publicidade


Divina despedida do Dérbi no Pacaembu e de todos os Guias

por Mauro Beting em 25.out.2014 às 18:04h

O camisa sete alvinegro saiu celebrando o gol de cabeça. O segundo gol do Corinthians no Dérbi. Na primeira página da Folha de S.Paulo, cabisbaixo, aparece o camisa 10 do Palmeiras. Eram 23 do segundo tempo. 2 x 0 Timão. No Morumbi, em 18 de setembro de 1977. 25 dias antes de o Corinthians encerrar 22 anos sem títulos. Gol de Vaguinho. A última imagem de Ademir da Guia com a camisa que vestiu 901 vezes.

O camisa 20 alvinegro saiu celebrando mais um gol sofrido pelo Palmeiras em cima da hora, depois de um arremesso lateral. Na imagem da TV, o camisa 10 palmeirense aparece já fora do campo, com a cabeça entre as mãos. Valdivia… O Timão empata o Dérbi por 1 a 1, depois de tomar no primeiro tempo um gol de Henrique (artilheiro do BR-14), em mais um chute torto de Wesley que acabou dando certo. Ao menos até o Palmeiras ceder novo empate no fim – o que é melhor de ceder mais derrotas e goleadas no Brasileirão. Gol de Danilo. Gol tipicamente corintiano.

São 19 anos sem derrotas alvinegras no Pacaembu para o maior rival. São 7 vitórias, 6 empates. Isso é o Corinthians nos últimos Dérbis no estádio municipal.

No último clássico antes da inauguração do Allianz Parque, o Palmeiras (que, pela primeira vez desde a inauguração do Pacaembu, estava mais “em casa” que o Corinhians), não soube vencer o rival no estádio em que o Timão tem mais vitórias no clássico. Mas menos títulos conquistados que o adversário, e menos voltas olímpicas que o rival nos confrontos diretos. O conforto corintiano é saber que, talvez, o tabu do Pacaembu se mantenha como rima e solução por mais tempo.

Afinal, com a Arena Corinthians e com o Allianz Parque, serão raros os Dérbis na sua casa mais presente. Mais paulistana.

Não foi um senhor jogo. O Palmeiras achou o gol quando enfim se encontrou em campo, e conduzia a vitória que poderia se dizer justa até sofrer mais um gol dolorido no fim. Acontece com esse time frágil. Acontece com o Timão que deve se manter na luta pelo G-4 até o final, e com boas possibilidades de sucesso, como são cada vez maiores as de permanência do Verdão na Série A.

Não pela bola, mas por tudo que representa no lindo estádio de espírito que é o Pacaembu, foi histórico o Dérbi pré-eleitoral.

Como foi, pela manhã, no Allianz Parque, o pontapé inicial da despedida de Ademir da Guia do Palestra.

Quem mais e melhor jogou em 100 anos de Palestra tinha ao seu lado e contra ele craques, ídolos e até alguns remanescentes da fila. Teve um pênalti para converter e marcar o primeiro gol do novo Palestra e chutou na trave. Teve outro pênalti Ademir para o outro time, e sua divindade trocou de camisa; tinha mesmo de ser com a verde, e não com a branca, o gol dele. Com a 2 de Cafu, ele venceu o 12 Marcos e abriu o placar na meta de fundo do Allianz Parque. A mesma onde Marcos também pulou para o canto errado mas acabou campeão da América, em 1999.

Tinha de inaugurar o gramado e o placar do estádio um gol de Ademir em Marcos. Quem mais jogou pelo Palmeiras contra quem mais jogou no estádio. Quem melhor usou os pés contra um dos que melhor usaram as mãos e o coração. Divino e santo. Aos 12min46s. Tinha de ser 12.

11h35 da manhã de sábado, 25 de outubro de 2014. Ademir da Guia se despedia enfim do Palestra com um gol de pênalti e alguns lances de Divino, no empate por 3 a 3 entre os times branco e verde.

Tarde de domingo, 18 de setembro de 1977. Sem fôlego, Ademir foi substituído pelo centroavante Picolé. O Corinthians venceu por 2 a 0 e iniciou a reação que daria enfim no título paulista de 1977. O primeiro corintiano desde 1954. Ademir perdeu dois gols quando o placar estava em branco. Em um deles, furou a bola em lance humano demais para um craque divino.

Por problemas respiratórios, ele nunca mais jogou futebol. Ficou sete anos sem jogar nem peladas. Só voltou em 1984, quando fez a primeira despedida com a camisa verde, no Canindé.

No velho-novo Palestra, despedida foi só agora, em 2014.

No mesmo dia em que o Palmeiras novamente enfrentou o maior rival. O Corinthians que não perde um Dérbi no Pacaembu há 19 anos. O Corinthians que jamais foi campeão quando Ademir jogou pelo Verdão, de 1961 a 1977. Clube que teve a honra de ter como seu maior zagueiro o Divino Mestre Domingos – o pai de Ademir. Domingos que levou o filho pela primeira vez ao campo no Parque São Jorge, onde treinava no Timão. Domingos que quase negociou o jovem Ademir com o Corinthians até o Santos pintar na área. Domingos que só não fechou contrato com o Santos para vender o filho por ter virado treinador de Ademir, no Bangu. Domingos que só venderia o Divino em 1961, para o Palmeiras.

Ademir que acabou com o jogo que impediu o Corinthians de ganhar o Robertão de 1969. Ademir que conduziu a segunda Academia em 1974 e deixou o rival na fila até parar, em 1977. Ademir que só voltaria ao Morumbi onde pendurou as chuteiras em 12 de junho de 1993, antes dos 4 a 0 que encerraram a fila palmeirense.

Ademir que começou a falar quando o pai dele defendia o Corinthians. Ademir que ainda deixa sem fala os palmeirenses órfãos da classe inigualável. Mas não mais carentes do lar e do estádio que, enfim, depois de quatro anos de reforma (reconstrução), está pronto para ser devolvido aos filhos do Divino.

Se o Palmeiras ainda não está pronto nem no Pacaembu e nem na tabela, ao menos a nova casa está digna de Ademir, Marcos, Dudu, Evair, Leivinha, Jorginho, Toninho Catarina, Cafu, César Sampaio e tantos que lá estiveram no sábado para abraçar o Divino. Abençoados por Ademir.

Sabendo que, mesmo de brincadeira, e com a séria homenagem, o Palmeiras ainda é Divino.

Como Ademir, pelo pai que teve, pelo pai que é, abençoa a história do Dérbi.

A festa do Ademir que dá Guia acabou sem perdedor, de manhã. O Dérbi acabou sem perdedor, de tarde.

O futebol do Pacaembu, do Allianz Parque e da Arena Corinthians foi abençoado por uma família que honrou corintianos e palmeirenses, alvinegros e alviverdes. Comuns no branco, incomuns nas outras cores e amores que fizeram pela cidade uma história linda como a do Dérbi.

Que os torcedores dos clubes possam conviver em paz, harmonia e rivalidade.

Abençoados todos os dias da semana, sábados e Domingos pelos Guias que iluminaram Corinthians e Palmeiras.

Suárez, Messi e Neymar

por Mauro Beting em 23.out.2014 às 18:24h

O Real Madrid está melhor agora que o time decacampeão europeu. Ancelotti está conseguindo ajustar defensivamente o meio-campo. Modric e Kroos estão cada vez melhores como todocampistas que cercam como volantes e armam como meias. Uma aula de futebol com e sem a bola – ainda que Xabi Alonso coubesse nessa intermediária…

E nem falo de Di María, que joga em qualquer time e seleção do mundo. Fácil.

Mas o papo aqui é encaixe: como escalar juntos Messi, Neymar e Suárez?

No boteco, fácil: põe os três, mais Iniesta, e pode escalar as nossas avós que dá jogo. Dá gol. Dá gosto.

Mas dá liga em campo? Dá Liga Espanhola e Liga dos Campeões na galeria blaugrana?

Pelas características, não é acerto tão fácil como já estão se ajustando Messi e Neymar.

Pedro é ótimo jogador, voluntarioso, rápido, tático, perfil baixo. Não é uma estrela tão decisiva quanto Suárez. E nem pede os holofotes que o uruguaio merecidamente conquistou, nos campos e nos ringues.

Para não mexer tanto na estrutura da equipe de Luis Enrique, o já consagrado 4-3-3, a formação poderia ser a do desenho abaixo, adaptando-se a uma condição natural do jogo catalão: quando Messi deixa o comando de ataque e volta à ponta direita, trocando de posição com Pedro, chamando a marcação, e abrindo espaço.

Como foi o segundo golaço contra o Ajax, em enfiada belíssima de Iniesta para o Messi que vinha em diagonal.

 

4-3-3

O Barcelona atual trocando Pedro por Suárez: Messi saindo do meio para a direita, com o uruguaio entrando em diagonal. O jeito mais simples, mas que sacrifica um pouco Luisito, que terá de marcar e cercar mais os rivais

.

Outro jeito de aproveitar a nova estrela da companhia catalã é deixar Messi ainda mais livre, vindo um pouco mais de trás, com Neymar e Suárez mais centralizados. Quase um 4-3-1-2, liberando um tanto mais o apoio de Daniel Alves.

Seria um modo interessante para incorporar mais rapidamente o novo reforço, e encorpar o ataque, dando também mais liberdade de movimentação a Neymar, e sem jamais tirar os espaços de Messi.

É mudança sutil em relação ao 4-3-3 usual. Mas cabível pela qualidade técnica do trio e pela inteligência tática de todos:

barcelona_POSIÇÃO 2

Messi saindo um pouco mais do comando de ataque, dando mais espaço a Suárez e Neymar, e também abrindo um tanto mais à direita. A ideia não é tirar o gênio da área. Mas colocar um tanto mais próximo a ela um goleador como Suárez

Dunga chama 3 – Turquia e Áustria

por Mauro Beting em 23.out.2014 às 15:41h

A CBF aderiu à cartilha do bom senso (da outra falamos depois) e só chamou estrangeiros para os últimos amistosos da temporada. Não prejudicará a reta de chegada do BR-14 e nem da Copa do Brasil. Na Seleção Sub-21, Gallo também tomou bomsensol, e fez nova chamada, sem gente importante de clubes que lutam por títulos ou permanências na Série A.

Ponto para Dunga.

E o grupo de convocados cresce. Em bom nível.

GOLEIROS – Convocaria os mesmos três: Rafael (Napoli), Diego Alves (Valencia) e Neto (Fiorentina).

LATERAIS-DIREITOS – Trocaria Danilo (Porto) por Rafinha (Bayern), e manteria Mario Fernandes (CSKA Moscou)  para ser mais vezes observado numa posição carente.

LATERAIS-ESQUERDOS – Marcelo (Real Madrid) e Filipe Luís (Chelsea) são os meus laterais. Alex Sandro (Porto) é versátil, mais jovem. Mais eu não abriria mão de Marcelo.

ZAGUEIROS – Thiago Silva, David Luiz e Marquinhos (PSG) e Miranda (Atlético de Madrid). Tamo junto, Dunga. E acho que nunca, numa lista de quatro zagueiros de área, um mesmo clube forneceu três para a Seleção.

VOLANTES – Luiz Gustavo (Wolfsburg) e Fernandinho (Manchester City), sim. Hernanes (Internazionale) eu trocaria pelo chamado Casemiro (Porto); Rômulo (Spartak) entra mais por exclusão, e também pela lesão no joelho de Ramires (Chelsea). Eu chamaria Rafinha Alcântara (Barcelona), lamentando ainda a fase de Paulinho (Tottenham). Lucas Leiva (Liverpool) vive dias incertos na Inglaterra.

MEIA PELA DIREITA – Willian (Chelsea), Lucas (PSG) e Douglas Costa (Shaktar). Demorou. Bons nomes.

MEIA CENTRAL – Oscar (Chelsea) e Roberto Firmino (Hoffenheim). Ótima convocação do novato. Anderson Talisca (Benfica) é outro nome que poderia ter pintado, mas seriam dois novatos em função tão importante. Melhor aguardar.

MEIA PELA ESQUERDA – Neymar (Barcelona) e Philippe Coutinho (Liverpool).

CENTROAVANTE – Luiz Adriano (Shaktar). Bom nome em ótima fase em posição carente.

No frigir das bolas, chamaria Rafinha (e não Danilo), Marcelo (e não Alex Sandro), Hernanes (e não Casemiro),  Rafinha Alcântara (e não Rômulo).

Trocaria 4 dos 23 nomes.

Cruzeiro 1 x 1 Palmeiras – Ataque x defesa

por Mauro Beting em 23.out.2014 às 9:47h

Quando se tem confiança em um time, você sabe que o seu Cruzeiro pode ficar com a bola 61% do tempo, finalizar 20 vezes, a pelota bater uma vez na trave, umas três passarem perto dela, umas quatro o grande goleiro adversário pegar o que parecia impossível, e, ainda assim, pela intensidade, entrosamento, velocidade, dinâmica e qualidade, ao menos uma bola vai entrar. Ainda que nos acréscimos. E mesmo que seja em rara infelicidade do Fernando Prass – que falta fez ele ao Palmeiras durante a lesão!

Quando não se tem confiança em uma equipe, você sabe que o melhor ataque do BR-14 vai acabar fazendo ao menos um gol contra a pior defesa. Os milagres do goleiro vão cessar durante o jogo, a ausência de Valdivia pedirá a conta, todos os lances do adversário a partir do tiro de meta são perigosos. Você sabe que aquele belo gol de contragolpe marcado com o pé ruim de Mouche vai ser empatado. Você sabe que aquela bola que o argentino mandou na trave e Egídio salvou espetacularmente não é por acaso.

O cruzeirense sabia que ainda conseguiria empatar – e merecidamente. O palmeirense sabia que ainda levaria o empate no fim – injusto apenas para Prass.

São essas certezas que as equipes, mais que os clubes, dão aos seus torcedores.

O Cruzeiro só empatou em casa, mas o São Paulo empatou fora, depois. Segue tudo igual no campeonato cada vez mais bicampeonato celeste.

O Palmeiras, não. Se doeu no fim das contas o gol no fim das bolas, em termos de pretensão, de campeonato, foi um senhor resultado.

Se alguém não viu o jogo e analisa o empate, excelente ponto em BH para o Palmeiras que vai acabar se salvando.

Se alguém vê o tempo dos gols, sabe que doeu para o palmeirense.

Mas se viu o jogo inteiro, sabe que o 1 a 1 para os paulistas acabou sendo ótimo. E não tão ruim para os mineiros.

 

De: Nilton Santos. Para: Jefferson

por Mauro Beting em 22.out.2014 às 10:31h

 

fimdejogo.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jefferson,

não sei se você acredita.

Mas eu juro. Sou eu.

Nilton Santos.

Eles me chamavam de Enciclopédia. Apelido que o Waldir Amaral popularizou, lá por 1957.

(Sorte minha que eu apareci pro futebol antes do Garrincha e do Pelé. Você vai dizer que é falsa modéstia. Não é falsa. É apenas modéstia.)

Eu era assim desde a Ilha do Governador. Pergunte aos meus amigos botafoguenses. O Sandro Moreyra inventava e exagerava umas historinhas, é verdade – ou algumas mentirinhas… O Maneco Muller também dourava a pílula e a bola.

Mas eles sabem que sempre fui simples. Na minha. Tanto é que quase fui parar nas Laranjeiras. Quer dizer, fui pra lá. Mas quando vi aquela sede toda iluminada, os vitrais, toda aquela pompa, os sócios lá dentro dos salões, aquela gente chique, grã-fina, e ainda vi da rua os craques do Fluminense passeando pela sede, como o Ademir de Menezes, confesso que achei que ali não era meu lugar.

É verdade. Fiquei com minha chuteira debaixo do braço, peguei uma condução de volta pra Ilha do Governador e, naquele momento, desisti do meu sonho de ser profissional do futebol. Era 1946. O Maneco contava muito bem essa história, e está aqui, do meu lado, mandando um abração. Ele e o Sandro, que diz que você é um digno sucessor do Manga.

E eu concordo, Jefferson.

Naquela noite em que eu não fui treinar nas Laranjeiras, meu jeito tímido e meu espírito amador me deixaram longe do futebol. Mas eu, como nosso time, tenho estrela. E ela, graças a Deus, foi brilhar comigo em General Severiano.

O nosso Botafogo.

A nossa camisa. Aliás, só para lembrar pra muita gente, eu só joguei pelo Botafogo e com a camisa do Brasil. De 1948 a 1964. Dos meus 22 anos até os 39. E nunca beijei o escudo nem de uma e nem de outra. Não precisei. Ninguém precisa.

Basta honrar essa camisa. Basta dar tudo por ela. Basta jogar futebol.

Basta fazer tudo que não tem sido feito no Botafogo.

Não pelos seus companheiros, Jefferson. Alguns, de fato, não têm bola para jogar no nosso time. No máximo, jogariam lá no time do Flexeiras, da minha terra. E olhe lá.

Mas como cobrar deles se eles não são pagos?

Já os dirigentes do nosso Botafogo…

Além dos aviões, meus maiores adversários sempre foram os árbitros. Todos eles. Mas, hoje em dia, e nas últimas administrações, acho que os cartolas do nosso clube foram piores que os juízes.

Acredite.

E o pior é que parece inacreditável o que fizeram e o que estão fazendo com o nosso Botafogo.

Saudade do Carlito Rocha e do Biriba, nosso cachorrinho campeão em 1948. Hoje só parecem ter restado outros animais no clube. O seu Carlito que dava gemada pra nós depois dos treinos. Hoje, os caras dão uma ova pros jogadores! O Carlito tinha uma fábrica de tecido e ficou pobre de tanto dinheiro que deu pro Botafogo. Quantos dirigentes ficaram sem grana como ele? E quantos saíram do futebol com muito mais do que tinham?

É…

Como pode não pagar? Como pode exigir de quem não recebe?

Já ganhamos um Brasileirão com quase cinco meses de atraso. Mas não pode isso.

Aliás, eu também sou um pouco responsável por esse estado lastimável de coisas. Eu assinava contratos em branco com o clube. Falava que eles poderiam pagar o que quisessem para mim que estaria bom. E estava mesmo ótimo. Me pagavam pra jogar futebol no clube onde eu me sentia em casa!

Mas veja só o que foram fazendo comigo e com nossos companheiros, com nossos torcedores…

Dá pra dizer também com nosso país. Afinal, não pagamos para ninguém. Justo um clube com um crédito imortal no nosso futebol. Como pode?

Como deve…

E como devemos à nossa rica glória. E como estamos devendo Botafogo aos botafoguenses.

Não podemos mais ficar assim. Tenho conversado com a turma aqui de cima. Tem muito botafoguense nos céus. Muita gente boa. Mas sinto que a nossa galera vai ser menor a cada dia por aqui. Vai ter muito mais botafoguense indo pra outro lugar. Para o fogo eterno onde estão nos mandado mais uma vez.

Jefferson, você é o número um da Seleção. Merecidamente. Todo grande time começa com um grande goleiro. Uma pessoa honrada como você. Persista! Defenda a gente mais um pouco dos adversários externos e, principalmente, dos internos. Justamente os piores.

Sei que a culpa de tudo que não tem em General Severiano não é só da turma que está lá agora. Quem passou também arrasou a terra e os cofres. Derrubou o clube como quase derrubaram o Engenhão! Sei que todo o futebol brasileiro tá uma draga. Uma droga mesmo. Meus parceiros Djalma Santos e Julinho Botelho estão desesperados com a Portuguesa. Não a da minha Ilha do Governador, mas a do Canindé.

O que fizeram com ela?

O que estão fazendo com a gente?

Sei que você é profissional, Jefferson. Sei que você tem contas a pagar. Diferente do nosso clube, você paga suas contas. Mas eu te peço, por favor: seja cada vez mais amador e ame cada vez mais o Botafogo. Pelo menos alguém tem de amar esse clube lá dentro. E jogar por ele. Não o jogar na vala comum. Na várzea na pior acepção.

Eu sei que fiz errado em dar um cheque em branco aos cartolas antigamente. Hoje não se pode dar nem bom dia. Mas eu imploro: continue nos defendendo. Dê crédito a quem só tem débito.

Dizem que da nossa vida aí embaixo não se leva nada. Mas eu te digo, amigo: eu também estou aqui entre tantos Santos não porque eu sou Nilton, mas porque eu sou Botafogo.

Amor e dedicação não se cobram. Damos. Por isso estou aqui. Por isso consigo passar esta mensagem. Os que não têm, os que não tiveram, esses vão pro lugar onde estão nos mandando.

Só pra terminar, mais uma historinha que aconteceu comigo: quando parei de jogar, em 1964, muita gente teve a ideia de fazer um jogo de despedida com a renda inteira da partida sendo doada para mim. O que pensaram os dirigentes do clube na época: “vai parecer que a gente não pagou direitinho a ele durante a carreira…” E foi o que aconteceu. Eles não deram a renda para mim.

Como você pode ver, Jefferson, o problema do nosso clube não é só da turma que está aí agora. Vem de longe…

Enfim, o pessoal do Botafogo tá mandando aquela força aqui de cima.

Deus mesmo diz que está mexendo uns pauzinhos.

E Ele jura por Ele mesmo que ainda acredita no Jobson.

Mas que Ele não tem o que fazer com as postagens do Sheik no Instagram.

Saudações.

Nilton.

Estrada para Santos e para os diabos

por Mauro Beting em 20.out.2014 às 14:03h

Rodrigo Vessoni, deste LANCE!, conta que, em média, desde 1988, morrem por ano 10 torcedores no Brasil.

Morrem nos estádios, proximidades, estações de ônibus, trens e metrôs, nas ruas.

E nas estradas. Como foi atropelado no domingo um torcedor que, com outros 150, preparou uma emboscada contra ônibus de uma torcida rival.

Numa rodovia onde passavam santistas e palmeirenses. E corintianos e são-paulinos. E gente que não gosta de futebol. Talvez gente que ainda gosta. Mas que não vai mais a campo para não morrer. Gente que talvez não saia mais à rua para não morrer numa briga de facões e facções. Paus e paus-mandados. Pais e filhos da mãe. Pedras e podres de todos os tipos.

É caso de polícia que até prende. É caso de justiça que solta. É coisa que vai muito além do campinho de jogo.

Portão fechado? Perda de mando? Eliminação?

Tem pena para barbaridade?

Eu tenho pena de quem só torce. Ainda a maioria. Ainda gente do bem que corre o risco de ser morta por quem está matando o futebol e a cidade. E a sociedade.

A falta de Rogério Ceni

por Mauro Beting em 20.out.2014 às 13:50h

Rogério Ceni mandou a bola no ângulo e fez um golaço contra o Bahia.

Dos mais bonitos dos 123 gols que o camisa 01 marcou na carreira. Apenas cinco a menos que um dos maiores camisas 10 do São Paulo – Raí.

Um daqueles gols que vale a pena rever e comentar. Para muitos jogadores seria dos mais bonitos da carreira.

Para Rogério foi mais um. Embora possa ser o último.

E por isso também Ceni é o número um. Desde o primeiro gol, em Araras, em 1997, ele faz e celebra como se fosse nem o primeiro e nem o último. Mas o único.

Por isso ele vai além.

Rogério é único como deverá ser única a marca dele como artilheiro-goleiro.

Como goleiro-goleiro, no clube de Poy, Sérgio, Valdir Peres e Zetti, Rogério está entre esses bambas todos. Mas, como artilheiro, como ídolo, como são-paulino, como mito, Rogério está em um nível em que um golaço nem mais é tão festejado como deveria.

Ele banalizou o espetáculo. Na melhor acepção possível.

O problema, agora, será em algum tempo o tricolor olhar para a meta e não ver aquele magrelo de poucos cabelos fazendo das dele.

O problema, em breve, será uma falta de qualquer lugar ser marcada a favor do São Paulo e não se ver mais os olhos de todos os estádios voltados para aquela tradicional abaixada de cabeça e trote em direção à meta rival. Quando o são-paulino berra e os adversários temem. Ou tremem. Ou ambos.

Quando Rogério vem fazer o jogo de Ceni. E só dele.

O São Paulo terá outros ótimos cobradores de faltas. Também de pênaltis. Claro que terá.

Mas nunca mais uma falta próxima da área rival fará o torcedor tricolor olhar para a própria meta esperando a vinda do cobrador.

Outos clubes perderam seus ídolos. Craques. Mitos. Poucos com tanto tempo e tão corrida ficha prestada como a de Rogério.

Mas só o São Paulo sofrerá a perda de um gesto inconsciente ainda que tão consciente. A olhadinha pro próprio gol na expectativa de mais um gol de falta.

Nenhuma torcida na história do futebol teve tantas vezes essa sensação.

Não será fácil se acostumar.

Mas muito mais difícil foi criar esse sentimento. Quase uma certeza.

Lá vem Rogério!

Lá vai com ele uma história eterna.

Palmeiras 1 x 3 Santos – segue o seco

por Mauro Beting em 20.out.2014 às 13:09h

No geral, o Palmeiras tem mais vitórias que o Santos. Na Vila, acredite, o Palmeiras tem mais. No campo não tão neutro do Pacaembu, no clássico que deve ter a maior média de gols da história brasileira, o Santos tem uma vitória a mais pelos 3 a 1 construídos em quatro finalizações alvinegras.

Quando o Palmeiras criava mais, uma bela enfiada do cada vez melhor Lucas Lima para o redivivo Geuvânio abriu o placar. O Palmeiras ainda perderia mais um gol até o Santos bater rápido uma falta e a zaga verde se perder mais uma vez.

O terceiro do excelente Gabriel foi tão irregular quanto o sistema defensivo de Dorival Júnior. Ainda que impedido, um talento como Gabriel não pode pintar tão solto.

E, de fato, o termo é esse. Com Robinho, Lucas, Geuvânio e Gabriel está pintando mais um Santos incisivo e insinuante. Para ainda tentar brigar para estar entre os seis primeiros. Com a facilidade com que fez oito gols em 72 horas. No calor seco da São Paulo sem umidade e sem humildade no ar.

Ao Palmeiras cabe seguir jogando o que tem jogado do meio pra frente, com Valdivia inspirado e compenetrado, e Henrique perdendo e fazendo gols com a mesma naturalidade. Se errar menos atrás, pode se recuperar sem fazer tantas contas pela tabela complicadíssima que tem. Ou acabar se salvando mais pela mediocridade da concorrência.

Vitória 0 x 1 Cruzeiro – o bicampeão voltou?

por Mauro Beting em 20.out.2014 às 12:45h

Dedé foi trapalhão no Maracanã, contra o rubro-negro carioca. No Barradão, contra o baiano, não foi o mito que um dia foi chamado. E era mesmo um exagero. Mas foi o cara que se redimiu e colocou o Cruzeiro ainda mais vivo. Mais líder. Mas bi. Mais campeão.

O Vitória está naquele bolo de times que jogam para não cair. Vai sofrer até o final. E pode sofrer além. Fez difícil a vitória celeste tanto quanto a arbitragem, que não marcou pênalti de Luiz Gustavo em Everton Ribeiro.

O retorno do meia-atacante é um dos motivos da volta à vítória. E da manutenção da ponta que não foi ameaçada. Embora, até o final do campeonato, a diferença deve diminuir para os perseguidores. Mas vai se manter suficiente para mais uma conquista celeste.

Não é o melhor momento do time no BR-14. Mas como ninguém consegue chegar perto, o que se faz na Toca desde 2013 é mais que suficiente. E muito mais que justo

Internacional 1 x 2 Corinthians – Agora foi? Agora vai?

por Mauro Beting em 20.out.2014 às 9:30h

Pelo que jogou, pelo que criou e finalizou no Beira-Rio, era jogo para o Colorado vencer por 2 a 1. Ou mais.

Pelo que mais uma vez não quis jogar, ou não conseguiu jogar fora de casa pela pressão rival, era partida para mais uma vez o corintiano cobrar além do normal o treinador e o time.

O placar final acabou espetacular para os paulistas. E mais uma vez decepcionante para os gaúchos. O Inter, quando parece que vai, fica. O Timão, idem.

Até o final do BR-14, se fosse apostar no bolão, daria mais chances à turma de Mano que à patota de Abelão. Se é que se pode prever algo desses dois e de tantos times irregulares no campeonato.

O Inter bem que tentou. Se com Alan Patrick não foi bem pela esquerda do 4-2-3-1, com Valdivia melhorou na segunda etapa. Alex criou mais no jogo, D’Ale deveu em quase todo o tempo, e o Inter, ainda assim, finalizou 16 vezes, e ficou com a bola 61% do tempo.

Mano armou o Timão ora no velho 4-2-2-2 (com Renato Augusto na frente e Petros como meia) e até mesmo no 4-4-1-1, com Renato como meia, Petros e Jadson mais marcando que jogando pelos lados. O Corinthians chegou a primeira vez com Guerrero e fez um a zero numa assistência dele mesmo para ele mesmo no gol de chapa de canhota. O segundo gol também caiu do céu, na cabeça de Gil, no fim da primeira etapa. Cabeça de Gil que desviou a bola de Cássio e deu a chance para Nilmar diminuir no segundo tempo.

Mais não fez o Inter contra o Corinthians que finalizou só quatro vezes. Menos que no Mineirão. Mas com o acerto à frente que faltou. Com a zaga que funcionou melhor por ter Gil. E, também, pelo ataque colorado que perdeu gols com a mesma facilidade com que ambas as equipes perdem chances no BR-14.

E ainda assim as mantém vivas em termos de G-4 de um campeonato em que todos perdem. Ou pedem para não vencer.