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Blog Laço da Chuteira

Guerreiras não imploram.

Lindezas, há uns dias atrás, uma turminha do Twitter me pediu opinião sobre um vídeo de futebol feminino. Pois bem, como tudo é perfeito nessa vida ( e repito isso o tempo todo porque acredito mesmo!), encontrei o momento certo para discorrer sobre o assunto.

A idéia inicial do pessoal, pelo que entendi, era fazer um vídeo pedindo mais apoio para o futebol feminino, mostrar e dar a voz a algumas boleiras. De minha parte, penso que implorar e chorar atenção não é coisa que dê o resultado que considero justo e efetivo. Como já discorri em outras ocasiões, é preciso abandonarmos a postura de coitadinhas e partir pra cima de quem se pretende atrair atenção, com argumentos e postura de VENCEDORAS!

Conversando com a gracinha da @_Larigottardi, expliquei o que considero perfeito para um vídeo que se propõe a chamar a atenção sobre os esforços e um pouco da vida de nossas boleiras. Aí veio a notícia do fim das Sereias da Vila. E vi que as meninas pediram ajuda pra Neymar, Elano e não sei mais quem. Peraí meninas, como assim?

Quando ouvi a declaração de algumas meninas ao final do Pan, dizendo que aquela prata valia ouro, falei: “Prata é prata, ouro é ouro. Qual o potencial investidor que depositaria seu rico dinheirinho em pessoas que se contentam em ser vice?”

Hein? Hã?

Mendigar atenção, neste caso, é comparável àquelas situações nos relacionamentos onde um, muitas vezes com a autoestima enterrada sob seus pés, implora por mais carinho e amor que o outro já não sente mais. Aí eu pergunto: PRA QUE SE ARRASTAR?

NADA de mendigar!

Óbvio ululante que as meninas do Santos perderam a batalha e é totalmente compreensível, pelo menos de minha parte, que a sensação de abandono e desgosto tome conta de seus espíritos por esses dias. Mas sacam aquele ditado sobre tomar um pé na bunda pra ir pra frente? So…

Quem perdeu, lindezas, foi o Santos! Saca aquela olhada pra trás que a gente dá quando tudo passa e nosso entendimento da coisa toda toma outro rumo? Pois então, neste momento, fragilizadas, é natural que não vejam, mas tenham certeza de que tudo se ajeitará. Mas antes, é preciso passar pelo processo e claro, recuperar a autoestima.

Por isso, minha injeção de ânimo é essa. Guerreiras não imploram! Guerreiras tomam o que lhes é de direito! Nada de lamentações, nada de se ajoelhar e ficar mendigando pedacinhos de atenção aqui e alí! Qué isso??? Vocês, boleiras, são poderosas! São fortes! Nadam contra a correnteza há décadas! Vivem à margem de uma cultura tradicionalmente machista e ainda assim desempenham seus papeis com brilhantismo e profissionalismo! BORA LEVANTAR ESSA CABEÇA! BORA PRA LUTA, GUERREIRAS!

E é com esse espírito, que gostaria de ver um vídeo com as nossas meninas COMENDO A BOLA!

Como todos sabem, sou do rock’n'roll e por isso deixo “Hallowed be thy name“, para uma reflexão. A letra está linkada com o nome do som. É metal, é o som que bota meu sangue pra ferver, que me empurra pra guerra e que tem muito a ver com a situação das Sereias da Vila.

Pra cima, GUERREIRAS!

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4 comentários para “Guerreiras não imploram.”

  1. Lari disse:

    Adoooooorei *-* , e boora fazer esse video ;D

  2. Daniel Lopes disse:

    Post perfeito Dona Luciane Castro,
    Penso da mesma forma, acho que o ff já chorou demais, está na hora de se tomar uma atitude mais proativa da parte das proprias boleiras. Hoje uma coisa já me deu alento, que foi ver uma capitã de seleção brasileira, chorando , mas falando grosso, mostrando que tem um projeto para o FF desse país, a gente que sempre cobrou uma postura destas né.
    Por sinal sei que andas a 100mil por hora, mas gostaria muito de falar contigo pelo msn, chegou mais que na hora de se ir a luta , não com lenços, mas com projetos, com ideias, com argumentos para se rechaçar o lugar comum sobre a modalidade, sobre a inviabilidade desta sacramentada pelos acomodados cartolas, torcedores e representantes de midia que querem frutos sem semear. Conte comigo Lu , vamos sacodir essa poeira..

  3. Ótimo texto. Concordo plenamente! O problema é que existem muitos problemas…rs

    Infelizmente, futebol feminino e futsal não caem no gosto do brasileiro de jeito algum! Questão cultural ou social? Só sei que para os jogadores conseguirem sobreviver nesse mundo é muito difícil, especialmente para as mulheres, que ainda sofrem preconceitos.

    O Santos, por exemplo, era um dos únicos clubes grandes que investiam nessas duas modalidades. Daí, a competição fica difícil. E para continuar investindo precisa de dinheiro, que deveria vir também dos ingressos vendidos, que são poucos. Sem público, sem dinheiro, sem investimento, impossível continuar, já que nem os torcedores dos times apoiam.

    Agora uma questão até pessoal: por que é tão difícil conseguir uma turma de mulheres entre 25 e 38 anos (aproximadamente) que queiram jogar bola (por esporte)? São mulheres que não gostam de futebol, têm vergonha ou, simplesmente, preferem o conforto das academias? Se você ou alguém que ler esse comentário souber de alguma pesquisa sobre o assunto, por favor, aceito indicações.

    Um abraço e parabéns pelo blog. Você também é uma guerreira!

    • Daniel Lopes disse:

      Excelente questão Viviane.
      Antes de querer time feminino é preciso as mulheres desse país prestigiarem o FF, não somente quem pretende ser profissional de futebol. De nada vai adiantar caso venha existir a boa vontade de se formar uma liga com clubes fortes e os estádios ficarem as moscas.
      De nada adianta ter TV transmitindo, patrocinador investindo se tiver traço na audiência. Ou seja, a mulherada tem que marcar presença fora de campo principalmente, seja indo ao estádio, seja como telespectadora. Mostrando que ela faz parte da engrenagem do esporte e o faz movimantar.
      E essa sua observação se torna pertinente nisso, porque as mulheres não aderiram a pelada sagrada do fim de semana? Será que elas estão abraçando a causa? Tem que o mulheril desse país tambem mostrar que o futebol tambem é delas.

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