Uma geração de esperança no Vasco



Sub-20 do Vasco faz boa campanha na Copinha (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Hélton, Matera, André, Géder e Possato; Fabrício Carvalho, Hélder e Dias; Vanderlei – que viraria Vandinho -, Rogério e Dedé Panterinha. Foi com essa escalação que o Vasco entrou em campo no dia 25 de janeiro de 1999 para disputar a final da Copa São Paulo de Juniores contra o Corinthians. Na ocasião, os paulistas, que tinham Fernando Baiano, Edu – autor do gol -, Índio, Kléber, Ewerton e Gil em seu elenco, acabaram ficando com o título. Agora, 20 anos depois, a revanche.

Possato disputa a bola com Ewerton (Foto: Gazeta Esportiva)

Alexander, Cayo Tenório, Ulisses, Miranda, Coutinho, Bruno Gomes, Linnick, Caio Lopes, Lucas Santos, João Pedro, Tiago Reis, Vinícius, Riquelme, Talles Magno e Laranjeira – que ainda não eram nascidos naquela final – recolocaram o clube em uma decisão de Copinha – a terceira de sua história -, após empatar em 2 a 2 com o Alvinegro e vencer nos pênaltis. Um feito que nem as gerações de Felipe, Pedrinho, Philippe Coutinho e Alex Teixeira conseguiram.

E se na semi o clube teve que bater o rival da final de 99, no confronto decisivo reencontrará o adversário de 92.

Sob o comando do técnico Gaúcho, o Vasco entrou em campo para enfrentar o São Paulo com Caetano, Pimentel, Alex Pinho, Tinho e Josenilson; Leandro Ávila, Vianna, Denílson e Vítor; Hernande e Valdir. Pedro Renato e Fábio ainda entrariam em campo. O Bigode fez o gol vascaíno, enquanto que Andrei empatou. Nas penalidades, 5 a 3 para o Cruz-Maltino e a sua primeira – e até então única – taça.

Valdir brilhou na Copinha em 92 (Foto: Divulgação)

É comum vermos por aí o debate sobre a base servir para ganhar títulos ou apenas para revelar jogadores. Ora, como se uma coisa anulasse a outra.

Uma prova é o time de 92, onde parte dele se tornou base da equipe tricampeã carioca e outra sumiu sem deixar saudades. No ano seguinte, mesmo sem título, o clube lançou Yan, Gian, Bruno Carvalho e Jardel, que não venceriam a Copinha mas conquistariam o Mundial Sub-20 com a Seleção Brasileira. Em 96, com Felipe, Pedrinho e Brener, também não iria longe. No ano seguinte, porém, o trio seria campeão brasileiro no profissional.

Juniores do Vasco em 93 (Foto: Reprodução)

Ou seja, é possível revelar bons jogadores independente de taça conquistada, assim como o inverso, como foi com a Geração 84, de Morais, Claudemir e cia, que por quatro anos ficou invicta na base e ao subir contribuiu – discretamente – apenas em um título carioca, em 2003.

O Vasco da Copinha 2019 não precisa do título para provar que tem futuro. Se vier, será uma coroação do bom trabalho realizado até aqui, não uma obrigatoriedade para afirmar a sua qualidade. Ela é notória.

Organizada, talentosa, madura, com opções e alma, surge no clube uma geração que traz consigo um sopro de esperança de tempos melhores, assim como ocorreu nos anos 90, quando chegou a duas finais. Um elenco, acima de tudo, consciente da importância do trabalho coletivo, mesmo sabendo de suas qualidades individuais. E por isso é capaz de ganhar e revelar, sem ter que optar por apenas um.

Os desarmes de Miranda e as antecipações de Ulisses seriam irrelevantes sem as aproximações de Cayo Tenório e Coutinho para impedir a dobra sobre os zagueiro e dar sequência à jogada. As boas subidas de Caio Lopes, com seu potente chute de direita, só são possíveis graças a imponência e a inteligência que Bruno Gomes oferece na cobertura, um jogador capaz de controlar o jogo com e sem a bola – me lembra inclusive Leandro Ávila, campeão em 92.

Assim como o ótimo Lucas Santos, que antes era só velocidade e agora é também cadencia e organização, precisa de Linnick, outro que não sofre com a bola nos pés, fechando a esquerda para se desgastar menos na marcação. Tiago Reis, por sua vez, um finalizador desinibido, de poucos toques, necessita dos cruzamentos de perna esquerda do habilidosíssimo João Pedro – mais um imparável em campo – para seguir quebrando seus recordes na Copinha. E tudo isso poderia passar batido se não fossem as defesas de Alexander, cada vez mais decisivas.

Há tempos o Vasco não tinha um todo tão atraente em sua base, e isso inclui o trabalho de seu treinador, Marcos Valadares. O sub-20 joga o que os profissionais gostariam. Essa sim, a grande conquista que enche o seu torcedor de esperança.

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