Talles Magno, o iluminado



Talles Magno marcou seu primeiro gol como profissional (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Quando Sorato parou no ar, congelando também o tempo, naquele 16 de dezembro de 89, muitos dos 19 mil vascaínos que estiveram em São Januário neste domingo ainda não eram nascidos. Inclusive, entre os 11 cruz-maltinos que iniciaram o duelo, apenas Castán, Henríquez e Fernando Miguel já brincavam com suas dente de leite.

Foi a tarde da consagração do atacante de apenas 20 anos, cria da base vascaína, que marcou outros 81 gols pelo clube, mais umas centenas pelas dezenas de equipes que passou, mas nenhum como aquele. Um gol imortal até para quem não o viveu. Um tento que ressurge toda as vezes que Vasco e São Paulo se enfrentam.

O clássico nacional, que também viu brilhar jovens como Edmundo, em 92, Gian e Valdir, em 94, e Pedrinho, em 97, agora se rendeu ao talento de Talles Magno. Um menino que, como já disse aqui outra vez, a bola tem um apreço maior. Primeiro brinquedo, ela mira o garoto com um olhar diferente. E ele retribui, a tratando com a serenidade e doçura que todo amor bem correspondido exige.

Com um minuto, Talles já pisava na área tricolor com a imponência de um totem, finalizando de esquerda após bom pivô de Marrony. Aos 4, encarou e passou por Daniel Alves como se ali estivesse, com a 10 às costas, um juvenil qualquer, um iniciante, e não um dos maiores laterais da história. Personalidade de quem conhece a qualidade que carrega.

Talles jogou pela esquerda, numa das pontas da segunda linha de quatro no 4-1-4-1 montado por Luxemburgo. Com Raul no lado oposto e Marrony de centroavante – outros dois destaques da partida – o Vasco impôs ao São Paulo 20 minutos de domínio e pressão. Se não tinha o meia de criação tão desejado pelas arquibancadas, sobrava ao time vigor e comprometimento na marcação. Oito dos dez titulares realizaram desarmes no jogo – só Henrique e Marrony passaram em branco. Richard, o um de Luxa, fez ainda quatro antecipações corretas, um volume muito acima da sua média – 0,7/j.

Curiosamente, os paulistas foram levar perigo apenas após a expulsão de Raniel, aos 35 minutos do 1º tempo. Empolgado, o Vasco se lançou de maneira afobada e viu o Tricolor chegar com perigo duas vezes. E foi só.

Aos 48, quando Daronco já preparava o último apito antes do café, Talles parou o cruzamento de Pikachu como se repousasse um bebê recém-dormido no berço, e finalizou forte, mas por cima do gol de Tiago Volpi.

A consagração do menino, no entanto, não demoraria muito tempo. E viria em mais uma caça incessante da bola – apaixonada – pelos seus pés.

Ela caiu novamente sob domínio do garoto quando Danilo Barcelos cruzou e Castan tocou de cabeça. Dessa vez, de canhota, Talles a guardou com a convicção dos grandes atacantes. A parou com um pé e concluiu com o outro antes que qualquer movimento defensivo fosse feito. Velocidade de raciocínio que o diferencia dos demais.

A atuação memorável de Talles terminou com Juanfran, que até outro dia enfrentava Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar na Europa, sendo deslocado para a esquerda por não conseguir acompanhar mais o menino. O garoto, aos 17 anos, dava ao espanhol – de 34 – as boas-vindas ao Rio de Janeiro.

E se não sobrou tempo para o campeão da Euro 2012 conhecer o Cristo, certamente não lhe faltaram oportunidades de chamar pelo seu nome. O motivo da súplicas: Talles Magno.



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