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NFL: O (estranho) caso Tom Brady

por Thiago Perdigão em 29.jul.2015 às 17:13h

*Coluna publicada no diário LANCE! do dia 29 de julho

Tom Brady está fora dos quatro primeiros jogos da temporada de 2015 da NFL. A liga anunciou ontem que irá manter a suspensão do jogador, “culpado” pelo escândalo das bolas murchas na final da Conferência Americana no começo deste ano, contra o Indianapolis Colts e vencida pelo New England Patriots.

Quatro jogos ou 1/4 da temporada. Não são definitivos para a classificação do Patriots para o playoff. Muito por conta da fragilidade da divisão. Apesar das melhoras de New York Jets, Miami Dolphins e Buffallo Bills, elas ainda estão abaixo.

A justificativa para a punição de Brady está no relatório independente feito pelo advogado Ted Wells. O problema é que o documento divulgado pela NFL não esclarece muita coisa. Nas palavras de Wells, era “mais provável do que não que Brady sabia das bolas murchas”. Pouco para punir alguém.
Obviamente o advogado investigou o máximo que deu. E é difícil provar a culpa de alguém que não mexeu nas bolas. Ou alguém acha que Brady verificou pessoalmente a calibragem? Claro que não. Como é improvável que o quarterback não saiba exatamente qual a calibragem que o deixa mais confortável para jogar. A NFL mudou a regra para esse ano, mas até hoje, cada time era responsável por suas bolas no ataque. Em um esporte com ajustes tão finos como é o futebol americano, o peso da bola com certeza faz parte dessa lista de coisas que são acertadas previamente antes de qualquer jogo.

Há outros elementos que indicam que Brady sabia. Uma troca de mensagens entre Jim McNally e John Jastremski, que trabalham na franquia e controlavam essas bolas, mostram que eles conversaram com o  quarterback na véspera da partida contra o Colts que gerou toda a polêmica.

Em sua defesa ao apelar da suspensão, Brady disse que não entregou o celular que usava na época do jogo para ser checado, porque o tinha destruído. Segundo ele, uma “prática comum”. Mas a NFL, que não aceitou o recurso, diz que o camisa 12 do Patriots não fez isso em, ao menos, uma outra troca. Mas a liga não sabia se havia ali alguma prova da participação de Brady no esquema. O que deveria minimizar a culpa. Mas não o fez…

O quarterback deve apelar à Justiça e manter a novela. Na minha opinião, pesou para a NFL o “Spygate”, outro escândalo que envolveu o Patriots – a comissão técnica da equipe filmava os sinais dos rivais durante os jogos, o que não é permitido. A franquia foi punida. E acertadamente. Mas não é porque errou lá, que New England merece ser punido novamente. Para mim, a NFL esconde algum elemento da investigação. De novo.

O “curioso” é que Brady estará apto na semana  6. Contra o Indianapolis Colts, no Sunday Night Football, horário mais do que nobre para o futebol americano. Sinceramente, não acredito nessas coincidências quando se trata de NFL…

Twitter: @thiago_perdigao

Spurs, Patriots… E a arte de se reinventar!

por Thiago Perdigão em 08.jul.2015 às 17:14h

* Coluna publicada no LANCE! do dia 8 de julho

A grande premissa do esporte americano é o equilíbrio. A “luta” das ligas é para que nenhum time consiga uma dinastia. As regras para isso se acumulam: teto salarial, draft com a equipe de pior desempenho escolhendo primeiro, mercado de agentes livres…

Obviamente, as franquias lutam pelo contrário. Quem está na frente, tem que criar boas saídas para se manter na ponta. Não é fácil. E, com o teto salarial, pouco importa se você tem mais dinheiro. Sobretudo, na NBA e na NFL. No beisebol, as regras são mais flexíveis, mas a alternância tem existido.

Mesmo com todos esses bons mecanismos, algumas franquias conseguem se sobressair. Na NBA, o bom exemplo é o San Antonio Spurs, multicampeão nos últimos anos. Na NFL, temos o New England Patriots, atual campeão do Super Bowl.

Antes do começo deste século, e de Bill Belichick assumir o comando do time, o Patriots não tinha nenhum título. Era um time de uma grande cidade (Boston), mas que não conseguia engrenar. Desde 2001, porém, são quatro conquistas. Já está empatado com New York Giants e Green Bay Packers e só perde para San Francisco 49ers e Dallas Cowboys, com cinco, e Pittsburgh Steelers, com seis. O desempenho de New England só não é melhor, porque perdeu duas finais para o Giants nesses últimos anos.

E, deixando de lado alguns escândalos como Spygate (quando os treinadores do Patriots foram pegos espionando as comunicações do rivais) e o recente Deflategate (bolas murchas), o que mais impressiona é o domínio que o Patriots conseguiu em sua divisão. Desde 2001, o time ficou fora dos playoffs duas vezes (2002 e 2008). Na última, perdeu o quarterback Tom Brady após o primeiro jogo por conta de uma grave lesão no joelho. Times que conseguiram mudar seus jeitos de jogar, já que perderam algumas estrelas, e foram lá e venceram. Por vezes apostando em longos lançamentos, outras em corridas ou lançamentos curtos ou na defesa forte. Sempre muda, mas o Patriots está sempre forte.

Algo parecido com o que acontece com o San Antonio Spurs, na NBA. Desde que Tim Duncan estreou pela franquia, na temporada 1997-1998, o time sempre foi aos playoffs. Ganhou cinco títulos, o último deles na temporada passada, quando o elenco já era muito questionado por sua alta idade. Este ano, foi eliminado na primeira rodada após ótimos sete jogos contra o Los Angeles Clippers. A equipe, que lutou muito, agora terá LaMarcus Aldrigde, um grande reforço para o garrafão. Já sabemos que o Spurs estará no playoffs. E vai brigar. Terá em Aldrigde mais um All Star. Se reinventará. Mais uma vez. Para o bem do esporte. E a sorte dos torcedores. Mesmo os rivais!

No Twitter: @thiago_perdigao

NBA: MVP? Stephen Curry para presidente!

por Thiago Perdigão em 01.jul.2015 às 17:37h

Esta quarta-feira foi um dia especial para este espaço. Estreamos a coluna Made in USA no diário LANCE!. Além deste BLOG, que começou em 2009 após o Super Bowl 43, em Tampa. De lá para cá, muita coisa aconteceu e tentei (e algumas vezes fracassei) deixar este espaço atualizado. Um espaço de opinião sobre alguns dos principais eventos dos esportes americanos.

A coluna de estreia foi sobre Stephen Curry, o melhor jogador da temporada passada da NBA. Ganhou a maioria dos prêmio individuais e o título. Uma estrela consolidado. Confira abaixo a coluna completa:

Há pouco mais de duas semanas, Stephen Curry comemorava seu primeiro título da NBA. O primeiro do Golden State Warriors, seu time, em 40 (longos) anos. O anel de campeão completou a temporada do armador, uma das “novas” estrelas da liga.

Temporada que foi quase perfeita para Curry. E o “quase” é apenas uma figura de linguagem. O camisa 30 do Warriors só não levou o MVP das finais. Realmente começou devagar na série contra o Cleveland Cavaliers e só voltou a ser o Curry desta temporada após o quarto jogo do duelo. O prêmio a Andre Iguodala, seu colega de equipe, acabou sendo justo.

Tirando este prêmio, Stephen levou o de Jogador Mais Valioso da temporada, esteve no time ideal da NBA, foi escolhido como o esportista do ano no BET awards e é um dos finalistas para o prêmio ESPY de melhor do ano.

E o sucesso não é somente de crítica. Ontem, a NBA divulgou o ranking das camisas mais vendidas no último semestre. E a 30 do Warriors foi a mais vendida. E Curry ainda foi o jogador mais votado para o All Star Game. Nesses dois últimos duelos, superou LeBron James, o melhor jogador de basquete do mundo, e um dos mais populares de todos os tempos.

Stephen Curry não é tão midiático como LeBron. E isso não é uma crítica. Curry parece inaugurar uma nova forma de sucesso no esporte americano. Só saberemos se será isso mesmo daqui a alguns anos. Não ser tão midiático não quer dizer que ele não fature com marketing como o “Rei James” faz tão bem. Stephen é o principal nome da Under Armour, marca de material esportivo que tem crescido no mercado americano.

Mesmo campeão, Curry parece “fugir” dos holofotes. Correu para curtir as férias com a família – que ficou muito famosa nos playoffs, sobretudo pela simpatia de Riley, sua filha de quase 3 anos –, continuou a dar entrevistas com a voz baixa de sempre e apesar de ter comemorado muito, preservou aquele estilo mais calmo, de sorriso tímido. Um contraponto total a era das celebridades em que estamos inseridos no momento. Que amplificou ainda mais com as redes sociais, mesmo que publicando constantemente no Instagram.

Já escrevi outras vezes que considero Curry como o presente e o futuro da NBA. Um presente consolidado, inclusive. Já é das grandes estrelas da liga, sobretudo pela sua qualidade dentro de quadra. Controle de bola incrível e arremessos perfeitos. O Warriors tem totais condições de se manter no topo na próxima temporada. LeBron x Curry será daquelas rivalidades eternas? Sinceramente, espero que sim. Os fãs da NBA agradecem!

Essa coluna será publicada toda quarta-feira no L!. Sugestões? No blog  e no Twitter: @thiago_perdigao

NBA: ‘novo’ campeonato com ‘velhas’ estrelas

por Thiago Perdigão em 17.abr.2015 às 20:46h

A NBA é a mais brasileira das ligas americanas. Óbvio que a “facilidade” de o basquete ser disputado no mundo todo e ser muito tradicional no Brasil, campeão do mundo no masculino e feminino, contribuem para a proximidade e a popularidade do torneio por aqui.

Neste sábado começa o campeonato de fato. Sei que muitos não gostam dessa afirmação, mas os 82 longos jogos da temporada regular são apenas um aperitivo para as finais. Entendo que o negócio exige que se tenha tantas partidas. É bom para todos da liga. Só o torcedor que está mais longe, como nós aqui do Brasil, que sofre um pouco mais para ver tudo. Mas sempre vale a pena.

Estive em Nova York em fevereiro deste ano para o All Star Game e todas as merecidas atenções estavam com Stephen Curry, melhor jogador do melhor time da NBA até ali – e que se manteve assim até o fim – o Golden State Warriors.

Muita gente desconfiava se o Warriors conseguiria manter o ritmo até o fim da fase regular. Se nos playoffs, com um time mais leve e sem um garrafão de mais peso, conseguiria atropelar. Se manteria o desempenho se chegasse à final…

As dúvidas ainda existem. Não dá para adivinhar o que acontecerá. Mas Golden State mostrou que pode. Que não é fogo de palha. Vai sofrer mais agora do que na temporada regular, é claro. Todas as equipes farão ajustes, que não costumam fazer, para esses jogos mais decisivos. Mas não dá para descartar só porque é um time jovem ou veloz. É favorito à final e título, sem dúvidas. Mas sofrerá, com certeza. Para mim, mais contra Grizzlies ou Spurs, por exemplo.

Se para o Warriors manter o desempenho é o desafio, para o Cleveland Cavaliers, do astro LeBron James, chegou a hora de dar aquele passo de campeão. O time começou mal, sobretudo por conta da alta expectativa, mas se recuperou e jogou um basquete de alta qualidade em vários momentos da temporada. No fraco Leste, não deve ter rivais.

Curry é o futuro e presente da NBA. LeBron é o presente, passado e futuro da liga. Seria uma final muito interessante para a temporada.

James assumiu para ele a missão de dar um título para o Cavaliers, do seu estado natal. A saída para o Miami Heat pegou mal entre os torcedores, mas todos já esqueceram. Não precisa ser esse ano, é verdade, mas o (de novo) camisa 23 está mais do que sedento para conseguir isso agora. Não que ele precise provar nada para alguém, aquela bobagem de amarelão já passou, mas não há um jogador que não pense em fazer história.

Cleveland é uma cidade apaixonada por esporte, mas que não é lá muito vencedora. Pelo menos, não tem sido nos últimos (muitos) anos. O Cavaliers, na primeira passagem de LeBron, quase conseguiu, mas a verdade é que a estrela jogava sozinha e foi fácil para o Spurs se ajustar para batê-lo por 4 a 0 em 2007.

O caminho para a taça é longo para todos. A história está aí e zebras, algumas nem tão zebras assim, sempre podem chegar. Façam suas apostas. Eu garanto: valerá a pena!

Twitter: @thiago_perdigao

Dirigente da NFL ‘esquenta’ Pro Bowl brasileiro e isso é ótimo!

por Thiago Perdigão em 02.abr.2015 às 14:07h

Na boa conversa com o repórter Felipe Domingues deste LANCE!, o vice-presidente internacional da NFL, Mark Weller, não quis confirmar nada, é verdade, mas deu ótimos indícios que a NFL está bem inclinada a trazer o Pro Bowl ao Brasil em 2017.

Se você não leu ainda a entrevista, sugiro que você o faça aqui neste link ( http://www.lancenet.com.br/mais-esportes/NFL-querer-Paulo-Rio-Carnaval_0_1331267077.html).

É raro um executivo de tal porte da liga falar tão abertamente sobre um assunto “não confirmado”. O que mostra que o Pro Bowl brasileiro já não é mais tabu para ninguém na NFL.

Na minha opinião, o plano A, B e C da liga no Brasil é fazer o jogo no Maracanã. Por tudo o que o estádio significa. E o Rio de Janeiro é o grande cartão postal do Brasil para mundo, quase como se ainda fosse a capital do país para os gringos.

E concordo com esse caminho. Caminho parecido com o da NBA no Brasil. E com a vantagem de poder jogar num templo como o Maracanã.

A outra possibilidade, segundo Waller é São Paulo. Ou seja, a NFL teoricamente limita sua busca a essas duas cidades. Bem previsível, o que mostra que eles têm boas informações sobre o Brasil e os estádios.

É bem provável que algum promotor já tenha mostrado as estruturas para a NFL. É um processo bem natural nesse tipo de caso. A vontade de Waller de “misturar” o Pro Bowl ao Carnaval mostra que o dirigente sabe quando e porque jogar no Brasil nessa época.

É óbvio que não dá para se empolgar além da conta. O bom exemplo de Waller sobre o sonho e a dificuldade de a NFL levar um time para Los Angeles, mostra que nem sempre as coisas são fáceis.

Seria uma operação bem difícil trazer a NFL para o Brasil. Mas algo que parecia impossível, hoje se torna bem mais factível. Ótimo para os fãs brasileiros da liga.

Mas ainda falta muita coisa, como por exemplo, a negociação com os jogadores.

Mesmo com o “lado ruim”, é hora de começar a juntar suas moedinhas…

Twitter: @thiago_perdigao

NFL pensa em fazer o Pro Bowl no Brasil. E não é um sonho impossível…

por Thiago Perdigão em 23.mar.2015 às 15:55h

A “bomba” caiu na manhã de hoje: segundo a Fox americana, uma fonte da NFL disse que o Brasil pode ser sede do Pro Bowl de 2017, que vale pela temporada de 2016. Ou seja, daqui a menos de dois anos…

Muita gente trata a possibilidade como distante. Na minha opinião, não é. Não estou “garantindo” nada, mas acho que a chance de termos um Pro Bowl brasileiro é bem real.

Por vários motivos e vou tentar mostrar alguns neste post. Ano passado, publiquei no diário LANCE! e neste blog uma coluna sobre a internacionalização da NFL (você pode lê-lo aqui). O México já recebeu jogos, Londres é sede de partidas desde 2007 e na última temporada sediou três. E a cidade europeia será casa da liga ainda por muitos anos…

Em outubro do ano passado, comemorando a consolidação da NFL na Inglaterra, Mark Waller, vice-presidente internacional da liga, citou o Brasil como um dos alvos do plano de internacionalização da NFL de 15 anos, que começou em 2007, com o primeiro jogo na terra da rainha.

- Nós sempre deixamos claro que nosso foco sempre será “vamos manter a estratégia do Reino Unido em pé e andando”. E quando sentíssemos que estava tudo consolidado, continuaríamos para um próximo passo e um novo mercado. A Alemanha é um mercado óbvio. E eu, obviamente, estou de olho no Brasil. Eles fizeram um grande trabalho com os estádios novos. A infaestrutura já existe. O Brasil tem o benefício logístico de estar em um fuso horário parecido com o dos EUA. Isso tudo resolve um monte de problemas práticos que teríamos para jogar lá. É um voo longo, o que é obviamente considerado, mas depois de ver a Copa do Mundo lá, seríamos tolos se não olharmos para o Brasil – afirmou Waller.

Essa afirmação foi há menos de seis meses. O que deixa claro que os estádios da Copa teriam prioridade em um jogo por aqui. Uma escolha óbvia. E, sinceramente, acredito que alguém da NFL conhece bem alguns desses palcos. Um importante executivo da liga não falaria assim se não tivesse boas informações sobre o país.

A NFL já tem feito algumas pequenas ações para mostrar que está de olho no Brasil. Já há a versão em português da página do Game Pass, o canal on demand da liga. Uma assinatura do Game Pass dá direito a ver todos os jogos da temporada. Os brasileiros já consomem esse produto há tempos e nos últimos anos a expansão foi bastante significativa. A ponto de “facilitar” para os brasileiros com a página em português.

Nas redes sociais, já surgiram vários posts em português. Daqueles para avisar o fã brasileiro que a liga sabe que eles existem. Esse relacionamento é fundamental para aumentar a base de torcedores. É só olhar para o lado e ver como a Fórmula 1 está sofrendo por não conseguir “renovar” seu público.

E, é claro, há o fator ESPN. Na matéria da Fox americana, eles citam os números de rating televisivo alcançados pela ESPN no Brasil. São números bem significativos. E esses números garantem mais dinheiro para a NFL, que negocia os direitos internacionais fora do pacote para os EUA.

Apesar da crise econômica, o Brasil ainda é um bom mercado. Não somente pelo poder de consumo, mas também pelo número de pessoas. Quanto mais gente vendo a NFL melhor, sobretudo para a liga, que conseguiu passar pela crise americana com sucesso. Mas o mercado dos EUA já está “dominado”. E esse passo internacional é óbvio.

A decisão não deve demorar. Já se sabe que o Pro Bowl do ano que vem voltará ao Havaí. Este ano, foi em Glendale, no mesmo palco do Super Bowl. Há alguns anos, a liga tentou a mesma coisa em Miami. Não deu muito certo. A final de 2017 será em Houston e o Jogo das Estrelas não será na cidade texana. Essa semana os donos se reúnem para decidir as mudanças de regras para esta temporada. E a decisão sobre o Pro Bowl deve acontecer, ou ao menos ser discutida, nesse encontro.

Recentemente, a NFL mudou a forma de disputa do Pro Bowl. Os times deixaram de ser das Conferências e passaram a ser comandados por antigas estrelas da liga, que escolheram os seus favoritos e montaram suas equipes. O apelo, ao menos nos EUA, não aumentou muito.

Sei que o Pro Bowl não é o jogo dos sonhos de ninguém. Os jogadores já estão em fim de temporada, cansados e sabem que aquela disputa não vale nada. É natural tirar o pé. Por isso que, na minha opinião, a melhor saída para torná-lo interessante, é ele ser sediado fora dos EUA. É uma ideia que defendo há anos. A equação é simples: quem no Brasil que gosta de futebol americano não sonha em ver alguns dos melhores jogadores de perto? Mesmo não valendo nada, seria ótimo para os fãs brasileiros. A experiência já valeria.

É claro que o brasileiro não é bobo. Não adianta querer cobrar um valor muito alto, daqueles proibitivos, em um ingresso só porque as estrelas estarão por aqui. Todo mundo por aqui quer ver um jogo da NFL, mas sabe que o Pro Bowl não é o melhor deles. Eu já fui em um, em Miami, e realmente não é uma partida inesquecível. Mas valeria um investimento.

O exemplo da NBA é o melhor para explicar isso. Mesmo na pré-temporada, o evento tem gerado muito interesse aqui no Brasil. Os ingressos são caros, mas até agora não foram proibitivos. É claro que na temporada passada, teve o apelo de LeBron James x Miami Heat, mas a verdade é que os ingressos já estavam esgotados mesmo antes de o astro anunciar que iria voltar ao Cleveland Cavaliers.

É aguardar as cenas dos próximos capítulos. Que devem ser mostradas nos próximos dias. Ao torcedor brasileiro, uma “dica”: vai guardando umas moedas, porque pode ser que ajude.

Onde você gostaria de ver um jogo da NFL aqui no Brasil?

Twitter: @thiago_perdigao

Um dos maiores de todos os tempos, Barkley elogia Oscar, brasileiros e fala da atual NBA

por Thiago Perdigão em 12.mar.2015 às 14:23h

Não costumo contar coisas pessoais neste espaço, mas desta vez não tem como. Comecei a acompanhar as ligas americanas no começo da década de 1990, quando a TV Bandeirantes, muito por conta do narrador Luciano do Valle, resolveu apostar nas transmissões da NFL e NBA para o Brasil. O basquete, até por ser praticado no Brasil, logo ganhou muito espaço. Ainda garoto, passei a acompanhar as estrelas Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird… Mas o meu favorito sempre foi Charles Barkley, na época já no Phoenix Suns.

Em 1993, o Suns comandado por um iluminado Barkley, só parou no Chicago Bulls de Jordan. Um time muito melhor, com certeza. Enfim, um ano depois pude ir para os Estados Unidos e uma das primeiras coisas que eu fiz ao chegar em Orlando foi comprar uma jersey do Barkley. Só tinha um tamanho bem grande e pouco a pude usar. Mas guardei. Quando fiquei sabendo que ia para o All Star Game deste ano, convidado pelo canal Space, e iria ficar no mesmo hotel do pessoal da TNT americana pensei: vou levar minha camiseta do Suns e tentar conseguir um autógrafo. Sabia que seria difícil, mas… Claro que esse seria apenas a cereja do bolo de uma cobertura. Sou jornalista, mas dá para ter umas horas como torcedor.

Eu e o Fabio Balassiano, do ótimo blog Bala na Cesta (http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/), encontramos Barkley no restaurante do hotel. Na hora fomos conversar com o ex-jogador, hall da fama da NBA e uma das estrelas do inesquecível Dream Team que encantou o mundo na Olimpíada de Barcelona de 92 e que fez o mundo conhecer as estrelas e a NBA. Barkley nos atendeu com muita simpatia e aceitou dar uma entrevista para a gente. (e claro, posar para as fotos e autografar a minha camisa, devidamente guardada em casa)

barkley

A camisa autografada

Barkley é hoje um dos principais comentaristas da TV americana. Daqueles muito respeitados. Que é amado e odiado por jogadores e torcedores. As vezes exagera, é verdade, mas tem opiniões muito boas. Deixou de lado aquela imagem de brigador, marrento e hoje é brincalhão e muito simpático.

Na conversa, o ex-jogador se mostrou emocionado e agradecido por tudo o que o basquete lhe proporcionou. Contou sobre a infância pobre no Alabama e a fama que conquistou com seu trabalho. Era só olhar para ele que dava para sentir o orgulho por ter feito tanta coisa em sua vida.

- Sendo bem sincero. Tendo crescido em uma pequena cidade do Alabama eu jamais poderia imaginar que 52 anos depois eu estaria sentado em Nova Iorque no bar de um hotel sendo entrevistado por jornalistas do Brasil. Digo isso de verdade. Cresci no Alabama, minha mãe era uma empregada doméstica e hoje estamos aqui – disse.

Barkley também lembrou do confronto contra a Seleção Brasileira em 92. Fez elogios a Oscar Schmidt, principal estrela brasileira de um tempo que a NBA era quase que exclusivamente brasileira.

- O Oscar provavelmente foi o melhor jogador internacional que quase ninguém viu jogar. Tive a sorte de jogar contra o Oscar, posso lhe dizer isso. Todos nós conhecíamos ele, os feitos dele, apesar de quase nunca vê-lo jogar. Ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos, não tenho dúvida disso – afirmou o americano, que ainda falou sobre os brasileiros que atualmente jogam na NBA.

- Os jogadores brasileiros têm feito uma grande contribuição ao jogo aqui na NBA.

Barkley disputou a NBA num período de grandes jogadores como Jordan, Bird, Magic. Mesmo estrelas “menores” eram carismáticas. Hoje, muito se critica a falta de atletas com essa empatia com o público. O ex-jogador deu sua opinião sobre isso:

- Bem, a verdade é que penso o seguinte. Hoje os jogadores estão muito mais preocupados com suas próprias marcas do que em se tornar grandes jogadores do que no meu tempo. E isso é algo que me incomoda algumas vezes, sim.

Nesta entrevista, feita ao lado do Balassiano, Barkley também falou sobre sua opinião com relação à “invasão” das estatísticas na NBA, dos estrangeiros na liga, deu polêmica opinião sobre Kobe Bryant… Confira a íntegra abaixo:

Made in USA: Somos do Brasil e uma das primeiras lembranças que temos de você foi em 1992, quando o Dream Team venceu o Brasil por 127 a 83. O que você lembra daquele duelo, dos brasileiros e, óbvio, daquela fantástica equipe americana na Olimpíada de Barcelona?
Charles Barkley: Ah, sim, lembro muito do Oscar Schmidt. O Oscar provavelmente foi o melhor jogador internacional que quase ninguém viu jogar. Tive a sorte de jogar contra o Oscar, posso lhe dizer isso. Todos nós conhecíamos ele, os feitos dele, apesar de quase nunca vê-lo jogar. Ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos, não tenho dúvida disso. E é um cara legal também. O conheci no Hall da Fama recentemente e foi maravilhoso tê-lo visto entrar no Hall da Fama com aquele discurso bem emocionante.

M.U.: Não sei se você se lembra, mas no Pré-Olímpico de Portland em 1992 um jogador brasileiro, o Marcel de Souza, tentou provocar vocês dizendo que o time dos Estados Unidos não era aquilo tudo…
C.B.: (Risos) Ah, a melhor coisa de ter jogado no Dream Team foi que fizemos o jogo ser realmente internacional. Todo mundo conhecia o Oscar, o lituano Arvydas Sabonis, dois dos melhores de todos os tempos, mas aquela era uma época diferente. Com o Dream Team, os jogadores estrangeiros passaram a vir para os Estados Unidos, a NBA mesmo ficou mais aberta aos atletas internacionais. Vocês viram o jogo entre os calouros dos EUA e os estrangeiros, né? Eu apostei nos internacionais para ganhar e eles venceram. Isso quer dizer algo importante. Olhe quantos jogadores internacionais bons temos aqui atualmente!

M.U.: Desde semana passada você tem se envolvido em uma acalorada discussão com Daryl Morey, o gerente-geral do Houston Rockets, sobre a extrema valorização dos números, os tais Analytics. Você afirma que números são apenas números e ele defende que por trás dos números há muita coisa…
C.B.: Veja, em primeiro lugar: Anylitcs são apenas estatísticas. E eu acredito que você não pode construir o seu time só com isso. Você precisa construir o seu time com bons jogadores. Magic Johnson, Phil Jackson (ex-técnico de Lakers e Bulls e atual presidente do Knicks) e Mark Cuban (dono do Dallas Mavericks) me mandaram mensagens e saíram em minha defesa publicamente. Eles concordam comigo, também. O jogo tem muitas variáveis para ficarmos analisando apenas os números. Você tem estatísticas contra times bons, contra times ruins. É impossível você ter um consenso sobre isso. E se você jogar quatro jogos em cinco dias? E se enfrentar um time com muitos desfalques? Os números são frios e são muitas variáveis para se construir um time apenas com os Analytics.

M.U.: O que você acha dos jogadores brasileiros na NBA? Conhece algum?
C.B.: Nenê é brasileiro, certo? Gosto dele. Tiago Splitter é ótimo. Leandrinho eu conheço bem de Phoenix. Pode anotar pontos contra qualquer um. E o Anderson Varejão infelizmente se machucou. Ele estava jogando muito bem pelo Cleveland e gosto de sua atitude. Os jogadores brasileiros têm feito uma grande contribuição ao jogo aqui na NBA. E essa foi a grande coisa de ter jogado naquele Dream Team. Fizemos o jogo ser global, o jogo ser totalmente internacional. E acho que conseguimos. Você vê jogadores fantásticos aqui como Dirk Nowitzki, Tony Parker, o meu querido Manu Ginóbili. Olha este grego do Bucks, o Giannis Antetokunmpo, que coisa absurda. É incrível o que os jogadores do mundo têm feito por aqui.

M.U.: E você acha que os jogadores estrangeiros mudaram o jeito que o basquete é praticado nos Estados Unidos?
C.B.: Não. Eu acho o contrário. Acho que a NBA mudou a maneira como o basquete é jogado no mundo. No começo, os jogadores estrangeiros que vinham para a NBA eram como robôs. Eles viam os vídeos e achavam que tinham que repetir tudo o que fazíamos. Ficava estranho. Depois eles foram vendo que não era preciso imitar, mas desenvolver sua própria forma de jogar. Agora os caras são muito atléticos e de todas as posições. Eles se adaptaram muito bem a nossa forma de atuar. Isso é incrível.

M.U.: Uma pergunta interessante. Hoje em dia quando você vê a NBA sente falta de atletas com mais carisma, como foram você, Magic Johnson, Michael Jordan e outros?
C.B.: LeBron James é o melhor jogador do mundo. Kevin Durant é incrível. Anthony Davis, também…

M.U.: Desculpe interromper, Barkley, mas estamos falando de carisma…
C.B.: (Risos) Ah, cara, eu não sei. Bem, a verdade é que penso o seguinte. Hoje os jogadores estão muito mais preocupados com suas próprias marcas do que em se tornar grandes jogadores do que no meu tempo. E isso é algo que me incomoda algumas vezes, sim.

M.U.: Falando sobre grandes jogadores, queria lhe questionar sobre o Kobe Bryant. Quando você olha para o Kobe atuando, ele está nos seus últimos dias?
C.B.: Ah, sim, nos últimos dias mesmo. Todos têm o seu momento final de carreira. Todos irão cair. Faz parte da vida, faz parte do esporte. Tenho um grande respeito pelo Kobe. Ele é um dos dez melhores de todos os tempos, tem uma história incrível, uma carreira espetacular. Mas tudo chega ao fim. E o fim é dolorido, posso lhe dizer. Ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos, foi uma honra vê-lo jogar todo este tempo, mas acabou.

M.U.: Lembro bem dos seus últimos momentos pelo Houston. Como é para o atleta se ver nesta situação de fim de carreira. O que passa pela cabeça do jogador exatamente?
C.B.: Ah, enche a paciência. Enche muito. A verdade é que sua cabeça funciona, mas seu corpo não obedece. Essa é a diferença. É muito frustrante quando você não pode jogar no melhor nível. Mas agora quando estou mais velho eu entendo isso um pouco melhor. Kobe precisa entender isso. Ele teve uma brilhante carreira, uma ótima vida profissional.

M.U.: E você acha que ele aceita isso?
C.B.: Olha, você não tem escolha. É duro, mas não tem escolha. Só se pode aceitar.

M.U.: E sobre a sua carreira. Acabou há uma década. E você sabe que jogou muita bola. Onde está Charles Barkley no ranking dos melhores de todos os tempos?
C.B.: Ah, eu não faço isso. Eu não me comparo com ninguém, não me coloco em nenhum destes rankings. Sei que tive uma carreira muito legal, com momentos brilhantes. Amei jogar em Filadélfia, amei jogar pelo Phoenix e também, pelo Houston. Foram anos realmente incríveis. Sendo bem sincero. Tendo crescido em uma pequena cidade do Alabama eu jamais poderia imaginar que 52 anos depois eu estaria sentado em Nova Iorque no bar de um hotel sendo entrevistado por jornalistas do Brasil. Digo isso de verdade. Cresci no Alabama, minha mãe era uma empregada doméstica e hoje estamos aqui. Pensa nisso. Na sexta-feira fiz uma das coisas mais legais da minha vida. Eu toquei o sino da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Devo ser a única pessoa da história da minha cidade (Leeds) que deve ter feito isso na Bolsa (Risos). E isso é legal, né?

M.U.: Não sei se você consegue imaginar isso, mas uma das razões de estarmos aqui agora com você é que na época que você jogava no Phoenix seus jogos eram muito transmitidos na TV aberta brasileira. Por isso até hoje há muitas camisas suas, as de número 34, no Brasil…
C.B.: Caramba, que incrível. Em Phoenix foi realmente incrível. Nas três equipes que joguei, na verdade. Sixers, Suns e Rockets, foi muito legal. A verdade é que superei todas as expectativas que existiam para mim. Tive uma vida incrível. Sendo bem sincero. Se eu soubesse que iria morrer, digo com tranquilidade que estaria tudo bem. Estaria de bom tamanho. Tive uma vida maravilhosa, uma carreira maravilhosa, pude ajudar minha família e meus amigos. Estive em todo mundo, superei todas as minhas expectativas. Agora você pensa sobre o lance das camisetas que você citou. Não é incrível que alguém no Brasil tenha uma camisa de Charles Barkley? Isso é fantástico! Isso é interessante, aliás. Eu não me acho famoso, mas você veja só. Quando eu era mais novo, e você mais novo é jovem e estúpido, pensava: “Quero sair dos Estados Unidos para relaxar, descansar um pouco”. E aí quando, hoje, vou para um outro país… ferrou! Eu digo para minha família: “Vamos para a China. Ninguém me conhecerá lá”. Ou Alemanha, ou Brasil, ou Espanha. E aí você sai do avião e é reconhecido imediatamente na porta do avião por jovens de 13, 20 anos que pouco lhe viram jogar. Alguém ter minha camisa no Brasil é realmente memorável.

Na luta para ser o 3º brasileiro na MLB, Paulo Orlando conta sobre ‘briga’ por vaga

por Thiago Perdigão em 03.mar.2015 às 21:00h

Pela primeira vez em sua carreira, Paulo Orlando entrou para a lista dos 40 jogadores de um time da Major League Baseball. Não que sua carreira nos Estados Unidos seja nova, já que ele está no país, vinculado à liga, desde 2005. Primeiro no Chicago White Sox e, desde 2008, ao Kansas City Royals. Já participou do Spring Trainning da equipe nos últimos três anos, mas a deste ano é especial, já que Orlando finalmente entrou na lista dos 40. Ainda tem mais um passo: convencer os treinadores e dirigentes que pode ser um dos 25 atletas do elenco final da franquia, que foi vice-campeã da MLB na temporada passada. Se tudo der certo, será o terceiro brasileiro a jogar no maior campeonato de beisebol do mundo – Yan Gomes, do Cleveland Indians, e André Rienzo, do Miami Marlins, são os outros.

- Aqui é um mistério, não falam a decisão que vão tomar. Há especulações, a gente conversa entre a gente, mas acho que só os treinadores e a direção sabem o que vão fazer. Acho que eles já têm essa decisão, mas não sabemos de nada – afirmou em entrevista ao Blog.

Orlando atualmente está em Surprise, Arizona, onde o Royals se prepara. A partir desta quarta, começam os jogos de preparação. É nessa fase que o brasileiro espera garantir sua vaga. Mas não será uma tarefa tão fácil.

A convocação do defensor externo foi consequência de seu bom desempenho no Omaha Storm Chasers, o time do Royals na Triplo A. A equipe foi campeã do torneio. Orlando teve números importantes: 30,1% de aproveitamento no bastão, 34 bases roubadas, 63 corridas impulsionadas, 21 rebatidas duplas e 9 triplas. Por tudo isso, o brasileiro sabe que mesmo se tiver que voltar ao Chasers, o Royals estará mais ligado caso precisar dele. É um movimento normal no beisebol e acho que é o que acontecerá com Paulo neste ano. Uma situação que claramente é a melhor que ele já viveu nos EUA.

Mesmo se tive que jogar na Triplo A, mas com os técnicos já o conhecendo melhor, será bom para Orlando. E ele sabe disso.

- Estando nessa lista de 40, sempre posso ter mais chances. Agora tenho que trabalhar para ter mais ritmo de jogo e estar pronto sempre, mesmo não sendo no time principal. São muitos jogadores, essa lista tem que ir para 25, então não sei o que acontecerá comigo – afirmou.

Conversei com Paulo Orlando na última segunda-feira. Era para ser um bate-papo pós-treino, mas o brasileiro teve um dia mais tranquilo após o trabalho ter sido cancelado por conta das chuvas. Ainda falta muito tempo até a decisão final do elenco. A abertura da temporada é no próximo dia 5 de abril, mas o Royals jogará no dia 6, contra o White Sox. Até lá, muito trabalho.

Orlando falou também sobre essa temporada, a preparação e expectativa sobre ela, sua carreira até aqui, os primeiros anos nos EUA e Seleção Brasileira.

Thiago Perdigão: Como está sendo a sua preparação? Já sabe se ficará no Royals?
Paulo Orlando: Estou feliz por estar aqui de novo. Ano passado vim mais como um convidado, para aprender com os treinadores principais. Agora, estou nos treinos mesmo, como um dos 40 jogadores. Quero fazer o meu melhor para subir e ficar para ajudar o time. Aqui é um mistério, não falam a decisão que vão tomar. Há especulações, a gente conversa entre a gente, mas acho que só os treinadores e a direção sabem o que vão fazer e acho que eles já têm essa decisão.

T.P.: Essa é a sua grande chance? A última?
P.O.: Durante a temporada passada, até achava que dava para subir, mas sempre depende de vários fatores. Estou aqui trabalhando e fazendo o meu melhor. Ouvi boatos que o Kansas deve manter um arremessador a mais do que o normal, então as possibilidades diminuem, é normal. Mas agora que estou entre os 40 jogadores, mesmo se em um primeiro momento eu for para o Triple A, posso ter uma chance de subir e jogar no Royals. Vou trabalhar até o último dia por essa chance. Vou trabalhar muito para ficar melhor. Tanto pessoalmente como para o time. Espero me dar bem e mostrar que posso ajudar.

T.P.: E como será se tiver que voltar ao Triplo A?
P.O.: Estando nessa lista de 40, sempre posso ter mais chances. Agora tenho que trabalhar para ter mais ritmo de jogo e estar pronto sempre, mesmo não sendo no time principal. São muitos jogadores, essa lista tem que ir para 25, então não sei o que acontecerá comigo. Fiz uma excelente temporada em 2014, então sou bem cotado para ficar, já que outros jogadores que disputam a vaga comigo, estavam em ligas mais abaixo. Mas tudo depende do que o time precisará nesse início.

T.P.: E você leva vantagem se o time precisar de quais características?
P.O.: Acho que a minha melhor chance é se precisarem de um jogador que defende mais.

T.P.: Ano passado o Royals foi vice-campeão. É mais difícil entrar em um time assim?
P.O.: O time é praticamente o mesmo do ano passado, não mudamos muito. Sabemos que o ambiente é bom, familiar. Esse ambiente já tínhamos no ano passado, quando estive com eles trabalhando no Spring Trainning, todo mundo muito unido. Não tínhamos grande nomes, estrelas, mas o Royals fez uma grande campanha. Depois daquela virada no Wild Card, o time cresceu muito e chegou até a final com méritos. Agora buscamos conseguir esse conjunto o mais rápido possível, mas sem pressão em ninguém.

T.P.: Você tem 29 anos. Fica mais difícil ser contrato ou subir com essa idade?
P.O.: É difícil contratarem alguém com a minha idade. Mas eles sabiam que eu precisaria de um tempo. Quando eu cheguei aqui, com 18 anos depois de participar do programa, sabiam que eu não tinha muita experiência, que eu precisaria jogar muitos jogos e aprender muito. Aí tive algumas lesões, depois perdi praticamente um ano. Agora estou preparado para essa minha chance e eles viram isso. Sabem que eu posso ajudar.

T.P.: Como tem sido sua rotina nos últimos dias?
P.O.: Nos últimos dias, temos jogados pequenos jogos-treinos, com cinco entradas. Mas nos últimos dias, a chuva atrapalhou um pouco. No começo, estávamos fazendo um trabalho físico, depois um específico para a posição. Aí fazemos um aquecimento, os arremessadores fazem um trabalho no braço, depois treinamos defesa e rebatidas. Os arremessadores têm um trabalho um pouco diferente. É um trabalho pesado, mas nada surreal. É importante porque depois começam os jogos e a rotina muda um pouco. Mas o trabalho continua, mas é mais a primeira parte e as rebatidas. Não dá para fazer muitas coisas específicas, porque são muitos jogos. Durante a temporada, são mais rebatidas e musculação. Aqui na pré-temporada é que nos preparamos para todas as situações de jogos, é a hora de deixar tudo pronto e treinado.

T.P.: Como foi sua adaptação nos EUA?
P.O.: No primeiro ano, quando cheguei na República Dominicana, não falava direito espanhol, nem inglês. Depois, em outubro, após a temporada acabar, fiz um período de treinos nos EUA. Aí tive aulas de inglês e espanhol, mas o time te deixa solto. Te pagam, mas você meio que tem que se virar, escolher um lugar para morar e até um companheiro para dividir um apartamento, já que não tem muita grana. Em alguns momentos, fizemos uma república, com quatro, cinco jogadores. Mas a gente tem que perceber quem quer mais e se juntar a eles. Sempre que vou ao Brasil, passo isso para o pessoal mais novo. Nem sempre é a maravilha que parece, já que estou nos EUA, com contrato com um time da Major League. Depois, a adaptação é mais tranquila, você acaba tendo mais convívio com quem você tem mais afinidade. Vejo pouca gente do período que comecei. O esporte é um pouco injusto, tem muita gente e poucas conseguem chegar longe.

T.P.: O beisebol brasileiro evoluiu?
P.O.: No World Classic, as pessoas viram mais o Brasil. Acho que melhorou muito, mas acho que ainda as pessoas ficam mais de olho nos arremessadores. Na minha posição, por exemplo, é mais difícil ter técnicos, formar jogadores. Eu, por exemplo, não tive, tive que me aprimorar nos EUA.

T.P.: Como é a sua relação com outros jogadores brasileiros?
P.O.: Tenho mais contato com o André (Rienzo), a gente sempre conversa. Peguei o telefone do Yan (Gomes) recentemente, mandei mensagem para ele e a gente combinou de se encontrar quando formos jogar contra. Me dou bem com todos e é ótimo poder trocar experiências. É legal ver também os jovens que estão começando aqui também. Espero que no pouco tempo que tenho livre, possamos conversar, compartilhar experiências. É bom saber como eles lidam com algumas coisas. É bom para aliviar a tensão também.

T.P.: Conhece o Cairo Santos, kicker brasileiro que também joga em Kansas City?
P.O.: Estive em Kansas por dois dias, só para ficar de prontidão caso precisassem de mim. Não era nem algo oficial. Quando cheguei ao Brasil que vi a história do Cairo Santos. É ótimo ver alguém levando o nome do Brasil em outros esportes. Ainda mais no futebol americano. Espero que, se eu for para Kansas, eu consiga encontrá-lo.

T.P.: Você acha que dá para ser liberado para jogar o Pan?
P.O.: Não sei como ficou a classificação do Brasil para o Pan. Estou torcendo para eles classificarem. Depois, vamos ver. Não sei como será, mas ainda é muito cedo para saber. Quando teve o Pan do Rio, eles me liberaram sem problemas. Mas ali era uma situação totalmente diferente. Não sei como vai ser, mas sempre estou disposto a defender a Seleção Brasileira.

T.P.: E como está a cabeça?
P.O.: É uma situação complicada. O sonho é ficar e vou brigar até o fim para ficar. Mas estou tranquilo. Não quero pensar muito, porque senão a pressão em mim fica maior. É a terceira vez aqui, mas antes fui apenas convidado e agora me sinto mais um membro do time, tenho mais atenção. A decisão é deles, mas estou lutando por essa vaga.

‘Vilão’ da final da Conferência Nacional da NFL conta sobre erro: ‘Pulei, fui atingido pela bola… e minha vida mudou para sempre’

por Thiago Perdigão em 26.fev.2015 às 16:39h

Não gosto de simplesmente traduzir artigos ou notícias neste espaço. Acho que o blog é um lugar para dar opiniões e trazer debates sobre os diversos temas dos esportes americanos. Mas hoje me sinto na obrigação de abrir uma exceção.

Não vou simplesmente transcrever o texto, mas quero trazer ao leitor do blog o relato impressionante de Brandon Bostick, vilão da final da Conferência Nacional deste ano. Para quem não lembra, Bostick, que jogava pelo Green Bay Packers, soltou a bola após um onside kick e deu a chance do Seattle Seahawks conseguir a improvável virada e a passagem para o Super Bowl, quando foi derrotado pelo New England Patriots.

Bostick não era um jogador conhecido. Seu trabalho era apenas nos special teams do Packers, ajudando nos retornos e impedindo lances como o conseguido pelo Seahawks. Em seu relato, publicado no site da revista Sports Illustrated (aqui o original: http://mmqb.si.com/2015/02/26/brandon-bostick-nfc-championship-game-onside-kick/), o jogador, que em fevereiro foi dispensado do Packers – depois assinou com o Minnesota Vikings – admite que cometeu um terrível erro. Que seu trabalho na jogada era apenas bloquear o lance, mas tudo saiu errado.

Na minha opinião, o atleta foi monstruoso ao admitir que errou. Errou porque não fez o que deveria fazer. Errar uma jogada faz parte do esporte, mas um jogador de futebol americano sabe que ele tem que fazer o que pedem a ele. Sei que o instinto fala mais alto em alguns momentos, como Bostick diz que aconteceu com ele. Acredito nisso, mas acho que há a parte do inconsciente no lance. O cara nunca tocou na bola e de repente está com a bola crucial chegando nas suas mãos. É difícil pensar só no bloqueio, como era o orientado. Ele tentou acabar com a partida. E errou.

O título do texto já é dá a medida do teor da jogada: “Pulei, fui atingido pela bola… e minha vida mudou para sempre”.

Abaixo, parte do relato de Bostick. Repito, não vou colocar ele na íntegra.

“Algumas vezes, acordo de manhã e o lance é a primeira coisa que passa na minha cabeça. Há noites em que eu me debruço sobre ele antes de adormecer. Às vezes, o pensamento se arrasta para cima de mim quando estou levantando pesos, ou comendo o meu jantar, ou sentado no meu sofá em casa. Sempre há um flashback desse momento e eu posso ver a bola flutuando bem em frente de mim. Aí eu me pergunto : E se ?

Fiz besteira na final da Conferência Nacional e, acredite em mim, isso machuca. Provavelmente pensarei no meu papel naquele onside kick pelo resto da minha vida. E o lance me persegue como um pesadelo recorrente.

A maioria dos americanos não me conhecia antes do dia 18 de janeiro de 2015. Cresci em Florence, na Carolina do Sul. Joguei na Segunda Divisão do futebol americano universitário no Newberry College. Assinei com o Packers em 2012, como jogador não draftado e passei o ano inteiro no time de treinamentos. A transição para a NFL é difícil, especialmente para um cara de uma universidade pequena. Treinava, ajudava o time, mas não jogava aos domingos. Em 2013, ganhei minha chance e comecei a jogar regularmente. Mesmo que a maioria das pessoas nem soubesse quem eu era, até mesmo torcedores do Packers até aquele lance.

Ganhávamos do Seahawks por 19 a 14, quando eles tentaram o onside kick. Andrew Quarless (também jogador do Packers) se alinhou perto de mim: “Eu pego esse cara, você, aquele”, ele falou. “Você sabe a sua tarefa?”

“Sim”, eu disse. “Eu sei.”

Tinha que bloquear para Jordy Nelson (wide receiver do Packers), que estava atrás de mim. Treinamos essa jogada dezenas, talvez centenas de vezes. Mas quando a bola foi chegando a mim, flutuando no ar, me deu um branco. Esqueci de tudo que eu tinha que fazer. Não foi por causa do grande barulho do CenturyLink Field ou por eu ter sucumbido sob a pressão da situação. Foi apenas o instinto. A bola estava na minha frente e eu quis pegá-la. Pulei, fui atingido pela bola… e minha vida mudou para sempre.

Depois daquilo foi apenas uma mancha, uma experiência fora do corpo, como se estivesse vendo uma batida de trens na minha frente. Lembro de Jordy vindo falar comigo logo após Seattle pegar a bola, mas não lembro o que ele falou. Lembro de me retrair e sentar no banco de reservas. Estava entorpecido . Alguns companheiros de equipe vieram para me animar. Eles disseram para manter minha cabeça erguida. Que ainda poderia conseguir algo para melhorar.”

Depois disso, Bostick ainda conta suas experiências após o jogo, nos vestiários e depois nos dias posteriores. Admite que foi ameaçado de morte, reclama do sensacionalismo como a imprensa e as redes sociais trataram o caso. Uma pena isso ainda acontecer.

Afinal, todos cometemos erros. E esse foi um daqueles grandes, mas em um jogo. Logo menos a temporada da NFL começa e espero que Bostick tenha uma chance de ficar marcado por outras coisas. O esporte faz as coisas mudarem de um dia para o outro e o tight end agora poderá mostrar seu valor no Vikings. Que ele possa seguir em frente. Esportivamente e pessoalmente também.

Repito, vale a pena conferir o relato completo no http://mmqb.si.com/2015/02/26/brandon-bostick-nfc-championship-game-onside-kick/

Twitter: @thiago_perdigao

Varejão admite favoritismo do Cavaliers, fala sobre sua recuperação e a relação com LeBron

por Thiago Perdigão em 23.fev.2015 às 16:32h

Quando LeBron James anunciou que voltaria ao Cleveland Cavaliers, o time automaticamente acabou elevado à condição de favorito, pelo menos a uma vaga na final da NBA, já que a Conferência Leste é a mais fraca da liga. É verdade que há bons times para duela com o Cavs, mas no papel, a equipe de LeBron, Anderson Varejão & Cia. é a mais forte do seu lado da chave.

Esse favoritismo não é apenas uma opinião minha. Em conversa com o Blog, Varejão mesmo admitiu que o Cavaliers é um dos melhores times no papel.

- Somos candidatos ao título no papel e temos que mostrar isso na bola – afirmou.

Mas que há ainda muito a se fazer. Normal, já que Cleveland trocou treinador e chegaram mais de dez novos atletas.

David Blatt chegou este ano para comandar este novo Cavaliers. Um técnico americano, mas com mais de 20 anos de experiência no basquete europeu. Para quem não conhece, há muitas diferenças nos estilos praticados nos EUA e na Europa. Blatt sofreu para se adaptar e adaptar sua nova equipe `s sua filosofia.

- Sempre tem um tempo para que a equipe ganhe entrosamento, sintonia, assimile a filosofia do técnico e os jogadores se conheçam em quadra. Não acontece de uma hora para outra. Temos um grupo experiente, de qualidade, e qualquer time que muda tanto, no nosso caso foram mais de dez jogadores chegando, precisa de um tempo para ganhar corpo – admitiu Varejão.

Apesar do começo difícil, o Cavs finalmente deslanchou. O time encorpou, sobretudo turbinado com o bom momento de LeBron, recuperado de lesão, e voltou a subir na classificação. Já é o quarto da Conferência Leste, com o mesmo número de vitórias do Chicago Bulls (terceiro) e próximo do Toronto Raptors (segundo). O Atlanta Hawks, com mais de 78% de aproveitamento, ainda está tranquilo na liderança.

O único problema para Varejão é que ele não pode ajudar seu time. O pivô brasileiro rompeu o tendão de Aquiles do seu pé esquerdo as vésperas do Natal de 2014 e só voltará a jogar na próxima temporada. Nem uma ida do Cavaliers para a final da NBA anima o jogador:

- Foi uma lesão muito séria, que tem uma recuperação lenta. Estou pensando na próxima temporada, em fazer o tratamento da melhor maneira e voltar saudável, sem limitações, recuperado para poder voltar a jogar.

Anderson agora se recupera em Cleveland. Uma longa e dolorosa recuperação física e mental. Mas ainda é lembrado pelos torcedores. Em 28 de janeiro, o time homenageou o brasileiro distribuindo um cobertor com a imagem dele para todos as pessoas que foram ao seu ginásio para assistir Cleveland Cavaliers x Portland Traiblazer. E esta não foi a primeira ação com Anderson como protagonista.

Varejão ainda falou sobre sua recuperação, que será totalmente feita nos EUA, basquete brasileiro, LeBron, sua relação e liderança no Cavaliers.  Gostou do papo? Comente abaixo ou mande mensagem para mim no Twitter (@thiago_perdigao). Confira abaixo:

Thiago Perdigão: Como está a recuperação? Como foi receber a notícia que estava fora da temporada? Mesmo fora, mais uma vez teve um jogo em sua homenagem. Como foi?
Anderson Varejão: Está tudo andando muito bem. É preciso paciência, não tenho pressa, preciso dar um passo de cada vez nessa recuperação, etapa por etapa. Na hora em que me machuquei, não queria pensar no pior. Mas veio o pior e fiquei realmente muito frustrado, muito triste. Não tinha como ser diferente. Mas não havia outra coisa a fazer senão aceitar isso, focar no tratamento e em me recuperar, me curar dessa lesão. Agora o meu foco é esse, voltar bem na próxima temporada, estar 100% para voltar a jogar e dar o meu melhor em quadra. Quanto ao evento que fizeram, isso é muito especial para mim, esse carinho que recebo aqui, não só dos fãs dos Cavs, mas que chega pelas redes sociais, dos brasileiros, isso é maravilhoso.

T.P.: Tem chance de você voltar a jogar nesta temporada caso o Cleveland chegue à final?
A.V.: Foi uma lesão muito séria, que tem uma recuperação lenta. Estou pensando na próxima temporada, em fazer o tratamento da melhor maneira e voltar saudável, sem limitações, recuperado para poder voltar a jogar.

T.P.: Pretende fazer parte da recuperação aqui no Brasil? Ou vai acompanhar o time até o final?
A.V.: Não tenho nenhuma previsão de ir ao Brasil no momento. Toda a primeira parte da minha recuperação está sendo feita aqui em Cleveland e, sempre que o time joga em casa, estou acompanhando, indo aos jogos, sentando no banco, dando força, estou sempre junto da equipe.

T.P.: Além dos reforços, o time mudou de técnico este ano. É normal que o time demore para engrenar? O peso do favoritismo atrapalha? O sistema do novo treinador é muito complicado?
A.V.: Sim, sempre tem um tempo para que a equipe ganhe entrosamento, sintonia, assimile a filosofia do técnico e os jogadores se conheçam em quadra. Não acontece de uma hora para outra. Temos um grupo experiente, de qualidade, e qualquer time que muda tanto, no nosso caso foram mais de dez jogadores chegando, precisa de um tempo para ganhar corpo. Acho que somos, sim, um dos candidatos ao título no papel e temos que mostrar isso na bola. Mas há outros times muito fortes, candidatos também, que estão jogando bem, ganhando partidas importantes. O campeonato está muito nivelado, muito equilibrado, e fico feliz de ver que o Cavs está crescendo, evoluindo a cada rodada.

T.P.: Em 2009, fiz uma entrevista com você no vestiário do Cleveland e durante essa conversa, o LeBron interrompeu e fez brincadeiras com você. Depois, o elogiou bastante. Como é essa relação com um dos melhores jogadores da história da NBA? É verdade que ele te mandou um SMS avisando que estava voltando ao Cavaliers?
A.V.: LeBron é um grande companheiro, um amigo que fiz aqui na NBA. Vivemos muitas coisas juntas aqui no Cleveland na primeira passagem dele pela equipe. Foi uma época fantástica, fomos campeões do Leste, chegamos à decisão da NBA, e estamos querendo construir mais coisas boas juntos aqui. Quando LeBron saiu de Miami, eu acreditava que ele poderia vestir a camisa do Cleveland de novo, torcia por isso, mas não sabia. Quando saiu a notícia do retorno, quando ele anunciou, fiquei muito feliz, feliz por ele estar voltando para casa.

T.P.: O LeBron mais uma vez foi um dos mais votados para o All Star Game. Esse tempo jogando ao lado dele fez o seu jogo melhorar? E esse convívio com ele mudou algo em você fora de quadra? Tem essa vontade de jogar o All Star?
A.V.: Ter o LeBron como companheiro de time é um privilégio. Vivemos muitas coisas juntos aqui no Cleveland e estamos vivendo uma fase muito bacana, este está sendo um ano especial para todos na equipe. Tenho, claro, como qualquer jogador, a vontade de jogar um All Star Game. Em outros anos chegaram a comentar muito sobre a possibilidade de eu ser convocado, mas acabei me machucando, infelizmente. Fiquei chateado, porque acreditava que podia ser chamado mesmo. Seria bem legal, um sonho mesmo, não aconteceu, tudo bem. Assim como é um objetivo meu ajudar o Cavs a ser campeão da NBA.

T.P.: Como é sua relação com outros jogadores fora de quadra? Você é um dos líderes do elenco e está na franquia há muito tempo. Isso muda como outros jogadores e fãs te tratam?
A.V.: Todos somos muito amigos, gostamos de estar juntos. É um grupo que se gosta bastante, que se dá muito bem, e que é unido. Sou o mais antigo na equipe, mas não sou diferente deles por isso. Na verdade, acho que isso só faz um pouco de diferença na relação com os fãs porque eles me acompanham há mais tempo, quanto mais tempo no time, mais identificação, e isso acontece comigo, com LeBron, Kyrie (Irving) também. Enfim, quem está há mais tempo. Mas os fãs do Cleveland são maravilhosos, me sinto em casa aqui, totalmente identificado com a equipe, vivo muito bem na cidade, é a minha segunda casa.

T.P.: O número de jogadores brasileiros tem crescido na NBA e até a liga firmou uma parceria com o NBB recentemente. Você acha que o basquete melhorou muito nos últimos anos? Qual contribuição que você e os outros brasileiros da NBA deram para isso?
A.V.: Acho que o basquete brasileiro vem, sim, melhorando, crescendo e evoluindo. E isso não é apenas com a Seleção Brasileira, principalmente vendo os últimos resultados em Mundial e Olimpíada. O NBB está muito bom, com times fortes, jogadores aparecendo, partidas equilibradas, um campeonato de excelente nível. Hoje, os brasileiros estão dominando os campeonatos continentais, o Flamengo disputou jogos da pré-temporada, a NBA está olhando para o Brasil, levando jogos oficiais, eventos, e fico muito feliz com isso. Tento dar a minha contribuição, estar sempre presente quando posso, participando dos eventos no Brasil, representando o meu país da melhor maneira, seja aqui na NBA, seja com a camisa do Brasil. O basquete brasileiro é muito respeitado no mundo, além das conquistas que já teve no passado, pelo que vem fazendo hoje, com atletas aqui nos EUA, na Europa e muitos grandes jogadores atuando no NBB.