Talles Magno, o bom filho



Talles Magno joga de cabeça erguida (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Dizem que o bom filho à casa torna. Mas a verdade é que alguns ainda nem se foram e já mostram o tamanho da saudade que deixarão quando esse dia chegar. O mais ansioso já imagina inclusive o retorno, e sofre por antecedência pela espera que ainda nem viveu. No Vasco, esse filho atende pelo nome de Talles Magno.

Aos 17 anos, o menino joga entre adultos como se fosse uma pelada matinal de Dia dos Pais. Ziguezagueando, enfileira marcadores  como se fossem cones da auto-escola que ainda nem frequenta, e corre pelos gramados brasileiros dando a sensação de que sua passagem por aqui será curta.

Num jogo sofrível contra o Goiás, onde o Vasco bateu seu recorde de lançamentos (45) – a maioria para Pikachu – e teve a sua terceira maior marca de passes errados nesse campeonato (46) – Cáceres, com 11, foi quem mais errou -, o atacante foi novamente uma ilha de talento em meio à escuridão futebolística que foi – mais uma vez – o Cruz-Maltino.

Pelo segundo jogo seguido o jovem deixou o campo como o maior driblador (3) e principal finalizador da equipe (2). Isso porque Talles é desses atacantes que, se ainda não tem o faro de gol tão apurado, tem o instinto natural de ir sempre de encontro às redes. Talles parece desconhecer outras direções que não a frente, demonstrando ter a verticalidade de um trem.

Eu já me preparava pra escrever aqui que Vanderlei Luxemburgo encontrou seu camisa 9, quando me dei conta de que na verdade Talles foi de tudo um pouco no ataque cruz-maltino. O 7, o 11 e o 10, não necessariamente nessa ordem. Foi assim, aliás, que construiu o gol único do jogo.

Mapa mostra Talles caindo mais pela esquerda, trocando de posição com Marrony, mas o atacante teve liberdade para flutuar por todo o setor ofensivo (Foto: Footstats)

Talles chamou meio time do Goiás pra lanchar no meio-campo. Antes que descobrissem o cardápio, porém, o garoto já tinha dado um tapa na frente e achado um vazio na defesa goiana. Com um só toque, o menino abriu um latifúndio de possibilidades. Por alguns segundos, o Vasco praticou um pouco de futebol, escasso durante toda a noite.

Raul avançou como ponta, Pikachu entrou como atacante e Marcos Júnior pisou na área como sempre cobra Luxa de seus volantes. Tudo iniciado lá atrás, pelo 9 que pode ser chamado de tudo, menos de falso. Talles é uma das boas verdades desse Vasco ainda muito incerto.



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