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De: Dona Lúcia. Para: Felipão

por Mauro Beting em 25.nov.2014 às 16:55h

Luiz Felipe, tudo bem?

Como os times atuais do Botafogo e do Palmeiras, e muitos dos dirigentes, continuo sem entender de futebol.

Mas sei que você está fazendo um ótimo trabalho no Rio Grande do Sul. Só não sei se é no Grêmio ou no Cruzeiro. É Cruzeiro ou Inter aí em Porto Alegre?

Não sei. Mas fiquei preocupada com a entrevista que você deu lá no estádio do Corinthians no Morumbi. Ou é Itaquera? Enfim, onde o Brasil ganhou da Croácia. Ou da Sérvia?

Lembro que foi naquele dia em que o juiz marcou um pênalti que nem eu marcaria no Barney. Ou seria no Fred?

Então, estou muito preocupada com você, Luizinho. Ouvi você reclamar muito do juiz. De novo. Vi os lances do jogo e, mesmo sendo sua fã, e nada entendendo de futebol, eu não vi tanto motivo para reclamar.

Olha que sou do Paraná. Outro lugar onde Rio e São Paulo não dão a menor bola em futebol. Isso eu sei. Nem preciso entender do jogo. Para ser campeão sem ser paulista ou carioca o time tem de ser muito bom. Ótimo!

Isso eu entendo. Tem de vencer até as arbitragens. Como você muito bem fez nos anos 90 ou 80, lá no Grêmio, né?

E também no Palmeiras. Ou seria no Flamengo? Não foi lá com a Parmalat? Ou Batavo?

Pois é. Mas você também foi campeão em São Paulo. Ou no Rio. Você também teve toda aquela força. Ou não teve a fraqueza das arbitragens, né?

Então, Luiz Felipe. Você sabe como eu te adoro e também o Parreira. Vocês nos deram o tetra e o penta. São inesquecíveis. Campeões.

Mas não podem reclamar tanto dos árbitros. E nem de esquemas. Eu sei que muitos gente reclama do esquema de jogo dos seus times. Mas não entra nessa de esquema, Luizinho. Você já ganhou muitos títulos com sua competência. Caráter. Capacidade. Sorte. Não precisa reclamar tanto!

Ainda mais quem estava até julho na CBF. Se você e o Emerson Sheik (ou o Márcio?) já sabiam tudo, por que não souberam ganhar ainda mais? Por que não falaram antes?

Você é um dos técnicos que mais sabe vencer na nossa história. Não pode ser um dos que menos sabe perder!

Até quando você tem razão você acaba se perdendo por isso. Não chore tanto. Não reclame tanto, Felipe. O torcedor tem razão para chiar muito contra as arbitragens. O profissional do futebol, não.

Não é legal. Não ajuda nada.

Deixa os outros falarem. Eles não têm tanta história como você. E, até por ela, não fica bem um multicampeão chorar por uma derrota.

Você é maior que isso, Luizinho.

Beijo da fã!

Dona Lúcia.

(E pra quem falar “Gol da Alemanha” pra você fala “Gol do Ronaldo”. Ri primeiro quem é penta melhor).

Macaé campeão

por Mauro Beting em 25.nov.2014 às 11:51h

 

ESCREVE DANIEL BARUD

 

Ufa!

 

Depois de conseguir o inédito acesso para a Segundona, o Macaé conquistou a Série C. Diante de mais de 37 mil torcedores no Mangueirão, a equipe carioca faturou o caneco da Terceirona depois do empate em 3 a 3, diante do Paysandu.

 

Depois de eliminar o Fortaleza, em pleno Castelão lotado, nas quartas de final e o CRB, na semifinal, o Macaé se classificou para a final da Série C, para duelar contra o Paysandu. Em casa, no Moacyrzão, o Macaé empatou por 1 a 1. E foi até Belém, enfrentar o Papão da Curuzu no jogo decisivo.

 

Primeiro Tempo

 

O jogo que já era marcado por nervosismo por ser uma decisão, criou ainda mais contornos, devido ao atraso da delegação do Macaé, que se atrasou no caminho para o estádio. Jogando para mais de 38 mil pessoas que lotaram o Mangueirão, o Paysandu começou pressionando, tomando a iniciativa da partida.

 

Aos 9, João Carlos quase abriu o placar em um belo lance para o Macaé, após um giro em cima de dois marcadores. Aos poucos, o Macaé ia se soltando e equilibrando a partida. Aos 16, o lateral Airton cruzou na cabeça do volante Zé Antônio que, sozinho, com faro de centroavante, cabeceou, estufou as redes e abriu o placar para o Papão.

 

Apesar de estar mais organizado taticamente, o Macaé só assustou aos 35, quando Diego cobrou falta com força e acertou a trave do goleiro do Papão.

 

Depois de perder algumas chances, aos 43, depois de um escanteio cobrado por Diego, o atacante João Carlos cabeceou e empatou a partida para a equipe macaense.

 

Segundo Tempo

 

A segunda etapa da decisão começou assim como a primeira, movimentada. O jogo foi aberto do inicio ao fim, com as duas equipes buscando o gol. O Papão logo lançou ao ataque, devido à necessidade da vitória.

 

Logo aos 7, Bruno Veiga fez boa jogada na esquerda, tocou para Ruan, que chutou de primeira e acertou o canto esquerdo do goleiro Milton Raphael, do Macaé. Era o segundo gol do Papão. Festa da torcida paraense.

 

Porém, logo em seguida, aos 13, João Carlos esticou a perna esquerda, após cruzamento rasteiro da esquerda e empatou de novo a decisão, calando a torcida paraense no Mangueirão lotado.

 

Aos 23, Rômulo colocou o Papão de novo na frente do marcador. Com categoria. O lateral Yago Pikachu cruzou rasteiro e Rômulo marcou um golaço de letra.

 

Após o gol, o Macaé saiu pro jogo. Precisava do gol. Foi persistente. Foi em busca do gol do título. Lutou até o fim. O autor do feito que deu o caneco a equipe macaense foi Diego Corrêa, que tabelou com João Carlos, chutou rasteiro e empatou de novo. 3 a 3. E fim de papo.

 

O Macaé festeja o seu primeiro título nacional. Enquanto o Papão fecha o ano com o acesso e amarga seu terceiro vice campeonato no ano (Paraense, Copa Verde e Série C).

 

ESCREVEU DANIEL BARUD

Um 6 a 1 que mudou tudo. Ou não.

por Mauro Beting em 24.nov.2014 às 19:52h

38. CRUZIRO 6 X 1 ATLETICO-MG_POSICIONAMENTO 1

 

E se o Galo tivesse rebaixado o Cruzeiro no último jogo do BR-11?

Na Arena do Jacaré, a Raposa dirigida por Vagner Mancini precisava vencer para não ser rebaixada. O Galo de Cuca (que dirigira o rival nos primeiros cinco jogos sem vitórias no BR-11) tinha a faca e o pão de queijo nos pés para rebaixar o Cruzeiro pela primeira vez para a Segunda Divisão, no último jogo dos 19 anos de Zezé Perrella no comando do clube.

Era para entrar mordendo o Galo, ainda que sem Neto Berola. Era para o Cruzeiro ter sentido a ausência dos suspensos Montillo e Fábio, os melhores celestes, e o tático Marquinhos Paraná.

Era para ter sido o jogo para o Atlético mandar o Cruzeiro para o inferno que purgara em 2006.

Não foi.

Acabou sendo a maior goleada do Cruzeiro no clássico mineiro que, então, estava empatado na estatística do Brasileirão. Eram 18 vitórias para cada lado.

Mas só um time a buscou em 4 de dezembro de 2011.

Com 8 minutos, as supersticiosas camisas brancas do Cruzeiro abriram o placar. Anselmo Ramon fez inusitada bela jogada pela direita e deu no pé de Roger Flores.

Sete minutos depois, o Bahia abriu o placar contra o Ceará, outro resultado ótimo para o time azul. Diferente da derrota no clássico para o Galo, que perdia assim um lugar até na Copa Sul-Americana. Um excelente preparativo para a Libertadores…

Mas o Galo fazia feio. Teve duas chances, se tanto, até levar o segundo gol, aos 28. Roger bateu no segundo pau, Serginho não subiu, e Leandro Guerreiro fez de cabeça.

Guerreiro que na véspera perdera um filho abortado pela mulher. Guerreiro que foi o espírito do Cruzeiro contra um Galo amuado.

Batia cabeça o Atletico e ninguém batia legal o coração alvinegro. Cuca colocou Magno Alves como homem para encostar em André. Carlos César passou para a lateral, aos 32.

Não deu 42 segundos e o Cruzeiro ampliou. Réver bobeou e foi ultrapassado fácil por Welington Paulista, que armou o lance para Anselmo Ramon virar como quis sobre Leo Silva e fazer fácil o terceiro gol, enfiando a bola entre as pernas de Renan Ribeiro.

Lance juvenil de Réver e Leo Silva. Dois colossos campeões da América um ano e meio depois da goleada em Sete Lagoas.

O 3 a 0 celeste rebaixava Ceará, Atlético Paranaense, América Mineiro e Avaí.

O Galo até tentava. Agora pela direita, o promissor Bernard fazia fumaça. Mas foi no contragolpe pela esquerda que Fabrício partiu, foi levando, passou como quis por Richarlyson, e bateu de fora da área a bola que bateu em Carlos César e tirou o goleiro.

Quatro a zero aos 45 minutos. Nem deu a saída. Acabou ali o primeiro tempo. E o sofrimento azul.

Quando reiniciou a partida, com menos de 25 segundos, a China Azul, dona daquele mando de jogo com torcida única (sempre um absurdo) começou a gritar olé. Merecido pela bola que o Cruzeiro estava jogando e há muito não jogava, e por tudo aquilo que o Galo deixou jogar. De modo deplorável.

Aos 11, o lance que melhor representa o que se viu em campo. Roger passou duas vezes por dois. Ou quatro vezes. Arrancada sensacional pela direita que terminou no toquinho para a cabeçada de Wellington. A bola nem precisou bater na rede.

5 a 0. Roger, que acabou com o jogo, deu o gol ao artilheiro, que fez sinal de que tudo teria acabado.

Show celeste. Xô, Galo!

O jogo para rebaixar o rival. E o Atlético se rebaixou.

Ainda diminuiu, em lance de Leo Silva para Rever. 1 x 5. 15 minutos. De zagueiro para zagueiro como se fossem atacantes. Como seriam também isso em 2013.

Mas ainda era pouco. Tanto que a torcida celeste gritou o nome de “Cuca”, agradecendo a goleada sofrida. Mas, também, no fundo, o ótimo trabalho que havia feito na Libertadores daquele ano.

O jogo seguiu morno. Mesmo com os vermelhos dados a Werley e Wellington Paulista. Mas do banco vinha o crédito. Ortigoza foi ao fundo e deu o sexto gol a Everton. A bola entrou e, como no primeiro tempo, o jogo nem recomeçou.

6 a 1.

O Cruzeiro que só tinha um ponto de diferença contra os rivais na luta pelo rebaixamento abriu cinco gols de vantagem contra o maior rival. Galo que tinha o mesmo patrocinador do Cruzeiro. E não teve mais nada em comum além do BMG no peito.

“A vitória do milênio” para o Galo virou uma goleada eterna.

- isso não é perder um jogo. É pisar no nosso coração.

Falou e disse Alexandre Kalil, presidente do Galo.

Mas…

E se o Cruzeiro tivesse perdido?

Teria sido campeão brasileiro em 2013 depois de ter vindo da série B em 2012?

Nunca aconteceu.

O Galo teria conquistado tudo que venceu desde 2013?

Certamente. Mas aquela derrota serviu para muita gente saber na Cidade do Galo que é preciso estar atento até os últimos lances. Como time e torcida tanto acreditaram na Libertadores-13 e, agora, na Copa do Brasil-14.

Mas…

E se fosse diferente?

Responde Leonardo Bertozzi, que comigo e com Mario Marra escreveu “Nós Acreditamos”, o livro campeão da Libertadores de 2013, editado pela BB.

Bertozzi, e se o Galo tivesse vencido em 4 de dezembro de 2011? Ele responde como se fosse fato consumado:

- Aqueles jogadores do Galo viraram heróis para a torcida, que nunca mais precisaria ouvir gozações sobre segunda divisão. Parecia um título. E acabou sendo a coisa mais próxima de um titulo desde então. Acomodação tomou conta do Galo em 2012, e o melhor resultado desde então foi um sétimo lugar no Brasileiro. Contratações desesperadas, trocas de técnico e as frustrações de sempre. O Cruzeiro subiu sem sustos e voltou a montar times competitivos, mas os 11 anos sem um título de expressão incomodam cada vez mais”

É a projeção de Bertozzi.

Anderson Olivieri, autor de “20 Jogos Eternos do Cruzeiro” (Maquinária Editora), conjectura o que seria se a Raposa tivesse perdido em Sete Lagoas o jogo que encerra o seu livro.

- Virou lugar-comum dizer que o 6 a 1 de 2011 foi bom para os dois clubes. Ao Cruzeiro, óbvio, porque não caiu e ainda aplicou a maior goleada da história no rival. Ao Atlético, pois teria sido um divisor de águas na gestão do clube. Não vejo assim. Acho que as duas equipes despontaram porque foram eficientes no trabalho pelos anos seguintes. Ainda que o Atlético tivesse rebaixado o Cruzeiro naquela oportunidade, acredito que haveria bonança aos mineiros, como houve, em 2013 e 14. Mas deixemos o “se” de lado. A história, como escrita, está suficientemente heroica e imortal.

É isso.

O Cruzeiro teria tudo para fazer mais história, sendo “tri” nacional, com o título da B em 2012 e o bi-tetra da A.

O Atlético teria tudo para ter feito o que de lindo conquistou em 2013.

E, agora, pode fazer mais uma história inédita em 2014.

Coritiba 2 x 0

por Mauro Beting em 24.nov.2014 às 6:34h

Um campeão brasileiro há muito ameaçado pelo rebaixamento. Com um elenco frágil com problemas apesar de um camisa 10 desequilibrante. Gente da base que ainda pode fazer a diferença apesar das limitações. Uma torcida apaixonada e apaixonante que leva a equipe adiante. Ou pelo menos a mantém entre os bambas apesar de tantas dificuldades nessa gangorra de divisões.

Esse é o Coritiba.

O Palmeiras é outra coisa. Mais coisa que outro.

O Campeão do Século passado só depende dele para seguir na Série A. Esta é ao mesmo tempo a boa e péssima notícia para um elenco tão frágil tecnicamente quanto fragilizado moralmente.

Mal montado e ainda pior desmontado. Não fosse Valdivia, o mais presente ausente da história (Wesley tem sido outra categoria sem categoria), o camisa 10 que faz o time ter aproveitamento decente (aquele que havia sido negociado com os Emirados da Disney), o Verdão já estaria pela terceira vez na Segunda. Ou o contrário. Como é do contra esse time que só é regular pelos 2 a 0 adversos.

Não é o pior Palmeiras em 100 anos. Mas em 200 anos nenhum time jogou pelo clube tantas paródias ruins e feias como esse desde a volta da Copa. (O termo era “partida”, mas o corretor ortográfico e esportivo sugeriu “paródia”. Fica assim)

Um time que flerta com a tragédia anunciada. Toma gol de ex-Ananias. Leva gol de Ex-Zé Love. Faz a festa dos ex um clube de exceção. Que não sabe mais o que é.

O Palmeiras não honra o nome. Só se salva em 2014 se o Vitória também não honrar o dele.

E ainda tem 2015.

Corinthians 1 x 0 Grêmio

por Mauro Beting em 23.nov.2014 às 22:13h

Duelo de 200 pontos em Itaquera, onde Felipão, treinando o Brasil, ganhou um pênalti cavado por Fred na estreia da Copa.

Onde estava ganhando um pênalti de Fábio Santos que eu não marcaria, mas o bandeirinha estava marcando, em mais uma arbitragem polêmica para não dizer ruim no BR-14.

Mais um jogo para os treinadores que mais reclamam do apito abusarem da chiadeira, com ou sem razão:

Mano e Felipão fizeram seu show. As equipes que podem estar na Libertadores, não.

O jogo não foi bom. Mas o melhor time venceu. O da casa, solidificando campanha de três vitórias seguidas.

Com um gol choradíssimo, corintianíssimo, a meio por hora.

Mas o suficiente para deixar o Timão encaminhado para a Libertadores.

E para não ter a menor dúvida que Guerrero precisa ficar em Itaquera.

Custe o muito que custar, nele começa o sonho do bi da Libertadores.

Seja qual for o treinador, seja qual for o Timão.

 

 

Cruzeiro. Cruzeiro. Cruzeiro. Cruzeiro.

por Mauro Beting em 23.nov.2014 às 16:26h

17h14 de 23 de novembro de 2014.

12min48s de jogo.

Mayke cruza para a cabeça de Ricardo Goulart.

Ou melhor: o lateral-direito celeste passa para a cabeça do artilheiro do BR-14.

Ou ainda melhor: o melhor time do campeonato faz aquilo que faz desde a sexta rodada de 2014.

Ou muito melhor: desde praticamente todo o BR-13.

Ou melhor que todos: joga em velocidade de Cruzeiro.

Intensidade de Cruzeiro. Dinâmica. Ritmo. Inteligência. Técnica. Tática. Física. Planejamento. Investimento. Torcida. Paixão.

Futebol de Cruzeiro.

Campeão em 1966 goleando o Santos de Pelé.

Campeão da tríplice coroa em 2003.

Campeão sem contestação e adversários em 2013.

Campeão com mais rivais e ainda assim sem comparação em 2014.

2015 ainda não sabemos.

Mas, em 2014, mais uma vez, no Brasileirão, a questão era saber quando seria.

E foi em 23 de novembro. Faltando mais duas rodadas.

Foi 17h14, pelo lado direito do ataque, que o esquerdo era um mar azul alagado como a arquibancada cheia da China. Um a zero tetracampeão.

Mas, 17h24, Leo errou o tempo de bola, Samuel empatou com bonito toque para o Goiás. Para o São Paulo. 1 a 1 ainda tetracampeão.

O Cruzeiro não dependia só dele para ser campeão antecipado com o empate. Mas como Santos e São Paulo também só empatavam mo calor de Cuiabá na primeira etapa, a bola e o Brasileirão ainda sabiam quem seria Cruzeiro. Quem já era campeão com a bola começando a rolar nos jogos em BH e Cuiabá.

18h16, em Mato Grosso, Boschillia abriu o placar para o São Paulo, na segunda etapa. Era hora de o Cruzeiro ganhar o jogo no Mineirão e, por tabela, o BR-14. Eram 12 minutos em Minas.

Bastaram cinco. 17min21s. 18h21, Horário Brasileiro de verão. Horário do Cruzeiro voltar a ser o que é. Voltava a ser o que se sabia: campeão.

Willian cruzou para Everton Ribeiro desempatar. 2 a 1 para o tetra.

18h52. Fim de jogo. Começo da festa do tetra.

O gol do Goiás no primeiro tempo não esmoreceu o ímpeto mineiro. O gol do São Paulo na segunda etapa, menos ainda. Das tantas qualidades desse time celeste: muda o jogo, mudam os jogadores, não muda o jogo e o placar do jogo do Cruzeiro.

Parece sempre a mesma partida. Fica às vezes até meio chata – para rivais e observadores independentes de paixão.

Mas quem gosta de futebol é obrigado a enaltecer a qualidade desse elenco que qualquer outro grande brasileiro poderia ter montado e mantido.

Desde que tivesse capacidade para enxergar em Ricardo Goulart e Everton Ribeiro a bola que têm jogado. Reencontrar futebol em Marcelo Moreno, Henrique, Willian, Marquinhos. Apostar na base que dá chuteiras como Lucas Silva, Mayke e Alisson. Achar futebol em Egidio. Apostar e respeitar nomes vitoriosos como Júlio Baptista, Dagoberto e Borges. Ter a segurança de bons atletas como Nilton, Léo e Bruno Rodrigo.

E ter na meta uma bandeira como se fosse um Raul. Um Dida. Um Gomes. Um Fábio.

Uma estrela campeã. Multicampeã.

Fábio que se salva com a bola na trave logo depois do 2 a 1. Fábio que salvou gol certo no rebote daquela bola que já não valia. E, mesmo se valesse, ainda valia mais Fábio contra o bravo Goiás. Como valeria de novo aos 45, com outra defesa espetacular.

Um valor fixo que não se desvaloriza no Cruzeiro.

Estrela maior do Cruzeiro do Brasil. Goleiraço que merecia maior reconhecimento no país. Como esse time e esse clube de cinco estrelas no peito.

E quatro canecos do Brasil.

Volta, Vasco.

por Mauro Beting em 23.nov.2014 às 11:36h

Voltou. Parabéns.

Pior: voltou. Nada fez além da obrigação.

Nada.

Pela primeira vez retornou da Segunda dos infernos um grande sem ser campeão – em 2003, o Botafogo foi vice do Palmeiras.

Não tinha como ser campeão o Fogão.

Não tinha como não ser campeão agora o Vasco.

Com todo o respeito e admiração a quem é campeão e a quem está na frente do Vasco, não havia como, por Dinamite menos Eurico, não ser campeão da Série B.

Mais uma vez.

Menos uma vez.

O empate melancólico com o Icasa em Maracanã cheio de vascaínos cheios do Vasco é a pá de naftalina numa história tão linda que fica apenas na história.

Vaiar o Vasco que subiu é obrigação tanto quanto o Vasco subir campeão da Segunda.

Só não é mais melancólico voltar assim por há um ano uma queda ter sido ainda mais triste e deprimente.

Não cito os atuais vascaínos e muito menos os que caíram. Poucos merecem a dor que infligiriam a milhões de vascaínos que carregam uma cruz que não é de Malta. Ou apenas da malta que maltrata a instituição.

O Vasco voltou para a primeira divisão.

Mas o Vasco que eu reconheço e que tantos conhecem ainda não voltou.

HISTÓRIA EM JOGO – Corinthians 1 x 2 Grêmio – Semifinal BR-82

por Mauro Beting em 21.nov.2014 às 19:48h

 

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

 

Nosso aquecimento para a rodada do fim de semana do Campeonato Brasileiro irá lembrar um confronto histórico entre Corinthians e Grêmio, pela semifinal da Campeonato Brasileiro de 1982.

A Taça de Ouro de 1982 foi de um nível técnico sensacional. Esquadrões como o Flamengo, de Zico. O Atlético, de Cerezo, Reinaldo e Éder. O São Paulo, de Oscar. O Guarani, de Careca. O Vasco, de Roberto ou até mesmo a surpresa Anapolina, do artilheiro Sávio que chegou à fase de oitavas de final e quase eliminou o Tricolor Paulista.

Além de todos eles, havia também Grêmio, o então campeão de 1981. Time de Paulo Isidoro, Leão, Paulo Roberto, Baltazar e do jovem Renato Gaúcho. E o Corinthians, comandado por Sócrates, Zenon e Wladimir, que entraria para a história do clube como bicampeã paulista e da Democracia Corintiana.

Nas oitavas de final, o Timão passou pelo Bahia (1×1 e 5×2), enquanto o Tricolor despachava o Vasco (1×1 e 1×0). Nas quartas, a equipe paulista venceu o Bangu (1×0 e 1×2) e os gaúchos, o Fluminense (1×1 e 2×1).

Sendo assim, os dois clubes se enfrentariam em uma das semifinais. Na outra, estavam Flamengo e Guarani. Como havia conquistado três pontos diante do Flu, contra apenas 2 do Corinthians frente ao Bangu, na fase anterior, o Tricolor tinha a vantagem de jogar por dois resultados iguais e decidir a vaga no Olímpico.

No dia 11 de Abril, ocorreu a primeira partida deste confronto, no Morumbi. O técnico Mário Travaglini mandou a campo os seguintes jogadores: César, Zé Maria, Gomes, Wágner Basílio e Wladimir. Biro-Biro, Paulinho e Eduardo Amorim. Sócrates, Zenon e Casagrande. Enio Andrade escalou assim o Grêmio: Leão, Paulo Roberto, De León, Vantuir e Paulo César. Batista, Bonamigo e Paulo Isidoro. Tarciso, Baltazar e Tonho.

O árbitro da partida era o carioca Luís Carlos Félix.

A partida começou de forma muito truncada. O time gaúcho marcava forte e impedia o avanço do Timão, que se limitava a tocar bola, sem conseguir espaços para qualquer ação ofensiva mais contundente.

E para aumentar a vantagem do Grêmio, logo aos cinco minutos, o lateral Paulo Roberto arriscou de longe, da intermediária. O baixinho goleiro César tentou encaixar, mas acabou deixando a bola escapar. Ele ainda tentou se recuperar, mas a pelota já havia cruzado a linha. Um frango antológico. Grêmio 1 a 0.

Taticamente, o Corinthians jogava em um 4-2-2-2. Biro-Biro e Paulinho jogavam mais presos à marcação. Sócrates e Zenon eram os meias. Eduardo, o ponta direita que voltava para a recomposição defensiva e Casagrande, o único atacante de fato.

Já o Tricolor se postava no 4-3-3, que se transformava em um 4-5-1 sem a bola. Batista, Bonamigo e Paulo Isidoro formavam o meio. Tarciso e Tonho eram os ponteiros que voltavam sem a bola. E na frente, ficava apenas Baltazar. Era um time de muita força física e aplicação tática.
Sem conseguir fugir da boa marcação, Sócrates e Zenon passaram a recuar, tentando dar qualidade a saída de bola corintiana. Aos 16, Zenon errou um passe bobo e deu nos pés de Baltazar. O Artilheiro de Deus dominou, girou o corpo e chutou. O inseguro goleiro César defendeu em dois tempos.

Aos 18, Paulo César avançou pela esquerda e cruzou. Gomes afastou mal e a sobra ficou novamente com o lateral esquerdo Tricolor. O novo centro veio preciso, na cabeça de Tarciso. A cabeçada veio como manda o figurino. De cima para baixo, no canto. Desta vez, não havia nada que César pudesse fazer.

 

 

Com menos de 20 minutos de jogo, o Grêmio já vencia por 2 a 0!

Abusando das tabelas pelo meio, o Timão facilitava a defesa gaúcha. Em uma dessas tabelas, aconteceu a primeira oportunidade paulista. De León cortou o lance entre Eduardo e Zenon. Biro-Biro ficou com a sobra e chutou forte, por sobre a meta de Leão.

A partir dos 25 minutos, o jogo deu uma baita desacelerada. Enquanto o Grêmio controlava a partida e não sofria nenhum susto, o Corinthians seguia insistindo pelo meio e errando passes em demasia.

Aos 35, Paulo Roberto levou o primeiro cartão amarelo do jogo, depois de isolar uma bola que já havia saído pela linha lateral.

Se o Corinthians não chegava com a bola rolando, a bola parada poderia ser uma solução. Aos 39, Casagrande foi derrubado por Vantuir. Falta sob medida para Zenon. A cobrança foi no ângulo direito de Leão, que teve que se esticar todo, para fazer grande defesa e desviar a finalização para escanteio.

Segundo Tempo

O Timão voltou do intervalo com uma alteração. Joãozinho entrou no lugar do machucado Zenon. Assim, o Corinthians passava a ter um ponta esquerda, jogando aberto, já que Eduardo quase não atuou na ponta direita nos primeiros 45 minutos.

Na base da raça, o time paulista apertava. Aos cinco minutos, Eduardo cobrou escanteio do lado direito. Sócrates subiu mais do que Vantuir e mandou a bola para o fundo das redes, diminuindo a vantagem gremista.

Aos 13, o zagueiro Gomes cometeu falta violenta em Baltazar e recebeu o cartão amarelo. Dois minutos depois, Travaglini mandou o Corinthians ainda mais para frente, em busca da igualdade. Entrou o atacante Mário que substituiu o ponta direita Eduardo. Era uma tentativa de ganhar mais presença física na área.

Aos 21, Wladimir cruzou e Mário escorou para Sócrates. O doutor deu um lençol em De León e bateu sem deixar a bola cair. Leão fez boa defesa e segurou firme. No minuto seguinte, nova chance paulista. Joãozinho cobrou escanteio do lado esquerdo e Gomes foi ao segundo andar para testar. Mais uma vez, Leão fez um milagre conseguiu a defesa, no ângulo direito, evitando assim o empate.

Para tentar segurar um pouco a pressão, Enio Andrade tirou o ponta esquerda Tonho e colocou em campo o volante China. Assim, fechou mais seu meio de campo e bloqueou as ações ofensivas do adversário.

Aos 31, Paulinho entrou na vaga de Baltazar. A idéia de Enio Andrade era aumentar a movimentação na frente, tirando vantagem do cansaço da zaga corintiana. Pareceu funcionar quando, aos 34, Wágner Basílio cortou para cima um lançamento de Batista. A bola ficou na medida para o tiro de primeira de Tarciso. César fez grande defesa, depois que a pelota quicou no “montinho artilheiro”. Em seguida, Luís Carlos Félix deu o cartão amarelo para Mário, por ter empurrado Paulo Roberto.

Depois desse susto, o Timão parece ter perdido as forças. Nem mesmo aquela pressão final, comum aos times que estão sendo derrotados, a equipe conseguiu. Para Márcio Guedes, comentarista da TV Globo “o resultado foi justo. O Grêmio é mais time, individualmente falando e foi muito melhor no primeiro tempo. Na etapa final, o Corinthians melhorou, mas não o suficiente para chegar ao empate”.

Com este resultado, o Tricolor poderia até perder por um gol de diferença o jogo de volta (venceu, por 3 a 1). Como diz Galvão Bueno, a situação estava dramática.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

 

 

 

 

 

 

Virada bicampeã – Grêmio 1 x 2 Cruzeiro

por Mauro Beting em 21.nov.2014 às 10:42h

Quando o eficiente Ramiro avançou na área para abrir o placar, parecia que nem Fábio conseguiria segurar o Tricolor gaúcho que jogava por ele e pelo paulista.

Quando Fábio negou novo gol feito, parecia que a derrota seria de pouco.

Quando na bomba de Barcos, na segunda etapa, Fábio fez mais uma das dele, num tiro à queima-luvas, começou a parecer que no céu as estrelas do Cruzeiro mais que brilhavam. Apareciam.

Para voltar ao lance do primeiro tempo, quando a bola que bateu na trave esquerda de Fábio lambeu a linha fatal e não entrou.

Não conheço campeão azarado. Conheço Cruzeiro com sorte de Cruzeiro.

Daqueles gols que a gente sabe que uma hora a bola entra. Não entrou.

Daqueles times que a gente sabe que outra hora a bola entra.

Entrou na carambolada que deu no gol de empate de Ricardo Goulart.

Entrou no belo contragolpe de 5 x 3 que deu gol de Everton Ribeiro.

“Time cansado” não faz aquela contra-ataque.

“Time desgastado” não avança e ataca com esses tanques todos.

Mais uma virada celeste não é acaso. É caso pensado e treinado. É o ocaso dos rivais. É voltar pra casa com mais um campeonato. O bicampeonato brasileiro.

É questão de jogos. E ninguém jogou tanto em 2014.

Para não dizer desde a primeira rodada de 2013.

O Cruzeiro não virou apenas mais um clássico. Virou história na Arena tricolor.

Botafogo 0 x 1 Figueirense

por Mauro Beting em 20.nov.2014 às 19:49h

Pênalti para o Fogão. E foi.

Era para o Murillo bater. Não foi.

O Jobson assumiu a responsabilidade. E foi pra cobrança.

Onde a bola foi parar em São Januário? Na rede não foi.

E como pode confiar em Jobson?

Depois uma bola foi cruzada e França cabeceou. Jefferson não foi.

1 a 0 para o Figueira que vai acabar se salvando.

0 a 1 contra o Botafogo que vai acabar não se salvando.

Não acaba – que estrela não morre.

Mas apaga.

Ainda mais quando não paga.