publicidade


Fred Fluminense

por Mauro Beting em 30.jan.2015 às 19:40h

Ele gosta de projeto. E ama o Fluminense.

Ele foi muito mal na Copa. Mas vai muito bem nas Laranjeiras.

Ele ainda vai muito bem em qualquer grande área adversária no Brasil e na América do Sul.

Foi ele quem reergueu o Flu no milagre de 2009. Foi ele e ótima companhia a campeã de 2010 e de 2012 do Brasil.

Será ele o cara para recomeçar o Fluminense pós-Unimed.

Uma bandeira tricolor. E um exemplo para muito jogador profissional. Ou muita gente remunerada.

Quando é.

 

 

Sentimentais estaduais. Um brinde ao Calabar!

por Mauro Beting em 30.jan.2015 às 19:14h

 

Abro o jogo:

Rio de Janeiro: Flamengo

São Paulo: Palmeiras

Rio Grande do Sul: Grêmio

Minas Gerais: Atlético

Bahia: Vitória

Paraná: Atlético

Pernambuco: Sport

Copa do Nordeste: Sport

Depois eu volto ao tema.

Agora é hora de parabéns.

Hoje faz 45 anos, salvo engano, meu primo Paulo.

Ele faz uns 40 e poucos anos como o Pauletto irmão do Danilo.

Como Calabar já são 29 anos. E contando.

Não saberia contar em números, nomes, lugares, canções, lágrimas, sorrisos, darintas e Marcos, Joakin´s e Castelões, strombolis e crustolis, wi-fi ligado em Hi-fi, quantos Tombos levamos na madrugada – mas bastaria uma noite de verão. Quantas fontes Simão, quantos sims e tantos nãos, que tivemos ente Ipiranga e Piracicaba, Campos e Guarujá, Palestra e Pacaembu.

Hoje ele está no Rio celebrando com amor e amigos a data Charles Anjo 45. Típica da Alegria Loira…

Fim de semana sim e não também estou pelo Fox Sports no Rio.

Desta vez é o não, que tantas vezes não me levou para Pira por motivos de trabalho. Pira de pirado mesmo. De louco. De pazzo.

Como fomos em 1985 ver outro XV, o de Jaú, nos mandar tomar maracugina pela eliminação no SP-85.

É Maracugina. Com G. Quem explica? É como perder aquele jogo. Como perder para a Inter de Limeira da Adriana Marmo em 1986. Como badalar e levar um porre com o Bragantine’s 12 Anos da Terra do Magoo, em 1989.

A Ferroviária em 1990… Aguirregaray. Novorizontino. Bragantino de novo na nossa cara. Fila de velho na nossa fuça.

Até aquele gol de falta do Evair, na meta de entrada do Morumbi, que tirou lágrima da rede molhada. O do One, do U2, que o Ronaldo não defendeu, e com o Dudu lá na arquibancada molhada do Morumbi. Como estava encharcada depois quando o São Paulo ganhou de novo, na final do SP-92.

Quando acabaria aquela tortura?

Pergunte e leia o Gustavo Piqueira, no livraço “Coadjuvante”.

Está tudo lá.

Estivemos sempre por lá.

Como você está sempre por aqui, ainda que não tão perto da gente. Mas perto do amor da mulher, das filhotas lindas, do enteado lindo. Tão verde quanto a gente.

Vai começar amanhã mais um Estadual. Em SP, no RJ (se os cartolas deixarem…), em todo Brasil.

Já não é mais tudo aquilo que um dia foi. Como para sempre será 12 de junho de 1993 – a maior alegria.

A que secou as lágrimas do gol de canela do Biro-Biro na semifinal do SP-80.

Justo na noite do seu aniversário. Saí da sua casa no Ipiranga e dormi chorando ouvindo pela milésima vez a narração do Silvério da canelada que daria o título paulista de 1979 para o Corinthians.

Dou os meus chutes para os estaduais de 2015. Estarão na revista “Placar”, editada pelo Dimitrius Pulverenti, um que sabe escrever muito bem, e torce ainda melhor, entre nós.

Aí estão mais uma vez. Quem eu acho que ganha pelo Brasil:

Rio de Janeiro: Flamengo

São Paulo: Palmeiras

Rio Grande do Sul: Grêmio

Minas Gerais: Atlético

Bahia: Vitória

Paraná: Atlético

Pernambuco: Sport

Copa do Nordeste: Sport

 

Será que vai ser isso?

Não é torcida. É palpite. É chute.

(quer dizer, em São Paulo, você sabe…)

Mas o que eu gostaria mesmo não era só voltar aos tempos em que jogávamos bola e futebol de botão e subbuteo com o Calabar que ainda não era Calabar.

Mas que já era o cara que não tenho palavras para contar.

Eu também gostaria que os estaduais fossem como as finais dos anos 70 e 80. Adoraria ver  aquela rede do Maracanã estufando numa batida de Zico ou Dinamite. A trave esticada do Pacaembu, o filó cheio do Mineirão, aquele sol de Beira-Rio e do Olímpico, aquelas milhões de fases do Pernambuco, um drible do Osni no Bahia e um passe do Mário Sergio no Vitória. Gols do Sima, do Radar, do Alberi, do Pastoril, do Bife, do Bira Burro, da aquarela do Brasil no Fantástico.

Dar tchau para o Leo Batista, ouvir a musiquinha do Fantástico e entrar em crise.

Era ótimo.

Mas já era.

O mundo mudou. A mídia mudou. Meu primo Calabar mudou para mais longe.

Mas a bola volta a rolar neste fim de semana.

Ainda é muito jogo para pouco futebol. E vai ser ainda mais. E cada vez menos.

Mas é assim a nossa vida. E ela passa em cada jogo, cada estádio e cada rival estadual.

Todos eles vêm junto comigo. A vida toda.

Parabéns, Calabar, pelos 45 anos.

Parabéns, estaduais, pelos 113 anos desde o primeiro.

Vocês podem estar cada vez mais distantes.

Mas, pelo menos para quem assina este texto, estão sempre presentes.

 

 

Santo é só o Paulo?

por Mauro Beting em 29.jan.2015 às 11:07h

Por tudo que Carlos Miguel Aidar fala de Juvenal Juvêncio.

Por tudo que Juvenal Juvêncio fala de Carlos Miguel Aidar.

Pelo nada que acrescentam ao debate, ao momento, à instituição, à tranquilidade, à preparação do elenco.

Acho que é alguém do Palmeiras ou do Corinthians quem planta pela mídia e pelos corredores do Morumbi, Barra Funda e Cotia essas histórias todas dos dois lados!

Não é possível!

Namorada, posto de gasolina, ex-amigo, ex-parceiro, dívida, bilheteria, cobertura, Puma, Penalty, Under Armour, pitacos indevidos, dívidas em dúvida, camisa do Rogério que vaza, camisa que veste o Aidar, comissão de inquérito, comissão do conselho, omissão de cartola, bate no Nobre e no Palmeiras e nos 19 clubes paulistas, cobra além da conta o Muricy e o elenco, desmerece campeonato que joga, acha que o Morumbi vai ser palco da Copa, manda mais que Blatter, blatera na mídia, ex-genro, só ele manda no Morumbi, só ele pode em Cotia,  só tem pra ele, berra, barro, burro é o resto, birra com Corinthians, só bate, soberano absoluto em casa e na dos outros, ele não erra, os fatos é que desandam, criou o monstro, é cria do mesmo monstro.

Existe uma nova acepção para a palavra ego no dicionário. Ou duas.

A sacrossanta casa tricolor é maior que Aidar e Juvenal.

Mas precisa ser santo e ter um saco de Jó para aguentar a briga intestina na pior acepção.

Um clube que sempre resolveu seus problemas internamente está com as entranhas escancaradas. Fraturas e faturas expostas que causam septicemia que pode atrapalhar o clube na luta pela quarta conquista da América. .

O são-paulino não merece que o clube se perca pela perda de noção.

Que Aidar e Juvenal se reúnam numa sala escura e resolvam entre si os problemas que existem e aqueles que criaram.

E voltem a ser os grandes dirigentes que ainda podem ser.

Desde que não se achem os únicos.

 

Fifa de Figo

por Mauro Beting em 29.jan.2015 às 10:34h

Ótimo que um ex-atleta possa comandar a Fifa como pretende o português Luis Figo.

Ótimo ter um novo presidente depois de João Havelange (1974-1998) e Sepp Blatter (desde 1998).

Mas que Figo vá muito além de Platini.

E que referências de ex-atletas cartolas como Nuzman, Dinamite e outros não detonem a pretensão e a condição do português.

Não é por ter sido craque (e foi eleito o melhor do mundo em 2001) que faz de um ex-jogador um craque como cartola, manager, treinador, comentarista, apresentador, marqueteiro.

Do mesmo modo que não é um diploma ou um canudo que faz de qualquer formado um profissional gabaritado.

 

 

A melhor definição do Galo 2013-14

por Mauro Beting em 28.jan.2015 às 10:29h

ESCREVE BRUNO OLIVEIRA 

(Atleticano doutorando em Letras e Filosofia pela Université de Paris e UFMG. @GaloFuturismo)

No blog de Elen Campos, do CAMikaze

 

O ano de 2014, que para muitos seria um período de “fechamento para balanço” no Galo – mudanças de técnicos, reformulações no elenco e eleição presidencial – terminou da melhor maneira possível, com a queda de mais um monstro que nos acorrentava: a conquista da Copa do Brasil. Naquela madrugada de 27 de novembro, no salão de festas do Galo, em mais um discurso de praxe da vitória, Tardelli agradecia aos companheiros, à torcida, à família, a Deus, a Levir, mas destacava que o grande responsável pela conquista da Copa do Brasil e pelo bom segundo semestre de 2014 era a volta da “bagunça organizada”.

A primeira vez que ouvi o termo foi em 2013. Numa entrevista, Ronaldinho Gaúcho definia a essência do jogo do Galo: “nosso time é uma bagunça organizada, ele pode bagunçar com a bola e tem obrigações de marcar sem ela. Todo mundo tem uma função.”. Nesta mesma direção, Cuca afirmava em outra entrevista: “deixo eles fazerem uma ‘bagunça organizada’: podem mudar de posição, mas que não fiquem os quatro (jogadores) para o lado direito, por exemplo, senão o barquinho vira. Vamos dividir, fica um para lá, um para cá. Às vezes, se o jogador fica muito pragmático, ele é marcado e fica anulado. Então, se está bem marcado aqui, vai tentar lá. Deu certo lá, o outro vem pra cá, que também dá certo. Você consegue confundir o adversário.”

Após a saída de Cuca, a chegada de Paulo Autuori foi saudada como o momento para se arrumar a tal bagunça organizada. Os analistas diziam que o Galo precisava de um novo rearranjo, pois defensivamente tínhamos graves problemas. Mas o que se viu foi o excesso de previsibilidade, disciplina e organização. A fluidez do time deu lugar à mecanicidade, a criatividade à repetição. Os antigos gregos utilizavam-se da palavra phármakon para exprimir tanto remédio quanto veneno. Pois bem, as altas doses do remédio de Autuori envenenaram a essência do jogo do Galo.

Embora envolta em desconfiança, a vinda de Levir Culpi trazia a esperança do reencontro do Galo com ela, a bagunça organizada. O início, contudo, não foi nada promissor: eliminação na Libertadores; discussões de Levir com Tardelli e, posteriormente, com Kalil; inconstância no 1º turno do Campeonato Brasileiro; saída de Ronaldinho Gaúcho. O trabalho de Levir andava naufragando até que fomos resgatados pela amiga ausente.

Como um admirador de obras literárias policiais, eu sabia que estava na hora de realmente investigar o que era esta bagunça organizada. A necessidade de contar aos quatro cantos quem era o amigo ausente me movia de maneira obstinada. Como pôde ficar tanto tempo na sombra, aquela que foi a portadora de tão belas dádivas à Massa?

Eu achava a explicação tática sobre a bagunça organizada uma sandice sem tamanho. Eu me perguntava como os comentaristas não percebiam que se a explicação tática reduz-se a um esquema – o esquema tático –, então ela se condicionava estruturalmente a colher somente aquilo que se enquadrava em seus próprios pressupostos. Ela era uma análise que formalmente exigia o seu próprio fechamento. Em última instância, ela voltava-se sobre si mesma. Uma cobra que estava fadada a engolir e sufocar-se com seu “rabo”.

Por isso eu me interessava sobre aquilo que o esquema tático não se interessava. Onde o esquema tático terminava, a minha investigação começava. A questão era como então abordar o caos organizado do Galo sem cair na explicação formalista do esquematismo? Como apreender a sua abertura, o seu aspecto vital, sem incorrer no reducionismo tático? O que me veio de imediato à cabeça foi a Arte, mais especificamente o Jazz.

Se há uma Arte capaz de transitar entre a abertura e o fechamento, o divino e o demoníaco, sem reduzir um polo ao outro, esta é o Jazz. O Jazz traz em si a tensão entre métron e hybris ¬– respectivamente, a medida e a desmedida –, o embate entre um princípio de organização e outro de desconcerto. O Jazz busca desarranjar a organização e, ao mesmo tempo, organizar o desarranjo. Assim, a imprevisibilidade expande os limites da organização para estabelecer novos parâmetros, bem como a organização estabelece padrões para a imprevisibilidade rompê-los.

A filosofia de jogo do Galo é jazzística por excelência. Sem cair num puro caos de ruídos, dissonâncias e movimentos, rearticula-os em múltiplas possibilidades. A escolha do termo bagunça organizada não é um acaso, ela demonstra esta capacidade jazzística de improvisar à beira do abismo, de confiar na inteligência e na criatividade do indivíduo atrelada à sua capacidade de agregar ao conjunto.

 

Levir deveria realizar os treinos e as suas preleções ao som de Louis Armstrong, Charlie Parker, Miles Davis, Duke Ellington, Thelonius Monk, Chet Baker e de outros gênios do Jazz. Os jogadores deveriam integrar o rock, funk, pagode, sertanejo e samba – ritmos musicais preponderantes entre os boleiros –, ao Jazz. A diversidade enriqueceria a nossa filosofia de jogo. Eu diria mais, a 0Massa deveria passar a tocar e cantar ao ritmo de Jazz, imagina a festa que seria. Deixaríamos os adversários atordoados com a complexidade, intensidade, velocidade e imprevisibilidade dos movimentos rítmicos.

 

Tenho a intuição de que apenas a vivência do Jazz nos levará à evolução da nossa filosofia de jogo. O Jazz, o Galo e a bagunça organizada, todos sinônimos da mais rica experimentação das potencialidades humanas. Em uma palavra, da vida como pura expressão da liberdade. Espero que em 2015, o Jazz embale os nossos sonhos de conquista.

 

ESCREVEU BRUNO OLIVEIRA
(E eu adoraria saber escrever e pensar e ouvir assim)

Calem-se!

por Mauro Beting em 28.jan.2015 às 10:19h

Chico Buarque é brilhante tricolor usado pelo Fluminense para detonar a FERJ – federação que está há muitos anos querendo acabar com o futebol do Rio, desde os tempos do Caixa D’Água com lama saindo pelo ladrão.

Até quando tem alguma razão a entidade acaba perdendo tudo. Sobretudo quando enfia goela abaixo (e goleada fora) uma padronização do preço dos ingressos. Compara Quissamã com Maracanã, Friburguense com Fluminense, gasto com investimento, Eurico com Rubinho, você e eu, Luan Santana com Chico Buarque.

Perdemos todos. Os que vão pagar mais barato – ou pagariam – por espetáculos que vão valer só por 1,99. E também os que pagariam mais caro por futebol que não é pra 80 reais. Muito menos para cinco. É algo entre 8 ou 80. Mas esses são outros quinhentos no papo.

Quem tem de saber o quanto vai cobrar, o quanto vai salgar, o quanto vai incentivar, o quanto vai dar de graça é o clube. Associado ou não ao Maracanã, ao presidente da FERJ, à Liga da Justiça, a quem quer que seja.

Não pode a federação desmandar no campeonato. Pode e deve organizar – e até que tem feito melhor que nos campeonatos que na nota oficial o Fluminense citou, nos anos 90 (mas esquecendo outras lambanças estaduais e federais que, em outros casos, acabaram beneficiando o clube).

Mas é assim mesmo, no futebol na nossa vida, na vida do nosso futebol. Só olhamos o próprio umbigo. Seja ele negativo, tanquinho, ou Walter.

Nesse caso, FERJ e aliados, deixem os clubes fazerem o que bem entendem – e até o que mal entendem – com o preço dos ingressos.

O mando é deles. Não desmande.

No máximo, organize os clássicos. E, claro, tente dar um jeito nessa questão do lado do estádio onde ficam os torcedores no Maracanã. Sei que por mais 34 anos o Flamengo e o Fluminense acertaram com o consórcio os lados do campo. O Vasco estrilou, e tem razões históricas para tanto.

Mas é algo para se conversar. Não para sair atirando ou fazendo notas oficias a torto e a direito, até acertando nas palavras, mas não nos modos e meios.

Se é para abusar de Chico, deixa eu exagerar. Errando ainda mais, e adaptando mais de orelhada (avatajada) que de certeza e convicção e correção:

- Calem-se!

Ou copiando certinho o que Chico compôs na clássica canção que dividiu com Milton Nascimento:

Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

 

Enfim…

- Calem-se!

E resolvam logo essa parada.

Gobbi

por Mauro Beting em 28.jan.2015 às 9:49h

Campeão do mundo. Campeão invicto da Libertadores. Campeã da Recopa contra o São Paulo. Campeão paulista. Tudo como presidente.

E ainda campeão brasileiro, da Copa do Brasil, e estadual invicto quando fazia afinada parceria com Andrés Sanchez.

Foi Mario Gobbi presidente do Corinthians. Sócio recente que veio do interior que, com aquela cara de Peter Griffin do “Family Guy” com jeito de falar daquele dono de funerária que veio pedir um favor a Don Corleone no casamento da filha do Poderoso Chefão, conseguiu ajudar a reconstruir o Corinthians, em frangalhos depois do tsunami MSI e do cataclismo do crepúsculo de Dualib. A toque de caixa e com os trancos da Fifa ergueu a Arena Corinthians, ainda que deixando muitas contas a serem pagas. Mas fazendo de Itaquera o palco do pontapé inicial da Copa, e nos fundilhos de quem achava que “naquele fim do mundo” só teria maquete mequetrefe. E não um senhor estádio à altura alvinegra.

Tudo que foi bem em muitas coisas, ainda que torpedeado internamente, ou dando munição aos inimigos amigos, ele foi inominável ao defender além dos limites do defensável os 12 de Oruro.

A maioria poderia ser inocente naquele incidente. Naquele, em alguns casos. É outra questão, já debatida, com os exageros entre as partes.

Mas demorou demais para o clube estender auxílio à família do menino morto.

E extrapolou demais o presidente corintiano ao dizer que o clube foi mais vítima que Kevin.

Sim, o Corinthians foi garfado contra o Boca, no Pacaembu, em 2013. Um horroubo.

Mas, não. Nenhum clube é mais “vítima” que um garoto de 14 anos morto por um sinalizador que perfurou o olho dele.

Não. Também os 12 detidos não são mais vítimas que o menino boliviano morto, como disse Gobbi.

Aqui e na maioria dos lugares não se culpa o Corinthians pela morte. Nem mesmo a torcida. A irresponsabilidade é de quem acendeu o sinalizador. Só dele. Ou de quem deu a ele o artefato.

É irresponsável jogar na conta do Corinthians e dos corintianos a morte.

Em alguns casos foi abusiva a prisão dos suspeitos na Bolívia. Foi mesmo.

Mas é lamentável dizer com todas as letras que o clube foi tão vítima quando Kevin. Que os detidos foram tão vítimas quanto o menino.

Para se defender não é preciso atacar.

Ainda que tenham falado absurdos contra o clube e torcida, absurdo também é comparar a morte do menino com a vida que sofremos.

Gobbi não precisava disso.

O Corinthians é que precisou dele enquanto presidiu bem. E foi realmente bem.

Em time que está Cruzeiro

por Mauro Beting em 27.jan.2015 às 14:59h

O Cruzeiro é bicampeão brasileiro. Pode buscar tanto o tri nacional quanto o da Libertadores. Mas sem Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e Lucas Silva… E outras opções negociadas… Fica difícil. Ainda que gente boa tenha chegado à Toca. E ainda pode chegar.

Repaginar o time, reformatar o sistema, e em cima da hora, quase dando um boot na montagem dessa máquina, fica mais difícil até para quem sabe muito como Marcelo Oliveira. A Libertadores está quase aí. Os adversários brasileiros são de qualidade, quase do mesmo nível. Vai ter time chato argentino, chileno e colombiano. O grupo da segunda fase não é complicado. Mas o grupo celeste não parece tão forte. Certamente não está tão entrosado.

Já se viu contra o Shakthar. A compactação não rolou, o pressing não foi aquele, a velocidade miou, Leandro Damião segue parado em algum ponto perdido de 2013. Mas vai dar liga, independente da necessária readequação financeira do clube, e, por tabela, de elenco celeste. Só que é preciso ter paciência. Ainda mais falando de pré-temporada.

Na Itália, a Juventus é tri. Será tetra. E mudou com a saída do treinador Antonio Conte. O 3-1-4-2 juventino virou um 4-3-1-2 com Allegri, desde a 10ª rodada do Italiano. A mudança tática deixou o time mais versátil, ainda que menos intenso e vertical. Segue somando pontos com tranquilidade na Itália – ainda que não na Europa. Claro que Tevez sempre faz os gols e a diferença, e Pogba faz ainda mais com cada vez mais classe e força. Mas a Juve também entendeu que precisava mudar um pouco. E isso é arte quando só se sabe vencer.

O Cruzeiro precisava mexer um pouco – talvez nem tanto. Mas como segurar quem quer sair, e como fechar as contas nem sempre azuis? Faz parte. O segredo é remontar elenco ou remexer na prancheta. Oxigenar ideias e dar frescor ao time. Rodar o elenco, fazer a fila andar, colocar sangue nos olhos e faca nos dentes de um grupo vencedor. Questão que vai além da tática de jogo. Passa pela estratégia de competição. Algo muito maior.

Riquelme

por Mauro Beting em 26.jan.2015 às 19:20h

O maior jogador deste século da Copa Libertadores.

O camisa 10 xeneize que levou o Boca Juniors ao último título do século passado. Mais ainda ao primeiro deste século. Foi o nome da conquista de 2007. É só não foi mais na Bombonera por ter jogado menos do que poderia no Barcelona e no Villarreal. E ainda menos na seleção argentina.

Talvez tenha sido o estilo de jogo clássico e cadenciado. Ou o temperamento difícil de tratar com treinadores e colegas

Juan Román não era de papo. Era de bola. Não sorria, mas fazia encher o peito de quem torcia por ele, e os olhos de quem gosta de futebol.

Tudo que tratava fácil a pelota ele tratava difícil as pessoas. Acabava perdendo contatos e até se perdendo no vestiário. Talvez uma compensação por todas as bolas que não perdia como enganche de admirável técnica.

Poucas vezes vi um craque dominar uma bola e não perder o controle dela pelo uso da técnica com o corpo.

Poucas vezes vi um tão perfeito “caño de espaldas” como o que ele deu eu Yepes, do River Plate. Um rolinho de costas no zagueiro adversário.

Poucas vezes vi atuação tão avassaladora como a da semifinal de 2001, quando fez gato e chuteira de Argel, no Palestra Italia.

Poucas vezes veremos um craque que todo mundo no Brasil queria ter no seu time. Jamais contra.

Só não digo “gracias, Román”, que meu cotovelo não deixa, por 2000, 2001 motivos.

Mas meus olhos já estão com saudades.

Flamengo 1 x 0 São Paulo

por Mauro Beting em 26.jan.2015 às 8:57h

O Flamengo não ganhou em Manaus a Taça das Bolinhas em disputa eterna contra o São Paulo. Mas ganhou um jogo – aliás dois – e um torneio que estava acima das pretensões atuais rubro-negras.

O São Paulo é mais time. Tem mais elenco. Pinta forte para 2015. Mas estava desgastado da partida de sexta à noite contra o Vasco. Também não estava completo como o time de Luxemburgo. Ainda tem um sistema defensivo discutível, e uma criação que não pode viver só dos grandes nomes que tem. E eu Muricy, quando voltar, vai ter de cobrar mais.

É pré-temporada. Qualquer análise para cima ou para baixo está no oceano de erro dos institutos de cornetagem. Mas há por onde o Flamengo fazer um 2015 mais equilibrado que 2014. Como há por onde e tem gente para o São Paulo jogar mais.