Vasco pode chegar a 30 reforços na gestão Campello; um time inteiro da base saiu



Alexandre Faria entre Bruno César e Danilo Barcelos, reforços para 2019 (Foto: Divulgação/Vasco)

O ciclo no Vasco é conhecido. Muda presidente, reformula o futebol, monta-se um novo time – recheado de reforços, para mostrar serviço -, não dá certo e começa tudo de novo. Vão os jogadores, ficam as dívidas e a necessidade de novas contratações. Para tapar o buraco deixado, vende-se a base. E os números não me deixam mentir.

Em apenas 16 meses na presidência do Vasco, a gestão de Alexandre Campello já contratou 26 atletas. Muito para um clube que alega viver dificuldades financeiras e que deveria ter na base a sua grande saída. Não apenas com venda, mas principalmente com a utilização.

Número que poderia ser ainda maior, já que o atual mandatário vascaíno tomou posse no dia 23 de janeiro de 2018, com a temporada já iniciada. Antes disso, Eurico Miranda, ex-presidente que faleceu neste ano, já havia acertado com outros oito nomes.

Ou seja, em um ano e meio, o clube que tantos problemas financeiros enfrenta – e administrativos, há anos -, já contratou 34 jogadores. Mais de três times. E até agora não definiu seus onze. Talvez, quatro – Fernando Miguel, Castan, Marrony e Rossi.

No Rio de Janeiro, apenas o Fluminense, que passou por uma grande reformulação após a chegada de Fernando Diniz, se reforçou tanto – também 34. No entanto, vem mostrando além de resultado, desempenho. No mesmo período, o Botafogo trouxe 20 atletas e o Flamengo, de situação econômica mais favorável, apenas onze.

Uma prova de que não basta ter dinheiro, tem que saber utilizá-lo.

E o número tende a crescer nos próximos dias. Vanderlei Luxemburgo assumiu o comando técnico da equipe já falando na chegada de novos reforços até a pausa para a Copa América.  Com a saída de Maxi López e os atrasos salariais incomodando grande parte do elenco, a reformulação pode ser ainda maior que a prevista anteriormente.

Desde que Campello tomou posse, o time vascaíno já entrou em campo 95 vezes. Nenhum dos 26 reforços trazidos, no entanto, disputou sequer 50 jogos. Nem mesmo os atletas contratados em 2018. Da lista, quem mais esteve em campo até agora foi o zagueiro Werley, com 48 atuações, seguido por Raul, com 40.

O que mostra a falta de convicção nas peças trazidas, com poucas se firmando entre os titulares por um longo período.

Pikachu, no clube desde 2016, foi quem mais atuou desde que Campello assumiu a presidência, participando de 82 confrontos. Andrés Ríos, que já não está mais no elenco – e que foi contratado em 2017 -, aparece em seguida, com 54.

Muitos, porém, praticamente não jogaram com a camisa cruz-maltina. Nomes como Lucas Perdomo (0), Lucas Kal (1), Vinícius Araújo (5) e Lenon (9) não disputaram nem dez partidas. Oswaldo Henríquez fez apenas 13, enquanto que Willian Maranhão, que teve seu contrato renovado até dezembro de 2022 e foi emprestado recentemente ao America-MG, atuou em 18.

Em 2019, o Vasco já entrou em campo 30 vezes, e alguns dos reforços trazidos no início do ano também não vêm sendo utilizados. São os casos, por exemplo, de Fellipe Bastos e Cláudio Winck, jogadores que já haviam trabalhado com Alexandre Faria, diretor de futebol recentemente demitido, no Sport, e que chegaram a São Januário em janeiro, mas quase não jogaram. O lateral tem seis jogos na temporada e o volante apenas três.

Uma verdadeira enxurrada de contratações da atual administração que pouco acrescentou na melhora do nível técnico do time, inchou o elenco, a folha salarial e ainda por cima tirou o espaço que poderia ser ocupado pelos mais jovens.

De janeiro de 2018 até hoje, onze jogadores oriundos da base do Cruz-Maltino deixaram o clube em definitivo ou por empréstimo: Renato Kayser, Evander, Paulinho, Bruno Cosendey, Jomar, Thalles, Guilherme Costa, Paulo Vítor, Jordi, Alan Cardoso e Hugo Borges.  Jovens negociados exatamente para abrir espaço no elenco para a chegada de jogadores contestados que seriam pouco utilizados – terceira ou quarta opção no grupo -, como os já citados, ou para pagar seus salários, constantemente atrasados.

Nomes que talvez não fossem a solução técnica para o time – como a maioria dos reforços também não são -, mas que poderiam ser parte da ajuda financeira, por se tratarem naturalmente de atletas de baixo custo, vindos da base com salários inferiores. Além, claro, de ativos do clube.

Com quase um ano e meio de gestão do presidente Alexandre Campello, o Vasco segue sem vice-presidente de futebol, sem diretor de futebol, com seu quarto técnico diferente – Zé Ricardo, Jorginho, Valentim e Luxemburgo, fora os interinos Valdir e Marcos Valadares -, na lanterna do Campeonato Brasileiro, com um elenco inchado, pouco qualificado – tanto que o próprio presidente confirmou a busca por reforços – e com salários atrasados.

Um panorama no futebol muito parecido ao dos últimos 18 anos do clube. O carro-chefe segue sem direção, apesar do excesso de volantes.

REFORÇOS DA ‘ERA CAMPELLO’
– Por ordem de jogos disputados

Werley – 48 jogos
Raul – 40 jogos
Maxi López – 38 jogos
Fernando Miguel – 37 jogos
Leandro Castán – 33 jogos
Lucas Mineiro – 28 jogos
Danilo Barcelos – 25 jogos
Giovanni Augusto – 25 jogos
Cáceres – 23 jogos
Bruno Silva – 22 jogos
Bruno César – 21 jogos
Willian Maranhão – 18 jogos
Rossi – 17 jogos
Yan Sasse – 16 jogos
Ribamar – 14 jogos
Oswaldo Henríquez – 13 jogos
Lenon – 9 jogos
Cláudio Winck – 6 jogos
Vinícius Araújo – 5 jogos
Valdívia – 5 jogos
Sidão – 4 jogos
Fellipe Bastos – 3 jogos
Jairinho – 2 jogos
Marcos Júnior – 1 jogo
Lucas Kal – 1 jogo
Lucas Perdomo – 0 jogos

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