto a eutanásia. Respeito todas as opiniões a favor e contra.

Apenas cito que ele não renunciou ao prazer de ir ao estádio com a filha. Nem de ir ao jogo de seu outro amor incondicional.

Têm sido mais comuns histórias como essa, via redes sociais. Jogo do Celtic já teve algo parecido. Outros clubes da Europa e mesmo do Brasil já tiveram exemplos recentes de amor por clube, amor pela família, amor pela vida.

Ele pode ter desistido de sofrer –  o que pode ser sempre discutido.

Mas ele não desistiu de torcer – o que é indiscutível.

Trocou a vida sofrida pela morte. Mas não trocou o que o fez feliz até morrer.

A eutanásia será sempre discutida. A eutanásia esportiva não se discute.

 

Alma de Ezequiel, de Tonhão, de Iúra, de Chicão, de…

por Mauro Beting em 04.mar.2015 às 15:49h

 

Um time histórico se faz com Pelé (no singular), e os plurais Coutinhos, Pepes, Zitos, Mauros, Gilmares e Pagãos para todos os fiéis.

Um esquadrão campeão se faz com Zicos, Leandros, Andrades, Titas e Juniores da base formada no clube.

Um baita time se faz com Raís, Cafus, Zettis, Mulllers, Leonardos e outros múltiplos vencedores.

Uma academia dá aula com admiráveis Ademires, Dudus, Luís Pereiras, Leivinhas e Césares malucos.

Tem vários jeitos e jogos e jogadores e juízos e gingas e gringos e gols e gostos para tudo.

Mas sempre tem alma quem tem Lima para todas as posições do Santos dos 60. Tem Nunes Danado como um João qualquer no Flamengo dos 80. Um Pintado que pintava pelos 11 tricolores nos 90. Um Tonhão que não jogaria nas Academias palmeirenses, mas se jogava como poucos em 100 anos de história.

Futebol não é só craque. Como jornalismo também não é, política menos ainda, qualquer coisa também não.

Tem craque com alma e tem bagre desalmado. E vice que versa, campeão que proseia. Tem pra tudo. E todos os nomes acima listados tinham bola e também alma – na acepção que você quiser.

Só não pode achar que quando não tem craque não tem alma.

Quando não tem jogador não tem time.

Quando está difícil não tem jogo e nem time e nem futebol – e, o que é muito pior, não tem mais torcida.

Só reitero tudo isso por mais uma infelicidade de texto de um jornalista brilhante que é ex-torcedor do meu time – o que já me deixa fulo. Por mais uma vez ele aparecer para dar cliques e detonar nosso clube – como qualquer outro torcedor faz, com razão ou apenas emoção. E por ser o mesmo que um dia no fim de 2012 disse que deixava o nosso clube rebaixado, e que torceria a partir de então apenas pelo Barcelona que encantava.

Perdão por mais um desabafo: mas vou ser passional como ele não foi ao deixar o nosso time moribundo e ainda anunciar aos quatro cantos o réquiem da nossa paixão (ou apenas da minha).

Não bastasse publicar o impublicável desabafo naquele Day After do rebaixamento em 2012, ele ainda cometeu o palestracídio em um espaço em que meu pai escreveria algumas linhas dias antes da morte.

O que me deixa ainda mais talibã. E por isso peço perdão a vocês por me exceder.

Explico: dias antes do texto que me revolta, o Palmeiras estava para cair quando o editor de esportes do jornal pediu a mim um texto de Joelmir Beting a respeito da queda – se ela acontecesse, claro, como acabaria ocorrendo dias depois…

Expliquei que meu pai estava muito debilitado e que estava fora do ar na TV e no rádio. Mas que, mesmo assim, havia colaborado comigo semanas antes em um texto que escrevemos para ser o vídeo da preleção de estreia de Gilson Kleina no clube, quando o  Palmeiras venceu o Figueirense, em Santa Catarina. Mesmo muito fraco, meu pai também me ajudou por aqueles dias a escrever o último texto que ele assinou: o prefácio do livro de fotos de São Marcos, de César Greco.

Expliquei ao editor de esportes que eu não gostaria que meu pai voltasse a aparecer e escrever em um jornal em que ele foi feliz editor, colunista e membro do conselho editorial apenas quando o Palmeiras caísse. Mais parecendo então uma Nana Gouvea palmeirense (para usar a imagem cômica-catastrofista daquele final de 2012, da modelo que tirava selfies na Nova York derrubada).

Meu pai e eu não fizemos o texto que, claro, se tivesse sido escrito, também traria mágoas, dores e as críticas contundentes por aquele período ruim – para não dizer tantos outros erros já sabidos e comentados neste século. Escreveria meu pai, eu, o indigitado ex-palmeirense. Mas o colunista convidado que largou o Palmeiras (mas não o PSDB e nem o El País) assinou no dia seguinte à nova queda a despedida “irônica” dele do amor incondicional de todos os torcedores de todos os clubes.

Fez piada do defunto no velório. E achou graça.

Imagino como ele deve ter carinho e dar conforto para quem está como estava o meu pai por aqueles dias.

Deve dar um “ciao, bello” como encerrou aquela coluna.

Deve virar as costas procurando algum ente que não esteja doente.

Deveria, agora, procurar times que têm “alma”. No dicionário catalão-futebolístico dele, algum sinônimo para “craque”. Algo que nosso time, opa, o meu time, e o de muitos no Brasil, na acepção dele, não tem.

O “ex-palmeirense” voltou agora a falar dos palmeirenses de 2015. Concordamos em muitos pontos. Faz parte do jogo. É um time melhor que o de 2014 – e seria impossível ser pior. Concordamos nisso. Eu, ele, Dalai Lama, Ricardo Teixeira, qualquer um.

Mas quando a ideia de reclamar de um time sem “alma” é defendida por alguém que afirma ter fugido do amor incondicional quando o nosso (o meu!) amor mais precisava de amor sem condições…

Quando vem falar de “alma” quem foi desalmado a ponto não só de largar mas de trocar o nosso amor incondicional é que se vê a diferença entre simpatizante e torcedor, fã de best-seller e irmão de fé.

A diferença entre quem está com a gente na dor e quem só está na saúde.

Quem te ajuda na fratura e quem te apoia na fartura.

É triste quando tanto jornalista perde o emprego a gente ver ainda gente perdendo o jornalismo.

É mais triste ainda quando a gente vê um amor se perder sem alma.

E, como sempre, a culpa é do outro que é “desalmado”.

Perdão pelo desabafo. Ele ainda é um jornalista que respeito e admiro.

Mas são torcedores como ele que fazem não só o nosso futebol ainda pior do que está. Eles fazem a gente desistir do espetáculo que ele diz defender. Fazem a gente desistir do esporte que ensina vencer e perder e, mais que tudo, empatar. Eles fazem a gente desistir de grupos, de amigos, de família, de gente.

Desistir de ser.

Desistir da alma do jogo.

Desistir.

 

Resende 0 x 1 Fluminense

por Mauro Beting em 04.mar.2015 às 11:38h

ESCREVE DANIEL BARUD (@BarudDaniel)

O Flu sofreu. Jogou mal. Mas venceu.

Em Volta Redonda, no Raulino de Oliveira, a equipe tricolor encontrou dificuldades e muitos erros de passes para vencer o Resende.

O Flu entrou no 4-2-3-1 com duas alterações. Kenedy entrou no lugar de Lucas Gomes e Gerson no de Edson, formando dupla na contenção da zaga com Jean. A linha de três meias tinha Wagner na esquerda, Kenedy na direita e Vinicius centralizado. Com variações para o 4-4-2, com Kenedy se juntando a Fred no ataque.

O Resende foi a campo no tradicional 4-4-2, com Léo Silva e Iuri na proteção da zaga. Marcel e Gabriel como meias abertos. Geovane Maranhão e Jhulliam no ataque. Compacto e negando os espaços, o Resende explora bem os contra-ataques e os espaços deixados pelo sistema defensivo tricolor.

O Flu tinha dificuldades em criar e sair jogando. Tocando muito a bola no campo de defesa, sem objetividade, o Flu parecia que ganhava o jogo. Com isso, chamava o Resende para seu campo. A equipe tricolor dependia muito das jogadas laterais e do canhoto Gérson na saída de bola. Wellington Silva e Giovanni apoiavam bastante e eram amplamente ofensivos.

O Resende era melhor e, após receber na direita sozinho, Geovane Maranhão bateu cruzado e Jhilliam completou para o gol, mas em posição irregular.

Os lances de maior perigo do Flu no primeiro tempo foram duas bolas na trave. Uma com o avanço de Giovanni que cruzou e a bola foi lentamente batendo na trave. O segundo lance foi em chute forte de Vinicius (muito mal no jogo), que explodiu no travessão.

A defesa alta do Flu fazia com que os lançamentos fossem explorados e a velocidade do sistema ofensivo resendense também, nas costas de Giovanni, em cima de Victor Oliveira.

Para a etapa final, o Flu entrou melhor. Dominando mais a partida e apertando o adversário, o Tricolor criou mais. Fred foi puxado na área pelo zagueiro Rogério, que não saia de perto do atacante tricolor, mas o juiz Patrice Maia (muito confuso e com critérios diferentes), deixou o jogo seguir.

As chances do Resende saíram em jogadas aéreas. Em uma delas, Gabriel dominou e girou de voleio, colocando a bola na trave.

Perto dos 30’ da segunda etapa, os pouco mais de 1.000 torcedores presentes no Raulino pediram Walter e Cristovão mexeu. Kenedy saiu e ele entrou. Incendiando o jogo. E a torcida.

Antes, Marlone já tinha entrado e dado mais intensidade e pressão no Resende. O gol iria sair. O Resende só saía nos chutões para frente.

Vale destacar a participação de Wellington Silva durante a partida. Ofensivo, fez a melhor partida com a camisa tricolor, depois de seu empréstimo com o Inter.

Henrique perdeu a chance de abrir o placar, sozinho, após cabeçada para fora. O gol da vitória veio perto do fim da partida. Fred tocou para Walter, que pegou de primeira, cruzado. Wellington Silva, só escorou para o fundo das redes. O gol salvador da vitória tricolor.

Com a vitória o Flu voltou para o G-4 do Carioca e agora ocupa a terceira posição. O Resende é o décimo primeiro na tabela de classificação.

ESCREVEU DANIEL BARUD (@BarudDaniel)

Viva-viva

por Mauro Beting em 04.mar.2015 às 11:31h

O maniqueísmo da eleição presidencial volta a campo no Brasileirão.

Quem quer a manutenção dos pontos corridos é uma espécie de petralha da esquerda caviar.

Quem quer o retorno do mata-mata é um coxinha retrógrado.

Que ninguém me leia: turno e returno, pontos corridos, os dois times de melhor campanha disputam um playoff de até três partidas, com todas as vantagens à equipe de melhor pontuação em 38 rodadas: joga duas vezes em casa, escolhe a ordem das partidas, é o clube campeão se fizer primeiro quatro pontos em nove possíveis.

Mas se assim não quiserem, que o Brasileirão continue como está… Pontos corridos, ainda que às vezes mais andados que corridos – mas mais disputados que a longa primeira fase classificatória que se quer ver de volta com o retorno do mata-mata goela global abaixo.

É o voto de quem não é petralha, não gosta de caviar, mas é mais para esse lado da classe que para a outra patota.

(O que não é crime meu e nem deles. É apenas um ponto de vista. Corrido. Sem que eu mate ou tenha de ser morto por isso).

Cruzeiro 0 x 0 Huracán

por Mauro Beting em 04.mar.2015 às 10:02h

Sai Ricardo Goulart e entra um uruguaio promissor de apenas 20 anos. Ainda é pouco, como é muito botar tudo na conta de De Arrascaeta.

Sai Everton Ribeiro pela direita do 4-2-3-1 celeste e segue Marquinhos, reserva dele, e de bom nível. Mas não como o antigo titular, o melhor cruzeirense na campanha do bi brasileiro.

Sai o artilheiro do time em 2014 Marcelo Moreno e entra um atacante mais badalado. E com vontade de recuperar o tempo e os gols perdidos desde 2013 como Leandro Damião. Ele mandou bela bola no travessão aos 31 do segundo tempo, e fez um gol em lance mal anulado aos 5 iniciais, numa das poucas boas jogadas na decepcionante partida contra o Huracán.

Sai Lucas Silva e não tem como substituir. Mas Willians entrou no time marcando muito bem, até acertando os passes que errava, e ousando acertar boas inversões de jogo.

Sai Egídio e entra Mena. Não deve mudar muito. Mas é muita gente mexida em poucos meses e com apenas um mês de trabalho dessa gente toda.

Sai o lesionado Dedé e entra Paulo André, de boa presença dentro e fora de campo. E entendimento de que é muita gente que saiu e muita que entrou. Ou ainda vai entrar. Entrosar. Dar liga. Dar jogo. Dar gols. Dar vitórias.

O bom é que o elenco segue ótimo. O ótimo é que o grupo da Libertadores é fraco. O ruim é que ainda pouco se viu de futebol na Raposa 2015.

É preciso ter paciência. Como tiveram os cruzeirenses que gritaram o nome do time ao final do empate melancólico. Mas o taxímetro já está rodando. E tá caro.

Uma vez Zico, sempre Zico

por Mauro Beting em 03.mar.2015 às 14:52h

Zico,

em nome do futebol, eu gostaria de te dar 40 anos a menos de idade.

Por que sei que você faria na vida tudo de novo. Só não digo que faria ainda melhor que não há como superar o maior artilheiro do Maracanã. O maior ídolo. craque e goleador do clube mais popular do país mais popular do futebol no planeta. Mundo que foi todo seu em 1981 com o melhor time brasileiro que vi em 42 anos de estádios e estúdios.

Como deveria ter sido em 1982. Como poderia ter sido em 1986 não fosse um joelho doído que você venceu. Como poderia ainda assim ter sido não fosse um chute errado seu num jogo doido.

Erro que só te deixa ainda maior. Por que nenhum outro gênio do esporte teve de se construir como atleta como você. Pouco craque superou tantos problemas para ser o que você é. Um Zico de craque. Um Zico de pessoa.

Arthur poderia se achar. Mas ele não se perde. Só soube ganhar respeito e admiração como soube vencer estaduais, nacionais, libertadores e mundial. Não ganhou a Copa. Mas conquistou o mundo e a história. Ganhou corações como a Hungria de Puskás, a Holanda de Cruyff, o Brasil de Zico.

Mas Zico é do Flamengo. É o Galinho de Quintino. É o Rei do Maracanã.

Cidadão que sempre apareceu vestido de rubro-negro em todas as tantas conquistas de 1971 a 1989. Todos os companheiros estavam sem camisa ou com a do rival vencido nas festas campeãs. Menos quem fez mais. Menos Zico. Sempre vestido inteiro de Flamengo.

“Por respeito ao clube”. É o que me disse meu companheiro de “Zico na Área”, no Esporte Interativo, quando perguntei o motivo de também nas imagens ser o mais rubro-negro de todos.

Respeito que nem sempre o Flamengo deu a quem mais deu ao Flamengo. O Galinho dos 826 gols. Mais de 50 títulos como jogador e treinador. O menino que ganhou tudo ao ganhar corpo na adolescência em um trabalho exemplar do clube. Num esforço comovente dele.

Virou mito, mas não máquina. Nasceu com a alma e o caráter herdados da mãe Matilde e do pai “lusitano”, não “português”. Seu Antunes era Flamengo até morrer. Fez Flamengo a família. Mesmo quando o filho Antunes jogou pelo Fluminense, mesmo quando Edu brilhou pelo América.

Todos foram Flamengo. Ainda mais a partir de 1971. Quando o Maracanã virou puxadinho do lar de Quintino. Palco onde foi dez e Flamengo até 1983. Udine até 1985. Maracanã até 1989. Japão de 1991 a 1994.

O melhor do gênio, do mito, do ídolo e do amigo não é o muito que jogou. É o pouco que exige de admiração. Até as areias do Rio pedem autógrafo a ele. E ele não se porta como rei Arthur. Ele não é estrela de brilho próprio. É sol que ilumina o Rio e o Flamengo.

Jogou muito e fez seus times jogarem muito mais. Por que se cobrava e exigia. Comum com todos, foi incomum como raros. Nunca em 25 anos como jornalista esportivo tive parceiro tão humilde para querer aprender e melhorar. E ele é Zico.

Sempre buscou o máximo. O mínimo que encontrou foi amor incondicional. No país do E.T. Pelé, Zico não é o maior. Mas, na Nação Rubro-Negra, todos são Zico.

Um cara tão bom que parece lenda.

E é.

Mais que parabéns, Zico, obrigado.

Não sou Flamengo.

Mas uma vez Zico, sempre Zico

Leo Moura

por Mauro Beting em 03.mar.2015 às 11:44h

Rubro-negro entre milhões, foi mascote entre tantos na despedida de Zico, há 25 anos, no Maracanã.

Rubro-negro entre milhões que têm um sonho de um dia vestir o manto como se fosse a única pele, ele foi Flamengo por 518 jogos.

Para não dizer que já era Flamengo desde sempre. Mesmo quando foi Botafogo no início promissor de carreira que levou Carlos Alberto Torres a dizer que merecia ser convocado para a Copa-02.

Não foi. E acabou rebaixado no mesmo ano no Palmeiras. No São Paulo chegaram a dizer que tinha pânico para decidir, em 2003.

Por isso também rodou por Vasco em 2002 e Fluminense em 2004. Rodou em ambos. Já tinha tentado a sorte na Bélgica e Holanda de menino. Não deu. Foi pra Portugal e perdeu o lugar que poderia ter no Brasil.

Até voltar à Gávea prometida, há dez anos. Quando chegou já mais rodado e calibrado. E menos entusiasmado pela arquibancada. Era mais um que rodava sem sair do lugar. Ainda que atacasse bem. Bem melhor do que marcava.

Não prometeu muita coisa além do normal comprometimento. Mas superou desconfiança ganhando a camisa do incomparável Leandro.

Ganhando uma Copa do Brasil com troca de comando durante a fase decisiva, em 2006. Ganhando outra Copa do Brasil e superando muitas desconfianças, em 2013. Ganhando um Brasileirão em 2009 quando muitos rubro-negros imaginavam que seria mais um campeonato para fugir do rebaixamento – e deu no hexa só acreditável por ser o Flamengo incrível.

Como foi a campanha de Leo Moura em dez anos rubro-negros. Quando viu muita gente passar e não ficar. Quando viu muitos jogarem pouco e poucos jogarem muito. Demais. Além da conta e das contas que nem sempre fechavam. Gente que não estava nem aí e nem ficou por lá.

Gente que poderia ter feito história ou ao menos ter dito que teve a honra de vestir com orgulho o manto. Jogadores e dirigentes que se perderam pela linha de fundo.

Não foram ao fundo e cruzaram a bola. Ou entraram por dentro. Ou bateram bem na bola como Leo Moura. Leonardo Moura. Leonardo. Os nomes que honrou pela carreira.

Leo que que foi por 518 vezes o que milhões gostariam de ser apenas uma vez: rubro-negro.

No Maracanã que fechou, reabriu, fechou, reabriu. No Engenhão que foi construído, fechou e reabriu. Em Volta Redonda, Macaé, em muitas voltas pelo Brasil e pela América.

E mesmo pelo Flamengo. Quando chegou, sofreu até o fim para evitar o rebaixamento, em 2005. Em 2014, quando a bola parou para a Copa, o destino  parecia o mesmo. Mas o time se reergueu. Ressurgiu. Como Leo Moura. Um que chegou sem festa ao clube, um que vai deixar um buraco rubro-negro pelo lado direito.

Craque-craque ele não foi. Mas quem foi mais rubro-negro que ele em 10 anos? Um lateral que atacava como ponta mas aprendeu a marcar como defensor. O cara que mais ficou com a bola no BR-10. O maior assistente rubro-negro no hexa de 2009. No mais improvável título do Flamengo – se é que ser campeão pode ser impensável na Gávea.

Mas, naquela campanha, tudo havia sido feito errado. E tudo acabava dando muito certo. O interino Andrade foi ficando aos trancos e Flamengos. Leo Moura fez gol contra o Náutico e devolveu à galera os xingamentos recebidos quando o time chegaria ao 14º lugar.

Tudo era muito alto e muito baixo. Muito rubro e muito negro. Como a vida. Como o Flamengo. Líder do BR-09 apenas nas duas últimas rodadas. Hexacampeão apenas aos 24 do segundo tempo do último jogo. Quando tudo parecia tão perdido quanto Leo Moura em 2005.

Mais um refugo dos outros ao chegar. Mais um gigante da história impressionate do Flamengo de tirar títulos e retirar ídolos do fundo das forças ao sair agora, dez anos depois, com cinco estaduais, duas Copas do Brasil e um Brasileiro na galeria.

Você pode discutir algumas questões táticas dele. Algumas discussões que teve com Cuca e com Renato Abreu, por exemplo.

Mas quem deixou o exemplo por sempre estar lá, não deixando a peteca cair, sendo mais um entre tantos rubro-negros, foi quem havia sido antes alvinegro, tricolor, cruzmaltino. Mas, antes de tudo, e mais que tantos, Leo foi leal rubro-negro.

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Não vale a pena ver de novo

por Mauro Beting em 03.mar.2015 às 10:02h

Não sei a fórmula exata para a divisão da dinheirama da bola. Mas a que está aí gera abismo entre os clubes mais poderosos. A bolada que Corinthians e Flamengo recebem não estimula o futebol. Joga muito para poucos com muitos consumidores e, no final da tabela, abre a tampa do poço com fundo. E sem fundos.

Sem alongar, o que parece mais justo para não distanciar os clubes e manter o nível do campeonato. Afinal, nem aos mais poderosos interessa uma liga de poucos:

Se a TV tem 100 patacas para pagar aos clubes, ela poderia dar 50 delas divididas igualmente para os 20 da Série A.

Das 50 patacas que sobram, 25 seriam entregues de acordo com a colocação no campeonato anterior: o campeão ganharia mais que o vice e por aí vai.

As outras 25 seriam entregues de acordo com uma fórmula que levasse em conta tanto o número de partidas de cada equipe transmitidas pela TV aberta quanto a audiência gerada pelos clubes.

No final das contas, Flamengo e Corinthians, provavelmente, teriam chances maiores de receberem mais dinheiro. Mas não tanto mais quando recebem desde a implosão do C-13 por detonações de C-4.

Quanto menor for a distância financeira entre os clubes gerada pr quem tanto os ajuda, melhor será todo o campeonato.

Parece a equação mais justa.

Fair-play

por Mauro Beting em 03.mar.2015 às 9:49h

Nem toda unanimidade é burra. Mas quando os 20 clubes aprovam possível perda de pontos para equipes que não pagam funcionários no BR-15, talvez eles estejam atirando no próprio pé. E orelha avantajada.

Mas é dever bater palmas. A intenção é saudável. Obriga os cartolas a pagarem o que têm para montar e desmontar elencos. Exige que planejem minimamente suas contas. Enfim, façam o que é direito. Ainda que nem sempre o certo para suas torcidas.

A seriedade no trato com os profissionais é um pontapé inicial para começar a arrumar a casa.

Botafogo 1 x 0 Flamengo – 450 tons

por Mauro Beting em 02.mar.2015 às 8:12h

As meias cinzas do Botafogo estão entre as mais lindas e clássicas do futebol. Também por terem vestido pernas míticas em mais de 111 anos de clube. Como as novas camisas do Flamengo são bonitas. Melhores que o jogo rubro-negro.

Nos 450 do Rio, os 11 de General Severiano assumiram a inesperada ponta da tabela. Um time frágil em reconstrução que vai calando a boca dos críticos (presente!), da própria torcida (ausente), e da qualidade dos rivais (ausente?)

Não é um grande Botafogo. Mas foi enorme ao final de um clássico em que a primeira chance alvinegra foi um tiro distante de Willian Arão. Aos 34 minutos. É só de longe para o time de René chegar na primeira etapa em que o Flamengo também fez pouco. Alecsandro não foi bem no comando do ataque – e Eduardo da Silva foi pior. Cirino ganhou os lados para correr, e pouco jogou. Como Gabriel na primeira etapa, e Arthur Maia na segunda.

A voluntariosa volantada de Vanderlei estava toda lá. O Flamengo, não. Parecia parado. Meio perdido na festa para Leo Moura e para os 450 anos – do Rio.

Lindo estava o Maracanã – redundância. Não muito bonito o clássico – infeliz redundância dos últimos tempos.

Jogo parado que talvez não merecesse vencedor. Ou merecia apenas um gol de longe. Talvez mais nas patadas de Carletto que no tiro do gol. Numa vista golpeada de Paulo Victor, que parado viu – ou nem viu – o chutaço de Tomas nele rebotear e definir o placar.

Levou azar o goleiro rubro-negro. Diferente do alvinegro, que fez belíssima defesa depois de infelicidade de Diego Giaretta que quase fez gol contra.

Lance que Jefferson evitou que entrasse para a história. Jogada que retrata um clássico longe das tradições. Mas ainda bela tradução do que é o futebol da cidade maravilhosa independente da partida.

Não foi bonito o espetáculo. Mas “que bonito é” a torcida que ainda faz de cada jogo no Maraca um Canal 100.