Falta de dinheiro ou má gestão? Vasco contratou dois times apenas em 2018



Time que enfrentou o Flamengo tinha oito contratados em 2018 (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Fernando Miguel, Lenon, Paulão, Erazo e Fabrício; Desábato, Willian Maranhão, Thiago Galhardo e Giovanni Augusto; Riascos e Maxi López. No banco: Rafael Galhardo, Oswaldo Henríquez, Lucas Kal, Werley e Leandro Castán; Luiz Gustavo, Bruno Silva, Lucas Perdomo e Raúl; Rildo e Vinícius Araújo.

Não, essa não é a lista de relacionados do Vasco para a partida contra o Bahia, na próxima segunda-feira. É, na verdade, a listagem de todos os contratados pelo Cruz-Maltino em 2018. Vinte e dois jogadores trazidos apenas para a disputa desta temporada. Dois times completos. Um número significativo – e preocupante – para um clube que vive com complicações financeiras.

Um estudo sobre a situação dos clubes brasileiros feito pelo Itaú BBA foi divulgado nesta terça-feira e publicado no site GloboEsporte.com. Nele, especialistas apontam o clube em ‘situação bem difícil’. E um dos motivos apontados, apesar da ‘qualidade ruim das informações’ divulgadas pelo Vasco, segundo o estudo, foi que, mesmo com um aumento na arrecadação – principalmente através da venda de jogadores, como escrevi aqui no blog na última semana -, ‘despesas e custos continuaram crescendo e ocupando o salto de receitas’.

Não é difícil fazer a conexão entre a primeira informação e o estudo realizado. Mesmo precisando cortar custos para arcar com os seus compromissos, o Vasco foi ao mercado sem qualquer cerimônia. Só de zagueiros, foram sete contratados.

A maioria dos reforços chegaram sem um custo inicial para o clube, porém, com ganhos entre salário e imagem girando em torno de R$ 100 mil e R$ 300 mil. Ou seja, um custo mensal milionário para os cofres do cruz-maltino e que vem cobrando seu preço – literalmente. Nesta segunda-feira, o Conselho Deliberativo aprovou um pedido de empréstimo de cerca de R$ 32 milhões, para que o clube consiga arcar com os seus compromissos até o fim do ano. E ainda é possível que falte.

Num resumo simples: o Vasco comprou parcelado – salários, encargos e etc -, no cartão, e hoje não consegue pagar. Uma amostra de que as preocupações financeiras do clube seguem voltadas apenas para o presente, não para o futuro.

E o mais preocupante: contratou sem a convicção de que os novos reforços trariam ganhos técnicos ao elenco. Dos 22 trazidos, três já foram embora – Erazo, Paulão e Riascos – e dois sequer estrearam – Lucas Kal e Lucas Perdomo. Além disso, dos 53 jogos disputados pelo time no ano até o momento, apenas Desábato e Thiago Galhardo, entre as novidades, entraram em campo em mais da metade das partidas.

A questão, portanto, não é apenas o volume e os valores das contratações, mas também o seu baixo aproveitamento, muitas vezes ocasionado pelo inchaço no elenco e pela baixa qualidade dos nomes trazidos. Soma-se a isso também o excesso de lesões sofridos durante o ano que, ao contrário do afirmado pelo presidente Alexandre Campello em recente entrevista, não são fatalidades.

Jogadores como Erazo, Rafael Galhardo, Luiz Gustavo, Leandro Castán, Oswaldo Henríquez, Vinícius Araújo, Rildo e Giovanni Augusto chegaram a São Januário já com um longo histórico de passagens pelo Departamento Médico. Mesmo problema vivido por Breno e Ramon, contratados em 2017.

O problema do excesso de reforços, entretanto, não passa apenas pela gestão atual, comandada por Campello. Dos 22 contratados, oito foram contratados antes da eleição do clube, ou seja, ainda sob a presidência de Eurico Miranda. São eles: Erazo, Paulão – recontratado após ser devolvido ao Internacional -, Rafael Galhardo, Fabrício, Luiz Gustavo, Thiago Galhardo, Riascos e Rildo.

Seja por erro de planejamento técnico ou financeiro, certo é que, com metade dos reforços e o dobro de qualidade, o Vasco hoje teria um time que há tempos não tem. E o pior: não tem, não consegue pagar, e se endivida sem ter.

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