Vasco tem sua pior atuação com Luxemburgo



Luxemburgo se irritou à beira do gramado (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Na semana passada eu escrevi aqui sobre como não se pode esperar um espetáculo desse Vasco. Não é um time montado para isso. Menos ainda tem um elenco capaz disso. É como querer acender churrasqueira com iogurte. Porém, Luxemburgo deu competitividade à equipe. Em algum momento, no entanto, precisará também ter qualidade. Principalmente quando é obrigado a propor o jogo.

O Vasco, antes um analfabeto futebolístico de pai e mãe, aprendeu com Luxa a se defender e a contra-atacar, mas ainda não sabe como é só agredir. Ou melhor: não é capaz.

Existem algumas formas de se furar uma defesa bem postada. A mais simples é pelo alto, na bola aérea, que tem sido uma das armas do time de São Januário. Mas Luxemburgo mais uma vez optou por um esquema sem centroavante, dessa vez com Bruno César centralizado como um falso 9. E escolheu também jogar sem seu líder de cruzamentos certos, Danilo Barcelos (16). Num certo momento, na etapa final, nenhum dos seus três principais homens da bola parada estavam em campo – Barcelos, Bruno e Valdívia. Um erro de Luxa.

Sem referência e sem qualidade no fundamento, o resultado foi um Vasco com 40 levantamentos na área – seu recorde no campeonato -, mas apenas sete certos. Henrique concluiu somente um de dez tentados – o pior aproveitamento. Bruno César, que deveria entrar na área, foi quem teve o melhor desempenho, acertando três de sete.

A outra forma de passar pelo bloqueio é no chão, de pé em pé, costurando a defesa como uma maquininha de Pinball levando a bola até o buraco. E é aí que entra a qualidade. No caso do Vasco, onde ela faz falta.

Talles Magno ficou isolado na esquerda, com Marquinho tendo mais uma atuação apagada. Na direita, Raul até que tentou, mas Marrony e Bruno César – que trocaram de posição no meio do 1º tempo -, eram facilmente dominados. E quando algo era produzido, ainda na intermediária, faltava poder de finalização. De 17 conclusões, apenas duas foram na direção do gol. Foi a pior marca da equipe neste Brasileirão.

Isolados na ponta, tanto Talles quanto Marrony sofreram com a marcação. Único a buscar algo diferente em campo, o jovem de 17 anos terminou o jogo como o principal finalizador (4) e driblador (2), mas também como o que mais vezes foi desarmado (10). Marrony foi o segundo em perdas de posse, com oito.

O Cruz-Maltino paquerou com a derrota desde os minutos iniciais. Foram três saídas erradas de Richard em menos de cinco minutos. Bruno César, que deveria ser o organizador do meio-campo, tocou na bola apenas quatro vezes nos primeiros 25 minutos. Em duas foi desarmado e nas outras tocou de lado. O insucesso se desenhou cedo.

Fernando Miguel e Oswaldo Henríquez ainda salvaram o Vasco nos bons contra-ataques emplacados pelo CSA. Assim como o árbitro Marielson Alves Silva também foi fundamental para o 0 a 0 no placar, não marcando pênalti em mão clara de Naldo dentro da área já no 2º tempo. Não viu o toque e nem o VAR.

O Vasco tem suas óbvias limitações, mas alguns jogos não dá para achar normal não conquistar os três pontos. Com ou sem erro de arbitragem. Esse era um deles.



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