Ressaca de Carnaval



Andrey marcou seu primeiro gol pelo Vasco em 2020 (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Quando o nome de Ribamar surgiu na escalação do Vasco entre os titulares, logo cedo, o torcedor não teve dúvidas: seria uma noite longa. Afinal, um time que marcou apenas 6 gols em 9 jogos não parece querer muito ao pôr em campo um atacante que fez somente quatro em 40 partidas pelo clube.

Era o prenuncio de uma ressaca de Carnaval tardia.

Obviamente a atuação insossa e sonolenta – mais uma – dos comandados de Abel Braga contra o Resende, nesse sábado, não se deu apenas pela escolha do substituto de Talles Magno. Ribamar está longe de ser o maior dos problemas do Vasco. Menos ainda de ser o único.

O Vasco de Abel Braga, ainda em época de folia, nada mais é do que um bloco sem instrumentos e, principalmente, desprovido de harmonia. Não tem caixa e nem tamborim, muito menos empolgação. Só quem samba é o torcedor.

Sem Talles, Abel manteve o esquema que vinha adotando, jogando num 4-3-3. Ou seja, o que já não era bem executado tendo o talentoso garoto em campo passara a ser feito por Ribamar, um atacante ainda menos capaz de ser criativo.

O treinador queria pressionar a última linha do Resende com sua comissão de frente, como revelou na entrevista pré-jogo. Só não disse como faria para a bola chegar até lá. Podemos dizer que Abel queria atravessar a Sapucaí sem sair de casa.

Com Andrey entre Castán e Werley, a trinca afundada na frente e os laterais avançados, o Vasco atacava na verdade num 3-4-3. Na linha média, Henrique – um raro destaque – , Marcos Jr, Raul e Pikachu. Nenhum deles capaz de se passar por um meia de criação, nem mesmo sob uma veste de Carnaval.

Não é de se espantar que o time tenha tido a sua pior marca de passes errados em 2020. Foram 45 descompassos em apenas 90 minutos. Pikachu, Cano e Guarín, que entrou no 2º tempo, foram os que mais atravessaram o samba, com seis cada.

Talles Magno vinha sendo o centralizador das jogadas, a referência ofensiva. Sem o garoto, a bola se vê perdida, sem dono. Ribamar deu apenas 13 passes certos na partida. Marcos Jr, 14. Até Fernando Miguel precisou usar mais os pés que a dupla (16).

Como disse, faltam instrumentos para Abel dar ritmo à bateria, é verdade. No entanto, é clara também a falta de coordenação e compreensão da música que se quer tocar.

Foram mais de 400 passes sem objetivo – 447, pra ser mais exato – no jogo. Toques que geraram apenas três finalizações corretas, contando o gol de Andrey que contou com um desvio do zagueiro antes de entrar.

Com Tiago Reis na vaga de Marcos Jr, Abel mudou para o 4-2-4, abrindo Vinícius e Marrony pelos lados. Entre o abre-alas e o último carro vascaíno, porém, um mar de confetes intocados convidando o Resende pra sambar.

O time não precisou de 250 passes para fazer o seu tento, concluir outras nove vezes e puxar alguns contra-ataques perigosos. Faltou capricho para os resendenses tirarem o 10. Para o Cruz-Maltino, faltou quase tudo.

No Vasco atual de Abel Braga, as alas não conversam, o enredo é batido e qualquer nota positiva, hoje, não passa de uma fantasia. Do jeito que está, não vai dar samba.

* com dados do Footstats



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