Renato Gaúcho mostra para Luxemburgo como se busca uma Libertadores



Vasco fez uma de suas piores partidas sob o comando de Luxemburgo (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

No dia 26 de março de 1998, o Vasco entrou no gramado de São Januário para enfrentar o Grêmio apostando suas últimas fichas para avançar de fase na Libertadores. Apesar do timaço montado, campeão brasileiro poucos meses antes, havia conquistado apenas um ponto em três jogos na fase de grupos. Eram duas derrotas, um empate e nenhuma vitória até então. Um insucesso naquela noite e a taça que o clube ostenta com tanto orgulho hoje estaria nas mãos de outro.

Donizete, antes muito utilizado na marcação, recuando para acompanhar laterais, passou a jogar mais livre após reclamar com Antônio Lopes sobre suas funções – como o próprio revelou em entrevista ao site do clube. Quase foi dispensado, mas deu a volta por cima e terminou aquele duelo com o Tricolor como o dono do jogo. Pela esquerda, driblando quatro, iniciou o lance do primeiro gol marcado por Luizão. Pela esquerda, fez o terceiro em jogada individual. Era a arrancada vascaína para conquistar o continente.

É óbvio que as coisas no Vasco mudaram nesses 21 anos. Até demais. Ainda assim, o episódio mostra que para buscar algo maior, tentar ‘coisas boas’ – como diz Vanderlei Luxemburgo -, é preciso sair do pragmatismo e se arriscar um pouco mais. Ninguém chega a uma Libertadores com medo. E a prova foi dada por Renato Gaúcho, nesta quarta-feira.

O Grêmio até pisou em São Januário de maneira tímida. Respeitando em demasia os donos da casa, Renato entrou com um meio-campo com dois volantes estritamente de marcação: Rômulo e Michel. Luxemburgo, por sua vez, dobrou a meta. Mesmo precisando da vitória para se aproximar do G6 – que pode virar G8 -, escalou uma equipe com quatro volantes de origem: Bruno Gomes, Richard, Guarín e Raul. Com a bola, o colombiano se tornava uma espécie de apoiador, enquanto que Raul saia pela direita fazendo a função que normalmente é de Rossi.

Ou seja, todas as lacunas acabaram preenchidas por jogadores que, por características, são mais defensivos do que ofensivos. Em casa, podendo ficar a três pontos do 6º colocado, o treinador vascaíno optou – mais uma vez – pela segurança defensiva e a bola isolada para decidir a partida.

Quando Guarín fez 1 a 0, de falta, Luxa celebrou e torceu para que o seu 4-1-4-1 compactado no campo defensivo segurasse até o fim. Renato, por sua vez, sacou Michel, colocou Pepê, e teve a certeza de que sua linha ofensiva com quatro atacantes daria conta do recado. E deu. Três minutos depois o menino que acabara de entrar já empatava o jogo.

Os quatro volantes, dois laterais e dois zagueiros apenas assistiram Pepê tocar três vezes na bola antes de arrematar em gol.

A alteração, no entanto, não mudou somente o placar. Portaluppi estabeleceu ali, naquele instante, as regras para se obter o sucesso. Ou o Vasco arriscava, ou sucumbiria sem lutar. E foi o que ocorreu.

A entrada de Gabriel Pec na vaga de Ribamar, na teoria, poderia ser o desejo das arquibancadas, mas não era o que a partida pedia. Não pela atuação do menino ou a saída do centroavante, mas pela mexida em Marrony. Deslocado para ser o ‘9’, o atacante que era a única válvula de escape ofensiva da equipe passou a ser apenas mais um a brigar pelo alto com os zagueiros gremistas. Sem sucesso.

Quando Luxemburgo decidiu sacar um dos volantes – botou Bruno César na vaga de Bruno Gomes -, o placar já marcava 2 a 1 para os gaúchos – em gol nascido em falha de Richard, outro cabeça de área. Quando Tiago Reis, que não atuava há quase dois meses, foi a campo, a derrota já era por 3 a 1, em mais uma falha individual. Dessa vez de Leandro Castan, que cometeu pênalti infantil em Luciano.

Erros à parte, a atuação coletiva já era sofrível antes mesmo do empate. Sem Rossi e Talles Magno, a criação ofensiva da equipe é nula. Com eles, inclusive, no esquema sem um meia central, já era difícil. E Luxemburgo não encontra opções. Felipe Ferreira, que parecia que ganharia a posição, hoje sequer foi utilizado no decorrer do jogo.

Sem marcação alta, velocidade na transição ou movimentação para manter a posse – Guarín e Raul visivelmente estão fora de forma -, o Vasco não foi capaz de apresentar nenhuma alternativa de ataque que não fosse o chutão.

Individualmente é difícil encontrar soluções no elenco cruz-maltino? Claro que é. Mas coletivamente o time não pode ter a desorganização que apresentou contra o Grêmio. No Sul, por exemplo, contra o mesmo adversário e com o mesmo elenco, o desempenho foi completamente diferente.

A briga do Vasco não é mais contra o rebaixamento, isso já é página virada. Depois dessa derrota, porém, é difícil também imaginar que a luta seja por Libertadores. Mais pela bola jogada do que pela distância de seus concorrentes.



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