A síndrome de Cosme e Damião



Vasco ficou apenas no empate com o Bragantino (Foto: Divulgação/Bragantino)

Eu sei que você, vascaíno católico que passa por aqui, conhece a história de Cosme e Damião. Irmãos gêmeos, médicos, que tratavam de enfermos sem cobrar nada e por isso se tornaram Santos da Igreja. Mas a verdade é que no popular, apesar da bela história, dia de Cosme e Damião é conhecido mesmo como dia de entregar doces. Algo que tem sido comum nos últimos jogos do Vasco, não apenas nesse 27 de setembro.

Veja bem, a inoperância criativa do time é algo antigo. Coisa de mais de ano. Basta ver que os artilheiros do Vasco no ano passado, Marrony e Pikachu, marcaram apenas 10 gols na temporada, a pior marca da história do futebol profissional do clube – desde 1933. Agora, as falhas defensivas em lances infantis são algo novo. O time parece viver uma espécie de síndrome de Cosme e Damião, onde se tem um desejo incontrolável de entregar o doce. Por mais (maria) mole que seja.

Cheio de pés de moleques, com seis garotos oriundos da base – Miranda, Henrique, Bruno Gomes, Juninho, Talles Magno e Vinícius -, o Vasco só não saiu perdendo no 1º tempo graças as mãos de um veterano: Fernando Miguel. O time de Ramon batia os 60% de posse de bola, pressionava alto, cortava as asas do Red Bull Bragantino ainda no seu campo, perdeu grande chance com Cano, de cabeça, mas precisou de apenas uma chegada do visitante para colocá-lo na marca da cal em São Januário.

Um lance infantil do quase sempre maduro Bruno Gomes.

Coube ao goleiro vascaíno, que tem meio nome de santo, realizar um milagre completo na batida de Alerrandro para manter o zero no placar antes do intervalo e evitar mais uma entregada da paçoca.

No entanto, acostumados a jogar no sol de meio-dia em São Januário, os meninos não só dão doce como também pegam. Principalmente os criados perto da Barreira.

Talles viu a infiltração de Juninho e deu com açúcar para o bom e jovem meia, substituto de Benítez nesse domingo. O garoto, que já havia feito um bom 1º tempo, encontrou Vinícius livre na área para fazer 1 a 0. Melzinho na boca.

Mas como disse, o Vasco vive a sua síndrome de Cosme e Damião.

Se Fernando Miguel impediu a paçocada de Bruno Gomes no 1º tempo, nada pôde fazer na batida de Lucas Evangelista após grande jogada de Tubarão pra cima de Yago Pikachu. Passou como quis, como se tirasse o pirulito das mãos de uma criança.

O tento do Massa Bruta aconteceu na saída de bola após o gol cruzmaltino. No momento onde todo o time tem a chance de se posicionar como manda o figurino e o treinador. Torcida – em casa – e jogadores ainda comemoravam o gol de Vinícius quando veio o empate.

Nem o VAR teria anulado a vantagem vascaína tão rápido. Nem ele teria sido tão cruel, tão anticlímax.

E se não fosse Fernando Miguel parar Alerrandro novamente, em um contra-ataque, poderia ter sido o último suspiro do Vasco na partida. Outro jogo onde o time teve muita paciência e pouca envolvência.

Após um ótimo início de Brasileiro – muito acima do esperado, é verdade -, o Vasco parece fazer força para entregar os pontos que acumulou no começo. Nesse domingo, foi a vez do Bragantino pegar o seu saquinho em São Januário.



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