Trabalho de Luxemburgo no Vasco merece mais respeito



Luxemburgo tem mais de 50% de aproveitamento no Vasco (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Quatro jogos, três derrotas e um empate como mandante. Nenhuma vitória. Um ponto de 12 possíveis. Dez gols sofridos e apenas três feitos. Último colocado no Campeonato Brasileiro.

Esse era o cenário do Vasco quando Vanderlei Luxemburgo assumiu o clube. No mesmo dia, um colunista já cravava o rebaixamento vascaíno. “É tetra!”, esbravejou.

Não será.

Realmente o desempenho era muito abaixo para quem tinha a 11ª folha salarial do Brasil, como analisei em maio. Algo, no entanto, que diz mais sobre a péssima gestão de futebol do clube no início da temporada do que sobre o trabalho de qualquer treinador.

Dos R$ 3,3 milhões gastos mensalmente pelo clube, quase um terço são com jogadores que não atuam: Bruno César – quase 10% de toda a folha -, Breno e Ramón, lesionados há um ano, Valdívia e Cláudio Winck, contratados este ano, entre outros.

Na real, o time vascaíno que hoje faz a 4ª melhor campanha do returno do Brasileirão custa cerca de R$ 2 milhões, o que lhe daria a 16ª posição no ranking de gastos. A equipe que vai a campo é, em grande parte, formada por jogadores oriundos da base, como Marrony, Henrique, Talles Magno e Bruno Gomes. Os dois últimos, lançados nos profissionais por Luxemburgo, assim como Gabriel Pec, que vem se tornando um 12º jogador do time.

Alguns meninos, talvez, sequer ganham R$ 20 mil, enquanto que outros recebem R$ 300 mil e não pisam no gramado há meses. E, quando pisam, pouco agregam.

Além deles, formam o time atletas que vieram de equipes menores, como Marcos Júnior, ex-Bangu, e Felipe Ferreira, ex-CRB. Dois jogadores que nunca haviam disputado uma partida sequer de Série A.

O Vasco gasta muito com futebol porque contratou errado, desde lá detrás, com Alexandre Faria, Alberto Valentim e o presidente Alexandre Campello, como vice de futebol. E, como qualquer um que já tenha comprado a própria comida sabe, não é porque você pagou R$ 80 no quilo da banana que ela vai virar picanha na janta.

Não dá para analisar futebol pelos gastos, o que dá para avaliar daí é a gestão. Futebol não é banco imobiliário ou super-trunfo. Quem gasta mal, paga duas vezes.

Da montagem do elenco, 90% aconteceu antes de Luxemburgo chegar à São Januário. O treinador ainda queria um centroavante durante a pausa da Copa América, após perder Maxi López por atraso salarial. Não teve, e hoje tenta recuperar Ribamar, antes afastado. Agora também fica sem Talles Magno, convocado para a Seleção Brasileira Sub-17.

No olho por olho, o Vasco tem um elenco comum, de meio de tabela, exatamente onde está. Mas que, mesmo com quatro meses de salários atrasados, poderia estar melhor posicionado na classificação se estivesse sob o comando atual desde o início. E não é uma opinião qualquer, vazia, um texto de três linhas, um recorte de meia dúzia de rodadas, são os números gerais do treinador: o Vasco é o 7º desde a chegada de Luxemburgo, já tendo enfrentado todos os 19 adversários. Alguns, duas vezes.

Mesmo pegando o bonde andando, em 23 jogos fez mais pontos que o Internacional, por exemplo, finalista da Copa do Brasil e com um elenco, esse sim, bem mais caro: R$ 5,7 milhões. E com jogadores cobiçados no mercado, como Guerrero, D’Alessandro, Zeca, Cuesta, Patrick, Edenílson, Nico López… Tanto que no meio do ano o Vasco tentou Pottker e Tréllez, reservas pouco aproveitados no Colorado e que chegariam como titulares no Rio. E nem eles a diretoria conseguiu.

Ainda assim, deu Vasco nos dois jogos desse Brasileiro, ambos com Luxa no banco.

Desmerecer o trabalho de Luxemburgo no Vasco é, no mínimo, falta de conhecimento da realidade do clube. E, principalmente, falta de respeito com quem chegou desacreditado, numa equipe igualmente desmoralizada, pré-rebaixada – segundo alguns -, e hoje mira o G6, que está a cinco pontos.

Essa, aliás, era a distância que o time estava para o Cruzeiro, de Thiago Neves, Dedé, Fred, Dodô, Robinho e cia, quando o treinador assumiu. Hoje a Raposa, com muito mais jogadores com poder de decisão, abre o Z4 com nove pontos a menos que o Cruz-Maltino.

Reconhecer o bom trabalho de Luxemburgo no Vasco não é apequenar o clube, como alguns teimam em dizer, é entender que as mudanças ocorrem de forma gradativa. É um simples ato de bom senso. É usar todos os números, não apenas alguns. É assistir aos jogos e notar as variações que ganham jogo, como contra o Internacional, quando alterou o esquema no intervalo e saiu vencedor. É, ainda, entender que os mesmo jogadores em outras mãos não rendiam o mesmo que hoje.

O trabalho de treinador não é resgatar a história do clube – não em cinco meses -, é fazer desse time competitivo. E isso, no Vasco, até o momento, Luxemburgo conseguiu. Só não vê quem realmente não quer.



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