Talles Magno, Ribamar e as ironias da bola



Ribamar abriu o placar em Chapecó (Foto: Matheus Sebenello/My Photo Press)

Os últimos jogos do Vasco têm sido marcados pelo protagonismo de Talles Magno. O garoto não dá brechas para outro personagem. E não é por menos. O atacante de apenas 17 anos trata um jogo de futebol profissional como se fosse um parquinho qualquer. Não pela falta de compromisso, é claro, mas pela naturalidade com que se diverte.

Não é marra, é qualidade.

Numa partida de muita força e pouca técnica, o menino surge como uma calmaria quando tem a bola nos pés. A trata como uma amiga, com gentileza. Tanto que terminou a partida como o jogador de linha do time que mais tempo a teve sob sua posse (5,21%, segundo o Footstats). Algo incomum para um atacante.

Mas Talles não tem nada de comum. É diferenciado. Tem apreço pela redonda, não apenas pelo gol. Ao mesmo tempo que começa a se mostrar um definidor de jogos, não deixa de ser também um criador de jogadas.

De calcanhar, serviu Cáceres, que cruzou para Ribamar perder a melhor chance do Vasco no 1º tempo. Como um pivô de futsal, já na etapa final, rolou suave para Richard finalizar com perigo, próximo ao gol do bom goleiro Tiepo. Seu grande ato, porém, seria, claro, o tento decisivo.

A torcida da Chape ainda não havia terminado o grito de gol – Arthur Gomes, de cabeça -, quando Talles começou a enfileirar marcadores como se fossem conchinhas à beira-mar. Um a um, até concluir de esquerda. Gol de gente grande.

Do banco, Ribamar assistiu o companheiro tomar seu lugar de herói do dia. Certamente, porém, com o mesmo alívio de todo vascaíno. O gol do camisa 9, até outro dia afastado do elenco principal, cairia rapidamente no esquecimento se não fosse a vitória.

Por ironia, o atacante que reconhecidamente trava uma batalha com as redes, como uma modelo que briga com o espelho, ainda teve que aguardar – atônito – a validação do tento por parte do VAR. Foram quase sete meses sem marcar. Quatro sem jogar. Mas os segundos de espera, ali, solitário, antes da definição, talvez tenham sido os mais tensos para o atacante.

Com o grito de gol atravessado na garganta, como a faixa em seu peito, Ribamar correu olhando para os céus ao ver que o bandeira sinalizava o impedimento. Parecia não acreditar. Cabisbaixo, aguardou calado a revisão em vídeo. E, ao ver o árbitro apontar para o centro, enfim pode celebrar o merecido gol com seus companheiros.

Um gol de quem teve paciência para esperar, velocidade para correr pelas beiradas, sem desistir, calma para aguardar o momento certo, e que aos poucos vem cavando o seu espaço novamente no elenco. Mesmo diante de constante revisão.



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