Um novo início, o mesmo fim



Fabrício nem fez boa partida contra o Bahia (Foto: Felipe Oliveira/Bahia)

O placar de 3 a 0 realmente não refletiu os 90 minutos de atuação do Vasco, como disse Zé Ricardo após a partida. Nem do Bahia, que passou a assustar apenas no 2º tempo. Nada disso, porém, ameniza mais uma derrota vascaína. Ou o seu treinador.

Muito pelo contrário.

O resultado foi, na verdade, reflexo de 30 minutos de desorganização da equipe, algo que torna o placar elástico ainda mais incômodo. Veja bem, o Bahia sequer precisou de 90 minutos bem jogados para golear. Isso é um agravante, não uma vantagem.

O Vasco segue sendo vulnerável.

Já escrevi aqui sobre a fragilidade defensiva do Cruz-Maltino e de sua facilidade para desestabilizar. Muitas vezes parece uma torre de Jenga, aquele joguinho de equilibrar blocos de madeira. No primeiro movimento mais brusco, desmorona. Neste domingo, mais uma vez.

O Vasco de 2018 precisa de um segundo de desatenção para sofrer um gol e meses de estudo para fazer o seu.

Por mais que tenha feito um bom 1º tempo contra o Bahia, com boa posse e poucos sustos defensivos – inclusive lembrando o time do fim de 2017 -, além de algumas boas escapadas de Wagner e Pikachu, o fato de sucumbir no primeiro abalo ainda é preocupante. Significa que, ainda que vá bem por um período, é possível que se perca no meio do caminho.

Zé decidiu manter o esquema que funcionou no Chile, contra a La U, com Desábato e Bruno Silva mais fixos e uma marcação mais adiantada de seus meias. Por 20 minutos o Vasco abafou o Bahia, ocupando bem o meio e tomando a iniciativa do jogo. Perdia e recuperava rápido. Erazo e Ricardo nas bolas longas conseguiam achar opções. Principalmente com Yago e Kelvin abertos. Funcionava, ainda que o ataque se mostrasse mais inoperante que camisa regata no inverno em Petrópolis. Depois recuou um pouco, respirou, mas se manteve no controle.

Para um time que havia sido atropelado por 90 minutos no início do mês, pelo mesmo adversário, no mesmo estádio, ir para o intervalo com o placar zerado mostrava uma evolução. E realmente era. Contra Flamengo, La U e o primeiro tempo na Fonte Nova, o Vasco conseguiu apresentar uma melhora defensiva. Porém, sem consistência para um jogo inteiro.

O Vasco não é capaz de ser competitivo por 90 minutos. Fisicamente, inclusive.

Kelvin deu lugar a Paulo Vítor ainda no primeiro tempo, lesionado. No início do segundo, foi a vez de Bruno Silva deixar o campo com dores. Outra imagem rotineira no clube.

A primeira mexida fez com que o Vasco atuasse mais pela esquerda, com Pikachu, desequilibrando as ações ofensivas e expondo exatamente o seu lado. A saída de Bruno e a entrada de Giovanni Augusto, por sua vez, mudou ainda mais a estrutura da equipe, que deixou de ter dois volantes de origem.

Essa ausência abriu o espaço necessário para Zé Rafael entrar no jogo. Assim como Régis, colocado em campo por Guto Ferreira três minutos após a alteração de Zé Ricardo. Uma rápida resposta ao movimento do treinador vascaíno. Certeira.

Enquanto o Vasco abriu o meio, o Bahia o preencheu, sacando um centroavante – Junior Brumado – para a entrada de mais um apoiador. E o efeito surgiu rápido. Abriu o placar quatro minutos após a mudança, no lado sempre frágil do Vasco, a esquerda, dessa vez ocupada por Fabrício e que vinha recebendo a cobertura de Bruno. Melhor para Régis – olha ele -, João Pedro e Élber, que construíram o lance. E o Tricolor ainda poderia ter ampliado rapidamente com Zé Rafael, em bola que explodiu no travessão.

Faltando cinco minutos para o fim, Desábato foi expulso, concluindo o desmatamento da linha defensiva vascaína.

O que já havia se tornado complicado com apenas um volante em campo, se tornou impossível sem nenhum. Era viável promover três ou quatro manifestações com caminhões no espaço deixado entre a defesa e o ataque do Vasco no fim do jogo. Talvez até abrigar um assentamento.

O Vasco melhorou no últimos jogos. Em alguns momentos. Mas ainda perde e se perde. No individual e no coletivo. E se Zé Ricardo tem mérito na melhora inicial do time, tem também culpa – a comissão técnica como um todo – por não conseguir manter o nível competitivo da equipe durante todo o jogo. Inclusive tomando decisões questionáveis dentro das partidas, como as entradas de PV  e Giovanni.

Ficou fácil para o Bahia construir o 3 a 0 com um a mais. Mas já havia ficado menos difícil antes disso.



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