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Coritiba 2 x 0

por Mauro Beting em 24.nov.2014 às 6:34h

Um campeão brasileiro há muito ameaçado pelo rebaixamento. Com um elenco frágil com problemas apesar de um camisa 10 desequilibrante. Gente da base que ainda pode fazer a diferença apesar das limitações. Uma torcida apaixonada e apaixonante que leva a equipe adiante. Ou pelo menos a mantém entre os bambas apesar de tantas dificuldades nessa gangorra de divisões.

Esse é o Coritiba.

O Palmeiras é outra coisa. Mais coisa que outro.

O Campeão do Século passado só depende dele para seguir na Série A. Esta é ao mesmo tempo a boa e péssima notícia para um elenco tão frágil tecnicamente quanto fragilizado moralmente.

Mal montado e ainda pior desmontado. Não fosse Valdivia, o mais presente ausente da história (Wesley tem sido outra categoria sem categoria), o camisa 10 que faz o time ter aproveitamento decente (aquele que havia sido negociado com os Emirados da Disney), o Verdão já estaria pela terceira vez na Segunda. Ou o contrário. Como é do contra esse time que só é regular pelos 2 a 0 adversos.

Não é o pior Palmeiras em 100 anos. Mas em 200 anos nenhum time jogou pelo clube tantas paródias ruins e feias como esse desde a volta da Copa. (O termo era “partida”, mas o corretor ortográfico e esportivo sugeriu “paródia”. Fica assim)

Um time que flerta com a tragédia anunciada. Toma gol de ex-Ananias. Leva gol de Ex-Zé Love. Faz a festa dos ex um clube de exceção. Que não sabe mais o que é.

O Palmeiras não honra o nome. Só se salva em 2014 se o Vitória também não honrar o dele.

E ainda tem 2015.

Corinthians 1 x 0 Grêmio

por Mauro Beting em 23.nov.2014 às 22:13h

Duelo de 200 pontos em Itaquera, onde Felipão, treinando o Brasil, ganhou um pênalti cavado por Fred na estreia da Copa.

Onde estava ganhando um pênalti de Fábio Santos que eu não marcaria, mas o bandeirinha estava marcando, em mais uma arbitragem polêmica para não dizer ruim no BR-14.

Mais um jogo para os treinadores que mais reclamam do apito abusarem da chiadeira, com ou sem razão:

Mano e Felipão fizeram seu show. As equipes que podem estar na Libertadores, não.

O jogo não foi bom. Mas o melhor time venceu. O da casa, solidificando campanha de três vitórias seguidas.

Com um gol choradíssimo, corintianíssimo, a meio por hora.

Mas o suficiente para deixar o Timão encaminhado para a Libertadores.

E para não ter a menor dúvida que Guerrero precisa ficar em Itaquera.

Custe o muito que custar, nele começa o sonho do bi da Libertadores.

Seja qual for o treinador, seja qual for o Timão.

 

 

Cruzeiro. Cruzeiro. Cruzeiro. Cruzeiro.

por Mauro Beting em 23.nov.2014 às 16:26h

17h14 de 23 de novembro de 2014.

12min48s de jogo.

Mayke cruza para a cabeça de Ricardo Goulart.

Ou melhor: o lateral-direito celeste passa para a cabeça do artilheiro do BR-14.

Ou ainda melhor: o melhor time do campeonato faz aquilo que faz desde a sexta rodada de 2014.

Ou muito melhor: desde praticamente todo o BR-13.

Ou melhor que todos: joga em velocidade de Cruzeiro.

Intensidade de Cruzeiro. Dinâmica. Ritmo. Inteligência. Técnica. Tática. Física. Planejamento. Investimento. Torcida. Paixão.

Futebol de Cruzeiro.

Campeão em 1966 goleando o Santos de Pelé.

Campeão da tríplice coroa em 2003.

Campeão sem contestação e adversários em 2013.

Campeão com mais rivais e ainda assim sem comparação em 2014.

2015 ainda não sabemos.

Mas, em 2014, mais uma vez, no Brasileirão, a questão era saber quando seria.

E foi em 23 de novembro. Faltando mais duas rodadas.

Foi 17h14, pelo lado direito do ataque, que o esquerdo era um mar azul alagado como a arquibancada cheia da China. Um a zero tetracampeão.

Mas, 17h24, Leo errou o tempo de bola, Samuel empatou com bonito toque para o Goiás. Para o São Paulo. 1 a 1 ainda tetracampeão.

O Cruzeiro não dependia só dele para ser campeão antecipado com o empate. Mas como Santos e São Paulo também só empatavam mo calor de Cuiabá na primeira etapa, a bola e o Brasileirão ainda sabiam quem seria Cruzeiro. Quem já era campeão com a bola começando a rolar nos jogos em BH e Cuiabá.

18h16, em Mato Grosso, Boschillia abriu o placar para o São Paulo, na segunda etapa. Era hora de o Cruzeiro ganhar o jogo no Mineirão e, por tabela, o BR-14. Eram 12 minutos em Minas.

Bastaram cinco. 17min21s. 18h21, Horário Brasileiro de verão. Horário do Cruzeiro voltar a ser o que é. Voltava a ser o que se sabia: campeão.

Willian cruzou para Everton Ribeiro desempatar. 2 a 1 para o tetra.

18h52. Fim de jogo. Começo da festa do tetra.

O gol do Goiás no primeiro tempo não esmoreceu o ímpeto mineiro. O gol do São Paulo na segunda etapa, menos ainda. Das tantas qualidades desse time celeste: muda o jogo, mudam os jogadores, não muda o jogo e o placar do jogo do Cruzeiro.

Parece sempre a mesma partida. Fica às vezes até meio chata – para rivais e observadores independentes de paixão.

Mas quem gosta de futebol é obrigado a enaltecer a qualidade desse elenco que qualquer outro grande brasileiro poderia ter montado e mantido.

Desde que tivesse capacidade para enxergar em Ricardo Goulart e Everton Ribeiro a bola que têm jogado. Reencontrar futebol em Marcelo Moreno, Henrique, Willian, Marquinhos. Apostar na base que dá chuteiras como Lucas Silva, Mayke e Alisson. Achar futebol em Egidio. Apostar e respeitar nomes vitoriosos como Júlio Baptista, Dagoberto e Borges. Ter a segurança de bons atletas como Nilton, Léo e Bruno Rodrigo.

E ter na meta uma bandeira como se fosse um Raul. Um Dida. Um Gomes. Um Fábio.

Uma estrela campeã. Multicampeã.

Fábio que se salva com a bola na trave logo depois do 2 a 1. Fábio que salvou gol certo no rebote daquela bola que já não valia. E, mesmo se valesse, ainda valia mais Fábio contra o bravo Goiás. Como valeria de novo aos 45, com outra defesa espetacular.

Um valor fixo que não se desvaloriza no Cruzeiro.

Estrela maior do Cruzeiro do Brasil. Goleiraço que merecia maior reconhecimento no país. Como esse time e esse clube de cinco estrelas no peito.

E quatro canecos do Brasil.

Volta, Vasco.

por Mauro Beting em 23.nov.2014 às 11:36h

Voltou. Parabéns.

Pior: voltou. Nada fez além da obrigação.

Nada.

Pela primeira vez retornou da Segunda dos infernos um grande sem ser campeão – em 2003, o Botafogo foi vice do Palmeiras.

Não tinha como ser campeão o Fogão.

Não tinha como não ser campeão agora o Vasco.

Com todo o respeito e admiração a quem é campeão e a quem está na frente do Vasco, não havia como, por Dinamite menos Eurico, não ser campeão da Série B.

Mais uma vez.

Menos uma vez.

O empate melancólico com o Icasa em Maracanã cheio de vascaínos cheios do Vasco é a pá de naftalina numa história tão linda que fica apenas na história.

Vaiar o Vasco que subiu é obrigação tanto quanto o Vasco subir campeão da Segunda.

Só não é mais melancólico voltar assim por há um ano uma queda ter sido ainda mais triste e deprimente.

Não cito os atuais vascaínos e muito menos os que caíram. Poucos merecem a dor que infligiriam a milhões de vascaínos que carregam uma cruz que não é de Malta. Ou apenas da malta que maltrata a instituição.

O Vasco voltou para a primeira divisão.

Mas o Vasco que eu reconheço e que tantos conhecem ainda não voltou.

HISTÓRIA EM JOGO – Corinthians 1 x 2 Grêmio – Semifinal BR-82

por Mauro Beting em 21.nov.2014 às 19:48h

 

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

 

Nosso aquecimento para a rodada do fim de semana do Campeonato Brasileiro irá lembrar um confronto histórico entre Corinthians e Grêmio, pela semifinal da Campeonato Brasileiro de 1982.

A Taça de Ouro de 1982 foi de um nível técnico sensacional. Esquadrões como o Flamengo, de Zico. O Atlético, de Cerezo, Reinaldo e Éder. O São Paulo, de Oscar. O Guarani, de Careca. O Vasco, de Roberto ou até mesmo a surpresa Anapolina, do artilheiro Sávio que chegou à fase de oitavas de final e quase eliminou o Tricolor Paulista.

Além de todos eles, havia também Grêmio, o então campeão de 1981. Time de Paulo Isidoro, Leão, Paulo Roberto, Baltazar e do jovem Renato Gaúcho. E o Corinthians, comandado por Sócrates, Zenon e Wladimir, que entraria para a história do clube como bicampeã paulista e da Democracia Corintiana.

Nas oitavas de final, o Timão passou pelo Bahia (1×1 e 5×2), enquanto o Tricolor despachava o Vasco (1×1 e 1×0). Nas quartas, a equipe paulista venceu o Bangu (1×0 e 1×2) e os gaúchos, o Fluminense (1×1 e 2×1).

Sendo assim, os dois clubes se enfrentariam em uma das semifinais. Na outra, estavam Flamengo e Guarani. Como havia conquistado três pontos diante do Flu, contra apenas 2 do Corinthians frente ao Bangu, na fase anterior, o Tricolor tinha a vantagem de jogar por dois resultados iguais e decidir a vaga no Olímpico.

No dia 11 de Abril, ocorreu a primeira partida deste confronto, no Morumbi. O técnico Mário Travaglini mandou a campo os seguintes jogadores: César, Zé Maria, Gomes, Wágner Basílio e Wladimir. Biro-Biro, Paulinho e Eduardo Amorim. Sócrates, Zenon e Casagrande. Enio Andrade escalou assim o Grêmio: Leão, Paulo Roberto, De León, Vantuir e Paulo César. Batista, Bonamigo e Paulo Isidoro. Tarciso, Baltazar e Tonho.

O árbitro da partida era o carioca Luís Carlos Félix.

A partida começou de forma muito truncada. O time gaúcho marcava forte e impedia o avanço do Timão, que se limitava a tocar bola, sem conseguir espaços para qualquer ação ofensiva mais contundente.

E para aumentar a vantagem do Grêmio, logo aos cinco minutos, o lateral Paulo Roberto arriscou de longe, da intermediária. O baixinho goleiro César tentou encaixar, mas acabou deixando a bola escapar. Ele ainda tentou se recuperar, mas a pelota já havia cruzado a linha. Um frango antológico. Grêmio 1 a 0.

Taticamente, o Corinthians jogava em um 4-2-2-2. Biro-Biro e Paulinho jogavam mais presos à marcação. Sócrates e Zenon eram os meias. Eduardo, o ponta direita que voltava para a recomposição defensiva e Casagrande, o único atacante de fato.

Já o Tricolor se postava no 4-3-3, que se transformava em um 4-5-1 sem a bola. Batista, Bonamigo e Paulo Isidoro formavam o meio. Tarciso e Tonho eram os ponteiros que voltavam sem a bola. E na frente, ficava apenas Baltazar. Era um time de muita força física e aplicação tática.
Sem conseguir fugir da boa marcação, Sócrates e Zenon passaram a recuar, tentando dar qualidade a saída de bola corintiana. Aos 16, Zenon errou um passe bobo e deu nos pés de Baltazar. O Artilheiro de Deus dominou, girou o corpo e chutou. O inseguro goleiro César defendeu em dois tempos.

Aos 18, Paulo César avançou pela esquerda e cruzou. Gomes afastou mal e a sobra ficou novamente com o lateral esquerdo Tricolor. O novo centro veio preciso, na cabeça de Tarciso. A cabeçada veio como manda o figurino. De cima para baixo, no canto. Desta vez, não havia nada que César pudesse fazer.

 

 

Com menos de 20 minutos de jogo, o Grêmio já vencia por 2 a 0!

Abusando das tabelas pelo meio, o Timão facilitava a defesa gaúcha. Em uma dessas tabelas, aconteceu a primeira oportunidade paulista. De León cortou o lance entre Eduardo e Zenon. Biro-Biro ficou com a sobra e chutou forte, por sobre a meta de Leão.

A partir dos 25 minutos, o jogo deu uma baita desacelerada. Enquanto o Grêmio controlava a partida e não sofria nenhum susto, o Corinthians seguia insistindo pelo meio e errando passes em demasia.

Aos 35, Paulo Roberto levou o primeiro cartão amarelo do jogo, depois de isolar uma bola que já havia saído pela linha lateral.

Se o Corinthians não chegava com a bola rolando, a bola parada poderia ser uma solução. Aos 39, Casagrande foi derrubado por Vantuir. Falta sob medida para Zenon. A cobrança foi no ângulo direito de Leão, que teve que se esticar todo, para fazer grande defesa e desviar a finalização para escanteio.

Segundo Tempo

O Timão voltou do intervalo com uma alteração. Joãozinho entrou no lugar do machucado Zenon. Assim, o Corinthians passava a ter um ponta esquerda, jogando aberto, já que Eduardo quase não atuou na ponta direita nos primeiros 45 minutos.

Na base da raça, o time paulista apertava. Aos cinco minutos, Eduardo cobrou escanteio do lado direito. Sócrates subiu mais do que Vantuir e mandou a bola para o fundo das redes, diminuindo a vantagem gremista.

Aos 13, o zagueiro Gomes cometeu falta violenta em Baltazar e recebeu o cartão amarelo. Dois minutos depois, Travaglini mandou o Corinthians ainda mais para frente, em busca da igualdade. Entrou o atacante Mário que substituiu o ponta direita Eduardo. Era uma tentativa de ganhar mais presença física na área.

Aos 21, Wladimir cruzou e Mário escorou para Sócrates. O doutor deu um lençol em De León e bateu sem deixar a bola cair. Leão fez boa defesa e segurou firme. No minuto seguinte, nova chance paulista. Joãozinho cobrou escanteio do lado esquerdo e Gomes foi ao segundo andar para testar. Mais uma vez, Leão fez um milagre conseguiu a defesa, no ângulo direito, evitando assim o empate.

Para tentar segurar um pouco a pressão, Enio Andrade tirou o ponta esquerda Tonho e colocou em campo o volante China. Assim, fechou mais seu meio de campo e bloqueou as ações ofensivas do adversário.

Aos 31, Paulinho entrou na vaga de Baltazar. A idéia de Enio Andrade era aumentar a movimentação na frente, tirando vantagem do cansaço da zaga corintiana. Pareceu funcionar quando, aos 34, Wágner Basílio cortou para cima um lançamento de Batista. A bola ficou na medida para o tiro de primeira de Tarciso. César fez grande defesa, depois que a pelota quicou no “montinho artilheiro”. Em seguida, Luís Carlos Félix deu o cartão amarelo para Mário, por ter empurrado Paulo Roberto.

Depois desse susto, o Timão parece ter perdido as forças. Nem mesmo aquela pressão final, comum aos times que estão sendo derrotados, a equipe conseguiu. Para Márcio Guedes, comentarista da TV Globo “o resultado foi justo. O Grêmio é mais time, individualmente falando e foi muito melhor no primeiro tempo. Na etapa final, o Corinthians melhorou, mas não o suficiente para chegar ao empate”.

Com este resultado, o Tricolor poderia até perder por um gol de diferença o jogo de volta (venceu, por 3 a 1). Como diz Galvão Bueno, a situação estava dramática.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

 

 

 

 

 

 

Virada bicampeã – Grêmio 1 x 2 Cruzeiro

por Mauro Beting em 21.nov.2014 às 10:42h

Quando o eficiente Ramiro avançou na área para abrir o placar, parecia que nem Fábio conseguiria segurar o Tricolor gaúcho que jogava por ele e pelo paulista.

Quando Fábio negou novo gol feito, parecia que a derrota seria de pouco.

Quando na bomba de Barcos, na segunda etapa, Fábio fez mais uma das dele, num tiro à queima-luvas, começou a parecer que no céu as estrelas do Cruzeiro mais que brilhavam. Apareciam.

Para voltar ao lance do primeiro tempo, quando a bola que bateu na trave esquerda de Fábio lambeu a linha fatal e não entrou.

Não conheço campeão azarado. Conheço Cruzeiro com sorte de Cruzeiro.

Daqueles gols que a gente sabe que uma hora a bola entra. Não entrou.

Daqueles times que a gente sabe que outra hora a bola entra.

Entrou na carambolada que deu no gol de empate de Ricardo Goulart.

Entrou no belo contragolpe de 5 x 3 que deu gol de Everton Ribeiro.

“Time cansado” não faz aquela contra-ataque.

“Time desgastado” não avança e ataca com esses tanques todos.

Mais uma virada celeste não é acaso. É caso pensado e treinado. É o ocaso dos rivais. É voltar pra casa com mais um campeonato. O bicampeonato brasileiro.

É questão de jogos. E ninguém jogou tanto em 2014.

Para não dizer desde a primeira rodada de 2013.

O Cruzeiro não virou apenas mais um clássico. Virou história na Arena tricolor.

Botafogo 0 x 1 Figueirense

por Mauro Beting em 20.nov.2014 às 19:49h

Pênalti para o Fogão. E foi.

Era para o Murillo bater. Não foi.

O Jobson assumiu a responsabilidade. E foi pra cobrança.

Onde a bola foi parar em São Januário? Na rede não foi.

E como pode confiar em Jobson?

Depois uma bola foi cruzada e França cabeceou. Jefferson não foi.

1 a 0 para o Figueira que vai acabar se salvando.

0 a 1 contra o Botafogo que vai acabar não se salvando.

Não acaba – que estrela não morre.

Mas apaga.

Ainda mais quando não paga.

Bacharel na área

por Mauro Beting em 20.nov.2014 às 16:28h

Um leitor chamou a atenção: eu tenho escrito muito a respeito de avós, pais, filhos, cunhados, primos.

Fato.

Sou muito família – um amor incondicional como o nosso time.

Mas é que muita gente próxima de mim ou de quem eu gosto tem partido. Parte a nossa vida junto.

Agora, voltando pra casa, não tenho como não falar de um filho que voltou. Um ótimo filho.

Desde o primeiro escanteio no Allianz Parque, berrava para o Dudu que estava na minha frente para ele pedir para o Leivinha e para o César Maluco, que estavam ao nosso lado, que fossem para a área para cabecear o escanteio batido pelo Edu Bala – que estava mesmo na ponta direita de nosso camarote.

(Para o Ademir da Guia não se pode pedir nada além da benção divina).

Em um dos primeiros pedidos, quase súplicas, comentei com o Calabar e com o Dudu que eu gostaria de ver o Jorginho Putinatti batendo escanteio da direita. Ou da esquerda. E com o pé direito ou com o pé esquerdo, como naquele time que quase foi com Minelli, em 1983.

Quando a nossa tão carente torcida celebrava escanteio. E a adversária sabia que sairia gol do Verdão.

Ela sabia que podia sair gol do Luís Pereira cabeceando para o Vágner Bacharel ou vice-versa. Quando não fosse mesmo olímpico do Jorginho. De pé direito ou de esquerdo.

Jorginho, o maior jogador do Palmeiras nos tempos da fila dos anos 80. Ele era ambidestro desde Marília.

A maioria dos jogadores atuais do time parecem ser ambicanhotos.

Jogam mal com as duas. Desde 2010.

Mas voltando ao jogo de estreia contra o Sport, a cada escanteio eu queria ver um Jorginho na bola, um Luisão Pereira em qualquer um dos postes, o Bacharel a mesma coisa. O mesmo lance, o mesmo gol.

Não tinha Luisão e nem Jorginho. Nem o saudoso Bacharel, que um acidente de jogo estúpido em 1990 tirou a vida. Jamais a passagem marcante de 1983 a 1987 pelo Palmeiras, que me fez escalá-lo entre os 50 craques centenários, no livro oficial do clube.

À frente até mesmo de quem teve mais bola e títulos que ele no Verdão, como os queridos ídolos e amigos Antonio Carlos e Cléber.

Mas Bacharel honrou o time nos anos de chumbo e de ferro – tipo os de hoje e de ontem.

Infelizmente, em todos os sentidos, Bacharel não esteve lá na reinauguração.

Nem Luisão.

Nem Jorginho.

Quase ninguém de bom de verde.

Mas, horas antes, no meu Instagram, entre as curtidas e comentários de uma foto que postei com meu crachá de mestre de cerimônias, tinha uma mensagem assinada por Junior Antunes a respeito do jogo inagural.

Vagner Antunes Junior:

- Meu pai Vagner Bacharel tbm estará lá! Sinto que vai ajudar o time hj1 Avanti Palestra!

Assim como centenas disseram que meu paImeirense Joelmir ajudaria (e eu pedi pro meu Babbo ficar na meta do Prass para ele não tomar gol algum…), o pai do Vagner Junior também ajudou. Também esteve no Palestra.

Se sofremos o gol, se sofremos nova derrota, se vamos sofrer por mais um péssimo tempo de primeira ou de segunda, sabemos que temos pais e amores e família para nos confortar.

Eu pedia sem saber pelo Bacharel na grande área adversária do mesmo modo como o filho dele também queria.

Eu peço a quem teve paciência para chegar até aqui no texto que entenda a crítica construtiva que o amigo leitor fez ontem.

Eu falo mesmo muito de família.

Mas tem algo mais família que um clube de futebol, que une sem saber pais e filhos em torno de uma paixão incondicional?

Bacharelzinho, eu não te conheço, e nem pude conhecer o Bacharel em pessoa.

Mas sei que a pessoa que ele foi como atleta e como palmeirense já me diz quem você é.

Desta vez não deu pro nosso time.

Mas com uma família como essa vai dar sempre tanto amor quanto saudade, tanto orgulho quanto felicidade.

Ainda vamos levantar muitas bolas na área.

Ainda vamos sempre levantar muitos brindes para o Bacharel.

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Atlético Nacional 1 x 0 São Paulo

por Mauro Beting em 20.nov.2014 às 16:05h

Dá.

Dá como deu bordoada o time colombiano. Uma equipe que não precisava bater tanto. Como apanhou Kardec. Como pode a Conmebol ter tantos árbitros caseiros?

Como vai dar para o Tricolor responder na bola a derrota em Medellin.

Sim. O elenco está desgastado. Mas tem como reverter se for o Tricolor das Américas. Não o São Paulo claudicante dos últimos confrontos eliminatórios sul-americanos, brasileiros e estaduais.

Tem mais time. Mais elenco. Mais camisa.

Se tiver mais nervos no lugar e uma zaga melhor posicionada, ou que erre menos, vai para mais uma decisão.

Com maiores chances do que tem para ser hepta brasileiro.

O marco zero da nova casa

por Mauro Beting em 20.nov.2014 às 14:04h

Ei, Fernando Prass.

Oi, João Pedro, Nathan, Tobio, Juninho, Marcelo Oliveira, Victor Luiz, Wesley, Felipe Menezes, Diogo, Henrique.

Palestrinos, palmeirenses…

Aqui é o Allianz Parque.

Quem está falando com vocês é o mais lindo estádio de espírito que existe. O do Palmeiras. O do Palestra.

Nosso clube teve dois nomes. Nosso estádio tem dois nomes.

Mas eu só tenho uma palavra pra vocês, palmeirenses:

Amor.

O amor incondicional que constrói o Palmeiras que agora volta pra casa.

Verdão que volta pra mim.

O Allianz Parque.

Podem me chamar como e quando quiserem. Não precisa nem do Naming Rights. O direito é de vocês da mídia, embora fosse um dever me chamar pelo meu nome…

Eu sou da casa. Eu sou o lar, doce lar.

Eu sou vocês. Vocês são minha alma. Vocês são a nossa arma.

Vocês são divinos como Ademir. Companheiros como Dudu. Malucos como César. Matadores como Evair. Animais como Edmundo.

Vocês são Marcos!

Vocês são Palmeiras!

Vocês são o Allianz Parque!

A aliança do Palestra com o Palmeiras.

Vocês são a torcida que canta e vibra. Vocês são o alviverde inteiro.

Eu sou um pedaço de cada um de vocês, milhões de palmeirenses.

Eu sou o campo dos sonhos. Eu sou o berço da academia de futebol.

Eu sou cada canto onde vocês cantam que são Palmeiras até morrer.

Eu canto que na minha terra tem Palmeiras. Eu conto com o grito e o canto de cada um que joga por 11.

Do Palestra que nos ensina, do Palmeiras que é nossa sina.

Aqui se fez o campeão do século XX quando compramos o Parque Antarctica.

Hoje começa a Arrancada Heroica do campeão do século XXI. Hoje eu sou Palmeiras até vencer. Pra sempre eu sou vocês.

Avanti, Palestra! Scoppia che la vittoria é nostra!!!

Venha, Palmeiras!

Os bons campeões a casa tornam

Ela é toda nossa.

Vamos, Palmeiras!!!

 

lendo texto do allianz parque BY MARCOS COSTI

O parceiro palestrino Marcos Costi tirou a foto do Mauro Beting lendo o texto em que ele foi a voz do Allianz Parque. Obrigado, Marcão. Você é 12

(Foi com esse texto que o Mauro Beting, mestre de cerimônias da minha inauguração, encerrou a participação dele na bela festa que AEG, SP2, W/Torre, Palmeiras e, mais que todos, o palmeirense fez para a volta do Palmeiras para casa.

Mas do Palmeiras ao futebol ainda vai demorar muito.

Esse anda mais distante do clube que os próprios parceiros de uma sociedade que tem sido pouco esportiva e, como o time em 2014 – e 2013, 2012… -, ainda menos Palmeiras.

Antes de tudo, ou do nada que mais uma vez foi o time de verde, parabéns ao Sport.

Jogou direitinho, e com sabedoria. Não deixou o palmeirense mais uma vez jogar pelo time frágil, e, na segunda etapa, forçando um pouco mais o ritmo, fez valer a Lei do Ex, e abriu a contagem, o placar e a minha meta com um gol de Ananias. O Ananiesta da Barcelusa. Mais um daqueles tantos que pouco jogaram pelo pouco que tem jogado o Palmeiras desde 2010.

Para piorar, em um contragolpe que pareciam todos os tantos torcedores rubro-negros contra os poucos palmeirenses que realmente acreditam em mais um “time” inacreditável do Palmeiras, um camisa 12 careca fez a diferença no Palestra…

Nesse momento, com uma das 250 câmeras espalhadas que fazem monitoramento facial, eu fui até o camarote onde estava o Mauro Beting, a mulher dele linda de olhos verdes, os filhos dele, a filha dela, primos e amigos de credo e de verde. Incrédulos com mais uma derrota. Ou temerosos do que se imaginava – embora o Mauro apostasse no empate por 1 a 1, e com um gol final de um ex-palmeirense: Diego Souza [o mais vaiado antes de a bola rolar, só superado depois por Wesley, um que não sei se vai jogar pelo São Paulo o que ainda não jogou pelo Palmeiras...].

No camarote, quando o Mauro Beting viu o chute do camisa 12 entrar bonito no canto direito da meta de Prass, no gol de fundo do Allianz Parque, lembrei o que ele havia me dito no intervalo de um primeiro tempo ruim, e que seria ainda pior para o dono da festa e da casa, mas não do jogo:

- Faz tanto tempo que o Palmeiras não joga em casa que até o hábito de atacar no primeiro tempo para o gol que era o das piscinas se perdeu. Começamos invertidos. Ainda não estamos acostumados a jogar em casa. Estamos mais perdidos que o time nos últimos jogos.

Pior, Mauro:

Não sabemos para que lado atacar e muito menos como se defender. Ainda não voltamos a ser Palmeiras.

Eu sei que você ficou esperançoso quando viu a equipe entrar no gramado lindo com as meias brancas. Como foi na final de 1976, ainda o maior público do estádio, com mais de 40 mil torcedores. Como foi na última volta olímpica, em 2008, contra a Ponte Preta.

- Duas partidas em que começamos atacando para o gol da piscina!

Isso não significa nada, Mauro.

Desde que sou Palestra, em 1920, e agora que sou Allianz Parque, aprendi que essas coisas insignificantes significam muito e explicam muitas coisas inexplicáveis. Como, por exemplo, um colosso como o Palmeiras ser tão dependente de um cara como Valdivia.

Por isso eu vi a sua cara, Mauro, quando o Sport fez um. E fez dois com o careca número 12.

Eu vi do seu lado o Marcão e o Marquinhos desolados. Com aquela cara de quem nunca fui santo.

Eu vi do seu lado o Dudu e esposa saindo sem falar muita coisa, mas querendo falar um monte.

Vi o Divino sentado ao seu lado e ao lado de Edu, Leivinha e César. Maluco com um time de futebol deprimente.

Ouvi você mandando o Leiva para a área para cabecear aquela bola que o Felipe Menezes mandou por cima. Implorando para o César matar uma bola e não ser morto por ela como Henrique, que mais faz quina que parede na frente. Ouvi você pedindo para o Edu Bala correr, jogar, suar, passar, centrar e vibrar por Wesley e companhia limitadíssima.

Vi você olhar para seu filhos e enxergar neles a vontade e amor e futuro de Nathan e João Pedro. Mas eles são meninos. Todos eles. Vão crescer, como seus filhos. Vão ser Palmeiras, como são os netos daquele que você, Mauro, ouviu falar em todos os cantos onde você foi por aqui desde 11h30 dessa quarta-feira. Desde o pessoal que pagou a obra, dos pedreiros que a construíram, de torcedores mais palmeirenses que vocês e seu paImeirense.

De gente da diretoria do clube, de membros da comissão técnica do Sport, de colegas de ofício, de árbitros do jogo, de muitos que gritaram por tantos e lembraram sempre o seu pai que sabia definir o que não se define.

E que nem ele, tenho certeza, saberia explicar o que foi falar pra todo o estádio ouvir a sua paixão que o levou ao jornalismo. Receber o carinho que não tem preço do respeito do torcedor. Levar para o gramado e puxar o primeiro grito de Palmeiras. O primeiro EO, EO, Evair é um terror. Pedir para o Matador correr para um pênalti imaginário. Soltar a voz como o José Silvério que estava na cabine da Bandeirantes com o Cláudio Zaidan.

Refazer aqui tudo que você faz há 40 anos desde que veio pela primeira vez na Turiaçu.

Não deu, Mauro.

Não deu, Palmeiras.

Ainda dá?

Para ficar na série A com esse futebolixo que tira do sério Dalai da Guia, acredito, com a ajuda dos outros times que fazem de tudo para serem rebaixados, com uns dois pontos em três jogos é possível. É Palmeiras.

Para cair, como tem times ainda piores, acredite!, também é possível.

Outros devem cair pelo Palmeiras. Ou por esse time que veste essa camisa.

Não aquela que Marcos defendeu por mais vezes aqui nesta casa. Ninguém mais que ele em 100 anos de Palestra Italia, em 96 anos de estádio.

Não aquela que seus companheiros de camarote Dudu, Ademir da Guia, Edu, Leivinha, César Maluco e seu irmão Caio Cambalhota viram ser tão mal vestida ontem. E desde a volta da Copa do Mundo.

Perdemos a estreia. Mal dormi.

Mas acordei bem. Sei que o Palmeiras vai acordar. Vai ressurgir. Vai se reconstruir como eu fui.

Voltamos para casa. Agora precisamos voltar para o Palmeiras.

Fico, Mauro, com aquilo que você falou um pouco antes para os 35 mil presentes palmeirenses, 35 mil que foram um presente para mim. O recado para os palmeirenses que estiveram aqui. Embora eu saiba que todos os milhões sempre estarão.

Ficou aqui gravado. A sua mensagem, Mauro, era assim:

“Olá, palmeirense!

Entre sem bater… A casa é sua…

Só bata palmas pelo Palmeiras!

Também pode bater mais forte o coração verde no altar da comunhão do espírito de porco com a alma de periquito! Allianz Parque da aliança do velho Palestra com o novo Palmeiras.

Nossa casa, nossa vida.

Onde nos desentendemos como palmeirenses. Onde nos entendemos como gente.

Onde eu canto que sou palmeiras até vencer. Em cada canto do nosso campo que mudou como um dia mudaram o nosso nome. Jamais a nossa alma. Mais Palmeiras eu sou em cada canto. No nosso campo plantamos Palmeiras.

O nosso time é a Academia de futebol. A nossa torcida é show de bola. O nosso Allianz Parque é um espetáculo a parte. O palco onde o Palmeiras ganhou o século XX está pronto para a Arrancada Heroica rumo ao título do século XXI.

O  nosso berço foi transformado com lealdade em padrão.

Aqui você é patrão! Aqui somos Verdão!

Somos Palestra há 100 anos!

Allianz Parque, a nossa vida é você a partir de hoje.

No Dia da Bandeira do Brasil. Dia para celebrar o time que nasceu campeão em 1942 entrando em campo com a bandeira brasileira.

O clube que jogou pelo Brasil na Copa Rio de 1951.

A Academia que foi a Seleção no dia da independência do brasil em 1965.

O clube que mais vezes foi campeão nacional do país mais vezes campeão mundial dá bandeira!

Dá bola! Dá show! Dá Palmeiras!

Da Guia. Do Dudu. Do Fiume. Do Junqueira. Do Heitor. Do Jair. Do Valdir. Do Julinho. Do Djalma. Do Luís Pereira. Do Leivinha. Do César. Do Sampaio. Do Alex. Do São Marcos.

Do palmeirense que é doente e do palmeirense que é são.

Não somos mais. Não somos menos. Somos Palmeiras!

Somos os donos desta bela arena que nos orgulha tanto quanto nossa história. Paixão que passamos para nossos filhos que um dia vão contar aos netos deles que em 19 de novembro de 2014 eles vieram ao Allianz Parque para ver a reinauguração da nossa casa.

Na noite em que podemos dormir felizes pelo retorno ao nosso lar. Sonhando com tudo de lindo que já construímos. Com tudo de maravilhoso que conquistaremos de volta pra casa.

De volta pro futuro que é verde de esperança.

Um sonho de verdão.

Sinta-se em casa, palmeirense”.

Assim seja, Mauro.

Estou de braços e portões abertos ao palmeirense.

Que o Palmeiras saiba receber essa nossa gente.

Um abraço do tamanho do Allianz Parque.