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Torcida do Vasco não descansa nem no sétimo dia



Quase 20 mil vascaínos lotaram São Januário (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

O vascaíno, definitivamente, decidiu reassumir o seu protagonismo. Digo o torcedor, a alma do clube, o seu bem maior, não necessariamente o time, seus jogadores. Um é sólido e imutável, firme. O outro, passageiro.

Após sete dias e sete noites alavancando seu sócio-torcedor numa arrancada histórica, com 100 mil novos associados em uma semana – salto de 32 mil para 132 mil -, o cruz-maltino seguiu sem descansar e lotou São Januário numa segunda-feira à noite, para enfrentar o Cruzeiro, como se fosse uma tarde de domingo qualquer.

Quase 20 mil vascaínos pagaram o ingresso em busca do que é de graça: o sorriso.

E ele veio aos nove minutos em um chute de Guarín, de fora da área, após bela jogada de Andrey. Era o retorno do 4-3-3 de Luxemburgo com dois dos volantes se apresentado ao ataque para finalizar. Um criou e o outro concluiu, assim como em outros momentos deste Brasileirão aconteceu com Raul e Marcos Júnior. Esse é o Vasco que mais funcionou no campeonato.

Só que por pouco tempo.

Já escrevi aqui, certa vez, que a última vitória tranquila do Vasco parece ter sido aquele 6 a 0 sobre o União São João de Araras, em 1997, em que Edmundo marcou seis vezes. Ainda assim, o Animal fez questão de perder um pênalti pra criar um drama qualquer.

É claro que é um exagero, mas a sensação que se tem muitas vezes é essa. Não há um triunfo simples sequer do time, uma vitória construída mansamente ainda no 1º tempo, sem agonia e inquietude. É sempre um filme de Stephen King, um terror psicológico, nunca uma Sessão Tarde com pipoca e guaraná.

O Vasco, que teve 49,7% de posse no 1º tempo, passou a ter 40,3% no 2º. Os erros de passe subiram de 12 para 24 de uma etapa para a outra, e as bolas longas de 14 para 23. Em resumo: durante 45 minutos, apesar de toda ineficiência cruzeirense, que levantou 35 bolas na área mas só conseguiu uma conclusão em gol – com Fred -, o Cruz-Maltino se limitou a chutões e rezas.

Rossi e Marrony, principais homens de velocidade do time e únicos capazes de manter a posse por alguns segundos, já tinham línguas mais longas que as pernas aos 15 do 2º tempo. O menino saiu, exaurido, mas o camisa 7, guerreiro como de costume, teve que ficar. Até por falta de opções com características parecidas no elenco.

O Vasco naturalmente desacelera pelo cansaço, ainda assim, prefere seguir com os bicos pra frente do que jogar com ela no pé. Fellipe Bastos, por exemplo, que entrou na vaga de Richard para, na teoria, ajudar a controlar o meio, deu apenas quatro passes certos em 25 minutos em campo.

O gol adversário, nessa situação, é quase sempre uma questão de tempo. E por pouco não foi, quando Fred serviu Marquinhos Gabriel, na pequena área, já aos 41 da derradeira, mas o jogador concluiu mal.

Com cinco pontos de vantagem para o Fluminense, 15º colocado, restando apenas duas rodadas, o Vasco está muito perto da Sul-Americana 2020. No entanto, ainda muito distante de assumir o protagonismo que a sua torcida instituiu.

* Com dados do Footstats



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Autor

André Schmidt

Formando em Jornalismo, André Schmidt escreve desde 2008 para sites e blogues esportivos. Como convidado, já produziu textos para Jornal dos Sports, Jornal do Brahmeiro, Trivela e Goal. Manteve também colunas em Os Geraldinos, pertencente a Placar na época (2011), SãoJanuário.Net e SuperVasco, além de ter tido matérias e pesquisas publicadas no Jornal Marca e no site NetVasco. Desde junho de 2014 trabalha no Grupo LANCE!, quando foi convidado para fazer parte da equipe de Mídias Sociais durante a Copa do Mundo.

andrefschmidt@gmail.com

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