Um Maracanã que não contagia



Graça foi titular pela 1ª vez no ano (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Joga-se qualquer coisa, menos futebol, num estádio vazio. Já escrevi aqui certa vez, numa outra loucura dessas de se realizar uma partida sem torcida: uma arquibancada sem sua gente é um coração que não pulsa. Não há sentido de existência.

É como sambar sóbrio pela primeira vez após anos de boemia. Tudo é muito claro para quem se acostumou a ver tudo turvo, à flor da pele. Um jogo sem torcida é sereno demais para o torcedor, é uma bateria de escola de samba sem caixa. Talvez pior.

Jogo sem torcida é treino.

Abel poupou Cano, poupou Castán, poupou Guarín e outros três. Só não poupou o torcedor vascaíno, que sofreu à distância com mais uma atuação sonolenta e previsível da equipe.

Certamente tiveram vascaínos agradecendo os portões fechados:.

Não houve nada de contagiante no Maracanã. Por bem, sem coronavírus – assim espero. Por mal, sem futebol. Nada envolvente. Nem mesmo da parte do Fluminense, que ganhou por 2 a 0.

Dois gols silenciosos. O primeiro, com a categoria habitual de Nenê a precisão cada vez mais constante de Evanílson, num 1º tempo onde o Flu teve a posse e o Vasco as melhores chances – jogando de forma reativa como foi nos bons duelos de 2019. Foi para o intervalo na frente o mais eficiente.

Em vantagem, o Tricolor deu a bola ao time de Abel Braga que pouco sabe o que fazer com ela além de cruzar. A estratégia de Odair Helmann foi dar ao adversário uma arma que ele não sabe usar. Funcionou. A posse do Vasco subiu de 42,3% para 57,9%. As finalizações certas, porém, caíram de duas para nenhuma. Todos os arremates foram para fora, e por muito.

Uma inabilidade já conhecida dos vascaínos. O pior desempenho ofensivo de sua história. Principalmente sem Cano.

Um Maracanã silencioso presenciou um clássico natimorto. Pouco relevante desportivamente, nada significativo do ponto de vista emocional e completamente fora de contexto com o que acontece na sociedade.

Não era mais para ter futebol nesse momento. Uma medida adotada pelo Vasco de Abel Braga desde janeiro, aliás.

Aparentemente, sem previsão de volta.



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