Vasco entrega o que pode



Danilo fez o gol do Vasco (Foto: Celso Pupo/Fotoarena)

Pode parecer pouco, ou excessivamente abstrato, mas não é. O Vasco entrega exatamente o que se espera dele: luta.

Obviamente não é só isso. Certamente a equipe usa de outros meios, técnicos e táticos – como marcação alta e saída em velocidade pelos lados -, para obter seus resultados – muito superiores sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Mas inegavelmente tem sido um time que, prioritariamente, briga.

E não é apenas contra o rebaixamento. Hoje, já é possível vislumbrar uma vaga na Sul-Americana, por exemplo.

Não dá para imaginar o Vasco trocando passes como o ótimo Athletico Paranaense de Tiago Nunes, que tem meias qualificados como Bruno Guimarães e Léo Cittadini. Mas dá pra ver um Vasco de constante transpiração, principalmente nas figuras de Raul e Richard, ainda que nem sempre o time tenha inspiração.

Foi assim que, mesmo inferior tecnicamente, o Cruz-Maltino foi mais perigoso que o Furacão no 1º tempo. Os paranaenses envolviam com toques rápidos e bolas longas para Rony. Os cariocas, por sua vez, assustavam com as casquinhas de Ribamar para Talles Magno e Rossi e os cruzamentos de Danilo Barcelos – líder em assistências para finalização, com três. Em um deles, Castan foi agarrado por Bruno dentro da área, mas Daronco ignorou.

O 0 a 0 incerto fez com que os donos da casa fossem para o intervalo sob um leve murmúrio de incomodo. Nem aplausos, nem vaias, apenas um resmungo incessante tomou conta de São Januário. Nem tão alto que pudesse afirmar ser uma reclamação, mas nem tão baixo para que não fosse ouvido.

O gol de Madson, no início da etapa final, na primeira conclusão certa dos atleticanos, parecia justificar a dúvida no estádio. Era nítida a qualidade superior da equipe paranaense que, naquele momento, a transformou também em eficiência.

Mas esse Vasco luta.

O momento imortal do gol ficou nos pés de Danilo Barcelos, na cobrança da penalidade após mão de Rony bloqueando a falta cobrada também pelo lateral. Porém, o lance começou numa arrancada do incansável Raul, que acabou derrubado no bico da área. Ali mesmo, do chão, ele pediu o apoio da torcida e ganhou.

Naquele instante, a apreensão natural da derrota, o murmurinho da dúvida, deu lugar ao apoio irrestrito tão comum ao vascaíno. Mesmo sendo menos time, passou a ser mais Vasco.

Ainda poderia ter virado na ótima jogada de Talles Magno pela esquerda – melhor na etapa final -, aos 35. Ou aos 37, quando Danilo achou Marrony no meio da área para cabecear para nova defesa de Santos. Até mesmo com Andrey, dois minutos mais tarde, quando o volante entrou na área mas refugou na hora de finalizar.

A rede voltou a ser balançada só mais tarde, aos 40, em outra briga. Dessa vez, dentro da área. Novo levantamento de Barcelos para Marrony, que achou Henríquez. O colombiano, sem a sutileza do matador, preparou uma bomba à queima-roupa e acabou estourando a própria chance ao explodir nas mãos do arqueiro rubro-negro. Na sequência, pisou inevitavelmente no goleiro, anulando o restante da jogada que havia culminado no tento de Raul.

Aplaudido no fim, o Vasco não venceu o jogo, mas também não perdeu o seu torcedor, que parece ter entendido o esforço do time para suprir as próprias limitações.



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