Vasco já começa a pagar – literalmente – pela falta de planejamento



Luan está perto do Palmeiras (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Luan está perto do Palmeiras (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Morais e Philippe Coutinho, em 2008, Alex Teixeira e Alan Kardec, em 2009, Souza, em 2010, Allan e Rômulo, em 2012, Dedé e Marlone, em 2013, Danilo, 2014, Jhon Cley, 2015, Matheus Índio, 2016, e , ao que tudo indica, Luan, em 2017.

Treze negociações de jogadores que despontaram no Vasco, oriundos da base ou contratados de times pequenos antes de se destacarem nacionalmente – caso de Dedé -, em menos de 10 anos. Treze vendas que serviram, basicamente, apenas para pagar salários atrasados. E em alguns casos sequer conseguiu arcar com suas despesas, já que vários atletas deixaram o clube neste período por atraso nos seus vencimentos.

A velha história de vender o almoço para comprar a janta.

Nada mais natural do que vender suas revelações. O mercado hoje funciona assim, infelizmente – para o futebol brasileiro. A questão é a finalidade. Uma coisa é negociar para reinvestir, outra é vender para pagar contas feitas anteriormente. Assim, não se anda pra frente.

De acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira, Luan irá para o Palmeiras numa negociação que renderá cerca de R$ 10 milhões ao Vasco. Isso poucos meses depois de receber uma oferta de aproximadamente R$ 13 milhões do futebol turco. Só essa diferença de valores já é de se estranhar.

Por que recusar uma proposta maior da Europa e aceitar uma menor de um adversário direto no Campeonato Brasileiro? Só uma resposta me passa pela cabeça: necessidade.

No fim do ano passado, Eurico Brandão, vice-presidente de futebol, afirmou que o clube iria atrás de 4 ou 5 reforços para a temporada. Com estas palavras: “4 ou 5”. Chegaram Escudero, Muriqui e Wagner, enquanto aguardava Luis Fabiano.

O mau início de temporada, entretanto, fez a diretoria se mexer mais intensivamente na busca por contratações. Foi aí que Jean, Gilberto, Kelvin e Escobar fecharam. Bruno Paulista ainda ficou no quase.

Dobraram a meta.

Isso aumentou a folha de pagamentos do clube – os salários chegaram a atrasar. Consequentemente, a necessidade de fazer caixa também. Ainda mais após a eliminação precoce na Copa do Brasil (menos jogos = menos cotas de tv e premiação).

Sem ter de onde tirar dinheiro, o Vasco começa a vasculhar a própria casa em busca de algo valioso para vender. Encontrou Luan.

Os reforços chegaram, mas os dispensados não saíram. Diguinho, Jorge Henrique e Júlio César seguem ligados ao clubes e, claro, recebendo. De quebra, ainda ganharam a companhia de Eder Luis, cortado do Carioca após a confirmação de Fabuloso.

O gasto mensal com estes atletas – e outros que estão emprestados – está próximo da casa de R$ 1 milhão. Ao fim do ano, caso não defina estas situações, o Vasco terá gasto quase R$ 12 milhões com o pagamento de jogadores que sequer estão sendo aproveitados.

O valor é mais alto do que a provável venda de Luan – se o valor for realmente o divulgado até então.

Ou seja, o Vasco não só está vendendo o almoço para comprar a janta, como gasta com uma comida que sequer irá aproveitar.

No fim, poderá terminar com fome e sem dinheiro. E o pior: achando que está satisfeito.



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