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Super Bowl? Na NFL, só há espaço para as bolas murchas do Patriots…

por Thiago Perdigão em 22.jan.2015 às 17:31h

Há dez dias do Super Bowl, pouco se fala do jogo. A polêmica continua sendo as bolas murchas da final da Conferência Americana entre New England Patriots e Indianapolis Colts. O Patriots ganhou, mas a NFL descobriu após uma investigação que 11 das 12 bolas do time estavam com a pressão menor do que o permitido. Para quem não sabe, cada equipe tem suas bolas “próprias” durantes os jogos e elas são checadas pelos árbitros antes das partidas.

O resultado foi alterado por isso? Tenho a certeza que não. Mas o Patriots teve vantagem? Sim.

Uma bola murcha permite que um jogador consiga segurar ela melhor. E isso, teoricamente, melhora na hora de lançar uma bola. Teoricamente, porque alguns quaterbacks preferem a bola mais cheia possível. Aaron Rodgers, do Packers, disse que prefere o segundo cenário. Segundo ele, por conta da sua “mão grande”, o movimento com a bola cheia é melhor.

Não estou dizendo que a culpa é da franquia de New England. Mesmo porque a investigação ainda não chegou ao fim. Mas se alguém do Patriots alterou mesmo a pressão de suas bolas, fica claro que alguém do time prefere isso. É bem verdade que a equipe nem precisou tanto do jogo aéreo para vencer o Colts, mas só de saber que se, caso precisasse dele, o teria “facilitado”, já é uma grande vantagem. Não dá para analisar uma quebra de regras depois do resultado definido. Se você quebra a regra antes do jogo, você já é culpado, mesmo que acabe não usando o artifício em seu favor durante a partida.

Se for provado a culpa, o clube deve ser punido com rigor. Afinal, esse não é o primeiro escândalo. Recentemente, em 2007, o Patriots perdeu sua primeira escolha no draft do ano posterior depois que alguns membros de seu estafe foram pegos filmando a comunicação do New York Jets, o que é proibido. Na ocasião, o técnico Bill Belichick admitiu a culpa, mas disse que apenas tinha interpretado mal as regras. Para ele, uma equipe poderia filmar os técnicos da outra, desde que não usasse o material no jogo. Uma desculpa que, para mim, soou como esfarrapada. Mas que passou.

Nesta quinta-feira, Belichick voltou a uma entrevista para falar sobre um escândalo. Desta vez, porém, negou que soubesse sobre as bolas mais murchas.

- Fiquei chocado ao saber do caso. Não sabia nada até segunda de manhã – garantiu o treinador.

Não estou aqui para duvidar da palavra de ninguém. Ele pode não saber de nada mesmo. Mas conhecendo a história de Belichick, um dos maiores treinadores da história da NFL e o melhor dos últimos anos, fica difícil imaginar que alguém tenha tomado qualquer decisão no Patriots em passar por ele.

Além de dizer que ficou chocado, Belichick foi além. Pediu para que os jornalistas perguntassem a Tom Brady sobre as preferências dele de bola. E garantiu que é o camisa 12 quem conversa com os responsáveis pelos equipamentos dos jogos.

- Todos sabemos que quarterbacks, kickers e punters têm preferências sobre o peso da bolas. As preferência de Tom sobre as bolas é uma coisa que ele pode dizer com muitos mais detalhes e informações do que eu poderia fazer – afirmou Belichick.

Muita gente interpretou que o treinador estava jogando seu quarterback aos “leões”. Segundo alguns colegas americanos, a relação entre os dois pode ter azedado.

Eu discordo um pouco. Acho que dificilmente os dois não tenham conversado antes. E que ambos sabem as preferências de Brady.

Mais tarde, Brady disse que gosta da bola na menor pressão possível. Mas garantiu que não participou de nenhuma trapaça.

- Não alterei nenhumas delas de maneira alguma.Eu sinto que eu joguei dentro das regras. Eu jamais quebraria as regras – afirmou.

E se o camisa 12 assumir que gosta da bola mais murcha? A NFL puniria o Patriots? Acho que a história mudaria um pouco.

Enfim, New England não precisa de nenhuma polêmica para ganhar um jogo de NFL. E, claro, por ser tão dominante e estar por cima há tantos anos, a franquia acaba ficando mais em evidência. Qualquer pequena polêmica aumenta quando Tom Brady e Bill Belichick estão envolvidos. Mas, se provado, o clube merece ser punido. O quarterback e o técnico, também. E isso caberia à NFL e eu não quero especular sobre isso.

E seria por tão pouco…

Você acha que o Patriots deveria ser punido caso provada a culpa? Comente!

Twitter: @thiago_perdigao

Passado, presente e futuro da NFL em campo no Super Bowl 49

por Thiago Perdigão em 21.jan.2015 às 12:50h

* Coluna publicada no LANCE! de 21 de janeiro

Pelo segundo ano consecutivo, os dois times de melhores campanhas na temporada regular disputarão o Super Bowl. A disputa será em Glendale, no Arizona, no dia 1º de fevereiro. A semana sem jogos entre as finais de conferência e a decisão serve para “esquentar” ainda mais o jogo.

Mas não precisaria de nada para isso. Menos ainda depois da partida mais épica da história dos playoffs. Não é todo dia que um time vira após estar perdendo por 12 pontos e menos de cinco minutos para o fim. Mas a verdade é que este Seattle Seahawks já mostrou que pode fazer isso e mais. Ficará marcado como uma das grandes equipes da NFL dos últimos anos.
Este Seattle, que deverá passar por algumas mudança em 2015, foi construído desde 2010, chegou ao ápice ano passado e conseguiu o mais difícil: se manter no topo na liga que quer “impedir” que isso aconteça. Tanto que é a primeira vez em dez anos que um time chega duas vezes seguidas ao Super Bowl. E o último que conseguiu foi o New England Patriots, rival da final.

Patriots que com Tom Brady está no Super Bowl pela sexta vez em 14 anos. A sexta final, é um recorde para um quarterback, que busca seu quarto título. Título que o faria se igualar a Joe Montana e Terry Bradshaw, duas lendas.

Durante o ano, Brady recebeu algumas críticas pesadas. Chegou a ser questionado por algumas más performances, como quando o Patriots perdeu por 41 a 14 para o Kansas City Chiefs, uma equipe apenas mediana. Críticas são normais, é verdade, mas outra verdade é que a comunidade esportiva tenta “acabar” como uma lenda rapidamente. Há tempos Brady parece desinteressado. Mas isso é diferente de questionar o seu talento e capacidade para ser titular.

Voltando ao Super Bowl. É curioso como as trajetórias das caras do jogo, Tom Brady e Russell Wilson, o quarterback do Seahawks, são bem parecidas. E quando escrevo caras, é porque ninguém personaliza um time de futebol americano como seus quarterbacks. Isso, mesmo se eles não forem os melhores jogadores de suas franquias. Neste caso, Brady é unanimidade e Wilson, apesar de seu time ter outros grandes destaques, está entre os melhores.

O curioso é que os dois quarterbacks não brilharam tanto em seus anos de universidade. Para quem não sabe, todos os jogadores profissionais da NFL passam pela universidade. O campeonato universitário é muito disputado e acompanhado. Alguns americanos preferem seus times universitários aos profissionais. A febre é tão grande que até a NFL, uma das ligas mais ricas do mundo, tenta surfar nessa onda.

Os jogadores acabam virando estrelas antes mesmo de estrearem pelos profissionais. E, entre todas as posições, os quarterbacks que serão escolhidos nas primeiras posições acabam tendo ainda mais holofotes. Desde 2000, quando Brady entrou na liga, dez quarterbacks foram selecionados na primeira escolha geral do draft. No primeiro round, outros 30. Mas a final de domingo põe frente à frente um quarterback escolhido na sexta rodada (Tom Brady), contra um escolhido “bem antes”, na terceira (Wilson).

Brady foi apenas o 199º jogador escolhido. Ou seja, todas as franquias deixaram o craque passar por umas cinco vezes. Inclusive, o Patriots. Um erro da grande equipe de profissionais que acompanham os jovens talentos. Wilson, o 75º, também era pouco conhecido do público. Em sua classe, estavam também Andrew Luck e Roberth Griffin III, primeiro e segundo gerais, que ainda nem sequer disputaram o título.

Brady e Wilson chegaram para os seus times na condição de reservas. E com poucas chances de jogar em duas franquias que nunca tinham sido campeãs. Brady era o quarto reserva de Drew Bledsoe, que ainda tinha prestígio, apesar de não ter atingido o nível esperado quando chegou ao Patriots, em 1993.

Mas Bledsoe se machucou e Brady assumiu a titularidade em seu segundo ano. Depois disso, só história: ganhou o título em seu primeiro ano como titular, depois mais dois e transformou o Patriots na maior potência deste século. Ninguém dominou a sua divisão e foi aos playoffs como New England. Apesar de “só” ter três títulos, chegou à final outras duas, em uma delas com o melhor time deste século e um dos maiores da história, e que perdeu apenas um jogo no ano, justamente o Super Bowl de 2006.

Wilson foi escolhido para ser reserva de Matt Flynn, que não tinha a história de Bledsoe, mas que tinha feito bons jogos quando entrou no lugar de Aaron Rodgers, no Green Bay Packers, e parecia promissor. Não deu certo. Russell acabou com a vaga, o Seattle, campeão dois anos depois. Um quarterback que ganhou de todos os outros ainda ativos com títulos da NFL. Que com três anos de liga, já pode conquistar seu segundo título e, possivelmente, uma vaga no Hall da Fama. Vaga que Brady já tem garantida, mesmo antes de se aposentar.

Dois quarterbacks com estilos diametralmente opostos. Brady é muito mais técnico, enquanto Wilson é mais móvel. Que comandarão a franquia de maior sucesso neste século, contra justamente a que pode ser sua “sucessora” neste posto. Um jogo que vai estar nos livros de história nos próximos anos. E o desafio continua: assistia um bom jogo de futebol americano e você irá gostar do esporte, não tem como.

Minha aposta? Seahawks, mas por bem pouco.

Twitter: @thiago_perdigao

NFL: Washington erra feio ao abrir mão de RG3

por Thiago Perdigão em 02.dez.2014 às 17:38h

Os dias de Robert Griffin III no Washington Redskins parecem mesmo estarem chegando ao fim. Após perder a posição para Colt McCoy no último fim de semana, a situação parece que não vai mudar para o jogo contra o Saint Louis Rams neste próximo domingo.

Sobre esse assunto, gostaria de dar a minha opinião.

A decisão de Washington de se livrar do seu antigo titular é errada. RG3 não tem jogado bem, é verdade. Mas ainda precisa de tempo. Tempo, principalmente, para se recuperar de uma gravíssima lesão no joelho direito ocorrida em janeiro de 2013.

Já se passou muito tempo, é verdade. Mas a verdade é que o quarterback e a sua franquia erraram muito durante a recuperação física no ano passado. Griffin III parece ter quisto provar que era capaz de se recuperar em tempo recorde e acelerar as coisas. Acelerou demais um delicada recuperação, que ganhou até um reality show, e tem pagado a conta.

Já pagou a conta no ano passado, quando foi mal na segunda metade do campeonato. Esse ano, as coisas obviamente não melhoraram. E se complicaram após uma grave fratura em seu tornozelo esquerdo. As lições parecem não ter sido aprendidas. Ele voltou a jogar e tem ido mal.

É claro que uma franquia não pode ficar apostando (e alto) em um jogador para sempre. Mas depois de uma belíssima temporada em 2012, Griffin merecia bem mais. Washington não consegue ir bem há tempos. Nas últimas dez temporadas, se classificou para os playoffs em 2005, 2007 e 2012. Pouco!

Antes de RG3, um número absurdo de quarterbacks tentaram e falharam na missão de conduzir o time. E depois dele, Kirk Cousin e Colt McCoy também não mostraram grandes coisas. E (atenção para o spoiler!) não vão mostrar!

Griffin era o meu QB preferido do draft de 2012. Repito: o meu PREFERIDO. Não era o melhor. Esse posto sempre foi de Andrew Luck, que tem jogado muito bem, aliás.

Mas RG3 era incontestável ali. Alguns colegas americanos até relataram que após o Combine, pessoas do Indianapolis Colts sugeriram draftar Griffin. É claro que isso não aconteceu ou aconteceria, mas fica claro que o jogador chamou a atenção.

Washington trocou a “alma” com o Rams, dono da segunda escolha naquela ocasião, para ficar com Griffin. O impacto do jogador foi imediato e o time acabou nos playoffs.

Perdeu aquele controverso jogo, quando o QB continuou em campo contra o Seattle Seahawks mesmo com a lesão no joelho. Foi por isso que o problema piorou. Washington perdeu a partida e seu quarterback. Mas a verdade é que Seattle era uma equipe bem melhor e favorita.

Naquela ocasião defendi a decisão de Mike Shanahan, o técnico do time à época, de ter mantido RG3 em campo, já que o jogador pediu para continuar. Muita gente criticou. Não tiro as razões. Mas o meu raciocínio ainda é o mesmo: quando a sua grande estrela chega para você e diz que quer jogar e que dá para jogar, você tem que mantê-la em campo. Até o atleta não conseguir andar. É óbvio que é preciso ter responsabilidade, mas ali duvido que alguém tinha alguma idéia que a lesão era tão grave.

Mas repito: não sou médico, estou longe, mas ainda acho que o problema todo foi a recuperação acelerada feita com o jogador.

RG3 não desaprendeu a jogar. E, mesmo com problemas, é muito melhor do que Colt McCoy, que nunca passou de um jogador mediano. Não é o presente, nem será o futuro da franquia.

Griffin III ainda poderia ser. Mas está claro que não será. E Washington deve conseguir muito pouco com uma troca por ele. Sorte de quem a fizer…

Mas para conseguir ser efetivo, precisará usar esse tempo para se recuperar definitivamente. Ele não é um quarterback de pocket. Depende muito de sua movimentação. Na minha opinião, RG3 tem mais condições de lançar que Michael Vick, um QB que sempre foi muito valorizado. E que pouco fez…

Será uma novela boa de se acompanhar no próximo período sem jogos da NFL. E, para o torcedor do Washington, mais um tempo para se lamentar. RG3 pode até não voltar a jogar no nível de 2012, mas certamente seria muito útil ao time. A franquia desistiu muito cedo.

Twitter: @thiago_perdigao

NFL: Peyton Manning e a história sendo escrita ao vivo

por Thiago Perdigão em 30.out.2014 às 18:42h

Não que precisasse de um número, mas na semana passada, o quaterback Peyton Manning entrou para a história da NFL ao quebrar o recorde de passes para touchdowns. O dono da marca anterior era Brett Favre, outra lenda, que terminou sua carreira com 508 lançamentos para a pontuação máxima do esporte.

Depois de triturar mais esse recorde, já que no meio de semana Manning chegou a 513, voltamos a duas intermináveis questões:  Peyton é o melhor da história? O Indianapolis Colts acertou ao dispensá-lo?

Não costumo ficar em cima do muro, mas essas duas questões não podem ser respondidas hoje. Manning com certeza estará no Hall da Fama. Estará em todas as listas de melhores da história. Mas carregar o rótulo de melhor é ainda prematuro.  Sinceramente, pouco importa. Até o próprio jogador já mostrou que não está lá muito preocupado com isso. A verdade é que daqui a muitos anos, vamos ter orgulho de poder falar que vimos Peyton jogando. Semana a semana mostrando todas as suas grandes qualidades. Qualidades essas que revolucionaram muito a sua posição. Ninguém conseguiu entender as defesas adversárias como Manning. Ninguém mudou e adaptou jogadas de ataque como  ele.

São tantos jogos vencidos em seu braço, que é difícil quantificar o quanto o quarterback foi importante na história recente da NFL. Esse é seu legado. Os números são muito menores do que isso. Os títulos perdidos, como no último Super Bowl quando jogou mal, não podem manchar isso. Apesar de muita gente o rotular como “amarelão”. Para mim, uma bobagem.

É claro que Peyton Manning precisava e merecia ter ganhado mais títulos. Não venceu e  talvez essa seja a sua última temporada. Seu time, o Denver Broncos, tem boas chances de ser campeão. Mas e se não for? Nada mudará a história criada por Manning. Pode pesar em uma “eleição” para ser o maior da história. Mas quem se importa? O importante é ter visto a história acontecer e continuar acontecendo.

Na minha opinião, seu estilo “centralizador” pode ter prejudicado seus times em alguns momentos. Apesar de ninguém nunca confirmar, fica claro que Manning é quarterback, coordenador ofensivo, técnico de wide receivers… Obviamente não acumula os cargos oficialmente. Mas é difícil imaginar que na prática, não seja assim que funciona. É o jeito dele, mas pode prejudicar os seus times. Principalmente em momentos cruciais. Não que Peyton seja “mala”. Mas acho difícil e até certo um treinador se indispôr com um jogador de tamanha categoria. E, no calor dos jogos, pode ser prejudicial. Como já foi.

Sobre a decisão do Colts, é outra longa novela. Só saberemos se a franquia errou ou acertou quando Andrew Luck encerrar sua passagem por lá. Indianapolis seria uma equipe bem diferente com Peyton, é verdade. Aí entram em cena preferências, mas sobretudo, o teto salarial. Manning ainda é muito mais caro que Luck. O que imperdiria o time de ter muitas grandes estrelas.

Mas você trocaria quatro, cinco anos de Peyton Manning por dez, doze de Luck? Eu, Thiago Perdigão, aqui do Brasil a quilômetros de distância de Indianapolis, não trocaria. Mas acho que estou totalmente errado. A decisão do Colts no longo prazo é bem acertada. Só que eu, mesmo não torcendo para o Colts, imagino como ficaria se torcesse. Seria muito doído ver Peyton com outra camisa. E ainda mais vê-lo no Super Bowl, jogando no nível que ele está, acumulando recordes. Luck tem muito futuro, tem jogado bem, mas Manning ainda é muito o presente. Um dos melhores jogadores das últimas temporadas. Passos na frente do promissor Luck.

É, é difícil…

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A (boa) obsessão da NFL em se tornar mundial

por Thiago Perdigão em 29.set.2014 às 14:59h

* Coluna publicada no LANCE! desta segunda-feira. Mas em versão extendida…

Arranhada com os recentes casos de problemas extracampo de alguns de seus jogadores, a NFL se mexeu para diminuir os danos e voltar a se mostrar bem para o mundo.

As medidas para evitar prisões ainda são muito vagas, mas a liga sabe que terá de investir  pesado em programas anti-violência. E o fará, já que há dinheiro. Quase sobrando, na verdade.

Para o mercado internacional, as medidas de expansão da NFL continuam em alta. No último domingo, mais um jogo em Londres. A cidade inglesa recebe uma partida da temporada regular desde a temporada de 2007. Ali, a liga se preparou muito para causar boa impressão após o fracasso da NFL Europa na década anterior. Em 2007, foi difícil para a liga. Negociou com times e decidiu que levaria New York Giants e Miami Dolphins para a tentativa europeia.

O Giants fez exigências. Só aceitaria o jogo caso ele fosse fora de casa. Não queria jogar como mandante em Londres. Além disso, que a semana de folga fosse justamente depois dessa viagem. No fim, a NFL aceitou tudo e a partida aconteceu.

E em Wembley. Não seria a NFL se fizesse em outro estádio. Precisava ser em algum lugar grandioso e com história. A liga fará o mesmo quando for a outros países, podem apostar.

Depois do sucesso da primeira tentativa, as coisas evoluíram e se tornaram mais automáticas. Atualmente, as franquias são comunicadas dos jogos e aceitam. Neste campeonato, serão mais dois jogos na capital inglesa. Pela primeira vez, serão três jogos estrangeiros de temporada regular.

Vira e mexe se fala em levar uma franquia para Londres. Assim como Los Angeles, são mercados do sonho para a liga. Mas a capital inglesa ainda é um sonho distante. Mas não impossível pelas distâncias. Uma viagem da Costa Leste americana para a Oeste dura quase o mesmo tempo do que para a Inglaterra. Seria uma logística difícil, é verdade. Mas, repito, longe de ser impossível.

Além da “aventura londrina”, outros países estão na mira da liga: Alemanha e Brasil. Aí não para franquias, mas para jogos. em um primeiro momento, de pré-temporada. Isso não aconteceu na Inglaterra, que já logo recebeu partidas “valendo”, mas acredito que a segunda parte da expansão será lento. A NFL não quer, neste primeiro momento, diminuir os jogos em Wembley, mas seria exagero tirar mais dois ou três duelos dos EUA neste momento.

A Alemanha teve a única franquia de relativo sucesso nos tempos da NFL Europa. O futebol americano é forte por lá e faz sentido a escolha por se investir no país. Há jogadores alemães na liga e muito por conta da força do esporte, que é bem praticado por garotos de lá.

O Brasil também já chamou a atenção dos executivos americanos há tempos. Até oito jogos de uma rodada que tem no máximo 16, são transmitidos ao vivo por aqui. Para o americano conseguir isso, só no pay per view. O kicker Cairo Santos já é titular do Kansas City Chiefs, Maikon Bonani, outro chutador, bateu na trave. Há campeonatos brasileiros, mesmo que amadores… E uma ânsia por se consumir os produtos da NFL.

Mark Waller, executivo da NFL designado para a expansão, citou o Brasil como próximo passo de um plano de 15 anos da internacionalização da marca. Sete desses anos já se passaram, já que o plano começou com os jogos em Londres. O mercado aqui é bom, apesar da economia ter esfriado. Há um público muito fiel e louco por essa atenção. A equação é simples. E a liga não costuma perder essas chances.

A NFL já tem postado nas redes sociais em bom português. Um jogo por aqui é possível, pelas palavras do executivo da NFL. E em um futuro próximo… Seria ótimo para todos os fãs. A experiência é fantástica e vale a pena. Minha aposta seria no Maracanã.

E você, caro leitor, que jogo gostaria de ver aqui no Brasil?

Twitter: @thiago_perdigao

Mudança da Fiba é interessante. Até para a NBA…

por Thiago Perdigão em 16.set.2014 às 18:00h

Abro uma exceção ao futebol americano neste espaço para escrever sobre o basquete internacional. Depois de mais um (fácil) título mundial conquistado pelos EUA último fim de semana, a Federação Internacional de Basquete anunciou a mudança de algumas regras em competições organizadas por ela.

Agora, após um rebote ofensivo, o tempo de posse de bola não voltará mais a ser 24 segundos, como quando começa a jogada. Caiu para 14 segundos o tempo para essa “segunda chance”. O objetivo é claro: dar mais dinâmica aos ataques.

Voltar a 24 segundos era muita coisa. Times que estavam à frente no placar podiam “cozinhar” o jogo, gastar tempo e isso não é interessante para os torcedores.

Menos tempo pode fazer com que as equipes ataquem a cesta mais rapidamente, podendo aumentar as jogadas mais explosivas e mais divertidas. Quando mais pontos, melhor. Nada que faça com que os jogos Fiba tenham tantos pontos como os da NBA, mas pode melhorar. Para os organizadores, partidas parelhas trazem mais atenção e, consequentemente, mais dinheiro.

É óbvio que essa medida não vai mudar radicalmente o andamento das partidas. São pequenos ajustes, mas que podem melhorar a qualidade do esporte. E essa atualização de regras sempre é interessante. Desde que não seja nenhuma mudança bizarra, claro. E se não der certo, a Fiba voltará atrás. E segue o jogo…

As outras mudanças alteram pouco a dinâmica dos jogos. Agora, um jogador que cometer duas faltas técnicas está excluído das partidas. Isso tem a ver com a postura de alguns atletas que reclamam muito de algumas marcações dos juízes. Que não foram muito bem no último Mundial, é verdade, mas é muito ruim ver tantas reclamações. Muitas vezes espalhafatosas.

A Fiba também liberou as numerações. Bom para o marketing de alguns atletas. Na Olimpíada, por exemplo, poderemos ver LeBron James, caso ele venha ao Brasil é claro, com a camisa 23 da seleção americana. Os patrocinadores aprovam.

Essa mudança de regras vale somente para competições organizadas pela Fiba. Podem, é claro, ser reproduzidas em torneios nacionais e regionais. A NBA, por exemplo, poderia olhar com carinho essa regra da segunda posse de bola cair para 14 segundos. Na minha opinião, veríamos menos daquelas faltas seguidas chatas que um time faz quando está em desvantagem. Não acabaria com a prática, mas poderia reduzir.

Passou da hora de a NFL se posicionar. Punir não é a solução para o ‘extracampo’

por Thiago Perdigão em 15.set.2014 às 17:30h

* Coluna originalmente publicada no LANCE! desta segunda-feira, 15 de setembro. (mas aumentada para o blog)

A semana foi difícil para os amantes da NFL. E logo depois da primeira rodada, após seis meses de longa espera por um jogo oficial. Agora estamos na segunda semana de partidas, muitas muito boas. No campo, está tudo bem, mas fora dele…

Ray Rice, um dos principais jogadores da liga, acabou suspenso indefinidamente após um vídeo mostrando ele agredindo sua noiva, hoje esposa, ter sido divulgado pelo site TMZ. Rice deu dois socos na mulher, que acabou desmaiando. A NFL e o Baltimore Ravens correram para punir o jogador, que não tem mais contrato com a equipe.

Tudo muito bonito… No discurso. Já se sabia, quando um vídeo com imagens fora do elevador onde ocorreu o incidente apareceu, que havia sido algo grave. Mas a NFL “torceu” para mais nada sugir e suspendeu o jogador por patéticos dois jogos. A liga disse que tentou ter o segundo vídeo, mas não conseguiu. Como não?

Depois, outro escândalo com a prisão de Adrian Peterson, outro craque, por agressão a seu filho. O jogador já está solto, mas acabou nem atuando no fim de semana. Terá que responder um longo processo.

Há tempos a atitude dos jogadores é um grande problema para a NFL. Há um ano, Aaron Hernandez, jogador de destaque, foi preso por homicídio. O caso mais grave entre os muitos jogadores presos por brigas domésticas ou por dirigirem bêbados, “comuns” durante o período sem jogos (fevereiro a agosto).

O caso Hernandez é bem emblemático. Sempre escrevo que a NFL “torce para os problemas se resolverem”. Hernandez há tempos tinha problemas de comportamento. Já era suspeito de ter envolvimento com coisas graves desde o tempo de universidade. Não merecia a condenação, mas era claro que havia uma preocupação. O seu clube na NFL, o New England Patriots, sabia disso. Ameaçou suspendê-lo e demití-lo algumas vezes. Não publicamente. Depois, assinou um contrato alto com o jogador, que estava na lista dos melhores do campeonato.

A preocupação era tão grande que assim que a polícia de Boston iria deter Hernandez como suspeito de homicídio, o Patriots correu para dispensar o jogador. Não esperou nem as acusações serem formalizadas. Não sou advogado, mas nos EUA a Justiça funciona um pouco diferente do Brasil. As acusações precisam ser apresentadas a um juiz, que decide se o suspeito ficará detido e passará por um julgamento. Ou seja, nem se tinha certeza do crime que o jogador teria cometido para abrir mão dele. De um dos principais atletas da franquia, para que se fique mais claro.

Esse comportamento fora de campo é um problema social grave. Não somente para a liga ou times. É um problema para a sociedade americana, que para ser justo, não é apenas do esporte. E muito menos só do futebol americano.

Jovens, muito deles de famílias pobres, “do nada” assinam contratos milionários. Com 20 e poucos anos e sem nunca terem ganhado muito dinheiro, conseguem milhões de dólares. Não são todos que se assumem como “donos do mundo”, mas há uma parcela considerável que tem se envolvido com crimes e desvios de condutas. E é preciso encarar o problema.

A ESPN fez um documentário muito bom chamado “Broke”, que mostra a situação financeira grave em que alguns dos jogadores mais famosos dos esportes americanos estão. Ou seja, é um problema que não só gera crimes, mas também pobreza, problemas de saúde e vários outros.

No futebo americano, a NFL é responsável, assim como as universidades, que formam esses jogadores em troca de estudo. Também ganham milhões com mão de obra bem “barata”, já que os atletas não podem ter salários.

É ruim para o esporte e pior ainda para a vida desses jovens. A liga tão milionária e organizada, precisa parar de cuidar apenas dos jogadores. É imperativo tratar do homem.

Punir é importante, mas é a última coisa a se fazer, já que quando se chega a isso, o ato já aconteceu.A liga promete ser dura com que cometer crimes, sobretudo agressões familiares, mas é pouco. Punir não é educar. Punir não é melhorar a situação. Se muito, cria medo. Faz as coisas ficarem escondidas. Como, aliás, tem sido a política da NFL em muitos casos.

Passou da hora de um programa que atenda a esses jovens. Dinheiro tem. E seria um grande exemplo para todos.

Até pouco tempo, a NFL era reticente quanto aos problemas de saúde gerados pelas concussões. Foi processada inúmeras vezes, até que admitiu e tentou criar uma solução. Quando agiu, agiu muito bem e muito honestamente. É o que se precisa fazer agora.

‘Draft Day’: vale a pena ver o filme!

por Thiago Perdigão em 20.mai.2014 às 21:45h

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Nesta terça-feira pude assistir o filme “A grande escolha”. Para os amantes da NFL, o nome inglês “Draft Day” dá melhor a noção de qual é a história.

Esqueça uma análise técnica sobre o filme. Apesar de gostar muito de cinema, criticá-lo não é a minha praia. E também não sou chato como já fui. Hoje, gosto de filmes americanos e os assisto. Passou aquela fase “cinema europeu”, que ainda é o meu favorito, aliás. Mas fiquei mais flexível.

“Draft Day” é um bom filme. Exagerado, com um romance improvável, é verdade. Mas não seria comercial se não tivessem alguns desses elementos. O romance é até bom para o fã de futebol americano, já que deixa a história mais convidativa ao grande público e faz com que mais salas o exibam. Mais salas, mais chances de ver.

É óbvio que “Draft Day” não é um documentário. Apesar de times reais, personagens reais e cenários reais. É uma história de um general manager poucas horas antes da escolha. Disso, dá para imaginar como seria isso na “vida real”.

O ponto alto do filme, para mim, foram as imagens dos quartéis generais de várias franquias. Os draft boards, as instalações, os campos de treinamento, a sala de guerra, os vestiários… tudo está lá. E quase tudo no Cleveland Browns. Mas tem o comissário Roger Goodel no papel dele mesmo. Tem o Radio City Music Hall, local real do evento. Chama muito a atenção ver tudo isso tão de “perto”.

O Browns é a estrela do filme. E o mais interessante é que a equipe foi o centro do draft deste ano, como na ficção. A dúvida é pela escolha de um quarterback. Na “vida real”, Cleveland escolheu Johnny Manziel, o jogador mais falado durante esse período sem jogos. No cinema, deixo para vocês.

Uma pausa no filme. Manziel, na minha opinião, foi uma ótima escolha. O QB pode não ser o futuro da NFL como muita gente acha, mas tem potencial para ser um grande jogador. Vai ajudar muito o seu time, o pior da Liga há muitos anos. E que parece sempre piorar.

Voltando à película. Curiosamente, ou propositalmente, a primeira escolha do draft é do Seattle Seahawks, justamente o campeão do ano passado e que, no draft 2014, escolheu por último na primeira rodada. Tentei várias vezes observar a ordem total do recrutamento, mas não consegui. Os draft boards até aparecem atrás dos personagens, mas sem aqueles recursos de congelamento, ficou difícil. Uma curiosidade, é claro.

A grande dúvida do general manager, da ficção e da vida real, é a mesma: quem escolher? No filme, a primeira escolha é “barbada”. Há alguns anos, vimos algo parecido com Andrew Luck. Em 2012, até surgiu uma pequena dúvida se o Indianapolis Colts poderia mudar e ficar com Robert Griffin III. Mas foram apenas especulações.

E elas estão lá também na ficção. E esse é o ponto principal. Claro que com algumas situações exageradas. Mas que devem acontecer, em menor escala, em todas as 32 franquias da NFL.

Se você é fã da NFL, recomendo que vá ao cinema. O filme entra em cartaz na próxima quinta-feira.

E o torcedor do Browns sonha com o dia que seu time seja um pouco como em “Draft Day”…

Twitter: @thiago_perdigao

Abaixo, o trailer:

NFL: Titans dispensa Bironas e brasileiro é o único kicker do time

por Thiago Perdigão em 19.mar.2014 às 16:52h

Há quase dois meses, conversei com Maikon Bonani para um entrevista. O papo foi ótimo e rendeu uma “Entrevista da Semana”, espaço nobre do Diário LANCE! (no fim do post, o link para uma parte dela).

Na conversa, Bonani se mostrou muito animado com a “segunda chance” que terá com o Tennessee Titans. Após treinar com o time no ano passado, o brasileiro acabou dispensado, mas no fim da temporada assinou um novo contrato com a franquia.

É um contrato “teste”. Bonani não recebeu nenhum bônus de assinatura por ele, mas garantiu que terá um local para treinar em um time profissional. Uma boa chance, levando-se em conta que são poucas as vagas para kickers na NFL.

A maioria dos times tem apenas um kicker em seu elenco. Para a temporada, as equipes podem ter 53 jogadores em seu elenco. Parece muito, mas não é. Afinal, são 22 titulares – 11 para a defesa e 11 para o ataque. Mais alguns atletas que só jogam nos times especiais, mais os reservas… Não é fácil montar um elenco e por isso que geralmente só se tem um kicker. Se ele se machucar em um jogo, problemas. Mas as franquias podem contratar novos jogadores todas as semanas, então os riscos são minimizados.

O Titans tinha em seu elenco um kicker experiente e de um bom nível: Rob Bironas. Bonani competiu com Bironas por uma vaga no ano passado, mas “perdeu”. Bem compreensível, é claro.

Bironas tem 36 anos, nove deles no Tennessee. É o segundo jogador que mais fez pontos pela franquia – aí incluímos a época que o time era o Houston Oilers. Ano passado, acertou 25 de 29 field goals tentados. Um número bom, mas não muito expressivo, é verdade. Como também é verdade que o ataque do Titans foi pífio em 2013.

O veterano kicker tem outros recordes, como oito field goals marcados em um único jogo (recorde da NFL), participou de um Pro Bowl. Números que mostram que Bironas é um jogador bem confiável e talentoso.

E Maikon sabe disso. Em nossa conversa, elogiou o companheiro e disse que aprendeu com ele. Mostrou-se empolgado com a nova competição, mas não projetou nada.

Pois bem, Bironas foi dispensado do Titans nesta quarta-feira. E Maikon Bonani é o único jogador da posição no elenco. Em abril, começam os treinos não obrigatórios da equipe. Será a primeira oportunidade do novo técnico Ken Whisenhunt ver seus jogadores. E ótima chance de Bonani, que garantiu que estará nesses treinos, de mostrar o seu valor.

Antes dessa saída de Bironas, que ainda pode voltar, é claro, achava que Maikon teria uma competição muito difícil pela frente. Pela qualidade de Bironas e pelo tempo que o jogador está na franquia. Na minha opinião, contra Bironas, o brasileiro  dificilmente ganharia em condições normais.

Mas agora, Bonani terá uma chance de ouro de mostrar serviço. O Titans vai contratar outro kicker em algum momento, mas quando isso acontecer, Maikon já poderá ter alguma “vantagem”.

Maikon precisa mostrar, sobretudo, que é consistente. Não precisa acertar chutes de 70 jardas (impossíveis, é claro), mas precisa acertá-los. Em seu período na universidade, Bonani se destacou pouco por chutes muito longos, que até foram poucos, mas conseguiu ser consistente em seus melhores anos.

É claro que o Titans pode draftar alguém antes desse período de treinos (um dos nomes que podem pintar é o também brasileiro Cairo Santos, que participou do Combine em fevereiro). Mas não acredito muito nessa possibilidade…

Enquanto a temporada de treinos não começa, a rotina de treinos de Maikon continua. Pelo menos quatro vezes por semana, o kicker vai à Universidade do Sul da Flórida chutar e fazer musculação. Tudo para estar pronto para a chance no Titans. Que hoje parece muito mais promissora…

– Treinei muito bem no ano passado com o time. Conversei muito com os técnicos e evolui. Chutei bem nos treinos e jogos da pré-temporada, eles viram potencial em mim. Estão tentando me dar uma nova chance e tenho que estar pronto para ela – afirmou Maikon na entrevista de janeiro.

Seria ótimo um brasileiro na NFL. Apesar de alguns colegas tratarem o linha ofensiva Beno Giacomini como brasileiro, o jogador ex-Seattle Seahawks e agora no New York Jets tem pais brasileiros, mas nasceu e cresceu nos Estados Unidos.

Maikon seria ótimo para chamar a atenção dos brasileiros para a NFL. E a Liga sabe que o mercado daqui é muito importante. Ninguém vai pressionar para colocar o kicker em algum time, mas seria bom para todos.

Tentei contato com Maikon nesta quarta, mas ele ainda não me respondeu. Assim que isso acontecer, publico nesse espaço.

Aqui a entrevista ao L!: http://www.lancenet.com.br/minuto/brasileiro-NFL-Bonani-embaixador-esporte_0_1075692676.html

Twitter: @thiago_perdigao

Super Bowl: ganhou o melhor time da NFL. E vem mais Seahawks por aí…

por Thiago Perdigão em 03.fev.2014 às 21:02h

O Super Bowl do último domingo não foi o pior de todos. Foi talvez o menos disputado. Dos últimos tempos, para ser bem exato. Quem já teve curiosidade de ver outras finais principalmente das décadas de 1980 e começo de 1990 sabe que ali era bem mais comum uma goleada.

Na minha opinião, o Seattle Seahawks não “passou o carro” no Denver Broncos porque o Peyton Manning não jogou nada, ou por algum jogador ter amarelado, ou por sorte, ou pelo clima, ou por outra coisa.

Seattle é o melhor time da NFL. Ponto. Você pode não concordar, é claro, mas não vejo uma equipe tão forte quanto esta há tempos.

“Ah, mas o Seahawks quase perdeu de várias babas.” “Ah, o 49ers quase ganhou no playoff e ganhou na temporada regular.” “Ah, mas o time perdeu do Colts que nem é tudo isso.” “E perdeu do Cardinals, que nem foi ao playoff.” “Ah, mas Seattle só ganhou do fraco Buccaneers por três pontos.”

Tudo isso é verdade. Como é verdade que também sofreu contra outros times fracos como o Houston Texans e o Tennessee Titans.

Contra o Carolina Panthers, na estreia, parecia devagar. Ganhou por 12 a 7. Jogou mal e teve dificuldades contra um Carolina que estava longe de ser o bom time que foi ao playoff com a segunda melhor campanha da Conferência Nacional.

Mas, em todos os jogos “para valer” o time foi bem. E uma equipe campeã se forma assim: vence os jogos que não pode perder e cresce na hora das partidas mais importantes.

O Seahawks é exatamente isso. Uma equipe que cresce nos momentos decisivos. Ano passado, foi assim. Perdeu do Atlanta Falcons, é verdade, mas mostrou que a caminhada estava sendo bem feita.

A caminhada começou em 2010. Pete Carroll foi contratado para ser o técnico. No draft, foram escolhidos nas três primeiras rodadas o tackle Russell Okung, o safety Earl Thomas e o wide receiver Golden Tate. Todos muito talentosos. E todos titulares.

Naquela temporada, Seattle foi para o playoff. A campanha foi ruim: sete vitórias e nove derrotas. Mas a divisão era fraca e o time acabou com o título dela. Mas, na pós-temporada, o Seahawks deu uma amostra do que viraria ao bater o New Orleans Saints, que era o atual campeão do Super Bowl. Foi uma surpresa, mas muito do que mostrou ali, a equipe continua mostrando.

Um ano depois, o Seahawks evoluiu menos do que o esperado e o San Francisco teve um grande salto de qualidade. Já era um time talentoso, mas que andava acéfalo, e melhorou chegando à final da AFC. Seattle fez outro bom draft, trazendo Richard Sherman, por exemplo, na quinta rodada do draft.

Aí já mostrando uma aposta de Carroll e sua comissão técnica: uma secundária com jogadores mais altos do que o “convencional”. Mantendo a velocidade e sendo muito física. Mais ou menos o que vocês conhecem como “Legião de Boom”. Todos draftados pela equipe. Ou quase todos, já que Brandon Browner – suspenso neste ano – veio da Canadian Football League. Byron Maxwell, Jeremy Lane e Walter Thurmond também foram draftados pela franquia.

Faltava um quarterback. A linha ofensiva também estava reconstruída, muito talentosa e bem jovem, ou seja, com muito futuro. Aqui mesmo neste espaço opinei que achava que Seattle era o melhor destino para Peyton Manning.

Manning até negociou, mas acabou no Denver Broncos. O Seahawks foi atrás de Matt Flyn, que tinha ido muito bem quando jogou como reserva de Aaron Rodgers, e parecia ter futuro. Mesmo assim, escolheu Russell Wilson na (pasmem) terceira rodada.

Wilson brilhou no tranning camp, convenceu e ficou com a vaga de titular. O Seahawks estava quase pronto. Melhorou o corpo de wide receivers, mas perdeu para o Falcons, que jogou muito bem em 2012.

Em 2013, contratou Percy Harvin – para mim, o MVP daquela temporada passada até se machucar. Harvin, ainda lesionado, pouco jogou, é verdade, mas estava pronto no Super Bowl. E foi um dos melhores em campo. O melhor do ataque, ao menos.

Toda essa cronologia acima, mostra que Seattle tem uma ótima base. E que o trabalho ainda está no começo.

Desde 2004, um time não chega a dois Super Bowls seguidos. Por conta do equilíbrio da NFL, dos jogadores sem contrato, de talentos do draft que conseguem ter impacto imediato, de jogadores que evoluem de uma temporada para outra. E (muito) pelo teto salarial apertado.

O Seahawks tem boas chances de quebrar essas maldição. Dos principais jogadores, Golden Tate e o defensive end Michael Bennett e Breno Giacomini estão com os seus contratos no fim. Mas há espaço no teto para renovar com todos eles. Ou até ir ao mercado para conseguir jogadores melhores.

Russell Wilson que é o dono da posição mais cara, ainda tem contrato de calouro e só poderá negociá-lo em 2015. O (fraco) reserva dele, Tarvaris Jackson, por exemplo, tem um salário maior que o do titular.

A equação só não é a melhor possível para Seattle porque a NFC West é hoje a melhor divisão da NFL. O San Francisco 49ers, que deve perder jogadores, ainda é um grande time, o Arizona Cardinals já mostrou este ano que vai incomodar e até o Saint Louis Rams tem condições de “atrapalhar”.

Mas está claro que atual elenco do Seahawks está pronto para, ao menos, mais uma temporada. E ainda com a moral de já ter conquistado um título. E, sinceramente, não acredito na “Super Ressaca”, reservada aos últimos campeões da NFL.

Voltando ao Super Bowl. Na minha opinião, dou mais valor ao ótimo desempenho de Seattle do que ao mau jogo do Broncos. O campeão tinha um plano de jogo e o desenvolveu com perfeição. Para mim, foi lindo de assistir. E não sou torcedor do time.

Gosto de defesas dominantes. Sempre comento que a do Baltimore Ravens que venceu o Giants praticamente sozinha no Super Bowl de 2000 é lembrada com frequência neste espaço. E merecidamente. Foi a primeira vez que este que vos escreve viu uma performance defensiva daquele nível.

Mas a defesa do Seahawks jogou ainda mais. Mostrou os motivos que a levaram a ser a melhor da Liga. Nos números e análises.

E o ataque também jogou muito. Isso com o Broncos conseguindo parar, mesmo que em parte, a força das corridas de Marshawn Lynch.

Seattle dominou o jogo em todas as suas fases. Os 43 a 8 chamam a atenção, mas mostram esse domínio que escrevi acima. O time de Carroll foi superior em todas as fases do jogo: ataque, defesa e times especiais.

Faltou emoção, mas sobrou qualidade. É bem verdade que seria mais legal se Denver conseguisse pelo menos atrapalhar. Os últimos Super Bowls nos deixaram mal acostumados no quesito emoção e qualidade.

Mas o 48 está longe de ser o pior. O Seattle Seahawks não merece nada com “pior”…

Você concorda?

Twitter: @thiago_perdigao