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Arquivo de fevereiro de 2012

NFL: o Super Bowl que não tem fim…

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Super Bowl já passou, o New York Giants conquistou o título e fez muita festa em seu desfile na cidade (a contagem mais otimista diz que 1,4 milhão de pessoas foram as ruas). Mas a partida do último domingo continua rendendo.

Primeiro foi a polêmica Gisele Bündchen, que antes do jogo pediu aos amigos para “rezarem por Tommy“. Comparada a Mick Jagger (por ser pé-fria) e Yoko Ono (comparando os dois casamentos) pelos torcedores do New England Patriots por conta dos últimos maus resultados da sua equipe, a modelo brasileira foi dura após mais uma derrota de seu marido, Tom Brady, para o mesmo Giants em um Super Bowl.

(Os parantêses, acrescentados depois, são apenas para “explicar melhor”, aos poucos que não entenderam…)

- Meu marido não pode lançar e receber a bola ao mesmo tempo. Não posso acreditar que eles derrubaram tantas bolas – afirmou Bündchen após a partida, lembrando principalmente de uma recepção não feita por Wes Welker antes da virada do Giants.

- Ela só tem que ficar bonita e calar a boca – afirmou o running back de Nova York, Brandon Jacobs. Mais tarde, no fim da semana, voltou atrás e pediu desculpas por seus comentários.

Rob Gronkowski, ótimo tight end do Pats, que jogou o Super Bowl baleado por conta de uma lesão no tornozelo esquerdo. Jogou a final da NFL, mas não foi tão eficiente como durante a temporada toda. Normal por conta da forte marcação. E  até esperado, já que a contusão era séria. Levando-se em conta que era o Super Bowl, que é um jogo diferentes dos normais (só o intervalo, que normalmente dura dez minutos, leva o triplo deste tempo, por exemplo), as difuldades só aumentam.

Mas após a partida, Gronkoswki acabou flagrado em uma grande festa, com direito a mulheres, alguns companheiros de time e muitas bebidas. Dançando muito e pulando, mesmo com a lesão no tornozelo. Problema que o fez operar o local nesta sexta-feira, com um tempo de recuperação de dez semanas.

- Ele desrespeitou a si próprio. Garanto que se eu, Willie McGinest, Tedy Bruschi, Larry Izzo ou Richard Seymour estivéssemos naquela festa, provavelmente teríamos ido para cima dele. Não há razão para aquilo ter acontecido – afirmou Rodney Harrison, ex- safety do Patriots, que estava no Super Bowl XLII, quando o time também perdeu para o Giants, em entrevista a ESPN 1000. (Foi em cima de Harrison que David Tyree fez a milagrosa recepção que deixou seu time perto do título)

- As duas vezes que perdi o Super Bowl (a outra foi pelo San Diego Chargers, em 1994, para o San Francisco 49ers), fiquei tão arrasado, que a última coisa que queria fazer era ir a uma festa. Isto é imaturidade, é muito errado. Ele errou e tenho certeza que já percebeu o quanto a sua atitude foi estúpida. Há lugar e tempo para todas as coisas – concluiu o ex-jogador, campeão pelo Pats em 2003.

Victor Cruz, autor de um dos touchdowns do Giants na final, ficou famoso por sua dança após os TDs anotados neste ano. Sua “end zone salsa” ficou tão na moda que rendeu ao wide receiver de Nova York um convite para o “Dança dos artistas”. Mesmo assim, o camisa 80 não defendeu seu companheiro “dançarino”.

- Ficaria no meu quarto, assistindo televisão, tentando absorver aquele momento (caso fosse uma derrota). Não é todos os dias que se chega ao Super Bowl. Alguns caras jogam por 15 ou 16 anos nesta liga e não chegam à final. Ou até mesmo aos playoffs… Provavelmente não iria para uma festa após perder aquele jogo – garantiu.

E Cruz está no centro de outra “polêmica”. Não draftado, o wide receiver acabou fechando um contrato de quatro anos por um valor bem abaixo das estrelas de sua posição, como ele foi em 2011. As 1536 jardas produzidas pelo camisa 80 custaram “apenas” 450 mil dólares, um salário muito baixo para os padrões da NFL. Na próxima temporada, serão 490 mil dólares.

- Fui um agente livre e fechei um contrato como tal. Então, não sinto como mal pago. Quer dizer, sinto que após o meu desempenho neste ano, mereço mais dinheiro a partir de agora. Mas será algo que meus agente e as pessoas que cuidam das minhas coisas irão negociar. Só quero jogar – afirmou o jogador, que já até foi chamado para uma reunião em breve.

- Este é um problema bom de resolver. Quando você vence o Super Bowl, muita gente acha que teve uma boa participação no jogo e merece mais. Significa que você ganhou. E essas negociação fazem parte do período sem jogos. Sempre há problemas contratuais nesta época. Você tem de definir com quais jogadores você vai ficar, quais vão sair – afirmou o general manager do Giants, Jerry Reese.

Outro jogador que teve grande participação no Super Bowl e ainda tem o seu futuro indefinido é o wide receiver Mario Manningham, cujo contrato acaba nas próximas semanas. Além deles, outros 17 atletas não terão mais vínculos com o Giants. E muitos deles devem sair…

E mais um envolvido no jogo do último domingo, também voltou às manchetes. Chad Ochocinco, wide receiver do Patriots, avisou: vai voltar a chamar Chad Johnson, seu “antigo” nome.

Após ter o pior ano de sua carreira e, aos 34 anos, ainda estar com seu futuro indefinido, o camisa 85 garantiu que a mudança nada tem a ver com o seu (mau) desempenho em campo. Segundo o site TMZ, o jogador vai casar neste verão nos EUA e “não quer que sua esposa tenha Ochocinco como sobrenome”.

Ainda tem mais?

Twitter: @thiago_perdigao

NFL: um campeão mais do que especial!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mark Herzlich não jogou no último domingo. Não esteve em nenhum dos snaps do Super Bowl em Indianápolis. Mas participou de 11 jogos na campanha vencedora do New York Giants. É, portanto, um dos jogadores campeões da NFL. Não é uma das estrelas do time comandado por Eli Manning. Não tem o brilho de defensores como Justin Tuck, Jason Pierre-Paul e Osi Umenyora. Mas precisa ser lembrado. Merece a comemoração pela conquista.

Herzlich posa com a torcida do Giants ao fundo durante a festa do título do Giants (Foto: Reprodução do Twitter)

A alegria de Herzlich é muito maior do que a conquista de um anel. Em 2009, ele foi diagnosticado com um raro tipo de câncer no osso: um sarcoma de Ewing, que pode causar até necrose no tecido e perda do osso. Geralmente, o tratamento consiste em quimioterapia e uma cirurgia, que remove o local do câncer, substituindo-o por placas. Mark preferiu a radioterapia ao invés do procedimento cirúrgico, já que com ele nunca mais voltaria a jogar futebol americano.

No fim de 2009, anunciou que estava curado. Voltou a jogar em 2010, no Boston College, ainda uma equipe universitária. Jogou todos os jogos da temporada, teve um desempenho regular. Antes da doença, era cotado para ser escolhido ainda na primeira rodada do draft da NFL. Acabou não sendo escolhido, mas ganhou a chance de jogar na principal liga do futebol americano. Chance dada pelo Giants.

Fez uma pré-temporada razoável, conseguindo até uma interceptação na partida contra o Chicago Bears. Ficou no elenco para a temporada, mas jogou a maioria do tempo no time de especialistas. Algo normal para um calouro. O técnico Tom Coughlin costuma dizer que espera alguma contribuição imediata dos atletas escolhidos nas três primeiras rodadas do recrutamento em seu primeiro ano de NFL. Herzilch nem foi draftado…

Victor Cruz, outro que viveu situação semelhante, brilhou este ano, mas na temporada de calouro ficou na lista de contundidos e nem jogou na temporada regular.

Herzilch teve a chance de atuar. Com as seguidas contusões dos linebackers titulares, o calouro acabou ganhando sua chance. No dia 21 de novembro, foi titular na derrota para o Philadelphia Eagles por 17 a 10, em Nova York.

- Quando começou a tocar o hino nacional, fechei meus olhos e pensei: ‘isto está acontecendo mesmo’. Era isto que estava esperando a minha vida toda, somente uma chance – afirmou na época.

Jogou apenas mais um jogo, a também derrota para o New Orleans Saints, por 49 a 24. Depois uma grave lesão no tornozelo, até conseguiu voltar aos treinos durante os playoffs, mas não voltou a jogar até o fim da temporada.

Mas viajou com o time para Indianápolis, já que estaria liberado para atuar caso fosse preciso. E na chega a cidade, na segunda-feira antes do jogo, postou uma grande frase no Twitter, daquelas que inspiram qualquer pessoa:

“Há dois anos, foi dito a mim que eu poderia nunca mais andar. Agora, acabei de sair do avião andando do avião em Indianápolis para jogar o Super Bowl. Pega essa, maldito câncer.”

Recebeu apoio de muita gente, claro. Inclusive do ciclista Lance Armstrong, que também teve que parar de competir por um tempo graças a um câncer, mas no testículo. Assim como Herzlich, Armstrong retornou às disputas e venceu o Tour de France, o mais famoso do mundo, sete vezes.

“Este foi apenas um tweet sobre algo que, realmente, estava pensando naquela hora. É muito legal ver como cheguei tão longe e desabafei.”, escreveu Herzlich no microblog.

- Obviamente, está é uma grande história de perseverança. Uma das maiores histórias que eu jamais escutei. Ele é uma grande inspiração para muitas pessoas e estou feliz por ele ter tido uma nova oportunidade de jogar e perseguir o seu sonho. Deus deu a ele essa oportunidade – afirmou o linebacker Chase Blackburn, antes da final.

Blackburn foi o grande pilar da “transformação” da defesa do Giants na segunda metade da temporada. Dispensado antes do começo do campeonato, não conseguiu emprego em outro time e quase virou professor. Após justamente a contusão no tornozelo de Herzlich, foi chamado de volta pela equipe de Nova York, ganhou a posição e se transformou em um grande líder do setor defensivo. E ainda interceptou Tom Brady no Super Bowl…

Após o título, a comemoração de Herzlich foi uma das mais emocionadas. Ele pouco falou. Mais tarde, no twitter (@MarkHerzlich), postou muitas fotos e vídeos da comemoração do Giants após o título. Vale conferir.

O esporte é feito, sobretudo, de superação. E Herzlich é um campeão neste quesito.

Twitter: @thiago_perdigao

NFL: ‘o pior Super Bowl de todos os tempos…’

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Antes de tudo, não vou fazer um “revival” da história da final da NFL. Assisti a muitos Super Bowls, mas não vi todos. Bem longe disso. Vi todas as edições do “America’s Game”, filme que a NFL Films faz em homenagem aos campeões. Mas ali é uma versão, dos vencedores, sobre a temporada como um todo.

Escrito isso, vamos ao texto. O título é irônico, claro. Não se trata do jogo em si, mas sim de uma analogia a uma situação vivida por alguns personagens que não estavam envolvidos diretamente com a disputa do último domingo. Mas que viram dois de seus maiores rivais disputando o anel de campeão.

Não deve ter sido fácil para torcedores, jogadores e comissão técnica do New York Jets…

A análise da final do último domingo, você pode ler nestes dois posts a seguir: “NFL e seu campeão: ‘Não se escreve Elite sem Eli!” e “A festa dos campeões na ‘Big Blue Apple’ e a polêmica do Super Bowl”. Para conferir, é só clicar nos títulos.

Confesso que estava “ensaiando” este post há algum tempo. Era até para ser publicado antes do Super Bowl, mas acabei não tendo tempo para escrevê-lo. Achei que não iria mais conseguir, mas a atitude do governador de Nova Jersey, Chris Christie, que preferiu ficar quieto durante toda a festa do New York Giants por conta do título da NFL, “reviveu” o assunto.

Christie é um grande torcedor do New York Jets. E nunca escondeu isso:

- Não sou daqueles políticos que ficam felizes por tudo. Tenho opinião. Torço para o Jets, não escondo isso. E hoje a festa era do Giants…

E o título do “Big Blue” machucou mesmo o torcedor do Jets. Isso ficou claro. Desde antes da partida, já quando o Super Bowl foi definido.

Apesar de “dividirem” a mesma cidade, as duas equipes nunca foram grandes rivais. Mas o clima “esquentou” de vez quando o técnico Rex Ryan assumiu o comando do time verde, no começo da temporada de 2009.

Na ocasião, prometeu um título em pouco tempo. Depois, falastrão como gosta de ser, disse que o Jets era o grande time de Nova York. Não vou julgar se Ryan está certo ou não, mas a verdade é que em número de torcedores e títulos, o Giants está a frente.

A rivalidade “cresceu” esse ano, semanas antes do duelo entre as duas equipes na véspera do Natal. Ryan apelou para o jogo psicológico, mandou tapar os, à época, três símbolos dos Super Bowls vencidos pelo Giants no Met Life Stadium, já que o mando era do Jets. E foi além: Plaxico Burress, que nem era capitão de fato, foi escolhido como o único jogador a ir para o “cara ou coroa”, já que era ex-jogador do rival. Além de por um foto de Eli Manning sangrando após ser atingido em um duelo de pré-temporada, na capa do playbook para o jogo.

O Giants venceu e começou sua arrancada que terminou com o título. Na saída, sobraram xingamentos direcionados ao treinador do Jets, chamado de “gordo”. Brandon Jacobs trocou farpas mais duras e o mandou “calar a boca”.

Para piorar, o Jets, cotado como um dos favoritos a lutar por uma vaga no Super Bowl, nem chegou ao playoff. E para piorar viu o New England Patriots, seu rival de divisão e a quem gostaria de “destronar”, também chegar à final.

O “desespero” de Ryan foi tão grande que ele mesmo admitiu que torceu para o Baltimore Ravens na final da Conferência Americana, vencida pelo Pats. Até previu uma vitória do Ravens. Errou de novo.

E ainda o torcedor do Jets teve de ver o wide receiver Plaxico Burress mudar sua foto do perfil no Twitter para uma dele com a camisa do Giants. Isto, às vésperas do Super Bowl. E ele mesmo admitiu que era para “dar uma força para seus ex-companheiros”.

Como escrevi acima, o Jets não é o maior rival do Giants. Por conta da divisão da NFL, as equipes só se enfrentam de quatro em quatro anos – isso se não jogarem o Super Bowl, algo que nunca aconteceu. É bem verdade que duelam sempre nas prés-temporadas, mas ali o jogo pouco vale. Eagles e Cowboys, por exemplos, são mais “odiados” pelos torcedores do atual campeão do futebol americano.

Mas não sobraram “lembranças” para o time comandado por Ryan. Justin Tuck e companhia aproveitaram para avisar: “Esta é a cidade do Giants”.

O Jets foi campeão do Super Bowl muito antes do rival, na terceira edição do jogo, em 1969. Depois disso, nunca mais. O Giants venceu o primeiro em 1987, válido pela temporada de 86, o de número 21. Desde então, foram mais três títulos (90, 2007 e 2011) e um vice (em 2000).

O Patriots “dominou” o século. É o único time a vencer três Super Bowls nele (2001, 2003 e 2004) e foi vice duas vezes (2007 e 2011). Além disso, já esteve em outras duas (1985 e 1996).

Ou seja, Rex Ryan precisa falar bem menos…

Aproveito o post para fazer “uma propaganda” do meu anterior, quando tratei da maior polêmica do Super Bowl do último domingo, o touchdown de Ahmad Bradshaw. Infelizmente, ele acabou tendo menos audiência porque ficou “escondido”. Gostaria da opinião de vocês: o running back do Giants acertou ou errou? A minha opinião, está no texto. Prestigiem.

Twitter: @thiago_perdigao

A festa dos campeões na ‘Big Blue Apple’ e a polêmica do Super Bowl…

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Jogadores do Giants na 'chuva de papéis' durente o desfile em Nova York (Foto: Reuters)

A expectativa é de ter “chovido” 40 toneladas (!!!) de papéis picados no “Canyon of heroes”, o “cânion dos heróis”, em uma tradução bem livre. Foi por ele que, por exemplo, passaram os veteranos da Segunda Guerra Mundial após o fim dela em 1945. Na ocasião, a festa muito mais relevante (muito mesmo) rendeu mais de 5 mil toneladas de papéis. Agora, os homenageados, foram os campeões da NFL, o New York Giants.

A celebração desta terça-feira foi muito grande. Em pleno dia de trabalho, 1 milhão de pessoas estiveram no “Canyon of heroes”. No MetLife Stadium, última parada da celebração, 45 mil torcedores. E esta foi a primeira festa no novo estádio, já que as três anteriores (1986, 1990 e 2007) foram no antigo Giants Stadium.

E as festividades começaram cedo. Desde as primeiras horas do dia, as pessoas começaram a se concentrar no local. Todos os jogadores foram ovacionados.

Mas, no começo da parada, se escutou algo parecido com uma vaia. Na verdade, era o famoso “Cruuuuuuuuuuz” em homenagem ao wide receiver Victor Cruz, um dos jogadores mais carismáticos e queridos desta equipe.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, definiu bem o que foi a festa. Deu a chave da cidade para o time e renomeou o famoso apelido da cidade, que agora é a “Big Blue Apple”. Big Blue é como o time é chamado por sua torcida.

Este foi o segundo desfile do Giants pelo “cânion dos heróis”, o primeiro foi em 2008. E pela segunda vez o Troféu Vince Lombardi foi apresentado aos fanáticos torcedores pelo quarterback Eli Manning, o úinico jogador da posição a conseguir dois anéis de Super Bowl pela franquia.

- A chave de tudo é se lembrar disso: todas as coisas são possíveis para quem acredita. E nós sempre acreditamos – afirmou o técnico Tom Coughlin, outrora criticados pelos torcedores, mas que agora é mais do que unanimidade. Pelo menos, até setembro, quando os jogos voltarem.

CLIQUE AQUI E VEJA AS FOTOS DO DESFILE

Apenas uma pessoa ficou quieta durante a festa: o governador de Nova Jersey, onde fica o estádio, Chris Christie, notório torcedor do New York Jets. Com certeza, foi melhor ter ficado calado mesmo…

Vou aproveitar este post para discutir a jogada mais importante do jogo do último domingo. O touchdown marcado por Ahmad Bradshaw, com pouco mais de um minuto para o fim do jogo. Alguns comentaristas disseram que o Giants errou no lance. Eu discordo veementemente.

A ordem de Bill Belichick, técnico do New England Patriots, foi para que a defesa abrisse o espaço. Para ele, e concordo, era a única chance de o time ter a oportunidade de receber a bola com tempo para virar o jogo. Em uma situação “normal”, o Giants conseguiria gastar o tempo restante e chutaria o field goal com o tempo estourado.

Mas com a “arriscada” de Belichick, o Giants não poderia ter feito outra coisa a não ser o touchdown. Não se pode desprezar uma chance de pontuar, de virar o Super Bowl com menos de um minuto para o fim dele. Mesmo dando uma chance ao adversário. Já pensou se Bradshaw ajoelha na linha de uma jarda e depois o time não consegue a pontuação? Seria como driblar o goleiro e esperar pelo pênalti…

Um field goal também tem a sua “emoção”. A bola viaja oito jardas para trás, o holder a segura, às vezes precisa girá-la para os laços ficarem para frente e ainda o kicker precisa acertar o Y. Há a (remota) chance do bloqueio… É uma jogada muito trabalhada, que sai quase automaticamente. Mas tem aquela pequena possibilidade de erro. Ainda mais com a pressão da final. No lance de Bradshaw essa possibilidade era zero.

Manning e Coughlin confessaram que durante a partida gritaram para o camisa 44 do Giants não marcar aqueles pontos. Depois, nas entrevistas após o fim do jogo, admitiram que a “decisão” de seu running back foi a mais acertada.

Alguns leitores poderão perguntar: você teria a mesma opinião caso o Patriots tivesse virado o jogo? Sim, teria. Como escrevi acima, não se pode desperdiçar uma oportunidade de marcar em uma situação como aquelas. Mesmo com a qualidade de Tom Brady, que tinha condições de conseguir o touchdown decisivo. Mas a defesa do Giants, que foi tão bem durante os playoffs, não “venderia” barato aquela virada. Como aconteceu…

Neste link, a música cantada pelos jogadores do Giants em celebração ao título: “We got a ring!” (Nós temos um anel!”).

http://www.giants.com/media-vault/videos/We-got-a-ring/c0ca9aeb-8af9-4be6-b65d-59ce13269c57

Twitter: @thiago_perdigao

NFL e seu campeão: ‘Não se escreve Elite sem Eli…’

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Eli levanta o Troféu Vince Lombardi: 'bicampeão' (Foto: Reuters)

“Não se escreve Elite sem Eli.” Essa é a frase do ano da NFL.

Ano que “começou” estranho com dias e dias de ansiedade por conta da grave dos jogadores. Depois, seis meses de (grandes) jogos. A temporada não é longa e todos sonham com o Super Bowl. Mas quando a final chega, ela acaba muito rápido. E aí a coisa piora: mais meio ano de espera para a bola começar a voar de novo…

Essa tristeza aumenta ainda mais depois de um jogo como o do último domingo, em Indianápolis. Do tipo de partida que faz este blog repetir o desafio: “assista a um bom jogo de futebol americano e não há possibilidades de você não se apaixonar pelo esporte”.

O “dejá blue”, com o perdão do trocadilho, continuou mesmo até a final. Como escrevi em outros posts, as semelhanças entre a temporada de 2007 e a deste ano para o New York Giants foram tantas que não tem nem como enumerar todas (escrevi algumas aqui).

E a final contra o New England Patriots foi quase uma cópia daquele 3 de fevereiro de 2008 em Glendale, Arizona. Quase, porque o Super Bowl deste ano foi melhor do que aquele. Tecnicamente, sem dúvidas. Emocionalmente, bem perto. A única diferença é que a vitória do Giants da outra vez foi a maior zebra da história da NFL. Desta vez, foi um triunfo “normal”.

Foram 111.3 milhões de telespectadores que assistiram ao jogo somente nos EUA. Um recorde histórico. Não há como medir a audiência global, mas fazendo uma projeção dá para se imaginar que a quantidade total é muito maior que essa.

Eli Manning, mais uma vez, foi o “cara”. Se ainda havia alguma dúvida sobre ele, ela acabou de vez no domingo. Aqui, neste espaço, sempre o defendi. Muitas vezes fui cornetado, chamado de “torcedor”. E realmente sou. Torço para o Giants desde 1991, estou feliz com a vitória, mas neste BLOG a paixão pelo time sempre ficou de lado. A paixão pelo esporte, não.

E Tom Brady também jogou muito bem. Fez neste ano, o esperado para 2007 e que ele não conseguiu fazer… Sofreu pressão, mas não se abateu, como costumava acontecer. Teve uma atuação em alto nível. Mas quase sempre foi difícil passar pela defesa do Giants, que foi quase perfeita.

E é este ponto que foi fundamental para Nova York ser tetracampeã do Super Bowl: plano de jogo. Tom Coughlin, que foi criticado até por alguns jogadores, conseguiu fazer com que a sua equipe fizesse o que foi planejado. E isso é um grande mérito. Era esperado que New England conseguisse muitas jardas, que fosse para o passe em muitas jogadas. A defesa se preparou. Não conseguiu pressionar Brady como fez em outras vezes, mas quase não errou.

E o Giants começou com tudo, com aquele safety logo na primeira jogada de ataque do Patriots. Algo tão raro que um americano levou 50 mil dólares por apostar que a primeira pontuação da final seria com um safety. Nova York começou melhor, abriu 9 a 0, mas o Pats foi forte virou para 10 a 9, com Brady em grande momento.

Mas o camisa 12 de New England já havia avisado durante a semana… Não queria que Eli estivesse com a bola nos últimos minutos do jogo. Manning é de outro mundo nesta situação. E foi de novo. Com aquela calma peculiar e uma recepção incrível de Mario Manningham (alô ESPN…) e um touchdown no fim. TD que rendeu discussões nesta segunda. Na minha opinião, naquela situação, não tinha como Ahmmad Bradshaw evitar a entrada na end zone. Um field goal, gastando mais o tempo, seria mais prudente. Mas não se pode desprezar uma chance de pontuar. Vai que acontece algo no chute…

Brady ainda tinha um minuto para virar o jogo e se vingar de 2007. Se igualar a lendas como Joe Montana e Terry Bradshaw, ambos com quatro títulos de Super Bowl. Mas parou, parte na defesa do Giants, parte nos erros dos seus próprios recebedores. Como Wes Welker, que deixou uma bola fácil cair, pouco antes da virada.

O coração deste que vos escreve ainda parou naquele último “hail mary”, desviado por Kenny Philipps e ainda deu possibilidades a Aaron Hernandez receber…

O Giants deste ano foi o time de pior campanha em uma temporada regular a ser campeão da NFL. E isso é incrível. Nova York não foi consistente durante todo o ano. Perdeu jogos contra adversários fracos e alternou bons e maus momentos. Mas cresceu na hora certa.

Grande parte deste sucesso fica na conta de Eli Manning, o único quarterback da história do Giants a ter dois anéis de Super Bowl. E agora espero que parem as crueis e desnecessárias comparações com o irmão Peyton.

Ainda não revi o jogo e acho que não vale uma análise agora do que aconteceu. É hora de reverenciar os dois times. Este foi uma das melhores edições de Super Bowl da história. É verdade que não vi todos as final, mas garante que já assisti a boa parte delas…

A temporada em campo acabou em grande estilo e gostaria de agradecer a todos pelas mensagem e comentários recebidos durante todo este ano de futebol americano. Ainda quero “revisar” 2011 e prometo que nos próximos dias vou publicar algumas histórias e análises sobre este ano.

Nesta terça-feira, no dia do desfile dos campeões, uma homenagem ao Giants.

Antes de me despedir, gostaria também de elogiar alguns parceiros de cobertura de futebol americano na internet. O Giants Brasil (www.giantsbrasil.com.br) foi o primeiro a me ceder o seu espaço para um texto, ali sim com paixão por apenas um time. O The Concussion (http://www.theconcussion.com/) também me deu oportunidade de publicar. O NFL de Boteco (www.nfldeboteco.com.br) que me convidou para o “Boteco Live” um podcast ao vivo muito legal sobre NFL com pessoas que realmente entendem do assunto. Entre eles o NFL Brasil (http://nflbrasil.net/), outro site de grande qualidade.

E também lembrar que o Super Bowl XLVI foi importante pela entrada do Esporte Interativo. Transmissão de qualidade em televisão aberta, chance de mais gente acompanhar a NFL. E claro que não podia deixar de lembrar da ESPN, mas uma vez muito competente e que deu a oportunidade a muita gente de assistir mais e mais jogos. Cobertura que nenhum canal, nem nos EUA, consegue fazer, já que lá os direitos são divididos.

Twitter: @thiago_perdigao

NFL: meus palpites para o Super Bowl! E aí, quem leva?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Nenhum Super Bowl foi tão surpreendente como o XLII. É difícil dizer qual foi o melhor, o mais disputado, o mais interessante… Tudo é Super quando se trata da final da NFL.

Mas é difícil negar que o resultado da final entre New England Patriots e New York Giants no dia 3 de fevereiro de 2008 “chocou o mundo”. Aquele Pats parecia e foi imbatível até a decisão. Mas o Big Blue foi valente, jogou com muita garra, foi técnico quando precisou, e venceu.

Aquele resultado ficou “entalado” para torcedores, jogadores, comissão técnica e dono da equipe de New England. Tom Brady já admitiu que não gosta nem de lembrar do duelo em Glendale. Já escrevi um post sobre isso recentemente e você pode conferir aqui.

No reencontro das equipes em um jogo “valendo” foi neste ano. E o Giants venceu de novo… (também escrevi sobre este jogo)

Agora, Giants e Patriots voltam a se enfrentar em uma final. Daqueles roteiros dignos de filmes americanos. O Super Bowl, já gera muito interesse – cada 30 segundos de comercial, todos vendidos com muita antecedência, custaram US$ 3,5 milhões, um recorde – , e neste caso é ainda maior.

Na minha opinião, o Pats leva um ligeiro favoritismo. O momento do Giants é muito bom, mas o time oscilou muito durante o ano. Perdeu, por exemplo, dois jogos para o Washington Redskins, um time muito fraco. Pela consistência, acredito um pouco (bem pouco) mais em New England.

Mas o Patriots tem um grave problema: Rob Gronkowski. O tight end sofreu uma grave torção no tornozelo esquerdo e ainda é dúvida. Vai jogar, tenho certeza. E só a presença dele já ajuda, porque cria preocupação para o Giants. Mas precisamos lembrar alguns detalhes do Super Bowl: por conta do show, o intervalo é muito maior do que o normal, o que “esfria” o jogador. Um atleta, no sacrifício, sofre ainda mais quando perde o aquecimento…

E é esse duelo no meio de campo que pode decidir o Super Bowl. A defesa de Nova York, que cresceu muito durante os playoffs, vai pressionar Tom Brady com a sua forte linha defensiva. Essa é a vantagem do Giants: consegue chegar ao quarterback rival sem precisar das blitzes dos linebackers, conseguindo, assim, povoar a região do campo que o Pats mais tem aproveitado, com Gronkowski e Aaron Hernandez, muito bem (aqui mais análise sobre o Pats).

A defesa do Pats, muito criticada durante o ano, tem jogado melhor. E ainda conta com um trunfo: Bill Belichick, técnico principal, mas que durante muitos anos foi coordenador defensivo. E um grande treinador de defesas. Campeão pelo Giants em 1990, time que conseguiu parar o grande ataque do Buffalo Bills, com uma ousada tática de deixar espaços para alguns jogadores do rival.

Eli Manning, que “apanhou” muito contra o San Franciso 49ers, vai sofrer pressão. Ruim para o quarterback do Giants. Mas, diferentemente do rival Brady, Manning não se abala muito em ser pressionado. Bom para o ataque nova-iorquino.

Enquanto a “chave” para o Pats no meio de campo, o Giants vai explorar os passes longos. Nova York “mudou” este ano. Tradicionalmente um ataque terrestre, a equipe agora é uma daquelas que lançam mais a bola. Pudera, com um trio de wide receivers do talento de Hakkem Nicks, Victor Cruz e Mario Manningham. E ainda a esperança de Jake Ballard voltar a atuar no mesmo nível do começo da temporada…

A confiança do Giants chamou a atenção. Não li nenhum jogador falando em “surpresa”, como era há quatro anos. Agora o discurso é de vitória. É o reflexo de um time que venceu o Green Bay Packers e o 49ers, muito favoritos nos confrontos anteriores.

O torcedor do “Big Blue” se apega à superstição. A campanha deste ano é muito parecida com a de 2007. Adversários iguais: Packers e Patriots, situações parecidas como vencer o time de melhor campanha no segundo jogo de playoffs e o de segunda melhor campanha na final da Conferência, com um Field goal na prorrogação… E ainda o Super Bowl com camisas brancas.

Mas a verdade é que a situação deste ano é bem diferente. Ali, o Giants era totalmente desacreditado. Sem qualquer pressão pela vitória. O Patriots de 2007 era muito melhor do que o deste ano e o time de Nova York era pior do que o de 2011.

A defesa era o ponto forte do Giants. O ataque ainda era desacreditado por conta dos altos e baixos de Eli Manning. Hoje o camisa 10 já é considerado elite e pode ser o primeiro quarterback de Nova York a vencer dois Super Bowls. Já o primeiro que disputará duas vezes o jogo. O ataque é o ponto alto deste time. Com jogadas longas, pelos cantos, como era a especialidade do Pats. Em que pese que o setor ofensivo daquele New England era muito melhor.

Brady disputa agora seu quinto Super Bowl. Já se igualou a Joe Montana com mais vitórias em pós-temporadas. Pode ganhar seu quarto título, outro recorde que Montana possui. O Patriots não tinha nenhum título antes da era Brady… Agora é o protagonista da última dinastia da NFL, na década passada.

O jogo neste domingo começa às 21h29. Vou comentar a partida via Twitter (@thiago_perdigao). Neste domingo, o diário LANCE! publicou uma página dupla sobre o Super Bowl. Não deixem de conferir também no LANCENET!.

Meu palpite para o jogo? Giants, apesar do favoritismo do Patriots. De novo…

Twitter: @thiago_perdigao

Super Bowl: uma transmissão com ‘nova’ personalidade

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A primeira vez que assisti a um jogo de futebol americano foi na Bandeirantes, no começo da década de 1990. Agora, a NFL está de volta à televisão aberta: o Esporte Interativo transmite o Super Bowl neste domingo.

E a estreia sempre traz aquele “frio na barriga”. Mas o canal fez a lição de casa e se preparou para o jogo entre New England Patriots x New York Giants. Um novo estúdio foi construído apenas para o Super Bowl. E a promessa é de supresas para os amantes do futebol americano.

A ideia é tentar mostrar todos os detalhes da partida, sem imagens de outros jogos. Nos intervalos sem comerciais, narrador e comentaristas vão estar ao vivo. O show do intervalo, conduzido pela cantora Madonna também será transmitido.

 

E o EI quer mais: o objetivo é tentar manter a NFL na sua programação. Ainda não há uma negociação, mas faz parte dos sonhos da emissora, que já transmitiu a NBA. O basquete também está em pauta.

Mas o assunto é o Super Bowl. E para falar sobre como será esta NFL na televisão aberta tive uma conversa muito boa com o narrador André Henning, que morou nos Estados Unidos nos ano 90 e foi lá que conheceu o esporte.

- Morei em Maryland. Como era perto de Washington, acabei torcendo para o Bullets (atualmente Wizards) e o Redskins. Foi exatamente no ano que o Redskins foi campeão, em 92. Gostava muito de beisebol, mas ainda não existia time em Washington. Então torcia para o Orioles, ia para Baltimore assistir aos jogos – contou ao Blog.

A empolgação para o Super Bowl é evidente. E isso anima a qualquer torcedor do futebol americano.

Como já escrevi outras vezes, na MINHA opinião, quanto mais jogos forem transmitidos, nos mais diversos canais, melhor para o esporte. O monopólio é ruim. É bem verdade que a ESPN fez muito bem para o futebol americano, trouxe muita audiência, apresentou a NFL a muita gente. Mas no Brasil a parcela da população que tem acesso ao canal ainda é muito baixa. E tem também os que simplesmente não gostam da ESPN… Enfim, a chegada do Esporte Interativa é muito boa para todos os amantes da Liga.

Mas há um desafio a cumprir: como fazer a transmissão ser interessante para os novos no esporte e para os que já conhecem?

- Vamos fazer uma transmissão com a nossa cara. Com o nosso DNA. E já começamos com o Super Bowl, um evento gigantesco, o que é ótimo. A expectativa é muito grande. Mas vamos criar algo com personalidade. Apresentar o esporte a quem nunca viu, ou não vê há muito tempo, que era aquele público da Bandeirantes, e fazer quem conhece se divertir – explicou Henning.

E para manter os “curiosos” ligados nesta nova maneira de acompanhar a NFL, uma “tática”:

- Apresentar o jogo é o mais importante. É como um filme, que você nunca ouviu falar: o começo, os atores que participam, tudo aquilo define se o telespectador vai ficar ou não assistindo… E temos que fazer isso. Não posso começar uma transmissão de NFL falando daquelas mil estatísticas. Vamos ambientar o telespectador. Vamos contar coisas curiosas. Depois, podemos dar algo mais específico. Temos que dar a nossa cara – afirmou André.

O EI programou uma promoção no perfil do canal no Facebook. O vencedor viajará para a cidade do time vencedor: Boston ou Nova York.

Depois do anúncio da transmissão da finalíssima da NFL, Henning passou a acompanhar mais o esporte. Horas e horas em frente à TV, assistindo o máximo possível dos jogos. Para a final, um palpite:

- Comecei a assistir mais no fim da temporada regular, início dos playoffs. Quem me chamou a atenção foi o Giants. Até conversei com o pessoal da TV que acompanha mais a NFL e ‘apostei’ no Giants. O time estava arrumadinho, vencendo… O pessoal não botava muita fé, porque o time foi irregular, mas cresceu na hora certa.

Não gosto de ser piegas, nem sou de fazer entrevistas com jornalistas, mas acho que esse papo mereceu um post. Desejo boa transmissão ao André e toda equipe do Esporte Interativo.

Twitter: @thiago_perdigao

NFL: até mulher de Brady pede ajuda para ‘vingança’ contra o Giants

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tom Brady é o jogador mais vencedor que estará no campo do Lucas Oil Stadium no próximo domingo. Empatado com o lendário Joe Montana em número de vitórias em playoffs, com 16, pode ainda chegar a quatro títulos, se igualando ao quarterback que fez história pelo San Franciso 49ers e, para muitos, o maior quarterback de todos os tempos.

Minha opinião sobre Brady está neste link (clique aqui). Para mim, o camisa 12 do Patriots foi o melhor jogador da NFL da década passada. Com os anos, parecia ter perdido um pouco da sua “vontade de vencer”. Há dois anos, em uma derrota para o Baltimore Ravens nos playoffs, o quarterback pouco reagiu enquanto via seu time perder.

Mas tudo mudou em 2011? Sinceramente, não vejo muitas mudanças em Brady. Ele continua sendo o jogador espetacular que sempre foi. E continua não gostando de “apanhar”. É uma característica: seu jogo cai quando é pressionado. O difícil, para qualquer rival, é conseguir fazer isso. Muito rápido e inteligente, o camisa 12 costuma se aproveitar das blitzes adversárias.

- Nas derrotas para o Giants segurei demais a bola. Temos que lançar com rapidez contra o Giants. Esse é o segredo – afirmou.

Agora, Brady tem, talvez, sua última revanche. Se deu bem na maioria dos duelos que fez contra Peyton Manning, o outro QB de “outro mundo” de sua época. Pelo menos foi assim na grande parte dos duelos mais decisivos.

Mas Eli, o irmão mais novo, ficou “na garganta” de Brady. A vitória no Super Bowl XLII não fez bem para o quarterback do Patriots que admite “que nunca viu os melhores momentos daquela partida”. Uma derrota é normal para qualquer esportiva, até para os mais vencedores como é o camisa 12 de New England.

A verdade é que o jogo de 2008 (válido pela temporada de 2007), era o “mais ganho” entre todas as finais disputadas para Brady. Nenhuma equipe da NFL jogou como aquele Patriots. Recordes e vitórias em sequência. Parecia imparável…

Tanto que a modelo brasileira Gisele Bundchen, mulher de Brady, fez uma promessa “inusitada”: sairia nua pelas ruas de Nova York caso New England perdesse. A rivalidade entre as cidades geram coisas como essa. Mas o resultado não foi o esperado. E para os fãs da brasileira, nem adianta procurar, já que ela não cumpriu a promessa, para desgosto de muita gente.

Bundchen, agora, pegou mais leve. Sabe que o jogo é muito importante para o marido. E a FOX americana provou o quanto. Nesta quinta-feira, a rede de notícias americana, divulgou um e-mail que foi mandado pela brasileira para seus amigos e familiares mais próximos. Aqui, trecho da mensagem publicada no site do grupo:

“Meus queridos amigos e familiares. Este domingo será um dia muito importante na vida do meu marido. Sinto que Tommy realmente precisa de nossas preces, nosso amor e nosso apoio neste tempo. Ele e o seu time trabalharam muito para chegarem a esse pontos e agora eles precisam da gente mais do que em qualquer outro momento para lhes enviar energias positivas e eles conseguirem realizar o sonho de vencer esse Super Bowl. Então, peço encarecidamente para todos vocês se juntarem a mim nesta corrente positiva de orações para ele. Para que ele possa se sentir confiante, saudável e forte. Prevejo ele feliz e completo junto com uma vitória deste time no domingo. Agradeço pelo seu amor e apoio. Com amor, G :) .”

É claro que a brasileira não esperava que algum jornalista recebesse esse e-mail. Mas nele é possível perceber o quanto a partida deste domingo é importante para Brady.  Em entrevista a ESPN brasileira disse que esperava pelo “apoio dos brasileiros”.

- Toda derrota machuca. Quando perdemos para o Colts na final da Conferência Americana, aquilo nos machucou bastante. Ano passado perdemos para o Jets e aí você vê outros times avançando e você fica em casa, tudo isso é um saco. Você tem que deixar passar e usar essas oportunidades. Acho que este time fez isso. Somos um time com mentalidade forte. Esta é uma qualidade deste time – afirmou.

Nesta quinta-feira, uma boa notícia para Brady: o tight end Rob Gronkowski, que se recupera de uma forte torção no tornozelo esquerdo, treinou pela primeira vez. É dúvida, mas deve jogar. Mas vai continuar como dúvida até o jogo, tática do técnico Bill Belichick, mestre neste tipo de “mistério”.

Twitter: @thiago_perdigao

NFL: o Super Bowl e (mais uma vez) a camisa 85

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Qualquer envolvido em esporte é supersticioso. Uns mais outro menos… Eli Manning, no filme America’s Game feito por conta do título do New York Giants se define como “littlesticious”, um trocadilho com o “super” da palavra original.

Por mais que se negue, como eu por exemplo, a verdade é que os torcedores também têm seus rituais. Usar a mesma camisa após uma vitória importante, sentar no mesmo lugar do sofá… Enfim, são inúmeras. Das mais diferentes formas.

O Giants, por exemplo, viajou para Indianápolis, local do Super Bowl deste domingo, apenas na última segunda-feira. Apesar de o técnico Tom Coughlin dizer que foi por conta da programação, ele deixou escapar que “fez isso este ano porque em 2008 foi assim também e deu certo”.

Os jogadores do New England Patriots também têm os seus rituais. Mas preferem “se esquivar”. Durante a Super Semana, a ordem é evitar qualquer tipo de polêmica.

Toda essa conversa de superstição é para remeter à temporada de 2007. Para os torcedores do Giants, muito semelhante a essa. Altos e baixos, classificação heróica, uma incrível caminhada nos playoffs, batendo os dois times de melhores campanhas na Conferência Nacional fora de casa. Um deles, o Green Bay Packers. Agora, no Super Bowl, o adversário mais uma vez é o New England Patriots…

O Pats que, apesar de não com os mesmos números, fez a melhor campanha da Conferência Americana. Não venceu todos os jogos, é verdade, mas foi o “campeão” da temporada regular. Teve dificuldades na final de Conferência, mas passou. E agora pega o Giants, de olho na revanche…

E falando em Super Bowl XLII, não dá para esquecer de David Tyree e sua camisa 85. O wide receiver do Giants, que jogou durante quase todo ano nos special teams, fez quatro recepções na temporada regular, para 35 jardas. Fez, pelas palavras de vários jogadores de Nova York, “o pior treino da história” na sexta-feira pré-final.

Mas quem não lembra do 85? Pegou três bolas, uma delas para touchdown, e foi, ao lado, de Eli Manning, o protagonista do lance mais espetacular da história da final da NFL, ao recepcionar com a ajuda do capacete uma bola com poucos segundos para o fim do jogo. Depois, o Giants virou o jogo e foi campeão.

Tyree nunca mais “apareceu” na NFL. Ficou a temporada de 2008 machucado, depois foi cortado e jogou um tempo no Baltimore Ravens, sem brilho. Mas nunca mais será esquecido.

A camisa 85, neste ano, também pode ser decisiva. Jake Ballard, “novo dono” dela pelo Giants, brilhou na vitória sobre o Patriots na temporada regular. Depois, se machucou e cometeu muitos erros. Perdeu um pouco de espaço para Bear Pascoe, também tight end, que tem recepcionado mais bolas.

Se jogar como na primeira parte da temporada, Ballard será muito útil. Este espaço no meio de campo é fundamental para uma equipe que tem dificuldades em correr com a bola. A linha defensiva do Patriots tem jogado bem e deve pressionar Eli Manning, que vai precisar ser rápido muitas vezes. E Ballard seria um alvo valioso, ainda mais pelo seu grande tamanho.

Mas é por conta do 85 do Patriots que surgiu a ideia deste post. Há tempos, venho me assustando com as semelhanças entre o jogo de 2008 e este que está por vir. Muitas delas já enumeradas neste texto. Mas é incrível como Chad Ochocinco vive um momento igual ao de Tyree…

É claro que Ochocinco tem mais “história”. Já foi escolhido entre os melhores wide receivers de uma temporada. Foi recebedor número 1 do Bengals durante vários anos. Mas sua carreira entrou em um declínio imenso, sua contratação pelo Patriots foi uma grande surpresa. Mas mesmo assim, se esperava muito mais dele.

Recebeu apenas 15 bolas, menor número de sua carreira, e marcou um touchdown. Pouco para quem foi contratado com a esperança de ser, pelo menos perto, de um alvo como Randy Moss foi para Tom Brady. Um jogador alto, que consegue pegar lances improváveis, e faz boas rotas pelas pontas. Jogou tão pouco que quase ninguém “percebeu” que ele desfalcou o time na final da Conferência Americana por conta da morte de seu pai.

Mesmo nem sombra do que já foi um dia, Chad – que nem ganhou um palanque no Media Day reservado para os principais jogadores do time – foi um dos mais procurados pelos repórteres na última terça-feira. Claro que seu carisma e por ser um jogador “midiático” são fatores importantes para ser um dos que ficaram mais em evidência. Mas se o camisa 85 fosse um jogador ruim, nunca teria conseguido este status.

- Tracei algumas metas e as cumpri sempre. Agora, esta é a última. Cheguei a este estágio e tenho a chance de conseguir um anel. Este é o momento. E vou aproveitá-lo – afirmou.

- Este ano não foi como eu e ninguém esperávamos. Fiz o que tinha que fazer: trabalhei duro e fiquei quieto. Não estou certo se serei recompensado por isso agora, mas não há mais nada que eu possa fazer. Sou parte do time e fiz tudo o que me perdiram – concluiu.

Segundo o relato de alguns colegas americanos, pareceu focado, muito menos fanfarrão como sempre foi.

- Chad está focado, pronto para o Super Bowl. E ele vai nos ajudar – afirmou Tom Brady.

É claro que o Giants se “preparou” para Ochocinco. Seria ingenuidade esperar o contrário. A NFL trabalha em um nível muito profissional. Mas é de se esperar que a defesa de Nova York esteja mais preocupada com a ótima dupla de tight ends Aaron Hernandez e Rob Grokowski, que ainda não treinou, e com Wes Welker, o melhor slot receiver da Liga e um atleta muito rápido.

Alguém sempre “sobra”. Não fica livre, não é esquecido. Só que os times se preparam conforme as tendências dos outros. E Chad não é uma “tendência” para o Patriots. A secundária do Giants não é a melhor da NFL e Aaron Ross, possível marcador, costuma errar muito.

Não acho que Ochocinco ou Ballard serão manchetes no domingo. A tendência é que sejam coadjuvantes. Mas é importante lembrar de outros “duelos” e sair dos mais tradicionais como Eli Manning/Tom Brady.

Twitter: @thiago_perdigao

P.S.: Vejo agora que o amigo Sr. X, do ótimo do “The Concussion”, também lembrou de Chad Ochocinco. Vale a pena conferir o site: http://www.theconcussion.com/