A vitória além do título



Vasco fez sua melhor campanha dos últimos 20 anos na Copinha (Foto: Divulgação)

A camisa ainda é larga em alguns, é verdade, mas não se mostrou pesada para ninguém.

Na última vez que o Vasco havia chegado a uma final de Copa São Paulo de Juniores – em 1999 -, nenhum garoto que esteve ali no Pacaembu, nesta tarde de sexta-feira, era nascido. Agora, por causa deles, muitos outros – ainda mais jovens – sabem que é possível chegar lá vestindo a camisa cruz-maltina – algo que jamais deveria ter sido esquecido.

E dava, inclusive, para ter vencido.

Esse é o maior dos títulos que os jovens atletas vascaínos poderiam ter trazido de São Paulo: a reconquista da esperança. E conseguiram.

Tão importante quanto ser campeão, para o Vasco, que há anos sofre uma crise de identidade, era recuperar a sua raiz e a sua credibilidade. O clube precisava cuidar do seu ventre para que voltasse a ser capaz de se tornar autossustentável, revelador não de apenas um craque casual, mas de um time inteiro de bons valores. Incluindo o técnico.

Um bom jogador vendido cobre o gasto de uma geração inteira. Agora, um boa geração, como foi em 92, por exemplo, ano do título de Valdir, Pimentel, Leandro Ávila e companhia, e é agora em 2019, pode significar a reconstrução do clube.

Sem dinheiro para comprar, o Vasco vê nascer no próprio terreno uma safra promissora e produtiva. Mais que isso: madura e competitiva. Alguns vão ficar pelo caminho, é natural. Mas a colheita, se bem feita, renderá bem mais que apenas um grande fruto. Não apenas pra venda, mas para o próprio consumo. Ao menos por um período.

O Vasco foi campeão com Caetano no gol mas não venceu com Hélton. Ganhou com Josenilson na lateral-esquerda mas não com Felipe. Vianna tem uma medalha da Copinha e Pedrinho não. Coisas do futebol. Não por mérito ou demérito de alguém, é claro que não, mas o ponto mais alto só tem espaço pra um. Porém, esse espaço é  rotativo, onde quem tem qualidade um dia chega lá. Ainda que nao seja hoje.

E, nesse Vasco, muitos têm.

O Vasco sai fortalecido dessa Copinha. Repito o que escrevi aqui num outro dia: o sub-20 jogou o que os profissionais gostariam – e deveriam – de jogar. Mais coletivo do que corretivo. De pé em pé, e de cabeça em pé. Cabeça essa que deve permanecer erguida.

A carreira de um jogador de futebol é tão rápida quanto os dribles de Lucas Santos ou as arrancadas de João Pedro. Nem tudo é certo, como são os gols de Tiago Reis, mas o futuro é promissor – assim como são Riquelme, Nathan, Vinícius e Talles, os mais novos do elenco.

Afirmar que um menino de 17 anos se tornará um craque não é simples, como Bruno Gomes faz parecer ser uma saída de bola, por exemplo, mas dá para sonhar. Mais do que isso: torcer.

O título conquistado pelos meninos vascaínos é imaterial: é a valorização da marca e do nome do clube, tantas vezes diminuido nos últimos anos. A base cruz-maltina, hoje, certamente, é o grande orgulho do seu torcedor. E também a esperança.

Manter a paixão acesa faz parte de todo bom relacionamento, e foi isso que os garotos fizeram: reacenderam o amor do vascaíno. Essa taça poucos conquistaram em suas carreiras.

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