publicidade


Enquanto isso, na Federação do Rio…

por Mauro Beting em 01.abr.2015 às 15:59h

(Pedestre dá uma tropeçada bem na frente do edifício da sede da FERJ, no Rio de Janeiro.)


 

POPULAR Cacilda! Que porrada! Cacete…. PQP! Como dói… Por que ninguém cuida de calçada na M… deste país? C@$#&*%!!!

(Procurador do TJD da Federação do Rio estava saindo nesse momento do prédio. Ouve a exclamação, a reclamação e os impropérios do transeunte. Solicita ao chefe da segurança a prova em vídeo. Depois de alguns minutos comprova que, inadvertidamente, o popular estava ao celular e não reparou a saliência na calçada que o levou a tropeçar. Entende que já tem indícios suficientes para enquadrar o elemento no regulamento geral do RJ-15).

PROCURADOR Meu senhor, por favor, o seu CPF e RG.

(O popular tropeçante estava sendo atendido pelo segurança da FERJ, que pediu para ele aguardar um pouco – tempo suficiente para o promotor do tribunal esportivo averiguar as imagens gravadas pelo sistema de vigilância)

POPULAR Como assim? O que eu fiz? O que vocês vão fazer? Aliás, quem são vocês? Se tiver um paramédico por aqui seria legal. Acho que quebrei um dedo do pé.

PROCURADOR Somos membros do TJD que zelam pela ordem, progresso, moral e cívica do futebol carioca, fluminense, brasileiro e sul-americano. Por favor, seus documentos.

POPULAR Como assim? Eu tropecei na calçada e fiz o que de errado?

PROCURADOR O senhor infringiu os artigos 37, letra B, alínea C, combinado com o artigo 397, parágrafo único, do nosso regulamento. O senhor imprecou contra a Federação, o campeonato que ela organiza, e seus doutos membros com declarações que eivavam turpitudes.

POPULAR Cuma?

PROCURADOR O indigitado senhor tem o direito de não falar nada. Porém, será julgado por nosso tribunal pelas ofensas ao futebol berço da escola brasileira, de Zizinho a Eduardo Vianna, de Oscar Cox a Octavio Pinto Guimarães, de Mario Filho a Eurico Miranda?

POPULAR Mas que porra é essa?

PROCURADOR O senhor só está dificultando as coisas para o senhor mesmo com esse palavreado ordinário.

POPULAR Vocês não cuidam da calçada – ou o condomínio, sei lá! E eu  sou processado por ter tropeçado?

PROCURADOR O senhor claramente estava entretido com seu celular. Acho que no whatsapp. Deixa eu ver… Aqui está. Sua última postagem no grupo A TURMA DA MANGUAÇA foi exatamente na hora do tropeço. E você estava mandando uma foto de vossa excelência a presidente Dilma com a camisa do Brasil e proferindo palavras de baixo calão, anexando um texto do Jabor e outra frase do Mainardi. Me parecem indícios suficientes para… Pera lá. Tem mais. O senhor foi desairoso para com o presidente do Vasco, nosso parceir, erm, quer dizer, nosso clube coirmão como todos os demais. Inclusive Flamengo e Fluminense. A propósito: o senhor torce por qual agremiação?

POPULAR Sou América.

PROCURADOR Preciso verificar, então, se estamos alinhados….

POPULAR Mas eu não fiz nada!!! Aliás, o senhor procurador poderia procurar o que fazer além de procurar problemas no futebol. Não gosto dele, mas o Luxemburgo não falou nada pra ser suspenso por vocês. Nada!

PROCURADOR Falou “porrada”. Como o senhor. Aliás…. AQUI ESTÁ! O senhor postou um meme com foto do Rubinho fazendo ilação entre o piloto, o presidente da FERJ e o seu grande amig, erm, colega de política desportiva Eurico Miranda!

POPULAR Amigo, quem mandou foi  um rubro-negro que tá zoando no grupo do whatsapp. É brincadeira!

PROCURADOR Durante a vigência do Campeonato Estadual não admitimos chistes de qualquer espécie. Brincadeiras com nenhum de nossos afiliados. Apenas toleramos as assim chamadas “zoeiras” com o Consórcio Maracanã. Mas, então, o senhor ao menos pretende retirar os impropérios e os termos de baixa ralé contra a FERJ?

POPULAR Eu tropecei na calçada e vocês querem me punir???

PROCURADOR Não, meu senhor. Estamos apenas defendendo o futebol do Rio de Janeiro. Não podemos deixar que qualquer um o achincalhe.

POPULAR Então por que vocês não saem de cena e deixam o jogo seguir? Vocês só serão levados a sério se realmente se importarem com o que de fato é o futebol.

PROCURADOR Meu senhor, está no regulamento. O futebol carioca é inatacável.

POPULAR Meu senhor, está na cara. Vocês são  uma piada.


 

(O popular se afasta e sai mancando. Não teve graça pra ele. Não tem graça pra mim. E este texto não é pra ter graça alguma)

É a lama no Juá na várzea de Mauá

por Mauro Beting em 01.abr.2015 às 13:06h
11079621_817328951649267_8323386563305997489_n

Dínamo de Mauá vence nos pênaltis o Mocidade de Mauá, no Juá. Foto de Warley Santos

 

Warley Santos joga futebol e tirou essa foto em março de 2015, na grande São Paulo. Enorme até demais.

É uma benção tanta água que virou lama na cidades que seguem o seco da falta de água e de atitudes e planejamento e seriedades.

É uma delícia jogar bola – não necessariamente futebol – nessa sujeira toda que purifica os poros e até os impuros.

Essa corrente pra frente, pra trás, pra cima que fez o mais perfeito círculo que se viu no Juá. Que só sei onde é por conta do parceiro Marcelo Mendez, que vai lançar em breve livro sobre a várzea, que tenho o prazer de prefaciar: CONTOS DA VÁRZEA E OUTROS BLUES, da Editora Córrego. Lançamento em 15 de maio na Casa da Palavra, em Santo André


 

Warley Santos é o menino que joga no Sub-18 do Dínamo de Mauá que tirou a foto.

Nesse dia, o time dele venceu o Mocidade de Mauá nos pênaltis debaixo de um dilúvio. A foto é para quem crê e para quem não crê. Time do Dínamo e torcedores da equipe unidos em torno de Pai Nosso daqueles gritados por jogadores de todos os tipos e credos.

É time que é torcida que é time. É do bairro da Maria Eneida, em Mauá. Ninguém dorme por lá, avisa o Marcelo Mendez. Todos ajudam a equipe e o bairro na base de cotas de doação e de amor.

“Onde o poder público não chega, a várzea resolve”, decreta o meu parceiro Marcelo.


 

O que eu quero mesmo não é chocar e nem chorar pela morte dos campinhos de várzea. Ou mesmo mais uma vez louvar o projeto VIVA O CAMPINHO da Brahma, que está fazendo um monte de novos campos pelo Brasil onde hoje é só terra, brecha, prego, buraco, tufo, tudo.

Só queria que a poesia que o boleirão Warley captou na foto se visse mais em nossos novos campos e arenas. Campinhos e estádios ondas as chancas cravam trincheiras em nossas canchas.

Esse espírito santo da várzea que é muito mais séria que o futebol dito profissional. Ou apenas remunerado.

Onde se joga normalmente sem a menor condição. Onde qualquer contradição não é senão. É mais um obstáculo para bater bola, bumbo, coração, o que tiver pela frente.

Quando muitas vezes falamos que a CBF, as federações, os clubes, as torcidas, os campeonatos e os programas de televisão parecem uma “várzea”, o desrespeito é com a várzea.

Não com os remunerados nem sempre profissionais.

Já temos muita lama nas praças e nos poderes públicos. E são eles mesmos, com a nossa conivência, que criam tudo isso.

Já temos um campinho dos sonhos para saber que crendo a gente limpa tudo isso.

Pai nosso que estais na várzea.

 

Lama para elefantes brancos

por Mauro Beting em 01.abr.2015 às 12:16h


 

“Eu tinha uma nova vida, toda planejada”.

É o que fala o personagem de Robert Pattinson no trailer de ÁGUA PARA ELEFANTES. Um dos tantos filmes que não consigo ver. Um dos bilhões de trailers que contam o filme para quem, como eu, não quer ver, não pode ver, ou já viu quase tudo no trailer-spoiler.

O texto que abre o trailer poderia ser o de qualquer nova arena entregue para a Copa pelos entreguistas. Não, é muito forte o termo.

Mas pode ser empregado com tanta gente desempregada nos novos elefantes erguidos com a bonança que não previa, não queria ver, ou estava mesmo pouco se lixando com a tempestade que chegaria na nossa economia – e não na deles.

Nada contra novos aparelhos em lugares de pouco futebol. Eles podem, como em Manaus, sediar outros eventos. Desde que, como em Manaus, ainda quero crer, sejam dimensionados para as necessidades, custos e gastos locais.

O problema é o que se fez em praticamente todos os estádios do país, de Itaquera ao Nãotomaisaqui. Todos os usados na Copa ou que estiveram fora dela.

Pelos mesmos problemas de sempre – manutenção das  contas que não são poucas.

Pelos eventos que não chegaram tanto por conta da economia que cobra a conta.

Pelo futebol que não é de hoje manca deficitário e pouco se manca disso até com gente que manja do negócio.

Pelos dirigentes, novos e velhos, velhacos e infames, que não se dão conta. Ou não contam mesmo.

Não é novidade que o estouro do orçamento paga você, paga eu, e não pega, por ora, quem pagou o que não deveria.

Também não tenho novidade e muito menos ideia de como sanar feridas recém inauguradas que vão ser chagas abertas e cada conta pendurada.

Não é o fim do mundo ainda. Mas o novo mundo é apenas o velho. E mais caro, caro contribuinte.

O Bahia deixando a Itaipava Arena Fonte Nova é um processo que é mais que local. É global. E não há dinheiro global que pague.

Não há lounge gourmet que nos deixe longe dos problemas da nossa mistura fria.

Bom apetite.

Conflito de gerações – Bate Papo x Whatsapp

por Mauro Beting em 30.mar.2015 às 19:11h

Um dos maiores de todos os tempos foi almoçar na concentração com o elenco de um grande time brasileiro. Não faz um mês.

Ainda mal começara a sobremesa e muitos jogadores já deixavam a mesa. Ou já estavam todos com os smartphones e o Whatsapp a todo gigavapor.

- Se bobear, eles só estavam conversando um com o outro ali no restaurante via “zapzap”…

Desapontado, ele sabe o que é isso em casa. Vê os filhos fazendo a mesma coisa no jantar.

Ele ainda consegue desligar o celular no lar dos mais jovens dele. Mas, na concentração de marmanjos com dinheiro, agentes, aspones e algum asco pelas coisas simples, fica difícil.

- Não tem mais resenha. É cada um na sua. E ninguém pelo grupo…

Ele nem fala de como era no tempo dele com o pessoal chupando laranja e ficando horas depois do treino batendo bola ou jogando conversa fora. Muitas vezes, papos que davam em entrosamento tanto fora quanto dentro de campo. Intimidade que tabelava com mais facilidade para o time jogar e para as pessoas se entenderem.

Ele nem quer isso. Sabe que não só no futebol está difícil ter happy hour. Por não ter mais hour nem para ser sad.

Ele quer que, ao menos, na hora da mesa, na concentração, as pessoas falem um pouco mais.  A boleirada interaja um pouco mais. Conviva. Viva.

- É cada um na sua… Em campo, vai ser a mesma coisa. Nem para cobrar vai dar certo. O goleiro vai ter que mandar uma DM pelo twitter pro lateral fazer a cobertura? Eles mal se olham e conversam. Nem devem saber direito os nomes deles. Vai ver que por isso tem nome de cada jogador escrito na camisa até em roupa de treino. Os caras não se conhecem! Eu sabia o nome dos filhos dos meus companheiros!

Não é só isso que conta.

Falo por experiência de ver os jogos festivos como o da despedida do Alex, e de ver tantos ex-craques, ídolos e jogadores atuando pelo Brasil em finais de semana festivos.

Sábado passado quase deu briga em jogo beneficente. Só por um dos titulares ter sido sacado no segundo tempo pelo treinador. Ele não queria sair de campo de jeito nenhum. O que era um evento beneficente virou final de Copa do Mundo para um cara que jogou muito em um grande time.

Ele não foi o único. Era só ver o espírito da classe de 1999 do Palmeiras. E que classe! Todos jogaram contra os Amigos de Alex como se fossem Inimigos da Pátria. E, do mesmo modo, o outro time queria estragar não a homenagem ao grande Alex. Queriam mesmo era ganhar mais um jogo na vida deles. Por isso ganharam tanto enquanto atletas: não tinha festa. Tinha jogo! E cada jogo! E cada jogador!

Quem é do meio e viu de perto a total aplicação dos tiozinhos e dos vovôs na noite de sábado no Allianz Parque se encantou com aquele espírito que ao mesmo é profissional e amador. E que pouco se vê por hoje.

- Difícil imaginar que, daqui uns 20 anos, o pessoal que está hoje atuando vai querer jogar o que esses caras estão tentando mostrar nesses jogos.

Palavras de um profissional que acompanha o futebol de hoje e de ontem.

Nem falo da técnica, que é difícil de comparar, e pode ser compreendida e também desenvolvida por ser uma época onde não havia tanta distração. Do videogame à televisão a cabo ou a gato.

Mas falo mesmo da disposição em querer jogar qualquer jogo como se não fosse um jogo qualquer. Não tem amistoso para essa boleirada. Tem final de campeonato intergaláctico. Ninguém se poupa. Tenha ou não uma recheada contra bancária. Por que a maioria também não se poupava enquanto profissional muito amador: treino era jogo; jogo era tudo.

A graça e a garra desses sub-60 jogando e se jogando é admirável.

Sem-querer-já-sendo saudosista, já não estou com saudades das despedidas da turma de hoje.

 

Mães ao alto

por Mauro Beting em 30.mar.2015 às 15:22h

A criança que levanta os bracinhos grita

- Gooooool do B’asil. Gol do Corintía! F’amengu! Palmêra!

O time que for. O país que for.

Mas a criança síria não estava celebrando um gol pra foto. O pai assassinado “ensinou” o órfão que uma câmera profissional parece uma arma de guerra civil, militar, desumana.

Não é só na Síria que está serial. É no Brasil do matagal, da comunidade excomungada pela falta de poder público, na insegurança das ruas, dos becos que os das becas não planejam, das bicas sem água por birra burra dos que borram nas togas e no ultraje do despudor público.

Aqui não é a Síria. Mas também não é sério. Não tem só digital do PT, não tem só plumagem de tucano. Tem de tudo. Tem por poucos.

Não sou Polyanna nem pragmático. Mas eu quero ver bracinhos levantados pra gritar gol nessa idade. E não pedir por pão. Nem pregar por paz.

Ele já perdeu o pai e vai ser difícil ganhar algo na vida além da sobrevida.

Mas tem em cada esquina muita gente levantando o bracinho assustada. Ou sem força nem pra isso.

No meu mundinho tacanho do futebol tem pai que não pode levar o filho ao estádio não só por ser caro. Mas por não ter preço a violência da rua. Por não ter cabimento a barbaridade que desuniformizou estádios e criou o estado sitiado pela intolerância organizada.

Os bracinhos do sírio Sadi é imagem sádica de um mundo que já vimos antes e não sabemos o final. Só sabemos que pode ter fim.

Não leio tanto para saber descrever isso. Não sou Lennon para poetizar a paz e harmonia.

Uma imagem não vale mais que mil palavras – sete contaram essa ideia.

Mas essa imagem é a que encerra tudo que nos encerra no peito, tudo que nos ferra no coração.

Vamos arregaçar as mangas para salvar quem é inocente. Vamos rápido e sem arregar antes que os culpados nos arranhem e arregacem ainda mais.

IMG_6604-0.JPG

Intensidade do Corinthians-15, do Cruzeiro-14, do Galo-13…

por Mauro Beting em 30.mar.2015 às 14:16h

Intensidade.

Substantivo abstrato mais concreto dos últimos tempos no futebol. Intensidade. Algo que o time de Tite tem no primeiro e no segundo tempo de suas partidas ainda invictas em 2015, seja qual for a equipe que ele muito bem escala.

Intensidade. Palavrinha mágica que estamos adorando usar em transmissões e textos quando vemos uma equipe defender como quem ataca, atacar como quem defende. Com apetite. Fome de bola. Vontade de defender e atacar. Gana de vencer.

Continua abstrato… Por mais palpável que se veja em jogos corintianos e em poucos momentos de outras equipes grandes nesta e nas últimas temporadas. O bi brasileiro Cruzeiro tinha intensidade que se confundia com a agilidade e velocidade de seu time do meio pra frente; o Galo de Cuca inacreditável de tão Atlético que foi em 2013 tinha esse dom de ser organizado no caos no limite das marcas de cal. O Corinthians invicto da Libertadores de 2012 tinha essa intensidade defensiva. Mas sem a agressividade e a criatividade dos dias de hoje.

O termo intensidade vai ganhando de goleada do não menos abstrato “padrão de jogo” nas “leituras” que fazemos das partidas e dos times. É fácil afirmar que um time está intenso. Mas explicar o que é, e, mais ainda, como ele consegue essa intensidade, é tarefa para os poucos que têm sabido trabalhar equipes com esse espírito. Essa concentração mental e de jogadores e riqueza em um time.

Situação que passa também pela velha questão de nosso futebol. As equipes têm atletas muito distantes entre si. As linhas são muito espaçadas sem oferecer nada de especial por isso. Ainda temos muito latifúndios improdutivos no campo. Zonas anecúmenas pouco povoadas ou mal planejadas. Mesmo as áreas mais concentradas, muitas vezes, são mal boladas. Ou apenas um amontoado de gente sem coordenação, liderança, processo e projeto.

Uma equipe pode ser intensa mesmo estando tão espaçada e, até, dispersa. Mas também isso impede que mais equipes sejam mais vezes eficientes.

Alex

por Mauro Beting em 30.mar.2015 às 12:29h

Não é só um meia-armador. Não é só um meia-atacante. Ele é um craque inteiro da cabeça privilegiada aos pés inteligentes. Coração que virou verde e branco. Mente que fala a verdade. Craque que é dez. Classe de tirar e dar chapéu.

Um cara que joga pro time e com a equipe. Um ídolo que não joga pra galera. Faz a torcida jogar junto. Um profissional que pensa o jogo e todo o esporte. Quer vencer. Mas não só ele. Dá a mão para quem nem sempre ganha. Esse é o maior vencedor.

O futebol nunca perde um craque como ele. O exemplo fica. Ele está conosco. Campeão do Rio-São Paulo. Campeão da Copa do Brasil. Campeão da Mercosul. Campeão da Libertadores. Campeão.

O craque dos gols que fizeram possíveis tantos títulos. O cara do gol que sóé possível para quem sabe, para quem crê, para quem é Palmeiras. Um chapéu no zagueiro, mais um chapéu no goleiro, uma reverência eterna.

Um dos maiores craques que já jogaram em quase 100 anos do Palestra Italia. Uma estrela que tinha que brilhar no Allianz Parque.

Para você, o Palmeiras tira o chapéu. Para você, o aplauso em pé de todo palmeirense.

Vem pra cá, craque. A casa é sua. A história centenária da Academia é eterna como…

Alex!!! 

 

(Esse foi o texto que escrevi e li como mestre de cerimônia da despedida de Alex, no Allianz Parque. Onde recebi ovada de São Marcos no final da partida. Quando ainda não pude crer a felicidade de rever tanta gente querida entre os amigos de Alex e craques e campeões e ídolos de sempre do Palmeiras.

Obrigado, Alex. E Palmeiras, AEG, WTorre, Allianz Parque pela força de sempre).

 

 

Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiichaaaaaancrices

por Mauro Beting em 27.mar.2015 às 12:37h

Bichancrice é um ato de fazer bichancros. Gestos, digamos, exacerbados e desmedidos, normalmente com as mãos.

Tipo o teatrólogo Zé Celso Martinez Correa. Um bom exemplo de grande bichancreiro. Se é que existe a palavra. Mas sabemos que existe quem fala demais com as mãos. Ele é um. Eu, muitas vezes, como neto de italianos, também.

A questão não é esse modo de falar com as mãos.

É a falta de modos dos estádios nos últimos meses. Ou a adaptação de uma moda que vem lá do México.

Na Copa de 1986, importamos a ola que foi onda bem legal em nossos estádios, e ainda se viu bastante na Copa. Eu mesmo, na cabine do Fox Sports, fiz algumas olas pelo Brasil. É divertido. No mínimo é melhor do que aparecer chorando no telão com a derrota do seu time e, ao se ver para o estádio e para o mundo, levantar a cabeça e dar tchau como se tivesse conquistado o planeta.

Prática comum em todos os campos e arenas, e não apenas no Espaço Capuccino (ótima definição do não menos Mauro Cézar Pereira, salvo engano).

Mas, desde o ano passado, creio, importamos sem passar pela Receita Federal o grito de “puuuuuuuuuuuuuuto” com que a torcida mexicana agracia o goleiro rival quando bate um tiro de meta.

Já não acho muita graça por lá. Para não dizer que não vejo motivo e nem nada de mais.

Por aqui, porém, adaptamos para “biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiichaaaaaaaaa” quando um goleiro bate um tiro de meta, ou até mesmo repõe uma bola pra frente.

Não quero ensinar padre nosso ao vigário – até por não ser santo, e nem ter só  santo entre os que gritam, claro.

Não tenho a menor pretensão de elaborar manual de torcedor de futebol – até por estar mais do lado de cá da tribuna que do lado de lá.

Só exijo, digamos assim, que ninguém largue o time antes de final de um jogo, quase nunca vaie a própria equipe durante a partida, e algumas outras recomendações do tipo.

Mas, sinceramente, gritar que o goleiro do rival é “bicha” em um tiro de meta…

Não é engraçado. Nem novo. Nem original. Nem nada.

Também não é homofobia. É futebol. Mas, claro, poderia ser evitado. Até pelo mal maior que pode encenar e ensejar.

Enfim, não vai mudar o preço do dólar (infelizmente), nem vai perder mando de campo.

Mas tem modos mais divertidos e originais de torcer. E, também nisso, nas arquibancadas, já demos aula.

Não precisamos importar nada.

E, bem entre nós, nem nos importarmos tanto com isso.

 

 

Uma placa luminosa

por Mauro Beting em 27.mar.2015 às 11:02h

6 de março de 1961: Pelé dribla meio Fluminense e faz um golaço no Maracanã, na vitória por 3 a 1 do Santos. Joelmir Beting, repórter de O ESPORTE, horas depois tem a ideia de confeccionar uma placa em homenagem ao golaço, juntamente com o jornalista Walter Lacerda. Nascia assim o GOL DE PLACA.

25 de março de 2015. 2min40s do Choque-Rei. Robinho chutou dois segundos antes uma bola que entra pra sempre na história do Choque-Rei. O primeiro Gol de Placa do Allianz Parque. O primeiro dos 3 a 0 do Palmeiras.

26 de março de 2015. 11h50. O amigo Marcos Costi, que trabalha no Allianz Parque, escreve no FB: Sr. Joelmir já pediu pra São José “carpir” uma placa de nuvem”

26 de março der 2015. 11h52. Mauro Beting, jornalista esportivo, lê a mensagem do amigo. Em três minutos faz a encomenda por e-mail ao amigo Milton Trajano, cartunista brilhante de PLACAR.

26 de marçco de 2015. 14h02. Trajano responde o mail. E diz que fará a sacada de Costi que inspirou o meu pedido ao caríssimo amigo da PLACAR. E também um baita profissional do desenho. E um imenso amador do futebol e de tudo que aprendemos com nossos pais.

26 de março de 2015. 14h43. Milton Trajano manda pro meu mail a placa que Joelmir Beting fez lá do céu, comentando e cornetando com Heitor, Junqueira, Waldemar Fiume, Oberdan, Turcão, Chinesinho, Julinho, Djalma, Carabina, tantos e tantos palestrinos. E com o vô Sebastião, que foi lá pra cima dias antes de meus pais se casarem em 1963. Exatamente há 52 anos meu pai perdia o pai dele. Em um 26 de março.

28 de março de 2015. 21h. A bola vai rolar na despedida de Alex do Palmeiras. Eu vou ser o mestre de cerimônia que chamará ao gramado do Allianz Parque:

Ademir da Guia, Agnaldo Liz, Amoroso, Appiah, Aristizábal, Artur, Athirson, Cléber, Deivid, Denílson, Djalminha, Edmundo, Euller, Evair, Fabiano, Fábio Costa, Felipe, Felipão, Gamarra, Gilberto Silva, Júnior, Júnior Baiano, Galeano, Kezman, Leonardo, Marcelo Ramos, Marcos, Marco Aurélio, Maurinho, Mozart, Neném, Oséas, Paulo Miranda, Paulo Nunes, Pedrinho, Rivaldo, Rivarola, Roque Júnior, Rubens Júnior, Rüstü, Semih, Sérgio, Sorín, Tcheco, Tiago, Tuncay, Velloso, Zico e Zinho.

Qualquer dia de qualquer ano: Obrigado, Alex, Robinho, Palmeiras, Allianz Parque, Marcos Costi, Milton Trajano e Joelmir Beting.

MestreJoelmir2015

Ideia de Marcos Costi. Charge de Milton Trajano. Pauta de Mauro Beting

 

Defendeu! Pegou! O gol do Galo de 2013

por Mauro Beting em 27.mar.2015 às 10:36h

Narrar futebol é para louco.

Creia: sou ouvinte há 43 anos, e colega e amigo de trabalho de muitos há 25 anos. São todos malucos. E nos fazem ainda mais pirados. Para o Ademir da Guia ou para o mal.

Nas quartas-de-final da Libertadores, em 2013, eu não estava comentando o jogo. Mas torcia pelo Galo contra o chato do Tijuana que havia eliminado o meu time na fase anterior. Por ironia só percebida ao final do jogo, jantava com meu caçula em um restaurante mexicano como o rival do time mineiro.

O Atlético estava se classificando quando Leo Silva fez o pênalti que parecia fatal, no final do jogo na Arena do Horto onde todo adversário caía morto.

Eu via a transmissão do Fox Sports mas não ouvia o meu grande colega e futuro imenso amigo Marco de Vargas. Tocava no restaurante “Sí Señor” do Itaim aquela ótima mistura de rock e blues da trilha sonora. Mas parecia que, naquele momento do pênalti a ser batido por Riascos, nem o coração batia mais. Eu não lembro qual rockão se ouvia. Ou se é que alguém respirava ali no restaurante mexicano. Imagine no Independência.

Não tem como narrar aquilo que poderia acontecer.

Muito menos o que aconteceria instantes depois, no mais importante chute da história atleticana: o de pé esquerdo de Victor. Ou melhor: de São Victor do Horto.

Desde aquele pênalti batido e defendido. Aquele que tentei descrever aqui como foi, na época, e no livro NÓS ACREDITAMOS, da BB Editora, que escrevi com Leonardo Bertozzi e Mario Marra.

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2013/05/31/atletico-mineiro-1-x-1-tijuana-victor-e-vitoria/

Douglas Ceconello, no IMPEDIMENTO.ORG, foi como sempre mais brilhante. Leia:

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2013/05/31/meia-noite-no-horto-por-douglas-cecconello/

Deixemos as letras escritas. Lembremos as faladas.

É no ao vivo de quase cair morto que os craques tomam a palavra. É nessa hora que cada segundo dos narradores que acham no instante as palavras certas superam todos os nossos textos pós-bola. E quase póstumos.

Ouça o Marco de Vargas, no Fox Sports. Não teve “rede”, mas outra primorosa narração.

-VICTOR PEGOOOOOO-OU!

Milton Leite, no Sportv, também narrou “pegou”.

Coincidência de dois grandes narradores e amigos.

No rádio, todos gritam “defendeu”.

Mas ninguém melhor que o Pequetito, o caro Osvaldo Reis, da Rádio Globo Minas.

- DEEEEEEFENDEU VICTOR!

Ele gritou-narrou-emocionou-o-verbo-que-for cinco vezes.

Naquela hora.

Pois até hoje as cabines de transmissão do Horto e os ouvidos e corações atleticanos ainda ecoam aquele som que não tem como crer. Como vendo, por mais que o atleticano tenha acreditado, e só ele acreditou, ainda assim não é possível imaginar que, naquele momento, naquele chute, naquela Libertadores, a bola não vá entrar como tantas vezes infelicitou o torcedor do Galo.

Ou melhor: como tantas vezes ainda deixou mais atleticano o torcedor do Galo.

Não foi só o Brasil que perdeu por 7 a 1 no Mineirão ali do lado, pouco mais de um ano depois. Foi a imprensa esportiva que tem perdido tanta coisa nos últimos anos. E não só seguro, emprego, dinheiro, profissão. É credibilidade, isenção, independência, força, quase tudo.

Fica difícil acreditar numa virada de jogo.

Mas são em momentos como esses relatados pelo Pequetito, pelo Marco de Vargas, Miltão, Mario Henrique Caixa, e tantos grandes colegas, que a gente vê que mais que da boca, saltam do coração coisas boas na imprensa esportiva.

Não tem como não se arrepiar. Até os rivais atleticanos são obrigados a admitir. Ou, no mínimo, se colocando como se fossem os torcedores torcidos naquele momento de risco supremo, o chute de Riascos defendido por Victor é daqueles momentos para a história do esporte e da vida.

E, para os colegas que tão bem soltaram a voz no momento inefável, uma narração de craques infalível.

Não importa se foi o “pegoo-ou” perdendo o fôlego e a afinação do Pavarotti de Vargas, ou se foi o “deeeeefendeu” com N letras E do Pequetito.

O que vale é que, agora, se o atleticano fechar o olho, ele vai quase rever o lance.

Mas, certamente, ele vai ouvir o Pequetito defendendo não só o pênalti decisivo.

Defendendo o próprio rádio.

Essa paixão que nos acorda e nos faz dormir. Ou melhor: sonhar.

Para aqueles que insistem em matar o rádio (mesmo trabalhando nele), para aqueles que não sabem como lidar com ele, espero que mais pessoas trabalhem como o Pequetito.

E “deeeeeeeeeeeeeeeeeeefendam” o rádio como Victor defendeu aquela bola eterna. Como os narradores perpetuaram o lance.