Yan Sasse e o raio



Yan Sasse dribla o zagueiro enquanto a torcida se contorce nas arquibancadas (Foto: Delmiro Junior/Photo Premium)

Assisti ao duelo entre Vasco e Bangu em meio a uma feijoada que incluía ninguém menos que Odvan. Foi um raro domingo de folga. Portanto, não vou me ater aqui a táticas e análises do jogo que pouco vi. Confesso que as histórias do zagueiro-zagueiro e o prato de torresmo ganharam mais a minha atenção que o telão estrategicamente posicionado no lado oposto ao bar, numa separação ingrata e desleal.

No entanto, uma coisa não passou desapercebida pra ninguém: a entrada de Yan Sasse aos 27 minutos de jogo, na vaga do lesionado Rossi.

Um amigo chegou a gritar em meu ouvido que era melhor tirar da aposentadoria o antigo Yan, que formou dupla famosa com Gian no início dos anos 90. Uns três concordaram com a cabeça em volta. Nas arquibancadas do Maracanã, outros tantos também teriam apoiado se tivessem escutado a proposta.

Nascia ali o herói do jogo.

Ora, nada era mais óbvio que o gol de Sasse. Até o mais pessimista já anunciava: “Vai fazer o gol e não vai mais sair do time”, como se torcesse contra o próprio a partir daquele momento. O otimista, por sua vez, pregava a calma e a tolerância num mar de incredulidade. Era quase um pacificador no meio da rinha de galo.

O que Yan Sasse viveu neste domingo é a prova que o raio não só cai duas vezes no mesmo lugar, como ele tem os seus locais favoritos de impacto. E o Maraca, apesar de toda transfiguração que sofreu nos últimos anos, como se quisesse se esconder de algo, é um deles.

O Maracanã de Romário e Dinamite é também o de Cocada, Maricá, Jhon Cley, Rafael Silva e Fabrício.

Quando Yan Sasse recebeu na direita, metade desacreditou na batida e a outra metade implorou por ela. Estes últimos, cientes que não havia outro herói possível que não o antes humilhado pelos gritos negativos. A finta com a perna esquerda, à la Messi contra o Atlético de Madrid, um dia antes, acompanhada da suave queda do zagueiro no chão, não deixou duvidas: só a rede o pararia. Fosse por ironia, destino ou a tradicional combinação dos dois.

Escrevi após o clássico com o Flamengo, na decisão da Taça Rio, que a disputa de pênalti é um grande cemitério de heróis. Pois bem, agora eu acrescento: a vaia é a maternidade deles, dos heróis. É ali onde eles abrem os olhos pela primeira vez.

Ainda que o façam por apenas uma noite.

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