Vasco é castigado pelo VAR



Rossi acabou virando personagem do jogo (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Algumas derrotas marcam mais do que outras. Não pela surpresa que elas causam, mas pela forma com que acontecem.

Veja bem, historicamente, o Vasco, em Porto Alegre, enfrentando o Grêmio, é um visitante agradável e bem educado. Normalmente deixa o Rio Grande do Sul sem sequer relar as redes ou tirar umas lascas da bola. Por vezes, quase não a vê ou a toca.

Da última vitória em terras gaúchas até hoje já se passaram 13 longos anos. Mais de uma década desde o triunfo por 2 a 1 no Olímpico, em 2006, obtido com Claudemir na lateral, Faioli no ataque, Alberoni no meio e Éder na zaga. Os dois últimos, autores dos gols. Uma prova de que o inesperado, o surpreendente, está em sair do Sul com os três pontos e não sem.

Ainda assim, as circunstâncias do duelo deste sábado fizeram do 2 a 1 para os gaúchos um insucesso quase que intragável para os cruz-maltinos.

Claramente mais organizado do que vinha sendo sob o comando de Alberto Valentim, principalmente no setor defensivo, o Vasco foi conceder a primeira finalização ao Grêmio apenas aos 36 minutos do 1º tempo, quando o marcador já anotava 1 a 0 para os cariocas – gol de Pikachu, de pênalti. E foi um desses arremates de longe, protocolares, para tentar quebrar o gelo que se instaurava no ataque tricolor.

Já não estava mais ali aquele visitante costumaz, passivo e amedrontado, que o Cruz-Maltino se habituou a ser longe de São Januário.

Luxemburgo inverteu o lado de Rossi, sua principal válvula de escape, colocando o atacante na esquerda para frear as investidas de Leonardo Moura. O Cruz-Maltino perdeu sua melhor dupla, formada por ele e Pikachu, mas reduziu a zero a ofensividade do Grêmio, que não achava espaços para usar sua velocidade.

Jogando em não mais que 30 metros de distância entre Valdívia, que revezava com Marquinho como centroavante, e Fernando Miguel, o goleiro, o Vasco amarrou o Tricolor na etapa inicial.

E se não sofrer gols já era uma conquista, ir para o intervalo em vantagem era quase inédito. Algo que não ocorria também desde o êxito de 2006.

O segundo gol de Pikachu, com 19 segundos de bola rolando na etapa final, na saída de bola, com Rossi reaparecendo na direita para formar o que o Vasco tem tido de mais letal, era a confirmação da evolução coletiva da equipe. De um time que individualmente ainda é muito frágil, mas que já se organiza de uma maneira mais inteligente e consistente.

A anulação do tento por parte do árbitro Rodolpho Toski Marques – ao meu ver, de forma equivocada -, alegando falta de Rossi na origem da jogada, após consulta ao VAR, não só impediu a ampliação do placar como também reacendeu as esperanças do Grêmio e desestabilizou o Vasco. De quebra, ainda tirou Rossi do próximo jogo, ao dar cartão amarelo para o atacante pelo lance.

De uma só vez, o Vasco passou de um 2 a 0 consistente fora de casa contra um adversário historicamente difícil, num jogo sem sustos, para um 1 a 0 instável, com o time abalado, um adversário revigorado e o seu principal jogador suspenso para o próximo duelo.

O gol, numa rara jogada bem trabalhada pelo ataque do Cruz-Maltino em 2019, que deveria garantir o triunfo ao Vasco, o seu terceiro seguido no campeonato, na verdade se tornou o início da virada tricolor, concretizada pelo bom Pepê.

A vitória poderia ter sido um divisor de águas para o Vasco no Brasileirão. Não apenas pelos três pontos que, obviamente, ajudariam na classificação, mas porque daria ao time a moral tantas vezes abalada nos últimos anos.

O jejum de 13 anos no Sul não é apenas estatístico, é sintomático. O time precisa voltar a encarar como igual os grandes, independente do estádio onde atue – não vence fora do Rio no Brasileiro desde a 37ª rodada de 2017. E foi o que fez neste sábado.

O VAR, porém, que deveria ser o símbolo do futebol mais justo, dessa vez agiu como o chicote que castiga.



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