Vasco pode reclamar do VAR, mas não deve fechar os olhos para o próprio futebol



Fora de forma, Guarín pouco produziu em campo (Foto: Paulo Sergio/Agência F8)

Quando Luxemburgo lançou no treinamento da semana um Vasco com Bruno César, Guarín, Fellipe Bastos e Raul, quatro jogadores sem ritmo de jogando formando, juntos, pela 1ª vez, o meio-campo da equipe, o vascaíno teve a certeza de que seria uma noite longa nessa quarta-feira. Não à toa São Januário recebeu o seu menor público das últimas rodadas, caindo de 15 mil – em média – para apenas um pouco mais de 8 mil corajosos.

Era um suicídio anunciado, com carta enviada dois dias antes e endereçada a milhões de pessoas. Não poderia dar certo, e não deu.

Alguns dizem que jornalista é engenheiro de obra pronta, afinal, só opina após o jogo. Bom, do contrário seríamos videntes e não comentaristas. Nesse caso, porém, Luxa entregou a pessoa amada muito antes das 24 horas. A borra de café na manhã desta quarta já anunciava a derrota.

As linhas das mãos de Fernando Miguel – que fez boa partida – não deixavam dúvidas: se estava escrito nas estrelas que o Vasco venceria o Palmeiras e reconquistaria a confiança de seu torcedor após três jogos sem vitória, o treinador fez questão de desalinhar os astros com a escalação escolhida.

E não é uma simples questão de gosto. As opções, por características, inclusive físicas, não combinavam com a estratégia adotada.

O Vasco usa da sua velocidade para criar  e da aproximação de seus volantes para concluir. É assim desde a chegada do treinador. Precisa, portanto, de jogadores capazes de atuar de uma área a outra. A escolha, porém, foi por um meio-campo menos móvel, mais velho e com menos ritmo, tornando-se ainda mais dependente das jogadas de Rossi pela direita – inclusive no gol doado por Mayke.

Para as ausências de Bruno Gomes e Richard, Vanderlei tinha as opções de Marcos Júnior e Andrey, que já foram titulares com o treinador, mas a dupla sequer entrou no decorrer da partida. As escolhas pesaram – literalmente.

A marcação alta, que não vinha sendo feita nos últimos jogos, voltou a dar as caras. Ótimo! Estranhamente, porém, retornou exatamente no momento em que o treinador abriu mão da força e da velocidade de Ribamar – algumas de suas poucas virtudes -, valências que faltam a Bruno César, um meia de toque de bola.

Marcar alto com uma recomposição lenta deixa brechas, e foi assim que o Palmeiras saiu na frente, com Lucas Lima. Porque a questão não é apenas fazer, querer pressionar, tem que ser bem feito. Com os zagueiros afundados dentro da área e o meio com espaços, a intermediária vascaína esteve mais convidativa do que praia no verão.

Mapa de finalizações do Palmeiras mostra alto volume de jogadas dentro ou próximo da área (Foto: Footstats)

Por mais que o segundo gol palmeirense tenha tido origem, ao meu ver, em uma falta de Luiz Adriano em Danilo Barcelos, já que o atacante sequer tinha a posse da bola ou estava próximo dela quando faz o movimento de bloqueio – e bloqueio com o pé é falta -, o Vasco não merecia melhor sorte no jogo. Ainda que o Palmeiras também não.

O VAR, o árbitro de vídeo – ou o que se nega a ver ele, como fez Rafael Traci -, no entanto, não apagam as escolhas questionáveis de Luxemburgo e a má atuação do time. E nem vice-versa. O pior é que tem sido recorrente. Todos os erros.

Na ânsia de encaixar Fredy Guarín na equipe, Vanderlei desmontou o que vinha dando certo. Simples, pragmático, mas em muitos momentos eficiente. Para funcionar o jogo reativo, é necessário velocidade e intensidade. Para ter marcação alta, idem. E é exatamente isso que falta ao colombiano. E também a Fellipe Bastos e Bruno César.

O Vasco tem motivos para reclamar da arbitragem – mais uma vez -, ainda que para muitos o lance tenha sido legal. É direito do clube, dos jogadores e da comissão técnica, até por não ser a primeira vez que, na dúvida, é marcado contra. No entanto, não dá para achar que este foi o único problema do jogo.

Precisando da vitória para subir na tabela e encerrar as dúvidas sobre qual é a sua briga no campeonato, o time conseguiu apenas sete conclusões, somente duas com perigo – Guarín e Pikachu. E só. Nem o próprio gol marcou.

A derrota pode ter vindo com um erro do juiz, mas a vitória também não viria com esse futebol.



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