Um Vasco anestesiado



Vasco foi rebaixado pela 4ª vez em sua história (Foto: Eduardo Carmim/Photo Premium)

Confesso que demorei um pouco para encontrar algo diferente para escrever por aqui após a goleada sofrida pelo Vasco diante do Red Bull Bragantino, por 4 a 1. Não que a derrota fosse inesperada. Muito pelo contrário. Nem mesmo a goleada.

Quem viu o time de Vanderlei Luxemburgo contra o Coritiba e analisou minimamente a equipe de Bragança Paulista sabia dessa possibilidade. Bastava que o provável acontecesse. E aconteceu.

E esse talvez seja o grande problema do Vasco: a naturalidade da derrota.

O Ceará nunca havia vencido o Cruz-Maltino num jogo de Série A. Foi ao Rio de Janeiro e goleou. O Bragantino só tinha ganho uma vez, em 1990 – com Luxemburgo de treinador -, e, agora, também goleou. O Coxa, até outro dia lanterna, venceu lá e cá, como se fosse um duelo de 1ª fase de Copa do Brasil contra um clube sem divisão.

E me refiro aqui apenas a equipes que estão longe de serem consolidadas na elite, times que sobem e descem sem qualquer constrangimento – assim como o Vasco nos últimos 13 anos. No caso dos outros adversários, vencer o Vasco já virou um ritual anual, como o Natal. Para alguns, um Dia do Amigo, celebrado incontáveis vezes ao logo do ano.

Hoje, a maior esperança do Vasco permanecer na Série A já não é nem mais o próprio Vasco, é o Sport. Esse sim um bom amigo, que, como o Botafogo, permitiu duas vitórias cruz-maltinas – 37,5% dos pontos vascaínos vieram desses confrontos.

O Vasco nos dois últimos jogos, ao contrário do dois anteriores, contra Atlético Goianiense e Botafogo, entrou natimorto em campo. Fedendo à derrota desde os minutos iniciais. E nem me refiro à escalação, falo mesmo sobre a postura.

Uma prova é a fragilidade do meio-campo vascaíno, que assistiu de camarote, quase babando, Claudinho desfilar o seu talento. Uma plateia tão respeitosa que sequer fez um movimento que atrapalhasse o camisa 10 no cruzamento do 1º gol. Muito menos na batida perfeita do 2º. Se não tivesse transmissão de tv, com o estádio vazio, é bem provável que aplaudissem. Um público tão encantado pela qualidade do meia que fez questão até de lhe servir a bola do 3º tento. Todos queriam uma participação, ainda que de coadjuvante, no show do habilidoso apoiador.

Se não fosse o chute quase raivoso de Carlinhos – numa rara tentativa do Vasco – e a determinação de Pec, um desavisado desligaria a tv com a certeza de que o a equipe de Vanderlei disputava um amistoso. Mesmo com a melhora no 2º tempo.

A burocracia vascaína, que aguarda um convite assinado em duas vias e registrado em cartório para chutar em gol, e a passividade defensiva, foram normatizadas mais uma vez. O semblante de derrotado voltou.

Cheguei a escrever aqui após os dois primeiros jogos com Luxa que as atuações tinham um quê de réveillon, renovando as esperanças do torcedor. Pois bem, acabou. Mais rápido do que uma queima de fogos no dia 31 de dezembro – e nem tô falando de Copacabana.

O Vasco voltou a ser um time anestesiado, adormecido. Sem brio. Sem brilho. Na bola, há muito tempo, mas agora também nos olhos.



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