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NFL: ‘Tire os olhos da bola’ e corra para ler o livro

por Thiago Perdigão em 26.ago.2015 às 17:44h

* Coluna publicada no diário LANCE! do dia 26 de agosto

Com o interesse no futebol americano crescendo, é natural que o público que gosta do esporte passe a “consumir” mais coisas ligadas a ele. E essa indústria, tão grande nos Estados Unidos, começa a ganhar um pouco de corpo aqui no Brasil.

A NFL sabe disso, tanto que quer fazer um jogo no país em breve. A possibilidade de ser o Pro Bowl de 2016 ainda existe. Mas não são apenas os jogos que fidelizam um torcedor ao esporte. As marcas sabem isso e já começam a vender alguns (poucos) produtos dos times da liga aqui no Brasil.

Um aspecto dessa cultura esportiva americana que começa a ganhar corpo aqui no Brasil são os livros ligados ao esporte. Nos EUA, há muitas publicações sobre as mais diversas modalidades e atletas. Por aqui, ainda são poucos os livros que tratam do assunto. Mas o mercado tem crescido

Há bons títulos sobre NBA e jogadores já traduzidos ao português. Prometo voltar ao assunto em breve. Hoje trataremos nesse espaço do livro “Tire os olhos da bola”, lançado pela editora Simonsen. Uma ótima publicação sobre futebol americano. Foi escrito por Pat Kirwan, um dos maiores e melhores analistas do esporte. A tradução feita pela Simonsen é ótima por vários motivos, já que a dificuldade com o inglês sempre atrapalhou o fã brasileiro da NFL. E o trabalho foi bem feito, sem aqueles erros comuns de filmes, que chamam quarterbacks de “zagueiros” por conta de uma tradução literal.

Mas “Tire os olhos da bola” não é um livro para amadores. O amante eventual da bola oval não vai gostar. Esse não é o público alvo da publicação. E isso não é uma má notícia.

Costumo escrever que o futebol americano é tão democrático que o fã pode acompanhar os jogos de várias formas. Desde só sentar em frente ao televisor e ver as jogadas, até um nível avançado de conhecimento técnico de ataques e defesas. “Tire os olhos da bola” serve bem a esse torcedor intermediário e mais avançado, já que há muitos termos técnicos, muito importante para quem quer melhorar sua percepção de como ataques, defesas e times especiais são construídos para os campeonatos.

A didática da publicação de Kirwan permite entender as várias formas e esquemas que formam um time da NFL. É possível entender, por exemplo, por que a mudança de quarterback é um momento tão difícil para uma equipe.

Qualquer bibliografia sobre um assunto ajuda ele a crescer e melhorar. Você encontra mais informação de como comprar “Tire os olhos da bola” na página da Simonsen no Facebook. E vale o investimento. Sobretudo se você quiser elevar seu nível de percepção da organização de um time em campo. Evoluir e aumentar o amor de alguém por um esporte é importantíssimo. Corra lá e leia. Vá ganhar tempo!

Twitter: @thiago_perdigao

Rio-2016 terá um dos maiores times de basquete da história

por Thiago Perdigão em 21.ago.2015 às 15:11h

* Coluna publicada no diário LANCE! do último dia 19/8

Daqui a pouco menos de um ano começa a Olimpíada do Rio de Janeiro. Será um privilégio poder acompanhar de perto vários esportistas e esportes que só vemos, no máximo, na televisão.

Mas dificilmente haverá uma competição com tantas estrelas como o basquete masculino. Muitos times ainda não estão nem classificados, é verdade, mas isso é mais uma “burocracia” a ser vencida.

Os Estados Unidos já têm a sua vaga garantida. E a julgar pelos jogadores chamados para o período de treinos na semana passada, será a equipe mais forte da Rio-2016. Entre todos os esportes disputados.

Foram 34 atletas convocados para esse trabalho. Quem esteve nele, poderá ser chamado para o ano que vem. Kobe Bryant, machucado, não foi.  Mas segundo a federação americana, se ele quiser e estiver disponível, seria uma exceção. Kobe, LeBron James e Carmelo Anthony poderão ser tricampões olímpicos seguidamente. Um feito inédito e histórico para o esporte.

Muita gente vai fazer comparações com aquele mágico time de 1992. O primeiro Dream Team. O primeiro com as maiores estrelas da NBA. Aquela equipe sempre será a primeira e a favorita. Ninguém apagará a história de Barcelona.

Mas se a melhor parte dos convocados esse ano estiver em 2016, o Rio verá em suas quadras uma das melhores seleções americanas de todos os tempos. E isso é muito.

Cada um tem o seu time titular. O meu seria Stephen Curry, James Harden, Kevin Durant, LeBron James e Anthony Davis. Mas há ainda Chris Paul, Paul George, Blake Griffin, Kawhi Leonard, Russell Westbrook, Klay Thompson, Carmelo Anthony… será difícil até diminuir essa lista para 12 atletas.

Esse período de treinos chamou muito a atenção nos EUA. Alguns trabalhos transmitidos, jogo entre “titulares” e “reservas” ao vivo na televisão. E a seleção americana, apesar de ser a maior, é apenas uma das forças do torneio masculino…

Ainda falta quase um ano, é verdade. Alguns atletas provavelmente cairão de rendimento, outros vão melhorar. Mas qualquer time que tenha LeBron e Curry na forma que estavam durante esta temporada, deveria ficar marcado na história para sempre.

O “problema” é que sempre haverá 1992…

Twitter: @thiago_perdigao

NFL: Aí você perde seu quarterback por uma agressão dentro do seu vestiário…

por Thiago Perdigão em 13.ago.2015 às 17:45h

* Coluna publicada no Diário L! do dia 11/8. E atualizada.

Perder um jogador para uma temporada por qualquer motivo é sempre problemático. Na NFL, as contusões se acumulam e antes mesmo do começo dos jogos, já sabemos que alguns atletas não estarão à disposição para o campeonato. Péssimo.

Só que qualquer franquia da NFL tem uma certeza: algum(s) jogador(es) se machucará(m) e o time terá que lidar com isso. Em um esporte de tanto contato, lesões diversas são comuns. Não tem como escapar dessa dura realidade.

Mas imaginem você perder seu quaterback titular, que nem é aquele dos sonhos, por alguns jogos porque ele levou um soco de um outro atleta do seu time? Bom, esse é o caso, do sempre confuso, New York Jets neste momento.

Geno Smith apanhou de IK Enemkpali no vestiário do clube, quebrou a mandíbula em dois lugares e pode ficar dez semanas em recuperação. Pode voltar em outubro, com quase 1/4 (ou mais) da temporada disputada. O Jets já não tinha lá grandes chances, é verdade. Smith também não é lá essas coisas, mas continuas sendo bizarro isso acontecer com o time.

Enemkpali foi prontamente dispensado, mas o estrago está feito. Ryan Fitzpatrick assume o comando. Na minha opinião, o reserva é até melhor do que Geno, mas a comissão técnica acreditava que Smith era o titular. E quando se trata de um quarteback, essa escolha é muito importante. O reserva não consegue assumir de uma hora para outra o posto e pronto. É uma posição muito complexa.

E para ajudar no tradicional “pastelão” que lhe é peculiar, Rex Ryan, ex-técnico do Jets e que hoje está no Buffallo Bills, contratou Enemkpali. Ryan surgiu como um bom treinador, mas hoje virou muito mais um ator fanfarrão do que um cara que pode fazer seu time ganhar. A crítica é dura, mas a verdade é que, na minha opinião, Rex já passou dos limites nesses jogos mentais há muito tempo. E seu currículo pouco justifica essas coisas…

Recentemente, o “vizinho” Giants perdeu um jogador em um acidente totalmente fora do campo. Jason Pierre-Paul, um dos principais defensores da equipe, perdeu, ao menos, o dedo indicador da mão direita em um acidente com fogos de artifícios. Não se sabe quando ele voltará a jogar.

Apesar dos médicos garantirem que o jogador retornará aos gramados. Um esporte multimilionário, que sofre muito com erros primários de atletas não sendo atletas.

E esses não são os únicos casos estranhos deste período sem jogos. Jogadores presos são coisas “comuns”. Pelas mais diversas acusações e problemas. Problema que persiste na NFL há anos. O imponderável que pode (e deve) fazer diferença durante o campeonato.

Twitter: @thiago_perdigao

NFL: O (estranho) caso Tom Brady

por Thiago Perdigão em 29.jul.2015 às 17:13h

*Coluna publicada no diário LANCE! do dia 29 de julho

Tom Brady está fora dos quatro primeiros jogos da temporada de 2015 da NFL. A liga anunciou ontem que irá manter a suspensão do jogador, “culpado” pelo escândalo das bolas murchas na final da Conferência Americana no começo deste ano, contra o Indianapolis Colts e vencida pelo New England Patriots.

Quatro jogos ou 1/4 da temporada. Não são definitivos para a classificação do Patriots para o playoff. Muito por conta da fragilidade da divisão. Apesar das melhoras de New York Jets, Miami Dolphins e Buffallo Bills, elas ainda estão abaixo.

A justificativa para a punição de Brady está no relatório independente feito pelo advogado Ted Wells. O problema é que o documento divulgado pela NFL não esclarece muita coisa. Nas palavras de Wells, era “mais provável do que não que Brady sabia das bolas murchas”. Pouco para punir alguém.
Obviamente o advogado investigou o máximo que deu. E é difícil provar a culpa de alguém que não mexeu nas bolas. Ou alguém acha que Brady verificou pessoalmente a calibragem? Claro que não. Como é improvável que o quarterback não saiba exatamente qual a calibragem que o deixa mais confortável para jogar. A NFL mudou a regra para esse ano, mas até hoje, cada time era responsável por suas bolas no ataque. Em um esporte com ajustes tão finos como é o futebol americano, o peso da bola com certeza faz parte dessa lista de coisas que são acertadas previamente antes de qualquer jogo.

Há outros elementos que indicam que Brady sabia. Uma troca de mensagens entre Jim McNally e John Jastremski, que trabalham na franquia e controlavam essas bolas, mostram que eles conversaram com o  quarterback na véspera da partida contra o Colts que gerou toda a polêmica.

Em sua defesa ao apelar da suspensão, Brady disse que não entregou o celular que usava na época do jogo para ser checado, porque o tinha destruído. Segundo ele, uma “prática comum”. Mas a NFL, que não aceitou o recurso, diz que o camisa 12 do Patriots não fez isso em, ao menos, uma outra troca. Mas a liga não sabia se havia ali alguma prova da participação de Brady no esquema. O que deveria minimizar a culpa. Mas não o fez…

O quarterback deve apelar à Justiça e manter a novela. Na minha opinião, pesou para a NFL o “Spygate”, outro escândalo que envolveu o Patriots – a comissão técnica da equipe filmava os sinais dos rivais durante os jogos, o que não é permitido. A franquia foi punida. E acertadamente. Mas não é porque errou lá, que New England merece ser punido novamente. Para mim, a NFL esconde algum elemento da investigação. De novo.

O “curioso” é que Brady estará apto na semana  6. Contra o Indianapolis Colts, no Sunday Night Football, horário mais do que nobre para o futebol americano. Sinceramente, não acredito nessas coincidências quando se trata de NFL…

Twitter: @thiago_perdigao

Spurs, Patriots… E a arte de se reinventar!

por Thiago Perdigão em 08.jul.2015 às 17:14h

* Coluna publicada no LANCE! do dia 8 de julho

A grande premissa do esporte americano é o equilíbrio. A “luta” das ligas é para que nenhum time consiga uma dinastia. As regras para isso se acumulam: teto salarial, draft com a equipe de pior desempenho escolhendo primeiro, mercado de agentes livres…

Obviamente, as franquias lutam pelo contrário. Quem está na frente, tem que criar boas saídas para se manter na ponta. Não é fácil. E, com o teto salarial, pouco importa se você tem mais dinheiro. Sobretudo, na NBA e na NFL. No beisebol, as regras são mais flexíveis, mas a alternância tem existido.

Mesmo com todos esses bons mecanismos, algumas franquias conseguem se sobressair. Na NBA, o bom exemplo é o San Antonio Spurs, multicampeão nos últimos anos. Na NFL, temos o New England Patriots, atual campeão do Super Bowl.

Antes do começo deste século, e de Bill Belichick assumir o comando do time, o Patriots não tinha nenhum título. Era um time de uma grande cidade (Boston), mas que não conseguia engrenar. Desde 2001, porém, são quatro conquistas. Já está empatado com New York Giants e Green Bay Packers e só perde para San Francisco 49ers e Dallas Cowboys, com cinco, e Pittsburgh Steelers, com seis. O desempenho de New England só não é melhor, porque perdeu duas finais para o Giants nesses últimos anos.

E, deixando de lado alguns escândalos como Spygate (quando os treinadores do Patriots foram pegos espionando as comunicações do rivais) e o recente Deflategate (bolas murchas), o que mais impressiona é o domínio que o Patriots conseguiu em sua divisão. Desde 2001, o time ficou fora dos playoffs duas vezes (2002 e 2008). Na última, perdeu o quarterback Tom Brady após o primeiro jogo por conta de uma grave lesão no joelho. Times que conseguiram mudar seus jeitos de jogar, já que perderam algumas estrelas, e foram lá e venceram. Por vezes apostando em longos lançamentos, outras em corridas ou lançamentos curtos ou na defesa forte. Sempre muda, mas o Patriots está sempre forte.

Algo parecido com o que acontece com o San Antonio Spurs, na NBA. Desde que Tim Duncan estreou pela franquia, na temporada 1997-1998, o time sempre foi aos playoffs. Ganhou cinco títulos, o último deles na temporada passada, quando o elenco já era muito questionado por sua alta idade. Este ano, foi eliminado na primeira rodada após ótimos sete jogos contra o Los Angeles Clippers. A equipe, que lutou muito, agora terá LaMarcus Aldrigde, um grande reforço para o garrafão. Já sabemos que o Spurs estará no playoffs. E vai brigar. Terá em Aldrigde mais um All Star. Se reinventará. Mais uma vez. Para o bem do esporte. E a sorte dos torcedores. Mesmo os rivais!

No Twitter: @thiago_perdigao

NBA: MVP? Stephen Curry para presidente!

por Thiago Perdigão em 01.jul.2015 às 17:37h

Esta quarta-feira foi um dia especial para este espaço. Estreamos a coluna Made in USA no diário LANCE!. Além deste BLOG, que começou em 2009 após o Super Bowl 43, em Tampa. De lá para cá, muita coisa aconteceu e tentei (e algumas vezes fracassei) deixar este espaço atualizado. Um espaço de opinião sobre alguns dos principais eventos dos esportes americanos.

A coluna de estreia foi sobre Stephen Curry, o melhor jogador da temporada passada da NBA. Ganhou a maioria dos prêmio individuais e o título. Uma estrela consolidado. Confira abaixo a coluna completa:

Há pouco mais de duas semanas, Stephen Curry comemorava seu primeiro título da NBA. O primeiro do Golden State Warriors, seu time, em 40 (longos) anos. O anel de campeão completou a temporada do armador, uma das “novas” estrelas da liga.

Temporada que foi quase perfeita para Curry. E o “quase” é apenas uma figura de linguagem. O camisa 30 do Warriors só não levou o MVP das finais. Realmente começou devagar na série contra o Cleveland Cavaliers e só voltou a ser o Curry desta temporada após o quarto jogo do duelo. O prêmio a Andre Iguodala, seu colega de equipe, acabou sendo justo.

Tirando este prêmio, Stephen levou o de Jogador Mais Valioso da temporada, esteve no time ideal da NBA, foi escolhido como o esportista do ano no BET awards e é um dos finalistas para o prêmio ESPY de melhor do ano.

E o sucesso não é somente de crítica. Ontem, a NBA divulgou o ranking das camisas mais vendidas no último semestre. E a 30 do Warriors foi a mais vendida. E Curry ainda foi o jogador mais votado para o All Star Game. Nesses dois últimos duelos, superou LeBron James, o melhor jogador de basquete do mundo, e um dos mais populares de todos os tempos.

Stephen Curry não é tão midiático como LeBron. E isso não é uma crítica. Curry parece inaugurar uma nova forma de sucesso no esporte americano. Só saberemos se será isso mesmo daqui a alguns anos. Não ser tão midiático não quer dizer que ele não fature com marketing como o “Rei James” faz tão bem. Stephen é o principal nome da Under Armour, marca de material esportivo que tem crescido no mercado americano.

Mesmo campeão, Curry parece “fugir” dos holofotes. Correu para curtir as férias com a família – que ficou muito famosa nos playoffs, sobretudo pela simpatia de Riley, sua filha de quase 3 anos –, continuou a dar entrevistas com a voz baixa de sempre e apesar de ter comemorado muito, preservou aquele estilo mais calmo, de sorriso tímido. Um contraponto total a era das celebridades em que estamos inseridos no momento. Que amplificou ainda mais com as redes sociais, mesmo que publicando constantemente no Instagram.

Já escrevi outras vezes que considero Curry como o presente e o futuro da NBA. Um presente consolidado, inclusive. Já é das grandes estrelas da liga, sobretudo pela sua qualidade dentro de quadra. Controle de bola incrível e arremessos perfeitos. O Warriors tem totais condições de se manter no topo na próxima temporada. LeBron x Curry será daquelas rivalidades eternas? Sinceramente, espero que sim. Os fãs da NBA agradecem!

Essa coluna será publicada toda quarta-feira no L!. Sugestões? No blog  e no Twitter: @thiago_perdigao

NBA: ‘novo’ campeonato com ‘velhas’ estrelas

por Thiago Perdigão em 17.abr.2015 às 20:46h

A NBA é a mais brasileira das ligas americanas. Óbvio que a “facilidade” de o basquete ser disputado no mundo todo e ser muito tradicional no Brasil, campeão do mundo no masculino e feminino, contribuem para a proximidade e a popularidade do torneio por aqui.

Neste sábado começa o campeonato de fato. Sei que muitos não gostam dessa afirmação, mas os 82 longos jogos da temporada regular são apenas um aperitivo para as finais. Entendo que o negócio exige que se tenha tantas partidas. É bom para todos da liga. Só o torcedor que está mais longe, como nós aqui do Brasil, que sofre um pouco mais para ver tudo. Mas sempre vale a pena.

Estive em Nova York em fevereiro deste ano para o All Star Game e todas as merecidas atenções estavam com Stephen Curry, melhor jogador do melhor time da NBA até ali – e que se manteve assim até o fim – o Golden State Warriors.

Muita gente desconfiava se o Warriors conseguiria manter o ritmo até o fim da fase regular. Se nos playoffs, com um time mais leve e sem um garrafão de mais peso, conseguiria atropelar. Se manteria o desempenho se chegasse à final…

As dúvidas ainda existem. Não dá para adivinhar o que acontecerá. Mas Golden State mostrou que pode. Que não é fogo de palha. Vai sofrer mais agora do que na temporada regular, é claro. Todas as equipes farão ajustes, que não costumam fazer, para esses jogos mais decisivos. Mas não dá para descartar só porque é um time jovem ou veloz. É favorito à final e título, sem dúvidas. Mas sofrerá, com certeza. Para mim, mais contra Grizzlies ou Spurs, por exemplo.

Se para o Warriors manter o desempenho é o desafio, para o Cleveland Cavaliers, do astro LeBron James, chegou a hora de dar aquele passo de campeão. O time começou mal, sobretudo por conta da alta expectativa, mas se recuperou e jogou um basquete de alta qualidade em vários momentos da temporada. No fraco Leste, não deve ter rivais.

Curry é o futuro e presente da NBA. LeBron é o presente, passado e futuro da liga. Seria uma final muito interessante para a temporada.

James assumiu para ele a missão de dar um título para o Cavaliers, do seu estado natal. A saída para o Miami Heat pegou mal entre os torcedores, mas todos já esqueceram. Não precisa ser esse ano, é verdade, mas o (de novo) camisa 23 está mais do que sedento para conseguir isso agora. Não que ele precise provar nada para alguém, aquela bobagem de amarelão já passou, mas não há um jogador que não pense em fazer história.

Cleveland é uma cidade apaixonada por esporte, mas que não é lá muito vencedora. Pelo menos, não tem sido nos últimos (muitos) anos. O Cavaliers, na primeira passagem de LeBron, quase conseguiu, mas a verdade é que a estrela jogava sozinha e foi fácil para o Spurs se ajustar para batê-lo por 4 a 0 em 2007.

O caminho para a taça é longo para todos. A história está aí e zebras, algumas nem tão zebras assim, sempre podem chegar. Façam suas apostas. Eu garanto: valerá a pena!

Twitter: @thiago_perdigao

Dirigente da NFL ‘esquenta’ Pro Bowl brasileiro e isso é ótimo!

por Thiago Perdigão em 02.abr.2015 às 14:07h

Na boa conversa com o repórter Felipe Domingues deste LANCE!, o vice-presidente internacional da NFL, Mark Weller, não quis confirmar nada, é verdade, mas deu ótimos indícios que a NFL está bem inclinada a trazer o Pro Bowl ao Brasil em 2017.

Se você não leu ainda a entrevista, sugiro que você o faça aqui neste link ( http://www.lancenet.com.br/mais-esportes/NFL-querer-Paulo-Rio-Carnaval_0_1331267077.html).

É raro um executivo de tal porte da liga falar tão abertamente sobre um assunto “não confirmado”. O que mostra que o Pro Bowl brasileiro já não é mais tabu para ninguém na NFL.

Na minha opinião, o plano A, B e C da liga no Brasil é fazer o jogo no Maracanã. Por tudo o que o estádio significa. E o Rio de Janeiro é o grande cartão postal do Brasil para mundo, quase como se ainda fosse a capital do país para os gringos.

E concordo com esse caminho. Caminho parecido com o da NBA no Brasil. E com a vantagem de poder jogar num templo como o Maracanã.

A outra possibilidade, segundo Waller é São Paulo. Ou seja, a NFL teoricamente limita sua busca a essas duas cidades. Bem previsível, o que mostra que eles têm boas informações sobre o Brasil e os estádios.

É bem provável que algum promotor já tenha mostrado as estruturas para a NFL. É um processo bem natural nesse tipo de caso. A vontade de Waller de “misturar” o Pro Bowl ao Carnaval mostra que o dirigente sabe quando e porque jogar no Brasil nessa época.

É óbvio que não dá para se empolgar além da conta. O bom exemplo de Waller sobre o sonho e a dificuldade de a NFL levar um time para Los Angeles, mostra que nem sempre as coisas são fáceis.

Seria uma operação bem difícil trazer a NFL para o Brasil. Mas algo que parecia impossível, hoje se torna bem mais factível. Ótimo para os fãs brasileiros da liga.

Mas ainda falta muita coisa, como por exemplo, a negociação com os jogadores.

Mesmo com o “lado ruim”, é hora de começar a juntar suas moedinhas…

Twitter: @thiago_perdigao

NFL pensa em fazer o Pro Bowl no Brasil. E não é um sonho impossível…

por Thiago Perdigão em 23.mar.2015 às 15:55h

A “bomba” caiu na manhã de hoje: segundo a Fox americana, uma fonte da NFL disse que o Brasil pode ser sede do Pro Bowl de 2017, que vale pela temporada de 2016. Ou seja, daqui a menos de dois anos…

Muita gente trata a possibilidade como distante. Na minha opinião, não é. Não estou “garantindo” nada, mas acho que a chance de termos um Pro Bowl brasileiro é bem real.

Por vários motivos e vou tentar mostrar alguns neste post. Ano passado, publiquei no diário LANCE! e neste blog uma coluna sobre a internacionalização da NFL (você pode lê-lo aqui). O México já recebeu jogos, Londres é sede de partidas desde 2007 e na última temporada sediou três. E a cidade europeia será casa da liga ainda por muitos anos…

Em outubro do ano passado, comemorando a consolidação da NFL na Inglaterra, Mark Waller, vice-presidente internacional da liga, citou o Brasil como um dos alvos do plano de internacionalização da NFL de 15 anos, que começou em 2007, com o primeiro jogo na terra da rainha.

- Nós sempre deixamos claro que nosso foco sempre será “vamos manter a estratégia do Reino Unido em pé e andando”. E quando sentíssemos que estava tudo consolidado, continuaríamos para um próximo passo e um novo mercado. A Alemanha é um mercado óbvio. E eu, obviamente, estou de olho no Brasil. Eles fizeram um grande trabalho com os estádios novos. A infaestrutura já existe. O Brasil tem o benefício logístico de estar em um fuso horário parecido com o dos EUA. Isso tudo resolve um monte de problemas práticos que teríamos para jogar lá. É um voo longo, o que é obviamente considerado, mas depois de ver a Copa do Mundo lá, seríamos tolos se não olharmos para o Brasil – afirmou Waller.

Essa afirmação foi há menos de seis meses. O que deixa claro que os estádios da Copa teriam prioridade em um jogo por aqui. Uma escolha óbvia. E, sinceramente, acredito que alguém da NFL conhece bem alguns desses palcos. Um importante executivo da liga não falaria assim se não tivesse boas informações sobre o país.

A NFL já tem feito algumas pequenas ações para mostrar que está de olho no Brasil. Já há a versão em português da página do Game Pass, o canal on demand da liga. Uma assinatura do Game Pass dá direito a ver todos os jogos da temporada. Os brasileiros já consomem esse produto há tempos e nos últimos anos a expansão foi bastante significativa. A ponto de “facilitar” para os brasileiros com a página em português.

Nas redes sociais, já surgiram vários posts em português. Daqueles para avisar o fã brasileiro que a liga sabe que eles existem. Esse relacionamento é fundamental para aumentar a base de torcedores. É só olhar para o lado e ver como a Fórmula 1 está sofrendo por não conseguir “renovar” seu público.

E, é claro, há o fator ESPN. Na matéria da Fox americana, eles citam os números de rating televisivo alcançados pela ESPN no Brasil. São números bem significativos. E esses números garantem mais dinheiro para a NFL, que negocia os direitos internacionais fora do pacote para os EUA.

Apesar da crise econômica, o Brasil ainda é um bom mercado. Não somente pelo poder de consumo, mas também pelo número de pessoas. Quanto mais gente vendo a NFL melhor, sobretudo para a liga, que conseguiu passar pela crise americana com sucesso. Mas o mercado dos EUA já está “dominado”. E esse passo internacional é óbvio.

A decisão não deve demorar. Já se sabe que o Pro Bowl do ano que vem voltará ao Havaí. Este ano, foi em Glendale, no mesmo palco do Super Bowl. Há alguns anos, a liga tentou a mesma coisa em Miami. Não deu muito certo. A final de 2017 será em Houston e o Jogo das Estrelas não será na cidade texana. Essa semana os donos se reúnem para decidir as mudanças de regras para esta temporada. E a decisão sobre o Pro Bowl deve acontecer, ou ao menos ser discutida, nesse encontro.

Recentemente, a NFL mudou a forma de disputa do Pro Bowl. Os times deixaram de ser das Conferências e passaram a ser comandados por antigas estrelas da liga, que escolheram os seus favoritos e montaram suas equipes. O apelo, ao menos nos EUA, não aumentou muito.

Sei que o Pro Bowl não é o jogo dos sonhos de ninguém. Os jogadores já estão em fim de temporada, cansados e sabem que aquela disputa não vale nada. É natural tirar o pé. Por isso que, na minha opinião, a melhor saída para torná-lo interessante, é ele ser sediado fora dos EUA. É uma ideia que defendo há anos. A equação é simples: quem no Brasil que gosta de futebol americano não sonha em ver alguns dos melhores jogadores de perto? Mesmo não valendo nada, seria ótimo para os fãs brasileiros. A experiência já valeria.

É claro que o brasileiro não é bobo. Não adianta querer cobrar um valor muito alto, daqueles proibitivos, em um ingresso só porque as estrelas estarão por aqui. Todo mundo por aqui quer ver um jogo da NFL, mas sabe que o Pro Bowl não é o melhor deles. Eu já fui em um, em Miami, e realmente não é uma partida inesquecível. Mas valeria um investimento.

O exemplo da NBA é o melhor para explicar isso. Mesmo na pré-temporada, o evento tem gerado muito interesse aqui no Brasil. Os ingressos são caros, mas até agora não foram proibitivos. É claro que na temporada passada, teve o apelo de LeBron James x Miami Heat, mas a verdade é que os ingressos já estavam esgotados mesmo antes de o astro anunciar que iria voltar ao Cleveland Cavaliers.

É aguardar as cenas dos próximos capítulos. Que devem ser mostradas nos próximos dias. Ao torcedor brasileiro, uma “dica”: vai guardando umas moedas, porque pode ser que ajude.

Onde você gostaria de ver um jogo da NFL aqui no Brasil?

Twitter: @thiago_perdigao

Um dos maiores de todos os tempos, Barkley elogia Oscar, brasileiros e fala da atual NBA

por Thiago Perdigão em 12.mar.2015 às 14:23h

Não costumo contar coisas pessoais neste espaço, mas desta vez não tem como. Comecei a acompanhar as ligas americanas no começo da década de 1990, quando a TV Bandeirantes, muito por conta do narrador Luciano do Valle, resolveu apostar nas transmissões da NFL e NBA para o Brasil. O basquete, até por ser praticado no Brasil, logo ganhou muito espaço. Ainda garoto, passei a acompanhar as estrelas Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird… Mas o meu favorito sempre foi Charles Barkley, na época já no Phoenix Suns.

Em 1993, o Suns comandado por um iluminado Barkley, só parou no Chicago Bulls de Jordan. Um time muito melhor, com certeza. Enfim, um ano depois pude ir para os Estados Unidos e uma das primeiras coisas que eu fiz ao chegar em Orlando foi comprar uma jersey do Barkley. Só tinha um tamanho bem grande e pouco a pude usar. Mas guardei. Quando fiquei sabendo que ia para o All Star Game deste ano, convidado pelo canal Space, e iria ficar no mesmo hotel do pessoal da TNT americana pensei: vou levar minha camiseta do Suns e tentar conseguir um autógrafo. Sabia que seria difícil, mas… Claro que esse seria apenas a cereja do bolo de uma cobertura. Sou jornalista, mas dá para ter umas horas como torcedor.

Eu e o Fabio Balassiano, do ótimo blog Bala na Cesta (http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/), encontramos Barkley no restaurante do hotel. Na hora fomos conversar com o ex-jogador, hall da fama da NBA e uma das estrelas do inesquecível Dream Team que encantou o mundo na Olimpíada de Barcelona de 92 e que fez o mundo conhecer as estrelas e a NBA. Barkley nos atendeu com muita simpatia e aceitou dar uma entrevista para a gente. (e claro, posar para as fotos e autografar a minha camisa, devidamente guardada em casa)

barkley

A camisa autografada

Barkley é hoje um dos principais comentaristas da TV americana. Daqueles muito respeitados. Que é amado e odiado por jogadores e torcedores. As vezes exagera, é verdade, mas tem opiniões muito boas. Deixou de lado aquela imagem de brigador, marrento e hoje é brincalhão e muito simpático.

Na conversa, o ex-jogador se mostrou emocionado e agradecido por tudo o que o basquete lhe proporcionou. Contou sobre a infância pobre no Alabama e a fama que conquistou com seu trabalho. Era só olhar para ele que dava para sentir o orgulho por ter feito tanta coisa em sua vida.

- Sendo bem sincero. Tendo crescido em uma pequena cidade do Alabama eu jamais poderia imaginar que 52 anos depois eu estaria sentado em Nova Iorque no bar de um hotel sendo entrevistado por jornalistas do Brasil. Digo isso de verdade. Cresci no Alabama, minha mãe era uma empregada doméstica e hoje estamos aqui – disse.

Barkley também lembrou do confronto contra a Seleção Brasileira em 92. Fez elogios a Oscar Schmidt, principal estrela brasileira de um tempo que a NBA era quase que exclusivamente brasileira.

- O Oscar provavelmente foi o melhor jogador internacional que quase ninguém viu jogar. Tive a sorte de jogar contra o Oscar, posso lhe dizer isso. Todos nós conhecíamos ele, os feitos dele, apesar de quase nunca vê-lo jogar. Ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos, não tenho dúvida disso – afirmou o americano, que ainda falou sobre os brasileiros que atualmente jogam na NBA.

- Os jogadores brasileiros têm feito uma grande contribuição ao jogo aqui na NBA.

Barkley disputou a NBA num período de grandes jogadores como Jordan, Bird, Magic. Mesmo estrelas “menores” eram carismáticas. Hoje, muito se critica a falta de atletas com essa empatia com o público. O ex-jogador deu sua opinião sobre isso:

- Bem, a verdade é que penso o seguinte. Hoje os jogadores estão muito mais preocupados com suas próprias marcas do que em se tornar grandes jogadores do que no meu tempo. E isso é algo que me incomoda algumas vezes, sim.

Nesta entrevista, feita ao lado do Balassiano, Barkley também falou sobre sua opinião com relação à “invasão” das estatísticas na NBA, dos estrangeiros na liga, deu polêmica opinião sobre Kobe Bryant… Confira a íntegra abaixo:

Made in USA: Somos do Brasil e uma das primeiras lembranças que temos de você foi em 1992, quando o Dream Team venceu o Brasil por 127 a 83. O que você lembra daquele duelo, dos brasileiros e, óbvio, daquela fantástica equipe americana na Olimpíada de Barcelona?
Charles Barkley: Ah, sim, lembro muito do Oscar Schmidt. O Oscar provavelmente foi o melhor jogador internacional que quase ninguém viu jogar. Tive a sorte de jogar contra o Oscar, posso lhe dizer isso. Todos nós conhecíamos ele, os feitos dele, apesar de quase nunca vê-lo jogar. Ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos, não tenho dúvida disso. E é um cara legal também. O conheci no Hall da Fama recentemente e foi maravilhoso tê-lo visto entrar no Hall da Fama com aquele discurso bem emocionante.

M.U.: Não sei se você se lembra, mas no Pré-Olímpico de Portland em 1992 um jogador brasileiro, o Marcel de Souza, tentou provocar vocês dizendo que o time dos Estados Unidos não era aquilo tudo…
C.B.: (Risos) Ah, a melhor coisa de ter jogado no Dream Team foi que fizemos o jogo ser realmente internacional. Todo mundo conhecia o Oscar, o lituano Arvydas Sabonis, dois dos melhores de todos os tempos, mas aquela era uma época diferente. Com o Dream Team, os jogadores estrangeiros passaram a vir para os Estados Unidos, a NBA mesmo ficou mais aberta aos atletas internacionais. Vocês viram o jogo entre os calouros dos EUA e os estrangeiros, né? Eu apostei nos internacionais para ganhar e eles venceram. Isso quer dizer algo importante. Olhe quantos jogadores internacionais bons temos aqui atualmente!

M.U.: Desde semana passada você tem se envolvido em uma acalorada discussão com Daryl Morey, o gerente-geral do Houston Rockets, sobre a extrema valorização dos números, os tais Analytics. Você afirma que números são apenas números e ele defende que por trás dos números há muita coisa…
C.B.: Veja, em primeiro lugar: Anylitcs são apenas estatísticas. E eu acredito que você não pode construir o seu time só com isso. Você precisa construir o seu time com bons jogadores. Magic Johnson, Phil Jackson (ex-técnico de Lakers e Bulls e atual presidente do Knicks) e Mark Cuban (dono do Dallas Mavericks) me mandaram mensagens e saíram em minha defesa publicamente. Eles concordam comigo, também. O jogo tem muitas variáveis para ficarmos analisando apenas os números. Você tem estatísticas contra times bons, contra times ruins. É impossível você ter um consenso sobre isso. E se você jogar quatro jogos em cinco dias? E se enfrentar um time com muitos desfalques? Os números são frios e são muitas variáveis para se construir um time apenas com os Analytics.

M.U.: O que você acha dos jogadores brasileiros na NBA? Conhece algum?
C.B.: Nenê é brasileiro, certo? Gosto dele. Tiago Splitter é ótimo. Leandrinho eu conheço bem de Phoenix. Pode anotar pontos contra qualquer um. E o Anderson Varejão infelizmente se machucou. Ele estava jogando muito bem pelo Cleveland e gosto de sua atitude. Os jogadores brasileiros têm feito uma grande contribuição ao jogo aqui na NBA. E essa foi a grande coisa de ter jogado naquele Dream Team. Fizemos o jogo ser global, o jogo ser totalmente internacional. E acho que conseguimos. Você vê jogadores fantásticos aqui como Dirk Nowitzki, Tony Parker, o meu querido Manu Ginóbili. Olha este grego do Bucks, o Giannis Antetokunmpo, que coisa absurda. É incrível o que os jogadores do mundo têm feito por aqui.

M.U.: E você acha que os jogadores estrangeiros mudaram o jeito que o basquete é praticado nos Estados Unidos?
C.B.: Não. Eu acho o contrário. Acho que a NBA mudou a maneira como o basquete é jogado no mundo. No começo, os jogadores estrangeiros que vinham para a NBA eram como robôs. Eles viam os vídeos e achavam que tinham que repetir tudo o que fazíamos. Ficava estranho. Depois eles foram vendo que não era preciso imitar, mas desenvolver sua própria forma de jogar. Agora os caras são muito atléticos e de todas as posições. Eles se adaptaram muito bem a nossa forma de atuar. Isso é incrível.

M.U.: Uma pergunta interessante. Hoje em dia quando você vê a NBA sente falta de atletas com mais carisma, como foram você, Magic Johnson, Michael Jordan e outros?
C.B.: LeBron James é o melhor jogador do mundo. Kevin Durant é incrível. Anthony Davis, também…

M.U.: Desculpe interromper, Barkley, mas estamos falando de carisma…
C.B.: (Risos) Ah, cara, eu não sei. Bem, a verdade é que penso o seguinte. Hoje os jogadores estão muito mais preocupados com suas próprias marcas do que em se tornar grandes jogadores do que no meu tempo. E isso é algo que me incomoda algumas vezes, sim.

M.U.: Falando sobre grandes jogadores, queria lhe questionar sobre o Kobe Bryant. Quando você olha para o Kobe atuando, ele está nos seus últimos dias?
C.B.: Ah, sim, nos últimos dias mesmo. Todos têm o seu momento final de carreira. Todos irão cair. Faz parte da vida, faz parte do esporte. Tenho um grande respeito pelo Kobe. Ele é um dos dez melhores de todos os tempos, tem uma história incrível, uma carreira espetacular. Mas tudo chega ao fim. E o fim é dolorido, posso lhe dizer. Ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos, foi uma honra vê-lo jogar todo este tempo, mas acabou.

M.U.: Lembro bem dos seus últimos momentos pelo Houston. Como é para o atleta se ver nesta situação de fim de carreira. O que passa pela cabeça do jogador exatamente?
C.B.: Ah, enche a paciência. Enche muito. A verdade é que sua cabeça funciona, mas seu corpo não obedece. Essa é a diferença. É muito frustrante quando você não pode jogar no melhor nível. Mas agora quando estou mais velho eu entendo isso um pouco melhor. Kobe precisa entender isso. Ele teve uma brilhante carreira, uma ótima vida profissional.

M.U.: E você acha que ele aceita isso?
C.B.: Olha, você não tem escolha. É duro, mas não tem escolha. Só se pode aceitar.

M.U.: E sobre a sua carreira. Acabou há uma década. E você sabe que jogou muita bola. Onde está Charles Barkley no ranking dos melhores de todos os tempos?
C.B.: Ah, eu não faço isso. Eu não me comparo com ninguém, não me coloco em nenhum destes rankings. Sei que tive uma carreira muito legal, com momentos brilhantes. Amei jogar em Filadélfia, amei jogar pelo Phoenix e também, pelo Houston. Foram anos realmente incríveis. Sendo bem sincero. Tendo crescido em uma pequena cidade do Alabama eu jamais poderia imaginar que 52 anos depois eu estaria sentado em Nova Iorque no bar de um hotel sendo entrevistado por jornalistas do Brasil. Digo isso de verdade. Cresci no Alabama, minha mãe era uma empregada doméstica e hoje estamos aqui. Pensa nisso. Na sexta-feira fiz uma das coisas mais legais da minha vida. Eu toquei o sino da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Devo ser a única pessoa da história da minha cidade (Leeds) que deve ter feito isso na Bolsa (Risos). E isso é legal, né?

M.U.: Não sei se você consegue imaginar isso, mas uma das razões de estarmos aqui agora com você é que na época que você jogava no Phoenix seus jogos eram muito transmitidos na TV aberta brasileira. Por isso até hoje há muitas camisas suas, as de número 34, no Brasil…
C.B.: Caramba, que incrível. Em Phoenix foi realmente incrível. Nas três equipes que joguei, na verdade. Sixers, Suns e Rockets, foi muito legal. A verdade é que superei todas as expectativas que existiam para mim. Tive uma vida incrível. Sendo bem sincero. Se eu soubesse que iria morrer, digo com tranquilidade que estaria tudo bem. Estaria de bom tamanho. Tive uma vida maravilhosa, uma carreira maravilhosa, pude ajudar minha família e meus amigos. Estive em todo mundo, superei todas as minhas expectativas. Agora você pensa sobre o lance das camisetas que você citou. Não é incrível que alguém no Brasil tenha uma camisa de Charles Barkley? Isso é fantástico! Isso é interessante, aliás. Eu não me acho famoso, mas você veja só. Quando eu era mais novo, e você mais novo é jovem e estúpido, pensava: “Quero sair dos Estados Unidos para relaxar, descansar um pouco”. E aí quando, hoje, vou para um outro país… ferrou! Eu digo para minha família: “Vamos para a China. Ninguém me conhecerá lá”. Ou Alemanha, ou Brasil, ou Espanha. E aí você sai do avião e é reconhecido imediatamente na porta do avião por jovens de 13, 20 anos que pouco lhe viram jogar. Alguém ter minha camisa no Brasil é realmente memorável.