Vasco de Abel precisa mudar bem mais que a atitude



Abel deixou São Januário vaiado novamente (Foto: Paulo Sergio/Agencia F8)

Abel Braga deixou o gramado de São Januário, nesta quinta-feira sozinho, desprotegido, uma imagem rara para um técnico conhecido ao longo da carreira como ‘paizão’. Xingado pelo torcedor e sem apoio dos jogadores – ao menos público -, percorreu a longa distância até o túnel dos vestiários. Na coletiva, questionado sobre o desempenho do Vasco na derrota por 1 a 0 para o Goiás, o treinador foi claro: faltou atitude, principalmente no 1º tempo.

Faltou mesmo, mas não foi só isso.

O toque de bola sem objetividade do Vasco, que quase sempre termina num chute de longe ou um levantamento forçado na área (foram 27 na partida), não é uma simples questão de atitude. É um problema de organização e de ideia de jogo que, em dois meses, o treinador ainda não conseguiu resolver.

Quando tiveram a bola, os goianos fizeram o jogo circular nos pés de Léo Sena, Daniel Bessa, Rafael Vaz e Keko, jogadores que ajudam na construção das jogadas – três passadores e um de velocidade. Já o Vasco, como mostram os números do Footstats, concentrou seu jogo em Andrey, Castán e nos laterais. De meio, apenas o primeiro volante, que diversas vezes precisou carregar a bola sozinho até o campo ofensivo. Faltam aproximações.

Raul e Guarín pouco participaram. O colombiano, aliás, visivelmente fora de forma, novamente deixou o campo mais cedo, e como o primeiro em passes errados do duelo. Juninho entrou com outra atitude, como queria Abel, mas errando demais – foi o líder de perdas de posse junto de Vinícius, com sete. Isso porque tanto ele quanto Ribamar entraram para dar verticalidade à equipe. Porém, de forma individual, não coletiva.

Vasco concentrou a bola em seus jogadores mais recuados (Fonte: Footstats)

A posse do Vasco, hoje, é uma arma muito mais defensiva do que ofensiva. Por isso a sensação de que a equipe não agride. E é verdade. Mas não é só postura: é organização e qualidade.

Contra o Goiás, das 16 finalizações do time, somente seis foram de dentro da área. Já o Esmeraldino concluiu apenas nove vezes no total, porém, cinco delas próximas ao gol de Fernando Miguel. Ou seja, quando atacou, achou melhor os espaços para infiltrar e concluir. Foi mais perigoso mesmo concluindo menos.

Furar defesas fechadas é um problema cruz-maltino desde o ano passado, mas que se acentuou com Abel. Construir é mais difícil do que destruir, não é novidade para ninguém. Mas é trabalho do técnico encontrar alternativas. Faltam ideias, movimentações trabalhadas quando o time tem a posse na intermediária adversária. Encher a área de jogadores e cruzar bolas não pode ser a única alternativa de um time na Série A.

Como escrevi na coluna passada, Luxa aprendeu cedo que não conseguiria tomar a iniciativa do jogo com o elenco que tinha em mãos. Pediu reforços, não recebeu, e deixou o clube. O Vasco dificilmente terá novas contratações em breve, além de Benítez, que estreou nesta quinta. Como será a postura de Abel?



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