Abaixo, o texto publicado na edição desta segunda-feira no LANCE! na coluna Espírito Olímpico. Por Rafael Valesi

Ângela Park durante a disputa do LPGA Brasil Cup 2010 (Foto: Zeca Resendes/ZDL)
No fim de 2010, um fato curiosíssimo aconteceu no golfe. Ângela Park, que nasceu e joga pelo Brasil mas cresceu nos Estados Unidos, largou a modalidade por estar cansada da rotina pesada do esporte profissional, e foi trabalhar como recepcionista em um hotel de Los Angeles. Uma atitude que chega a beirar a loucura para uma atleta que foi eleita a revelação do LPGA (o circuito mundial feminino) em 2007 e ocupou o 14º lugar do planeta.
Aparentemente, a sensação de estafa deu lugar à saudade dos campos. No próximo mês, Park irá retornar ao golfe profissional, e irá jogar no HSBC LPGA Brasil Cup 2012, no Rio de Janeiro. A competição é a única no país que faz parte da elite do golfe internacional.
O retorno de Park, aos 23 anos, não representa apenas o fato de que o Brasil poderá ter novamente uma representante na elite feminina do golfe – isso se ela voltar à sua melhor forma. O fim da aposentadoria precoce da jogadora pode significar também a possibilidade de mais uma medalha para o país na Olimpíada do Rio de Janeiro.
Em 2016, o golfe voltará ao programa olímpico depois de mais de cem anos. Se a Olimpíada fosse hoje, as chances de medalha para o país seriam nulas, já que o Brasil tem apenas um atleta entre os 500 melhores do mundo tanto entre os homens (Adilson da Silva, o 426º do ranking mundial) quanto entre as mulheres (Maria Priscila Iida, em 442º na lista feminina).
Não é à toa que membros da Confederação Brasileira de Golfe estão entusiasmados com a volta de Park. A esperança dos dirigentes é que ela reviva seus melhores momentos, como em 2007 no Aberto dos Estados Unidos (um dos quatro Majors do ano, os eventos mais importantes da modalidade), quando Park ficou em segundo lugar, o que valeria uma prata no Rio de Janeiro daqui a quatro anos.