Valentim precisará fazer muito mais em 2019 para justificar sua permanência



Alberto Valentim só venceu quatro jogos com o Vasco (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Dezesseis técnicos já passaram pelo Vasco desde 2010. Apenas dois tiveram um aproveitamento pior que o de Alberto Valentim em 2018: Marcelo Oliveira, em 2012, e Celso Roth, em 2010. Com resultados ruins, porém, nenhum dos dois conseguiu dirigir o clube por mais de 10 partidas. Ao contrário do atual treinador, que após 19 jogos – 4 vitórias, 7 empates e 8 derrotas – e a conquista de apenas 33% dos pontos, foi mantido para a próxima temporada.

As dúvidas sobre o trabalho de Valentim, no entanto, vão além dos resultados ruins. O desempenho do time sob o seu comando também não foi satisfatório.

A equipe terminou o Brasileirão com a 5ª defesa mais vazada e o 2º time que menos desarmou no campeonato, com apenas 501 roubos de bola, segundo o Footstats. Problemas que vinham antes mesmo da chegada do treinador, é verdade, mas que não foram corrigidos sob a sua batuta em um turno inteiro de Brasileiro. Não faltou paciência e confiança no trabalho do treinador. Ao menos por parte da diretoria, que antes havia demitido Jorginho após 10 rodadas e um aproveitamento de 43% dos pontos disputados – 10% a mais que Alberto.

Ofensivamente, o time de Valentim também teve problemas. A formação com dois homens de velocidade pelos lados não deu certo – a mesma utilizada por Zé Ricardo no início do ano. Pikachu caiu de rendimento após a chegada de Maxi, enquanto que Kelvin e Marrony não se firmaram na esquerda. Ainda assim, Alberto manteve o esquema, sem solucionar as dificuldades.

Sem conseguir infiltrar, o Vasco abusou dos arremates de longa distância. Foi o 6º time que mais tentou chutes de fora da área – 233 -, tendo o 7º pior aproveitamento – 27% de acerto. Apesar do alto volume de tentativas, dos 41 gols que marcou no Brasileiro, apenas quatro saíram desta maneira. Foi a terceira pior marca da Série A, ficando à frente apenas de Bahia (1) e Internacional (2).

Individualmente, os jogadores também mostraram dificuldades para improvisar quando pressionados. O time teve a pior marca de dribles certos da competição, com apenas 90. Thiago Galhardo, com 14, foi quem mais contribuiu para que o desempenho no fundamento não fosse ainda pior, seguido por Yago Pikachu, com 11.

Fragilidade defensiva, falta de combatividade, pouca criatividade, baixa qualidade individual e coletiva… Tudo isso contribuiu para o péssimo aproveitamento do técnico no Vasco. Problemas que não foram resolvidos em 2018, e que o treinador terá uma segunda chance para resolver em 2019.

Valentim, no entanto, já começará a temporada pressionado por tudo que não fez neste ano. Com pré-temporada completa e um elenco montado com a sua contribuição, dependerá de bons resultados e atuações no início do ano para ganhar fôlego no cargo. Algo que não conseguiu em 2018.

RANKING DE APROVEITAMENTO DOS TREINADORES DO VASCO NOS ANOS 10

– Números entre 2010 e 2018

1º – Ricardo Gomes – 2011 – 44 jogos – 24 vitórias – 13 empates – 7 derrotas – 64,39% de aproveitamento
2º – Vagner Mancini – 2010 – 19 jogos – 10 vitórias – 5 empates – 4 derrotas – 61,4% de aproveitamento
3º – Gaúcho* – 2012/2013 – 18 jogos – 10 vitórias – 3 empates – 5 derrotas – 61,1% de aproveitamento
4º – Cristóvão Borges – 2011/2012 – 78 jogos – 41 vitórias – 18 empates – 19 derrotas – 60,2% de aproveitamento
5º – Adílson Batista – 2013/2014 – 52 jogos – 24 vitórias – 21 empates – 7 derrotas – 59,6% de aproveitamento
6º – Jorginho – 2015/2016 – 87 jogos – 43 vitórias – 24 empates – 19 derrotas – 58,6% de aproveitamento
7º – Cristóvão Borges – 2017 – 14 jogos – 7 vitórias – 2 empates – 5 derrotas – 54,7% de aproveitamento
8º – Doriva – 33 jogos – 2015 – 15 vitórias – 9 empates – 9 derrotas – 53,5% de aproveitamento
9º – Gaúcho – 2010 – 10 jogos – 5 vitórias – 1 empate – 4 derrotas – 53,3% de aproveitamento
10º – Joel Santana ** – 2014 – 17 jogos – 7 vitórias – 6 empates – 4 derrotas – 52,9% de aproveitamento
11º – Zé Ricardo – 2017/2018 – 50 jogos – 22 vitórias – 13 empates – 15 derrotas – 52,6% de aproveitamento
12º – Paulo Autuori – 2013 – 13 jogos – 6 vitórias – 2 empates – 5 derrotas – 51,2% de aproveitamento
13º – Celso Roth – 2015 – 13 jogos – 6 vitórias – 1 empate – 6 derrotas – 48,7% de aproveitamento
14º – Milton Mendes – 2017 – 27 jogos – 11 vitórias – 6 empates – 10 derrotas – 48,1% de aproveitamento
15º – PC Gusmão – 2010/2011 – 39 jogos – 14 vitórias – 14 empates – 11 derrotas – 47,8% de aproveitamento
16º – Jorginho – 2018 – 10 jogos – 4 vitórias – 1 empate – 5 derrotas – 43,3% de aproveitamento
17º – Dorival Júnior – 2013 – 29 jogos – 9 vitórias – 8 empates – 12 derrotas – 40,2% de aproveitamento
18º – Alberto Valentim – 2018 – 19 jogos – 4 vitórias – 7 empates – 8 derrotas – 33,3% de aproveitamento
19º – Marcelo Oliveira – 2012 – 10 jogos – 2 vitórias – 2 empates – 6 derrotas – 26,6% de aproveitamento
Celso Roth – 2010 – 5 jogos – 1 vitória – 1 empate – 3 derrotas – 26,6% de aproveitamento

* Contabilizado o jogo entre Vasco e Palmeiras pelo Brasileiro de 2011, onde Gaúcho assumiu como interino após a saída de Cristóvão Borges e antes da chegada de Marcelo Oliveira.

** Não contabilizados os jogos ABC x Vasco e América-MG x Vasco, em setembro de 2014, onde Jorge Luiz assumiu interinamente. Não computada também a partida entre Vasco x Bragantino, onde Marcelo Salles assumiu interinamente.

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