Pessoas lindas do meu coração! Passei o fim de semana pensando sobre o que poderia abordar neste espaço para torná-lo mais agradável, sem tanta demonstração de inveja pela estrutura e atenção devotados às boleiras de outras partes deste mundão de meu deus. Assim, me veio a idéia de contar um pouco sobre o que aconteceu por trás de algumas reportagens que fiz para o Futebol para Meninas.
A final do Paulista e o final das minhas pernas
A decisão do Paulista Feminino de 2010 aconteceu entre Santos e São José. No primeiro jogo da final, realizado no Martins Pereira no dia 20 de novembro, empate em 2 a 2. A volta, marcada para as 10 da matina do dia 27, no Pacaembu, terminou empatada em 1 a 1 e com o Santos faturando o título do estadual em jogo bem complicado e debaixo de muito, mas MUITO sol!
No caminho para o estádio, por volta das oito e meia, nove horas da manhã, era possível observar os termômetros da cidade marcando 29ºC, o que já despertou esta pobre mortal para o que encontraria em campo e, óbvio, pensando nas meninas correndo por noventa minutos no máximo de suas capacidades físicas. Mas a pauta já estava definida e com a ajuda da minha filha, tocamos os trabalhos.

Cris e Luiza, minha fiel escudeira de equipe no Pacaembu
Primeiro passo: Posicionamento na área destinada à imprensa escrita. #Fail. Não havia conexão com a internet, o que tornou a narração via Twitter impossível. Observar o jogo da distância entre o local pra imprensa escrita e o campo, para uma jovem senhora com astigmatismo e hipermetropia beirando os cinco graus, significava colocar em risco qualquer fidelidade de informação. Olhei para as escadas. As escadas olharam para mim.
Segundo passo: Encarar a descida até o campo, dar a volta e encontrar minha “equipe” no meio das torcidas de Santos e São José. Equipe em formação, hora de procurar torcedores para compor o vídeo, e aí começa minha saga nas escadarias do estádio Paulo Machado de Carvalho. Não sem antes salientar que o sol compareceu muito, mas MUITO forte mesmo.

Um pouco das escadas do Pacaembu
Daí por diante, tome correria! Sobe escada, grava uma parte do vídeo, desce escada, procura por mais gente, sobe escada, grava mais um pouco. Intervalo de jogo, desce correndo pros vestiários, tenta uma palavrinha com alguma boleira ou com um dos técnicos. Nada. Volta pro campo, sobe escada, procura torcedor, desce escada, vai pra outra torcida, sobe escada, grava um ‘tantinho”, desce escada, olha um pouco pro jogo, volta a subir as escadas, desce escada…fim de jogo.
Corro pros vestiários, tento conexão dentro do estádio e nada. Por ali fico um tempo até poder entrar no vestiário do São José. Entrevisto o técnico Marcio Oliveira, parabenizo a zagueira Bagé e a centro avante Luana. Tiro foto da taça de vice e parto para a porta do vestiário santista. Minha “equipe” jaz destruída. Consigo falar com o então técnico das Sereias, Kleiton Lima, tiro foto de Aline Pelegrino, Thaís, Cristiane e Maurine e termino meu trabalho.

Luana e o troféu do vice campeonato.
Mas o sol…
Bem, o sol não desanimou naquele dia e seguiu firme e forte sobre minha cabeça durante a caminhada do Pacaembu até a Consolação. E de lá para minha casa o que tomou conta de mim, além do extremo cansaço, foi a sensação de dever mais que cumprido. A satisfação de ter ralado feito uma daquelas 22 jogadoras dentro de campo. O resultado da maratona com obstáculos no Pacaembu, tem pouco mais de um minuto e pode ser conferido neste link.
E ainda dentro do climão Alemanha, deixo
Küsse
Lu Castro