Vasco muda técnico, o esquema, mas ainda falta o principal: jogadores



Benítez atuou mais aberto pela esquerda (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

O Vasco fez um jogo digno contra o Flamengo. O torcedor, claro, não gostou da derrota para o maior rival. Estranho seria se aceitasse com naturalidade. Mas a verdade é que o desempenho foi superior ao que vinha apresentando nos últimos jogos.

Aliás, os próprios insucessos contra o líder Atlético Mineiro e o Bahia, ambos fora de casa, não teriam causado tantas mudanças no clube se não fosse a forma como aconteceram. Eram derrotas, até certo ponto, normais.

Perder e ganhar faz parte do futebol. Como isso ocorre é que deve ser levado em consideração.

Mesmo tento 62% de posse de bola, o Rubro-Negro só conseguiu finalizar de dentro da área vascaína três vezes. O Vasco, com a bola durante 38% do tempo, chegou o dobro de vezes na área adversária para arrematar. Isso sem contar o gol de Cano anulado pelo VAR. Seria a sétima conclusão de dentro da área do Cruz-Maltino na partida.

O Flamengo teve a bola mas não encontrou os espaços. Muito graças as escolhas de Alexandre Grasseli, técnico interino que substituiu Ramon.

De volta ao bom e velho 4-4-2, o treinador encaixou Talles Magno e Cano nos volantes rubro-negros, Thiago Maia e Willian Arão, e Carlinhos, uma das novidades na escalação, na marcação de Filipe Luís, que cria por dentro, como um meia, não como lateral.

Os espaços antes deixados pelos pontas, que não recompunham em velocidade, foram fechados por duas linhas de quatro mais sólidas, com Andrey e Marcos Júnior protegendo a entrada da área, e atacantes mais participativos. Por isso a dificuldade do Flamengo, dono do ataque mais positivo do Brasil em 2020 com 75 gols, em entrar na área.

Cano, que tinha média de 11 passes por jogo, dessa vez tentou 23 e acertou 18. E ainda desarmou e fez inversões. Dobrou sua participação com bola mesmo num duelo onde o time teve pouca posse.

Dentro de suas limitações, de sua proposta, foi uma boa partida do Vasco. Mas, então, por que perdeu? A resposta me parece simples: faltam jogadores.

Mesmo com uma estratégia ajustada, com uma marcação encaixada e até algumas boas chances criadas – além do gol anulado de Cano, Castan, Marcos Jr e Carlinhos tiveram boas oportunidades -, a falta de elenco para manter a intensidade no 2º tempo pesou – por isso Maia conseguiu espaço para lançar Bruno Henrique no 2º gol -, assim como a qualidade para concluir as jogadas e capacidade para neutralizar o bom jogo aéreo do Flamengo.

Quando o Vasco começou a perder o meio-campo, com alguns jogadores visivelmente desgastados – Talles e Benítez chegaram a trocar de posição para o argentino ‘descansar’ mais à frente -, Grasseli olhou para o banco e sua única opção para o setor era Fellipe Bastos. O elenco é curto. E isso se agrava sem Bruno Gomes, suspenso, e Juninho, machucado. Ainda assim, dois meninos da base que naturalmente irão oscilar ao longo do ano.

O Vasco pode mudar de treinador, de esquema tático, de modelo de jogo, de estratégia, mas se não buscar reforços, ficará sempre preso à própria limitação. Assim como foi no clássico desse sábado.



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