Só a base salva o Vasco



Andrey marcou seu primeiro gol no ano (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Rebote da defesa do Inter e gol de Andrey, de pé esquerdo. Cobrança de falta de Danilo Barcelos na trave e o jovem Tiago Reis, de cabeça, faz 2 a 0, empatando com Marrony e Pikachu na artilharia do Vasco na temporada. Assim o Cruz-Maltino construiu a vitória por 2 a 1 sobre o Internacional, a primeira neste Brasileirão. Partida que contou também com grande atuação do zagueiro Ricardo Graça.

Um triunfo construído, claro, por todos, mas com grande participação da base. Quatro dos 11 titulares que entraram em campo foram criados em São Januário. No entanto, a utilização dos jovens não tem sido algo comum.

Apesar de 15 jogadores oriundos do sub-20 já terem jogado em 2019, apenas um esteve em mais da metade dos 2880 minutos em que o Vasco atuou: Marrony (2400). Ricardo Graça vem em segundo, com 1318. Número elevado apenas em razão da lesão sofrida por Leandro Castan.

Tiago Reis, goleador da equipe no ano com cinco gols, só superou o tempo de Ribamar em campo, que marcou apenas uma vez, no duelo contra o Colorado, chegando aos 675 minutos.

Andrey, outro que voltou a ganhar chances com Vanderlei Luxemburgo, agora acumula 459 minutos de atuação em 2019. Vaga conseguida somente após a suspensão de Lucas Mineiro, o líder da estatística com 2557 minutos jogados na temporada.

Jovens como Dudu, Moresche, Rodrigo, Rafael França, Kainandro, Miranda e Talles Magno, não jogaram sequer 200 minutos – alguns nem 30. Bruno Ritter, Caio Monteiro e João Pedro nem estrearam. Outros foram dispensados ou emprestados, como Hugo Borges, Alan Cardoso, Paulo Vítor, Thalles, Jomar e Guilherme Costa. Jogadores que perderam espaço para reforços mais caros e que pouco atuam, como Vinícius Araújo – machucado -, Cláudio Winck, Fellipe Bastos, Oswaldo Henríquez, Willian Maranhão – que já saiu -, Bruno Silva – que entrou na Justiça -, Ribamar e Yan Sasse. Ou até mesmo Bruno César, que se tornou um reserva de luxo.

Será que o nível técnico é muito diferente? O custo certamente é.

Mesmo utilizada de forma quase emergencial, a base vascaína segue sendo fundamental para o bom desempenho do time. Com os gols de Tiago e Andrey, já são 14 das crias da Colina de 41 marcados no ano, o que equivale a 34,1% do total.

Em 2017, apesar de contar com nomes Nenê, Wagner, Luis Fabiano e Andrés Rios, a equipe conseguiu a classificação para a Libertadores com a base marcando 32,7% dos gols da temporada. Thalles, Paulinho, Douglas Luiz, Guilherme Costa, Mateus Vital, Caio Monteiro, Evander e Paulo Vítor estufaram as redes na ocasião. Em 2018, com a saída precoce de muitos destes atletas, a porcentagem de participação caiu para 20,9%, e o time quase foi rebaixado.

E as dívidas, continuaram.

O Vasco contratou 34 jogadores em um ano e meio, e a solução segue sendo a base. Em campo, não apenas em negociações.

Isso quer dizer que o time todo deve ser formado por garotos? É claro que não. Mas para ser competitivo sem a necessidade de endividamento – com excesso de contratações sem impacto -, não há outra forma de se trabalhar que não seja olhando com mais carinho para suas categorias inferiores. E não apenas na hora da venda.

A base é, antes de tudo, uma economia para o presente. E o Vasco precisa desse equilíbrio para começar a planejar o futuro, ao invés de viver pagando pelos erros do passado.

Youtube: Canal do Garone
Twitter: @BlogDoGarone
Facebook: /BlogDoGarone
Instagram:@BlogDoGarone



MaisRecentes

Gols e marcas expressivas: os números de Thalles no Vasco



Continue Lendo

Os 16 minutos imortais de Thalles



Continue Lendo

Os números de Richard, novo reforço do Vasco



Continue Lendo