Robert Griffin III acabou sendo o protagonista da primeira semana dos playoffs da NFL. Infelizmente, não pelo lado positivo. Uma lesão no ligamento do joelho direito, que já existia, claramente foi agravada durante a derrota do Washington Redskins para o Seattle Seahawks, por 24 a 14. Derrota que eliminou o time da capital americana.
RG3 começou o jogo com tudo. Em pouco minutos, o Redskins abriu 14 a 0. E justamente pouco antes do segundo touchdown, quando o quarterback se deslocou para o lado direito para lançar uma bola e forçou o joelho ao apoiar a perna no chão, as coisas pioraram. Claramente perdeu mobilidade e boa parte da sua força ofensiva.
O Seattle, na minha opinião um time bem melhor, demorou para reagir. E quando o fez, não foi com a volúpia de semanas anteriores, quando o ataque passou por cima dos rivais, inclusive do ótimo San Francisco 49ers. Mas jogou com competência.
A discussão ficou por conta da saída ou não de Griffin III do time. Que claramente não estava em sua melhores condições físicas. Mas que é o titular do Washington, que não ganhava a sua divisão como o fez este ano, desde 1999.
Abaixo é a minha opinião:
O treinador Mike Shanahan questionou se o quarterback estava bem. Ele respondeu que sim, que havia uma diferença entre estar machucado e “ferido”. RG3 disse que estava só “machucado”.
Como, lembremos, estava desde o dia 9 de dezembro, quando teve o problema no joelho durante a partida contra o Baltimore Ravens. Depois, descansou contra o Cleveland Browns – só porque o Browns é fraco – e voltou. Contra o Dallas Cowboys, na semana passada, ele ainda tinha essa lesão no joelho. E venceu a decisão contra o rival. Lesão que piorou agora, é verdade.
Há algumas “leis” dos jogadores da NFL. Todos sabem que vão jogar machucados. O quarterback, como líder da equipe, sabe que terá que aguentar a dor até mais que alguns outros. Por ser o “cara” e para ser o “cara”. Jogar ferido dá status ao QB.
Quem não se lembra quando Jay Cutler, do Chicago Bears, saiu de um jogo do playoff contra o Green Bay Packers em 2011? Sofreu muitas críticas, questionando sua “paixão pelo jogo”. Eu, sinceramente, não sei quanta dor Cutler estava sentido, então não posso dizer que ele fez o certo ou não. Mas Philip Rivers, do San Diego Chargers, jogou sem ligamento. Porque era o titular e precisava jogar na decisão.
Brett Favre, lendário quarterback, cansou de jogar machucado. E ganhar jogos assim. Sempre adjetivado como “herói” ou sinôminos após façanhas deste tipo.
Griffin III disse que poderia ficar no jogo. E nenhum técnico do mundo iria tirá-lo de campo. RG3 “transformou” a franquia. E queria estar em campo no jogo mais importante do ano até o fim.
“Ah, mas o Kirk Cousins jogou bem quando entrou…” Sim, é verdade. Mas lembramos que era um jogo contra o Browns. E umas três jogadas contra o Baltimore Ravens. Muito pouco para avaliar alguma coisa.
É claro que uma contusão mais séria poderia afetar a continuidade da carreira de Griffin III. Mas vejamos: Adrian Peterson teve uma grave lesão no joelho ano passado e fez a melhor temporada da vida em 2012. “Mas as pessoas são diferentes.” São mesmo. Mas hoje em dia uma lesão de ligamento não acaba com carreira de nenhum atleta. O volante Wellington, do São Paulo, teve uma lesão destas no Carnaval de 2012 e voltou antes do fim do ano. Jogando em bom nível.
Sei que posso parecer “sem coração”, mas não acredito que a decisão de deixar o quarterback em campo foi difícil. O cara quer jogar, estava conseguindo correr, então ele vai continuar jogando.
É diferente de uma concussão, que impede a volta do jogador a campo. Isto está na regra da NFL e não pode ser violada.
Trent Dilfer, ex-quarterback e atualmente comentarista da ESPN americana, disse que no futebol americano há duas análises: dos que estão dentro e dos que estão fora de campo. É normal que quem veja de fora ache que simplesmente tinha que tirar RG3, já que ele estava mancando. Entendo essa análise. E há a análise de quem está no campo: o atleta quer jogar, o time dele quer que ele jogue, porque sabe que ele é a melhor opção da equipe para vencer, e ele precisa mostrar que está com eles até o “fim”. É o tal exemplo. E bons exemplos são seguidos.
Não há esporte sem dor. E Griffin III jogará com muita dor até o fim de sua carreira. Que será bem longa, espero eu.
Quanto ao jogo. A pequena crítica que eu faço é que o quarterback não conseguiu ajustar seu jogo. Ele percebeu que não conseguiria correr, algo que dá uma grande dimensão ao seu setor ofensivo. Mas não foi eficiente no pocket. Normal para um calouro, que não tinha passado pela situação, e que possivelmente dedicou a maior parte do seu ano para “aprender” e comandar o “ataque móvel”. Nem é uma grande crítica, é algo que RG3 conseguirá fazer em breve, porque sabe e consegue lançar bem. Algo que Michael Vick, do Philadelphia Eagles nunca conseguiu fazer.
No presente, acho que poderemos ver esse Seahawks ainda mais longe. É uma defesa forte, que começou com problemas, e um ataque bem diversificado. Contra um time mais tradicional, como é o Atlanta Falcons, acho que o setor defensivo de Seattle vai ser ainda mais dominante. O running back Marshawn Lynch já ligou o “modo besta” e fez estragos em Washington.
É a equipe mais “quente” da NFL. E isso faz muita diferença nesta fase. Atlanta não é uma moleza, fez uma grande campanha, mas é um time que ainda não provou em pós-temporada. Tem capacidade de fazê-lo agora, mas Seattle é muito bom time. E mostrou isso contra o Redskins.
Como o assunto contusão tomou boa parte deste post, falemos agora sobre Ray Lewis. Muita emocionante as homenagens da torcida do Ravens para o maior ídolo da história da (jovem) franquia, que se “despedia” de casa. Em seu último jogo em Baltimore, o linebacker jogou muito, mesmo com a limitação no braço – que impediu uma interceptação fácil. Ele foi o atleta que mais deu tackles na vitória sobre o Indianapolis Colts. Uma estatística bem interessante.
A defesa do Ravens jogou bem. Foi competente ao marcar o bom ataque do Indianapolis Colts.
O ataque de Baltimore teve altos e baixos. Como quase sempre, aliás. Joe Flacco é o primeiro quarterback da história a vencer em playoffs por cinco temporadas consecutivas. Um grande número. o quarterback fez uma partida razoável e mostrou que a dupla com Anquain Boldin – o melhor do ataque, na minha opinião – está afiada. E isso pode ser a diferença, mesmo com um desafio muito duro contra o Denver Broncos nesta semana.
Ray Rice sofreu dois fumbles. Os dois únicos da temporada. E olha que Rice carrega muito a bola, além de dar opção ao jogo aéreo. Aposto que não vai acontecer de novo, o quê é mais uma boa notícia para o Ravens.
Ao Colts, muito a comemorar. Depois de um ano pífio, apostou em Andrew Luck no lugar de Peyton Manning. O calouro foi muito bem. E parece ser o futuro da franquia. Um ótimo futuro, aliás.
Aos amigos, uma boa notícia: 100% de aproveitamento nos palpites até aqui. Esta semana tem mais.
Twitter: @thiago_perdigao





















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