Reforços que não jogam: uma prática comum no Vasco há mais de duas décadas



Cobi Jones passou pelo Vasco em 1995 (Foto: Carlos Ivan/Ag. Globo)

Noticiei, no início desta semana, a rescisão de contrato do meia-atacante Lucas Perdomo com o Vasco, sem que o jogador ao menos tivesse estreado pelo clube. Nas redes sociais, acompanhei muitos torcedores indignados com a situação, principalmente pelo valor gasto com sua chegada – o clube pagou R$ 200 mil pelo seu empréstimo ao Boavista – e, claro, os salários.

A prática no clube – que há anos reclama da falta de dinheiro mas nem sempre mostra candura na sua utilização -, entretanto, não só é antiga como é recorrente.

Puxando apenas de memória, é fácil lembrar de alguns nomes que passaram por São Januário sem atuar. Ou que praticamente apenas estrearam.

O primeiro que me vem à memória é o americano Cobi Jones, que em 1995 chegou ao clube com status de jogador de Copa, tendo atuado pelos Estados Unidos no Mundial do ano anterior, inclusive enfrentando o Brasil. Jones entrou em campo apenas quatro vezes, todas elas pelo Expressinho, que disputava a Copa Rio em paralelo ao Campeonato Brasileiro, onde o Vasco, aí sim, mandava seu elenco principal. Poucos meses após chegar, deixou o Rio de Janeiro e retornou ao seu país.

Dois anos depois, mais de um time foi contratado após o Estadual vindo apenas de equipes menores. Alguns vingaram, como Nasa e Odvan, trazidos de Madureira e Americano, respectivamente. Outros, entretanto, sequer ganharam uma chance no time principal, como volante Marcão, que se tornaria ídolo do Fluminense posteriormente, e o lateral-esquerdo Maciel, que voltaria a vestir a camisa vascaína em 2005, após ter jogado apenas três vezes em 97, todas também pela equipe reserva, que disputou a 1ª fase da Supercopa dos Campeões da Libertadores. O zagueiro Marçal, o meia Acássio e o atacante Vágner, também tiveram trajetória parecida.

Acássio fez três jogos pelo Vasco em 97 (Foto: Panini)

Foi a partir deste século, porém, que a prática e o volume aumentaram.

Com Eurico Miranda na presidência, em 2002, o Cruz-Maltino trouxe para o seu elenco os laterais Jaiminho e Robson, o zagueiro Altair e o atacante Kesley, que jamais entraram em campo. Além deles, Andrezinho, Wellington Jacaré e Luciano Vianna, todos vindos do Americano, não disputariam mais do que duas partidas pelo clube em seis meses de contrato.

Nos anos seguintes da gestão de Eurico, passaram pelo Vasco nomes como Leandro Eugênio, ex-Botafogo, Felipe Veras, ex-Flamengo, Landú, ex-Gama, André Borges, mais um trazido do futebol dos Estados Unidos, Anderson Lopes, ex-Madureira, Leonardo Inácio, ex-Fla, Flu e Bota, Alessandro, ex-Cruzeiro e Atlético Mineiro, o zagueiro Santiago, ex-Olaria, Elias, ex-Atlético-GO, Domingos, ex-Ituano, Alexandre Pinho, ex-Paysandu, os chilenos Frank Lobos e Cláudio Salinas, o meia Fábio Neves, ex-Fluminense, o zagueiro Marcelo Augusto, ex-Botafogo, e o atacante Marcelo de Faria, ex-Ajjacio, da França, o zagueiro Tales, os centroavantes Luiz Carlos e Anselmo, os goleiros Flávio, ex-Cabofriense, e Flávio Paranaense, ex-Atlético-PR, e possivelmente mais alguns outros que a memória e a pesquisa rápida me impediram de achar.

Todos estes listados acima não atuaram ou fizeram apenas um jogo-oficial pelo time no período em que foram contratados.

Salinas e Lobos foram apresentados mas nunca jogaram (Foto: Divulgação)

Durante a presidência de Roberto Dinamite, entre 2008 e 2014, o número de atletas contratados e não aproveitados foi reduzido, mas ainda tivemos alguns casos, como do volante paraguaio Pedro Vera, que disputou apenas um amistoso na Coréia do Sul, do lateral-esquerdo Fernando Galhardo – um amistoso e um jogo no Carioca -, o meia argentino Matías Palermo, que entrou em campo alguns poucos minutos em uma partida contra a Seleção Capixaba, e o goleiro Rafael Copetti, contratado junto ao Benfica em 2014, que não estreou.

Outros, como os argentinos Abelairas e Chaparro, e o brasileiro Fábio Lima, deixaram São Januário sem terem feito ao menos cinco jogos pela equipe. Alisson, que hoje brilha no Grêmio, por exemplo, foi devolvido ao Cruzeiro após oito atuações em 2013, mesmo tendo marcado dois gols no curto período. O clube acabou rebaixado neste ano.

Palermo disputou apenas um amistoso em 2010 (Foto: Divulgação)

Em 2015, com a volta de Eurico Miranda à presidência, as contratações de jogadores que não seriam aproveitados voltou a aumentar. Apenas no primeiro ano, foram seis ‘reforços’ trazidos que não fizeram uma partida sequer pelo Cruz-Maltino: os laterais Erick Daltro e Bruno Teles, os zagueiros João Carlos e Nikolas Mariano, o meia Jéferson e o atacante Erick Luís. O chileno Felipe Seymour, outra novidade no elenco, fez apenas um jogo na temporada.

Entre 2015 e 2018, como já publicado aqui no blog, 127 atletas assinaram contrato com o Vasco, entre base e profissional. Dez nem entraram em campo e outros tantos não completaram sequer dez atuações, como Victor Bolt, Romarinho, Mosquito e Bruno Ferreira.

O colombiano Alexis foi contratado para o sub-20 em 2015 e nunca atuou (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Sob a gestão de Alexandre Campello, Lucas Perdomo é o primeiro a sair sem atuar. O zagueiro Lucas Kal, contratado no fim de agosto, é outro que ainda não estreou. Vinícius Araújo, um dos últimos reforços anunciados, ainda não completou 200 minutos em campo.

Pequenos exemplos dos gastos sem ganhos tão comuns no clube em sua história recente, e que explicam muito do momento vivido pelo Vasco nos últimos anos. Dentro e fora de campo.

As questões que ficam são: se não havia qualidade técnica para aproveitá-los, por que foram contratados? Ou o contrário: se tinham virtudes, por que não foram utilizados? Perguntas que não são respondidas no Vasco há décadas.

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