Vasco x Bangu: 100 anos de histórias



Marcos Junior fez o gol da vitória do Bangu (Foto: Celso Pupo/Fotoarena)

Tenho pra mim que Vasco e Bangu é um dos jogos mais cariocas do Rio de Janeiro. Não sei se por saudosismo, pela charanga, pelo clima suburbano ou pelos cem anos de confronto completados nesta temporada. Nem o Clássico dos Milhões, com o Flamengo, é tão antigo.

Um confronto que nasceu em Campos Sales, em junho de 1919, num amistoso vencido pelo alvirrubro por 4 a 1, placar que seria devolvido pelos cruzmaltinos no segundo encontro, dois anos depois, na Figueira de Melo, em São Cristóvão. Desde então, 222 jogos, com 138 triunfos vascaínos, 42 empates e 42 vitórias banguenses, sendo a última neste sábado.

Claro, já não é mais é um duelo entre Domingos da Guia e Paschoal, Ladislau e Brilhante, Nilton Santos e Sabará, Zizinho e Ademir Menezes, Fausto, o Maravilha Negra, e Russinho, Ado e Romário, Dinamite e Arturzinho ou Mauro Galvão e Mauricinho, mas ainda tem a sua história.

Aliás, se tem um lugar onde a história vive são nos chamados pequenos clubes.

Histórias como a de Marcos Junior, de 23 anos, que perdeu a esposa Vanessa no fim de dezembro e hoje fez o gol que deu vida ao clube não apenas no Carioca, mas o classificou para a Série D e para a Copa do Brasil do próximo ano. Tento que colocou o time na semifinal da Taça Rio e que pode ter mudado a história do clube e a sua, como Vanessa, sua esposa, também o fez.

Ou como a de Yaya Banhoro, nascido em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, ocupada pelos franceses em 1896, e que desde 2015 está tentando se firmar no futebol brasileiro – já passou por Londrina, Iraty, Ponte Preta e Santos.

Histórias que se perdem na repetida ideia de que o Estadual não serve para nada – como se o esporte fosse um simples comércio que visa o lucro – , e que caem por chão junto das lágrimas dos jogadores e da comissão técnica do Bangu, que celebraram de joelhos o triunfo em São Januário por 2 a 1.

Amanhã alguém definirá a cena apenas  como “Não é só futebol”, na incapacidade de criar algo mais original ou de entender o real significado. Certamente não é só é futebol, e é bom que lembremos disso mais vezes. São histórias sendo feitas. Outras, desfeitas. E por isso não pode ser apenas negócio.

História que começa a ser escrita também por Tiago Reis, um atacante à moda antiga que se dá ao luxo de ter quase o mesmo número de finalizações do que de passes certos em um jogo, mostrando a sua periculosidade escancarada nos números. É como se Tiago Reis fosse uma arma constantemente engatilhada e apontada, só aguardando o toque no gatilho. Foram quatro passes e três chutes no 1º tempo. Um deles, na rede. O seu segundo em dois jogos como titular.

Ado, que em 85 perdeu o pênalti que tirou o título brasileiro do Bangu, deixando o Coritiba com a taça, hoje voltou a viver um dia de glória pelo clube. O técnico alvirrubro, soube postar defensivamente a sua equipe após chegar ao empate num pênalti fortuito, quando o Vasco era superior no jogo e se aproximava do segundo gol. E venceu usando exatamente da sua maior qualidade como ponta dos anos 80: a velocidade, principalmente dos pés do promissor Jairinho.

O domínio de posse que Alberto almeja ainda é um sonho distante e, portanto, perigoso quando se é obrigado a avançar a equipe.

O Vasco de Valentim mostrou a habitual dificuldade de pressionar sem se expor quando está perdendo, fator que já havia deixado marcas em outros jogos. Com a vitória no placar ou o 0 a 0 no 1º tempo, um Vasco de toque de bola, aproximação e velocidade pelos lados. Atrás no marcador, um time confuso, de cruzamentos precipitados e uma distância preocupante entre defesa e ataque, principalmente com Lucas Mineiro, que naturalmente já vem demonstrando dificuldades na marcação, como único volante. Espaço muito bem aproveitado pelo Bangu.

Um dia para ficar na história do Bangu, principalmente pelas histórias que guarda. Tanto as do passado, quanto as que tenta escrever para o futuro.

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