Renovação do Vasco com Bruno César beira o absurdo



Bruno César renovou com o Vasco até 2022 (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

O futebol sempre será um negócio de risco. É impossível cravar com 100% de certeza se um jogador dará certo ou não num time. Mas é cada vez mais fácil se obter informações detalhadas sobre cada reforço antes de sua contratação. Algo que, quando bem feito, é claro, reduz os riscos.

Logo, tudo pode ser calculado. Não existe tiro no escuro, a não ser que vende os próprios olhos. Aí é escolha, não risco.

Quando falamos em riscos, obviamente, não são apenas técnicos, mas principalmente financeiros. Todo atleta tem um custo e cada clube uma realidade. O barato para um pode sair caro para outro. A sensação de fracasso ou de sucesso, portanto, passa pela compreensão dos dois cenários.

No caso do relacionamento entre Vasco e Bruno César, era claro desde o início que as chances de um desfecho positivo eram poucas. Cheguei a escrever sobre o tema antes mesmo do anúncio oficial de sua chegada à São Januário – texto aqui.

Bruno, então com 30 anos de idade, vinha de uma temporada muito ruim em Portugal onde passou sete meses afastado em razão de uma lesão no joelho. Havia entrado em campo apenas 80 minutos em cinco partidas. Antes disso, já não era titular do Sporting.

Sua última passagem pelo Brasil, em 2014, terminou com o Palmeiras quase rebaixado – 16º com 40 pontos – e uma estadia no banco de reservas. Portanto, cinco anos mais jovem, atuando no Brasileirão, Bruno já não era destaque em um time que brigava contra a queda.

Ainda assim, a gestão de futebol do Vasco, na época liderada por Alexandre Faria – mas com o aval do presidente Alexandre Campello, que ocupava também a função de vice da pasta -, optou por ocupar quase 10% – cerca de R$ 300 mil – da já limitada folha salarial com o meia.

Um erro que, obviamente, não demorou a cobrar seu preço.

Bruno César estreou com a camisa vascaína no fim de janeiro, contra a Portuguesa. Atuou 90 minutos pela primeira vez quase um mês depois, contra o Botafogo. No início de março, sem convencer, virou reserva. Retomou a posição na Taça Rio, mas a perdeu novamente durante as finais do Estadual.

No Brasileiro, disputou apenas 13 jogos de 38 rodadas. Somente cinco como titular.

Já são mais de seis meses sem Bruno César disputar uma partida pelo Vasco.

Nove sem atuar os 90 minutos.

Ao todo, em 17 meses no clube, são 33 jogos e 4 gols marcados. Muito pouco para quem é dono de um dos maiores salários do elenco.

Bruno César virou o símbolo da má gestão do futebol da atual diretoria vascaína, que contratou mais de 30 atletas em menos de três anos e hoje conta com um grupo quase todo formado pela base. Má gestão agravada agora pela notícia da renovação de contrato do jogador até maio de 2022.

Serão, ao todo, três anos e meio de Bruno César com a camisa do Vasco. Nem que seja a de treino.

O que se tornou um peso – principalmente financeiro – para o clube em 2019 e que se aproximava do fim em 2020 – o vínculo inicial iria somente até dezembro deste ano – agora terá mais dois de duração.

Bruno aceitou reduzir em R$ 100 mil o seu salário. Receberá algo em torno de R$ 185 mil a partir de agora. Um valor ainda alto para um clube recheado de dívidas e para um jogador que ainda não deu retorno técnico.

Se foi difícil para o camisa 10 conquistar treinadores e torcida em 2019, o que imaginar do meia em 2022?

O Vasco prolongou a forma de pagamento, mas não resolveu o problema como queria: a rescisão amigável. Ainda pagará pelo próprio erro.

A melhor forma que a diretoria encontrou para corrigir foi jogá-lo para a próxima gestão. Beira o absurdo, mas explica muito da atual situação do Vasco.

* texto atualizado às 22h



MaisRecentes

A impetuosidade de Cano



Continue Lendo

Neto Borges marca seus primeiros pontos no Troféu Ademir Menezes



Continue Lendo

A importância dos laterais no esquema de Sá Pinto no Vasco



Continue Lendo