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NFL: um campeão mais do que especial!

por Thiago Perdigão em 09.fev.2012 às 19:32h

Mark Herzlich não jogou no último domingo. Não esteve em nenhum dos snaps do Super Bowl em Indianápolis. Mas participou de 11 jogos na campanha vencedora do New York Giants. É, portanto, um dos jogadores campeões da NFL. Não é uma das estrelas do time comandado por Eli Manning. Não tem o brilho de defensores como Justin Tuck, Jason Pierre-Paul e Osi Umenyora. Mas precisa ser lembrado. Merece a comemoração pela conquista.

Herzlich posa com a torcida do Giants ao fundo durante a festa do título do Giants (Foto: Reprodução do Twitter)

A alegria de Herzlich é muito maior do que a conquista de um anel. Em 2009, ele foi diagnosticado com um raro tipo de câncer no osso: um sarcoma de Ewing, que pode causar até necrose no tecido e perda do osso. Geralmente, o tratamento consiste em quimioterapia e uma cirurgia, que remove o local do câncer, substituindo-o por placas. Mark preferiu a radioterapia ao invés do procedimento cirúrgico, já que com ele nunca mais voltaria a jogar futebol americano.

No fim de 2009, anunciou que estava curado. Voltou a jogar em 2010, no Boston College, ainda uma equipe universitária. Jogou todos os jogos da temporada, teve um desempenho regular. Antes da doença, era cotado para ser escolhido ainda na primeira rodada do draft da NFL. Acabou não sendo escolhido, mas ganhou a chance de jogar na principal liga do futebol americano. Chance dada pelo Giants.

Fez uma pré-temporada razoável, conseguindo até uma interceptação na partida contra o Chicago Bears. Ficou no elenco para a temporada, mas jogou a maioria do tempo no time de especialistas. Algo normal para um calouro. O técnico Tom Coughlin costuma dizer que espera alguma contribuição imediata dos atletas escolhidos nas três primeiras rodadas do recrutamento em seu primeiro ano de NFL. Herzilch nem foi draftado…

Victor Cruz, outro que viveu situação semelhante, brilhou este ano, mas na temporada de calouro ficou na lista de contundidos e nem jogou na temporada regular.

Herzilch teve a chance de atuar. Com as seguidas contusões dos linebackers titulares, o calouro acabou ganhando sua chance. No dia 21 de novembro, foi titular na derrota para o Philadelphia Eagles por 17 a 10, em Nova York.

- Quando começou a tocar o hino nacional, fechei meus olhos e pensei: ‘isto está acontecendo mesmo’. Era isto que estava esperando a minha vida toda, somente uma chance – afirmou na época.

Jogou apenas mais um jogo, a também derrota para o New Orleans Saints, por 49 a 24. Depois uma grave lesão no tornozelo, até conseguiu voltar aos treinos durante os playoffs, mas não voltou a jogar até o fim da temporada.

Mas viajou com o time para Indianápolis, já que estaria liberado para atuar caso fosse preciso. E na chega a cidade, na segunda-feira antes do jogo, postou uma grande frase no Twitter, daquelas que inspiram qualquer pessoa:

“Há dois anos, foi dito a mim que eu poderia nunca mais andar. Agora, acabei de sair do avião andando do avião em Indianápolis para jogar o Super Bowl. Pega essa, maldito câncer.”

Recebeu apoio de muita gente, claro. Inclusive do ciclista Lance Armstrong, que também teve que parar de competir por um tempo graças a um câncer, mas no testículo. Assim como Herzlich, Armstrong retornou às disputas e venceu o Tour de France, o mais famoso do mundo, sete vezes.

“Este foi apenas um tweet sobre algo que, realmente, estava pensando naquela hora. É muito legal ver como cheguei tão longe e desabafei.”, escreveu Herzlich no microblog.

- Obviamente, está é uma grande história de perseverança. Uma das maiores histórias que eu jamais escutei. Ele é uma grande inspiração para muitas pessoas e estou feliz por ele ter tido uma nova oportunidade de jogar e perseguir o seu sonho. Deus deu a ele essa oportunidade – afirmou o linebacker Chase Blackburn, antes da final.

Blackburn foi o grande pilar da “transformação” da defesa do Giants na segunda metade da temporada. Dispensado antes do começo do campeonato, não conseguiu emprego em outro time e quase virou professor. Após justamente a contusão no tornozelo de Herzlich, foi chamado de volta pela equipe de Nova York, ganhou a posição e se transformou em um grande líder do setor defensivo. E ainda interceptou Tom Brady no Super Bowl…

Após o título, a comemoração de Herzlich foi uma das mais emocionadas. Ele pouco falou. Mais tarde, no twitter (@MarkHerzlich), postou muitas fotos e vídeos da comemoração do Giants após o título. Vale conferir.

O esporte é feito, sobretudo, de superação. E Herzlich é um campeão neste quesito.

Twitter: @thiago_perdigao

19 comentários para “NFL: um campeão mais do que especial!”

  1. André Lucas disse:

    Quando vc começou a acompanhar a NFL? E quanto tempo demorou pra vc saber quase tudo sobre o esporte?

  2. Thiago Perdigão disse:

    Não “sei tudo sobre o esporte”. Procuro estudar, já li muitos livros sobre o esporte, vi alguns filmes… Sou um interessado e fanático pelo esporte. Sou assinante de revistas americanas tb, por exemplo.
    Minha ‘história’ com a NFL começou em 91, mas só passei a acompanhar mais a partir de 98, com a internet. A partir de 2000, vi quase todos os jogos.
    Abraço

  3. André Lucas disse:

    Humm…Valeu! E uma ultima pergunta, pra qual time vc torce na NFL? Abs.

  4. Vagner disse:

    Thiago, para qual time vc torce na NFL?

  5. Rodrigo Junqueira disse:

    Thiago, Parabéns pelo blog.
    Comecei acompanhar NFL no ano retrasado e mesmo assim sem entender nada. No ano passado comecei a entender as regras, os times, muito pouco de táticas e as estrelas do esporte.
    O blog eu comecei a acompanhar quando você postou um comentário sobre cada um dos quarterbacks que estava na disputa dos playoffs e digo que foi a melhor coisa que eu fiz, pois cada jogo da pós temporada eu entendi a importância dos QB para sua equipe.
    É muito difícil conseguir informações do esporte e o blog consegue passar desde informações técnicas, táticas a informações sobre popularidade e rivalidade das equipes.
    Parabéns!

  6. Thiago Perdigão disse:

    Torço para o Giants

  7. André disse:

    Pq a Offseason da NFL é tão longa?

  8. Thiago Perdigão disse:

    Primeiro por ser um esporte de muito contato, que os jogadores precisam estar muito preparados. E, para isso, as férias são muito importantes…
    Segundo, pq as ligas americanas evitam o “confronto de datas”. O beisebol tb demora muito para voltar, por exemplo.
    Tem tb um fator q a NFL nunca vai admitir: é bom comercialmente esse tempo todo. Dá saudade do time, o torcedor qdo começa a temporada assiste a todos os jogos pq sabe q logo menos os jogos irão acabar…

  9. Emerson disse:

    Apesar do seu time ter derrotado o meu, rs, gosto muito de ler seus post no blog. Faz cinco anos que comecei a acompanhar a nfl e me apaixono cada vez mais. Neste ano assisti tanto jogos que até minha namorada teve que se render. Mas o esporte é muito bacana mesmo. A que vc atribui esse crescimento da nfl entre os brasileiros? Só o fato de mais gente estar assistindo ou a qualidade do esporte?

    Tenho uma pergunta: qual é, entre os jogadores que ainda jogam, o quarterback com maior número de touchdowns na carreira? E entre os recebedores?
    Abraço

  10. Antônio disse:

    Apagou meu post seu frango? Não aceita criticas? Vc é fraco

  11. Thiago Perdigão disse:

    Não apaguei nenhum comentário. Nem mesmo esses com palavras baixas e xingamentos idiotas…

  12. Rafael #82 Viçosa Lions disse:

    Olá Thiago! O que você acha de fazer um acompanhamento maior do brasileiro de football? E quem sabe postar dicas dos times sobre como conseguiram patrocínio, etc. Parabéns por ajudar na visibilidade deste maravilhoso esporte!
    Abraços,

    Alves #82 TE

  13. Ivan disse:

    a longo prazo voce acha que tem como as universidades brasileiras chegarem a nivel das norte-americanas em termos de esportes? Esse incentivo que eles dao desde o high school, voce acha possivel no Brasil?

  14. Thiago Perdigão disse:

    Caro Ivan,
    Nos meus tempos de faculdade (fiz Jornalismo e História), participei ativamente das atléticas e garanto a vc: NUNCA chegaremos ao que se faz nas universidades americanas. Mas acho que nunca chegaremos nem se compararmos ao esporte profissional daqui. Eu tive em duas universidades americanas e digo que a estrutura faz inveja a muito clube de futebol brasileiro, a quase todos…
    Abraço

  15. Luiz Felipe disse:

    Thiago, você tem alguma informação sobre os direitos de transmissão da próxima temporada?

  16. Thiago Perdigão disse:

    Para o Brasil? A ESPN tem o direitos exclusivos na tv fechada por mais dois anos. O Esporte Interativo ainda negocia e quer comprar os direitos para a tv aberta.

  17. Raphael disse:

    Futebol Americano é o da bola oval certo?

  18. Thiago Rievers disse:

    olá Xará.

    Nunca tinha tido contato com seu blog mas acompanho a NFL pela TV fechada e pela internet desde o inesquecível Super Bowl de fevereiro 1996 entre Packers e Steelers. Estava a toa num bar de Miami quando o mesmo foi invadido por nativos de Pittsburgh que moravam na Flórida e tinham ido ao bar para assistir a partida. Como você pode ver a NFL caiu meio de para-quedas na minha vida. Mas foi paixão a primeira vista.

    Gostaria de deixar uma sugestão. Como bem vc sabe a NFL é cheia de histórias, lendas e mitos. Então, aproveitando que vc é torcedor dos Giants e nós estamos na Off-season, pq vc não conta a história do inesquecível Lawrence Taylor ?

    Lineback dos Giants na década de 80 e que ficou conhecido como o maior defensor de todos os tempos e por ter acabado com a carreira do QB 7 Joe Theisman (desculpe se a artografia está errada) do Washington Redskins.

    Parabén pelo blog.

  19. Thiago Perdigão disse:

    Taylor é meu primeiro ídolo do futebol americano. Tenho até uma camisa dele… Gostei da sua sugestão, vou tentar mostrar alguns perfis de jogadores neste longo período sem jogos!

    Obrigado pela audiência

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