Um Vasco no limite do vexame



Abel ainda não conseguiu uma vitória convincente com o Vasco (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

No ano passado, quando o Vasco foi até Juazeiro enfrentar os donos da casa, escrevi aqui nesse mesmo espaço que o time foi embora da cidade sem deixar saudades. Um 2 a 2 modorrento com o tento da classificação saindo em um pênalti mandrake sobre Marrony aos 45 do 2º tempo.

Foi como reencontrar um velho amigo de infância e perceber que já não possuem as mesmas afinidades – o Cruz-Maltino não jogava lá desde 1977. Ficou o carinho, as memórias, mas o presente se tornou uma grande mesa em silêncio acompanhada de um porre inevitável.

Em Teresina, nessa quarta-feira, contra o Altos, um ano e cinco dias depois da atuação da equipe de Alberto Valentim, um sentimento parecido. Após uma grande festa da torcida no recebimento do elenco ainda no aeroporto, pouco futebol em campo.

Você pode até me dizer que o Vasco criou diversas chances, que finalizou 25 vezes, 20 delas através de passes entre seus jogadores e dez na direção do gol. Pode afirmar até que o goleirão Rodrigo Ramos, de 40 anos, foi o grande nome do jogo. Tudo isso é verdade. E era também de se esperar.

Quando um boxeador experiente encara um adolescente comum, o mínimo que se aguarda é um volume maior de golpes, uma agressividade natural no ringue por parte do profissional. A diferença de nível justifica a facilidade em achar os espaços. O que choca, porém, é a incapacidade de nocautear.

Com 17 minutos de jogo o Vasco já havia carimbado a trave e desperdiçado uma chance clara com Talles Magno, de canhota, jogando por cima. Aos 19 perdia por 1 a 0 sem que o adversário tivesse dado um chute certo na direção do gol. Marrony, responsável por tocar no supercílio do time piauiense, foi também quem acertou um uppercut em si próprio.

Veja bem, os cariocas foram tão pouco ameaçados que até agora não se sabe se o titular no gol vascaíno foi Fernando Miguel ou Lucão. Talvez Abel tenha jogado com 12 na linha e ninguém se deu conta. Ainda assim, perdiam o jogo.

Visivelmente o Vasco é um time de psicológico frágil. O semblante dos jogadores a cada erro mostra isso.

Marrony, artilheiro do time em 2019, iniciando 2020 com um gol contra – após vários perdidos – mostra bem o quão instável é o atual elenco. Mais do que desorganizado, é um time afoito, estabanado. Ao ponto do camisa 7, que tantas chances teve nos últimos jogos, fazer de costas, de cabeça, o que ainda não foi capaz de fazer de frente e à favor nessa temporada.

Se não fosse a frieza germânica de Cano, mais uma vez, talvez o Vasco hoje lamentasse uma eliminação precoce na Copa do Brasil. Num jogo onde finalizou 25 vezes, mais que o dobro de sua média no último Brasileiro (12,3 f/j, segundo dados do Footstats).

O Vasco atuou no limite do vexame. Inclusive tirando o pé nos minutos finais. Em momento algum se impôs por sua qualidade, mas pela fragilidade adversária. Contra adversários mais fortes, no entanto, a linha entre sucesso e fracasso será mais tênue.



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