Ano passado divulguei meu primeiro ranking de quarterbacks mais decisivos entre os que disputavam os playoffs divisionais. Estamos agora na mesma fase do campeonato de 2011, então aí vai a segunda edição da lista.
Vou aproveitar também para repetir o primeiro parágrafo daquele texto: amante que é amante de qualquer esporte gosta de uma lista ou um ranking dos melhores jogadores ou times. Você, provavelmente, não concordará com os nomes e as posições, mas é exatamente aí que está a graça da coisa.
Este ano, pela primeira vez na história da NFL, quatro quarterbacks que já foram MVPs de um Super Bowl ainda estão na disputa. O ruim para as equipes da Conferência Nacional é que três deles estão nela: Aaron Rodgers (Green Bay Packers), Drew Brees (New Orleans Saints) e Eli Manning (New York Giants). O outro deste seleto grupo é Tom Brady (New England Patriots).
Além dos premiados, há um veterano em playoff: Joe Flacco (Baltimore Ravens). Os outros três titulares da posição são estreantes na pós-temporada: Tim Tebow (Denver Broncos), Alex Smith (San Francisco 49ers) e T. J. Yates (Houston Texans). Este último é calouro.
A minha lista de melhores de 2011 seria essa: Rodgers, Brees, Eli Manning, Brady, Tebow, Flacco, Smith e Yates. Mas este post não é sobre isso. É sobre quem pode ser mais decisivo neste momento da temporada. O jogador que tem mais o “fator decisão”.
O ranking do “Made in USA” leva em conta, além do desempenho nesta temporada, as performances em pós-temporadas dos jogadores. Por isso, um título sempre vai ter um peso maior. A experiência também é importante.
Adianto aos amigos que a escolha do segundo colocado foi a mais difícil. Para mim, há um empate técnico entre o segundo e o terceiro colocados. Mas, para não ser acusado de “ficar em cima do muro”, dei a vantagem ao jogador que, na minha opinião, chegará mais longe neste ano. Apenas este detalhe, já que são dois grandes jogadores e os dois melhores deste ano.
Sintam-se à vontade para fazer as suas listas. Mas lembrem-se: só valem os quarterbacks que ainda estão na disputa da temporada de 2011.
1º lugar: Tom Brady
Brady não é mais o jogador que foi no começo da década passada. O Patriots também não é o mesmo de anos anteriores. Mas quando se olha para a classificação da temporada, New England fez a melhor campanha da Conferência Americana com 13 vitórias e apenas três derrotas. Vendo apenas os números, pode-se creditar muito desta campanha para o ataque, já que a defesa do Pats teve um desempenho até abaixo da média em várias ocasiões.
O camisa 12 já ganhou três títulos e chegou a quatro finais. Somando todos os outros sete QBs deste playoff dá o mesmo número. E uma vantagem ao atleta do Patriots: ele chegou a quatro finais. Por todo este desempenho, não tem como não colocar Tom Brady no topo desta lista. Para se ter uma ideia de como ele cresce nesta fase, a primeira derrota na pós-temporada de Brady aconteceu após três título e dez vitórias consecutivas. Uma marca absurda! A má notícia é que foram três derrotas nos últimos três jogos…
Como já escrevi outras vezes, acho que os grandes times já “aprenderam” a jogar contra o quarterback de New England, que não gosta de ser pressionado e cai muito de rendimento quando precisa se deslocar, sair do pocket, ou quando começa a apanhar um pouco.
As armas de Brady para esta pós-temporada são dois bons tight ends: Rob Gronkowski e Aaron Hernandez. Wes Welker é outro que pode decidir. Muito rápido, é o melhor wide receiver para o slot (algo como meio de campo) da NFL.
No último post, coloquei o Ravens como favorito para uma vaga no Super Bowl Mas, se tem alguém que pode “virar esse jogo”, é Tom Brady.
Rival no sábado às 23h (de Brasília): Denver Broncos
Carreira em playoffs: 14 vitórias e cinco derrotas
2º lugar (ou terceiro?): Drew Brees
Para alguns, Brees é o MVP desta temporada. Quebrou o recorde de jardas lançadas (5.476) que pertencia a Dan Marino desde a década de 1980. E foi além: a marca histórica veio na 15ª partida, uma antes do fim da fase regular.
Não há como pôr Brees muito à frente de Aaron Rodgers. Os dois tem grandes armas ofensivas na parte aérea, mas a vantagem do Saints é que o time possui o melhor jogo corrido entre os que ainda estão na disputa. Além disso, a linha ofensiva de New Orleans tem feito um grande trabalho.
São nove vitórias seguidas e a equipe mais quente da NFL no momento. E o seu quarterback tem grande parte nisso. Está em grande fase, talvez até melhor do que em 2009, quando foi campeão. No primeiro jogo desta pós-temporada, sobrou contra a boa defesa do Detroit Lions.
A precisão de Drew Brees é algo a ser estudado. A técnica de arremesso impressiona até hoje, mesmo o assistindo há muitos anos. Além disso, a liderança do quarterback do Saints é muito grande e admirável.
Rival no sábado às 19h30 (de Brasília): San Francisco 49ers
Carreira em playoffs: cinco vitórias e três derrotas
3º lugar (ou segundo?): Aaron Rodgers
Muito do que escrevi sobre Brees serve para Rodgers. Na minha opinião, não há muita diferença entre os dois e o que podem fazer neste mata-mata. Ambos são grandes jogadores e podem tranquilamente levantarem o seus segundos títulos. A vantagem para o camisa 12 do Packers é que seria o segundo seguido.
Green Bay sobrou na temporada regular, é verdade. Só perdeu uma partida em 16 e ainda poupou grande parte dos titulares no último jogo e ainda venceu o bom time do Lions. E Rodgers jogou em altíssimo nível durante todo o ano. Na minha opinião, daria o MVP a ele pelo desempenho geral.
Rodgers é outro que está em um ano melhor até do que quando foi campeão. O camisa 12 ficou perto da perfeição em 2011. Foram muitos jogos “quase” perfeitos. Mesmo os torcedores de outros times ficaram boquiabertos.
Mas há um “pequeno problema” para o Packers. Já são duas semanas sem jogos para Rodgers. E isso pode pesar. O ritmo do playoff é diferente da temporada regular. O frio está maior. Isso sem falar da pressão. Mas isso pouco afeta o quarterback de Green Bay, que jogou muito na pós-temporada de 2010.
Rival no domingo às 19h30 (de Brasília): New York Giants
Carreira em palyoffs: quatro vitórias e uma derrota
4º lugar: Eli Manning
A temporada de 2011 é a melhor de Eli desde que ele estreou na NFL em 2004. Foram quase 5 mil jardas durante a temporada regular e 29 touchdowns. O número de interceptações despencou de 25 no ano passado para 16 neste ano. Foram 15 TDs em quartos finais, recorde da Liga em todos os tempos. Números que o levaram ao Pro Bowl pela segunda vez na carreira.
Mas as estatísticas são apenas uma parte da “virada” do camisa 10 do Giants. Virada entre aspas, porque Manning, na minha opinião, nunca foi tão ruim como alguns colegas o classificam.
Grande parte da melhora vem da mudança de paradigma de Nova York. Uma das mais tradicionais franquias da NFL, sempre se caracterizou por uma forte defesa e um jogo corrido consistente. Nunca teve um quarterback que acumulou muitas jardas aéreas. Nem Phill Simms, ídolo da torcida e campeão uma vez pelo clube, conseguiu mudar isso. Mas com Eli, o Giants teve de mudar. E na marra.
Manning tem a seu favor os playoffs de 2007. Após muitas críticas em 2006 e um começo irregular na temporada seguinte, jogou muito na pós-temporada e conduziu o Giants a um improvável título contra o Patriots, até hoje o único time que conseguiu passar todo um campeonato invicto. E Eli conduziu a campanha do título, com um touchdown com menos de um minuto para acabar o jogo em Glendale. Além do ótimo desempenho no Super Bowl, foi bem durante todo o mata-mata, cuidando muito bem da bola e lançando apenas uma interceptação.
Em 2011, o camisa 10 tem boas armas: Hakeem Nicks e Victor Cruz fizeram grandes temporadas, com mais de mil jardas recebidas. Mario Manninghan também é um wide receiver com qualidade. Jake Ballard, recuperado de lesão, pode voltar a ser o tight end que surpreendeu no começo do campeonato. Além do aéreo, o ataque terrestre também tem evoluído. Isso tira a pressão de qualquer quarterback.
Já ganhou uma partida nesta pós-temporada, contra o Atlanta Falcons, jogando muito bem.
Rival no domingo às 19h30 (de Brasília): Green Bay Packers
Carreira em playoffs: cinco vitórias e três derrotas
5º lugar: Joe Flacco
Flacco estreou em 2008 e o Ravens esteve nos playoffs em todas as temporadas desde então. E foi além: a exceção de 2011, já que o time ainda não estreou na pós-temporada, ganhou jogos em todas elas.
É um desempenho excelente. Fato. Mas admito que esperava uma evolução maior de Joe Flacco, afinal ele foi o primeiro quarterback calouro a vencer dois jogos de playoffs. O Ravens melhorou nos últimos anos e ainda espero um algo a mais do seu QB.
Ano passado, o camisa 5 também ficou na quinta colocação do ranking “Made in USA”. Mas, sinceramente, espero um desempenho melhor do Ravens agora. É um time para Super Bowl. Mas muito disso passa por conta da sua defesa, a mais talentosa da NFL.
A boa notícia para Flacco que é o Pittsburgh Steelers, maior rival e eterna pedra no sapato, já está eliminado. Isso, aliado a um ataque terrestre consistente, podem ser fundamentais na luta pelo segundo título de Super Bowl da franquia.
Rival no domingo às 16h (de Brasília): Houston Texans
Carreira em playoffs: quatro vitórias e três derrotas
6º lugar: Tim Tebow
Ta aí o jogador mais controverso da NFL. Aquele que muitos amam e outros odeiam. Nunca um jogador levantou tanta polêmica quanto o quarterback do Broncos. Já dei minha opinião sobre ele algumas vezes, mas sigo o achando melhor do que muitos acham. É um atleta de qualidade, vencedor e já provou isso muitas vezes.
Levando-se em conta a técnica do arremesso, Tebow tem a pior de todas. Mas, um quaterback não é feito apenas disso. Um QB é muito mais do que isso. E é exatamente neste ponto que o camisa 15 se destaca.
Líder, obstinado e vencedor… Estas são características inegáveis de Tebow. Alguns não acreditavam que ele entraria na NFL, nem seria titular. Pois bem, virou titular no meio deste ano, venceu jogos em sequência e ajudou o Broncos (segundo pior time de 2010) a se classificar para um improvável playoff.
E foi além: de seus braços saíram a vitória sobre o Steelers, favoritíssimo no jogo e até a avançar ainda mais. Muitos tratam Tebow como um running back “travestido” de quarterback. Mas a verdade é que o jogo mudou. A NFL hoje permite isso.
Rival no sábado às 23h (de Brasília): New England Patriots
Carreira em playoffs: uma vitória
7º lugar: Alex Smith
Smith foi o primeiro escolhido do draft de 2005. Mas nunca chegou perto de corresponder às expectativas. Ou melhor, não até esta temporada. Longe de jogar no nível dos melhores, o quarterback do 49ers fez um bom trabalho e levou sua equipe de volta aos playoffs pela primeira vez desde 2002.
Ou seja, Smith nunca jogou em uma pós-temporada. Pouco para um QB com tanto tempo de NFL. E neste meio tempo, teve desempenhos sofríveis. Por muitas e muitas foi contestado e teve sua cabeça pedida pela exigente torcida de San Francisco.
Este ano, fez o “feijão com arroz” e foi bem. Apoiado pela forte defesa e com um jogo corrido consistente, não teve que “resolver”. Fez pouco para o quê se pede para um jogador de elite, mas o suficiente para levar o seu ataque. Algo importante, claro. Um quarterback que comete poucos erros, é um quarterback importante.
Rival no sábado às 19h30 (de Brasília): New Orleans Saints
Carreira em playoffs: estreante
8º lugar: T.J. Yates
Yates é estreante na NFL. E até o metade da temporada regular era apenas o terceiro quarterback do Texans. Com as contusões de Matt Schaub e Matt Leinardt, ganhou uma oportunidade. Foi bem.
Como Alex Smith, a aposta é no feijão. E o Texans, apesar de menos qualidade, tem características parecidas com o 49ers. Mas, na minha opinião, tem menos chances de se classificar nesta fase.
A aposta é no jogo corrido. Com Arian Foster bem, a pressão diminui sobre Yates. Só assim o calouro conseguirá jogar. Vejo qualidades no jovem quarterback, mas é cedo para deixar as coisas nas costas dele. T.J. pode sentir o jogo.
Rival no domingo às 16h (de Brasília): Baltimore Ravens
Carreira em playoff: uma vitória
Neste link você pode ver meu ranking do ano passado.
Twitter: @thiago_perdigao
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