Só coração não basta



Vasco foi eliminado pelo Fluminense (Foto: Marcelo Cortes/Fotoarena)

Vasco foi eliminado pelo Fluminense (Foto: Marcelo Cortes/Fotoarena)

O Vasco tinha um afrodisíaco especial para os jogos finais do Campeonato Carioca: a possibilidade de se sagrar tricampeão estadual. Do lado do Fluminense, a chance de voltar a uma final de Estadual após quatro edições fora.

A ideia do esporte é dar o que se tem de melhor nos 90 minutos. Do pontapé inicial até o fim da disputa, uma apresentação de armas. Quem é de velocidade, corre. Quem é de cadência, gira.

Um, envolve. O outro, encolhe.

O Flu, como no primeiro jogo entre os dois em 2017 – também vitória por 3 a 0 -, acelerou. Muito. Com e sem a bola. Não demorou muito para que o toque lento do Cruz-Maltino se mostrasse inoperante. E vieram os chutões. Com gosto pela bola, apenas o Tricolor. Característica implantada por Abel Braga com maestria.

A equipe das Laranjeiras tem uma fluidez diferente de seus rivais cariocas. Tudo parece bem mais natural do que nos outros times. Conceito e qualidades que se encaixaram e vem surpreendendo. O Vasco ainda força para incomodar, como algo que ainda precisa ser extirpado de si.

Resta ao time de São Januário compensar com o coração.

É pouco.

É possível ganhar jogos na alma, por isso o mata-mata se mostra sempre tão aberto. Porém, para uma campanha consistente em uma campeonato longo, é necessário mais do que querer muito. Tem que merecer muito.

O Vasco até que assustou – após ser assustado por 25 minutos – no primeiro tempo, mas em jogadas furtivas. As melhores, numa escorada de Luis Fabiano para Nenê e num cruzamento de bola parada para o camisa 9. Nenhuma trabalhada.

O Flu criou de forma coletiva e no chão, mas decidiu no alto e na qualidade individual. Mostrou que além de qualidade, tem variedade. O Vasco deu o que tinha: o coração, que não aguentou bater na velocidade tricolor. E sucumbiu.

O Fluminense, hoje, é o time mais organizado do Rio de Janeiro. O Flamengo carrega o status de melhor elenco. O Botafogo tem a organização com menos peças de variação. Ao Vasco, por ora, é detentor apenas da alma, do ímpeto, do coração.

É mais do que tinha com Cristóvão, mas ainda é menos do que precisa para fazer um Brasileirão sem sustos.

Haja coração!



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