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Santos 3 x 1 Chapecoense

por Mauro Beting em 04.set.2015 às 11:17h

O Santos, até mais que o Flamengo, é a prova mais do que viva de que o campeonato de 2015 segue em aberto. Para cima e para baixo.

Dorival Júnior, mais uma vez, faz um baita trabalho na Vila Belmiro. O Santos, mais uma vez, respeita sua história de resgatar ídolos promissores como os meninos Ricardo Oliveira e Renato, que seguem batendo um bolão. E aproveita jovens como Thiago Maia, Geuvânio e boa companhia que estava na cara e na alma que iriam tirar a equipe daquele mau início de Brasileirão.

O time vai muito bem. E pode, sim, sonhar com algo que os rivais começam a ter pesadelos.

Mesmo com Ricardo Oliveira perdendo os pênaltis que ele compensa com os tantos gols e o ótimo futebol que sempre jogou.

A propósito…

Se esse pênalti fosse marcado a favor do Corinthians, como aquele marcado – e também desperdiçado – contra o Atlético Paranaense, o mundo seguiria matando a arbitragem e levantando todos os esquemas possíveis e impossíveis do planeta.

 

 

Cartão vermelho

por Mauro Beting em 03.set.2015 às 13:42h

É cada vez mais difícil apitar. Jogo muito rápido, entradas muito ríspidas, lances nem sempre inteligentes dos atletas, bola cada vez mais rápida quanto o próprio jogo, atletas cada vez mais velozes que os árbitros, tentativas constantes de ludibriar o apito,  reclamações constantes antes, durante e depois do jogo dos treinadores, mimimi ensaiado de cartolas, chororô desmedido da mídia, virulência e até violência das arquibancadas e das redes pouco sociais.

É cada vez mais difícil apitar com o sorteio da escala de árbitros quando não se confia em quem escala e em quem é escalado e não se privilegia a competência e experiência. Quando não se tem critério também para driblar a inexperiência: o bandeirinha que anotou 8 impedimentos do Galo (ao menos um absurdo) contra o Furacão estreava na Série A. Quando não se prepara corretamente a arbitragem, erros de assistentes e árbitros são ainda mais humanos. Com resultados desumanos.

Mandar para a escola muitos dos que têm errado não tem jeito. O que é possível, até para aparar arestas e parar as tretas, é trocar o comando da arbitragem.

Vai melhorar de uma rodada a outra? Não.

Vai melhorar em algum tempo? Talvez.

Tem esquema a favor do líder e contra o rival direto? Não acredito.

Já teve esquema ou venalidade ou roubo? Claro que sim.

Vai melhorar o futebol enquanto todo mundo achar que está tudo errado? Não.

Vai melhorar o futebol só reclamando quando se é prejudicado? Não.

Vai melhorar o futebol se isentando de opinar quando se é beneficiado? Não.

 

 

 

 

 

Atlético Mineiro 0 x 1 Atlético Paranaense 

por Mauro Beting em 03.set.2015 às 8:48h

As bolas que Pratto guardava estão raspando as traves. A correria de Luan, Giovanni Augusto e Thiago Ribeiro segue criando chances. Mas a bola não entra. Os cabeceios de Leo Silva e Jemerson não estão entrando. A fase está virando. 

Contra um time bem organizado como o do Furacão, um contragolpe pode ser letal. E foi no pênalti convertido por Walter e criado na falta cavada pelo promissor Ewandro, aos 11 minutos do segundo tempo. Choque de jogo com Victor que Marcelo de Lima Henrique preferiu marcar pênalti. Eu não marcaria. Poucos marcariam. E ainda menos teriam mostrado o segundo amarelo como recebeu Marcos Rocha, aos 47 do primeiro tempo. 

Na súmula, o árbitro relatou que o lateral atleticano gritou “foi falta, pô”! em um lance em que, de fato, não houve infração do rubro-negro Sidicley. Mas era para amarelo que virou vermelho?

Não era. E foi fundamental para distanciar o Galo do Timão.  Não é só o apito que diferencia. Mas a arbitragem tem sido importante para a distância  entre as campanhas. 

Corinthians 2 x 0 Fluminense

por Mauro Beting em 03.set.2015 às 8:23h

Um grande líder e favorito ao título ganha jogos com autoridade como venceu a Chapecoense fora de casa, no domingo. E como, em Itaquera, superou os desfalques (que os rivais também tinham, como Fred e Ronaldinho Gaúcho) e os bons momentos de domínio do visitante para fechar o placar em enormes 2 a 0. 

Não tinha Elias, na seleção? Bota para jogar Marciel, ótima cria da base. Do terrão que não existe mais, apenas homenageado no novo fardamento. Marciel que roubou a bola que deu lá na frente no golaço que fez, com autoridade de veterano. 

Não tinha Bruno Henrique, o primeiro volante? Recoloca Ralf. Pra fazer de cabeça o segundo, em novo passe de Jadson.  Em mais um momento de pressão tricolor. 

O Flu criou e correu com a boa molecada de Xerém (não por acaso também campeã brasileira sub-20 horas antes). Chegou e fustigou. Merecia melhor sorte. Ou uma arbitragem mais feliz. 

Gol límpido de Cícero foi muito mal anulado em lance facílimo para o assistente. Em confronto entre times brancos e laranjas, não há como errar tanto ao querer enxergar irregular a posição habilitada de Cícero antes de fazer o que seria o gol de empate. Talvez ainda fosse o de derrota. Mas foi mais um erro capital do apito. O mais grosseiro a favor do Corinthians em 2015. 

Motivo para reclamação, sobretudo do maior perseguidor, o Atlético Mineiro. Causa para muita chiadeira de várias torcidas e muitos anticorintianos. Muitas delas procedem pela sequência de lances discutíveis favoráveis ao líder. Ou contrários aos rivais. 

Daí achar que está tudo preparado é outra história. Entender que sete pontos de diferença se devem apenas a isso é minimizar o excelente trabalho de Tite e do elenco enxuto. 

O Corinthians tem tido os melhores números. E, sim, também, como costuma acontecer às melhores equipes, também as melhores arbitragens. 

E, sim, até Tite reconhece, o privilégio absurdo de não ter de atuar até agora aos domingos pela manhã. Lástima que CBF e a dona do controle remoto precisam explicar o porquê de ter poupado o Timão do Tela Quente das 11. Do Esquenta da hora do almoço. 

Hector Silva

por Mauro Beting em 31.ago.2015 às 20:41h

Eu quase te vi em campo, don Lito. Mas eu não pude vê-lo com a camisa 8 do meu time. 

 Só o vi jogar com a mesma elegância com que você se portava e se trajava depois de pendurar as chancas nos vídeos do meu amigo Gustavo Roman. Vi você pelo Peñarol campeão do mundo e da América no ano em que nasci, em 1966. Vi ainda você pelo Uruguai na Copa da Inglaterra, antes de eu nascer, no mesmo ano. Jogando ao lado de um ídolo que tive imenso prazer de ver – e não de torcer: Pedro Rocha. 

 No Palmeiras, de 1970 a 1971, eu só te vi mesmo no meu jogo de futebol de botão.

Não lembro de 1970. Em 1971 tenho alguns espasmos de memória. Nenhum deles com você em campo ao lado de Dudu e Ademir da Guia.

Q

uando comecei a sentir o futebol, já era por Leivinha e pela Segunda Academia que suspirava, em 1972. Leivinha que entrou para ficar no seu lugar e com a sua camisa 8 que me conquistou eternamente tanto quanto os tantos títulos que levantou, de 1971 a 1975. 

Eu não te vi jogar, Lito. Aliás, só fui saber que você era Lito bem mais tarde. Depois da morte do meu avô que também era Lito. Como o meu avô que descansou em 1980. 

O que me fez gostar ainda mais de você por você estar tão perto da minha vida e ao mesmo tempo tão longe. Como o meu avô que não sabia o que era bola, mas que sabia nos conquistar por ser Palestra. 

Não pude ver Artime, que tem nome de artilheiro, e saiu antes de sua chegada. Mas eu praticamente o via dentro da área por tudo que meu pai me falava do goleador argentino, insaciável dentro e fora de campo.

M

eu pai e meu tio também elogiavam o charrúa Hector Silva. Mas logo chegara Leivinha, como logo César Maluco também substituíra Artime. Eles foram logo substituídos. E por ídolos ainda maiores. 

O que não tira de você, Lito, o respeito e a admiração por quem esteve tão perto da minha memória. E, por conta disso, não sai dela.

 

 

 

Nunca te vi, Hector Silva. Mas você é como se fosse o meu avô paterno que morreu 20 dias antes do casamento dos meus país. Tão perto, tão distante. 

Se eu já tivesse memória em 1971, você poderia, quem sabe, ocupar o espaço de outros que nela ficaram. Mas é para isso que existe história. E você ajudou a construir do Uruguai, Peñarol e Palmeiras. 

Eu lembro muito bem de não ter sua lembrança 

Barcelona 1 x 0 Málaga

por Mauro Beting em 31.ago.2015 às 17:25h

ESCREVE DANIEL BARUD — @BarudDaniel

No Camp Nou, o Barcelona enfrentou o Málaga, em jogo válido pela segunda rodada da Liga BBVA. De um lado, Luis Enrique teve a volta de Neymar, recuperado de uma caxumba enquanto Javi Garcia, técnico do Málaga entrou com uma única proposta: não sofrer gols e tentar, quem sabe, marcar algum tento.

Taticamente, o Barça foi a campo no 4-3-3 tradicional, sem Daniel Alves na direita, com Mascherano na zaga e o trio MSN na frente. O Málaga foi a campo no 4-2-3-1 na escalação aparentemente, com Cop na frente, mas o que se viu foi um 4-4-2 sem a bola, com Amrabat se juntando ao atacante marroquino Cop. A segunda linha de 4 defensores era composta por Ricardo Horta e Juan Carlos nas extremidades direita e esquerda, respectivamente. A proteção da zaga era feita por Recio e Tissone.

Distribuição tática das equipes.

Distribuição tática das equipes.

Como era de se esperar, o Barça dominou completamente a partida. Desde o primeiro minuto, comandou a posse de bola, criou mais chances, mas sofreu para marcar o gol.

Logo aos 3’min, após cobrança de escanteio, Suárez subiu mais que o zagueiro Angeleri e cabeceou para o fundo das redes. Entretanto, o juiz anulou o gol do uruguaio corretamente, após marcar falta do atacante.

A proposta ofensiva era catalã enquanto a defensiva ficava por conta do time da Andaluzia. O Barça tomava a iniciativa, com triangulações, infiltrações, troca de passes, com intensidade, pressão na saída de bola e muita versatilidade, além da mobilidade do tridente de ataque.

Apesar do Barça dominar completamente o jogo, os visitantes quase abriram o placar. Aos 18’, Busquets errou na saída de bola catalã e deixou para Juan Carlos, que quase marcou um golaço do campo de defesa. Bravo só olhou. Aos 25’min, o Barça deu o troco. Messi cruzou na cabeça de Mascherano, que testou no travessão.

O Málaga de Javi Garcia tentava ocupar os espaços, se defendendo como podia, com suas duas linhas de 4, variando entre blocos baixos e altos, ora marcava no campo de ataque, ora marcava no campo de defesa.

Aos 38’min da primeira etapa, teve um lance de pênalti não marcado para o Barça. Sergio Roberto deu passe para Neymar pelo flanco direito e Torres deu carrinho, tocando com a mão na bola (típico no atual futebol brasileiro), o time catalão pediu pênalti, mas o juizão mandou seguir.

Outro pênalti não foi marcado para o Barça. Faltando 5 minutos para o fim do primeiro tempo, Suárez sofreu falta de Alengeri dentro da área, mas o juiz não queria marcar pênalti.

O Málaga tentava pelo flanco direito, tentando achar Cop na área.

A etapa inicial terminou com controle da posse de bola pelo lado catalão, tentando furar o bloqueio andaluz, sem sucesso. Muitas infiltrações, porem sem sucesso nas finalizações. 64% a 36% para o Barça no quesito posse de bola. E apenas 2 chances claras de gol.

O Barça voltou comandando o jogo na etapa final.

Aos 6’, Neymar driblou na entrada da área, avançou e quase abriu o placar.

A equipe catalã criava mas esbarrava nas finalizações e no goleiro Kameni, que salvava o Málaga.

Aos 27’, veio o alívio. Suárez saiu da área, cruzou pelo flanco esquerdo, Kameni espalmou para área e o zagueiro Vermaelen não titubeou. Bola pro fundo das redes e Barça 1 a 0 no placar.

Mesmo com o gol, o Barça não parou. Muita movimentação e tentativa de aumentar o placar, marcando em cima, com mais posse de bola e criando oportunidades.

A partir dos 35’min da etapa final, o Barça diminuiu o ritmo. Com o placar favorável e um adversário satisfeito com o placar adverso, sem mudar a postura, apenas se preocupando em defender, com os 11 jogadores atrás da linha da bola, o Barça não tinha pressa. Rodava a bola de um lado para o outro.

Rafinha, Sandro Ramirez e Mathieu entraram. Neymar, Rakitic e o zagueiro artilheiro saíram mais cedo.

Nos acréscimos, Juan Carlos fez boa jogada pelo lado esquerdo e cruzou para Charles, que havia entrado no lugar de Cop, que perdeu a chance de empatar.

No fim, vitória catalã merecida. Comandou e controlou a partida do inicio ao fim, tanto territorialmente quanto na posse de bola.

ESCREVEU DANIEL BARUD — @BarudDaniel

Vai, Corinthians! 105 anos

por Mauro Beting em 31.ago.2015 às 8:02h

 

 

– Vai, Corinthians!

Eu nunca fui.
Mas sei que tem um bando que vai sem ter como, quanto, quando, porquê.
Vai sem saber pra onde ir. Mas vai sabendo que importa mesmo é a jornada. Sempre é tudo e nunca é nada mesmo quando o Ronaldo em 1974… Quando o Zinho em 1993. E depois o Evair, o Edilson e de novo o Evair soltou a voz…
Quando o misto verde no Rio-São Paulo de 1993….
Quando o Rivaldo em 1994…
Quando o Marcos em 1999. E em  2000…
Quando o Prass em 2015…
O Romeu nos 8 a 0 em 1933. O Caetano Izzo no primeiro Dérbi, em 1917…
Foi tudo pra nós exatamente por vocês serem tudo pra nós.
Quantas vezes eu não gritei mais feliz pelo meu time vencer o de vocês.
Mas quando em 1954…
Quando em 1979 na canelada do Biro-Biro eu chorei.
Quando em 1982 eu fui vocês por vocês serem a Democracia em preto e branco.
Quando em 1988 o Viola foi Paulista…
Quando em 1990 o Neto foi Brasil eu só não fiquei um ano refugiado por ser jornalista esportivo havia seis meses.
Ainda bem.
Ajudou a suportar aquele gol de Elivelton em Ribeirão Preto em 1995. O de Marcelinho Carioca em Porto Alegre.
Eu estava lá.
E vocês estiveram por todo o Brasil em 1998. Em 1999. O mundo todo em 2000.
Não ganharam Libertadores? Foram invictos em 2012. Mundiais de novo em 2012.
Caíram feio em 2007? Subiram bonito desde então.
Ganharam estranho em 2005? Ganharam em 2011 erguendo o punho ao céu com o doutor Sócrates.
Vocês são insuportáveis.
Como nós somos quando ganhamos de vocês.
Vocês que “nunca seriam” foram. Vocês que “nem a pau” paulista, brasileiro, Libertadores e Mundial.
Vocês que “não têm estádio” têm arena e têm muitas contas a pagar.
Mas vocês têm crédito.
No centenário não tinham Libertadores e nem estádio do tamanho. Em 105 anos têm tudo e mais muito a ganhar.
Vocês viraram o jogo e as jogadas. No grito e na garra. No Neto e no Gamarra. No ritual e na raiva. No Neco e no Rivellino. No suor e no saber. No Ezequiel e no Sócrates. No apuro e no apito. No Luizinho e no Marcelinho. No gogó e no gol. No Gilmar e no Ronaldo. Na alma e na arma. No Wladimir e no Jacenir. Na bola e na bala. No Tévez e no Guerrero. Na mídia e no mundo. Sem meios e sem modos. Casagrande e senzala. Maloqueiro e Doutor Osmar.
Quase todo mundo não gosta de vocês.
Todo mundo não quer ver vocês. Todo mundo é anti pra vocês.
Por que será?
Preconceito? Desprezo? Despeito? Receio? Medo? Raiva? Inveja? Ciúme?
Como pode um time tão amado ser tão odiado?
Talvez por ser algo além do amor que vocês têm.
Mais que ter amor pelo Timão, vocês têm Corinthians pelo Corinthians.
Deve ser isso. Vocês Corinthians o Corinthians.
Um substantivo que é verbo. Adjetivo. É tudo. Resume todos.
É mais que amor. É Corinthians.
São vocês.
Um bando de loucos.

 

Alguém devolve o Corinthians ao Pacaembu? – POR LUCAS MELO

por Mauro Beting em 28.ago.2015 às 15:52h

ESCREVE LUCAS MELO (opinião dele, não necessariamente a do titular deste blog)

Alguém devolve o Corinthians ao Pacaembu?

Infelizmente, estão acabando com o futebol. Não estou falando do futebol jogado dentro das quatro linhas. Estou falando do futebol que é vivido no coração do torcedor apaixonado.

Sou corinthiano declarado e frequentador dos estádios desde os meus 11 anos de idade. Hoje, tenho 25 anos e desde 2007 vou aos jogos com frequência. Às vezes me pergunto se gosto de futebol ou se só gosto do Sport Club Corinthians Paulista. Acho que gosto de futebol mesmo, de assistir partidas bem jogadas e tudo mais, porém, o que eu gosto (ou gostava) de verdade é ver o time do povo diretamente do estádio. Não sei se ainda é o time do povo e muito menos se joga em um estádio.

Comecei a frequentar os jogos no Pacaembu, que foi o lugar que mais me marcou e me deu prazer como torcedor. Como era bom entrar pelo portão principal, virar a cabeça para a esquerda e ver a arquibancada amarela em festa. Não importava o campeonato, nem o adversário. Só importava colocar para fora aquele sentimento de amor. Como era bom se aproximar da praça Charles Miller e ouvir o surdo da torcida e as pessoas cantando o hino do timão com sinalizadores para abrilhantar a festa. Como era bom entrar no estádio e ver o jogo em pé, de onde bem entendesse, sem ter ninguém procurando por lugar marcado. Sempre sonhamos com o nosso estádio e quanta felicidade quando o então presidente, Andres Sanchez, anunciou em 2010 a construção da nossa casa própria.

O que eu e nenhum outro torcedor corinthiano esperávamos era que não nos dariam um estádio e sim um lugar para o Corinthians jogar futebol e consumidores assistirem aos jogos. Na Arena Corinthians não importa cantar, pular, empurrar o time. O que importa é comprar um cachorro quente de R$10,00, seu refrigerante de R$6,00 ou os lanches das redes de fast-food que tem na arena.

Também tem pipoca, pizza e um monte de guloseimas. Ah, importa também ir no banheiro de mármore, tirar foto da TV que tem no espelho e mandar para os torcedores adversários.

Será que alguém vai num estádio ou arena por que é de mármore? Importa também, ao invés de cantar no pré-jogo, ouvir a voz da mulher chata do som do estádio e ter que assistir os vídeos que passam no telão. Quando o jogo começa, me pergunto onde estão os torcedores do Corinthians. Será que eles estão lá no Pacaembu e eu não fiquei sabendo da mudança de local?

Que estádio sem alma!

Na boa, não é lugar pra corinthiano torcer.

Não estou aqui falando que o torcedor não tem o direito de ser respeitado, de ter um banheiro decente para usar e um lugar para sentar. Estou falando que não precisa a mulher do som ficar o tempo todo atrapalhando os cânticos da torcida, que não precisa cobrar uma nota no preço do ingresso e dos lanches.

Isso afasta o verdadeiro corinthiano do estádio.

Aquele corinthiano que ficava dias na fila para conseguir um ingresso e ia para a partida torcer como um verdadeiro louco do bando, como se fosse o último jogo da história do Corinthians.

A modernização do futebol afastou o verdadeiro torcedor do estádio.

Hoje quem frequenta são os bacanas, que vão simplesmente para aplaudir e gritar gol. Aliás, nem gol eles sabem comemorar. Fiz aqui um desabafo, sei que não vai dar resultado, que o Corinthians não vai voltar a jogar no Pacaembu, mas espero que um dia a Arena seja de verdade a casa própria do verdadeiro corinthiano.

 

ESCREVEU LUCAS MELO, torcedor do Corinthians

E sei que tem muitos que assinam embaixo e ao lado.

Faz 20 anos que o Grêmio fez a América

por Mauro Beting em 27.ago.2015 às 11:32h
time95

O GRÊMIO campeão de 1995, em Medellín: Arce. Danrlei, Adilson, Dinho, Rivarola e Roger; Jardel, Luis Carlos Goiano, Paulo Nunes, Arilson e Carlos Miguel. O time bicampeão. Um time que tinha dois Arilsons: o Paulo Nunes e o meia. FOTO: http://libertadores1995.blogspot.com.br/2006/12/campeo-da-libertadores-1995.html

 

Janeiro de 1995. O Flamengo comprou o melhor do mundo Romário e mais meio mundo e quase todo o Brasil. No Sul apostou no zagueiro Agnaldo Liz. Trocou pelo atacante Magno. E, de contrapeso, o atacante Paulo Nunes apareceu no Olímpico.

O Vasco era tricampeão do Rio e fazia muitos gols com Valdir Bigode. Por isso abriu mão do reserva Jardel, que chegou ao Olímpico para ser reserva de Magno.

Campeoníssimo pelo São Paulo, Dinho chegou discretamente do Santos para a cabeça da área ao lado do ainda mais discreto Goiano que veio do Remo, depois de título em 1993 pelo Tricolor paulista. Arce era um lateral paraguaio que prometia vindo do Cerro Porteño. Rivarola veio do Talleres sem alarde. Como o capitão Adilson chegou em baixa do Atlético Mineiro.

Carlos Miguel já estava lá. Arilson começava a chegar. Emerson se lesionou. Roger era outra aposta da base na lateral esquerda que mal tinha um ano como profissional. Todos foram pinçados pelo jovem Felipão que conquistara a Copa do Brasil em 1994 superando outros favoritos.

O Grêmio não era favorito na Copa do Brasil de 1994. E ganhou.

Por isso foi para a Libertadores. Não era favorito.

O Palmeiras era o bicampeão brasileiro. Já não tinha mais Evair, César Sampaio, Zinho e Luxemburgo. Mas ainda tinha Edmundo, que destroçou o Grêmio no Palestra, no 3 a 2 da estreia. Na mesma noite em que o Animal começou a se despedir do Palmeiras, até ser negociado com o Flamengo depois de muitos problemas.

No giro pelo Equador, um empate com o Emelec e uma vitória contra o fraco El Nacional. No returno, empate sem gols com o Palmeiras de Valdyr Espinosa. Sinal de história campeã da América e do mundo, em 1983.

Duas vitórias contra os equatorianos e oitavas de final pela frente. Cinco gols no agregado contra o Olimpia. Cinco gols contra o Palmeiras já com Carlos Alberto Silva, na Batalha no Olímpico. Quando o ataque gaúcho triturou a defesa dos sonhos paulista, formada por Cafu, Antonio Carlos. Cléber e Roberto Carlos.

Bastava não ser goleado na volta, em São Paulo. Jardel abriu logo os trabalhos. O Palmeiras precisaria de seis gols. Fez cinco também. Ficou pelo caminho.

O Grêmio voou. A parada para a Copa América no Uruguai vizinho fez bem ao time de Felipão. Ele encorpou e incorporou aquilo que o Brasil teme e o tricolor tem: o credo. O acreditar.

Mais que torcedor, o gremista acredita.

Ele perdera a Copa do Brasil para o Corinthians no Olímpico. Mas ela seria devolvida no Morumbi, em 2001. Para não dizer que, já na Libertadores-96, no Pacaembu, aquele gol de Marcelinho Carioca em 1995 já não doía tanto. O tricolor acreditava,

Depois de eliminar o Palmeiras em duas batalhas épicas como já haviam sido as duas pela mesma Copa do Brasil de 1995, o Grêmio eliminou o Emelec que também crescera de produção. Mas não era páreo.

Como não foi o Atlético Nacional na decisão em casa.

Felipão abusou do seu Grêmio desde o início. Velocidade, tiros longos, pressão, pressa. Presa estava a equipe rival. Aquilo que hoje se chama intensidade. Aquilo que desde 1903 o gremista chama Grêmio.

Tome bola da esquerda, tome tiro de longe. Tome mais um cruzamento de Paulo Nunes da direita em busca de Jardel. Tome Marulanda tomando a frente da bola que era de Higuita, trombando com a pelota, tombando o Nacional e abrindo o placar. Um ano antes, um zagueiro colombiano perdera a vida fazendo um gol contra em Copa. Em 1995, a tragédia não se repetiu.

Mas a festa tricolor estava pronta, independente do gol contra bizarro. O Grêmio era mais time. E foi o jogo todo. E foi ainda mais quando Carlos Miguel bateu da ponta direita e Higuita alfaceou a defesa, dando o rebote para Jardel ampliar. Ele estava na mesma linha da atrapalhada zaga colombiana. Como sempre parece estar no limite o Grêmio.

Na segunda etapa, Arce cruzou no primeiro pau, Rivarola subiu mais que a cordilheira e cabeceou no meio do gol. Higuita mais uma vez mais se defendeu que defendeu a bola, e Paulo Nunes só empurrou para dentro, como sempre ficava apoquentando o goleiro rival em escanteios. O gol seria dele ou de Jardel, já que não havia zagueiro colombiano por perto. E nem um rival à altura por ali.

Só deu Grêmio. Mesmo quando Angel diminuiu para um 3 a 1 que poderia ser reversível em Medellín. Não fosse o medalhado Grêmio da América.

Estádio lotado, pressão inicial, gol de Aristizábal com 12 minutos.

E daí?

Alexandre Gaucho foi grande e cavou o pênalti no fim do jogo. Dinho foi enorme e bateu para empatar o jogo e ganhar o bicampeonato da Libertadores.

Para uma equipe titular que tinha sete jogadores que haviam chegado em janeiro, recheados com garotos que mal tinham um ano no time de cima, o Grêmio mais uma vez foi longe demais. Ou foi Grêmio demais há 20 anos.

Parece que não é tanto. Como parecia que aquele time não jogaria tanto.

Mas é como o tempo. É relativo. É como o Grêmio. Superlativo. Super ativo. Altivo campeão da América.

Faz 20 anos em 30 de agosto. Faz muito tempo que o Tricolor não é aquele e nem aquilo que foi em 1995.

Mas só pode falar quem já fez a América.

 

 

 

 

 

Viva o mata-mata (na Copa do Brasil)

por Mauro Beting em 26.ago.2015 às 23:57h

Copa. Mas tem jogo na véspera e no dia seguinte.

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Tem espaço para tudo no futebol. No Brasil, só não tem espaço para tanto jogo nem sempre para tanto futebol e com tão poucas datas disponíveis. É pouco treino possível com o calendário impossível. Ainda assim dá para ver grandes jogos com grandes públicos, como no BR-15. Com pontos tão corridos como os jogos. Com os dois líderes, agora, com mais tempo para se dedicar à busca pelo título, com as derrotas doloridas para Santos e Figueirense. Corinthians e Atlético Mineiro não ganharão a Copa do Brasil em 2015. Mas um deles leva o Brasileirão – se o Grêmio deixar.

Tem espaço também na nossa tabela maluca para o mata-mata decisivo da Libertadores. Da Copa Sul-Americana. Da fase final dos estaduais e das copas regionais. E, claro, da Copa do Brasil ainda melhor com o retorno dos clubes que disputaram a Libertadores.

O que deixou a rodada de ontem ainda mais espetacular. Capaz de dar nova vida ao moribundo Vasco do Brasileirão. Futebol tem disso. Tem um campeão de torneio eliminatório que pode ser rebaixado na mesma temporada, como o Palmeiras de 2012. Tem uma equipe de atuações paupérrimas e pavorosas como o Vasco que faz o que fez. Também pela rivalidade com o Flamengo. Algo que suplanta e supera. O que também moveu o Santos revivido por Dorival Jr. O Corinthians todo-poderoso em Itaquera e em outros campos do Brasileirão não foi bem na Vila Belmiro e não conseguiu eliminar o alvinegro praiano que tem no alvinegro paulistano O Rival. O Corinthians já teve dias de mais intensa refrega com o time de Pelé. Mas o Santos sempre vai ter o Timão como o rival a ser vencido. O maior deles.

E como mereceu vencer o time abusado, ofensivo, veloz no contragolpe e que marcou em cima e à frente na Arena Corinthians. Belíssima atuação e classificação santista. Tão bonita como a do Palmeiras que apostou em Jesus, Gabriel e em Lucas Barrios para uma vitória bíblica no Mineirão. Daquelas que o Verdão mais perdia que ganhava, mas que conquistou como a cereja no bolo dos 101 anos – só não vou entender o porquê de uma cereja ser melhor que o bolo.

Tem coisas incompreensíveis na vida. Como o Cruzeiro se perder tanto ao perder meio time no final de janeiro. Não podia a direção ter mantido Marcelo Oliveira? Era provável que ele não conseguisse o tricampeonato brasileiro. Mas quem, além do São Paulo de Muricy, conseguiu o feito? O Santos, quando foi penta de 1961 a 1965, era o de Pelé. E a Taça Brasil era como a Copa do Brasil. Eliminatória. Emocionante.

Torneios que têm cabimento. Sempre. Mesmo em um calendário sem cabimento.

Mesmo com algumas coisas sem cabimento:

 

Ceará bravamente se defendendo com os reservas do time que sofre para não ser rebaixado para a Série C até que um dos zagueiros dá um carrinho na linha lateral para quebrar Pato.

Na linha lateral e na intermediária. Cartão vermelho direto. Se tivesse cartão marrom seria mais apropriado. Para ele e para os torcedores que o aplaudiram na saída do gramado.

O futebol brasileiro vai continuar sofrendo um bocado enquanto o torcedor bater palmas para quem bate em adversário sem dó e sem noção. Sem entender que a expulsão levou o São Paulo enfim a jogar melhor e conseguir sem classificar.

Mesmo que, para tanto, Ganso ainda prefira perder uma bola no meio-campo e se lamentar a perseguir o adversário que o desarmou.

Esse é o futebol que reclama quando não deve e aplaude quem deve.